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1.21.2020

Quem vem connosco ao Zmar?

A primeira vez que lá fomos parar, foi totalmente ao acaso. Era sábado e íamos "só ali" à praia, algures na Costa de Caparica. Começámos a descer e quando demos por nós estávamos em Almograve. Sem fraldas, sem mudas de roupa, sem escovas de dentes. Fomos a uma mercearia resolver as questões mais urgentes e acabámos por ficar no Zmar, numa casinha de madeira, essa noite. As miúdas adoraram: a piscina de ondas, as atividades disponíveis, mas também a praia "ali ao lado" cheia de laguinhos e animais escondidos. No ano passado, voltámos no dia da Mãe, com a minha mãe, num fim-de-semana só de "miúdas". Fomos conhecer e alimentar os animais, fizeram slide, Yoga, treparam a árvores, deram mergulhos e andaram nuns "tractores", de que falam até hoje.



Agora somos nós quem tem um convite a fazer-vos! De 31 de janeiro até 2 de fevereiro vamos estar no Zmar com a Science4you para um fim-de-semana cheio de experiências científicas e workshops (como a criação de pasta de papel, sabonetes ecológicos, moinho de vento, as "nossas" estufas), um peddy paper, além de todas as experiências que o Zmar oferece sempre
, como a piscina coberta com ondas, o campo de matraquilhos humanos, circuito pedestre de manutenção e ginásio, a casa Kidz com atividades para as crianças entre os 4 -12 anos e o parque de Diversões Infantil.



Podem saber mais sobre todo o fim-de-semana evento no Facebook ou então no site. As tarifas com pequeno-almoço e actividades temáticas vão desde os 60€ (numa Zvilla Eco, 1 noite de alojamento para 2 pessoas com pequeno-almoço). Vejam todas as opções aqui e preparem-se para um fim-de-semana daqueles mesmo mesmo bons.


Vamos juntar a ciência à sustentabilidade. Encontramo-nos lá? Simmmmmm?



1.12.2020

Com que idade já podem?

Uma coisa que tenho percebido nestes 5 anos e meio é que de nunca deixamos de ter dúvidas, quando somos mães. Quer dizer, pelo menos eu vou tendo sempre.
Acho que é inerente à maternidade. Eles crescem, mas nem por isso as dúvidas são menores. Muda talvez a intensidade, a urgência de saber, já não nos culpabilizamos tanto se ficam doentes, mas nunca se sente que se sabe tudo.

Há dúvidas que vou mantendo sempre: estarei a fazer o melhor para elas? Como é que resolvo este conflito entre as duas? Estou a ser demasiado intransigente? Estou a ser demasiado permissiva?

Eu acho que, tendencialmente, sou pouco "galinha". Raramente penso que o pior pode acontecer, em cada situação. Por exemplo, se sobem a uma árvore, não penso automaticamente que vão cair (e mesmo que esfolem o rabo todo - já aconteceu à Isabel, coitada - acho que para a próxima vai ter ainda mais destreza e coragem). Se vão em passeio com a escola, não fico nada preocupada (mesmo nada). Só muito curiosa. Se estão com os avós / tios, não ligo de hora a hora para saber como está tudo a correr. Confio. Se me pedem para cortar fruta, dou a faca quando acho que já têm alguma motricidade fina e percebem as minhas instruções. Ensino logo a subir escadas e a descer. Já cheguei a achar que tinha qualquer ligação interrompida no circuito-mãe. "Se calhar, é normal sentir-se mais medo do que eu sinto", pensei já várias vezes. 

Posto isto, no outro dia a Isabel ofereceu-se para ir à mercearia buscar qualquer coisa que faltava. Acho que aveia. "mãe, dás-me um euro e eu vou lá num instante". 
Fiquei a pensar naquilo. Acho que qualquer outra pessoa pensava "nem pensar, só tens 5 anos". E eu disse-lhe que agradecia imenso e que sentia um orgulho enorme por ela se ter oferecido, que era uma ajudante a sério, mas que ainda não deveria ir sozinha.
E ela: "mas é já ali". Aproveitei para lhe dizer que, mesmo sendo já ali, não deveria ir sozinha porque poderia cair e precisar de mim. Aproveitei para lhe dizer que, um dia que for sozinha, daqui a um ano, mais ou menos (?), nunca pode entrar no carro de ninguém nem ir para casa de ninguém, mesmo que dissessem que eram meus amigos.

Ela quase me fazia um eye-rolling a dizer "sim, já tinhas dito isso".


Cara de felicidade. Hoje. 

Mas sabem que o meu instinto mais primário seria deixar? Tive de controlar isso mesmo, usando a razão. A mercearia é mesmo já ali atrás do prédio, em 3 minutos estaria em casa, eu com essa idade já fazia recados e distâncias maiores. Só que "eram outros tempos", "outra cidade" e - se calhar - outra consciência. Nem sei bem se, em termos legais, se pode deixar uma criança, com esta idade, sozinha. Pode? Eu vejo crianças a brincar ali no pátio em baixo sem adultos, mas não faço ideia se se pode. Pode?

E vocês? Como se sentem em relação à "liberdade" deles. Têm muitos medos? 






1.02.2020

Sugestão de escapadela: eco-hotel no meio da natureza

Foi ali que a Luísa deu os primeiros passos. Foi ali que, em 2017, eu, a minha mãe, as miúdas e o meu irmão passámos um fim-de-semana incrível, na natureza, a dar mergulhos na piscina, a comer pratos divinais e a passear ao longo do rio. A poucos dias do fim do ano, voltámos ao Vale do Rio, em Oliveira de Azeméis, para respirar ar puro. E, desta vez, com o David.



Soube tão bem. Eu, que deixei de conseguir ir com as miúdas à natação, pude ver a desenvoltura que já ganharam desde aí e o quanto amam água (o difícil foi tirá-las de lá). Jogámos Quem é Quem, Bingo, Party & Co. às refeições e na sala e ainda montaram a pista de carros que a Isabel tanto pediu ao Pai Natal. Viram, pela primeira vez, um jogo de snooker e os pais sem jeitinho nenhum a discutirem as regras. Passeámos no bosque, à procura de seres mágicos e de renas. Ouvimos o som do rio a correr e pusemos a mão sobre o musgo e sobre as árvores. Equilibraram-se em troncos e viram sair vapor da boca uma da outra. Vimos teias de aranha enormes e os raios de luz a atravessarem as copas das árvores altas. E ainda fomos conhecer o parque de La Salette, com lagos com patos, com uma capela no topo e com espaço para correrem e para andarem de trotinete (e caírem…) à vontade.

Foram dois dias que souberam a mil e que me fizeram sentir, mais uma vez, que estarmos juntos, sem grandes planos, é dos maiores privilégios que podemos ter.

























Em 2020 vou...

Está a ser engraçado pensar em tudo o que quero fazer e ser em 2020, estando já em 2020. 

Já agora...

BOM ANO!

A única coisa que combinei fazer este ano, com o David, foi "dieta". E por dieta entenda-se começar a comer melhor. Menos processados, menos massas, menos chocolates, coca-cola, bolos, açúcar, no geral. Mais comida mesmo comida. 

De resto, estou a fazer agora o exercício. 2019 foi um ano estranho. Tive momentos maravilhosos, viajámos bastante, as miúdas raramente estiveram doentes, fiz novos amigos (olá Joana, olá Mariana), o mano casou. Comecei o podcast com a Joana Gama, que nos deu (que nos dá, porque vamos fazer mais séries) muito gozo. Tivemos trabalhos muito fixes, que nos desafiaram. E parcerias pelas quais me sinto uma sortuda. As miúdas começaram no ballet e na natação e eu fui uma felizarda por poder acompanhá-las e vê-las serem tão felizes. Fiz bastante desporto e cheguei a acordar com saudades (grande novidade na minha vida ahah).
Mas também tive, em 2019, momentos pessoais bastante merdosos. Foi talvez o ano em que mais chorei. Em que tive de me superar. Felizmente, o ano acabou "em bom". Voltei a trabalhar como freelancer em TV, 4 anos depois (e já tinha bastantes saudades). Voltei a sorrir mais, por todos os motivos.



Por isso, em 2020 espero manter a boa energia com que terminei o ano. Mas vá, segue a lista de intenções:

- voltar a fazer mais desporto (que no último mês foi nulo);
- comer melhor (estou a pensar voltar ao paleo para me dar energia extra e cortar com os processados);
- cozinhar mais (andava numa onda de sopa, massa, carne, arroz e peixe, sendo que peixe às vezes eram mesmo douradinhos...). Quero ver se me inspiro mais e faço mais vegetariano e comida, em geral, mais apetitosa e saudável
- tratar-me ainda melhor para ficar menos doente (dispenso as lamas nos rins, as infecções urinárias e afins);
- dedicar-me mais à Amwêlê e ir em missão a São Tomé e Príncipe;
- passar menos tempo na internet e estar mais com a família e com amigos;
- dançar mais (gostava de ter aulas!);
- ler mais (ando viciada na saga do Jeffrey Archer e estou desejosa que a minha mãe me empreste o próximo);
- ir ao teatro mais vezes (a última peça que vi foi fantástica e perguntei-me por que não optei mais vezes pelo teatro);
- estar mais à caça de museus e atividades giras lowcost para as miúdas
- comprar cada vez menos. Menos roupa, menos brinquedos, menos coisas.

Acho que é isto. 

E vocês? Quais as vossas intenções? E aquelas que esperam mesmo mesmo cumprir?



12.19.2019

Deixo que furem as orelhas ou não?


Deixo que furem as orelhas: sim ou não? Não uma à outra, claro. Vontade às vezes não lhes faltava (andam ambas com a mão bem leve...). 

A Isabel (5 anos) disse-me esta semana que queria furar as orelhas, como eu. Perguntou - mais uma vez - se doía e eu disse-lhe a verdade. Falei-lhe de todos os cenários possíveis. Disse-lhe que iria doer no momento e depois, às vezes, durante a noite, a vestir a roupa e noutras situações. Que poderia infectar e fazer sangue. E, mesmo assim, quer arriscar. A Luísa (3 anos) disse logo que também queria. E eu fiquei a pensar que, em elas pedindo tantas vezes, talvez já não faça assim tanto sentido impedir. 
 
Não tenho a mínima vontade de que furem as orelhas, atenção. Não acho que fique nem mais bonito nem mais feio nestas idades. Confesso que mais novas é muito raro gostar, tendo a achar piroso. Mas, estando numa sociedade em que é bastante comum e culturalmente aceite e sendo elas a pedir, não sei se os meus argumentos continuarão a ser válidos. Incentivei a usarem outra vez autocolantes, mas, desta vez, a Isabel disse logo que não, que caiam e que se perdiam. Perguntou-me se poderíamos ir no sábado fazer os furos e eu disse que ía pensar e falar com o pai.
Poder, podemos. Mas qual o risco real de infecção? E se nos “estraga” o Natal? E se ela se arrepende ao sentir a dor, no momento? E se sentir que não a protegi? E a Luísa, não será nova? 
 
Estou a pensar demasiado, eu sei. 
 
Já nem me lembro que idade tinha quando furei as orelhas, mas também fui eu a pedir. Lembro-me de uns brincos, lindos, em forma de morango, de madeira. Lembro-me de me sentir vaidosa com eles e gosto de ver as fotografias da altura.
 
E agora? Não queria nada que elas sofressem.  São as orelhas das minhas pessoas preferidas  (ainda custa mais). Uma amiga nossa caiu e a orelha infectou, antibiotico e uma grande chatice. Não me apetecia nada passar por tudo isso, desnecessariamente.
 
Sim ou não? Como resolveram estes pedidos?  

 

12.15.2019

Marriage Story, o filme que todos os casais deveriam ver.

ALERTA - SPOILER

Estreou há pouco mais de uma semana, na Netflix, o filme "Marriage Story". Uma história agridoce (mais agre do que doce) sobre o fim de um casamento. O filme é do Noah Baumback (autor e realizador do "The Squid and the Whale" e do "Margot at the Wedding", entre outros - só vi estes e gostei muito), com a Scarlett Johansson, o Adam Driver (conheci-o na série Girls há uns anos e é fenomenal) e a Laura Dern.

Interpretações soberbas, diálogos que de tão naturais poderiam ser os nossos, lágrimas e olhos inchados, silêncios, canções em take único, olhares que dispensam falas, raiva, desilusão... cabe tudo naqueles minutos. Não é um filme de acção, não é um drama, não é uma comédia... nem sei bem  ainda como termina (termina como quisermos que termine e eu ainda não decidi), mas foi seguramente das melhores coisas que eu vi nos últimos tempos.

Eu não preciso que um filme me vire as tripas, que me faça sonhar, que me deixe fantasiar. Eu gosto de histórias que pudessem ser as nossas. Em que nos revejamos. Que nos façam pensar em quem está certo. Em quem falhou. Em quem deveria ter cedido. Em quem deveria ter apoiado mais o outro. Aonde se perdeu o amor? Não terão ido longe demais no divórcio? E o filho?... Não deveriam ter parado pelo caminho? Aonde deveriam viver então? E aquela advogada, era mesmo necessária?

E é nesta densidade de uma vida que poderia ser a nossa que vemos que as relações não são fáceis. (Quase) nenhumas. Sinto que aprendi alguma coisa com a dor daquele casal. Que aprendi a ver os dois lados de uma história. Que cresci. E sim, chorei. Tive momentos em que quis dar um estalo à Nicole, momentos em que quis abanar o Charlie e dar-lhes colo e falar-lhes das coisas boas que tiveram e... ai (emoji coração partido aqui, sem dúvida 💔).



E que grande regresso da Scarlett. O Amor é um Lugar Estranho é um dos meus filmes preferidos de sempre e acho que, desde então, ela praticamente não tem estado à altura. Rapariga do Brinco de Pérola e Vicky Cristina Barcelona talvez (tirando isso, nada "de jeito", acho). E agora... rapariga! Que maravilha de interpretação. Voltei a ser fã.

Digam-me coisas. Querem discutir alguma parte? O que mais vos fez pensar? 



Trabalhar fora de casa é bom porque...


Agora que voltei a trabalhar em TV, fora de casa, voltei a sentir coisas boas. Não que estivesse infeliz como estava (longe disso), mas estava a ser difícil para mim gerir o meu tempo, separar trabalho-casa e estar tantos dias sem conversar com um adulto. Além disso, não ter um ordenado certo também me angustiava às vezes. Vai daí, aceitei um trabalho por alguns dias e gostei tanto que em janeiro quero muito repetir a dose. E em fevereiro. E por aí fora.

Trabalhar fora de casa para mim é bom porque...

➤ Me obriga a tomar banho e a empinocar de manhã e, quando me cruzo com um espelho, não parece que acabei de acordar

➤ Ouço mais podcasts, nas viagens, e rio-me sozinha no carro (caso se cruzem comigo, já sabem) - Salvador Martinha, Bumba Na Fofinha, Extremamente Desagradável, Sem Barbas na Língua, N'a Caravana... - ouçam, ouçam

➤ Tenho a oportunidade de conhecer pessoas novas e de rever amigos, de mandar umas gargalhadas a meio da manhã 

➤ Sinto que estou a ser posta à prova, a cumprir desafios, a procurar soluções, sinto adrenalina. E, passados 4 anos, sinto que, afinal, ainda pode haver lugar para mim na minha área (TV)

➤ As miúdas foram, pela primeira vez, à natação com o pai. O que acabava por ficar para mim, porque tinha mais liberdade de horários, neste momento é melhor distribuído e todos podem beneficiar com isso: pai e filhas, que ficou todo babado (e transpirado) e elas orgulhosas, a mostrar o que já sabiam fazer

➤ A hora de almoço é mesmo hora de almoço - normalmente punha-me em frente à TV, a ver Netflix, e agora olho para a comida enquanto como, o que é importante, li algures (e faz sentido dar essa informação ao cérebro)

➤ Separo melhor o que é trabalho e o que é casa: as camas já não ficam feitas mas também ninguém fica lá para ver; a roupa acumula-se mas, com sorte, temos suficiente para a semana; e quando é para trabalhar é para trabalhar

➤ Voltei a dar mais valor aos momentos em que estou com as minhas filhas. Como já não as vou buscar às 16h, acabo por aproveitar mais todos os segundos. Já me cheguei a esquecer do telemóvel no carro e não fui sequer buscar (o que dantes seria impensável). Menos tempo na internet e mais tempo com as miúdas



Há mais. Estas são as vantagens principais. As que me fazem querer continuar assim. Se algum dia o jogo "virar", dependendo isso ou não de mim, estes dias bons já ninguém me tira. 

Uma amiga minha, que está em casa há 8 anos com os filhos, perguntava-me o que eu achava de uma oferta de trabalho que ela teve. Fiz-lhe mais perguntas do que dei respostas. Nunca temos a certeza absoluta de nada, o que quer que decidamos, mas o que de pior pode acontecer com as nossas decisões? Pelo caminho aprende-se sempre alguma coisa...

Já a entrar em modo Natal :)


12.08.2019

Não, não gosto mais de uma filha do que da outra

Fotografia da Joaninha do The Love Project


Esta questão não surgiu por acaso. Aqui há coisa de dois meses, uma seguidora perguntou-me, no instagram, se eu gostava mais de uma filha do que da outra. Não faço ideia se foi por ela estar grávida do segundo filho e se teria esse medo (também eu tive receio de não amar tanto a segunda filha como a primeira) ou se estaria com essa sensação pelas minhas partilhas. 

Num dos nossos vídeos do Youtube, a Joana Gama também insinuou isso mesmo e eu, apesar de ter a certeza absoluta no meu coração de que isso não existe, fiquei constrangida, com dificuldade em justificar. Foi para o ar assim mesmo. 

Duas coisas (só porque também já vos pode ter passado essa ideia pela cabeça e assim fica o assunto arrumado):
- a Luísa aparece mais nos meus stories, vídeos e fotos porque a Isabel já tem momentos em que me diz que não quer (e eu respeito isso, como é óbvio)
- acho normal, nos primeiros anos de um filho, mostrar mais "gracinhas" e vibrar com tudo o que mostram e dizem e, à medida que vão crescendo, começar a reservá-los mais (digo eu)

A verdade é esta, dúvidas houvesse: amo as minhas duas filhas de forma arrebatadora e ímpar. É impossível ser de outra forma. Até me angustia pensar que algum filho possa sentir que um pai ou uma mãe gosta mais do irmão. Para mim, a escolha seria uma "Escolha de Sofia" (não sei se viram este filme duríssimo com a Meryl Streep).

Acho piada a coisas diferentes nas duas (até porque são as duas bastante diferentes), aprecio coisas diferentes nas relações que tenho com cada uma, mas AMOR? 

Não ando a medir com régua, mas daria a vida pelas duas, sem pestanejar. São as MINHAS FILHAS. São as minhas pessoas preferidas de todo o sempre. São incríveis. Adoro-as todos os dias, mesmo quando me moem o juízo. Quero que sejam as pessoas mais felizes do planeta. Tenho uma sorte do caraças. 

Não há ordem, nem escadinha, nem gráfico, nem escala para este amor. 

Não, não gosto mais de uma filha do que da outra. 


Mais um livro para a vossa biblioteca!

Houve umas férias de verão, no início da minha adolescência, em que li mais de 40 livros. Ler sempre foi importante para mim. Leio bem menos agora, mas sempre que leio - e me entusiasmo - penso na parvoíce que foi ter perdido tanto tempo nas redes sociais (dava para ler um livro por semana, à vontade). 

Os jovens, que são nativos digitais, têm ainda mais dificuldade em estar em silêncio, em se concentrarem, em viver de forma lenta. E a leitura exige isso. Havendo séries, televisão, jogos e tablets à disposição, é normal que deixem os livros, silenciosos, para o fim da lista. E é isso que eu quero tentar contrariar, dando o exemplo. Está mais que provado que o exemplo é crucial para que eles reproduzam esse modelo. Isso e continuar a criar um ambiente afectivo relacionado com os livros e a leitura - mais do que o de imposição e obrigatoriedade. Por que razão eles gostam tanto que lhes contemos histórias? Exacto: é um momento de partilha, de cumplicidade, de união. 



O mais recente livro a entrar cá em casa foi "O Protesto do Lobo Mau", que venceu o Prémio de Literatura Infantil do Pingo Doce, que já vai na 6ª edição. Acho que não nos escapou um. Primeiro porque são bons e baratos (3,99€). Depois, porque acho mesmo de louvar esta iniciativa de premiar novos autores e ilustradores (com 50 mil euros, metade metade), para que eles possam continuar a deliciar-nos com este trabalho: neste caso, a Maria Leitão e o Pedro Velho.

É uma prenda excelente para este Natal.



O Protesto do Lobo Mau
Há um dia, na história do Lobo Mau, em que nada parece fazer sentido.
Quem é aquele urso a fazer-se passar por Capuchinho Vermelho?
E o que está uma rã a fazer na sua história?
Porque será que já não se lembra do caminho para a casa da Avozinha?
E pior: porque estará ele a ser tão manso, se antes era feroz?
Nestas páginas, cheias de imprevistos, nada acontece como se imagina.
São muitos os desafios que o Lobo vai ter de ultrapassar, mas nesta caminhada irá
fazer uma grande descoberta...

Adorei esta desconstrução da história a que já estamos habituados (e que eu, por vezes, tento mudar um bocadinho - "o Lobo não é mau, está com fome!"). Neste caso, o Lobo, depois de se confrontar com a ausência da Capuchinho e de outras personagens, vê-se capaz de sair da história e de ir construir a própria história. O giro disto tudo é que, acabando o livro, temos de reservar ali uns bons minutos para conversar e para "escrever", em conjunto, a nova história do Lobo. 

Gostámos muito (a Isabel mais do que a Luísa e compreende-se, já que está quase a fazer 6 anos (como?!) e este livro é precisamente aconselhado para essa idade (até aos 12). As ilustrações estão muito giras e adorei a paleta de cores: amarelo, vermelho, preto e branco - é bem bonito.




Todos os livros das edições passadas do Prémio de Literatura Infantil <3
Mais um para a vossa lista, disponível em qualquer loja Pingo Doce. Já o viram por aí? :)




12.07.2019

Mudar de vida outra vez? Sim!

Não foi preciso chegar aos 33 para perceber que não há problema nenhum em voltar a baralhar e a dar jogo. Percebi isso logo quando me despedi do meu trabalho de vários anos em televisão. Estava grávida da Luísa (a minha segunda filha para quem chegou aqui só agora), quando fomos para Santarém e eu fui trabalhar apenas no blogue. Por lá ficámos até ela ter ano e meio. Foi tudo o que precisámos, naquela altura. Acalmar, desfrutar do campo, cheirá-la todinha e dormir até sestas com ela, ir buscar a Isabel cedo à escola. Depois, quisemos estar mais perto do trabalho do pai e eu quis voltar a meter as mãos na massa. Voltámos a Lisboa. Comecei a trabalhar numa agência de comunicação, aonde nunca antes tinha trabalhado. Despedi-me passado um ano e vim trabalhar apenas como freelancer, para casa. Saía de casa para reuniões, para trabalhar com a Joana Gama (quando tínhamos de gravar vídeos ou podcasts) e para fazer locuções. Uma ou outra vez para eventos (mas, se não for workhshops ou comida (lol) "não é bem bem a minha cena"). Passava muito tempo sozinha. Entre paredes. Eco. Máquinas de roupa para fazer e pó à espreita. Episódios da netflix ali mesmo à mão de semear (e o tal do "ah é só um à hora de almoço") e, quando dava por mim, tinha visto 3. Para se trabalhar em casa, tem de haver muita disciplina. E eu, para me sentir inspirada, preciso de estar bem. Preciso de não me sentir só. Preciso de estar a sentir-me viva. 

Acho que andei meio adormecida nos últimos tempos. Pouco produtiva. E isto é uma bola de neve. Quanto menos se faz, menos vontade se tem de fazer. Quando dava por mim, era hora de as ir buscar. Claro que estes tempos (um ano, para ser mais exacta) me trouxeram coisas óptimas: conseguir ir com elas à natação às 16h30, conseguir fazer mais desporto (Chama a Sofia, ainda não sei bem como me vou conseguir organizar para continuar no ritmo snif), conseguir ir à dentista com a Isabel cedo, aproveitá-las mais. Há uma liberdade boa nisto tudo. 

Por outro lado, não saber bem como vai ser o mês em termos financeiros, fazia com que essa liberdade nem sempre compensasse. Meses bons, meses razoáveis, meses péssimos. Clientes que, se em vez de pagarem a 30 dias pagarem a 60, já desestabilizavam as nossas vidas por completo. Acredito que para se viver desta forma se tem de ser muito poupado, prever tudo muito bem, não dar grandes passos em falso. 

Neste momento, continuo a ser freelancer, mas voltei a trabalhar com pessoas e em televisão. Já não pegava num programa de edição (sem ser para os nossos vídeos) há quatro anos. Adrenalina de novo. Sensação de recomeço. Acordar bem cedo, largar o pijama ou o fato de treino, maquilhar-me, beber um café na rua. Conhecer gente nova, rever colegas. Construir histórias. Curiosamente, sinto-me em casa. 

Volto a ter de fazer malabarismo com as horas, com o trânsito, com os prazos. Mas digo-vos já que me saiu um peso de cima. Que sinto borboletas na barriga. 

No outro dia, ouvi dizer - sobre o facto de se mudar com "facilidade", diziam, de trabalhos - que hoje em dia os jovens já não sabem o que é o compromisso. Eu tendo sempre em chatear-me quando se olha com paternalismo para a geração seguinte (tende-se sempre a achar que a anterior foi bastante superior e que a seguinte é ignóbil - quem não se lembra do termo "geração rasca"?). Mas, a ser verdade essa generalização do compromisso, se calhar, ainda bem. Acho que o maior compromisso que podemos ter é com o nosso bem-estar e realização e, claro, tentar ao máximo que a equação não subtraia aos nossos filhos, quando os há. A mudança não é um papão. Se for tudo feito com respeito, com ponderação, pode ser a melhor coisa que nos acontece. 

Ainda bem que não fiquei até hoje na primeira produtora aonde trabalhei, até porque muito provavelmente estaria doente, a trabalhar 16 horas por dia, a ganhar 500€ a recibos verdes e não haveria Isabel e Luísa. 



Mudei de vida outra vez. Voltei a trabalhar, também, em televisão. Não sei se "para a vida", se "para já". E é bom não saber. É mais divertido assim. 



12.01.2019

Não sei se ainda gosto do Natal

Já não sei se gosto do Natal por elas ou por mim. A verdade é que dantes esta era, sem margem de dúvidas, a minha altura preferida do ano. Não sei quando começou a perder encanto. Não sei se foi quando me comecei a aperceber de que não há Pai Natal, se foi quando me comecei a ver nos adultos falhas, se foi quando percebi que o consumismo nesta altura não é, de todo, consciente. Se foi quando comecei a pensar nas pessoas que não têm família ou nos que a têm mas é como se não tivessem. Se foi quando a família se começou a separar mais, a ter outras famílias, se foi quando começámos a perder pessoas. Já chorei no Natal. E não foi de comoção. Acho que pode ter tanto de bonito, quanto de triste. 

Mas, sem dúvida, tento aproveitar o que tem de bom. E quando temos filhos, queremos ver magia nos olhos deles. Queremos que sejam crianças felizes. Quero que elas sintam o que eu sentia quando era miúda. Acho que estou a conseguir. E acho que, de alguma forma, passei a gostar mais deste mês. A ver o lado positivo. A tentar aproveitar esta época para lhes passar valores. A pensar em cada pessoa de quem gostamos. Hoje, por exemplo, fizemos o jogo da descrição dos nossos amigos em que um descreve alguém de quem gosta e os outros tinham de adivinhar quem era - foi lindo ver o que cada uma acha que define outra pessoa, em como não têm preconceitos, em como não ligam a magrezas, a gorduras, nem à idade ou ao tom da pele. Claro que tudo isto pode ser feito noutros meses, mas também é giro irmos definindo coisas para fazer no advento.

E vocês? Como vivem o Natal? Quem está a viver fora, consegue vir nesta altura? Quem está cá, sofre neste mês ou celebra?

Fotografia The Love Project

11.24.2019

Perguntas à Joana Paixão Brás



Fico sempre nervosa quando a Joana Gama me faz perguntas. Primeiro porque ela tem pouco filtro (e é por isso que ela tem tanta graça e é por isso que gostamos tanto dela) e depois porque tanto podem vir de lá perguntas existencialistas como podem vir perguntas que envolvam cocó. 

Aqui houve um mix. Ficam a saber que:
- não tenho nenhuma tara que envolva chamarem-me Sheila na cama
- eu era rato de biblioteca 
- tenho uma pessoa por perdoar


E muito mais. Vale a pena? Vale, mas eu sou suspeita. E humilde. :)




Entretanto, sabem que temos um podcast? Chama-se "a Mãe é que sabe", mas é onde falamos sobre tudo menos maternidade. Só para desenjoar um bocadinho. Quando estiverem a emparelhar meias ou no trânsito, somos boa companhia para desanuviar. Sexo, medos, amizade entre mulheres, sonhos, blogues: já houve de tudo e revelações bombásticas, como no Correio da Manhã, mas em bom. Podem seguir-nos no SpotifyApple PodcastsSoundCloud e Anchor FM



Para além disso, associámo-nos à Science4you para vos trazer um desconto de 10% em tudo o que comprarem por lá com o código AMAEEQUESABE, sendo que recomendamos encarecidamente as estufas de morangos, melancias e meloas. Uma prenda educativa, sustentável e comestível. Além de servir para os vossos filhos no natal (e sobrinhos, etc) ou para os próximos aniversários. Podem comprar já aqui, por exemplo ;)


11.22.2019

5 anos depois: adormece sozinha!!!

Confettis, pandeiretas, champagne (que era basicamente o que eu precisava antes de as ir adormecer para ir relaxadita e sobreviver aos mil pedidos de água, xixi, calor, tapa, destapa)! 

A Isabel pediu-nos FINALMENTE para dormir sozinha! 

E não, não foi fogo de vista. Demorei a vir aqui contar isto porque não estava bem a acreditar. Pensei "uhmmm, deve-se ter enganado", "é só hoje". Mas não! 4 dias depois, despede-se com um beijo, aninha-se ao peluche, gato aos pés dela e adeuzinho, até amanhã. 

Claro que isto (ainda) não me facilita muito a vida, porque ainda tenho de adormecer a Luísa, isto é, estar ao lado dela para que durma. E a Luísa demora, se for preciso, uma hora até cair para o lado. Mas dá-me esperança. Pode ser que a Luísa, com 5 anos, também siga as pisadas da irmã. Pode ser que isto não dure até aos 10 anos.

Eu já me tinha mentalizado: "não posso deixar coisas importantes por fazer depois de elas adormecerem". Ou porque eu adormecia com elas  e lá ficava até ao dia seguinte, ou porque acordava toda "zazada" e enervada por ter adormecido. Tentava que os pratos ficassem na máquina, cozinha orientada, pijama vestido (caso adormecesse) e cara lavada. Vários dias em que assumi que me ia deitar e dormir, mesmo. Mas depois vi pelo meu relógio (que é daqueles todos inteligentes que me dão a qualidade de sono, etc) que andava a dormir demasiado e que o meu metabolismo assim também ficava lentinho (aquela lógica do "quanto mais se dorme, mais sono se tem"). Chegava a dormir 11 horas, deitando-me logo com elas - e o pior é que a qualidade do sono não era boa (demasiado sono leve e pouco sono profundo, por exemplo, e 4 despertares).

Mas bem, isto para vos dizer que, apesar de ainda ter de adormecer a Luísa (levo-a para o meu quarto para que a Isabel possa então adormecer sozinha, tal como nos pede), fiquei feliz por mais este passo no crescimento da minha filha. E também feliz por não ter sido eu a definir este timing: foi ela.

Claro que havia momentos ternurentos e queridos quando me punha no meio das duas a adormecê-las, cada uma deitada sobre um braço meu, cabeça no peito. Claro que um dia vou ter saudades. Mas muito sinceramente, era chato para a Isabel, que adormecia mais rapidamente "ter de levar" com a Luísa a pedir mil coisas, a esfregar a perna na parede, a tirar meias, a falar. Acabava por ser mais stressante para todas. Nem sempre, mas há momentos que me ficam na memória, da Isabel já a chorar a pedir à Luísa para se calar. 

Posto isto, menos um problema. Ainda não é o ideal: assim que a Luísa adormece na minha cama, levo-a para a delas e depois, durante a noite, claro que volta para a minha. Mas tudo bem, não nos chateia. Sinceramente, depois do que passámos sem dormir com as miúdas, esta fase é a MELHOR DE TODAS ATÉ AGORA. ESTÁ ÓPTIMO. JÁ NEM PEÇO MAIS NADA. 

Nota-se um bocado o desespero de anos? Pronto, já passou, inspira, expira. A verdade é que nos fomos moldando às necessidades delas e damos por nós a partilhar camas, a fazer o jogo das cadeiras em modo cama e a nunca saber bem onde vamos acordar no dia seguinte. Paciência, não é um BIG DEAL para nós. Mas sabe bem ver que fica cada vez mais fácil.


Nada a ver mas escrevi ontem sobre os meus desejos para as nossas férias de Natal: ando a ver destinos para ir de carro ou então de autocaravana. Acabei de instalar uma app chamada park4night para perceber aonde poderíamos pernoitar. Por mim, passaríamos pela Serra da Estrela ou iríamos até San Sebastian. Nunca fomos (só fui até Bilbao) e adorava conhecer. É péssima ideia em dezembro? Contem-me tudo.


11.21.2019

A sonhar com as férias de Natal... sou só eu?

Ainda não temos planos. Só a ideia de estarmos os quatro em casa de pijama, a brincar, a comer castanhas (e a dar puns e a rir muito, tudo incluído), a ver filmes e a ter tempo em família, já me agrada. Não sou a maior amante do inverno, não sou mesmo. Menos sol na fronha deixa-me mais deprimida, a conta da luz à conta - passo a redundância - dos aquecedores ligados deixa-me nervosa (e esta casa, mesmo com polares e robes vestidos é um gelo, credo!), dias mais curtos e escuros e menos idas à praia e por aí fora, dificuldade em secar roupa (que nervooooos), e por aí fora. Mas há que aproveitar o que de bom esta época nos traz e poder estar mais em casa, receber família ou visitar a família é mais que bom. Adoro o Natal.

Anseio pelas férias do Natal desde setembro (ahah). Já pensámos em ir uns dias para Évora, casa dos pais do David, já pensámos ficar por casa uns quantos, mas agora tenho pensado na hipótese de ir de autocaravana dar uma volta 4 ou 5 dias por Portugal. Nunca o fizemos e seria tão giro. Já está nos nossos planos há uns três anos e desde que a Joana Gama partilhou aqui a experiência, ainda com mais vontade fiquei.

Se não, gostava de ir até à Serra da Estrela (só a Isabel ainda foi e com os avós) dois dias. Acredito que seja, no entanto, um destino bastante concorrido nesta altura do ano. Onde ficar alojados? O que visitar nas redondezas? O que aconselham naquela zona? 

E vocês, o que planeiam fazer no Natal? Vão à terra?


(Que sonho de casa, hein?)

11.15.2019

Desculpem, filhas

Desculpem, filhas.
A mãe errou.

A mãe não soube lidar com uma birra enorme e demorada. A mãe estava cansada. A mãe tentou várias coisas que não resultaram. 

Depois de eu ter avisado várias vezes que se não viessem para a cama, não poderia haver história, porque estava mais que na hora de dormirem, cumpri. Cumpri, mesmo sabendo que, muito provavelmente, haveria choro, pedidos de desculpa, promessas, pedidos desesperados e até gritos. 

E houve, houve tudo isso, mas numa proporção difícil de qualquer ser humano - que não um monge eremita - aguentar.

Falei em voz calma. Disse que não poderia ler a história, senão não estaria a ser uma boa mãe. Que para a próxima, não se lembrariam que é importante cumprir o que a mãe diz. Continuariam, todos os dias, a não ouvir a mãe. E que, assim, no dia seguinte, se iriam de certo lembrar. Que a mãe cumpre o que avisa. Que se a mãe explica uma vez, duas vezes, por que razão têm de ir para a cama contar a história nos próximos minutos: senão não dormem o suficiente. As escolhas têm consequências. E eu levei a consequência até ao fim.

No meio da birra, saí do quarto para me acalmar. Falei de forma calma. Dei água. Ofereci abraços e colo a cada uma. Dei colo a cada uma. E nada vos faria acalmar nos minutos que se seguiram. Foi desesperante. 

Eu sei que não estavam a fazer aquilo para me desafiar, para me irritar. Eu sei que estavam com sono e cansadas e frustradas. Eu sei disso tudo e sabia. E devia ter mantido o controlo. Mas não mantive. Cada uma levou uma palmada, acho que ao mesmo tempo, com cada uma das minhas mãos, quando me tentava levantar para me ir acalmar e se agarraram a mim como lapas aos gritos. Nem me lembro aonde vos acertei. Acho que nas pernas? 

Odiei a sensação. Não acho que "estavam a pedi-las". Não acho que "mereceram". Não acho que "tinha de ser". Nem que "as crianças de hoje em dia têm é falta de palmadas". Muito menos que "uma palmada na hora certa" faz falta. De tudo o que tenho lido, de estudos científicos feitos, de pedopsiquiatras, psicólogos, e também de educação com apego e disciplina positiva, nada parece apontar que faça falta, muito pelo contrário. A ciência evoluiu para estar do vosso lado, do nosso lado. Para que compreendamos melhor como funciona o cérebro de uma criança. Que tem neurónios-espelho, que reproduzem e imitam o que fazemos e que, também por isso, nunca os gritos e palmadas resultarão a longo prazo - e só farão com que os imitem. Que há um espectro enorme entre autoridade e permissividade. 

Eu sei disso tudo, mas, nesta noite, não consegui. 
Mas de nada serve a culpa, vamos a estratégias para que não volta e acontecer. Por vocês, mas também por mim. 

- durante a semana, vamos experimentar não ter cá em casa vizinhos, que ficam mais excitadas;
- nos dias em que vos vou buscar mais tarde, como foi o caso (18h), tem de haver à mesma um tempinho para brincarem só as duas, livremente 
- antecipar ainda mais os horários / sequências do que vem a seguir: "depois de lavarmos os dentes, contamos logo a história, para termos tempo para tudo", para não ser tão em cima o aviso
- voltar a fazer yoga e meditação, para voltar a ter mais paciência

Sei que já me desculparam. Eu também já. Errar é humano. Continuar a errar sem tentar fazer nada para evitar errar é que já me parece um bocado totó.

Se tiverem desse lado alguma dica (dentro da disciplina positiva, ser ser "eu daria uma bordoada a cada uma logo no início que é para verem quem manda", pff), sou toda-ouvidos. 


11.12.2019

Usar aparelho com 5 anos - porquê?

Há cerca de 3 semanas, a Isabel começou a usar aparelho. Eram notórias, cá em casa e até junto da pediatra, não só a forma mais "ciciosa" de falar (os ésses mais carregados), assim como a forma como punha os dentes de cima em cima do lábio de baixo. Por isso, depois de duas consultas na odontopediatra, raio x e avaliação, decidimos avançar com um aparelho miofuncional. Além disto, iremos pedir avaliação de um otorrino e queremos também ter consulta num terapeuta da fala (deverá precisar de fazer terapia miofuncional), de forma paralela.

Mas que tipo de aparelho é este? 
Com dentes de leite, vale a pena? 
Não é muito nova? 

Condensei algumas das vossas perguntas no instagram (que eram também as minhas antes de iniciar este processo) e resolvi, com a ajuda da odontopediatra da Isabel, a Dra. Beatriz Jordão, Directora Clínica da Clínica Dentária do Lumiar e a maior com crianças, responder às vossas dúvidas.

[as miúdas adoram lá ir, tem um jeito muito especial para falar - e brincar - com elas, além da sala ser completamente desenhada para os receber - desde músicas da Disney, a tablet, a phones, para que não ouçam barulhos mais chatos em algum procedimento, cadeira adaptada, brinquedos... etc etc].



Vamos a isto.

O que são, como funcionam e para que servem estes aparelhos? 

São aparelhos para corrigir os maus hábitos miofuncionais (hábitos dos músculos à volta da boca, da língua, da mastigação e da respiração). Corrigem a forma da boca e melhoram o alinhamento dos dentes, através da posição correta da língua e dos lábios. A chave para este tipo de tratamento é corrigir a posição e função da língua, treinar os músculos da cara para que não façam forças contrárias aquelas necessárias para o desenvolvimento dos ossos dos maxilares. Os aparelhos são desenhados de forma a que a língua tenha um sítio específico para se posicionar, ficando na posição correta na maxila, a musculatura oral seja estimulada ou descontraída para que o crescimento ósseo dos maxilares possa acontecer.

Porquê nos dentes de leite, porquê usar tão cedo? 
São utilizados maioritariamente em crianças com dentes de leite ou dentição mista (quando ainda estão a trocar os dentes) porque funcionam através do crescimento facial, potenciando-o. Até por volta dos 8 anos temos ainda um grande crescimento facial nas crianças. Estes aparelhos guiam esse crescimento de forma a prepararem a os maxilares (língua, músculos, etc) dos mais pequenos para receber os dentes definitivos da melhor forma e evitar tratamentos mais complexos no futuro.

Sempre ouvir dizer que aparelho só em dentes definitivos… podia explicar melhor? 

Estes aparelhos miofuncionais não são aparelhos para os dentes, são aparelhos para “a cara no geral”. São aparelhos para a língua, para os músculos, para os lábios, para os ossos e acima de tudo para alterar hábitos. Hábitos que nem sempre são conscientes (como o da Isabel – por oposição a hábitos tipo chupeta e assim) e nestes principalmente precisamos deste tipo de dispositivos para nos ajudar a eliminá-los. Ainda assim… aparelho só em dentes definitivos = mito 

Exemplos práticos de necessidade
- O caso da Isabel que “morde” o lábio de baixo com os dentes de cima projectando-os para a frente
- Crianças que dormem de boca aberta: como a boca está aberta, a língua fica numa posição incorreta e empurra os dentes e faz um arco na forma da boca
- Mastigar sempre para o mesmo lado e/ou demorar muito tempo a comer ou não gostar de coisas duras - pode ser sinal de necessidade de aparelho porque os dentes “não encaixam bem” e por isso demoram mais tempo a exercer a sua função (mastigar) ou fazem-no sempre melhor de um lado.

Qual a duração e o preço do tratamento? 

A duração depende muito do problema e também da colaboração do paciente, porque a maioria destes aparelhos são removíveis e se não são colocados na boca não funcionam.

Também existem opções fixas (não para o caso da Isabel) e com essas o tempo de tratamento pode ser muito mais curto (3 a 6 meses em média). Mas cada caso é um caso e tem de ser feito um estudo individual para cada um.

A Isabel não é muito nova para usar aparelho? Afinal os dentinhos dela ainda vão cair…

Estes aparelhos podem ser usados a partir dos 3 anos, a Isabel já tem 5. Até a Luísa já poderia usar se precisasse (não precisa, felizmente!). Os dentes ainda vão cair sim, mas não estamos a tratar os dentes que estão neste momento na boca dela, estamos a preparar a chegada dos próximos! Se não atuarmos, já a probabilidade dos definitivos nascerem e ficarem inclinados é grande, com este aparelho estamos a diminuir um pouco essas probabilidades.

A minha filha de 5 anos usa há 2 semanas para correção da mordida cruzada, será o mesmo?

Talvez sim, mas existem muitos tipos de aparelhos miofuncionais. Para a mordida cruzada até é bastante comum usarem-se soluções fixas. Faz com que endireite os dentes? Sim, pode fazer. No caso da Isabel não é esse o objectivo para já, o objectivo é que os definitivos não tenham o mesmo problema. Os dentes da Isabel neste momento são de leite, no entanto mesmo os de leite podem endireitar quando bem usado o aparelho.

Quando usa?

Idealmente 1h por dia em casa e durante toda a noite.

Qual é o problema da Isabel?

Classe II divisão 1 com hábito sucção não nutritiva do lábio inferior.

Também dá para quem chucha no dedo? O meu filho tem 5 anos… 

Os hábitos de chuchar no dedo, ou noutra coisa qualquer, depois dos 3 anos deixam conformações maxilares anormais, normalmente chamada mordida aberta. Estas alterações devem ser corrigidas o mais rápido possível, para tentar reverte-las ou melhorar a forma para os dentes definitivos. Dedos e chuchas têm uma componente psicológica associada e o aparelho não substitui isso, obviamente.




A Isabel recebeu muito bem esta notícia. Não vos vou dizer que não lhe custa nada (nos primeiros dias, dizia que lhe doía um bocadinho, além de não saber bem o que fazer a tanta saliva) e não é fácil fazer com que o aparelho aguente na boca dela a noite toda. Já cheguei a acordar para procurar o aparelho e lhe colocar a meio da noite. E já houve noites em que deve ter estado, no máximo, umas 4 horas com aparelho. Mas noto que, com o tempo, ela se foi habituando bastante à ideia, que já se preocupa em pôr o aparelho mal lava os dentes; brinca um bocadinho ou lê as histórias já de aparelho; já faz parte da rotina dela. Acho que mais duas semanas e já está tudo mecanizado. Acreditam que fiquei a admirá-la ainda mais depois de ver a forma determinada e resiliente como encarou isto? Mega orgulhosa.

Se tiverem mais dúvidas e quiserem partilhar, comentem, que tentaremos responder, sim?

Obrigada à Dra Beatriz por nos receber sempre tão bem. Há pessoas mesmo talhadas para a profissão que têm.