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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Carabineiros, amizades de sempre e corações partidos.

Ontem eu e o meu melhor amigo falámos sobre o amor e as relações. Falámos sobre começos, desilusões, corações partidos. Não sei bem o que é isso de ter o coração partido. Ainda bem. Mas, tudo o que possa dizer aos meus amigos quando eles estão tristes, derrotados, o que seja, por razões amorosas que não funcionaram, vai ser sem experiência própria. Falo sempre hipoteticamente. Dou conselhos sem poder usar a frase "sei bem o que isso é". Tenho, sempre tive a sorte, de ser correspondida no amor, na paixão. Tirando quando tinha os meus 14 anos, quando a minha mãe usou a inesquecível frase "não é por morrer uma andorinha que acaba a primavera", depois de eu ter estado uma ou duas semanas a chorar muito, na cama, numas férias em que o "the one", mais velho, a quem apenas dei a mão mas achei que aquilo eram promessas de amor eterno, me ter "trocado" por uma moça mais velha (enchi páginas e páginas do meu diário à custa disto e achei que ia morrer). Falando em relações adultas e mais maduras, nunca soube o que era sofrer por amor, nunca me senti defraudada, nunca investi e não colhi (já fiz sofrer, infelizmente). Tive 3 relações sérias, duradouras e uma delas é a actual, que acredito ser para sempre (se não se acreditar, mais vale não se estar "nela", digo eu). Por isso, não sou certamente a melhor pessoa para avaliar o sofrimento alheio, para dar conselhos, para fazer sugestões. Acredito no amor. Mas acredito também que nem todas as pessoas têm as mesmas visões e ambições (de assentar e constituir família, por exemplo), as mesmas construções de relações, de futuro, as mesmas pressas, etc, etc. Nem todos sentimos da mesma forma. Nem todos sabemos bem o que queremos. Nem todos somos o mesmo sempre. Uns mudam, outros não mudam, com tudo o que isso tem de bom e de mau. Mas, de resto, sobre relações, pouco sei. Não tenho como ajudar a sarar corações partidos com palavras ou exemplos, mas sou boa a ouvir, a estar lá e a garantir que vou estar lá sempre. Espero que chegue. Acho que sim.

Fomos almoçar, beber um vinhito, desabafar e rir, o melhor remédio. Fomos até ao Pesqueiro 25, ali no Cais do Sodré (em frente ao Jamaica, na rua cor-de-rosa). Se querem comer bom marisco num ambiente bonito e descontraído é ali. Entre o prato de presunto cortado ali na sala, servido com um vinho seco, a sopa de lavagante com ovas (a delícia das delícias), as ameijôas e o carabineiro, a acompanhar com pãozinho torrado (que molhamos nos molhos, pois está claro) e com um vinho mais frutado, um Pintarola, lá íamos pondo a conversa em dia. Momentos raros, desde que tive a segunda filhota e viemos para Santarém. Raros mas muito, muito importantes. Já a modos que empurrámos o prego de atum, mas lá arranjámos espaço para as sobremesas (é incrível como arranjamos sempre espaço para as sobremesas...). Tudo excelente. Nota-se que gosto muito de comer? :)

São estes almoços que nos fazem perceber que a amizade é uma forma de amor incondicional. E é sempre tão bom, mas com um bom vinho é ainda melhor. Um brinde à nossa amizade, desde o 10º. ano (meu, que ele é um nadica mais novo), um brinde a nós, um brinde ao amor! <3











Antes que comecem a chover mensagens de pesar, o Renato está óptimo e recomenda-se, é só um daqueles amigos com quem dá para falar de tudo e o início do Outono acaba por puxar mais ao sentimento. :)

[já agora, vocês ouvem o Renato na Renascença de manhã? E já o viram na RTP2 ao domingo à noite a apresentar o Olhar a Moda? E já o seguem no instagram? Parece que este parágrafo foi encomendado por ele, mas juro que não. É mesmo aquele orgulho enorme de amiga/irmã.]

 
www.instagram.com/joanapaixaobras
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segunda-feira, 28 de agosto de 2017

As birras da Irene

A Irene faz birras. São sempre razoáveis. A Irene tem três anos. 
As birras da Irene são porque quer algo e não consegue ou não tem ou não dá. 
As birras da Irene são adoráveis porque é a maneira infantil e bonita que tem de dizer que quer muito, ao ponto de (ainda) não se conseguir controlar.
A Irene tem 3 anos, a Irene não se censura. 
Irene tem sono, a Irene tem vontade de comer, a Irene fica entediada, a Irene não compreende as razões dos adultos. 

A mãe vê, a mãe explica, a mãe abraça, a mãe ajuda. 
A Irene acalma, a Irene (às vezes) percebe, a Irene espera, a Irene consegue. 




A mãe da Irene faz birras. Raramente são razoáveis. A mãe da Irene tem 30 anos.
As birras da mãe da Irene são porque quer algo e não consegue ou não tem ou não dá.
As birras da mãe são totós porque é uma maneira infantil e impaciente que tem de dizer que quer muito algo e (ainda) não se saber controlar. 

A mãe da Irene tem 30 anos, a mãe da Irene (ainda) vai crescendo. 
A mãe acalma, a mãe percebe, a mãe espera, a mãe consegue. 

A Irene também é as birras. 
A mãe da Irene também. 

3 anos, 30. 

Reconhecer, compreender, aceitar ou mudar. 
Amar. 
Incondicionalmente.



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sexta-feira, 11 de agosto de 2017

A m o r

Mais uma semana de férias chegou hoje ao fim. Impossível não me relembrar aquele ano e meio - o primeiro ano e meio da Irene - que vivi só dela. É um privilégio poder aproveitá-la com tempo e observar o densenrolar dos seus raciocínios. Está a explicar-se cada vez melhor e já a deixar-me mais vezes sem resposta.

Momento impagável o de ontem quando, ainda bêbada de sono da sesta, abriu um olho e viu que eu estava ao seu lado. Sorriu derretida e voltou a adormecer.

Foram umas magníficas férias de família em que notei agora que tusso da mesma maneira que a minha mãe, que o mano e eu temos muito sentido de humor e que a Irene tem a vida toda pela frente para construir memórias.

Esta foto diz amor de mil maneiras e, no meio da família, estamos nós as duas. Esta equipa que se aperfeiçoa e cujo objectivo é ensinar a amar e a ser amado.

Missão comprida e vai ser cumprida. Em família.



Fato de banho mãe - Triumph
Fato de banho Irene - Tuc Tuc

terça-feira, 8 de agosto de 2017

"Tenho medo de não conseguir amar o segundo filho como amo este"

A frase não é minha, mas li por aí várias vezes escrita. Percebo-a. A primeira fase da gravidez da minha segunda filha foi vivida de uma forma tão pouco "dedicada", com tanto trabalho e cansaço, que chegava a ter receio de não vir a sentir o mesmo. Mas depois, pouco a pouco, fui-me apaixonando e aquele pequeno ser foi ganhando mais e mais espaço no meu coração. Quando nasceu, não tive qualquer dúvida. Que sentimento pleno, de pertença, que coisa arrebatadora! Depois do que me aconteceu no recobro, com operação de urgência e transfusões de sangue e todo aquele aparato e medo de morrer, que vos contei aqui, o amor pelas minhas filhas aumentou mais e mais (nunca achei ser possível sentir algo tão gigantesco), assim como o meu amor pela vida. Senti-me a ir e quando acordei, 6 horas depois, senti que me estava a ser dada uma segunda oportunidade. Chorei todas as lágrimas que tinha. Por não estar ao lado da minha cria, por não saber quanto tempo depois a ia ver e depois por ter medo do que me pudesse ainda acontecer e receio de demorar mais tempo a ir para casa, para a minha filha mais velha, de quem tinha muitas saudades. Accionei um modo qualquer de sobrevivência e, depois disso, não senti muito mais medo. Quis estar lá, bem e feliz, para as minhas filhas. Percebi, meses mais tarde, quando desatei a chorar quando me perguntaram pelo parto, que ainda havia algumas feridas por fechar. Agora que já não sinto mais nada de negativo em relação a esses dias, sinto que fechei esse capítulo, tanto é que fiquei meia triste (mas aliviada ah ah) quando fiz o teste de gravidez e tive a certeza de não estar grávida do terceiro. Agora só sinto amor. E cansaço (sim, porque ter dois filhos tem muito que se lhe diga).

E é sobre esse amor que vos quero falar. Ama-se o segundo filho tanto quanto se ama o primeiro. O amor não é mensurável, mas garanto-vos que o coração volta a bater com tanta força como com o primeiro filho. Que as lágrimas de emoção voltam a cair. Que a alegria de ver as pequenas conquistas deles é enorme. Que o desejo de os proteger de tudo chega a ser angustiante. Que o medo de não estar cá para os dois é gigante (mas mais vale nem pensar nisso). Que a vontade de lhes arrancar um pedaço das bochechas é praticamente incontrolável. Que o riso que nos sai, mal disfarçado, quando fazem asneiras é inevitável. Que as danças que fazemos juntas se prolongam cá dentro, mesmo quando a casa já está em silêncio.

Nada temam quanto a essa questão. Vão amar tanto o segundo filho quanto amam o primeiro. Podem amar diferente, apreciar coisas diferentes, aproveitar até melhor algumas coisas, por saberem que passa tão rápido, e pior outras, porque terão de repartir atenções. Mas esse sentimento inabalável de amor profundo, de amor que se sobrepõe a tudo, esse vai lá estar. Sempre.





Site aqui.
Podem ler também das nossas férias:
 
A mãe é que sabe VIAJAR: Azeitão e Arrábida


As férias na Fuzeta

Férias neste canto do algarve? Sim, sim sim

Quem está a trabalhar não devia abrir este post



 
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segunda-feira, 12 de junho de 2017

Carta ao meu namorado.

Estou de camisa de dormir, daquelas que comprei, grávida da Isabel, para levar para a maternidade. Estou com a azul clarinha, fresca, com botões até lá abaixo, uns números acima e conforto para dar e vender. E é incrível como me sinto sexy mesmo numa camisa de dormir que comprei grávida da Isabel para levar para a maternidade. Voltei a sentir-me confiante, segura, e o meu corpo voltou a pertencer-me, mesmo que diferente, mesmo que não o mesmo que conheceste em 2009. Elas estão a dormir as duas, tu estás longe e eu estou com o portátil no colo, dei de mamar nem há cinco minutos e já estava a ceder ao sono quando me apeteceu vir escrever-te. Dizer-te que, oito anos depois, duas filhas depois, estou como quando me conheceste, mas outra. Sinto-me uma miúda, pés descalços, corpo a pedir dança e cabelos desalinhados. Despenteados, para dizer a verdade. Cheia de vontade de me fazer à estrada no teu carro vermelho com lascas de tinta a sair, perdermo-nos com umas caipirinhas e a pedir pollo em vez de pulpo. Uma, duas, três vezes. Andar de mãos dadas, suadas do calor. Peles salgadas, tostadas e corações a palpitar muito. Aquele bikini preto que dizias que me ficava bem. Aquelas músicas que cantávamos nas viagens sem vergonha do ridículo. Aquelas idas ao cinema umas atrás das outras com uns hambúrgueres escondidos na mala. Como nunca viste o Laranja Mecânica?, perguntaste e mostraste-me esse e muitos outros. Fizemos colecções de clássicos e de Almodovares e de Allens. Ofereci-te uma viagem que era para a Tunísia mas acabámos nas Canárias. E fomos tão felizes em Veneza e em Florença. E nos nossos aniversários em degustações no Olivier na rua do Alecrim ou jantaradas naquela tasca maravilhosa em Caxias. Perdemo-nos em Londres e em Amesterdão (literalmente), descobrimos cidades e descobrimo-nos nelas. Dormimos sestas demoradas em longos domingos, chegámos a ir dormir para a banheira tal era o calor daquele T1 minúsculo num nono andar sem ar-condicionado e enroscámo-nos bem nas noites mais geladas. Comemos poeira em festivais de verão, dormimos em Ibis e em hotéis manhosos em Milão, perdemos carteiras em Tarifa. Trabalhámos juntos alguns anos e, quando nos diziam que trabalhar com namorados não resultava ou cansava ou sei lá mais o quê, mais gozo nos dava provar o contrário. Somos uma boa parelha - nem é preciso falar para sabermos o que o outro acha daquele corte na edição ou daquela escolha de música.

Começaste por dizer que me amavas, sem eu saber se algum dia te iria corresponder, quando o meu coração já era todo teu e eu nem adivinhava. Há coisas que têm mesmo de ser, há coisas que têm mesmo de acontecer. Nem um mês depois e já tinha a minha escova de dentes em tua casa, mal sabia eu que seria para a vida toda. Sei que é. Nós sabemos. Aquele bikini preto já não me deve ficar grande coisa, já não devemos voltar a pedir pollo em vez de pulpo, o carro vermelho a cair de podre já deve estar na sucata, mas nós somos os mesmos. Quando os nossos olhares se cruzam, mesmo que debaixo deles haja olheiras, mesmo que eles se tendam a fechar mais rapidamente, a luz é a mesma, ou maior ainda. Gosto daquilo em que te tornaste. Gostas da mãe em que me tornei, já mo disseste, todo orgulhoso. Já sabíamos o que trazíamos no coração, já sabíamos que éramos boa gente, mas vermo-nos a ser família, a ter provas para superar, fortaleceu tudo. Mais e mais e mais.

São oito anos - ou serão mais? Parecem mais ou foram muito intensos? Bons oito anos. Os melhores. Ao teu lado, os melhores.

Parabéns a nós. Por querermos dançar esta dança, mesmo que às vezes pisemos os pés um do outro, sem querer. Por mandarmos para trás das costas o que não é importante, por nos darmos, dedicarmos e cedermos, sem fazer jogos de força. Que sejamos sempre assim. Que consigamos sempre respirar fundo, relativizar e reencontrar o que nos juntou e o que continua a juntar. O nosso amor. Elas. E o nosso amor nelas.

Parabéns, amor.

Há 7 anos. Constato que somos como o vinho do Porto.

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terça-feira, 23 de maio de 2017

Sim, separei-me.

É verdade. 

Não sinto que tenha sido uma decisão, mas antes uma consequência inevitável. 

Aconteceu para que possamos os três sermos mais felizes em conjunto, mas separados. 

"Os pais são muito muito muito amigos, mas já não são namorados" - tenho esta pronta para quando as perguntas se tornarem mais difíceis. 

E somos. E vamos ser. 

Há um coração que bate por causa do brilho que tivemos nos nossos olhos um dia enquanto olhávamos um para o outro.

A nossa filha é a nossa vida. A nossa filha é o nosso bem mais precioso. 

Um bem, não de pertença, mas um bem de bondade, de pureza, de felicidade. 

Olhei para nós os três e quis ver-nos a todos mais felizes. Vamos ser. Estamos a ser. 

Merecemos todos que o nosso acordar e deitar sejam apenas pausas no melhor que podemos ter da vida e não que a vida seja uma espera por, um dia, algo ser menos imperfeito. 

Há imenso amor nesta família. Imenso. Continuará a haver e, agora, terá mais espaço e mais silêncio para ser visto e sentido com nitidez. Sem complicações quando tudo se tornar mais habitual, quando os medos desentupirem as gargantas. 

Nunca haverá ninguém que ame mais a nossa filha que eu e o pai.

Estamos unidos para sempre pelo amor, os três. 

"Os pais são muito muito muito amigos, mas já não são namorados". 

Quando há certezas, não há opções. 

Para mim, o amor vencerá sempre. 

E não há nenhum mais forte que este que eu e o pai da Irene conhecemos juntos, ao mesmo tempo: o incondicional. 

Fotografia por The Love Project da Joana Sepúlveda Bandeira


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sábado, 15 de abril de 2017

Nunca pensei que este dia chegasse. Its time!

Acho que é típico das mães. Ou, pelo menos, espero que sim. Parece que sabemos que "aquele dia" - seja "esse dia" o dia do desfralde, a entrada para a escola, a saída de casa... - vai chegar mas, no fundo, não o visualizamos, não sentimos na pele que vá acontecer. E ainda bem, que temos de viver mais no presente, mindfulness blá, blá!

Não consigo usar "muito" ou "demasiado" porque acho que o natural é as crianças serem apegadas às mães. Acho também que é natural que, aos poucos - cada família ao seu ritmo - que esse espectro se vá alargando à restante família, começando por aqueles que estão mais perto. 

Até recentemente, a Irene era muito mãe. "Más línguas" ou gente preocupada e bem intencionada diziam ser da "mama", houve quem dissesse que era porque eu tenho uma relação assim e assado com ela, houve quem... A verdade é que chegou a altura: a Irene começou a mostrar de forma muito mais intensa o amor que sente pelo pai. 

Se dantes, em casa, o "sargento" - como ele gostam de me chamar - era o topo da hierarquia para receber mimos e fazer tarefas (que é a Irene a designar "a mãe muda a fralda", "a mãe dá a sopa", "a mãe..."), agora o pai já não tem descanso. E estamos todos muito felizes com isso. 

A Irene tem mais um companheiro em tudo o que queira fazer e não há nada que me deixe mais comovida que vê-los juntos (a não ser, talvez, quando me chega uma encomenda da Zara). 

O pai brinca de outra maneira e ela já vê quais são as especialidades de cada um. 

Isto tem-me dado uma pica para ir reajustando a minha vida que nem vos conto. Compensa esperar pelos timings dela. Tudo a seu tempo. Agora que é mais pai, a mãe pode ser mais outras coisas ou até voltar a estudar - deixem-me ter este sonho até ver horários e propinas (até tenho medo de ir ver e de ficar triste). 


 


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segunda-feira, 10 de abril de 2017

Não deixem o amor morrer.

Já todos sabemos que não é um bebé que sustenta uma relação. Aquela máxima de "engravidar para segurar um homem" ou ter um filho para tentar salvar um casamento é crendice do passado. 

Neste momento, acho que já todos temos consciência de que a relação do dia-a-dia, o amor, a cumplicidade, a união na saúde e na doença, a noção do lado lunar do outro, o respeito e a empatia já têm de vir de muito antes. Se não vem - porque nunca antes havíamos sido confrontados com esse teste - tem de passar a haver. E a verdade é que um filho vem mudar muita coisa. Muda a casa, muda os horários, muda os estados de espírito, muda corações. E, ao mesmo tempo que os muda, acrescenta. E ao mesmo tempo que nos acrescenta uma força que não sabíamos que existia, acrescenta medos, acrescenta incertezas e traz ao de cima algumas das nossas maiores inseguranças e fragilidades. Perante o assoberbamento que é ter um filho a depender totalmente de nós, ficamos expostos. Totalmente nus.

Com o nascimento a paixão, como todas as outras, deixa-nos meio anestesiados no início e com borboletas na barriga. É uma explosão tão grande de emoções que choramos, rimos, ora estamos tranquilos e orgulhosos a olhar para aquele ser a dormir, tão perfeito, tão nosso, ora estamos em rebuliço a achar que não damos conta. E é na soma desses dias, em que começamos uma nova vida - todos -, em que nos vamos conhecendo e redescobrindo, em que vemos nascer e crescer uma criança, mas também dois pais, que o amor se sustenta.

Se não conseguirmos esperar que o outro se reencontre, se não conseguirmos colocarmo-nos no lugar do outro e perceber que há muito por curar, há um corte e um luto com o passado por fazer, há até memórias de infância que surgem, inesperadas, há um nós que às vezes não reconhecemos e que demora a reconstruir-se ou a aceitar-se, há sono, há cansaço e há - acima de tudo - mais uma pessoa na equação.

Nem tudo vai continuar a ser igual. Arrisco-me a dizer que nada vai continuar a ser igual. E se no meio desta mudança, a relação não sobreviver, então não é amor. Porque o amor é compreensão, é paciência, é abertura para tentarmos encaixar novas rotinas e novos "eu" na história. Amar é tentar, é dar uma nova oportunidade, sabendo esperar. O amor sobrevive a maus feitios, a zangas miúdas e a grandes, sobrevive a dias ou semanas com falta de sexo, a muito sono e a birras, de todos. Mas só sobrevive se for alimentado - mesmo com períodos de jejum-, só sobrevive se relativizarmos palavras afoitas ditas a meio de uma noite mal dormida, só sobrevive se dermos e recebermos e se tivermos noção de que amor não é só o prazer momentâneo e auto-satisfação. É abdicar também, é procurar também a felicidade do outro. Amar dá trabalho, ao mesmo tempo que não dá trabalho nenhum, porque, se de coração aberto, não custa nada.



Fotografia: Joana Paixão Brás



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terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Não preciso do Dia dos Namorados para nada.


Quem me vai lendo por aqui, sabe que mais lamechas e romântica dificilmente haverá no mundo. Choro com a morte de uma formiga e emociono-me com o arco-íris (ou com uma caixa de bolachas de chocolate). Gosto de (alguns livros do) Nicholas Sparks [vá lá, não retirem já o like da página, estou em confissão]. Sou toda do amor, da paixão, dos afectos. Mas sou também uma chata com isto das datas forçadas. É o carnaval semi-nu à chuva, é o dia das Carlas e o dia das Patrícias (como se isso não fosse só marketing para a partilha das páginas), é o dia das couves roxas, é o Dia dos Namorados. Sei que há uma história por detrás, sei vagamente quem era o S. Valentim, acho um bocado irritante a exploração comercial, os restaurantes cheios de casalinhos a comer o mesmo, e que se for preciso estão ao telemóvel a encher o instagram de corações e unicórnios, mas que mal trocam umas frases durante o jantar. 

Eu, uma romântica incorrigível, não preciso do Dia dos Namorados para nada. Celebre-se o amor hoje, mas celebre-se o amor todos os dias. E não é preciso ser num restaurante da moda, nem com um relógio da moda embrulhado num papel de seda. Umas torradas levadas à cama. Um "deixa lá que eu fico um bocadinho com os miúdos na sala para dormires duas horas" e depois ser acordada com abraços e beijos, ver um filme de mãos dadas já depois dos putos estarem a dormir, um bilhete querido, ou simplesmente um beijo dado no momento certo ou num qualquer outro momento (todos os momentos são certos). Não preciso do Dia dos Namorados para nada, porque todos os dias deveriam ser dias de amor, de paixão, de surpresa. Com as mais pequenas coisas, que nem físicas têm de ser.


Lembremo-nos disto mais vezes e não precisaremos do Dia dos Namorados para nada.


fotografia Weheartit
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terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Guarda o meu amor por ti

Quero que nunca te esqueças que foste a minha única escolha. A pessoa que escolhi para passar o resto da vida ao meu lado. Aconteça o que acontecer, venha quem vier, tu serás sempre a minha escolha. Quem se vai juntar a nós pode ser qualquer pessoa. Vamos ajudá-la a atingir o seu máximo potencial, vamos amá-la incondicionalmente, mas o meu amor maior serás sempre tu. Tenho medo do amor que estou prestes a conhecer. Esse amor que dizem ser mais que a vida, um amor animal, que vem das entranhas. Espero, sinceramente, que ele não me cegue em relação a ti. Tu que me deste a mão quando mais precisei, que me ouviste quando só conseguia soluçar, que me viste acabada de acordar sem qualquer beleza artificial, tu que já me viste do avesso. O meu coração nunca se vai esquecer de ti, mesmo que outra pessoa comece a ocupar o mesmo espaço que ocupas dentro dele. És, no meu mundo inteiro, a única pessoa que me vê realmente como sou, que acredita no que poderia ter sido e nunca tive coragem de ser, que vê sempre o melhor de mim em tudo, que me encoraja a ser o que conseguiria ser. Desculpa não acreditar tanto como tu. Desculpa fazer de conta que não te ouço porque tenho medo de perder o que já tenho. Mas ouço, meu amor. Ouço-te sempre e o meu coração concorda sempre contigo. Quando, um dia, me esquecer de dizer que gosto de ti, que te amo acima de tudo, que és o meu amor maior, por favor guarda estas palavras dentro de ti. Protege-as do mundo lá fora.


Fotografia Ties

Joana Diogo
A Joana escreve no O que vem à rede é peixe
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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

A minha família basta-me.

Desde que tenho bonecas que sinto apelo maternal. Sempre soube que queria ser mãe. Dava nome aos bonecos e brincava com eles com todos os passos supostos, era preciosista. Dormia com eles, dava-lhes banho, dava-lhes colo, levava aquilo muito a sério. Brinquei até tarde.

Na faculdade, já sentia o relógio biológico a fazer tic tac. Acabei por pôr a carreira à frente, depois quis aproveitar alguns anos de namoro, a dois, e o meu sonho cumpriu-se aos 27 anos. Depressa soube que queria ter mais filhos. Agora tenho duas e sinto-me realizada. Não sei se sempre será assim, se sentirei o apelo mais alguma fez (se sentiremos, deixem-me usar o plural), se fará sentido daqui a uns anos aumentar a família. Para já, não digo que sim nem que não. O mais provável é que não. A ser sim, só por descuido ou daqui a muitos anos.
Esta é a minha família. E ela basta-me. Ver a Luísa, cujo corpo é fogo de artifício e tambores assim que vê o pai, completamente apaixonada. Ver a Isabel a acordar e a perguntar se a mana já acordou. Ver-me a conseguir dar colo às duas, valham-me as minhas cruzes, e a tentar gerir tudo o melhor que sei, valha-me a minha sanidade e o meu coração.

Ainda não faço malabarismos arriscados, ainda não me sinto capaz de cuspir fogo enquanto faço um mortal encarpado, mas já consigo não chorar quando o número de circo não corre como sonhei. Já relativizo. Pus na cabeça que vai melhorar, que vai ser menos difícil, que as dinâmicas e as rotinas vão passar a fazer parte, de forma natural, das nossas vidas.

Ainda não arranjei grande solução para as crises da Isabel, naturais da idade e do impacto de ter um irmão a roubar-lhe algum protagonismo, nem sei bem ainda o que fazer quando está a chover e tenho de por as duas no carro sem que se molhem, e por aí fora. Mas, um dia, tudo se fará e não serão uns pingos de água que me vão amedrontar.

Por enquanto, gozo a Luísa ao máximo, aproveito esta fase maravilhosa da Isabel, que me faz soltar gargalhadas e conjugo tudo o melhor que consigo.

Amo esta minha família. Adoro ser mãe. E tenho a agradecer, todos os dias, este privilégio.



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quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Isto é possível na idade dela?

O pai e eu ficamos boquiabertos! Não estávamos nada à espera disto. Fomos passar um fim-de-semana prolongado há uns tempos a Santiago do Cacém à Quinta da Malmedra (muito giro para ir com mais casais e respectivos filhos) e a Irene ficou muito contente por ter tantos amigos com quem brincar, particularmente com o Ruben - ele que já tem fama de ser muito querido pelas crianças mais novas. 

Queria ir brincar com o Ruben, queria ir brincar com o Ruben e lá brincava. Não muito que o rapaz preferia mais ir brincar para a piscina e fazer bombas com os rapazes, mas a Irene já ficava encantada só de o ver a brincar e a saltar. 

No outro dia, meses e meses depois (ela conheceu o Ruben em Julho), voltou a falar-me do Ruben e, durante uma sesta dela, pedi ao Frederico para pedir ao pai do Ruben para gravar um video para a Irene. Gravou.

E aconteceu a coisa mais querida de sempre. 

Assim que ela percebeu que era o Ruben, atirou-se para cima do sofá e escondeu a cara. Depois, quando o vídeo acabava, olhava para nós a sorrir e dizia "é o Ruben!". 

"Olá Irene, ouvi dizer que tens andado a falar muito de mim. Também tenho saudades tuas. Temos que nos ver em breve. Beijinhos". 

Esconde-se sempre. Põe as mãos à frente da cara e dá gritinhos à miúda. Continua a dizer que é o Ruben e sempre que dá play volta a esconder-se. Meia hora depois, a meio de uma brincadeira, diz Ruben.

A minha filha de 2 anos e meio está apaixonada. 

Que coisa mais deliciosa. 

Não há emoção mais pura que esta e, ainda para mais, nesta idade. 

Vimos a Irene a apaixonar-se pela primeira vez... 

Fotografia por Inês Ferraz - Yellow Savages (site aqui)
Macacão - Little Jack Baby Clothes
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segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Ensinou-me o amor.

Hoje a mulher que me ensinou o amor faz anos. Aquela que me mostrou o que é ser mãe, por palavras mas essencialmente pelos abraços, pelo colo e pelos beijos. Aquela que, contrariamente ao que alegavam na altura ser o melhor, me amamentou até eu não querer mais. Aquela que me deixou dormir na cama dela. Aquela que me deu um irmão, para que eu soubesse o que era ter um companheiro para a vida. Aquela que nunca me deixou acreditar em impossíveis. Aquela que me ensinou que era importante cuidarmos de nós, mas que tantas vezes abdicou dela por nós. Aquela que me mostrou que não temos de ser perfeitas para sermos inteiras. Aquela que me manteve debaixo da asa, me deixou partir, e me (nos) voltou a receber quando mais precisei. Aquela que tem no rosto rugas de tanto rir, de chorar, de ir à luta, de vencer... se ela ao menos soubesse o quão bonita é... 
Aquela que está lá. Hoje e amanhã e sempre. 


Amo-te, mãe. 
[Não te comprei nenhuma prenda (ainda) mas espero que tenhas gostado de acordar com a Isabelinha a cantar-te os parabéns com um scone como bolo de anos. Sei também que o que mais desejas neste dia é ter-nos por perto.]

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quarta-feira, 3 de agosto de 2016

É para isso que cá estamos.

Foi o que senti. "É para isto que cá estou.". Assim, sim. Agora percebo - claro que já tinha percebido antes, noutras vezes semelhantes, mas o meu feeling foi como se só naquele momento me tivesse encaixado qualquer coisa.

Estávamos na garagem do nosso prédio e um vizinho nosso tem um carro muito bom (não sei se é Ferrari ou Lamborghini ou o que é). A Irene gosta muito do carro por ser vermelho e foi ter com o senhor que estava acompanhado da mulher e do filho também pequeno.

Não sei porque raio o senhor fez o que fez, mas ligou o carro e o carro fez um barulho enorme que, ainda para mais, ecoou em toda a garagem. A Irene é particularmente sensível a barulhos muito altos, pelo que foi uma infeliz coincidência. Ela que estava próxima do carro, desapareceu do meu alcance visual, mas consigo ouvir os sapatinhos dela a bater no cimento. 


Toc. Toc. Toc. Toc. Toc. 


Aí está ela. Vem a correr na minha direcção. Abri os braços, agachei-me e saltou-me para o colo. Saltou-me para o colo e abraçou-me à séria. Abraçou mesmo o meu pescoço com muita força e encostou a cabeça dela ao meu ombro esquerdo.

Nem me enervei com o que aconteceu (era desnecessário ligar o carro com a miúda lá ao pé, sabendo que ia fazer aquele barulho todo, digo eu). 

Expliquei à minha filha que foi um susto, que era só um barulho alto, como quando o avô se assoa ou quando o pai passa a sopa e afins. Ela disse "a Irene é forte, não tem medo" - com os olhos com lágrimas que quase quiseram sair, mas que encontraram a mãe a tempo. 

Os meus abraços são teus, filha. 

É para isto que cá estamos.