segunda-feira, 2 de março de 2015

Quero ser uma super-mulher... mas não consigo.

Quero ser a melhor mãe, a mãe que estimula, que brinca e, mais importante que tudo, que dá carinho. A mãe presente, brincalhona, o peito onde ela põe a cabeça de manhã quando vem para a nossa cama e o cheiro que ela quer antes de dormir. A mãe com tempo. Não quero que ela veja na minha cara o monitor do computador reflectido. Não quero que ela ache que o meu telemóvel é o melhor dos brinquedos por me ver sempre agarrada a ele. Não quero adormecê-la à pressa, com o coração já descompassado e com o maxilar cerrado, porque tenho outras coisas para fazer. 

Quero continuar a sentir-me bonita. Não gosto de me ver ao espelho com a raiz meia oleosa, com unhas cheias de peles e já algum buço e achar que não faz mal porque agora sou mãe e porque ninguém vai reparar. Lá porque somos mães, não temos sempre, sempre, desculpa para o desmazelo. Mas... como encaixar isto com tudo o resto? Hora de almoço, dá tempo? Não vale a pena sugerirem para fazê-lo em casa porque com um verniz na mão pareço ter Parkinson.

Gostava de ser uma mulher atenta e interessante, que faz jantares, que leva o pequeno-almoço à cama de vez em quando, em vez de acordar com sono a rogar pragas ao mundo, que consegue conversar sobre cinema e ver séries, mas ultimamente a minha cabeça está em tudo menos ali. 

Quero, num fim-de-semana, ir a 4 lojas diferentes, comprar madeiras, placas de mdf, pregos, parafusos, tecido, dracalon, adereços, molas, balões, cadeira, ir buscar um cesto de verga emprestado, ir às compras, fazer um bolo para a sessão de fotos, fazer uma bandeirola de papel de seda, fazer sopa da Isabel para a semana, fazer uma cabeceira para a mesa do aniversário, ir à sessão de fotos com a Isabel, passar numa festinha à tarde, ir comprar água, ah! e fraldas para o infantário, responder a e-mails, escrever, ver os "meus" programas da SIC porque quero ver sempre o resultado final, fora tudo o resto... e conseguir manter a sanidade mental.

Não estou a conseguir. Sinto-me cansada e o raio das dores de garganta e da voz de cana rachada que não passam e que me dão péssimas noites. E a Isabel anda ranhosa e também ela a dormir mal.

Tenho de aprender algo com isto. Transformar-me numa super-mulher não está a ser fácil, por isso talvez tenha de começar a prescindir de algo. A ser menos picuinhas com a festa de anos, a não querer ser a mãezinha que pensa em tudo. A fazer uma lista de prioridades do dia que não tenha mais de 10 itens por dia (mais vale menos e fazê-los bem e com tempo). Não achar que consigo estar em dois sítios ao mesmo tempo. A impôr regras em casa: só toco no telemóvel depois dela ir dormir. A fazer compras on-line e deixar-me de merdas esquesitices de querer escolher os produtos e não sei quê. A deitar-me mais cedo. Só assim conseguirei ser a mãe, a mulher, a profissional que quero ser: equilibrada. Não tenho de ser perfeita, não tenho de conseguir fazer tudo.

Há por aí super-mulheres ou já aprenderam a abrandar o ritmo?

10 comentários:

  1. Definir prioridades e... uma coisa de cada vez. O que não se fez hoje, faz-se amanhã. O mundo não pára por causa disso.
    Ah... E nunca deixar uma viagem, passeio... por fazer porque... a casa está desarrumada!

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  2. sabes o que eu gostava mesmo!??! de parar de gritar! se parasse de gritar e de chatear por tudo e por nada já me considerava fenomenal!...porra pros nervos!

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  3. Acho que todas nós nos sentimos assim pelo menos um dia (vá, um dia por semana) na nossa longa ou curta vida de mãe-mulher-profissional. E além de tudo o que falaste há ainda o tempo para a família (o resto dela) e os amigos... enfim... o dia não estica e a noite, lá está, convém ser para descansar. Dica: deixei-me de coisas perfeitas; a festa do Lou não foi tão "chutchi" como eu quereria, as minhas unhas não andam sempre com cores bonitas (por lascam passados dois dias e depois não tenho tempo para as arranjar novamente), já não sou a pessoa que se lembra de todas as datas importantes na vida das pessoas que me são queridas (e sei que elas não me vão levar a mal por isso), as minhas roupas já não fazem tanto "matchi matchi" como antigamente... mas é a vida e, no fim da história, não é isso que me traz felicidade. Prioridades (o que é que verdadeiramente me faz feliz), muita calma e, acima de tudo, não pensar que temos de carregar o mundo às costas e, ainda por cima, cheias de estilo :)

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  4. Meus pais, pais de 3. Um mais velho e depois gêmeas... Eram uma equipa e meu pai, um super pai. Mas sp me disse à minha mãe, que antes da 1h não se deitava. Era professora tinha os trabalhos de escola ainda... Mas sempre jantamos os 5 juntos. Sp íamos de férias, etc. Só que pra ter tudo em ordem, era tema work, deitar tarde e acordar cedo eheh

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  5. Joana, parecia que estavas na minha cabeça! Não tenho grande vocação para ser super-mulher. Levei imenso tempo a perceber isso, e tenho dias que ainda quero ser essa super-mulher. Mas, acho que de uma maneira geral, estou a aprender a abrandar o ritmo, estabelecendo as minhas prioridades. A minha filha tem de ser a minha prioridade! Ainda tenho dias em que me pergunto como fazer tudo o que tenho para fazer. Quando, por exemplo, me ligam do infantário a dizer que a minha filha tem febre, entro logo em parafuso. Não só porque ela está doente e não há nada pior, mas porque não tenho plano B. Não vivo em Portugal e a minha família está TODA em Portugal, então quando a minha filha está doente, lá temos (eu e o meu marido) de decidir quem falta ao trabalho e como é que vamos fazer para não nos prejudicarmos. Sim, porque logo a seguir à minha filha, tem de estar o trabalho. É o trabalho que me permite pagar a creche e proporcionar-lhe uma vida em que ela tenho tudo o que necessita e algumas coisas que ela queira. É uma luta diária! Às vezes ainda me lamento aqui e ali porque gostava de ver uma séria ou outra na televisão, porque no dia X não tive tempo para fazer uma máquina de roupa, porque adorava ler livros, ou simplesmente sentar-me no sofá sem fazer nada! Um dia vou ser capaz de fazer estas coisas todas!

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  6. A casa, tá sempre desarrumada... É impossível ter a casa arrumada. Saio de casa às 8:30, chego perto das 19hrs. Nem é mau, mas qd chego quero dar atenção à filha, pois passou o dia todo sem mim... Por isso, quero lá saber se a casa tá desarrumada ou não... O que me chateia mesmo, é as refeições. Tenho de cozinhar e não consigo, pois ela só quer a minha atenção. E estou sozinha, pois o namorado estuda de noite. Já pensei durante o fim-e-semana definir o que fazer durante a semana de comida, mas não consigo. Como se organizam com as refeições?!?

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  7. Soooo true....
    Também eu ainda penso, erradamente, que posso ser uma super gaja! Não visto capa mas tenho o raio da mania (para não usar outra expressão mais nortenha) que consigo tudo.... Claro que não consigo, e depois vem a malvada frustração... E os nervos. E os gritos. Irra.... Muitas x desejo que os dias tenham mais 5 ou 6 horas mesmo sabendo que não as aguentava.... O que eu gostava era de não ter de fazer tudo a correr e de não me sentir mãe em part time... Isso sim.... Até lá vou tentado organizar as minhas prioridades.... Quando estou com a pisca tento que seja mesmo com a pisca só e mais nada... Nem sempre é fácil mas tento. Beijinhos
    Raquel Gomes

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  8. Pois: não somos super mulheres; mas eu gostava e - às vezes - até acho que estou quase lá...
    Para me sentir melhor - bem, para não me sentir pior (e adorei as placas de mdf e os parafusos e as lojas e as molas e...) tento ser menos exigente com os outros e comigo. Tento a "acessibilidade". Mas confesso que não é fácil consegui-lo e em simultâneo sentir-me tranquila. Pressão, perfecionismo e - confesso - algum receio das apreciações dos outros. Porquê? Não sei, ou se calhar até sei... Mas é humano, ou não será?

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  9. Não tento ser super mulher mas confesso que admiro quem consegue conciliar tudo. No entanto para mim os dias são perfeitos só por ver os sorrisos e o ar de felicidade dos meus filhos... Enche-me o coração e depois não sobra espaço para preocupações...

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  10. Joaninha, que eu já te conheço desde que nasceste... Não sou super muher, mas sou gaja pá! Gaja que resolveu ser mãe aos 40, advogada de profissão, vice presidente de um conselho de deontologia, solteira (marido a viver e trabalhar em Lisboa), proprietária e exploradora de apartamentos para alugar a turistas, dona de um golden retriever que tem de ser passeado duas vezes ao dia, you name it. E mãe... que engravidou no primeiro mês em que tentou, de gémeas, logo para "ficar despachada" como dizem... em todos os aspectos. Sabes o que te digo? Relax. Eu tenho a sorte de nem ter um benuron em casa, nunca dei um supositório ou qualquer coisa do género às miudas. Sou do mais descontraído que existe (só comprei um termómetro já elas tinham tipo 4 meses, e nunca o usei, até porque comprei no lidl e aquilo diz os números em alemao e nunca consegui mudar a lingua). Identifico-me a 100% com todas voces, e com o blog, daí que tenha aceite logo a sugestão da tua mãe... Leio-vos todos os dias. Joaninha, relax. Estás a ir tão bem... Borrifa-te para as raízes e para as unhas o raio... acredita que a tua filha não se vai lembrar disso. O único conselho é: eficiência. Não percas tempo com quem nao merece, com assuntos que não interessam, com pessoas de quem não gostas, em situações que não te dão prazer, e vais ver que te vai sobrar tempo para fazeres o buço! Nem que seja com uma pinça em casa! Um beijinho.

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