quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Já consigo falar do parto da Luísa

Falar sobre isto ainda me deixa assim... mas já consigo contar. Acho que já está tudo resolvido. Acho que já não há trauma. Não deixa de ser uma das experiências mais fortes e mais duras da minha vida.
As grávidas NÃO PODEM VER ESTE VÍDEO, ok? Pronto, estamos conversadinhas.

Caso tenham passado por algo assim, partilhem connosco.



De que outros temas gostariam que falássemos no Youtube e partilhássemos por aqui?
BEIJOS!

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quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

Quem era eu há 10 anos?

Sinceramente não sei.

Andei aqui a fazer umas viagens pelas minhas pastas de fotografias para tentar lá chegar mas nem tenho bem a certeza do que fiz em em 2009, muito menos de quem era. Tinha 22 anos, fiz os 23 nesse ano. Tinha tirado Ciências da Comunicação, na NOVA, tinha estagiado na TVI, em informação, tinha ido para Londres uns meses, aperfeiçoar o Inglês e tirar um curso de TV e trabalhar num restaurante chinês, tinha regressado para ter o primeiro trabalho na área (onde recebia 500€ a recibos verdes e trabalhava de uma forma desumana - despedi-me logo após um mês e arranjei trabalho dois dias depois -), pus-me numa pós-graduação em apresentação de TV na Autónoma enquanto trabalhava na Duvideo, uma produtora onde fiz vários programas, como jornalista, locutora, alguns vídeos institucionais... e onde conheci o David. Foi nesse ano que conheci o David. Mentira, foi nesse ano que começámos a namorar, conhecemo-nos no anterior. 

Não sei bem quem era. Não vale dizer "a mesma", que isso não é verdade. Tinha muitos sonhos e tudo me parecia possível. Neles incluía casar, ter filhos, três ou quatro, trabalhar em televisão, viajar muito. O David nunca tinha andado de avião e nós resolvemos logo ali o assunto: Londres num mês, Florença, Veneza e Milão noutro. Tarifa pela primeira vez (a minha, que ele ia desde pequenino). Tínhamos a vida toda pela frente. Nesse ano o David começou a trabalhar na SIC, além da Duvideo. Eu comecei a fazer locuções e ficámos mais desafogados. Comprámos uma máquina fotográfica das boas. Íamos ao cinema muitas vezes, muitas, mesmo muitas. Ele levou-me ao Festival Marés Vivas, no Porto: foi esta a nossa primeira "escapadinha". Aldeias do Xisto depois. Ahhhhhh tão bom recordar. Esta liberdade toda, este futuro todo.

Dez anos depois, estamos mais velhos, mais cansados. Temos os pés mais assentes na terra. Dificilmente conseguiremos comprar uma casa um dia. Dificilmente conseguiremos dar a volta ao mundo. Temos mais presente o "agora". Já nos morreram pessoas queridas, já apanhámos sustos e a vida já nos mostrou que a família está em primeiro lugar. Temos uma família e passou a ser ela a nossa prioridade. Somos 4. Eu já percebi que nada é definitivo, que vamos sempre a tempo de mudar. Ainda sonho com viagens, mas já não tenho uma sede que me deixe angustiada. Já sei que a felicidade se constrói e dá trabalho. Tenho a escoliose mais acentuada, mais marcas no corpo, mais flacidez. 

Há algumas coisas que nunca mudam: continuo a ser despistada, a perder chaves de casa e carteiras e cartões. A protelar algumas coisas. A não adorar exercício físico (ou pelo menos os recomeços). A adorar ver filmes (e séries). A não gostar de falar ao telefone. A adorar chocolate e gelado e doces, comida no geral. A ter muito prazer em escrever. A sentir-me uma miúda.

Não sei quem inventou este desafio dos 10 anos, mas gostei!

Venham mais dez. Com saudinha da boa e amor no coração.


Em Tarifa, com o vestido que o David me tinha oferecido nos anos

Opa... 


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