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quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Um truque para eles não ficarem tão tristes quando os deixamos de manhã.

A Irene entrou o ano passado na escola mas, entretanto, já mudou de escola uma vez. Claro que todas as crianças são diferentes e os processos de adaptação também, mas a educadora da minha filha este ano (e metade do anterior) que é só... um anjo, sugeriu, para que a Irene não ficasse tão ansiosa, que a entregasse precisamente no início das actividades do quarto (nesta escola não há salas na infantil, mas quartos).

Despeço-me da Irene, antes dela entrar na sala e, quando ela entra, entra logo na lógica de ficar sentada a ler um livro ou de fazer um bolo, ou um teatro ou no passeio. 

A passagem do testemunho é muito mais fácil. Chora quase nada (quando chora) e a minha manhã começa sem um peso gigante nos ombros (por muito que nos façamos de fortes, aquela despedida seguida deles ficarem a chamar por nós, dói muito). 

Não deve dar para toda a gente. As horas mandam em nós e há quem - como eu - tenha de picar o ponto no trabalho, mas com os meus horários consigo.

Fica a dica, mesmo assim. Força para todas as mães que vão com o coração apertado deixá-los na escola... sei bem o que é. Muitos dias, mesmo muitos dias assim. Um dia passa.



 Outro truque que nos ajudou muito aqui

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terça-feira, 14 de novembro de 2017

Os livros que me ajudam a ser melhor mãe.

Já a proposito de um post há uns tempos em que escrevi sobre as birras da Irene ou coisas que tenha aprendido com isto de ser mãe, deixei "no ar" que um dia iria escrever sobre os livros que me acompanharam na descoberta da minha voz e postura enquanto mãe. Tenho perdido vontade de ler sobre o assunto e, no meu caso, isso quer dizer que me sinto mais segura - é bom sinal. 

Li muitos livros menos bons até chegar a estes. Todos nos parecem excelentes quando sabemos pouco. De repente, comecei a construir as minhas opiniões e a escolher melhor o que combina comigo e sustenta o que me sai do coração: 




É o livro da minha GO que me ajudou desde o início até ao fim. Não vale a pena andar aí a picar muitos mais. É um resumo óptimo a todos os níveis. Pelo menos foi o que senti. 



Por acaso não sei com quem andará o meu ou "os meus", já que tenho mais do que um para emprestar. É o livro que se deve oferecer a uma recém-mae e pai. Explica muita coisa, desconstroi muita coisa e protege muito os nossos filhos das nossas angustias e ansiedades, salvando-nos também de muito. 




É uma continuação. Para mim, até porque os acompanhei quando sairam, vieram nesta ordem, mas poderão começar por qualquer um dos lados. A lógica da Consntaça é - digo eu - que a mãe só conseguirá abraçar se se sentir abraçada e se tiver braços.... Ler os dois é crucial.





Ajudou-me tannnnto este livro. Tanto. Li antes de ser útil, mas fiquei com tudo na cabeça. Agora sei como devo falar com a Irene para evitar conflitos desnecessários apenas por uma questão de linguagem, além de saber transmitir precisamente o que quero (dentro daquilo que controlo) verbalmente com ela. Abriu-me a mente para a importância da comunicação com os filhos (não fosse essa precisamente a minha área profissional). 



Recomendado por uma grande amiga psicóloga e que fez todo o sentido. Compreender como funciona a Irene para saber o que é dela, meu ou inerente à nossa espécie e necessidades. Parece-me um bom guia, tanto quanto eu consigo saber.


E claro...


O livro de um blog conhecido que retrata de forma bastante real os desafios e recompensas dos dois primeiros anos enquanto mães com humor à mistura. 


Também gosto muito de livros para a Irene que podem consultar nesta rubrica do Eu sou o Marcelo só que ninguém sabe



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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

E porquê "a Mãe é que sabe"?

Bom dia a todas, já agora! Isto de escrever os posts na altura em que vou publicar é engraçado por haver esta sensação de "directo" que, em tempos, vivi no meu trabalho quando acordava malta. É giro! 

Bom, fizemos três anos na sexta-feira. A brincar, a brincar (que não é tão a brincar assim porque nos sai do pêlo) já passaram três anos e 2837 posts.

Começamos por ser três, com a Marta Cardoso que podem ver aqui com o magnífico Lucas aqui e entre mim e a Marta (podem ler tudo o que ela escreveu aqui), não se sabe bem quem terá tido a ideia para o nome. Eu acho que fui eu e ela acha que foi ela, mas tanto dá porque... a Mãe é que sabe. 

O nome deste blog, para mim - se calhar para a Joana Paixão Brás será por outro motivo e, para a Marta, ainda outro - faz sentido por causa da quantidade de bitaites que toda a gente dá sobre isto de ser mãe. Vivi uma altura muito complicada em que não me conseguia ouvir no meio de toda a minha insegurança e mesmo depois de ter sido acusada de não ter instinto maternal tentei continuar a batalhar para saber o que é que deveria fazer pela Irene para que ela fosse mais feliz - como se tivesse outra escolha. 

Ilustrações da Sara-a-Dias.


a Mãe é que sabe. 

a Mãe é que sabe e, quando não sabe, sabe o que há de fazer. Demora mais tempo ou menos, estando ela bem ou menos bem, feliz ou infeliz, mas a Mãe é que sabe. A mãe é que sabe a história quase toda (nunca ninguém sabe tudo) e, por isso, com o amor no peito, decide. 

Não há etiqueta no que toca a educação de crianças. A Irene ontem deitou-se mais tarde que "a hora", mas soube-lhe bem ir jantar fora tendo sido ela a propor. E facilmente - porque já estive do outro lado - poder-se-ia julgar que eu era negligente por ela estar a jantar tarde, já com algum sono. 

No meio de tudo isto, o dever da mãe - a meu ver que vale o que vale e, se calhar,lá está, só para mim e para a Irene - é informar-se. Depois da informação, qualquer decisão será válida se vier do peito, do coração. 

Tanto eu como vim a saber que a minha mãe (claro que não será coincidência) não nos arrependemos grandemente de decisões nossas porque, quando as tomamos, não sabemos mais nada além do que nos guia no momento. A única maneira de termos a certeza que é a melhor decisão (possível) é se for a que vem de um lugar de amor e paz.





Porque há decisões que tomamos por estarmos cansadas ou tristes ou zangadas, mas que não nos deixam tranquilas. Que, mais tarde, voltam para nos morder o esqueleto por não termos feito outra coisa. Paz. Tomemos as decisões conscientemente, com amor. 





Que amor mais belo e mais puro que o nosso pelos nossos filhos? Quem mais e melhor que nós é capaz de os amar? Sabemos. Sabemos olhando para os olhos deles, se precisarmos, o que está certo. Temos é que nos dar tempo para sentir. E silêncio. 

Se for preciso até deitarmo-nos com eles à noite só para os ouvir respirar. Muito se esclarecerá dessa forma. De dentro para fora, sem cabeça. Indo buscar o que há de mais... básico em nós. No escuro. Com a nossa cria ao lado, que respira e que foi feita em nós. 



Claro que o Pai também sabe, mas aqui falamos nós. Sobre nós. O que a Mãe sabe também vem do Pai. Do Pai dela, do Pai dos filhos, de todos os pais. Muito do que a Mãe sabe só surge sem dor se o Pai a fizer saber que é amada e que está tudo certo. 


Para mim, é daqui que vem o nome. a Mãe é que sabe e, quando não sabe, faz por saber. 



Parabéns a vocês todas e a nós, Joaninha que escrevemos mais de 2800 posts. 


- Obrigada, Marta, sabendo que ainda fazes parte do blog, mas agora da Arábia Saudita. :) <3 



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quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Dá-me um desconto, filha.

A mãe nem sempre consegue lembrar-se do quão importante é fazer a transformação da Corujinha contigo. Às vezes digo-te que sim e nem ouvi o que disseste ou digo “que giro” a um desenho em vez de olhar.

Às vezes a mãe fica enervada por não lhe fazeres as vontades e nem sempre quando te apressa é mesmo assim tão necessário estar a sufocar-te já com o tempo.

Não é preciso obrigar-te a dormir a uma determinada hora se te posso ouvir falar até que adormeças, as duas debaixo do edredão na tua cama.

Eu sei que só queres dizer mais uma coisa e que vai ser “uma coisa” que me vai ajudar a conhecer-te ainda melhor como hoje.

Comprei-te calças quentinhas para o Inverno e um desses pares é o teu preferido: o que tem a Minnie e o Mickey. Perguntei-te qual querias vestir hoje e disseste as cinza.

“As cinza, Irene? As cinza quando as que tu gostas mais são as do Mickey?”

“Claro. As do Mickey ficam à espera para não usar já!”

Tens muito isto. Não vem de mim certamente. Para mim, especialmente especial por seres ainda tão bebé e por conseguires ver além do agora.

Não tenhas medo, Irene. Apesar da mãe estar a lembrar-te de 2 em 2 minutos para ires comendo ou estar a dizer-te que temos de ser rápidas por um motivo qualquer… A mãe, quando tu não estás ou quando não sente que o tempo aperta, sente.

Sente e vê e sabe que tu és o que há de melhor no mundo inteiro.


As calças do Mickey ficam à espera.



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quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Erros que cometo com a minha filha.

E que não devia. Ou que não são erros. São o que me apetece fazer ou, melhor, o que faz sentido para nós.

Às vezes jantamos sentadas no chão da cozinha. 

Enquanto cozinho, a Irene vai brincando perto de mim com o que lhe apetecer na altura. Às vezes está a fazer comida para os bebés dela, noutras está a dar concertos... Acabo de cozinhar, dou-lhe a provar e acabamos por comer sentadas no chão da cozinha. Não creio que a mesa seja assim tão importante, nem acho que, por jantarmos na cozinha, ela um dia não saiba jantar à mesa - como se isso não se pudesse comunicar na altura. 

Durante a semana, toma o pequeno-almoço na minha cama. 

O meu quarto é uma suite e, dá-me jeito, enquanto me arranjo, ir estando com um olho nela e a conversar com ela. É um momento nosso, calmo, em que vamos pondo a conversa em dia e, já agora, também consigo ir explicando qualquer coisa nos desenhos animados que ela vá vendo. De manhã costumamos ver o Zig Zag na RTP2 que tem boa curadoria mas, mesmo assim há, às vezes, alguns temas que requerem acompanhamento. 




Adormeço-a abanando-lhe o rabo e a cantar e já tem 3 anos.

Seja qual for o motivo pelo qual isto agrade às duas (eu sei que o meu é sentir que, de alguma maneira, estarei a apressar o adormecimento - mesmo que seja tanga) não me incomoda que tenha 3 anos e não adormeça sozinha. Eu tenho 31 e, por mim, se pudesse escolher também não adormeceria sozinha, para quê exigir-lhe isso? Se nem sempre me apetece? Se muitas vezes desespero? Sim, mas é isto. Faz parte. 

Não costumo dizer que não lhe compro algo que peça

Ela farta-se de pedir que lhe compre coisas. Não costumo comprar-lhe nada. Até porque, sendo blogger, como vocês sabem, vamos recebendo sempre umas coisas aqui e ali e, por isso, sinto que a minha quota de "presentes" até é excedida. Costumo dizer - não é totalmente mentira - "'Tá bem, se a mãe vir, se calhar a mãe compra!". A verdade é que não devo ver. Faço compras online e, por isso, só veria os brinquedos se fosse procurá-los mas, se os vir, um dia, se calhar até compro. Nem sempre me apetece dizer que não, raramente, até. A não ser quando tenho que "dar lições" que é como tenho explicado a importância dos "nãos" cá em casa.

Amamento-a e tem 3 anos. 

Ainda tenho de escrever um post sobre isto. Sobre amamentar aos 3 anos e quem me faz sentir "pior" com isso serem mulheres. Nós. Umas com as outras. São outros 500. Amamento-a. Tem 3 anos. Faz parte da nossa rotina de adormecimento. Ela pede e eu dou. Faz parte. É assim. E será enquanto fizer sentido para ambas. 


Usa fralda para dormir à noite e tem 3 anos.

I don't care. Está conversado entre as duas que o objectivo será deixar de ter a fralda molhada quando acorda e ir fazer xixi. O preço a pagar dessa conversa é chamar-me muito aflita de manhã e eu ter de sair da cama a correr para a ir por na sanita, por isso está tudo encaminhado, mas sem pressas. Não quero que haja o peso do fracasso nem ter de andar a trocar roupa de cama a meio da noite. Está tudo a ir com calma. 

E tantas outras coisas que na volta nem tenho consciência. Seja como for, estas somos nós por agora e estamos bem. E vocês? "Erros" que cometam? 


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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Faço terapia.

Nem toda a gente precisa, mas acho que toda a gente iria beneficiar.

Nem toda a gente pode, mas acho que toda a gente deveria poder ir.

Eu faço terapia. 

Faço porque lá porque as coisas me surgem na cabeça ou porque os meus comportamentos me pareçam espontâneos, não quer dizer que sejam os melhores. Tudo é passível de ser trabalhado, depois de compreendido ou, por ser compreendido é trabalhado.

(se nunca tivesse parado para pensar, a Irene era corrida à estalada e ao berro)

Faço por mim, sim. Por mim que estive farta durante muito tempo de viver e sentir as coisas sem qualquer sabor ou cor e, acreditem - muitas de vocês saberão - navegar em mar alto sem saber onde se está ou para onde se quer ir, dá lugar a náufragos, muitos. 

(se nunca tivesse parado para pensar, o resto da vida seria "fazer tempo" para que algo surgisse que me acordasse)

Faço-o por mim e pela Irene, sim. Pelas duas. Para que ela sinta (que ainda iremos a tempo para muito) que o amor flui entre as duas e a que sabe o amor, no corpo e na cabeça.

(se nunca tivesse parado para pensar, a minha filha cresceria e não conseguiria relacionar-se comigo, apesar de algures sentir que me ama)

Faço-o pela Irene e pelos filhos da Irene. No meio de uma fila enorme nalgum lado onde nos colocamos por parecer o sítio onde se deve estar por toda a gente está, alguém tem de ir ver o que se passa lá a frente e parar. Para pensar. Encaixar. Dói.




(se nunca tivesse parado para pensar, teria de ser a Irene, um dia, a fazê-lo e com uma intensidade avassaladora de anos e gerações de trampa por processar)



Doí sabermos que mandamos muito pouco nisto e que somos uma migalha, mas é essa a verdade. Somos tão pequenos e os nossos problemas têm metade de nós ou têm o tamanho que "quisermos" que tenham. 

(se nunca tivesse parado para pensar, achar-me-ia sempre o centro do universo e tudo pareceria uma perseguição para que eu me sentisse infeliz em vez de todos os dias serem uma oportunidade de viver mais e espalhar amor)

Coisas em que a terapia me tem ajudado: 

- Diminuir a ansiedade de um modo geral 

E, portanto, tudo o que daí advém: irritabilidade, hipersensibilidade, falta de produtividade, sarcasmo, bullying, mau dormir, não conseguir estar disponível emocionalmente para a Irene, rotinas muito apertadas, etc. 

- Duplicado a intensidade das coisas boas

Já não as destruo na minha cabeça. As coisas boas são mesmo boas e o fim-de-semana é mesmo fim-de-semana. Faço mesmo o que quero e preciso que seja feito e a vida deixa de parecer um carrossel com muitas luzes e barulho mas sem que nada nos atravesse o corpo ou nos faça querer sair para ver a paisagem.

- Melhorado a disponibilidade para crescer

Quanto melhor compreendo as coisas, mais tudo me sai certo. A minha vida já me pareceu toda ela apenas e só um dia mau em que depois de apanhar uma molha, encontro o guarda chuva. Ou, depois de cair numa poça enorme de lama, é-me apresentado o Primeiro Ministro. Os acontecimentos não nos governam. É o contrário.

- Crio coisas boas

Não fico à espera que as coisas que quero (porque já sei o que quero e gosto) aconteçam. Já crio oportunidades para que elas aconteçam. De repente, o que dantes parecia uma espera, agora parece uma escada com treats pelo caminho. 

- Vejo melhor a Irene. 

Já sei que quando parte algo ou grita que não é o que eu sinto quando ela o fez, mas sim o que ela sentirá. E quem diz Irene, diz toda a gente, mesmo toda a gente. Até as haters anónimas. Estou em paz. 



Não há que ter vergonha de sair da manada e interrogarmo-nos sobre aquilo que nos parece crucial e que nos faz sentir unos. Mesmo um cocó de cão está inteiro e é uma bela mer**. Pode parecer inalcançável e doloroso (e é), mas é para isto que cá estamos. Para um aperfeiçoamente constante que nos permita amar com tranquilidade e sermos amados em segurança. 

A Eugénia ajudou-me bastante como vos contei neste post, neste momento o meu caminho não passa por ela, mas não posso deixar de vos sugerir que conheçam esta pessoa que toda ela é amor e brisa da ponta dos seus lindos cabelos até aos pés (a página dela é esta que, sempre que falo dela, recebo alguns e-mails a pedir o contacto, fica já arrumado).

Só para descansar quem não tenha possibilidades para fazer terapia, mesmo aconselhando-se com a médica de família (há também excelentes profissionais nos centros de saúde), há quem consiga fazer este exercício sozinho, estando mais atento a tudo que na vida não espelhe amor e faça para que mude. 

Não há que ter vergonha. Fazer terapia é o ginásio da cabeça. Será moda um dia. ;)



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quinta-feira, 2 de novembro de 2017

10 truques para acabar com birras.

Tendo em conta o que vos escrevi ontem aqui e sendo que a Irene continua a fazer birras, não vejam aqui nada de milagroso. Apenas alguns atalhos que demoraram imenso tempo (e leituras também) a aprender e que funcionam comigo e com a Irene. Tenho esperança que funcionem convosco também. 

A ordem é conforme o que me vai surgindo, mas acho que os posts ficam mais credíveis com números, por isso, aqui vai. 



#1 - Não ter que dizer não directamente. 


Eu sou tortinha e sei que quando me dizem que não que todo o meu corpo se altera. Fico mais hirta (que nem uma barra de ferro, eu sei) e com vontade de contra-argumentar tudo. Às vezes não precisamos de cortar a direito para ter o mesmo resultado e até de forma mais rápida se evitarmos uma birra. A Irene ouve tantas vezes isto que até a mim já me diz. 


"Amanhã fazemos/procuramos/compramos/falamos/brincamos". 


Dar a solução (se for verdade) em vez da negação absoluta. Resulta imenso por aqui. 


#2 - Explicar o motivo, se houver. 

Isto, partindo que a criança já sabe compreender - por acaso, o Frederico e eu falamos com a Irene desde sempre como se ela compreendesse e não me lembro de não ser eficaz, acho que a distraía e habituou-nos bem. "Filha, tens que lavar os dentes porque senão os bichinhos comem os dentes, ficas com uns buracos que são as cáries e que fazem doer os dentinhos e depois...". Ou tens de vestir o casaco, senão podes ficar doente com o frio e depois queres ir ao jardim, mas tens de ficar em casa a tomar ben-u-ron". Estou a rir-me. Realmente sou muito específica mas funciona. Ela cala-se, nem que seja para eu não falar mais disso com ela por estar farta. 


#3 - Exagerar o motivo.

Não é verdade que, se ela adormecer, o cabelo vá ficar maior, maaaaas, o cabelo cresce todos os dias e, à noite, também terá o seu processo, não é? Sabendo que ela quer ter o cabelo comprido... e que não é mentira... Que mal tem dizer isso? Quando a de "dormir para descansar e amanhã ter energia" não resultar...? Sei que isto deve estar algures incorrecto numa teoria qualquer, mas parece-me relativamente inofensivo. 

#4 - Ser criativo.


Só conseguirmos isto se andarmos descansadas e bem da cabeça. Esqueçam a criatividade quando estão a pensar se se querem divorciar ou se acordam seis vezes por noite para dar de mamar ou biberão ou por a chucha que caiu. Não dá. Maaaaaas e "lava os dentes para a Skye de peluche aprender a lavar os dentes contigo que sabes tão bem" funciona... Se calhar vamos ter aqui grandes criativas. Os amiguinhos peluches aprenderem com eles, eles serem o exemplo ou, no caso da Irene, usar os personagens que ela vai interpretando ("Será que o Rafa consegue ir já para o banho?") resulta muuuito bem. 





#5 - Recompensa Final

Não estou a falar de recompensas pelo bom comportamento ou mau. Nunca pensei muito a fundo nisso, mas superficialmente não me parece adequado criar uma gratificação para um comportamento expectável, mas talvez venha a mudar de ideias. Para já, por exemplo, a Irene sabe que se engonhar muito até ir lavar os dentes e o nariz (cheia de alergias, tadinha) que depois não há tempo para histórias. E não há. No dia seguinte acontece tudo mais rápido ou, então, não há histórias. Simples. Encurta-se o tempo da história e deita-se a horas razoáveis na mesma. 

#6 - Não ter medo da birra grande

Houve uma altura em que a Irene queria que eu ligasse o ar condicionado para ela adormecer. Depois, como a luz iluminava demasiado o quarto, isso deixou de ser porreiro porque ela não relaxava. Disse-lhe que se ela voltasse a dar saltos na cama (ou lá o que era) que tinha de desligar o ar condicionado porque era por causa da luz que ela não estava a descansar. Fez na mesma. Desliguei o ar condicionado. Foi uma birra gigante (ainda por cima cheia de sono que era hora da sesta), mas expliquei-lhe que era uma "lição" e que não podia voltar a ligar o ar condicionado por muito que ela pedisse. E ainda hoje funciona quando digo que tenho de fazer algo para ser uma lição. 

#7 - Ditar as regras enquanto se tem atenção

Antes de ir para o jardim e depois de perdermos a atenção deles, explicar o que vai acontecer e como. "Irene vamos para o jardim, vais brincar muito, mas quando a mãe chamar é para ir porque temos de ir jantar e blá blá". Minutos antes digo: "Irene, só mais um bocadinho que temos de ir embora, depois quero que venhas ter comigo ali à porta e vamos as duas". Refila sempre um bocadinho (consoante o cansaço), mas rapidamente lhe digo "abres tu o carro com o comando" ou assim e passa-lhe rápido. 

#8 - Reconhecer as emoções

Se começa a chorar porque está triste ou a bater em coisas porque está zangada, reconhecer os sentimentos dela, que já percebemos e explicar-lhe o que se está a passar. Depois de vermos o filme Divertidamente juntas é fácil explicar-lhe que ela tem o Sr. Medo e o Sr. Zangado na cabeça e, por isso, é que se está a passar, mas que podemos ajudar o senhor medo(varia consoante o que se passa, até poderá passar por um mantra qualquer) e depois o Sr. Zangado vai dormir também.

Foto Pau Storch


#9 - Cumprir as promessas

Importante mantermos a nossa palavra, mesmo quando achamos que eles já se esqueceram para que a confiança deles em nós funcione a nosso favor. A Irene cortou a pasta de dentes que tinha acabado de lhe oferecer sem querer. Ficou muito triste e fez uma birra gigante por a deitar no lixo e eu disse para ela não se preocupar que um dia a mãe comprava uma. Comprei. Agora, já sabe, que sempre que eu disser que não há problema que resolvo, que vou resolver. Relaxará.

#10 - Saber como funciona o cérebro deles.

A brincar, a brincar, saber como é que eles vêem as coisas e porque é que pensam como pensam ajuda imenso. Se os saltos de desenvolvimento e picos de crescimento nos bebés fazem com que eles tenham comportamentos irreconhecíveis nalguns meses, também nos restante crescimento tal acontece. Ajuda a despirmo-nos da culpa e de tudo o que temos implantado na cabeça sobre podermos estar a fazer um mau trabalho e vermos as coisas com maior amor e empatia. 


Num outro post poderei dar sugestões de leituras, sei que deve haver mais mães por aí que gostem de queimar pestanas e que gostem de ver os resultados práticos a surgirem bem à vossa frente :) 



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Ahh! Então é por isto que eles fazem birras!!

Eu não sou coach, nem o Gustavo Santos. Sou apenas uma mãe que, tal como vocês, vai "aprendendo a andar nisto", mas que tem dias em que o nome deste blog lhe parece fazer muito pouco sentido. Ainda antes de ontem a Irene e eu tivemos um momento menos feliz, mas que gosto de pensar que o resultado tenha sido produtivo, apesar de tudo. 

Vou tentar escrever para amanhã algumas dicas para acabarmos com as birras, mas antes tinha que escrever este post. 


Sejamos francas, não são só as crianças que fazem birras (aqui um post sobre As Birras da Irene) Nós, todas adultas e quês, também temos as nossas fraquezas e o que é que as piora? Não termos as necessidades básicas em ordem, como vos falei neste post "O MEU melhor conselho para recém-mamãs"

#1 - Isto é: será que têm sono? Mesmo que tenham dormido bem à noite ou à tarde, não se poderão ter cansado?

#2 - Será que não estão a ter atenção suficiente nossa e estão a fazer disparates só porque têm saudades nossas? É possível e, às vezes, incorporando-os nas nossas tarefas é o suficiente. 

#3 - Será que estão a passar por uma situação mais complicada? Aos três anos, por exemplo, existe um período muito sensível na construção da sua identidade e, para além disso, os pais da Irene (minha filha), separaram-se recentemente. Será normal ela andar mais sensível? Claro. 

"Não vemos as coisas como elas são. Nós vêmo-las como somos" 
 Anaïs Nin
(também não sei quem é, mas a frase é óptima - obrigada, Anaïs)




#4
- O que nós achamos que eles estão a fazer por serem mal-educados ou porque nos estão a desafiar, pode ser verdade para eles. O ó-ó não é o único boneco que a criança tem e que é especial para ela e que tem uma "representação" que transcende o material. A pasta de dentes que ofereci no outro dia à Irene era "uma prenda da mãe" e não uma mera pasta de dentes. As "coisas"/"situações" podem ser especiais para eles e, às vezes, até cruciais por algum motivo: segurança, por exemplo. 

Temos de dar espaço para que as coisas não sejam o que nós julgamos que são, principalmente se tivermos a tendência para sermos rápidos a julgar por estarmos cansadas ou por ter sido isso que fizeram connosco em criança, o que for. Confiemos que não estamos a criar diabinhos e que as crianças não vieram possuídas e que as temos que purificar com a nossa ilusória imposição de controlo. Precisam de regras, firmeza e amor. Tudo junto, a toda a hora. 

#5 - E febre? Já houve uma manhã em que a Irene estava insuportável e que tentei falar com ela a tentar perceber o que se passava e porque é que me estava a atrasar tanto e, quando fui ver (de manhã costumo estar robótica e cega), estava com 39 graus de febre. Isto é válido para outro tipo de desconfortos físicos como dor, "estar a incubar alguma"... 


#6 - A Irene, tal como eu, não gosta que lhe comuniquem as coisas em cima do momento e de forma peremptória. Também tem vontades e ritmos. É uma pessoa e posso fazê-la sentir que a tive em conta nas minhas decisões ou mostrar como é que pensei nela no processo. Quando sou muito autoritária, mais facilmente tenho que a arrastar. A maneira como correu o nosso dia tem muito que ver com isto, com o tom, a energia, a postura, como preferirem. Também não gostamos quando não simpáticos connosco sem motivo, pois não? 



Amanhã vou partilhar algumas dicas que acabam com as birras da Irene. Querem já ir escrevendo aqui algumas vossas para compilar para amanhã? 



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terça-feira, 31 de outubro de 2017

Bem-vindas ao cocó na minha cabeça.

Este tempo é muito ingrato. Vivemos numa época em que as descobertas mais cruciais e fundamentais já foram feitas. É pena. Gostava de ter feito história como a pessoa que inventou o ginocanesten ou o indivíduo que se lembrou de por um buraquinho na porta para ver quem está do outro lado. 

Borrifem-se para a roda, por favor. 

O primeiro senhor - que desconfio ter sido uma senhora com alguma comichão no pipi - achou que, com uma seringa, devíamos enfiar alguns ml de creme pela vagina acima, preferencialmente à noite para não parecermos um pombo durante o dia. Assim parecemos só uma andorinha com problemas de estômago de manhã. 

O segundo indivíduo, que gosto de imaginar ser um escritor muito famoso em crise criativa, preferia fingir que não estava em casa a perguntar quem é e abrir a porta. Então pensou: vou fazer um buraco aqui pelo meio, mas não convinha entrar frio que isto do aquecimento é um balúrdio: "Ponho um vidrinho à medida e, ui, óptimo!". 

E o rapaz que inventou a fralda? 

Tinha o bebé a fazer xixi ao longo do dia e a molhar o pai e a mãe e as amas e tal e tal. Ou, se calhar, a molhar o fardo de palha, quando o bafo quente da vaca e do boi não chegava para evaporar a urina. 

Ele pensou:

"... não o posso por dentro de um saco de congelação do Ikea senão o tipo não vai conseguir respirar muito bem. Ora bem, se lhe puser uma rolha na uretra e outra no rabo, além de ficar sem rolhas para o vinho, poderá não ter uma experiência agradável de sobrevivência durante as possíveis 6 horas. Por isso, se calhar, vou só... por o rabo dele dentro de um pano ou assim. Assim, suja o pano e lava-se o pano (não vou eu lavar aquilo pelamordedeus). EXCELENTE!". 

Anos depois, outro tipo: 

"então e se não tivermos que mudar o pano? E se o bebé poder ficar sujo algumas horas sem haver qualquer tipo de urgência de tirar patardos de cocó ou poças de xixi da pele dele? Ainda podemos depois dizer que a pele dele é que é esquisita e vender produtos para isso, como se fosse normal fazermos cocó num tabuleiro e não numa sanita e ficarmos horas sentados em cima dele ou deitados."

E, de repente, anos depois, temos bebés que assim que nascem já têm um instrumento de plástico ou de pano (já se usa novamente) para que o cocó e o xixi sejam armazenados. 

Que ideia genial, esta!

Quem me dera ter sido o tipo que inventou as fraldas. 

Antes disso, será que havia terapeutas de xixi e cocós que diziam que se lhes dessem frango entre as 2h da tarde e as 5 que só fariam cocó às 7 da manhã e, por isso, dormiriam melhor? 

Será que havia mães que diziam que o xixi nem deveria ser limpo porque na pré-história eles não tinham paninhos no bolso para se irem limpando? 

Acho que vou inventar o berço-sanita. Da cintura para baixo, loiça da revigrés que escoa na rede de saneamento básico. De lado aqueles mini aspersores que usam no Jumbo para refrescar os vegetais e temos sempre bebé limpinho durante toda a noite. Com alguns riscos de pneumonia, mas não há de ser nada. 

Está tudo bem comigo. Obrigada.

Tomem uma fotografia normal para isto parecer um blog de jeito:





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domingo, 29 de outubro de 2017

Agora que sou mãe, já sei...

Há algumas que preferia não saber, sinceramente, mas agora já não dá para voltar a pô-la dentro da barriga, ambas sobrevivendo, claro.



Agora que sou mãe, já sei...

... que é possível andar dias, meses, anos sem dormir e, mesmo assim continuar a garantir a sobrevivência de um ser vivo e manter um emprego. 

... que cada dia é menos um para a criança se saber levantar sozinha da cama e, independentemente vir ver televisão para a sala. 

... que os cocós de bebé a leite materno me cheiram melhor que muitos perfumes - ideia: largar umas fraldas no metro, para arejar. 

... que a lima para limar as unhas dos bebés quando são pequeninos é só jajão, mete só as garrinhas para dentro e fica esquisito.

... que é possível não sentir amor pela criança no dia do parto e, mesmo assim, ser uma pessoa que merece viver e que será uma óptima mãe. 

... que nem as crianças merecem sopas em que se atiram 754389 vegetais lá para dentro à parva, só para garantir que têm todos os nutrientes (coitada da miúda). 

... que ter coragem de  fazer cocó depois do parto é um acto de maior coragem que fazer parkour no Amoreiras. 

... que um berço é uma espécie de jaula que só nos lixa as costas e faz com que percamos tempo com o "põe na cama e acorda". 

... que o dia parece que recomeça quando a criança adormece. 

... que adormecemos poucos minutos depois do dia recomeçar. 

... que às vezes comemos as últimas coisas deles e dizemos que foram os gatos ou outra pessoa qualquer avulso ou que smarties "ficaram estragados, não sei o que aconteceu!". 

... que se é para sair na sexta-feira em que a criança está com o pai, temos mesmo de fazer uma sesta, senão tudo fica duplicado e à meia-noite estamos a cantar Lena d'Água a caminho de algum lado. 

... que amamentar e estarmos de diarreia é uma missão impossível de correr bem. 

... que quando estão doentes parece que ganhamos forças mágicas mas que, quando deixam de estar, cai-nos tudo em cima. 

... que não há coisa mais deliciosa que alguns "mãe" que nos batem muito.

... que é difícil para xuxu fazer lanches diários variados e minimamente saudáveis.

... que ter a nossa criança acabadinha de tomar um banhinho e penteada é melhor que ter rebentado com 100 euros na Zara. 

... que o hálito deles é sempre agradável. 

... que quase que não há nada mais enervante que a fase que todos têm de atirar coisas para o chão da cadeira de alimentação.

... que a gilette é a nossa melhor amiga. 

... que somos muito produtivas e eficazes, já viram a quantidade de coisas que conseguimos fazer ao mesmo tempo e ainda tendo sempre uma culpa a melindar as nossas decisões? Incrível.

... que somos todas mães e (praticamente) todas as melhores mães que conseguimos ser e isso tem de ser suficiente. 

... dizer que não de mil e uma maneiras.

... ser barrada por uma criança que diz não querer mais mimos. 

... que sou péssima a fazer vozes de bonecos.

... que o "Daniel Tigre" é provavelmente dos melhores desenhos animados que por aí andam.

... que podemos mudar de pediatra se estivermos desconfortáveis com o nosso.

... que consigo escrever este post nalguns minutos sem a miúda estar aqui a dizer que também quer escrever e perguntar se tenho uma virose. 


O que sabem vocês?


a Mãe é que sabe Instagram