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quarta-feira, 10 de maio de 2017

Tenham dois filhos, já!

É óbvio que não vos estou a dar este conselho assim gratuitamente e do pé para a mão. Cada família tem de apalpar bem o terreno, fazer contas à vida, pensar bem, que isto de se ter filhos não é propriamente algo que se possa decidir irreflectidamente. Queremos que nada lhes falte, antecipamos de certa forma o futuro e todos os custos inerentes e queremos estar numa boa fase da nossa vida, com paciência e disponibilidade, tempo e muito amor. No nosso caso, foi também com uma boa dose de loucura. Numa fase em que a Isabel estava a dormir melhor - e desde sempre com a ideia de que não queríamos deixar muito tempo entre ambos os filhos - pumbas. Foi tão rápido que nem tivemos tempo de digerir bem a novidade​ (sorte a nossa, claro). Houve dias em que duvidei, dias em que disse para mim que devíamos ter esperado mais, dias em que achei que ia pirar, mas no fundo sabendo que foi o melhor que podíamos ter feito. 

Ontem às noite demorei quase uma hora a adormecê-las (já ficam num pagode e querem é converseta, uma mete a perna por cima da outra e ri-se (a Luísa, danadinha), a outra manda a irmã calar-se e faz queixinhas e andam naquilo não sei quanto tempo até eu me enervar (costumo meter a Luísa no meio a mamar e vou dando festinhas à Isabel mas acho que vou ter de mudar de estratégia porque fico com uma veia da testa a querer sair de tanto me enervar). É giro assim visto de fora e lá nos primeiros minutos mas quando vejo que não mando nada e que não consigo meter ordem naquilo começo a ficar quentinha e lá tenho de partir para as ameaças fofinhas de as separar e de dizer que vão ter de adormecer cada uma no seu quarto. É, neste momento, o único momento em que me enervo mais por serem duas (mas mais porque sou eu que quero sair dali e ter um tempo só para mim, elas não têm culpa...). De resto, já se faz (quase) tudo com uma perna às costas - até almoçar com as duas sozinha já fui, coisa que até aqui era impensável. Já tive um ano de treino também (1 ano!!!). Vamos ganhando calo e o melhor dos nossos dias sobressai mais! Adoro ver as dinâmicas entre elas, a Luísa a pedir "dá" à irmã e ela a partilhar (ou não eheh), a Isabel a contar-lhe histórias ou a ensinar-lhe coisas (ou a ralhar ou até com uma mãozinha mais leve...), os abraços e os beijos que me deixam uma aguinha nos olhos... E a Isabel a defender a irmã?... É maravilhoso. Por isso - tendo as condições todas que acham que têm de estar reunidas  - vos digo: tenham dois filhos, já! É bom demais. 









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segunda-feira, 8 de maio de 2017

Antes de sermos Mães somos Mulheres e quem diz o contrário está a mentir.

Era tema para horas de discussão, mas acompanhem a minha reflexão e depois decidam por vocês.

*fotografia Ties para a campanha da Zilian

Acredito que para as mulheres que, antes de serem mães, não iam ao cabeleireiro, não frequentavam um ginásio, não sentiam necessidade de ter tempo só para elas de qualidade e fora de casa, não eram fãs de jantar fora ou de uma ida ao cinema, não tinham grande vida social e não tinham assim grandes interesses fora do trabalho ou da relação, não é no pós-parto que vão sentir essas necessidades. 
Para quem gostava de programas e se cuidava, o pós-parto pode ser um grande filho da mãe. Enquanto andamos ali inebriadas com o cheiro do bebé, com aquele quentinho, aquele colo que lhes damos mas eles também nos dão, com aquelas descobertas - e aquele sono e cansaço - tudo o que não nos apetece é ter Mundo. Aquele é o nosso Mundo. É tudo demasiado intenso para querermos colocar mais coisas na equação e está bom assim. Mas, depois que passa esse furacão (cada mãe terá os seus timings e as suas necessidades, claro), começa a apetecer-nos espairecer. Para umas, será um jantar a dois, um encontro de amigas, uma ida ao teatro, uma hora por semana num ginásio, ou duas ou três. Para outras serão umas férias num sítio bem longe. Para outras, meia hora numa banheira é suficiente para se evadirem e relaxarem e voltarem à carga. 

É certo que passamos a fazer mil programas onde os podemos e queremos incluir, mudamos muita coisa, recusamos muitos convites, mas também sabe bem, de vez em quando, não andar com as malas e as fraldas atrás.

No pós-parto da Isabel, achei por bem ir uma vez comprar roupa à Primark e à Zara tinha ela umas 3 semanas e correu tudo bem. Sempre a olhar para o telemóvel, chamada ao David, tudo controlado. Mas depois achei boa ideia ir a um concerto, teria ela mês e meio. Justin Timberlake. E umas mamas completamente a rebentar pelas costuras, um desconforto gigante, idas à casa de banho para tirar o excesso e aliviar e enfim - não aproveitei grande coisa, não. Além disso estava quase sem bateria e em stress. Percebi que não era hora para grandes aventuras. Depois, ao fim de 9 meses, achei boa ideia irmos passar um fim-de-semana fora. Primeiro dia, perfeito. Segundo, a falarmos muito nela. Terceiro já desejosos de vir embora (parecia que estávamos a adivinhar que estava a ficar doente). Apesar de agora não me parecer uma excelente ideia, lembro-me de na altura precisar de espairecer e nada fazia prever que ela ficasse assim. Adeus culpa, não preciso de ti agora para nada. 
Lembro-me também de ter começado a trabalhar demasiado cedo (aos 3 meses) mas de, depois de muito choro durante vários dias (e quase mastites, por não conseguir extrair leite em reportagem), lá me conformei. Até me sabia bem estar com adultos, ter outros interesses e recordo-me de não invejar a parte das sestas da Irene (a Joana estava em casa com ela) e nem me imaginava em casa com a Isabel tanto tempo. Depois os meses foram passando e fui percebendo que estava tudo a ir depressa demais e que estava a perder muita coisa do crescimento da minha filha e que não ia querer perder da segunda.

Como sabem, dei uma volta de 180 graus. Estou em casa e estou a gostar muito de estar perto da minha filha estes quase 12 meses. É um privilégio. MAS, já senti necessidade de fazer coisas PARA MIM. De ter TEMPO para mim. Sem ter de estar preocupada com fome/sono/brincar. Sem ter de estar alerta. Acho saudável até termos vontade de descansar a cabeça, de trocar o chip, de nos mimarmos. Se tivesse mais ajuda, já o teria começado a fazer há três ou quatro meses. 

Foi agora, aos 11, que se proporcionou: Luísa entregue a uma pessoa de confiança, cá em casa, duas horas à 2a e duas horas à 5a para eu poder ir ao GINÁSIO. Comecei há uma semana e estou a adorar. Precisava mesmo disto. Tenho noção de que nem toda a gente poderá dar-se a esse luxo (para elas farei vídeos e darei dicas para treinarem um bocadinho em casa, fica prometido), mas, caso possam, força nisso. 

Pude dar este passo, estou feliz, feliz, feliz, a adorar o ginásio, os instrutores, o banho pós-treino (que sensação maravilhosa), o chegar a casa e tê-la bem, sorridente e a vir para o meu colo, toda feliz. 

Era isto que me faltava para ser FELIZ e eu não sabia. Ter um escape, limpar a cabeça e ter objectivos que não só os de fazer a minha filha feliz (apesar desses objectivos me darem também a mim muita felicidade). Antes de ser Mãe, era Mulher. E é bom voltar, aos poucos, a ter outros objectivos: neste caso, ser mais saudável e, claro, ter um bumbum mais firme. :) #operacaocoracaofortebumbumfirme

Estou no Scape, em Santarém, e quero aproveitar essa hora para treinar e para o combíbio! Se mais alguém alinhar ou por lá andar, é dizer, para darmos dois dedos de conversa entre agachamentos. :)







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quinta-feira, 4 de maio de 2017

Retiro o que disse: se calhar usava isto.

(Acho que há à venda nos ebays e AliExpress desta vida)

No outro dia contei-vos da nossa primeira ida ao cinema. Mas não vos contei tudo. Levámos a sobrinha Alice e a minha cunhada esqueceu-se de nos avisar que a gaiata gosta de dar de frosques. Estávamos nós a cumprimentar uma amiga e foi coisa de 15 segundos quando olhámos para o lado e nos perguntámos: "a Alice?". Olhámos à volta e só a Isabel colada a nós, como de costume (já me pregou um mini susto numa loja mas não é hábito). Cada um para seu lado e dois corações a mil. No El Corte Ingles há escadas, há saídas para o metro, há tudo. Eu fui para a zona das salas de cinema, o David para a zona dos restaurantes. Fizemos uma ronda rápida e voltámos ao ponto de onde partimos. Olhámos um para o outro e nada. Só uma vontade enorme de chorar. Resolvi pedir ajuda à senhora da bilheira porque já estava a morrer de medo (que responsabilidade, meu Deus!). Eis senão quando lá vem a miúda de mão dada com uma senhora e o filho, de uns 15 anos. Então, como estava vestida de bailarina e estava a entrar numa sala que não era de um filme de animação, os senhores lá estranharam. Assim que a vi, foi uma explosão de sentimentos. Descompressão com vontade de a estrangular. Mas mantive a calma, dei-lhe um mini "raspanete" e disse-lhe que nunca mas nunca podia sair de perto da tia e do tio que eu ficava com medo. Disse-me: "vocês fugiram!" Respira fundo, já passou. Mas hoje, assim que passei os olhos por esta geringonça / trela/ pulseira voltei a lembrar-me da história que nos ia matando do coração: foram uns 3 minutos que nos pareceram 30. E que acabaram por deitar por terra a minha resistência à ideia de trelas nas crianças. Fez-me já muita confusão, já disse que era ridículo, acho (achava) que há métodos mais respeitadores deles. MAS... Passando por elas, a minha opinião mudou um bocadinho. É um susto tão mas tão grande que se calhar não é uma pulseira destas que faz mossa. Deve ser um alívio até (e os olhares e os comentários dos outros devem ser bem irrelevantes quando se tem uma criança mais arisca e destemida)...

O que acham vocês disto? 

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terça-feira, 2 de maio de 2017

Vão dizer que estou a exagerar, mas antes "a mais" do que "a menos", neste caso.

A Irene desde que começou a andar que anda 90% do tempo em bicos dos pés. Tenho desvalorizado, estando em sintonia com a pediatra dela, mas 2 anos depois e depois de ver todos os colegas da escola dela a andar "normalmente", não consigo adiar mais a compreensão disto e tenho que me descansar. 

Noto que ela consegue pousar os pés no chão até porque há os tais 10% em que anda "como deve ser". Não acho justo estar sempre a corrigi-la (só o fiz uma vez) porque se o faz, há de ter uma razão para tal. Ninguém aguentaria tanto tempo assim só "porque sim". E se ela quisesse ser bailarina não tinha começado com isto mal começou a andar, quando ainda nem sabia o que era uma bailarina. 

Tenho uma amiga que é psicóloga infantil e disse que, por vezes, há crianças que podem fazê-lo como forma de defesa, podendo estar a "tentar lidar" com algo mais forte que elas a nível emocional. 

Faria sentido. Desde sempre que as coisas não são ideais lá em casa - são em alguma? - e faz sentido querer cuidar tanto do interior dela como do exterior. Marquei uma consulta para breve numa pediatra de desenvolvimento. Não há de ser nada, mas é menos uma coisa a azucrinar a cabeça e mais uma segurança. 

A minha conta bancária não agradece, mas já gastei dinheiro em coisas mais estúpidas. 

Lembrei-me que há muito tempo já tinha escrito sobre isto aqui. :) 

A Irene em Julho de 2015. :) 



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domingo, 30 de abril de 2017

Estás grávida? Bem-vinda à maior aventura da tua vida.

Inspira.
Expira.
É mesmo verdade.
Estás grávida.
É normal teres medo.
É normal estares com borboletas na barriga.
É normal não saberes bem no que te meteste.
E ao mesmo tempo estares a viver um sonho.
É desejado. Muito. Tinhas a certeza de que querias um filho.
Mas mesmo assim tens incertezas.

Vais sentir aquele amor que dizem ser maior que tudo?
Vais, mesmo que não o sintas logo, como estás à espera, vais sentir esse amor incondicional. Dá-te tempo.

Vais dar conta?
Vais. Mesmo que pareça que não sabes bem o que estás a fazer, confia. Sono? Fome? Frio? Aconchego? Pouco a pouco vais perceber. Vais saber ouvir o teu bebé. Vais perceber que às vezes o colo resolve tudo. E compras um pano ou uma mochila ergonómica. Ou ambas. E o teu calor, o bater do teu coração vai acalmá-lo. Se não acalmar, pede ao teu coração para se acalmar. Respira fundo. Sai de cena e volta a entrar. Está a chorar. Muito. Mas vai passar.

Vais ter sono e endoidecer?
Vais. Vais sentir-te um zombie. Vais desesperar. Vais achar que estás a enlouquecer. Se calhar vais ter de pedir ajuda. E pedes. Se calhar vais achar que não vais sobreviver. E vais. E aguentas. Mais um dia. E outro. E arranjas as melhores formas de dar a volta. Dormes uma sesta. E outra. Deixas o bebé meia hora com o pai. Ou a avó. Ou alguém em quem confies. E dormes um bocadinho. Enches a banheira e relaxas. Esses 10 minutos vão fazer milagres. Aquele cheirinho, aqueles esgares, boquinhas e sons perfeitos também.

Por agora desfruta.
Dessa barriguinha.
Desse tempo de espera.
Vê uma série se não adormeceres.
Faz amor se te apetecer.
Passeia se os pés não ficarem tamanho 45.
Compra uma roupinha tamanho 1 e delicia-te.
Se tiveres de estar na cama, lê Carlos Ruiz Zafón, vê um bom filme, aproveita agora (é uma seca, sim, é fácil falar, sim, mas é temporário).
Se trabalhares, vai passar num instante e ao mesmo tempo sentes que demora (que coisa mais estranha, mas habitua-te a este sentimento dúbio: vai acontecer com todas as fases do teu bebé).

Prepara essa cabeça e esse coração.
Para ouvires bitaites de todo o lado, até de quem até agora não conhecias a voz.
Para teres de fazer ouvir-te perante tantas dicas e contradições. Sê humilde mas filtra. És tu - e o pai - quem decidem.
Para quereres chorar e logo a seguir sorrires. É uma montanha russa de emoções difíceis de controlar. Deixa-a subir e descer e fazer loopings. Logo, logo, vais relativizar tudo. E até ter saudades dos primeiros tempos. Que loucura.

Cala internamente as vozes que dizem que o estás a mimar demais com colo. Cala internamente as vozes que dizem que o teu leite é fraco. Cala internamente as vozes que dizem que ele tem de dormir na caminha dele.
Não duvides do teu instinto animal, de protecção. Não duvides que o teu cheiro cura tudo (e não estou a falar desse bolçado no pijama). Não duvides que os teus braços dormentes são em vão. Ele esteve 9 meses no teu corpo a sentir-te. A serem um só. Ele quer-te. Pele a pele. E tu também vais querer esse mimo todo. Também tu precisas daquele cheirinho viciante e daquela pele macia por perto, colada à tua.

Estás grávida e ainda falta tanto, mesmo não faltando.
Queres conhecê-lo. Queres conhecê-la. Queres conhecê-los (ui! plural, coragem a dobrar!).
Está quase. E vai ser difícil para algumas, mais fácil para outras.
Mas bom. Muito, muito bom. No momento ou à distância. Mas intenso. 
E depois de passado o turbilhão, ficarão a restar as saudades.

Estás grávida. Bem-vinda à maior aventura da tua vida.

À minha grávida preferida do momento (e a todas as outras)

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sexta-feira, 28 de abril de 2017

Mas que jogo macabro (da baleia) é este? Medo.

Não sei o que me espanta mais: se a porcaria de um jogo assustador, carregado de bullying e chantagens, com desafios arrepiantes que culminam com a morte de jovens (soube-se hoje de uma adolescente no Algarve que alegadamente se mandou de um viaduto e que estaria a participar neste jogo com vários níveis e que já estaria auto-mutilada numa perna) se as caixas de mensagens a estas notícias em que se sugere que o que estes adolescentes precisam é de um enxerto de porrada e que o que lhes faltou foram palmadas na hora certa ou, ainda, que assim se faz uma seleção natural.


Vamos por partes. 

Assim que li a primeira notícia sobre este "jogo" fiquei cheia de medo. Foi inevitável pensar que daqui a uns anos este mundo em rede pode estar ainda mais apurado (e mais estúpido), que com as novas tecnologias a toda a hora e desde tenra idade se pode tornar cada vez mais difícil controlar os passos deles, que a adolescência é tramada e que (Deus nos livre e guarde) por mais seguros que possamos estar relativamente aos nossos filhos, não conseguimos prever tudo (muitos destes adolescentes são ameaçados de que irão ver as suas informações mais secretas espalhadas por aí ou de que os pais e família vai ser morta, por exemplo, e vêem-se cercados pelos "mentores" e obrigados a seguir com os níveis do jogo) e que até os corações mais puros e frágeis se poderão ver encurralados nesta armadilha. Não são (só) os miúdos "estúpidos e parvalhões", como li por aí, que se metem nisto. Podem ser os filhos mais doces, numa fase mais introspectiva, destrutiva, melancólica (quem nunca duvidou de si na adolescência ou se sentiu desamparado, sem saber o seu lugar no mundo, que atire a primeira pedra!). 



De repente surgem os super heróis que trabalharam logo com 12 anos e que levavam na fuça dos pais a dizer que é isso que falta a estes jovens. Não, não é. Os desafios que se colocam são outros (e ainda bem). Ainda bem que já há mais consciência de que o lugar de uma criança e adolescente é a brincar e a estudar e ainda bem que maus tratos são crime. 

O que falta a esta jovem do Algarve agora não é um enxerto de porrada, como li - é um abraço, um "estou aqui", um "vai ficar tudo bem", um "eu vou proteger-te". Compreensão, amor e coragem para enfrentar os dias que se seguem. O que falta aos jovens de hoje não são ameaças e olhares assustadores à mesa de jantar. São olhares atentos, conversas francas, amor, disponibilidade dos pais. Algum controlo do que andam a fazer na internet, sim, sem dúvida. Mas também muitos autos de fé e deixá-los fazer escolhas, dar-lhes autonomia para conseguirem lidar com consequências naturais das suas escolhas (e isso trabalha-se desde pequenino). O resto... o resto é imprevisível e por isso deveremos estar muito atentos - acho que se houver abertura e cumplicidade mais fácil será esta gestão. Na adolescência há geralmente a procura do risco, da aventura e isso não é tão controlável assim: tem a ver com os circuitos internos e com o cérebro. Alguns disparates fazem-se. Todos os fizemos. Menos os tais super heróis. Uma vez apanhei boleia de estranhos, uns miúdos mais velhos acabados de conhecer nas piscinas do Cartaxo, por exemplo. Eu, boa aluna e certinha que voltaria a casa supostamente de autocarro. E se eu, que passei por uma fase mais negra da adolescência, mas tinha uns alicerces muito fortes que eram os meus pais que não me deixaram vergar; imaginemos que não os tem? Quem anda por aí ao deus-dará, sozinhos com os seus pensamentos obscuros, mais permeáveis a lavagens, a desafios parvos ou até a estas pressões? 

Acho mesquinho acharmos que só acontece aos parvos, acho presunçoso acharmos que só aos outros é que pode acontecer e que controlamos tudo o que se passa debaixo do nosso tecto. 

Por isso, sim, tenho medo. Mas espero dar às minhas filhas todas as ferramentas para que se sintam fortes, seguras e protegidas. Estar lá, aberta e atenta. O resto? É entregar a Deus, aos astros, à sorte, sei lá.
Leiam aqui mais sobre este assunto e como prevenir:

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terça-feira, 25 de abril de 2017

Com 3 meses faz cocó no penico!


Comecei por estranhar, franzi o nariz, disse "que loucura", mas mesmo céptica fui procurar mais: Bebé sem fraldas - Elimination Communication - Passo a Passo.

Eu não fazia ideia que isto existia mas o saber não ocupa lugar. Comecei por dizer para mim mesma que no caso da Luísa não resultaria, que talvez agora, com 10 meses, seja mais previsível - por exemplo, já sei que faz o primeiro cocó do dia depois de lhe mudar a fralda, mas nos primeiros meses ela fazia cocó umas 192737 vezes por dia. 
Depois vi um vídeo em que a mãe que aplicou este método dizia que, com ele, eles reduzem o número de vezes que fazem cocó porque estão numa posição mais favorável e libertam logo de uma vez maior quantidade. A Página do FB Bebés sem Fralda também tem imensa informação disponível para quem se interesse por isto da "Higiene Natural".

E, depois, desafiei-a a responder às minhas perguntinhas:


Por que é que resolveste iniciar o Elimination Communication?

Aos 18 dias de vida do meu segundo filho e após dois episódios de cólicas, decidimos iniciar a prática de Elimination communication. Chegando a uma dada altura da noite ele contorcia-se e chorava num misto de dor e desconforto. Aquele sentimento de impotência perante a situação mexeu muito connosco, ao ponto do meu marido sair de casa no meio da noite para comprar umas gotinhas milagrosas que surtiram um efeito muito temporário. A sensação que tínhamos era que ele queria evacuar mas não conseguia, só mais tarde com a prática da elimination communication (ou higiene natural) conseguimos entender que aquilo era um pedido de ajuda dele. Nenhum bebé quer ou gosta de evacuar sobre si mesmo (ou seja na fralda), mas o que acontece é que eles acabam por ser obrigados a fazê-lo e muitos deles, mais tarde chegam a ganhar um sentimento de pertença tal, que só são capazes de evacuar com a fralda. Na manhã que precedeu uma das nossas noites com cólicas, assim que o bebé acordou apercebi-me de que ele fazia um barulho distinto, mexia as pernas e contorcia o corpo. Foram estes os primeiros sinais. Retirei a fralda, segurei-o nas pernas, dando apoio à coluna e na posição de cócoras e pela primeira vez ele evacuou livremente, sem entrar em contacto com a sua urina e fezes. De seguida mamou e ficou feliz, aliviado e bem-disposto. Simples assim!
Já havia lido alguns artigos, relatos e até já tinha visto vídeos de EC durante a segunda gravidez, no entanto tinha o estigma de que seria difícil de praticar, pensei que não conseguiria identificar os sinais e tive alguns medos, no entanto tanto eu como o pai conseguimos auxiliar o nosso bebé em todo o processo de forma bastante instintiva. Passámos a usar recentemente fraldas de pano e a maioria das fraldas são apenas molhadas.

O que é e como se processa?

A ideia geral na prática de Elimination Communication (ou higiene natural) é que o cuidador tente ajudar o bebé a manter-se limpo e seco, oferecendo-lhe a oportunidade de urinar ou evacuar noutro lugar sem ser na fralda. Quanto mais cedo se iniciar a prática mais instintivo será. Para uma grande proporção da população mundial, usar uma fralda não é tão prático quanto não usar uma fralda, portanto é natural e expectável que os pais auxiliem os seus bebés a manterem-se limpos (assim como fizeram os seus avós e bisavós). Mas isso não significa que a prática de EC exclua de todo o uso de fraldas.

Como lidas com os olhares incrédulos e de que informação te muniste para que não te chamassem louca? 🙂

As reacções gerais das pessoas são muito engraçadas. Para quem se mostra interessado eu até tento explicar o que é e como se processa mas infelizmente a primeira leitura para alguns é de alguma repulsa pois pensam trata-se de um desfralde precoce, daí muitas vezes julgarem sem se permitirem entender o que é. Eu própria não aprovei a ideia quando vi pela primeira vez a imagem de um bebé a usar um penico, tanto que, e aquando do desfralde do meu filho mais velho, comprei o penico que usamos actualmente e na etiqueta indicava que seria aconselhado para o uso de maiores de 4 meses, lembro-me perfeitamente de pensar "quem é a pessoa louca que vai usar o penico com um bebé menor de 4 meses?" Ironia do destino: eu mesma! Apesar de não termos praticado EC com o filho mais velho (por total desconhecimento) o desfralde foi bastante tranquilo. Iniciámos aos 24 meses, após o primeiro pedido dele para usar a sanita, o desfralde diurno durou cerca de três semanas a ficar concluído com alguns acidentes pelo meio. Hoje com 31 meses continuamos a usar a fralda de noite. No entanto, tenho a consciência de que, mesmo respeitoso, foi um desfralde guiado por nós. Para um bebé que inicia a prática de EC o desfralde é sempre guiado pelo bebé, os pais só têm que continuar atentos aos sinais. Curiosamente o desfralde nocturno acontece muita vezes antes do diurno.

Há pessoal médico que "aprove"?

Vivemos na Escócia e a enfermeira que vem a casa periodicamente desconhecia a prática de EC e mostrou-se apenas curiosa, não fez qualquer tipo de julgamento ou recomendação. Ela pôde ver na prática como se processava e ficou de certa forma incrédula. 

Qual o teu estilo de parentalidade, guias-te por quê?

Vivo a maternidade de forma descontraída, sem horários ou pressões externas. Basicamente tenho feito tudo de forma instintiva desde a primeira gravidez. Sou adepta do parto natural e ambos os meus filhos nasceram na água, pratico amamentação em livre demanda e em tandem, faço regularmente babywearing e utilizo a disciplina positiva para ajudar-me nos desafios do dia a dia.
A maternidade ensinou-me que a melhor forma de tomar decisões é ter empatia pelos meus filhos, pelas suas necessidades e pelas suas limitações.
Felizmente tenho o privilégio de estar bastante presente na vida deles, aliás, foi essa uma das principais razões que decidimos emigrar. Temos todos os fins de semana em família e isso enche-me o coração.

Obrigada, Bruna!




Querem deixar aqui perguntas para a Bruna? Força!
JPB

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Afinal o que é a Parentalidade Consciente?



A Parentalidade Consciente é uma forma de estar na vida em que o foco está no desenvolvimento conjunto de pais e filhos. Sendo os pais a génese em que tudo se inicia, é também neles que a Parentalidade Consciente se foca em primeiro lugar. 



Exercer uma Parentalidade Consciente é uma escolha que se faz por amor. Em primeiro lugar, amor por nós, pois só nos amando somos capazes de amar. Depois, alargando esse amor e estendendo-o aos filhos. Transformando-nos a nós próprios e fazendo o nosso percurso de desenvolvimento pessoal, estaremos então aptos para podermos empoderar os nossos filhos. 

A Parentalidade Consciente possibilita um autoconhecimento dos pais, e estes, ao conhecerem-se melhor, têm depois a possibilidade de poderem partilhar com os seus filhos a melhor versão de si próprios. 

Esta transformação pessoal tem por base o Mindfulness e a definição dos valores e intenções dos pais, o que significa que a Parentalidade Consciente é a vivência da parentalidade baseada na prática de Mindfulness e nos nossos valores e intenções.  

Vamos por partes. Então o que é Mindfulness? 

Mindfulness é “uma forma de prestar atenção de propósito, no momento presente e sem julgamento perante o que esteja a surgir no seu campo de experiência.” (Jon Kabat- Zinn). 

De uma forma mais simples, é a atenção plena, no momento presente sem julgamentos. 

O Mindfulness vai então permitir que esteja mais presente e mais consciente em todos os momentos da sua vida e pode escolher fazê-lo especialmente com os seus filhos. Esta forma de estar, como tudo na vida, treina-se por isso vai precisar de prática, paciência e persistência. Com o tempo verá que vale muito a pena, pois vai ser capaz de responder a algumas questões com mais clareza, harmonia e paz interior. Por exemplo: 

  •  O que se está a passar com o meu filho neste momento? 
  •  O que é que o meu filho necessita? 
  •  O que é que eu estou a sentir?

Estando de uma forma inteira, completa, em cada momento que se convida e disponibiliza a estar com os seus filhos, vai poder aproveitar cada instante tal como ele é, dando-se conta das suas verdadeiras necessidades e das dos seus filhos. Vai poder estar mais atento às situações que geram conflito e poderá também reduzir os momentos de tensão, causados na maioria dos casos por preocupações ou pensamentos relacionados com o passado ou o futuro. Por exemplo, o seu filho convida-o para brincar com ele. Você vai, mas durante a brincadeira está a pensar no que vai fazer para o jantar, na reunião que deveria estar a preparar para o dia seguinte. Ou seja, não está com atenção plena nem a aproveitar verdadeiramente esse tempo precioso que está a passar com o seu filho. O seu filho também sente isso, por isso começa a exigir cada vez mais a sua presença, o que poderá resultar num momento desafiante. Numa próxima vez, poderá expressar ao seu filho o quanto é importante para si brincarem juntos e escolher que naquele momento estarão ali totalmente um para o outro. Se a idade o permitir, pode também explicar-lhe que terá uma reunião no dia seguir e que não poderá estar com ele tanto tempo como gostaria, mas que o tempo que estiver, estará realmente presente.  

No que concerne aos valores e intenções, é fundamental que os tenha bem presentes, para poder avaliar mais facilmente o que é verdadeiramente importante neste momento da sua vida. Se sentir algum bloqueio, no início é totalmente normal, pois pode ser a primeira vez que está a pensar sobre o assunto. Lembre-se que está tudo bem e que é importante tê-los escritos para poder relê-los sempre que se sinta perdido ou a desviar do seu caminho. Os valores e intenções guiam as ações, por isso, se estiverem bem definidos será mais fácil saber o que fazer em qualquer situação. 

Por vezes poderá ser útil uma ajuda para desbloquear este processo de encontrar/relembrar os seus valores e intenções. Vou tentar dar essa ajuda! 

Pense nos valores que hoje, a pessoa que é, consegue praticar, neste momento da sua vida, e que vão apoiar a relação que quer desenvolver com o seu filho. Tenha presente que não existem valores certos nem errados e que o único que sabe quais os valores que melhor o servem a si e à sua parentalidade é você. 

A Parentalidade Consciente assenta em quatro valores base que acredita serem os alicerces da vida em família: 

  •  Igual Valor – Os seus desejos, as suas opiniões, as suas necessidades e as suas emoções são respeitadas exatamente da mesma forma que as do seu filho. 

Exemplo: A minha filha partilhou comigo a sua vontade de jantar no quarto. Falámos sobre as necessidades de ambas e encontrámos uma solução que fizesse ambas felizes. Uma vez por semana, a minha filha passará a jantar no quarto. 

  •  Autenticidade – É honrar e exprimir aquilo que somos em qualquer situação. 

Exemplo: Regresso de um dia de trabalho extenuante e explico à minha filha que preciso de deitar-me cedo. Admito que estou cansada e comunico-o. 

  •  Respeito pela Integridade – Refere-se a limites e a necessidades físicas e psicológicas. Vai permitir distinguir desejos de necessidades centrais e limites pessoais. 

Exemplo: A minha filha quer uns ténis All Star. Explico-lhe que compreendo o seu desejo, mas que considerando que está a crescer, prefiro investir nuns ténis que sejam mais em conta. 

  • Responsabilidade Pessoal – É assumir a responsabilidade pela sua vida, ações e escolhas, e é deixar que o seu filho assuma as responsabilidades adequadas à sua idade. 

Exemplo: A minha filha quer vestir-se sozinha e eu deixo-a assumir a responsabilidade pessoal pela sua escolha. 

No que concerne às intenções, elas ajudam-nos a manter o foco no que realmente queremos. São diferentes de objetivos, porque não têm um fim. Por exemplo, uma das minhas intenções é manter a calma e cultivar a paciência em momentos desafiantes com a minha filha. Quando isso não acontece, regresso às minhas intenções e investigo com abertura, curiosidade e sem julgamento o que me levou a desviar do meu caminho. Ainda sobre este assunto poderá ler este artigo 

Deixo aqui alguns exemplos de perguntas que poderão ajudá-lo a definir as suas intenções enquanto pai/mãe que tencione praticar uma Parentalidade Consciente: 

  •  Que valores gostaria de transmitir ao meu filho? 
  •  Como posso ajudar o meu filho a ser feliz? 
  •  Como gostaria que fosse a nossa relação? 
  •  Como gostaria que fosse a nossa família?
  •  Como devo agir, se quero que o meu filho seja uma pessoa respeitadora e empática?

Ao decidir percorrer o caminho da Parentalidade Consciente é muito importante refletir acerca dos seus valores e intenções, pois eles serão os seus guias daqui para a frente, sempre que lhe surgirem dúvidas e momentos desafiantes.
Agora, gostaria de partilhar as respostas a algumas perguntas que me têm sido colocadas: 

Na Parentalidade Consciente, as crianças podem fazer tudo o que querem?

Não. Na Parentalidade Consciente existem limites gerais, os normalmente estabelecidos pela sociedade, e limites pessoais. Os limites pessoais são a escolha individual de cada um e deverão ser comunicados de uma forma autêntica, respeitadora e construtiva, para que a criança se desenvolva de maneira comportamental e emocionalmente madura. 

É verdade que na Parentalidade Consciente não existem castigos nem time outs? 
Sim, é verdade. A Parentalidade Consciente não tem castigos, tem consequências naturais. Por exemplo, a minha filha está a escrever na parede e eu não concordo com isso. Digolhe onde é que ela pode escrever, por exemplo numa folha e dou-lhe um pano para ela limpar a parede. Limpar o que sujou é uma consequência natural da sua ação e vai permitir uma aprendizagem direta, tendo em conta a ação que estava a praticar.  

Não existem time outs, existem time ins. Quando a criança tem um comportamento desafiante o que mais precisa é que lhe demonstremos o nosso amor incondicional. Colocá-la à parte só a vai fazer sentir-se rejeitada. Uma vez que a intenção da Parentalidade Consciente é fomentar uma maior conexão, acolhemos o que a criança está a sentir e esperamos, tendo presente que o comportamento é apenas o comportamento, não é a criança. Independentemente do seu comportamento, a criança deve experienciar que o que sentimos por ela não muda e que continuamos a amá-la, independentemente do comportamento que esteja a ter.  

Ao exercer uma Parentalidade Consciente deixo de ter situações de conflito com os meus filhos? 
Não. As situações de conflito vão continuar a existir, só que passarão a ser vistas como oportunidades de crescimento conjunto. A forma como lida com estas situações de conflito é que irá mudar pois, em vez de ver o comportamento do seu filho como algo pessoal contra si, entenderá que quando o seu filho tem um comportamento desafiante ele está centrado apenas nas suas necessidades. Por isso será necessário encontrarem um espaço de calma e serenidade, onde exista lugar para encontrarem soluções win win que funcionem para ambas as partes e que deixem ambos felizes, em vez de serem os pais a imporem soluções. 

Com a Parentalidade Consciente o meu filho vai passar a obedecer-me? 
Não. A Parentalidade Consciente não se baseia no controlo, na obediência nem no “portar bem”. A Parentalidade Consciente tem o seu foco na promoção da responsabilidade, possibilitando à criança fazer escolhas de acordo com as suas experiências, apoiando-a e promovendo a sua autoestima. A criança poderá ser mais cooperante devido à relação de amor e empatia que estabelece com ela, o que não quer dizer que faça tudo aquilo que você quer. 

Para finalizar, na Parentalidade Consciente terá a sua maior oportunidade de crescimento e mudança. Se permitir que essa mudança ocorra, irá construir com o seu filho uma relação baseada na cooperação, onde a conexão e a comunicação autêntica, aliadas a uma maior presença, potenciarão a maior viagem evolutiva que alguma vez fará, ao mesmo tempo que reforça a autoestima, responsabilidade e autonomia do seu filho.
  
Até já!
(Professora do 1.º Ciclo, Facilitadora de Parentalidade Consciente da AdPC,