quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Ela quer umas férias... de auto-caravana!

Aiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! Por que é que não posso ter uma filha que tenha curiosidade e imensa vontade que seu o pai, ex-marido de sua mãe, ofereça um condomínio fechado à mesma? Ou por que é que não morre de vontade de pôr a loiça na máquina depois de dar uma passagem nos pratos de sopa para não ficar a cheirar a lixo com este calor?

Não. A miúda agora quer é viver à Eminem no filme 8Mile. Claro que sem a parte dos maus tratos e abusos. Bom, se calhar devia riscar este exemplo, mas não estou agora com grandes referências de auto-caravanas na minha vida. 

Ela já me anda a dizer isto há um ano ou dois. Praticamente desde que começou a falar, que graça! Foi a primeira frase que disse: "Mãe, temos de ir viajar de auto-caravana. Vá, um abraço". Foram duas frases, que não sou parva, eu sei. 

Bem, sendo assim, sabendo que ela não sabe bem o que está a pedir. Acho interessante ouvi-la e considerar essa hipótese, até porque acho... à parte dos cocós e xixis em monte para um balde ou para um depósito (não sei bem do qu eestou a falar) até pode ser giro viver uma vida minimalista, desde que devidamente equipada com wi-fi, ben-u-rons, brufens, anti-mosquitos e Uber Eats. 

Ontem, a falar com os meus colegas (ainda falo com eles e eles comigo apesar de trabalhar na empresa há mais de 10 anos - é porque eles vão mudando, vão brotando dos cantos, são sempre malta nova) disseram-me que só se podem estacionar auto-caravanas dentro de parques de Campismo. Isto é verdade? A auto-caravana é, então, só uma tenda montada para todo o lado? 

Tem de haver mais do que isto em relação a auto-caravanas. Brindem-me com informações. Sei que isto não é muito sexy para uma blogger que não seja de viagens e de aventuras, daquelas mães que consegue dar de mamar, num marsúpio, despida enquanto vai numa liana fazer um grande mergulho numa cascata, mas tem de se começar por algum lado. 

Ajudem aqui a... pseudo-beta que se quer auto-caravanar. Alias, nem sou eu... é a filha que estou a educar e que, na volta, quando formos até vai odiar... 



Assim quase que dava, não era? Até ter uma intolerância qualquer e dizer "malta,vão todos lá para fora para o parque de campismo que preciso da sanita só para mim". 







quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Vamos falar de violência obstétrica?

A minha mãe foi das primeiras pessoas que me falou do que sofreu no parto. No meu parto, há 32 anos. Sofreu muito. Mais do que pelas dores, pela forma como foi tratada. Ouviu a célebre frase do "não gritou quando o fez", não lhe deram água nem molharam os lábios quando pediu, foram muito brutas e insensíveis. Disse-me que foi muito maltratada, ignorada e que teve muito azar. "Devia ter feito o curso de preparação com elas, não me conheciam e não quiseram saber". Penso que terá sido tão mau e traumatizante ao ponto de ainda contar o episódio com um ar triste. Também por isso terá sofrido tanto quando eu tive a Isabel. Chorou, preocupou-se muito, ficou em Lisboa até nascer (nasceu às 02:38 da manhã), não arredou pé. Também aí me apercebi de que uma mãe é mesmo para a vida toda (e que sofre a vida toda pelos filhos).

A minha mãe foi vítima de violência obstétrica. Mas eu achava que era coisa de enfermeiras e médicas da "velha guarda" e estava longe de saber que, hoje em dia, ainda há muitos procedimentos que não são normais e nem sequer necessários, que ainda se desrespeita muito a mulher e a vontade desta e que a mulher não sabe ao que vai, não conhece as várias opções, não está informada sobre o processo biológico. A verdade é esta. São poucos os cursos de preparação para o parto onde se fala do que pode e deve ser feito. Ensina-se o que é feito nos hospitais. Não se fala de alternativas. Não se questiona.

Eu só descobri que a episiotomia raramente é necessária aqui, no blogue, quando abordei o tema e me passaram informação sobre a mesma. Eu só descobri que os químicos que nos dão para acelerar o trabalho de parto ou para o induzir aumentam e muito as nossas dores. Só mais tarde percebi que há médicos que inventam desculpas para que o bebé nasça no dia mais conveniente ou para prosseguirem para cesariana: "placenta velha", "pouco líquido", "está sentado", dizendo também, muitas vezes, que, com 37 semanas ou 38 já estão mais que prontos, ou que são muito grandes, ou que... A mulher, vulnerável, perante aquele que considera o expert, aceita tudo. Deixa nele as decisões.

Aprendi muito depois de ser mãe. Com o que li, com outras mães, com especialistas em amamentação, com histórias. E li recentemente uma reportagem (chamada O Ponto do Marido aqui ) que me deixou enjoada sobre violência obstétrica no Brasil, conduzido por uma jornalista também ela vítima. Coisas que se dizem, "piadas", coisas que se fazem, procedimentos a que submetem a mulher, que não é tida nem achada no processo. Uma em cada quatro mulheres é vítima de violência obstétrica no Brasil. Há, por lá, mas também por cá, o chamado "ponto do marido" que é o ponto que dão a mais na vagina da mulher para que possa dar mais prazer ao marido, deixando-as muitas vezes incapacitadas e sem prazer durante meses ou anos ou... Isto faz-se. Muito. E provavelmente também por cá. E isto é mutilar. É desumano. Cruel. Machista. Abjecto. Imoral. E muitos outros adjectivos.

(Segundo a reportagem "O Ponto do Marido", aqui, a episiotomia, o corte abaixo da vagina durante o parto, deveria ser usado apenas em casos pontuais e necessários, mas acaba por ser usada em 53,5% dos casos no Brasil. O problema? Não há provas científicas de que este seja necessário, o mesmo não pode ser feito sem autorização da paciente e a costura posterior não pode ir além do corte vaginal dito 'natural' para satisfazer o parceiro. A OMS adianta mesmo que "não há nenhuma evidência que prove a necessidade da episiotomia em qualquer situação".")

Eu li testemunhos assustadores. Felizmente há quem dê a cara por este tema e há coisas que estão a ser feitas. Por exemplo, vai ser ministrado o primeiro curso sobre violência obstétrica para juízes (compreender o que é é o primeiro caso para que possam avaliar); o Ministério Público fez uma audiência para debater o tema com profissionais de saúde; projecto lei está a ser aprovados; o tema está ser amplamente disseminado. Ainda bem.

Ainda falta muito. Até ver-se negada a posição como a mulher quer parir pode ser, em alguns casos, um exemplo de violência obstétrica, sabiam? Que o plano de parto deve ser respeitado quando possível (e muitas vezes até era possível, mas não dá jeito). É por isto e por tudo o resto que ainda há muito a fazer e as doulas, os profissionais e os especialistas podem ser mesmo muito importantes neste processo de quebrar mitos, medos e de empoderar as mulheres. Conhecer os nossos direitos é fundamental.

Temos de falar sobre isto. Venham daí essas opiniões e essas histórias. 

Esta imagem... esta imagem... mata-me um bocadinho.


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E estas fotos de mães todas boas na net?

Estou zangada convosco, mães tesudas. Estou zangada convosco, mulheres, que dizem "ai, com a gravidez perdi tanto peso que estou super magra". Bem sei que todas temos os nossos problemas, mas parece-me sempre que preferia ter os vossos. 

Depois de ser mãe, lembro-me que olhei ao espelho (agora apercebo-me que não foi imediatamente a seguir, que foi depois de ter ficado um ano em casa) e vi duas papadas, a cara muito mais larga, os braços tão largos que pareciam ter um garrote imaginário algures, umas pernas gorduchonas (mas já vi brasileiras com estas coxas e achei que lhes ficavam bem). 

2018 é o ano para apostar na minha sensualidade na internet, tomem um pouco de Yoga que faço com o Chama a Sofia


Pensei: ahh... pois, entrei agora no campeonato das mães. Já foi. A minha oportunidade de ficar agradável de maneira a não por uma pareo nas mamas mas sim abaixo do umbigo (bem sei que quase ninguém usa pareos hoje em dia, mas vale a pena relembrar) já está mais longe que a minha esperança de achar que ninguém repara no meu buço.

Estas influencers que foram mães, as magras por natureza e as six-packers que têm a barriga mais definida que uma televisão de 3 mil euros retiraram-me uma das maiores felicidades do mundo, a desculpa: "Oh, fui mãe, é normal que pareça um insuflável". 

É normal durante os primeiros meses e os primeiros tempos e até sentirmos força e vontade para trabalhar nisso. Não é de todo a prioridade, não temos de "ser perfeitas" ou de estarmos sempre "em cima da nossa saúde". Às vezes temos de... não nos importar, para nos conseguirmos importar com coisas que nos parecem mais urgentes, tipo um bebé que não pára de chorar durante 5 horas a não ser quando vai para o colo do pai. 

Mas estas mães do instagram, ou têm um filtrozinho de 99 centimos no Face Tune ou no Vsco que põe uns abdominais e lhes tiram "o peso da maternidade" ou, então, reencaminharam o parto do bebé para outra pessoa como eu faço com mails chatos. 

Bom, isto de ser mãe - ainda para mais quando já passaram 4 anos - já não serve como desculpa e por isso ando a cansar o rabo. Em que fase estão vocês? 

Se forem uma das mães todas boas do instagram, bom para vocês. Fico quase genuinamente moderadamente contente por vocês - não fico nada - mas, não me levem a mal se tiver que fazer um unfollowzinho só para garantir que mantenho as últimas gotas de auto-estima que me restam, 'tá? 





Regras básicas do Whatsapp.

Gente, tendo em conta o post de ontem e depois do comentário de algumas mães (ou inimigas minhas do básico que ficavam todas roídinhas por eu arrasar em calças justas no rabo) a dizerem que o blog estava a ficar booooring, aqui um assunto que acho que nos toca a todas: o Whatsapp. 




É uma aplicação para conversar. Tipo messenger, mas sem aquele aspecto de Facebook. E que usa os números de telefone para isso e não os contactos do Facebook. O que faz com que aquele tipo que adicionaram há 7 anos e que não sabiam bem quem era, não saiba se estão online e se moram no Bairro da Boavista (mais ou menos o meu caso - agora vão lá bater à porta). 

Tal como tudo (sexo, doces, glúten), o Whatsapp é para ser usado com alguma moderação e existem algumas regras de etiqueta. Se não se importam, vou armar-me em Paula Bobone do Whatsapp.

Já agora, alguém faz ideia se ela se pinta assim tipo "imagem de marca" ou se sofre com alergia aos poléns e gramínias e os espirros acontecem sempre que ela põe o eyeliner?


Para o vídeo do Sapo que vai sair na quinta-feira (depois digo-vos), também fiz a minha interpretação de Paula Bobone, mas acho que me esforcei demasiado.

Apreciem não só 25% da minha casa de banho, a make up à Bobone, o ar de quem viu um snack da Nutella e um mini corno a surgir na testa porque é a terceira vez que bato com ela numa prateleira do Ikea mas ainda não fiz nada em relação a isso, entro em negação. 


Regra 1: The answer is coming

Quando se fala no Whatsapp não é para se falar às mijinhas. A ideia do Whatsapp é que as pessoas possam ler quando lhes apetecer, tiverem tempo ou se lembrarem. Não é prender ali a pessoa em tempo real para depois, no final, contar que está a usar fucidine para tirar um pelo da virilha e que está louca que o Verão acabe para ficar um urso novamente. 

Regra 2: ESTOU SEMPRE PRONTA! 

Nunca estar na mesma janela enquanto falam connosco. Mesmo que estejamos a morrer de curiosidade se o marido dela descobriu que a principal motivação para ela ir ao ginásio era um PT a quem nas veias lhe corre sangue africano... Não. Isso é creepy. Seja onde for na vida, em que momento for, a ideia é nunca darmos a entender que estamos "em cima do acontecimento" e que vivemos para isso. Não. Chill, nem que seja só aparentemente. É a chave de parecer fixe. Digo eu, não sei bem. 

Regra 3: Forever Friends

Quando há um grupo de 10 pessoas e só duas conversam... get a room! Se a malta não está a conversar é porque está a ser aborrecido... e vocês não querem parecer a tipa da fila da frente na escola que responde a todas as perguntas do professor e que tira dúvidas sobre matérias que ainda nem deram. Não. Aqui a tia não vos deixa fazerem essas figuras - eu era essa pessoa na escola e na faculdade - uhhh só para dizer que tirou um cursinho. 

Regra 4: Stalking de qualidade 

Nunca, mas nunca usar a cartada do "enviei-tem a mensagem às 14h, estiveste online pela última vez às 14h30, são 16 e ainda não me respondeste". Nãaaaao! Isso pode dar a brilhante ideia da pessoa tirar essa informação de disponível no Whtsapp e nós não queremos isso. Nós queremos saber o que se passa e a que horas. Eheheh Vá, vamos fingir que isto é um comportamento aceitável e que não é stalking, que não é doentio e que não revela a insegurança de uma pessoa, vamos? Vamos. 


Pronto. Ele há outras regras, mas também não vos posso fazer a papinha toda. Uma coisa que vos contei é que tirei as notificações todas das aplicações, para ser "mais feliz que isto". Querem ler? Ai que bom, então está aqui: Quero ser mais feliz que isto (#1): Adeus instagram! 





terça-feira, 18 de setembro de 2018

Vocês dizem que este blog está uma seca e é verdade!

Epáaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!

Apercebi-me de uma coisa: eu não leria este blog. Primeiro porque não leio blogs (como não são sobre mim, não me interessam - ahahah, brincadeira... médio). 

E depois apercebi-me que, com a devida distância, aquilo que torna o nosso blog único são as diferenças gigantescas de personalidade entre mim e a outra Joana (a Paixão Brás). Não têm sido anos fáceis desde que a Irene nasceu (ou antes, ahah) e, por isso, tem sido complicado para mim encontrar o meu "humor" dentro disto da maternidade. 


Acho que o facto de ser um blog de maternidade me pesa muito, como se me obrigasse a calçar uns sapatos de salto alto e a andar maquilhada ou comprar toda a minha roupa na Massimo Dutti. Como se vocês e eu não tivéssemos o nosso qb de imbecil ou todas nós não déssemos puns de vez em quando. 


Isto está pesado e aborrecido. É verdade! Está inspirador e tal, estou cada vez mais apaixonada pela Irene e por isto da maternidade, mas está cansativo. Sinto que me tenho estado a tornar - aqui, porque faço outras coisas - uma espécie de Gustavo Santos da maternidade (que continuarei a ser, mas não só isso). 

Tomem disto, a mãe que sou e o quanto desisto da vida quando a levo a um parque ;)


Todas nós temos a nossa evolução espiritual (mesmo naquelas em que, nos comentários, pareça haver mas é um marasmo completo, ahah), mas porra! Abrir um blogzinho para estar sempre a ver quantas vinte maneiras arranjei de amar a minha filha e de me sentir uma mãe melhor é, sim, vomitável (emoji vómito), têm razão. Só isso, não!

Isto é muito um diário para mim, pensado em inspirar algumas de vocês e, precisamente, a tentar salvar "muitas de mim" que passam, passaram ou passarão (um pássaro grande) por todos os pensamentos e tormentas de quem fez nascer um ser das suas entranhas (seja pela pança ou pela pomba - ahaha, esta expressão), mas lá por ser mãe não quer dizer que não me ponha para aqui a contar outras peripécias da minha vida que não tenham nada a ver com isso. 

Ser só uma coisa não define ninguém. E bem sei que o nome deste blog é um pouco "redutor" dos vários papéis que uma mulher tem na sociedade, mas uma mãe (o quanto tremo com isto que vou escrever agora) também é mulher e, portanto, agora levem com a mulher toda. 

A Joana sem achar que tem de ser "eloquente" ou toda pimpona e pesada e sentimental só porque é mãe. Aqui também posso ser bem humorada, porra. Sou bem humorada o dia todo (médo), porque é que depois aqui no blog me dá uma travadinha e fico tipo coach sentimental? Não tem mal, mas é boooooooooooooooooooooooooooooooooring. 

Por isso, sim. Obrigada pelos comentários num dos posts anteriores a dizer que o blog está uma seca, porque têm razão: está. 

Isto vai ficar esquisito a partir de agora porque vou falar de coisas que se calhar quem gosta do meu outro registo vai ficar extremamente desagradada e sentir-se enganada e querer por o blog no lixo, mas... páaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa tenho que me libertar desta cerimónia toda! 

Soobbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbbe, Joana Gama Freire!

O que querem mais de mim, de nós? 

Se disserem menos publicidade, vão passear porque gosto muito de ter dinheirinho para comer e, portanto, amanhem-se, ahah. Também não fazemos assim tanta, deixem-se de mariquices, vá. 

Então e os preparativos para o casamento, Joana?

Ai gente, estou a escrever este post às 02h00 e nem vos falo nem vos conto.
Já comecei a ter umas dorzinhas de barriga por faltarem pouco mais de duas semanas e de ainda me faltarem tantas coisas. Nada de muito importante, mas... adorava poder dizer que já tinha TUDO TRATADO. Nem pouco mais ou menos.
Estou a ter a ajuda da Renata da Cravo para o conceito e para alguns pormenores de decoração e se não fosse ela e os meus padrinhos (ricos padrinhos) eu já tinha dado em maluquinha - vocês que trataram de tudo sozinhas, são as maiores! 
Portanto, coisas que me faltam e talvez vocês me possam ajudar a encontrar, sem ser em Freixo de Espada à Cinta: cestinhas para as miúdas levarem umas flores (onde?); bolinhas de sabão deste género cá à venda (encomendar nas Amazons da vida agora já me parece arriscado e não deve chegar a tempo); extensões para o cabelo (daquelas com tiquetaque para aumentar volume e comprimento), em Lisboa, onde?... O que levaram de emprestado e de usado e de...? 
De resto, fazer mesas e escolher músicas, mas penso que nessa parte já não me poderão ajudar :)

No casamento da Raquel no ano passado, a minha madrinha de casamento <3


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segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Parvoíce ou vocês também sonham com estas coisas?

Estava a estender a roupa (coisa que fiz muito este fim-de-semana e que, apesar de não adorar, me faz reflectir) e comecei a ouvir crianças a saltarem para a piscina e a nadarem. Há um condomínio em frente ao meu prédio com piscina. As minhas filhas estavam na sala a brincar e a esbofetearem-se (alternam muito entre uma coisa e outra). Era domingo e estava calor. E eu comecei a deixar-me invadir por pensamentos menos bons. A chatear-me por termos estado a manhã toda em casa, de volta da louça, da roupa, do almoço, das arrumações. De vez em quando fico com peso na consciência e sinto-me um bocado culpada, a achar que me organizo mal e que o fim-de-semana deveria ser só para elas. “Se morássemos ali, já estava feito. Descia até à piscina, uns mergulhos, umas brincadeiras com os vizinhos e já não me iria sentir assim”. Lamentei vivermos num segundo andar sem elevadores e sem garagem (já apanhei multa de estacionamento e tudo à custa disso). Perguntei-me se algum dia lhes poderia dar isso. Imaginei-nos numa casa com jardim a receber os nossos amigos numa almoçarada. E parei por ali. Que parvoíce. Comecei a fazer o exercício contrário. A pensar nas coisas boas das nossas vidas. A não me julgar pelas minhas escolhas. A não exigir mais das nossas histórias. Lembrei-me do quanto os meus pais suaram, do que cresceram, dos desafios a que se propuseram. Da equipa fantástica que fizeram para que o meu pai tirasse o curso superior já com filhos. E orgulhei-me. Orgulhar-me-ia de qualquer forma só pelo amor com que sempre nos educaram, mas o facto de terem conseguido contrariar o expectável e terem ultrapassado o inexpugnável fez-me perceber a fibra de que eram feitos. E o facto de nos terem falhado com nada do que é importante, comida, amor e atenção, de se terem desdobrado para me levarem até Lisboa para os meus ensaios nos Onda Choc para cumprir um sonho (mal eu sabia que contavam todos os escudos nessa altura...), de nos terem dado uma infância muito feliz... é impagável.

E agora estava ali entre uma mola e outra, a sonhar com uma casa com piscina ou com um quintal onde pudessem correr. Não há mal nenhum nisso, mas, sei-o bem, é muito improvável que aconteça. Sou ambiciosa mas não a esse ponto sequer e acho que não vale tudo para que o conseguíssemos. Prefiro manter os pés bem assentes na terra, não me endividar do que procurar a felicidade em coisas que não sei se nos trariam isso ou só preocupações. Não sei como estão os pais daqueles miúdos que ouvi rir na piscina. Não lhes conheço as histórias, os medos, nem sei sequer se estão felizes.

Por isso, o exercício que (me) proponho é este: ver o copo meio cheio no que somos, alcançámos e não nos cobrarmos mais nem nos sentirmos infelizes pelas nossas circunstâncias. Quando temos o mais importante: saúde, amor, uma família unida e sonhos simples, tem tudo para dar certo. 

Com o que sonham vocês?

No jardim ao pé da nossa casa <3

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quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Já tiveram este click também?

No outro dia é que me apercebi: vou ser mãe a vida toda. Sei que isto parecerá parvo para muita gente, mas estava a pensar como é que poderia incluir uma secretária no quarto da Irene (o quarto é muito pequeno) e, enquanto procurava ideias no Pinterest, comecei a imaginar as canetas dela por lá, o dossier da escola (ou o ipad, sei lá), eu a ajudá-la no que fosse preciso. Termos de rever matérias para os testes... 



Ela tem 4 anos ainda. E já aprendemos tanto juntas. E ainda só agora está a começar. Vou ter uma miúda lá em casa - já vou tendo, vá - e isto vai durar a vida toda. Ela um dia irá sair de casa, irá trabalhar, irá... Só costumo vê-la tal como está, mas esqueço-me que ela já é um pedaço de tudo o que vai ser. 

Que click...



quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Não lhe vou dizer que posso morrer!

Disseram-me que as histórias que leio à Irene não têm interesse. Não vou dizer que foi um dos meus irmãos e o meu padrasto nas férias que me disseram isso.  Acho que seria desagradável (olá João ;)). Reparei que "a malta" ficou decepcionada por não haver muitas aventuras nos livros da Irene (os que levei, que foram dois, vá) e isso fez-me pensar. 

Haters: 

Claro que fez pensar, algo que não te faça pensar? 

Ai, lá vem mais uma liçãozinha de moral dela em como ser melhor mãe porque os livros não sei quê?

Aposto que é para dar um abracinho a uma marca qualquer para ter mais uns quantos livros de graça. 

Ai, não tem mesmo mais nada que fazer. Se tivesse a minha vida...


Ouvi-vos a todas antes de começar, mas se vos desse mesmo ouvidos nunca escreveria nada em lado algum e, por isso, temos de aprender a seguir. Vou seguir. 

Muitos dos livros que a Irente tem, até agora, não são aqueles "clássicos" do Capuchinho Vermelho e afins. Achei que até agora, para a Irene, ainda não era a altura de a introduzir a noções de "bem e mal" e a coisas tão grotescas como "foi comida pelo lobo e o caçador abriu-lhe a barriga...". 



Agora que já está a ficar mais crescida, acho que já lhe consigo explicar melhor que o que vê nas histórias que por exemplo "o lobo não é mau só porque tem fome e precisa de comer".  Não a vou conseguir privar ou proteger de várias coisas distorcidas que a nossa cultura tem, por isso, o que posso cultivar nela é o sentido crítico.

- Não achar que por toda a gente fazer algo que é o que está certo para nós. 

- Não achar que por estar escrito que é verdade.

- Não achar que toda a gente que faz coisas erradas, é gente má.

- Não achar que por sentirmos algo como mau que é isso que merecemos... 

Etc., etc... 

As Irene leu ontem comigo dois livros: o do Capuchinho Vermelho e Hansel e Gretel. A segunda, especialmente, deixou-me mais inquieta porque a "Madrasta convenceu o pai a abandonar os filhos na floresta e ele assim fez". Mesmo apesar do final em que o pai diz à madrasta para se ir embora e fica com os filhos, não deixa de os abandonar duas vezes na floresta e deles terem assassinado uma senhora no forno que queria comer um deles. 

What the hell? Principalmente aos 4 anos quando ainda não separam bem a realidade da fantasia. Não me apetece muito lidar com medos surreais da Irene. Já lido com os fantasmas da vida, os monstros da vida... para quê introduzir como vi no outro dia no início de um filme de animação uma perseguição de pessoas armadas dentro de um carro? 

Além de que o paralelismo com a vida dela é terrível. O pai um dia poderá ter uma namorada. E onde está a mãe? Não lhe vou dizer que a mãe morreu. Não lhe vou dizer que, aos 4 anos, a mãe pode desaparecer porque não se controla nada nesta vida.

Muitas das vezes estamos em automático nestas coisas mas nem nos apercebemos das mensagens que estamos a passar aos nossos filhos. Como vejo muita gente na rua a usar t-shirts com mensagens completamente diferentes daquilo que a pessoa é. Até me tem feito rir, honestamente. Pessoas com tshirts a dizer sports, ou instagramer, ou inflluencer ou... 

Tudo passa para eles. Tudo é uma mensagem. 

Bom, seja como for, atrevi-me e li esses dois clássicos (depois de já ter dado uma olhadela antes de saber se lhe podia ler os livros) e preparei-me para responder às perguntas de forma proveitosa e também de a ir observando à medida que ia lendo. 

Não acho que compense para já a euforia da aventura de matar uma bruxa dentro do forno ou de se sentir que se pode ser comido por alguém ou que um pai nos pode abandonar se a mulher dele (má) disser. Não quero sequer que ela saiba que há quem abandone os seus filhos ou que as mães podem morrer. Ela tem 4 anos. 

Poderá haver outras aventuras, outro tipo de livros, mas ela tem gostado dos que lhe leio e muito. E eu também os leio com prazer. Os clássicos ontem que lemos, são livros lindos e maravilhosos - refiro-me às ilustrações, à paginação, ao feel das páginas... - e tenho mais uns quantos clássicos arquivados que lhe quero ler um dia. mas now its not the time. 


Haters: 

Um texto todo deste tamanho para dizer que não lê alguns livros - que afinal até leu - à miúda?

E um texto mais confuso, Joana, não há?

Ai, não vou ler isto tudo, deve estar mas é louca.

É a Joana Gama que está a escrever? Só gosto da outra. Caguei.


Isto é, mesmo aos 4 anos da Irene, mesmo com 4 anos (haters: 4 anos e acha que sabe alguma coisa disto), ainda estou sujeita a repensar tudo o que faço com comentários alheios (nem foram nada de mal, nem nada, imaginem se fossem ahah). Ouvir comentários e tê-los em conta é bom porque às vezes poderei estar a fazer algo com o qual não concorde, mas agora sei que lá por o que eu faço ser "contra" o que me foram dito, não quer dizer que esteja errado. É só diferente. E faz sentido que seja. Quero que seja assim.

Eu não sou totó. Sei que há aventuras que não metam abandonos e homicídios, mas acho que perceberam o que quis dizer. 

Haters: 

Não, não percebemos. Nunca percebemos. 


Seja como for, no que toque à Irene e enquanto ela precisar que assim o seja (e eu), as mães são imortais. 

'Tá. 






Estou grávida. O que preciso de comprar para o meu bebé?

É preciso comprar tudo? Não. Já vos falámos aqui várias vezes que as mães (as famílias em geral) exageram nas compras para o bebé e tudo começa logo na barriga. Há um desejo de fazer o ninho e de que nada lhe falte e que nada nos falte e, de repente, achamos até uma colher (uma colher!!!) maravilhosa, o último grito e TEMOS DE TER, mesmo a criança só vá comer dali a 6 meses.

Depois, com os anos a passar, vamo-nos apercebendo de que é (quase) tudo um exagero. Quase nada é mesmo, mesmo, essencial. Contei-vos que tive muita coisa emprestada na primeira filha (o carrinho da minha tia, o berço que era da família do Raminhos (obrigada, Catarina e António), a banheira, etc, etc), comprei coisas em segunda mão (o roupeiro para o quarto dela, por exemplo), herdei algumas roupas das primas mais velhas, etc. A minha segunda filha pouco dormiu na cama de grades por exemplo: passou do berço para a nossa cama com barras laterais e depois para o chão. Cada família verá quais as melhores soluções mas uma coisa aprendi: não vale a pena adquirir coisas com muita antecedência e algumas delas mais vale experimentar primeiro (e, com sorte, emprestadas).

Não queremos sequer incentivar por aqui ao consumo desenfreado e seria excelente que cada um de nós fizesse escolhas cada vez mais ponderadas e mais amigas do ambiente também. Contra mim falo (mas já bem melhor e mais consciente). 

No entanto, também não sou careta e acho que há espaço para tudo, com ponderação: uns miminhos, uns objectos para decoração, uns brinquedos (poucos!), umas roupas especiais.
E há coisas que vêm ajudar-nos e facilitar as nossas vidas e são muito bem-vindas: babywearing! Da primeira filha não estava informada e usei, além de um ring sling emprestado pela Rita Ferro Alvim (obrigada!) - serei muito crava? LOL - , um marsúpio (os marsúpios não são bons para eles nem para nós). Depois, mais tarde, descobri o fantástico mundo das mochilas ergonómicas e dos panos. Com a segunda filha usei e abusei deles - se há investimento que se deva fazer, é este (ver em segunda mão se não puderem fazer o esforço; pedir emprestado LOL; quando perguntarem o que queremos ou precisamos, ver se não dá para fazer uma vaquinha entre vários amigos e familiares)... Ainda uso com a Isabel e ela já tem 4 anos, imaginem.

Descobri na feira Puericultura Madrid, a que fui na semana passada para conhecer as novidades das marcas, que agora a Boba já tem mochila para toddlers, com extensores (com fecho) para maior conforto das perninhas, acompanhando-os no crescimento. Boa ideia! Era o único senão que apontava quando usava com a Isabel, ficava marcada.

Por isso, fica a dica (mas experimentem várias opções antes: peçam ajuda no grupo do FB, Babywearing Portugal, vão a lojas experimentar mesmo já com o bebé e vejam de qual gostam mais e qual poderiam adquirir).  

Não faço ideia se é esta a Boba X, mas a que estou a falar dá para aumentar ali na zona das pernas até aos joelhos quando este bebé for mais crescido

Boas compras! E calma, muita calma quando vos perguntam: "então e já tens isto? E aquilo? E aquilo?" Filtrem, informem-se e não pirem. :)


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segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Super útil dicas agora para o regresso à escola, não é? É quando tenho, amores...

... muito melhor do que estava à espera, caramba! Não sou uma pessoa propriamente calma e optimista por natureza (ou se era, escangalhei-me), mas seja como for, a primeira vez que a deixei na escola depois das férias foi... maravilhosa. 


Sabem o que fiz que acho que ajudou?


(sim, Joana, agora que já toda a gente tem os putos na escola, vamos todas adorar as tuas dicas, principalmente quem não teve a mesma experiência) 




Acordei-a estupidamente cedo. 

Moramos ao lado da escola e acordei-a (por acaso até foi sem querer) às 6h30 da manhã. 
Deu para brincar com ela na cama, fazermos umas festinhas e conversar sobre não só "o dia", mas também sobre o fim-de-semana que está para vir em que ainda vamos ao Algarve e, por isso, as "férias ainda não acabaram". 

Comprei uma roupinha de primeiro dia de aulas. 

A minha mãe deve ter-me feito isto quando eu era pequenina e devo ter gostado, porque me lembrei de fazer o mesmo com a Irene. Lá me torci toda e comprei uma roupa que não gostei grande coisa porque sabia que ela ia adorar e... adorou! Porém, depois, quis trocar porque afinal não queria usar o vestido - e já tinha cortado a etiqueta... aquele clássico. 

Disse mais vezes que sim de manhã (até porque tinha tempo). 

"Queres ver como dou cambalhotas no sofá?", "Queres ver a pirueta que dou com o tacho na mão?". Quero tudo, filha. Não só porque não quero que sintas a minha ansiedade, mas também porque vou divertir-me mais assim e o dia pode ser bom apesar estar morta por dentro de medo. 

Preparei tudo no dia anterior e caprichei.

Há coisas que me fazem sentir bem e descansada. Caprichar no lanche que lhe levo para a escola e no desenho ajuda. Por isso, no domingo, para ajudar à ansiedade, estive a fazer bolachas, sumos e tudo mais. Hoje já não tive que pensar em quase nada, foi óptimo. 

Levei-a antes da malta.

Foi fantástico. Além de ter lugar para estacionar, havia menos loucura no ar, menos miúdos a chorar, menos pais nervosos e conseguiram ajudar-me mais a despedir da Irene, distraindo-a depois de me despedir. 

Isto foi o primeiro dia, não quero cantar de galo, mas sei que tudo isto terá ajudado. Nem que seja a mim e, portanto... :)

Inventam tudo #19 - Persianas seguras!

Eu nem sou muito medrosa com a segurança delas (deixo-as trepar muros, árvores, andar de bicicleta, trotinete, gosto que sejam desenrascadas e destemidas) mas isto é todo outro nível. Este tema mexe mesmo comigo: janelas e varandas - segundo a APSI, por ano morrem cerca de 1500 crianças vítimas de quedas (bicicleta, escadas, mas 31% de edifícios e de outras construções). Tanto que assim que entramos em casa com as miúdas, vai de fechar os estores logo (ou então as janelas). Moramos num segundo andar e todo o cuidado é pouco - não conseguem abrir as janelas, que são de correr, mas têm um sistema de segurança que elas ainda não conseguem descodificar. E espero que nunca consigam. Só que este "espero" tem de se tornar rapidamente num "tenho a certeza". Até porque nós achamos sempre que controlamos tudo e que nunca nos vamos esquecer de fechar, etc, etc, mas ninguém é infalível. Muito menos nós, pais, cansados. E os nossos filhos são muito "ratos" e lembram-se de tudo: então a Luísa adora empoleirar-se. Basta irem buscar uma cadeira ou um banco e atingem com facilidade a janela. Já tive conhecimento de umas trancas que se colocam nas portas, há limitadores de abertura de janela, há uns objectos que bloqueiam a janela e ela já não corre, é possível furar caixilhos, há manípulos com chave, e ainda há as redes que se colocam por fora. 

No fim da semana passada, descobrimos ainda uma inovação na feira Puericultura Madrid: o Secupeke, que ganhou o prémio de melhor Starter (empreendorismo). Ainda bem que inventam tudo, neste caso, ainda bem que o Iván, quando o filho tinha 9 meses e já alcançava janela com alguma facilidade, se pôs à procura da melhor solução e criou esta em 2 anos. 

Secupeke evita que crianças, pessoas com cuidados especiais e animais de estimação possam cair de grandes altitudes através de janelas. Adapta-se a qualquer tipo de janela com estores e é instalado de forma rápida e fácil, sem a necessidade de ferramentas, brocas ou mão-de-obra especializada. Não altera a estética da fachada e, se houver uma emergência, consegue remover-se em 30 segundos e não representa um impedimento para um possível resgate. Vejam aqui como é fácil aplicar. Ainda não está à venda, mas sou pessoa de querer saber preços (dizem que é uma solução económica) e encomendar, se enviarem para Portugal (acredito que sim).

O que acharam? E vocês, que solução encontraram? Preocupa-vos este tema? 










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