12.22.2019

Coisas a não fazer neste Natal.

Ahhh, farta de momentos positivos em torno do Natal. Já percebemos: há luzes, família, prendas e até o nascimento de alguém que foi relevante no panorama internacional. No entanto, parece que só acontecendo uma vez por ano não nos apropriamos desta experiência para aprender e aplicar nos anos seguintes. Fica aqui uma listinha de coisas a não fazer neste Natal. Querem acrescentar alguma? 




1 - Ter a necessidade de materializar o Pai Natal. 

Às vezes, por querermos muito "brincar", pomos o pé na argola. Não nos podemos esquecer que as crianças têm uma óptima imaginação e, às vezes, quanto menos informação lhes dermos, mais à sua medida constroem o que for necessário. Isto é: não é preciso um membro da família se vestir de Pai Natal ou de fazer pegadas de neve pela a sala. Às vezes, basta o bater da porta antes de chegarem as prendas e o ar convincente dos pais. As crianças são óptimas a fazer a magia e... a descobrir maus disfarces também, especialmente se já estiverem na dúvida. 

2 - Utilizar a passivo-agressividade

Por muito que tenha piada para nós - no momento, pelo menos - e para aqueles que estejam alinhados connosco, não é muito simpático estar a enxovalhar um membro da família por ainda não ter casado, por continuar gordo, por estar a ficar careca, etc. Nem é muito porreiro pôr alguém no centro da conversa a meio do jantar e fazer um interrogatório enorme. A verdade é que se quiséssemos efectivamente saber mais sobre a vida dessa pessoa que teríamos perguntado ao longo de um ano inteiro. Talvez o Natal seja uma boa oportunidade de receber o que nos quiserem dar ao invés de iniciar a caça ao pormenor. 

3 - Despachar as prendas todas ao calhas. 

Natal tem sido muito sobre consumismo, verdade. Na minha opinião, nem tanto ao mar, nem tanto à terra. O que me tem feito mais confusão (até em mim) é a necessidade de não falhar com o compromisso de oferecer qualquer coisa e fazê-lo automaticamente. Dar uma "merda" qualquer. Mais depressa se oferecem umas cartas ou uns bilhetes feitos à mão, não? Até pode ser um exercício interessante, apercebermo-nos da qualidade da relação que temos com determinadas pessoas, conseguindo imaginar uma prenda engraçada, útil ou simbólica que se enquadre.

4 - Romantizar as amizades dos mais pequenos e impor o guião social. 

Não sei a partir de que idade fará sentido porque a minha filha ainda só tem 5 anos, mas lembro-me de me perguntarem constantemente se tinha namorado ou se nem por isso. Sei que é para fazer conversinha da treta e porque tem graça ver crianças a "fazerem coisas de adultos", mas não é porreiro imprimir essa pressão numa criança, podendo até - acho eu - fazer com que ela deixe de viver as suas amizades como il faut e comece a romantizá-las por achar que é o que é pretendido pela sociedade. Já chegam os desenhos animados da tanga sobre isso, não é? 

5 - Bisbilhotar

Por muito que seja tentador, por uma questão de validação de pertença na comunidade, na família. É de evitar falar das pessoas que estão presentes num grupo à parte, bisbilhotando sobre os últimos eventos da vida dela, etc. Essas energias sentem-se e acabam por estar presentes de forma menos desconectada do que está a acontecer. Talvez seja importante revermos onde e com quem queremos passar o Natal, em vez de estar em modo automático ou em modo de evitar conflitos. Se for para bisbilhotar, que seja para congeminar soluções positivas, reacções e não pelo facto de "ah... ouvi dizer que o marido a traiu e que continua com ele na mesma". 

6 - (des)Intoxicar o Natal 

Talvez não seja no Natal que devamos lavar roupa suja. Está bem que há poucas oportunidades em que a "malta" esteja toda junta, mas não é altura de falar nas partilhas, naquele episódio de há 10 anos ou no facto de um dos membros da família não estar a cumprir com aquilo que os outros consideram ser seu dever familiar. Essas coisas devem resolver-se antes, estarem esclarecidas antes do convite. Nem falo pelo desagrado geral que isso causa no próprio dia aos crescidos, mais para as crianças respirarem um ar são e positivo. 


Inicialmente era suposto ser um post mais cómico, dizendo que não se deve guardar os embrulhos dos presentes ou que fumar na janela cozinha cheira na mesma na casa toda, essas coisas, mas acabei por ser mais formal. Olhem, deve ser da época. Processem-me ;)

Feliz Natal!!!


12.19.2019

Deixo que furem as orelhas ou não?


Deixo que furem as orelhas: sim ou não? Não uma à outra, claro. Vontade às vezes não lhes faltava (andam ambas com a mão bem leve...). 

A Isabel (5 anos) disse-me esta semana que queria furar as orelhas, como eu. Perguntou - mais uma vez - se doía e eu disse-lhe a verdade. Falei-lhe de todos os cenários possíveis. Disse-lhe que iria doer no momento e depois, às vezes, durante a noite, a vestir a roupa e noutras situações. Que poderia infectar e fazer sangue. E, mesmo assim, quer arriscar. A Luísa (3 anos) disse logo que também queria. E eu fiquei a pensar que, em elas pedindo tantas vezes, talvez já não faça assim tanto sentido impedir. 
 
Não tenho a mínima vontade de que furem as orelhas, atenção. Não acho que fique nem mais bonito nem mais feio nestas idades. Confesso que mais novas é muito raro gostar, tendo a achar piroso. Mas, estando numa sociedade em que é bastante comum e culturalmente aceite e sendo elas a pedir, não sei se os meus argumentos continuarão a ser válidos. Incentivei a usarem outra vez autocolantes, mas, desta vez, a Isabel disse logo que não, que caiam e que se perdiam. Perguntou-me se poderíamos ir no sábado fazer os furos e eu disse que ía pensar e falar com o pai.
Poder, podemos. Mas qual o risco real de infecção? E se nos “estraga” o Natal? E se ela se arrepende ao sentir a dor, no momento? E se sentir que não a protegi? E a Luísa, não será nova? 
 
Estou a pensar demasiado, eu sei. 
 
Já nem me lembro que idade tinha quando furei as orelhas, mas também fui eu a pedir. Lembro-me de uns brincos, lindos, em forma de morango, de madeira. Lembro-me de me sentir vaidosa com eles e gosto de ver as fotografias da altura.
 
E agora? Não queria nada que elas sofressem.  São as orelhas das minhas pessoas preferidas  (ainda custa mais). Uma amiga nossa caiu e a orelha infectou, antibiotico e uma grande chatice. Não me apetecia nada passar por tudo isso, desnecessariamente.
 
Sim ou não? Como resolveram estes pedidos?  

 

12.18.2019

Um elogio à Saúde 24.

A Irene está doente neste momento, está a beber um chá de mel com limão enquanto vê os desenhos animados. Está com febre e com uma amigdala inflamada. Estou mais preocupada porque a educadora disse que havia alguns miúdos da escola que estiveram escarlatina - que, apesar do nome, não é assim tão grave, mas ainda assim..

Propunha que se mudassem os nomes das doenças para coisas menos preocupantes, só para aligeirar a ansiedade parental. Em vez de escarlatina ser "a doença do morango", etc. Vou criar uma petição para isso. Assinavam?

Quem já acompanhe o blog há algum tempo, sabe que a Irene sofre de convulsões febris e que isso é algo aterrador que acontece com frequência em algumas crianças mas que, ainda assim, são as convulsões mais benignas possível. De certa forma, apesar de todo o aparato, sinto-me muito grata por ser só o que são. E já que o herdou de mim,  consigo normalizar no sentido de que eu até nem cresci mal, vá. 

Morando sozinha com a Irene e passando eu com ela a maior parte do tempo, quando está doente, a responsabilidade cai por inteiro em mim (enquanto não vai para a casa do pai ou dos avós) e é difícil gerir os cuidados, o cansaço e a preocupação. Nisto, já dei por mim a ligar várias vezes (até há umas semanas quando uma amiga se magoou muito no pé) à saúde 24. Devem conhecer, é uma linha de atendimento telefónico do Serviço Nacional de Saúde e totalmente gratuita.



Somos atendidas por uma equipa de rastreio (não me lembro do nome técnico de momento) e, depois, encaminhadas para um enfermeiro e até, quando justificável, para um médico ou podem providenciar-nos um parecer no mesmo. Às vezes, há doenças que não requerem observação imediata e que poderá ser útil ter este feedback para saber que profilaxia implementar ou até medir o grau de gravidade. 

Muitas vezes - quando necessário - encaminham a criança para ser vista e, quando assim é, o hospital que a recebe já tem informação da sua chegada e, se não me engano, é vista com alguma celeridade. 

Ontem, fui atendida por uma enfermeira maravilhosa. Muito calma, bem disposta e cuidadosa. Quando estou no auge da adrenalina por não saber o que se passa com a minha filha e cruzando com o facto de estar sozinha, fez-me bem ouvir a voz calma e carinhosa da enfermeira. Além de ter feito uma série de perguntas e de ter ajudado com os sinais a que devo estar atenta, etc (sempre é melhor do que fazer aquela pesquisa no Google), também me deu algumas mezinhas para por em prática e para aumentar o conforto dela. Sinto que fez o papel da minha mãe, mas com uma credibilidade acrescida da minha parte por, enfim, ser especialista. 

Claro que também me descansa a minha mãe ter um andamento gigante de doenças e afins com dois filhos no bucho, mas os tempos vão mudando e, por exemplo, o histerismo com a febre já mudou um pouco, até numa criança com propensão a convulsões febris. 

Passado algumas horas, voltam a ligar de novo para saber como está o paciente o que nos deixa sentir verdadeiramente acompanhados. 

Não sei quem teve esta ideia, se é comum na maior parte dos países como o nosso, mas queria deixar o meu elogio ao mesmo. E, em particular, à enfermeira de ontem da qual não me lembro do nome (com os nervos), mas que não deixei de lhe dizer que tinha sido óptima connosco. 

Têm boas experiências com este serviço? 

Se precisarem, fica aqui o número: 808 24 24 24. 




12.15.2019

Marriage Story, o filme que todos os casais deveriam ver.

ALERTA - SPOILER

Estreou há pouco mais de uma semana, na Netflix, o filme "Marriage Story". Uma história agridoce (mais agre do que doce) sobre o fim de um casamento. O filme é do Noah Baumback (autor e realizador do "The Squid and the Whale" e do "Margot at the Wedding", entre outros - só vi estes e gostei muito), com a Scarlett Johansson, o Adam Driver (conheci-o na série Girls há uns anos e é fenomenal) e a Laura Dern.

Interpretações soberbas, diálogos que de tão naturais poderiam ser os nossos, lágrimas e olhos inchados, silêncios, canções em take único, olhares que dispensam falas, raiva, desilusão... cabe tudo naqueles minutos. Não é um filme de acção, não é um drama, não é uma comédia... nem sei bem  ainda como termina (termina como quisermos que termine e eu ainda não decidi), mas foi seguramente das melhores coisas que eu vi nos últimos tempos.

Eu não preciso que um filme me vire as tripas, que me faça sonhar, que me deixe fantasiar. Eu gosto de histórias que pudessem ser as nossas. Em que nos revejamos. Que nos façam pensar em quem está certo. Em quem falhou. Em quem deveria ter cedido. Em quem deveria ter apoiado mais o outro. Aonde se perdeu o amor? Não terão ido longe demais no divórcio? E o filho?... Não deveriam ter parado pelo caminho? Aonde deveriam viver então? E aquela advogada, era mesmo necessária?

E é nesta densidade de uma vida que poderia ser a nossa que vemos que as relações não são fáceis. (Quase) nenhumas. Sinto que aprendi alguma coisa com a dor daquele casal. Que aprendi a ver os dois lados de uma história. Que cresci. E sim, chorei. Tive momentos em que quis dar um estalo à Nicole, momentos em que quis abanar o Charlie e dar-lhes colo e falar-lhes das coisas boas que tiveram e... ai (emoji coração partido aqui, sem dúvida 💔).



E que grande regresso da Scarlett. O Amor é um Lugar Estranho é um dos meus filmes preferidos de sempre e acho que, desde então, ela praticamente não tem estado à altura. Rapariga do Brinco de Pérola e Vicky Cristina Barcelona talvez (tirando isso, nada "de jeito", acho). E agora... rapariga! Que maravilha de interpretação. Voltei a ser fã.

Digam-me coisas. Querem discutir alguma parte? O que mais vos fez pensar? 



Trabalhar fora de casa é bom porque...


Agora que voltei a trabalhar em TV, fora de casa, voltei a sentir coisas boas. Não que estivesse infeliz como estava (longe disso), mas estava a ser difícil para mim gerir o meu tempo, separar trabalho-casa e estar tantos dias sem conversar com um adulto. Além disso, não ter um ordenado certo também me angustiava às vezes. Vai daí, aceitei um trabalho por alguns dias e gostei tanto que em janeiro quero muito repetir a dose. E em fevereiro. E por aí fora.

Trabalhar fora de casa para mim é bom porque...

➤ Me obriga a tomar banho e a empinocar de manhã e, quando me cruzo com um espelho, não parece que acabei de acordar

➤ Ouço mais podcasts, nas viagens, e rio-me sozinha no carro (caso se cruzem comigo, já sabem) - Salvador Martinha, Bumba Na Fofinha, Extremamente Desagradável, Sem Barbas na Língua, N'a Caravana... - ouçam, ouçam

➤ Tenho a oportunidade de conhecer pessoas novas e de rever amigos, de mandar umas gargalhadas a meio da manhã 

➤ Sinto que estou a ser posta à prova, a cumprir desafios, a procurar soluções, sinto adrenalina. E, passados 4 anos, sinto que, afinal, ainda pode haver lugar para mim na minha área (TV)

➤ As miúdas foram, pela primeira vez, à natação com o pai. O que acabava por ficar para mim, porque tinha mais liberdade de horários, neste momento é melhor distribuído e todos podem beneficiar com isso: pai e filhas, que ficou todo babado (e transpirado) e elas orgulhosas, a mostrar o que já sabiam fazer

➤ A hora de almoço é mesmo hora de almoço - normalmente punha-me em frente à TV, a ver Netflix, e agora olho para a comida enquanto como, o que é importante, li algures (e faz sentido dar essa informação ao cérebro)

➤ Separo melhor o que é trabalho e o que é casa: as camas já não ficam feitas mas também ninguém fica lá para ver; a roupa acumula-se mas, com sorte, temos suficiente para a semana; e quando é para trabalhar é para trabalhar

➤ Voltei a dar mais valor aos momentos em que estou com as minhas filhas. Como já não as vou buscar às 16h, acabo por aproveitar mais todos os segundos. Já me cheguei a esquecer do telemóvel no carro e não fui sequer buscar (o que dantes seria impensável). Menos tempo na internet e mais tempo com as miúdas



Há mais. Estas são as vantagens principais. As que me fazem querer continuar assim. Se algum dia o jogo "virar", dependendo isso ou não de mim, estes dias bons já ninguém me tira. 

Uma amiga minha, que está em casa há 8 anos com os filhos, perguntava-me o que eu achava de uma oferta de trabalho que ela teve. Fiz-lhe mais perguntas do que dei respostas. Nunca temos a certeza absoluta de nada, o que quer que decidamos, mas o que de pior pode acontecer com as nossas decisões? Pelo caminho aprende-se sempre alguma coisa...

Já a entrar em modo Natal :)


12.14.2019

As melhores prendas para este Natal.

Oláaa! É neste fim-de-semana que vão queimá-lo? Todas sabemos que o mais importante no Natal não são as prendas que damos, mas as que recebemos, ahah. Ainda assim, depois de termos filhos, o Natal ganha novamente uns contornos mais mágicos. Honestamente, já não tenho paciência para brinquedos que os façam reagir de forma histérica mas que depois passam a lixo num instante. Gosto de brinquedos úteis, didáticos ou criativos.



Nesse sentido, claro que vos quero sugerir as "nossas" estufas da Science4you. Calma, não fechem já o artigo porque os próximos brinquedos não temos nada a ganhar com eles. Além disso, se não sabem, ficam já a saber que têm direito a 10% de desconto em todos os produtos da loja com o código AMAEEQUESABE, tanto nas lojas físicas como online, ok? Podem carregar aqui para comprar, prometem que chega a tempo do Pai Natal ;)


São estufas de mini-melancias, morangos e meloas. Adoramos esta ideia por ajudar a criar a percepção de tempo nos mais pequeninos, trabalhar a paciência e educar para a sustentabilidade. E, depois de tudo isto, ficarem com uma sensação de orgulho, de autoria quando estiverem a comer o que plantaram. Das melhores prendas de sempre. Já eram antes de nós as patrocinarmos, está bem? 




Adorei esta prancha. Acho que hoje em dia, os miúdos têm a papinha toda feita e raramente têm oportunidade para imaginar. É tudo muito concreto e depende pouco da sua criatividade. Esta balance board muda isso. 

A Irene tem uma e costuma usá-la como cadeira para ver televisão, como barco quando somos sereias, escorrega quando a apoia no sofá ou como skate ou baloiço. Além de ser uma peça muito bonita para ter em casa, o que acham? 



LIVROS DA SOPHIA DE MELLO BREYNER


Depois da Noite de Natal, estamos a ler agora A Fada Oriana. Creio que a terei lido no 5º da escola, mas já tinha feito uma experiência antes com a Irene e ela tolera muito bem livros sem tantos desenhos. Gosta das histórias (como não?) e além de ouvir a textura de tons que faço a contar a história, ficar com uma noção das várias pontuações (acaba por estar a olhar para o texto enquanto leio), também enriquece o vocabulário além da imaginação. Estou a gostar de não terminar um livro por noite como dantes. Dá uma noção maior de projecto e até de conforto. Acho que a estou a ensinar a ler. Não tecnicamente, mas não procurar acabar livros rapidamente ou desfechos de história rápidos.



INSTRUMENTOS MUSICAIS


Sou muito fã de dar instrumentos musicais às crianças. Recordo-me que duas das minhas principais companhias quando era mais pequenina - em dois momentos distintos - foram órgãos. Treinava exaustivamente as músicas que conhecia e tentava tocar de ouvido. Claro que não deveria ser a coisa mais relaxada para os meus pais ouvirem, mas ficava muito concentrada naquilo e sempre alimentava a minha tendência para o espectáculo. Ao ponto de, agora aos 33, ter começado a ter aulas de piano (e canto). Acho importante que eles treinem várias skills e que devam ser eles a escolher o que mais gostam e, para isso, nada melhor que a experimentação.

Dependendo da idade, fazem mais sentido uns instrumentos que os outros, mas o órgão é um dos meus preferidos. A Irene tem um da imaginarium que até se dobra, pelo que é bastante transportável. É este:


TORRE DE APRENDIZAGEM


Ainda que a Irene não se interesse minimamente, já tivemos bons momentos a cozinharmos juntas ou a fazermos actividades. Até determinada idade, ter-nos-ia dado imenso jeito uma torre de aprendizagem. Sabem o que é?




Há vários sites que vendem ou, neste caso, foi alguém que hackou o banco clássico do Ikea, também resulta. Eu poria uma fitinha atrás ou assim só para não ter um ataque cardíaco ;).


TELA

Há uns tempos comprei um par de telas cá para casa e pintámos as duas. À Irene saiu aquilo a que ela chamou "fungos" (uns brinquedos quaisquer horríveis, mas que, pelo menos, ensinavam os vários tipos de fungos - que útil) e a mim um auto-retrato (óoobvio, fosse eu pensar noutra coisa que não em mim, ahah). Fazem parte da decoração da nossa sala de estar, além de serem um óptimo reminder de um bom tempo que passámos juntas.



VALE DE UM DIA À ESCOLHA DELES

Já escrevi aqui que é uma técnica que todas deveríamos utilizar de vez em quando e que ajuda muito a melhor a nossa relação com eles, mas explicar que durante UM DIA vão fazer tudo o que quiserem - dentro do possível - poderá ser uma prenda espectacular e poderão descobrir coisas novas sobre eles e até sobre vocês. Além de ser um dia "de férias" da rotina e que será sempre divertido.


Querem dar mais ideias aqui em baixo? Até de negócios vossos? Estejam à vontade ;) E Boas Festas!!!


12.08.2019

Não, não gosto mais de uma filha do que da outra

Fotografia da Joaninha do The Love Project


Esta questão não surgiu por acaso. Aqui há coisa de dois meses, uma seguidora perguntou-me, no instagram, se eu gostava mais de uma filha do que da outra. Não faço ideia se foi por ela estar grávida do segundo filho e se teria esse medo (também eu tive receio de não amar tanto a segunda filha como a primeira) ou se estaria com essa sensação pelas minhas partilhas. 

Num dos nossos vídeos do Youtube, a Joana Gama também insinuou isso mesmo e eu, apesar de ter a certeza absoluta no meu coração de que isso não existe, fiquei constrangida, com dificuldade em justificar. Foi para o ar assim mesmo. 

Duas coisas (só porque também já vos pode ter passado essa ideia pela cabeça e assim fica o assunto arrumado):
- a Luísa aparece mais nos meus stories, vídeos e fotos porque a Isabel já tem momentos em que me diz que não quer (e eu respeito isso, como é óbvio)
- acho normal, nos primeiros anos de um filho, mostrar mais "gracinhas" e vibrar com tudo o que mostram e dizem e, à medida que vão crescendo, começar a reservá-los mais (digo eu)

A verdade é esta, dúvidas houvesse: amo as minhas duas filhas de forma arrebatadora e ímpar. É impossível ser de outra forma. Até me angustia pensar que algum filho possa sentir que um pai ou uma mãe gosta mais do irmão. Para mim, a escolha seria uma "Escolha de Sofia" (não sei se viram este filme duríssimo com a Meryl Streep).

Acho piada a coisas diferentes nas duas (até porque são as duas bastante diferentes), aprecio coisas diferentes nas relações que tenho com cada uma, mas AMOR? 

Não ando a medir com régua, mas daria a vida pelas duas, sem pestanejar. São as MINHAS FILHAS. São as minhas pessoas preferidas de todo o sempre. São incríveis. Adoro-as todos os dias, mesmo quando me moem o juízo. Quero que sejam as pessoas mais felizes do planeta. Tenho uma sorte do caraças. 

Não há ordem, nem escadinha, nem gráfico, nem escala para este amor. 

Não, não gosto mais de uma filha do que da outra. 


Mais um livro para a vossa biblioteca!

Houve umas férias de verão, no início da minha adolescência, em que li mais de 40 livros. Ler sempre foi importante para mim. Leio bem menos agora, mas sempre que leio - e me entusiasmo - penso na parvoíce que foi ter perdido tanto tempo nas redes sociais (dava para ler um livro por semana, à vontade). 

Os jovens, que são nativos digitais, têm ainda mais dificuldade em estar em silêncio, em se concentrarem, em viver de forma lenta. E a leitura exige isso. Havendo séries, televisão, jogos e tablets à disposição, é normal que deixem os livros, silenciosos, para o fim da lista. E é isso que eu quero tentar contrariar, dando o exemplo. Está mais que provado que o exemplo é crucial para que eles reproduzam esse modelo. Isso e continuar a criar um ambiente afectivo relacionado com os livros e a leitura - mais do que o de imposição e obrigatoriedade. Por que razão eles gostam tanto que lhes contemos histórias? Exacto: é um momento de partilha, de cumplicidade, de união. 



O mais recente livro a entrar cá em casa foi "O Protesto do Lobo Mau", que venceu o Prémio de Literatura Infantil do Pingo Doce, que já vai na 6ª edição. Acho que não nos escapou um. Primeiro porque são bons e baratos (3,99€). Depois, porque acho mesmo de louvar esta iniciativa de premiar novos autores e ilustradores (com 50 mil euros, metade metade), para que eles possam continuar a deliciar-nos com este trabalho: neste caso, a Maria Leitão e o Pedro Velho.

É uma prenda excelente para este Natal.



O Protesto do Lobo Mau
Há um dia, na história do Lobo Mau, em que nada parece fazer sentido.
Quem é aquele urso a fazer-se passar por Capuchinho Vermelho?
E o que está uma rã a fazer na sua história?
Porque será que já não se lembra do caminho para a casa da Avozinha?
E pior: porque estará ele a ser tão manso, se antes era feroz?
Nestas páginas, cheias de imprevistos, nada acontece como se imagina.
São muitos os desafios que o Lobo vai ter de ultrapassar, mas nesta caminhada irá
fazer uma grande descoberta...

Adorei esta desconstrução da história a que já estamos habituados (e que eu, por vezes, tento mudar um bocadinho - "o Lobo não é mau, está com fome!"). Neste caso, o Lobo, depois de se confrontar com a ausência da Capuchinho e de outras personagens, vê-se capaz de sair da história e de ir construir a própria história. O giro disto tudo é que, acabando o livro, temos de reservar ali uns bons minutos para conversar e para "escrever", em conjunto, a nova história do Lobo. 

Gostámos muito (a Isabel mais do que a Luísa e compreende-se, já que está quase a fazer 6 anos (como?!) e este livro é precisamente aconselhado para essa idade (até aos 12). As ilustrações estão muito giras e adorei a paleta de cores: amarelo, vermelho, preto e branco - é bem bonito.




Todos os livros das edições passadas do Prémio de Literatura Infantil <3
Mais um para a vossa lista, disponível em qualquer loja Pingo Doce. Já o viram por aí? :)




O que esta blogger quer para o Natal.

Não era isto que estavam à espera num blogue de maternidade, não é? Bem sei. Eu própria ia escrever sobre os melhores presentes para os miúdos (e ainda vou), mas ganhei aqui balanço a pensar também no que gostaria de receber. Pode ser que também tenham ideias para vocês ou, então, que as agências de comunicação, em vez de enviarem pensos para as perdas de urina (não quero lidar já com isso), enviem coisas que até quero receber, eheh.

Aqui vai a minha lista para o Pai Natal:


Blusão de ganga carneirinho.

Está mesmo com o ar de quem sabe que vai ser paga a 90 dias pela sessão fotográfica.

O blusão de ganga é daqueles casacos que combina com tudo (menos com ganga, na minha opinião) e, se for quentinho, escuso de ficar frustrada quando tento vestir camisolas por cima daquele que já tenho e ficar a sentir-me como se estivesse a passar por 10 TPMs.


Um sítio que tenha aulas de dança porreiras durante o dia. 




Quando fui a Cabo-Verde em Março e fui desafiada para dançar, fiz questão de não me esquecer da sensação que tive. Adoro dançar, adorei. Quero mesmo dançar (mas durante o dia, enquanto a miúda está na escola). Mais do que fitness, acho que me iria fazer bem a vários níveis. Infelizmente só encontro sítios com horários em pós-laboral. Conhecem algum com horários “diurnos”?

Aulas de Piano.



Sou apaixonada por violino. Calma, sei que é Piano que está escrito ali em cima. No entanto, falando com alguma malta da área, disseram-me que o violino é extremamente difícil para quem não tenhas formação musical. Acho que vou começar pelo piano e até já tenho contacto de um professor. Também terá de ser durante o dia e sempre ponho outras áreas do meu cérebro a funcionar. E, quem sabe até, incorporar mais tarde num espectáculo de comédia meu.


Atelier de Pintura (ou um cantinho na sala, pronto). 



Tenho de investigar. Por acaso, apesar de estar sempre muito disponível para aprender, para fazer cursos e tal, não me apetece ter formação em pintura. Apetece-me estar à vontade e pintar o que me apetecer, fazer o que me apetecer. Se calhar, dava era jeito saber que materiais a ter para que, por exemplo, quando pintar na tela, as cores não desapareçam.

Querem dar-me conselhos? Quero um cavalete, uma paleta e uma bóina.


Fatos-de-treino bons. 





Estou a transformar-me numa soccer-mom, bem sei. Estou cada vez mais fã de fatos-de-treino. Com uns bons ténis e cara, safa-se bem o look, além de ser super confortável. Arrisco-me sempre aos comentários da minha mãe que fica extremamente desiludida, mas deixo-os para dias em que saiba que não me vou cruzar com ela (ou levo-os de propósito, eheh).


Claro que não digo que não a viagens, fins-de-semana em hóteis e coisas do género. Contudo, acho que estas coisas me deixariam mais satisfeitas a longo prazo e até me fariam bem. :)

E vocês? O que almejam? Não se armem em Miss Universo e digam sem merdunfas.

12.07.2019

Mudar de vida outra vez? Sim!

Não foi preciso chegar aos 33 para perceber que não há problema nenhum em voltar a baralhar e a dar jogo. Percebi isso logo quando me despedi do meu trabalho de vários anos em televisão. Estava grávida da Luísa (a minha segunda filha para quem chegou aqui só agora), quando fomos para Santarém e eu fui trabalhar apenas no blogue. Por lá ficámos até ela ter ano e meio. Foi tudo o que precisámos, naquela altura. Acalmar, desfrutar do campo, cheirá-la todinha e dormir até sestas com ela, ir buscar a Isabel cedo à escola. Depois, quisemos estar mais perto do trabalho do pai e eu quis voltar a meter as mãos na massa. Voltámos a Lisboa. Comecei a trabalhar numa agência de comunicação, aonde nunca antes tinha trabalhado. Despedi-me passado um ano e vim trabalhar apenas como freelancer, para casa. Saía de casa para reuniões, para trabalhar com a Joana Gama (quando tínhamos de gravar vídeos ou podcasts) e para fazer locuções. Uma ou outra vez para eventos (mas, se não for workhshops ou comida (lol) "não é bem bem a minha cena"). Passava muito tempo sozinha. Entre paredes. Eco. Máquinas de roupa para fazer e pó à espreita. Episódios da netflix ali mesmo à mão de semear (e o tal do "ah é só um à hora de almoço") e, quando dava por mim, tinha visto 3. Para se trabalhar em casa, tem de haver muita disciplina. E eu, para me sentir inspirada, preciso de estar bem. Preciso de não me sentir só. Preciso de estar a sentir-me viva. 

Acho que andei meio adormecida nos últimos tempos. Pouco produtiva. E isto é uma bola de neve. Quanto menos se faz, menos vontade se tem de fazer. Quando dava por mim, era hora de as ir buscar. Claro que estes tempos (um ano, para ser mais exacta) me trouxeram coisas óptimas: conseguir ir com elas à natação às 16h30, conseguir fazer mais desporto (Chama a Sofia, ainda não sei bem como me vou conseguir organizar para continuar no ritmo snif), conseguir ir à dentista com a Isabel cedo, aproveitá-las mais. Há uma liberdade boa nisto tudo. 

Por outro lado, não saber bem como vai ser o mês em termos financeiros, fazia com que essa liberdade nem sempre compensasse. Meses bons, meses razoáveis, meses péssimos. Clientes que, se em vez de pagarem a 30 dias pagarem a 60, já desestabilizavam as nossas vidas por completo. Acredito que para se viver desta forma se tem de ser muito poupado, prever tudo muito bem, não dar grandes passos em falso. 

Neste momento, continuo a ser freelancer, mas voltei a trabalhar com pessoas e em televisão. Já não pegava num programa de edição (sem ser para os nossos vídeos) há quatro anos. Adrenalina de novo. Sensação de recomeço. Acordar bem cedo, largar o pijama ou o fato de treino, maquilhar-me, beber um café na rua. Conhecer gente nova, rever colegas. Construir histórias. Curiosamente, sinto-me em casa. 

Volto a ter de fazer malabarismo com as horas, com o trânsito, com os prazos. Mas digo-vos já que me saiu um peso de cima. Que sinto borboletas na barriga. 

No outro dia, ouvi dizer - sobre o facto de se mudar com "facilidade", diziam, de trabalhos - que hoje em dia os jovens já não sabem o que é o compromisso. Eu tendo sempre em chatear-me quando se olha com paternalismo para a geração seguinte (tende-se sempre a achar que a anterior foi bastante superior e que a seguinte é ignóbil - quem não se lembra do termo "geração rasca"?). Mas, a ser verdade essa generalização do compromisso, se calhar, ainda bem. Acho que o maior compromisso que podemos ter é com o nosso bem-estar e realização e, claro, tentar ao máximo que a equação não subtraia aos nossos filhos, quando os há. A mudança não é um papão. Se for tudo feito com respeito, com ponderação, pode ser a melhor coisa que nos acontece. 

Ainda bem que não fiquei até hoje na primeira produtora aonde trabalhei, até porque muito provavelmente estaria doente, a trabalhar 16 horas por dia, a ganhar 500€ a recibos verdes e não haveria Isabel e Luísa. 



Mudei de vida outra vez. Voltei a trabalhar, também, em televisão. Não sei se "para a vida", se "para já". E é bom não saber. É mais divertido assim. 



12.04.2019

10 maneiras de estragar a vida com uma criança.

Como está aí o Natal, senti-me inspirada a escrever algo amoroso e apropriado para a época. Querem adicionar coisas à lista? Sintam-se à vontade. Nesta lista não há slimes, nem plasticinas que depois vamos ter que raspar do chão com uma faca de sobremesa.





1 - Termos as expectativas completamente desalinhadas. 

Se acharmos que ter uma criança vai mudar a nossa vida SÓ para melhor, vai ser tudo muito mais violento. Ou, vá, pode ser bem mais violento. Claro que há crianças que foram enviadas por anjinhos e adormecem melhor que uma mãe solteira ao final do dia, mas há outras que não. E que falam alto e que adoecem e que não sei quê. 

2 - Querermos ser as melhores mães do mundo. 

Ainda que querer ser a melhor mãe possível seja saudável, ser a melhor Mãe do Mundo é uma real chatice. Não que se veja como uma competição, mas não somos solidárias connosco e não conseguimos falhar sem nos sentirmos um grande pedaço de cocó após a ingestão de sopa de peixe (e nós sabemos que sim, são os piores cocós do Mundo). 

3 - Não querermos que eles se sujem.

Ainda que não seja o exemplo perfeito de sanidade mental (quem é? - não, ninguém me bateu à porta e respondi por escrito), lembro-me perfeitamente dos calores com que se fica quando sujam a mesa ou o chão com alguma coisa que, ainda por cima, nós tenhamos comprado. Sabem porque é que me lembro como se fosse ontem? PORQUE FOI ONTEM. Queremos que as crianças se comportem como a Lilibet do The Crown e não se sujem mesmo ao ponto de terem de engolir o próprio vómito, mas a realidade não é essa.

4 - Acharmo-nos o centro do universo. 

Se a nossa principal tendência for a culpabilização, preparem-se para um babyblues que vai durar a vida toda, caraças. Se a criança não dorme e a culpa foi nossa porque acendemos uma vela do Continente ou porque temos a cama virada para sul ou porque abanámos demasiado a franja quando respirámos fundo, vai ser uma longa e cansativa corrida - mais além do necessário. Se a criança chora porque a mãe é rasquinha, se não chora porque a mãe é rasquinha... que opções nos estaremos a dar para que as coisas corram bem? 



5 - Querermos que a vida se mantenha totalmente igual. 

Dá para vê-las por aí, nos primeiros tempos, as mães que não aceitam irem-se abaixo ou que ainda não conseguiram encaixar que a vida anterior acabou. Não quer dizer que tenha ficado pior, apenas que tenha mudado. Ainda ontem vi no instagram uma citaçãozinha fofa que dizia "Your new life is going to cost you your old one" e faz todo o sentido. No início, muito até por pressão dos amigos ou de quem quer que seja para que não nos vamos abaixo, sentimo-nos inclinadas a lutar contra o cansaço e o desnorteio e apresentarmo-nos flawless ao mundo mantendo as combinações e as saídas. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. A vida mudou. É preciso fazer um luto da anterior e aceitar com calma e paciência (tanta quanto possível visto que... saiu um ser vivo do nosso pipi) que as coisas já não vão ser as mesmas e que só quando tiverem 20 anos é que vão ficar parecidas. Isto se não se tornarem na Greta porque depois andam em catamarans a viajar e deve-se ficar com o coração nas mãos.

6 - Sermos LOUCAS por rotinas.

Ai filhas, ainda a lidar com esta. A partir do momento em que me disseram que ter rotinas fazia com que a criança se sentisse mais segura... (e a mim também) fiquei ou piorei da minha obsessão com as horas. Reparei que ela adormecia bem melhor se fosse sempre pela mesma ordem e aos mesmos minutos. Chamem-me de maluca - são só mais umas - mas como sair desta bolha óptima de que podemos facilitar a nossa vida se não a complicarmos? Fica só o aviso: serem loucas por rotinas pode custar-vos a vossa sanidade já que... tudo o que implique uma mudança, implica desconforto e... sair para jantar fora faz bem à cabeça de toda a gente ainda que roube uns minutinhos de sono.

7 - Não saber lidar com a desarrumação.

Acabou, gente. Acabou aquele controlo hermético da nossa casa. Podemos estar a fazer xixi e a ouvir uma caixa de legos a ser vertida para cima do tapete que tinha sido acabado de ser aspirado e que já tem em cima as botas que há minutos pisaram lama à saída da escola. Esqueçam o controlo. Esqueçam ter a casa, a cozinha arrumada. Temos de sair daquela noção de casa Pinterest para conseguirmos relativizar o facto de termos criado um mini tornado naquela noite em que talvez até só tenhamos feito amor para não ficarmos semanas sem fazer e criar problemas na relação? O quê? Eu? Não.

8 - Não nos informarmos. 

Há imensas mães que fazem dos médicos autênticos deuses até para questões que têm 0 a ver com medicina. Médicos que nem são pais ou que poderão ser pessoas completamente diferentes de nós e, por isso, as visões que têm do que está certo a nível comportamental não se adequem à nossa identidade e ao que queremos da nossa família. É muito perigoso termos como referência uma pessoa que nos parece certa nuns assuntos e extrapolarmos para o resto. Manter sentido crítico é essencial e... façam como fazem quando procuram doenças na net: mesmo que encontrem a pior resposta possível (cancro), continuem a ler até que encontrem uma resposta que vos seja mais conveniente. Claro que os médicos se devem ocupar da saúde, mas talvez nem todos saibam se é melhor deixar a criança chorar antes de lhe pegarmos ao colo ou não. Não deixam de ser pessoas e, por isso, cuidado com as opiniões alheias. Leiam e sintam-se à vontade para seguirem o que mais vos fizer sentido.




9 - Informarmo-nos demais.

Pooooois... Também é um perigo. O excesso de informação... principalmente num assunto que nos traga tantas inseguranças. Talvez das coisas mais importantes no processo (sabemos lá quando acaba) é aceitarmos que a tentativa e erro não só faz parte como também é desejável. Não se nasce a ser boa mãe - acho eu - e os miúdos não esperam por nós para crescerem. Por isso, sejamos misericordiosas connosco e aceitemos que vamos errar nalgumas coisas e que vamos acertar noutras. O importante é que estejamos sempre disponíveis para melhorar, certo?

10 - Compararmo-nos às mães do instagram.

Vamos sempre projectar os nossos piores receios nas outras pessoas. Aquilo que nos deixa mais inseguras vai ser o que sentimos que as outras pessoas não estão a viver. Aconselho vivamente a deixarem de seguir malta "perfeita" no instagram porque acaba por ser doloroso. Também essas mães passam por dilemas - se calhar até mais do que nós e daí terem a necessidade de também mostrar só o lado bonito - e vão sempre fazer-nos sentir que estamos a errar algures. Questionem-se da utilidade das pessoas que seguem e vêem no dia a dia nas redes e estejam atentas também ao tom das conversas que as outras pessoas têm convosco. Podem ter a intenção de vos ajudar mas, por causa dos seus próprios assuntos por resolver, acabem por fazê-lo de uma maneira tóxica.

Isto são 10 maneiras que partilho convosco de como estragarem a vossa vida com uma criança. Só sou mãe há 5 anos, mas garanto-vos que penso bastante no assunto. Espero ajudar-vos a poupar algum tempo e dor e que também poupem às vossas amigas ao partilharem este artigo. Não tem a ver com o blog ter mais views ou não que, sinceramente, hoje em dia, patrocinar uma publicação com 5 euros resolve o problema. A verdade é que tanto a Joana Paixão Brás como eu queremos muito que o maior número de mães possível (e famílias, claro) seja feliz.


12.02.2019

As melhores séries de sempre.

E quando nos tínhamos de sujeitar às séries que havia a dar na televisão? Quantas vezes teremos visto as mesmas coisas todos os anos? Ou, pior, quando ficávamos com imensas cassetes em casa e com multas por pagar por não as entregarmos a tempo ao videoclube? A Netflix veio mudar isso e... ainda bem! Mas, para não andarmos todos a ver as mesmas coisas ao mesmo tempo e aproveitando o nome do nosso blog, confiem na Mãe. Porque sabemos perfeitamente quais são aquelas em que nos fica a doer o coração se adormecermos logo no final do episódio.

Olhem aqui uma montagem tão fofa, semelhante àquela que as miúdas faziam  na escola com aqueles dossiers plastificados. Só que esta não tem fotografias nossas com os nossos ex-namorados. 

Conseguem saber quais são? 


Fica aqui o nosso podcast da semana, para ouvirem no regresso a casa ou para porem agora nos headphones no trabalho para não terem de ouvir os comentários sobre o futebol ou não sei quê dos casados (se ainda estiver a dar):


Também podem ouvir aqui nos Apple Podcasts. Comentem e deem estrelinhas, não é isso que nos vai pôr comida na mesa, mas gostamos de receber o vosso amor de volta ;)
Outra novidade: associámo-nos à Science4you para vos trazer um desconto de 10% em tudo o que comprarem por lá com o código AMAEEQUESABE, sendo que recomendamos encarecidamente as estufas de morangos, melancias e meloas. Uma prenda educativa, sustentável e comestível. Além de servir para os vossos filhos no natal (e sobrinhos, etc) ou para os próximos aniversários. Podem comprar já aqui, por exemplo ;)


12.01.2019

Não sei se ainda gosto do Natal

Já não sei se gosto do Natal por elas ou por mim. A verdade é que dantes esta era, sem margem de dúvidas, a minha altura preferida do ano. Não sei quando começou a perder encanto. Não sei se foi quando me comecei a aperceber de que não há Pai Natal, se foi quando me comecei a ver nos adultos falhas, se foi quando percebi que o consumismo nesta altura não é, de todo, consciente. Se foi quando comecei a pensar nas pessoas que não têm família ou nos que a têm mas é como se não tivessem. Se foi quando a família se começou a separar mais, a ter outras famílias, se foi quando começámos a perder pessoas. Já chorei no Natal. E não foi de comoção. Acho que pode ter tanto de bonito, quanto de triste. 

Mas, sem dúvida, tento aproveitar o que tem de bom. E quando temos filhos, queremos ver magia nos olhos deles. Queremos que sejam crianças felizes. Quero que elas sintam o que eu sentia quando era miúda. Acho que estou a conseguir. E acho que, de alguma forma, passei a gostar mais deste mês. A ver o lado positivo. A tentar aproveitar esta época para lhes passar valores. A pensar em cada pessoa de quem gostamos. Hoje, por exemplo, fizemos o jogo da descrição dos nossos amigos em que um descreve alguém de quem gosta e os outros tinham de adivinhar quem era - foi lindo ver o que cada uma acha que define outra pessoa, em como não têm preconceitos, em como não ligam a magrezas, a gorduras, nem à idade ou ao tom da pele. Claro que tudo isto pode ser feito noutros meses, mas também é giro irmos definindo coisas para fazer no advento.

E vocês? Como vivem o Natal? Quem está a viver fora, consegue vir nesta altura? Quem está cá, sofre neste mês ou celebra?

Fotografia The Love Project

11.25.2019

Mais um podcast: como ser freelancer?

Já tínhamos falado sobre isto em vídeo. Acho que foi logo num dos primeiros meses! Ainda estávamos cheias de moral e de esperança que este estilo de vida fosse preencher todos os nossos maiores sonhos. Agora, um ano mais tarde, o que sentimos em relação a isto?

Aqui ainda estávamos as duas com as preocupações normais de quem tem um emprego estável. 


Estes bichos doidos da comunicação são freelancers há um ano. Ou perto, vá. Conseguimos usufruir da nossa liberdade e almoçar a meio do podcast, esperamos que não se importem (muito). No entanto, talvez tenhamos ajudado a construir um cenário mais realista para quem esteja na dúvida ou precise de um último empurrão para seguir em frente com os seus sonhos. Ou então, talvez os derradeiros testemunhos para se deixarem estar no quentinho do vosso contrato de trabalho. De nada, Mundo.


Também podem ouvir nos podcasts da Apple mas sou azelha e não consigo retirar o link direito para pôr aqui. Não vai ser por isso que não vão ouvir, pois não? Nãaaaao!
Se quiserem ver o vídeo em que ainda estávamos com cara de quem estava confortável na vida, está aqui: 





Todos os domingos temos um vídeo novo para vocês. Continuámos com o jogo das perguntas da semana passada e, desta vez, o alvo foi a Joana Paixão Brás. Querem ver? 




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Ainda não estou preparada para falar disto, mas...

Hoje foi o Dia Internacional da Violência Contra as Mulheres e passei-o na Conferência da Associação Corações com Coroa na Gulbenkian. Já não é a primeira vez que colaboro com a associação, a Joana Paixão Brás e eu já participamos e foi muito agradável e produtivo (podem ver aqui o vídeo).

Desta vez, fui eu e a Rita Camarneiro. A ideia era pegar numa campanha sobre os ditados populares pela Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género e ser um comic-relief a meio da conferência. 

Claro que sabíamos que não íamos exactamente para um bar fazer comédia, mas também não estávamos à espera de sermos atropeladas por tantas emoções. Enquanto esperávamos e ouvíamos os testemunhos de várias vítimas auto-empoderadas a partilharem os seus testemunhos de enúmeros tipos de violência e discriminação ficámos sem ar, chorámos e sentimo-nos minúsculas. Senti-me também esperançosa e cuidada ao saber que há quem se mova por estas causas a um nível mundial e tão individual ao mesmo tempo.



Custa-me que a conclusão actual seja que "o Mundo está perdido" porque o que vi hoje foi um grupo enorme de pessoas que irradia força, energia e... equilíbrio, caramba. Que bom ouvir outras pessoas a falar e tão bem, com tanta certeza... encheu-me de esperança. 

Uma das coisas em que pensei foi o que podemos fazer no nosso dia-a-dia de forma a entreajudar-nos mais. E um dos ângulos desta campanha é precisamente questionarmo-nos sobre o que já está enraizado na nossa cultura até tendo os tais #ditadosimpopulares por base. 

Se é verdade que temos de respeitar a privacidade uns dos outros, também é verdade que devemos zelar uns pelos outros e até que há várias formas de o fazer. Entre marido e mulher não se mete a colher?

Após uma breve pesquisa, deparei-me com o site da APAV que fala dos "sintomas" a que devemos estar atentos nas pessoas que nos rodeiam que poderão indiciar uma situação grave: 


Apoiar um amigo, amiga ou um familiar

A ajuda inicial de um amigo ou amiga ou de um familiar pode ser crucial para que a vítima de violência doméstica fale e peça ajuda para tentar sair da situação de violência em que vive e com que tem de lidar sozinha.
O silêncio facilita a existência e a continuação da violência. O papel do/a amigo/a ou do familiar pode ser o início do fim da violência.
Tome atenção aos seguintes pormenores:
Se o/a seu/sua amigo/a ou familiar está...
  • anormalmente bastante nervoso/a ou deprimido/a;
  • cada vez mais isolado dos amigo/as e familiares;
  • muito ansioso/a sobre a opinião ou comportamentos do seu/sua namorado/a ou companheiro/a;
  • com marcas não justificadas e mal explicadas, por exemplo, de nódoas negras, cortes ou queimaduras;
Ou se o/a namorado/a ou companheiro/a do seu/sua amigo/a...
  • desvaloriza e humilha o/a seu/sua amigo/a à sua frente e de outras pessoas;
  • está sempre a dar ordens ao/à seu/sua amigo/a e decide tudo de forma autoritária;
  • controla todo o dinheiro e os contactos e saídas sociais do/a seu/sua amigo/a.
Podem indicar que o/a seu/sua amigo/a pode estar a ser vítima de violência doméstica. Contacte a APAV: 116 006 ou através da Rede Nacional de Gabinetes de Apoio à Vítima ou apav.sede@apav.pt


Poderá também ser interessante visitarem o site para saberem o que não fazer quando falarem com uma suposta vítima e também tentar perceber qual a posição das mesmas nas relações para terem cuidado com o vosso julgamento. 

Confesso que é sempre mais óbvio e directo empatizar com a situação da vítima, mas apelo também a que todos consigamos perceber que o que nos leva a termos comportamentos sociais inaceitáveis são deficiências sociais, educativas ou personalísticas. Importante, digo eu, tratarmos deste problema como um problema de todos (e todas as vertentes do mesmo) e de uma perspectiva profilática e não só (embora crucial) imediata. O apoio psicológico, a saúde mental deveriam ser uma das maiores prioridades para garantir que não há tantos humanos a viverem nestas condições em que se vêem inevitavelmente colocados numa posição de vítimas de agressão ou de agressores. 

Ajuda-me também reflectir o que quero passar à minha filha com isto. Quero que ela seja segura, confiante e que tenha um significado muito saudável e positivo do que é amar e ser amada. Quero que ela não acredite em príncipes encantados que nos tragam a salvação mas que ela sim, é a responsável pela sua própria felicidade e que poderá encontrar alguém com quem a partilhar e que a abrilhante. 

Acho que a missão começa muito em nós, mães. Mães de rapazes, mães de meninas (pais, também, claro, mas reparem no nome do blog, vá haha) que temos o peito cheio de amor para dar e que temos uns bons anos repletos de oportunidade para ajudarmos à construção de indivíduos construtivos, empáticos e confiantes para este Mundo. 

Somos todos tão importantes e podemos ser ainda mais.