segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Primeiro dia de creche e as dores de uma mãe

Hoje foi o primeiro dia de escola da Luísa e o primeiro dia na escola nova para a Isabel.

Ontem à noite estava bem. Consegui não sofrer por antecipação. Hoje de manhã a angústia começou a vir, devagarinho, mas fui engolindo em seco. A Isabel estava entusiasmada com a ida para a escola nova, foi o que nos pareceu. Acordámos, eu e o David, um bocadinho mais cedo, tomámos o pequeno-almoço, banho, preparar o pequeno-almoço da Isabel e elas foram acordando. Fizemos tudo com calma, sem pressas. Tínhamos de lá estar até às 9h30 e assim foi. Assim que lá chegámos a Isabel não quis entrar na escola. E assim começou o que viriam a ser longos 15 minutos de angústia. Quis deixar primeiro a Isabel, mas assim que viu a sala e a educadora, começou a chorar. Ok, vamos levar primeiro a Luísa, pelo caminho fomos falando, de forma calma, sobre tudo o que ia acontecer e fomos mostrar-lhe o espaço exterior, os escorregas e tudo o que a pudesse fazer sorrir. Ao irmos deixar a Luísa, uma miúda não quis deixar a Isabel brincar com qualquer coisa e esta ficou pior que estragada. Deixámos a Luísa, sem grandes problemas. Ao descer as escadas, a Isabel disse-me que estava a ouvir a Luísa a chorar e o pai confirmou-me com o olhar. Não tive a certeza. Preferi ignorar com a cabeça, para ver se o coração desacelerava. Lá deixámos a Isabelinha, entrei na sala, tentei brincar um bocadinho com ela, mas nada lhe estava a conseguir tirar a tristeza. Só queria estar agarrada a mim. Disse-lhe com doçura mas com firmeza: "a mãe vem buscar-te a seguir ao lanche, amor. Até logo. Diverte-te e brinca muito". Saí. Saímos.

Custa, caraças. Custa muito. Vai custar menos, mas enquanto custar, custa. Aquele choro fica a ecoar dentro da nossa cabeça e sentimos as reverberações no nosso peito. Ficamos a pensar se terá ficado muito tempo a chorar ou se terá passado. E a Luísa? Terá comido? Como foi para adormecer, sem a maminha? Terá chorado muito?

Espero que deixe de custar já hoje, já amanhã, na próxima semana, mas o mais provável é que se prolongue mais umas semanas... Vai deixar de custar quando vir nelas sorrisos rasgados, quando quiserem ficar lá mais tempo, quando perceber que estão bem, que estão a ser bem cuidadas, mimadas e a fazer amigos. 

Tinha mesmo de ser? Perguntei-me - perguntei-nos - várias vezes. Sim, tinha. É preciso equilibrar o orçamento familiar, concentrar-me e trabalhar mais. Precisava de ter uma hora só para mim (voltei ao ginásio, ao Scape) [ok, é um luxo, é um extra, é um bónus, percebo que muitas preferissem ter mais tempo para os filhos, mas para a minha saúde mental - e física - estava a fazer-me muita falta]. Uma hora para compras, limpezas, arrumações. Deixar o jantar já pronto. E mais três horas em que consigo trabalhar de forma fluída e sem interrupções. Depois, é ir buscá-las às 15h30, já com tudo pronto e disponível, de colo e de alma, toda delas. Por inteiro. 

A seguir à escola, vamos ao parque, pelo menos nos dias sem chuva, e depois voltamos a casa para continuarmos a brincar, a dançar, a fazer cócegas. Banhos, jantar, história e cama. Vai ser esta a nossa rotina a partir de agora. 

Já não estava a conseguir dar o melhor de mim em nada. Nem conseguia escrever em condições, nem pensar em novos projectos, nem conseguia dar-lhes a atenção de que elas tanto precisam, nem dava conta da casa. Agora, com muita organização, vou conseguir ser tudo o que quero ser.

Tenho receios? Tenho. Tenho receio de que a Luísa deixe de ser aquela bebé sorridente e sempre bem-disposta, muito dada a toda a gente, e que fique riscada (como disse a Joana neste post). Pela Isabel, não tantos, porque já me provou que se adapta muito bem às mudanças.

Relatório: A Luísa ficou a chorar praticamente toda a manhã (mesmo ao colo), não almoçou grande coisa, dormiu quase duas horas e não chorou mais, lanchou bem. Quando lá cheguei, choramingou, mas coisa pouca. Despediu-se com beijinhos, foi a cantar no carro, correu e riu à gargalhada no parque. A Isabel parou de chorar assim que saímos e esteve sempre, sempre bem. Brincou, falou, comeu bem, dormiu a sesta e estava felicíssima quando a fui buscar, cheia de coisas para me contar.

Conclusão: não foi tão mau como pintei. Vamos ver amanhã.

Foram um ano e três meses maravilhosos. Não trocava por nada deste mundo. Faria tudo de novo. Obrigada ao David, porque sem ser um projecto de família não teria sido possível. Obrigada, Luísa, por me teres feito renascer. Obrigada, Isabel, por me ensinares tanto. Obrigada, Vida, Sorte, Deus, o que for, pela oportunidade. Foi duro, foi desgastante, mas foi muitíssimo compensador e este ano já ninguém nos tira. Agora, novos desafios. Para todos. 


Como foi o vosso primeiro dia?




Mochilas - Pêra Doce

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18 comentários:

  1. Olá Joana,
    a minha filha antes de ir para a creche, esteve 3 anos numa "nana" (ama) que tinha mais crianças da mesma idade, o que facilitou a entrada na creche (já estava habituada à rotina do "chega e larga e regressa só ao fim do dia"). A esta distância (11 anos), não me lembro de ela ter chorado, mas ouvi relatos das mães das suas amiguinhas, cujas filhas choraram sempre (mesmo no 1º. ciclo). Deve ser muito desgastante, imagino. Mas é preciso ter a atitude que a Joana teve, pois ajuda em todo este processo de transição. Força.

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  2. Provavelmente a adaptação devia ter sido feita de maneira diferente... irem só uma hora ou uma manhã...isto claro no sentido de deixa la a si e às meninas mais confortável.

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    1. No colégio do meu filho isso foi totalmente desaconselhado. Só devemos ir depois do lanche.

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    2. No colégio da minha pediram para se houvesse possibilidade da nossa parte a adaptação se fizesse no mínimo em 5 dias
      E eu concordo plenamente!

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    3. Anónimo das 9h 23, cada mãe saberá o melhor para os seus filhos, mas na minha opinião enquanto mãe e profissional da área é que a adaptação deve sempre ser gradual e acompanhada pela mãe ou pai num primeiro momento. O motivo é simples: é um espaço novo para os bebés, são cuidadores novos. Se os pais (que são as pessoas em quem eles mais confiam) não ficam lá com eles para conhecerem um bocadinho daquela novidade toda e os "abandonam" lá um dia inteiro, em vez de se sentirem confortáveis, vão se retrair mais e recusar os dias seguintes. Claro que cada criança é uma criança e cada família sabe o melhor para si, mas fico doente com escolas e educadoras que aconselham os pais a fazer adaptação tipo "penso rápido".
      Contudo, é a minha opinião. Repito, a MINHA opinião.
      Espero que com o seu filho esteja a correr bem.

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    4. Devia obviamente ter sido feita uma adaptação. No colégio dos seus desaconselharam porque lhes dá mais jeito nao aturarem os paizinhos. Ponto final.

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  3. Ai eu estou de coração apertado porque estou com os gemeos desde que nasceram, fiquei longe 2h se tanto, tem 22m, sei que é altura e vai nos fazer bem a todos, mas não quero pensar muito epero que eles sejam mais Isabel e só chorem cinco minutos. Quarta lá vamos nós, ideia só ficarem 1h, dps mais um pouco e depois mais um pouco. Estou com a Joana ir buscar as 15:30-16h para irmos ao parque, praia, brincar aproveitar eu com certeza com milhões de saudades
    Beijos e que amanhã seja melhor e sem culpa

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  4. Corajosa... Eu não tive essa coragem. Vou continuar com os dois bebés em casa pelo menos até entrarem na pré... Porque com a primeira foi muito difícil, a adaptação demorou mais de um ano. E quero pensar que eles mais crescidos se adaptam e perceberão melhor. Pelo menos eu e meus irmãos tb não fomos ao infantário (ficámos com a minha mãe em casa e só fomos para a primária directamente).
    Permite-me que te pergunte: os projectos e trabalhos de que falas são relativos ao blog ou pensas voltar ao mercado de trabalho?
    Gostava de obter outra fonte de rendimento e conciliar isso com o estar com eles. Mas o empreendedorismo na minha mente ainda não me fez luz...
    Com dois bebés é economicamente mais viável fica com eles em casa do que voltar a vida de trabalho em Lisboa e 12h fora de casa para ganhar o que nem pode ser classificado como trabalho qualificado. E perco tanto deles e so são bebés uma vez...
    Beijinho grande de força. Transmites tanta calma e assertividade que não me importava de ser tua amiga. :)

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    1. Também estou 12h fora de casa.. Trabalho longe de Santarém... De fato o que mais queria era poder ter uma fonte de rendimento mais perto de casa para poder estar mais tempo com o meu menino. Enquanto uma oportunidade não surge temos de nos adaptar todos a esta realidade...

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  5. O JM (mais velho) chorou sempre ao chegar à escola, até entrar na sala dos 3 anos, hoje começou na dos 4 e correu super bem, a educadora, que nunca transita com eles, veio recebê-lo e apesar de ser nova, já lhe é familiar.
    O mais pequenino (20 meses), ficou a chorar e segundo nos contaram não deu cavaco a ninguém todo o dia (tem uma personalidade mais vincada), não falou nada nem quis participar em nada, está mesmo a adaptar-se! Vamos com calma!

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  6. Olá Joana, hoje a minha mais velha regressou a escola, mas iniciou no Jardim jardim de infância com 3 aninhos acabadoa de fazer. Correu bem foi somente um regressar, mas após almoço esteve sempre a perguntar quando eu chegava. A bebé de 9meses também acabados de fazer iniciou hoje no berçário. Estive la com ela 1hora, esteve sempre bem fartou se gatinhar pela sala. Mas esta semana é somente adaptação, amanhã fica 2h e vamos tentar que fique um bocadinho sozinha.. acho que vai correr bem. Fico mais preocupada com todas as doenças que vão aparecer mais do que uma primeira semana chorosa. Porque sei que será um ano fantástico para as duas. As minhas vão também 6h, das 9h30 as 16h30. Espero tal como tu organizar a casa, fazer dieta e exercício e aumentar as vendas na minha loja online :)

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  7. A minha princesa tem a idade da Luisinha, com 3 dias de diferença apenas. Decidi colocá-la na creche aos 13 meses (finais de junho) e foi a melhor opção que tomei. Andei a averiguar qual seria a melhor opção e depois de muitos comentários positivos decidimos colocá-la numa mesmo pertinho de casa. Os primeiros dias custaram-lhe e só lá ficava três horas. Da primeira vez que a fui buscar fiquei com o coração apertado quando a vi toda encolhida, com lágrimas a escorrer, no colinho da educadora... No entanto, à medida que o tempo foi passando ficou cada vez melhor: começou a comer melhor, começou a dormir as sestas (algo que comigo era quase impossível) e a dormir melhor de noite! Obviamente que não passa sem a maminha: de manhã ao acordar, ao chegar da creche e antes de ir dormir.
    Agora adora a creche. É ela quem toca à campainha quando lá chegamos; quando a educadora a vem buscar acena-me e manda-me um beijinho de despedida.
    Portanto, seja positiva, vai correr bem!

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  8. Doia o meu coração só de pensar que o meu filho iria para o colégio. Já fez um mês e ele está bem, sempre esteve. Sofri mais eu que ele.
    Não gostava de chucha, já gosta (porque eu assim o quis).
    Fazia birras para dormir agora basta metê-lo na cama com a chucha e adormece sozinho.
    Todos os dias tenho a sensação de que ele está mais crescido e com algo novo (tem 6 meses).
    Ainda doí porque tenho medos mas tenho de conseguir ultrapassá-los. E vamos conseguir (eu e a Joana) e sabe porquê? Porque somos mães e conseguimos tudo, de uma forma ou de outra.

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  9. Olá Joana, boa sorte para esta etapa tão difícil! Estou a passar pelo mesmo com o meu bebé de 1 ano! Desculpe a pergunta mas porque (pelo menos no caso da Luisa) não optaram por um período de adaptação à creche? O meu baby hoje ficou uma hora, amanhã vou buscá-lo no fim de almoço, no dia seguinte dorme a sesta, ficando todos os dias mais um bocadinho. Sinto-me um bocadinho mais confortável assim! Espero que tudo corra (ainda) melhor amanhã:) um beijinho

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  10. Não tenho a facilidade de ficar com a "cria" em casa. Todos trabalhamos, pelo que aos 4 meses lá ficou no infantário.
    Nessa idade custa-nos mais a nós que a eles.
    Resultado, a Laura nunca ficou a chorar na creche, desde há quase 4 anos!
    Pelo que "ouvi" de outros pais: vai custando menos a cada dia que passa. Lá virá um outro dia, em que lhes vai custar mais, a eles e aos pais. Mas depois de entrar na rotina, vão acabar por gostar, ficar sem problemas. Boa sorte!

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  11. Por aqui tudo correu com calma. A Maria, de um ano, foi para a escola da irmã, com 3. Claro que chorou, custou-me muito, mas menos do que com a Lara.
    A Lara ficou com os mesmos colegas e educadora e ficou bem...
    Sei que estão bem ali (sei mesmo) e isso é o melhor descanso de todos. Claro que gostava de passar mais tempo com elas mas também sei que, no contexto atual, fazemos o melhor possível.
    E o importante é isso: estarmos com elas por inteiro, o tempo em que estamos com elas. Estar o dia todo, com a cabeça em mil coisas diferentes não é uma alternativa melhor. :)

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  12. Olá Joana, a propósito do planeamento dos jantares lembrei-me de partilhar algo contigo: http://economiacadecasa.blogspot.pt/2017/08/4-planeamento-das-refeicoes-da-semana.html?m=1
    Sigo este blogueira há muitos anos e lembrei-me destas dicas no seguimento do teu post.
    Beijinhos

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  13. O primeiro dia é sempre uma angústia para nós mães (acho que normalmente os pais são muitos mais relaxados com estas coisas). Mas o importante é que não contagiemos os nossos filhos com estes sentimentos negativos. Mas acho que geriu muito bem a situação Joana!
    Já agora um aparte acerca da roupa das meninas... adoro a Oshkosh, mas não encontro em Portugal. Joana, pode-me dizer onde faz estas comprinhas? Obrigada!!!

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