domingo, 18 de outubro de 2015

Como apanhar uma depressão pós parto.

Simples. 



1 - Aceitar as visitas de toda a gente e ser incapaz de dizer que não às pessoas. 

É agora. É agora que temos de começar. Está tudo louco? Vêm cheios de micróbios besuntar a criança que ainda tem restos do útero da mamã em cima? Pior! A mãe passou por uma experiência que exigiu muito dela tanto fisicamente como psicologicamente e, sim, o que se precisa é mesmo de uma conversinha para saber a "última" lá do trabalho.

2 - Preocupar-se demasiado com tudo e querer ser perfeccionista. 

Não. Toda a gente tem prioridades por um motivo: é impossível ser perfeito. Temos mesmo de escolher o que é mais importante para nós e onde vamos pôr o nosso "dinheiro". Importa mais descansarmos ou termos uma cozinha limpa que se vai sujar outra vez dali a menos de um dia?

3- Ter horas para as mamadas do bebé.

Não há pior. Não se amamenta com horas. O bebé precisa da mãe e a mãe dá mama. Mama é colo. É mimo. Lembro-me de olhar para o relógio, contar três horas e reger-me por aí. Era terrível, não podia fazer a minha vida. Claro que, no início, segundo os pediatras, temos de os acordar de três em três horas até ganharem o "peso normal" e acordá-los até pode ajudar a prevenir a morte-súbita nos primeiros dois meses ou lá o que é. O ideal é não ter horas para a mama. É estar disponível para eles sem fazer considerações lógicas  como "não pode ter já fome!". Pode não ser fome. Pode ser sede. Pode ser mimo. Se há uma maneira de os ajudar, para quê tentar negar?

4 - Ficarmos demasiado agarradas ao "antes" de ter o bebé.

Estarmos sempre a queixarmo-nos (principalmente a nós mesmas) de que a noite foi terrível. De que já não dormimos 3 horas seguidas há mais de 2 meses (sem contar com o final da gravidez). Convém aceitarmos que as coisas funcionam como funcionam porque eles precisam de nós, em vez de estarmos constantemente insatisfeitas com a nova realidade. É assim. E já toda a gente nos tinha avisado.



5 - Querermos ter a casa limpa.

Claro. Muita bem. Queremos ser as super-mulheres, não é? A mãe que tem o recém-nascido, que limpa, que não dorme, que o marido chega a casa e ainda lhe damos uma traulitada. Não. Priorizar, sff. É sinal de inteligência e, mesmo com a casa suja, todos ficam a ganhar com uma mãe melhor da cabeça. 

6 - Não querermos pedir ajuda.

Qual é o mal de admitir que não conseguimos fazer tudo? Por que é que tantas pensamos assim? Que já estamos a falhar no nosso dever de "mulheres" e de mães se pedirmos ajuda? 

7 - Não aceitarmos ajuda.

O mesmo da de cima só que com pessoas próximas. Se não deixamos que a nossa mãe, sogra, irmã... nos ajude... o que pretendemos com isto? Lamentarmo-nos de nos sentirmos sozinhas por escolha? Esquisito, não é?

8 - Não dormirmos quando eles dormem.

Temos imensa vontade de ter tempo para nós, mas não chegamos a aproveitar por estarmos tão casadas. Sempre que eles acordam e escolhemos não dormir, chegamos à mesma conclusão: "devia ter ido dormir logo, que estúpida". Tentemos aprender com os "erros". Descansarmos é importantíssimo para todos. Para nós, bebé, pai... para as maminhas porque é quando descansamos que a hormona da produção de leite trabalha mais... 




9 - Não tomarmos banho frequentemente.

Sentirmo-nos sujas e a cheirar a leite azedo faz-nos pior à cabeça do que se possa imaginar. Tomar banho com um recém-nascido em  é tarefa muito complicada, mas pede-se ajuda ou é-se criativo. 

10 - Tentarmos arranjar explicações para tudo sem tentarmos informarmo-nos.

Acho que ele não dormiu bem porque lhe dói a barriga e metade do ouvido... Convém estarmos atentas, que estamos, claro, mas há coisas que simplesmente são do mais básico que há: ao bebé precisa da mãe. Precisa de mimo. Precisa de colo. Precisa de beijinhos. Nos primeiros três meses é mais importante que tudo o resto. Há quem diga que mais de metade das "cólicas" que os pais e profissionais de saúde dizem que os bebés sentem, não passa da maneira deles de expressarem que se sentem inseguros. Precisam de nós.

11 - Darmos ouvidos a toda a gente que não tem informações credíveis.

A sogra punha o filho a dormir a fazer o pino e punha-lhe um nabo na testa para respirar melhor? Por favor. A mãe é que sabe e, se não sabe, faz por saber, num sítio credível. 

12 - Questionarmo-nos "por que é que o nosso bebé é diferente"? 

O da Sara dorme a noite toda? É o da Sara. O nosso bebé não é filho da Sara e do coiso. O nosso bebé é diferente, sim. Porque tem tudo de diferente dos outros bebés. Ainda bem, senão era um Nenuco e eles têm um buraco para fazer xixi muito esquisito. 


13 - Querer "recuperar" a vida antiga rapidamente.

Não é que tenha acabado, mas sofreu uma mudança. Aceitemos isso. Abracemos a novidade sempre com olhos postos numa altura em que já consigamos ter estabelecido uma sintonia com o bebé, com a família, connosco. Cada dia que passa é menos um para estar tudo equilibrado. 

14 - Afastar o parceiro.

Muitas mulheres não se sentem compreendidas ou ajudadas pelo parceiro. Há muitos que não as compreendem ou que não as ajudam. Temos de aprender a ajudar-nos. Se queremos ajuda, podemos pedir-lhes. Se sentimos que precisamos de chorar, choremos com eles. Não podemos estar à espera que eles adivinhem do que precisamos, especialmente agora. Quem fica a perder são... todos!

Querem ajudar a completar?

11 comentários:

  1. Não sair de casa com medo do frio, da chuva, do calor, do sol, do ar.. De tudo! Sair todos os dias, de preferencia logo de manhã, faz muito bem, tanto ao bebé como à mãe! Não vamos para um shopping carregado de bactérias e vírus, e barulho, claro! Vamos dar um passeio a pé num jardim.. Vamos à mercearia do bairro comprar umas frutas.. Qualquer coisa que nos permita sair de casa, e arejar a cabeça! De preferencia, vamos beber um café com uma amiga, ter 30m de conversa com adulto! Aposto que não te lembraste desta porque tiveste o marido sempre contigo, mas quem fica de licença só com um bebe, sozinha o dia todo.. Há que conviver com gente adulta!! ;)

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    1. Concordo plenamente. A minha B nasceu em Novembro e desde Janeiro que estou quase 24h sozinha com ela. Sol? E logo motivo para sair de casa :-)

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    2. Bem, os meus sempre saíram desde bebés, quer para a rua quer para shoppings e são ambos muito saudáveis.
      Essa parte das bactérias de virus que diz lá haver devem-lhes ter feito muito bem.
      Aliás, a minha filha nasceu no inverno /chuvoso e ventoso por sinal nunca deixei de sair. Mas claro, a opção eram os shoppings, lá não chove.
      Mais ainda posso dizer que eles adoram as luzes e cores (não nunca andaram atabafados nem tapados).

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  2. E viver num país estrangeiro e numa aldeia onde nem sequer há cafés e ter tido uma infecção na cicatriz da cesariana durante 6 semanas logo a seguir ao parto? O que me valeu foi pensar que havia de melhorar...a miúda tem 3 meses e meio e é uma santinha, mas eu senti-me a mãe mais incapaz de sempre e não senti aquele amor incondicional por ela logo no início! Amo-te desde que soube que estava grávida e sempre fiz tudo por ela, mas senti-me tão cansada que me lembro de pensar que ela só me dava era trabalho e nenhum prazer em ser mãe dela :/ felizmente as coisas entraram nos eixos :) ❤❤��

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  3. Parece que andas as escrever posts para mim, Joana! :) Agora que estou a (quem sabe) dias de me juntar ao mundo das mamãs, vou atentar nas tuas dicas! ;)

    beijinhos,

    Sweet Pi - http://thesweetestpiblog.blogspot.pt/

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  4. Vou discordar na parte dos horarios, é o que me fez ficar sã! tentei livre demanda e juro que pensie q ia ficar doida. Horarios mais ou menos controlados foi o que me valeu! E por cá deu super certo, tanto que nunca cheguei a dar LA e amamentei ate aos 2 anos e meio da filhota :)

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    1. Também o fiz e correu "bem" para a amamentação, mas foi péssimo para a minha cabeça, confesso. Para a próxima farei mesmo LD.

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    2. Completamente de acordo. Correu tudo bem, mesmo olhando para o relógio e isso permitia-me exactamente ter sanidade mental e sair de casa sem pensar que ele morria à fome porque havia uma previsibilidade. Tendo também a discordar do extremo enfoque na mãe (sempre a mãe, cadê o pai?...), mas é o tom habitual do blogue (confesso que me faz um bocado de confusão e me parece um pouco disfuncional). Eu achava que o meu recém nascido precisava tanto do colo e mimo do pai como das minhas mamas e às vezes só mesmo deitado no peito do pai se calava.

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  5. Ahhh, então foi por tudo isto que eu NÃO tive uma depressão pós-parto... Tirando a questão do banho que, confesso, me sabia a luxo nos primeiros meses e era sempre tomado em tempo record e com profundo sentimento de culpa, acho que segui mais ou menos todas as directrizes deste post... Em particular, quanto aos pontos 1 e 11, desde que engravidei que assumi perante o mundo que não me importaria de passar por antipática e mandar cada um meter-se na sua vida, se isso contribuísse para que as únicas pessoas com verdadeira autoridade para decidir, i.e., eu e o pai, o fizessem com tranquilidade... No primeiro fim-de-semana em casa com o bebé abrimos as portas. Todos foram bem-vindos. E a partir daí, acabou. Foram dois dias duros para os três, mas compensou claramente, já que, depois disso, toda a gente estava satisfeita e ninguém levou a mal que dissessemos 'hoje não'.

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  6. Toda a gente fala nisso das visitas, mas é engraçado como somos todas diferentes. Se me tirassem as visitas de início, tiravam-me muito do ânimo para me arranjar, para estar mais espevitada, para poder socializar. 3 filhos, todos no inverno (o último ainda só tem 3 meses), com o marido num emprego super-exigente, sem grande tempo, nem imaginam como ficava feliz ao ver a minha mãe, a minha sogra, a avó do meu marido, a minha tia, as minhas amigas. Muitas visitas, por favor! Conversas que sejam sobre mais do que crianças! Em relação aos «conselhos», dizemos sempre que sim e fazemos exactamente como achamos melhor. Simples. Quanto à casa, eu gosto que esteja arrumada, mas não quer dizer que não brinque com os meus filhos. O meu lema é: Se existe, é para usar. Está sujo? Lava-se. Partiu? Cola ou compra novo. Sem complicações e dramas.

    Beijinhos,

    Outra Joana

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  7. Atenção que a DPP poderá resultar da incapacidade do cerebro produzir a hormona seratonina. Após o parto, há uma queda abrupta das hormonas e, em alguns casos, o cerebro não consegue produzir esta hormona em valores ditos normais. A mulher até pode estar a fazer tudo "certinho" conforme a lista acima, e mesmo assim ter DPP. Porque é que algumas mulheres têm o baby blues, outras a DPP, e outras não terem nada poderá estar relacionado com predisposição genética. Claro que os fatores externos podem acentuar, agravar, mas a origem pode estar muito além daquilo que possamos fazer. É uma situação de alteração química. Isto vivido diretamente por mim: geri visitas, tomei banhos e vestia-me todos os dias, falava com amigas, saia com o meu companheiro, pedi imensa ajuda a pais, irmãos e tive depressão pós parto.

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