domingo, 11 de outubro de 2015

Odeio ser mãe em part-time.

Mais um fim-de-semana a chegar ao fim. Como sempre, os dias esticaram mas passaram a correr, numa incongruência que nem eu consigo explicar. Principalmente depois de uma semana em que fui mãe em part-time.

Três dias em que cheguei a casa e ela já dormia. Num desses dias, quando saí de casa, ela ainda estava a dormir. Não é fácil não estar. Não é fácil sentirmos os nossos filhos, no dia seguinte, mais lapas e carentes do que nunca, com medo da separação. Depois chegou o fim-de-semana e fui mãe a 100%. 

Hoje dormiu uma hora da sesta em cima do meu peito. Pude sentir a respiração dela, acalmar-lhe um pesadelo, olhar para aquela cara de anjo, com esgares e sorrisos. Senti o cheiro, dei-lhe festas no cabelo, já molhado do calor dos nossos corpos, observei mais uma vez aquela boca pequenina. A mão dela ajeitava-se no meu peito e dava-me festinhas. Senti-a tranquila, confortável. Adormeci com ela. E assim ficámos uma hora, naquele aconchego. Devíamos poder ter momentos destes, em que o tempo parece parar, todos os dias. Por ela, por mim. Ela merece, eu também mereço ser mãe, sempre. 

Não quero ser mãe de fim-de-semana.

Não sou substituível na vida da minha filha. O meu cheiro, o meu abraço, o meu sorriso, as minhas caretas... São só minhas, são só nossas. Só eu sou mãe dela. Aqueles minutos antes da Isabel adormecer, em que somos uma só, unidas pelo maior afecto que o mundo há-de conhecer, esses minutos não dão para compensar. Nem na sesta que dormimos hoje. Perderam-se. Andam a perder-se vezes demais. 
 

Olhos de mãe deveriam estar sempre assim: grandes, abertos, comovidos com todas as descobertas deles

Mais mães por aí com este sentimento de culpa?

17 comentários:

  1. A Sofia - que nasceu no mesmo dia que a Irene - adormece todos os dias no meu colo. E eu fico ali a snifar a minha droga favorita: a minha filha. Brinco com os redemoínhos do cabelo dourado, enquanto as azeitonas dos seus olhos caem pesadas no sono...
    Acho que é a minha forma de estar mais presente. Culpada... Provavelmente

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  2. Estou exactamente nesta mesma situação :/ quem me dera poder ser mãe a tempo inteiro . Amanhã lá vou eu trabalhar e "deixá-la" de novo. Quando chego a casa "desmaio" de cansaso e sintome culpada por não estar tão presente :c

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    1. Mas eu não faço questão de ser mãe a tempo inteiro. Apenas não queria ser mãe apenas alguns dias. :( 3 dias numa semana sem estar com ela não faz nenhum sentido. :(

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  3. Trabalho aos fins de semana. E custa muito.
    Inês

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  4. pois é.. é mesmo assim! eu fiquei com a minha filhota até aos 13 meses, e custou qd teve q ir para a creche, mas nem tanto pq a creche era mesmo ao lado do meu trabalho, eu saía a porta do trabalho e via-a no recreio... era optimo, poder, a meio da manhã e a meio da tarde falar com ela e dar-lhe a mão através das grades da creche! agora que ela fez 6 anos, e foi para a primária, q já não é ao lado do meu trabalho.. agora é q me doi! doi-me ter q a deixar e so a volto a ver ao final do dia, doi-me deixá-la com aqueles miudos, grandes, brutos, e a minha bebecas ali no meio o dia todo... doi-me tanto! dou por mim a certa altura a perguntar, "o q estara ela a fazer", "como estara", "sera q foi a casa de banho?" , " sera q comeu?", e aquelas escadas enormes de escola primária.. ai! agora é q me doi!! :P enfim.. beijinhos!

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  5. Completamente Joana :'( padeço desse mal há seis anos, dois filhos e cada vez custa mais! Adorava ir ao terceiro mas não o queria fazer nestes moldes. Sempre repeti o que escreveste. Dói muito ser mãe com horários

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  6. :( É mesmo complicado não podermos estar o tempo que queremos (e é desejável e justo) com os nossos filhos.
    Eu não sinto muito isso porque tenho pelo menos umas 3 horas por dia com a minha filha em que podemos estar só nós, a brincar, a fez seja o que for, com tempo de qualidade. São só 3 horas, das 17h30 às 21h00 com 30 minutos pelo meio para arrumar as coisas em casa, mas sinto que, neste momento, é o melhor que podemos ter.
    Mas,já trabalhei por turnos e o meu namorado também já teve que trabalhar fins de semana e noites e, neste momento isso pareceria insustentável. Creio que acabamos por nos habituar a tudo mas devíamos poder ter mais tempo com os filhos, obrigatoriamente.

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  7. É muito complicado....sinto tanto isso. Felizmente posso estar com ele todos os dias ao fim do dia, com excepcao das viagens que volta e meia tenho dr fazer. Hoje o dia foi só nosso, os dois em casa, muito mimo, sesta a dois! Mas depois há sempre mil e um afazeres que se metem pelo meio! É injusto :(

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  8. Hi hi... acho que sou o oposto do que as mamãs aqui pensam... Acredito que não importa a quantidade de tempo que passamos com eles mas a qualidade... conheço mamãs que passam o dia inteiros com os filhotes mas não estão verdadeiramente com eles nem fazem metade do que eu faço com o meu...!! Para mim, ter um emprego faz parte de quem sou e quero que o meu filho tenha orgulho nisso... e acho que porque passo menos tempo com ele me faz apreciar ainda mais esses momentos. Tento sempre estar presente nas coisas importantes como as festinhas na escolinha ou idas ao médicos. No dia-a-dia, bem... quando estou com ele "estou" mesmo com ele... e ele sabe...!!

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    1. Eu também não me imagino sem trabalhar. Mas acho que apesar da qualidade, também tem de haver quantidade, regularidade... 3 dias numa semana sem a ver, para mim, não faz qualquer sentido, nem há compensação possível. Fico com o coração pequenino, pequenino.

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  9. Olá Joana,

    Não se esta a queixar de trabalhar, de sair todos os dias para trabalhar.
    Mas sim de ter dias em que nem vê a filha!!!
    Compreendo o que sente, não faz sentido, os horários deviam permitir que estive se com a sua filhota...
    Pelo menos de manhã ou ao final do dia...imagino a sua angustia...
    Não foi para isto que fomos mães.

    Trabalhamos para viver e não vivemos para trabalhar!

    Bjs e força

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  10. Sinto o mesmo...
    Adoro trabalhar mas trabalho tantas horas que chego a casa cansada e com pouco tempo para organizar tudo e ainda dar atenção ao Diogo.
    Gostava de ter mais tempo. Mas há que trabalhar para viver.

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  11. Serviu-me a carapuça... Mas serviu tão bem...

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  12. Como eu compreendo!!! Mãe deveria estar SEMPRE presente. Eles não precisam de nada se não das mães por perto, a amá-los e a ampará-los. Todos os dias. <3

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  13. Opa... Não sou mãe (ainda!), mas este post tocou-me particularmente. Um beijinho grande, Joana. Obrigada por toda a sinceridade e, coragem, pensar nos bons (maravilhosos) momentos que podem não ser tantos quanto gostaria, mas, se forem de qualidade... Valem por tudo.

    Teresa
    (http://limonadahortelagengibre.blogspot.pt/)

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