quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Tive de disfarçar que estava a chorar.

Tive mesmo. Não queria mesmo que a Irene percebesse que a mãe estava a chorar porque iria entender mal a situação.

Estava a adormecê-la ontem, no registo dos miminhos que vos falei - tenho adorado (aqui) e, como queria ver se ela se começava a acalmar disse:

- A mãe está cansada, podes, por favor, tentar fazer ó-ó?

- A mãe está triste?

- Não, a mãe está sempre contente, sabes porquê?

- Porquê?

- Porque gosta muito muito de ti. 

Ela sorriu e abraçou-me com muita força ao mesmo tempo que fazia aquele barulho que fazemos quando apertamos alguém...

Tive de disfarçar, mas caíram-me lágrimas... ;) E sabem o melhor? Adormeceu. Virou-se de barriga para baixo, ainda mexeu um bocadinho as perninhas e isso, mas adormeceu.




Parece a gozar, mas não é...

Agora, o que é a gozar é que o diálogo tivesse sido exactamente assim. A versão verdadeira é esta:

- A mãe está cansada, podes, por favor, tentar fazer ó-ó?

- Tite, mamã!

- Não, a mãe está sempre contente, sabes porquê?

- Sim. 

- Porque gosta muito muito de ti. 

Ser mãe é estar apaixonada todos os dias.

6 comentários:

  1. As nossas filhas têm tiradas que nos deixam completamente abananadas, mesmo quando são tão pequeninas.
    É nessas alturas que tomo plena consciência que ser mãe é a coisa mais estranha e extraordinária do mundo (pelo menos para mim), quando um ser tão pequenino nos pode fazer sentir uma explosão de fogos de artíficio colorido de amor, em 2 segundos.
    Como sou um bocado parva e insegura, sempre achei que os bebés só nos abraçam e dão beijinhos quando querem alguma coisa, ou porque nós é que damos comida, tratamos da sobrevivência, etc. De alguma forma pensava sempre "será que a minha filha gosta mesmo de mim ou só precisa de mim? Será que acha que sou chata, ou ausente demais, ou pouco divertida?
    Depois começa a aparecer com tiradas que me deixam completamente à beira das lágrimas. E é nestas alturas que tenho que me controlar muito para não ficar cheia de vontade de ter um rancho de filhos.
    Um dos nossos momentos fofos: http://www.vinilepurpurina.com/2016/02/10/lara-1/

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  2. Sou adepta de deixar cair uma lágrima ou outra à frente das "nossas" crianças. É uma forma delas aprenderem que chorar também é saudável. :-)

    Belíssima partilha, como sempre!;-)

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  3. Por acaso também já chorei em frente à minha filha. Acho que não devemos esconder as emoções e sobretudo eles devem aprender que podem manifestar-se como quiserem e quando quiserem, sem guardar tudo para dentro.

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  4. O meu instinto foi não dar mais alarido e deixar seguir... não perturbar a beleza do momento ;) Quis que tudo seguisse normalmente... não sei explicar :P

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  5. Também já chorei em frente à minha filha mas ela fica com um ar tão confuso e apreensivo (e começa a fazer-me festinhas e a abraçar-me) que eu começo a chorar mais e a coisa fica descontrolada. Tento evitar também. Mas, depois dela nascer, fiquei especialmente sensível e chorona.

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  6. Enganou-me bem Joana :) a minha também vai fazer dois anos e só diz uns mã e pã e ão e eu ia a correr marcar terapia da fala para a miúda depois da primeira versão! chorar à frente dela não me atrevo porque quando faz disparates e eu pergunto "queres que a mãe chore?" ela diz que não e para imediatamente os disparates, coisa que me dá muito jeito ;)

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