sábado, 9 de abril de 2016

Zero que ver com maternidade.

Olhem, fiquei espantada comigo própria. Até diria chocada. Aliás, vou dizer: chocada! 

Nunca me considerei uma pessoa muito ciumenta, sou apenas muito rígida nalgumas das minhas opiniões - demoro mais tempo a ouvir e a considerar mas, quando mudo de opinião, não tenho vergonha de dizer. 

Neste assunto, porém, ainda não consigo ser muito flexível: quando toda a gente sabe que existem regras e decidem não as cumprir, não podemos agir como se tal fosse normal.



Vou ser mais directa: ciúmes, ex-namoradas, etc. 

Quando uma ex-namorada entra em contacto com o ex-respectivo, sendo que este está numa nova relação e não existe nenhum motivo para manter contacto, é porque está a pedir estrilhinho. Se não estiver, pelo menos estará a fazê-lo sabendo que corre esse risco. Não me venham dizer que há mulheres que falam com ex-namorados (fora situações excepcionais em que são todos amigos, etc) e que não têm ideia de que tal possa vir a causar alguma coisa. É sempre uma escolha. E quando escolhem estar-se a borrifar, fico cheia de calores. Não é pelos ciúmes, é porque sinto falta de respeito. Acho que não devíamos ser porcalhotas umas para as outras e devíamos facilitar a vida de todos. Ninguém gosta que as ex se metam ao barulho, para quê fazer aos outros... blá, blá.

Acreditem que não tem (tenho mesmo quase a certeza que não) que ver com insegurança. É só porque sinto que há má vontade e desconsideração. Não por mim em concreto porque, em princípio, não serei conhecida da fêmea anterior, mas pelo meu género, por nós próprias.

Não vivo naquele mundo perfeito em que todos devamos e possamos ser amigos uns dos outros.

Aliás, não imagino motivo algum pelo qual deva manter na minha vida uma pessoa com a qual a única ligação que tenho a priori é saber mais coisas que eu sobre a pessoa de quem gosto. 

Não deu? Siga. Todos. 

É esta a minha perspectiva, mas tal só é possível se toda a gente ficar muito bem resolvida e conversada e tal depende muito da maturidade de cada um. 

Posto isto, sempre que vinha à baila alguma coisa que pudesse não ter que ver comigo tipo: 

A - Já viemos almoçar aqui.
B - Nope.
A - Não te lembras? 
B - Não foi comigo.


C - Vimos este filme e gostaste muito.
D - Nope.
C - Vimos, vimos, no El Corte Inglés.
D - Nunca fui ao El Corte Inglés na vida.


Nestes casos, eu não conseguia ficar calada e ia até à ultima das consequências para saber quem onde porquê e quanto (ahah brincadeira). 

Agora já me estou a borrifar. Quatro anos depois ou lá o que é, nem é pela maturidade da relação, creio ser pela minha. 

No entanto, não estava à espera desta.

Fomos ao hipermercado no outro dia e, quando estava a escolher o meu champô, ele disse: "compra este, adoro o cheiro, é dos melhores e cheira mesmo quando o cabelo está seco, é o meu preferido.".

Eu pensei: "olha que fofo, ele a escolher o meu champô, vou levar este para ele ficar contente". 

E fomos para as fraldas. De repente saiu-me "eish, nem te perguntei quem usava o champô!". E a verdade era essa. Já não importa. Quero lá saber qual das outras usava que champô, o meu marido gosta daquele cheiro, não me importo de usar. Passa a ser o champô da esposa. F*ck you b*tches - sim, aquela maturidade de que falei haha.

Estou orgulhosa de mim. Não que tenha feito algum esforço neste sentido, mas chegar a este patamar é mesmo sinónimo de quem está bem com a vida. Eu estou e até uso o champô dela, seja ela qual for ou quem for.

Agora... não escrevi a marca do champô não vá a moça ler isto e ficar contente. 

Estamos bem, mas não estamos parvas ;)



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E a mim também ;) @JoanaGama

10 comentários:

  1. Joana Gama admito que não não sou tua fã, identifico me muito mais com a JPB em vários sentidos e torço sempre o nariz a quase todos os teus textos, não me identifico nada. Mas cá acompanho e leio tudo de uma e de outra. Gosto do blog. E hoje e a comentar pela primeira vez, identifico me com este texto. Completamente. Por aqui passa se o mesmo. Vamos fazer 5 anos de relação e temos uma bebé de 19M e é mesmo isso, "já não importa" também atingi esse patamar. Se fosse noutro tempo tanbem emiuçava tudo.

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  2. Pois.
    Acho que já estou nessa fase à largos anos... Por falta de paciência mesmo.
    Já fui muitoooo ciumenta mas, se não vir motivos chocantes para isso, já não faço estrilho nenhum. Com nada.
    A última vez que fiquei com umas "comichões maiores" foi quando uma amiga dele começou a querer beber café para se queixar do marido e de como a relação andava mal e andava a modos de dar umas escapadelas.
    Como o meu namorado me tinha dito que já havia achado alguma piada à senhora comecei a barafustar quando ela telefonava todos os dias.
    De resto não me incomodo se ele falar com ex namoradas (esporadicamente claro está) porque eu também falo com ex namorados. E ele sabe. Não vejo mal nisso.
    No outro dia encontrei um e estava com a minha filha. Não o via há muitos anos e fiz questão de lhe apresentar a minha filha e falar um bocadinho com ele. Foi uma pessoa importante na minha vida, é alguém por quem tenho admiração e consideração e não vejo mal em falarmos de vez em quando.
    Da mesma forma, encontrámos uma ex namorada do meu namorado (aquela que antes de nós era a tal) e adorei conhece-la. Pareceu-me uma pessoa fantástica. E é isso.

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  3. Errrr... eu sou amiga da ex do meu marido. Eu namorei com ele, acabámos, ela namorou com ele, eles a acabaram, eu e ele voltámos, eu conheci-a, ficámos amigas, ela foi ao nosso casamento. Às vezes eles bebem cafés sem mim, outras vezes sou eu que saio com ela. Zero problemas. Zero ciúmes. Zero tudo. E é tão bom!!

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    1. Ou não!!! Credo!!!! De vez em quando ainda vos juntais os três, não? Que lindo.

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    2. Eu acredito muito nisso, embora saiba que é raro. Faz-me até alguma confusão que alguns ex casais deixem de se falar. Se passas tanto tempo com uma pessoa e gostas dela, quando acaba o amor é natural que fique a amizade e mesmo algum afeto. Sem qualquer perigo. Também digo isto porque acho que era incapaz de voltar a andar com um ex namorado. Se não deu certo, dou as coisas por terminadas por ali, e não voltaria a tentar. E penso sempre que os outros também são assim.

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    3. Ó anónimo/a, cresça, sim? Nem toda a gente se dá mal, sabe? Se somos todos crescidos, se confiamos uns nos outros, qual é o problema? Neste caso, é tudo pacífico. Acontece, inclusive, ser eu a mandá-los beberem um café para porem a conversa em dia. Sem stress absolutamente nenhum. Confio nele, confio nela. E gosto dela, imagine-se.

      Além disto, ter ciúmes é uma coisa que dá muito trabalho e eu não tenho vida para isso. Nunca fui assim, cada vez sou menos. Se calhar é por ser assim que, a caminho dos 38 anos, não tenho um único cabelo branco. Não gasto energias a fazer filmes que só existiriam na minha cabeça.

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  4. Lá por gostar do cheiro não quer dizer que tenha algo a ver com a ex.. Pode ser só o cheiro e nada mais!
    Por outro lado, eu também já passei essa fase de ter ciúmes de tudo e mais alguma coisa mas não sei até que ponto comprava esse shampoo. No fundo podia pensar que "ok, é só o cheiro, sem stress e nem faço mais perguntas" mas daí até aceder a comprá-lo não sei até que ponto o fazia :p

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  5. Vou por em anónimo porque coiso.
    Revejo me muito nisto.
    Ate porque quando engravidei do meu primeiro filho, a ex, entre varias coisas antipaticas mas toleraveis relativamente a mim, desejou, e expressou ao meu marido, que eu perdesse o bebé. Fica dificil tolerar, né? Volta e meia ainda lhe manda umas coisas a dizer que esta muito feliz por ele. Nunca tive ciumes, apenas medo, pois uma pessoa desiquilibrada é capaz de muita coisa. Mas adiante. 10 anos de casado, mais 3 de namoro, 3 filhos e o quarto a caminho... Tal como me diziam as minhas amigas, tenho mais com que me preocupar :)

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  6. eu costumo dizer que não há amigos que foram ex-namorados. há ex-namorados e pronto, é uma categoria à parte.
    dito isto, acho parvo que o marido venha com esse tipo de conversas. Claro que falar de um restaurante onde não foram juntos pode ser um equívoco. Agora, sugerir um champô com detalhes na justificação... é estar mesmo a pedi-las. Gabo-te a maturidade e o "já teres passado de nível", mas admitia isso para um caso como o do restaurante e não te recriminava se, neste caso, esmiuçasses o porquê de tão entusiasmada sugestão.

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