terça-feira, 10 de novembro de 2015

Reparei nos olhos dela.

Já voltei a trabalhar depois de 19 meses em casa com a Irene.

Ontem, quando fui ao bar da minha empresa, encontrei uma colega minha que foi mãe há um mês e meio. Revi-me nela. Vi nela aquele olhar perdido e desorientado. Decidi dar-lhe mais atenção que um olá. Afinal "ela é uma de nós".



Perguntei como é que ela estava, ela disse que muito feliz mas atrapalhada porque não conseguia parar de fazer chorar o miúdo, que ele "sofria muito da barriga". E que dá colo, imenso colo, mas que pessoas lhe dizem para ela não fazer e ela tem medo de estar errada.

Pensei: "vamos a isto, ninguém merece sofrer assim". Disse aquilo tudo que já li e compreendi e que, acima de tudo, está no livro da Constança Ferreira que é um óptimo resumo e imprescindível para quem esteja agora a iniciar-se disto da maternidade:

"

Só tu sabes amar bem o teu filho. 

O quer que se meta entre ti e a tua maneira de manifestar amor por ele está errado. 

Tu sentes o que ele precisa. 

Estão ligados e estarão para sempre. 

É aflitivo que ele chore com cólicas, mas é natural. 

Muito mimo, muita maminha.

Ele precisa de ti. 

A maior parte das vezes nem são cólicas, é o desconforto compreensível de um recém nascido que, durante os primeiros três meses, ainda deveria estar dentro da barriga da mãe. 

Choram muito, engolem muito ar, ficam com ar na barriga e, ao final do dia, com o cansaço acumulado (de ambas as partes) e de muita estimulação, é a maneira que ele tem de exigir a tua presença, ele precisa de ti.

Toma banho na banheira com ele.

Dá-lhe maminha com os dois mais despidos, sem horas.

Usa-o para te acalmares e não vejas só como se tivesses que o acalmar. Sente-o. É o teu filho. 

Tudo o que parece horrível agora vai desaparecer. Outras vão parecer que desapareceram. E o bom, com o tempo, será cada vez mais forte. Agora estás perdida, mas não estás. Tens só medo. 

Ele que ande sempre pertinho de ti. A sentir o teu cheiro e calor.

Um bebé precisa de amor. E uma mãe também. 

Ouve-o. Sente-o.

Ninguém sabe melhor que tu o que ele precisa e só tu o poderás dar tão bem. 

"




Não fui tão inspiradora quando disse, mas fez a diferença. Ela ficou mais aliviada e trocamos mensagens e, com todo o prazer, estarei cá para o que ela precisar e mandarei os meus bitaites não porque "acho que sei", mas porque SEI o que ELA precisa. É o mesmo que todas precisámos.

Nunca a frase "temos de ser umas para as outras" me fez tanto sentido.

Ter ajudado um bocadinho esta minha colega, fez-me sentir como se me tivesse abraçado quando precisei desta conversa, que alguém mo dissesse. E é isto que sinto sempre que escrevo coisas que vos tocam, que vos ajudam de alguma maneira.

Há um ano que sinto este amor por vocês, mães. Por nós, mães.

7 comentários:

  1. Tão pequenino e já a trabalhar...
    Deve sentir se mesmo perdida e com a cabeça a mil.
    Ainda bem que se cruzou contigo!
    Bjs

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  2. Joana, na minha humilde opinião, disseste á tua colega as palavras que precisavas de ter ouvido de pessoas com quem contavas, as palavras que acalmam, que são cheias de sabedoria, amor e sem uma ponta de julgamento. És uma mãe e pêras que nos inspira a todas, mães e "projectos" de mãe .

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  3. Palavras abençoadas para uma recém-mamã...
    Precisei dessas palavras todas e não as tive! Também sou honesta, não procurei devidamente! Apesar do meu filho ter sido "fácil", tive momentos de total desespero! Não sabia o que fazer, nem como reagir, mas o instinto acaba sempre por nos ensinar a ser Mães (e boas, por sinal!).
    Onde andavam vocês quando nasceu o meu filho?...
    Uma das coisas que necessitava que me tivessem dito: "Amamentar vai ser um desafio, por vezes fácil, outros nem tanto, mas se puderes, é essencial!" - Nunca mo disseram, pelo contrário, tive mulheres que me disseram que, como tinha o peito pequenino, não iria conseguir amamentar...Nunca mais me esqueci do que lhe respondi: "Então veja lá, se o seu filho tiver a pilinha pequenina também não vai poder ter filhos!"
    Isto tudo para dizer que as mulheres devem-se informar o mais possível para se prepararem para o que aí vem, apesar de os nossos instintos não falharem, o fator surpresa acaba por nos tirar muitas noites de sono!
    Ah, e apesar de ter sido uma difícil adaptação, sim, amamentei durante 1 ano! E foi o melhor ano que o meu filho podia ter tido!
    A.

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  4. O apoio entre mulheres é fundamental :) De louvar a sua atitude, ouvimos tanta coisa e a insegurança apodera-se de nós (até nos segundos (ou mais) filhos). É bom ouvir palavras de conforto e encorajamento.

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  5. Sim , temos mesmo que ser umas para as outras , é importante apoiarmo-nos mutuamente .

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  6. Sou mãe há mês e meio também. Pela segunda vez mas parece a primeira pois a Carolina tem trazido mais desafios e a idade faz com que esteja mais alerta, mais consciente e por isso mais preocupada também. E para ajudar à festa toda a gente parece saber mais de criar a minha filha que eu. Porque a pego demais, se ela acalma ao colinho, se sem ele chora até perder o ar (sim avós, se cá estivessem à noite veriam que não a posso deixa reclamar, porque ela não reclama, ela grita até perder o ar.) Se ela precisa de mim porque lhe hei-de ensinar o abandono em vez do amor?
    Porque me fazem sentir lunática quando o explico?
    Ajuda precisa-se. E ajudar não é criar mais inseguranças.
    Obrigada Joana.
    Beijinhos

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    1. É mesmo assim. A minha princesinha tem 2 meses e meio e a coisa que mais irrita acima de tudo neste momento é que parece que de repente toda a gente acha que tem um doutoramento em educação/saúde infantil. Irrita-me ainda mais quando digo que foi assim que a pediatra me ensinou e me dizem que os médicos não sabem nada e que ainda andavam eles de fraldas e já se fazia assim e assado. A filha é MINHA e eu é que sei como quero fazer as coisas e quem ou o que quero ouvir. As pessoas esquecem-se que os bebés são seres humanos por isso cada caso é um caso. Não há forma correcta ou errada de os educar desde que envolvamos os valores essenciais, temos que nos adaptar a eles e ver o que funciona melhor, porque o meu bebé não tem a mesma personalidade que o bebé do vizinho e vice-versa.
      Desculpa o desbafo! Só queria que soubesses que partilho a mesma situação que tu. um beijinho grande, muita força e,acima de tudo, muita paciência.

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