segunda-feira, 4 de abril de 2016

Foi hoje.

Aos pouquinhos o meu coração ia (achava eu) ficando preparado para este dia. A Irene começou a falar muito cedo (pelo menos é o que diz toda a gente que a ouve, mas sei que não há datas certas para os desenvolvimentos deles, em contrapartida só ontem começou a ponderar aprender subir para o sofá - brincadeira) e, aos poucos, lá anda a fazer frases mais complexas. Derreto-me toda a ver o cérebro dela a trabalhar e a conjugar alguns verbos pela primeiríssima vez.

Desde o "tenho frio" que aconteceu numa noite há alguns meses e que me deixou muito descansada (finalmente) em relação à temperatura, agora foi este diálogo que me espetou uma faca de pão no coração:

- A mãe volta? - isto enquanto hoje de manhã me via a preparar-me para sair.

- Claro que volta, bebé. Volta todos os dias e dá muitos muitos? Beijinhos! - uma "lenga-lenga" nossa para, no meu regresso ao trabalho, a ajudar a desdramatizar a coisa.  

- Não. "A mãe volta", não! - Zangada e a olhar para baixo.

- A mãe tem de ir trabalhar para ganhar dinheirinho para fazer compras. - outra parte da "lenga-lenga". 

- Não! Dinheirinho e compras não! 

- Ó meu amor, então? O que queres?

- Mãe fica em casa! Mãe fica em casa! 


Seguiu-se um silêncio grande em que... ouvi aquelas palavras que nunca quis ouvir. Com as birras conseguimos desculpar (passado uns largos tempos de virmos trabalhar) com "ah, já lhe passa" (apesar de doer sempre um bocadinho). Com estas palavras, foi como se me tivesse esquecido durante todo este tempo que ela era uma pessoa. A Irene quer que a mãe fique em casa, mas a mãe tem de ir trabalhar para ganhar dinheirinho para fazer compras. A mãe gosta de ir trabalhar, gosta mais da Irene, mas o "precisar de dinheirinho" é aqui mais importante para a Irene ter coisinhas para comer e brincar. 

Tenho o coração muito pequenino hoje. Ainda por cima a uma segunda. Sacana da miúda. Amo-a com tudo o que tenho. 


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 E a mim também;) @JoanaGama

10 comentários:

  1. Pois...
    A minha agora grande parte dos dias diz que não quer ir para a escolinha, quer ficar em casa com o pai e mãe.

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  2. Conheço o cenário!
    Todos os dias é a mesma coisa! Beicinho e "quero ficar em casa com a mãe a ver zazimados!"
    E eu todos os dias a inventar formas de tornar a saída de casa uma coisa alegre e sem dramas. Hoje foi: "Olha que bom, está a chover e assim vamos poder por as botas amarelas e levar o chapéu de chuva dos minions....
    Haja imaginação porque a "culpa" é horrível!

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  3. Hoje, após um acordar demoradooooo, também me disse o mesmo. Mãe não vais trabalhar e eu não vou para a escola, ficamos em casa as duas! :( E que vontade eu tive de dizer que sim :(

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  4. Até a mim me partiu o coração!!! A minha filha também pede para ficarmos em casa "juntinhas só as duas"... derreto.me toda.. mas temos q viver no mundo real infelizmente.. beijinhos, e sossegue o seu coração Joana! Ela está bem! ��

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  5. A minha, também com 2 anos (feitos em Janeiro), diz isso tanta vez e, apesar de ficar com os meus pais, venho trabalhar sempre com vontade de regressar a casa para estar com ela... Vida de mãe é muito difícil!...
    Adoro o seu blog e vou voltar, como tenho voltado nos últimos tempos, mas sem deixar marcas... Identifiquei-me aqui com este post, mais particularmente...

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  6. A minha diz-me quase todos os dias "mãe, fica comigo" com olhos d cachorrinho abandonado. :( breaks my heart everytime.

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  7. Um dia no jardim escola o meu mais velho na altura com 3 anos agarrou-se às minhas pernas a gritar " não me deixes " saí de lá a chorar baba e ranho, mais tarde liguei para saber como estava e a resposta foi" calou-se assim que virou costas" raio dos miúdos que adoram torturar as mães ;) beijinhos e força

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  8. Já vivi esse cenário,e é desolador..pior logo a seguir à história,"ganhar dinheirinho para as compras e brinquedos" seguiu-se com um,"não preciso de nada, não quero mais brinquedos, quero que fiques aqui" sei perfeitamente qual a sensação!! temos que nos aguentar! bjs

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  9. Já vivi esse cenário e é desolador! Pior, logo de seguida á história do dinheirinho para as compras e tudo o que precisa, segue-se um, "Não preciso de nada! não quero mais brinquedos nada! quero-te aqui comigo"...e pronto lá venho eu trabalhar de lágrima no olho! bjs

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