quarta-feira, 1 de julho de 2015

Qual o mal de sermos as melhores amigas dos filhos?

Já ouvi muitas vezes mães dizerem que não querem ser as melhores amigas das filhas. E sempre me perguntei que mal teria isso. É aquela velha história da autoridade, de estar acima, de não dar muita confiança, senão eles são uns abusadores e uns ditadores?

Tenho orgulho em poder dizer que a minha mãe é a minha melhor amiga. Que sempre confiei nela, que sempre me senti à vontade para falar com ela sobre tudo, que foi a primeira pessoa a quem me dirigi quando precisava de ajuda, de desabafar, de chorar lágrimas de amores da juventude (recordo-me da célebre frase "não é por morrer uma andorinha que acaba a Primavera"). Com ela já tive ataques de riso de nos mandarmos para o chão, sem força nas pernas, até às lágrimas. Já ficámos longos minutos à conversa na casa de banho e até já comparámos as peles ao espelho, eu com borbulhas, ela com rugas. Já lhe dei muito colo, já lhe dei conselhos também,  já  tivemos milhares de  trocas de olhares cúmplices. Já discutimos. Sempre nos respeitámos como indivíduos e não me lembro dela me ter dito "quem é que pensas que sou? Não sou a tua amiga, sou a tua MÃE!". 

Não percebo porque se tem de separar uma coisa da outra. Se se for estabelecendo uma relação cúmplice, de confiança, de amor, não tem de haver essa cisão. Podemos levar os nossos filhos a serem os nossos melhores amigos, respeitando-nos, sem ter de haver essa muralha intransponível.

Eu quero que a minha filha veja em mim a melhor amiga. Amiga das brincadeiras, dos abraços, das risadas, e também a amiga que chama a atenção, que pede, que exige, que a leva a ser cooperante, generosa, sem ter de gritar aos sete ventos que "Quem manda aqui sou eu!".

E depois, as minhas relações de amizade não são só sorrisinhos. Não nos estamos sempre a elogiar. Não somos só amigos das farras, da parte boa da vida. Também damos conselhos, também damos na cabeça, também pedimos ajuda. 

Por tudo isto, essa velha máxima não entra lá em casa.


3 comentários:

  1. Totalmente de acordo contigo. Tal como digo muitas e muitas vezes, a minha mãe é o meu maior e melhor amor. É e sempre será a minha melhor amiga e talvez a pessoa mais importante da minha vida. Rimos muito, desabafamos, tudo. Quem diz isso, claramente está a perder muito! Beijinhos

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  2. Revejo-me tanto nesse texto! E posso dizer que vejo na minha mãe uma melhor amiga, sem dúvida nenhuma!

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  3. Eu acho que não é para eternizar a autoridade de umas e a submissão de outras mas antes para significar que cada relação tem a sua dinâmica e que são necessariamente diferentes as relações que temos com a nossa mãe (por muito amigas e cúmplices que sejam) das que temos com as nossas amigas, que têm a mesma idade e partilham os mesmos dramas, problemas, experiências, alegrias ao mesmo tempo, com o mesmo grau de maturidade. Não significando que um tipo de relação é melhor que o outro. E não significando que é pervertido ser-se amiga da mãe ou confiar nela como nas amigas. Simplesmente são relações diferentes e arrumam-se em "categorias" diferentes. Portanto, respondendo à pergunta do título, não tem mal nenhum, e seremos todas as melhores amigas dos nossos filhos no sentido em que estaremos sempre lá para eles com todas as ganas. Mas isso é muito mais do que uma mera amizade... É ser-se mãe. ;)

    www.adoscoelhos.wordpress.com

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