quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Fiquei com vontade de ter um parto na água

Já há muito tempo que não se fala de partos por aqui. Ontem vi um vídeo maravilhoso de um parto na água. E fiquei com vontade de ter um filho assim. Sim, muito provavelmente não bato bem. Já vos disse que muito provavelmente não terei mais (neste momento não quero mais!). Vou reformular: fiquei com um bocadinho de pena de não ter tido uma filha assim.

Quando fiquei grávida da Isabel, comecei a ver partos no Youtube e no Facebook. Acalmava-me. Despertava em mim coisas boas. E a verdade é que adorei o meu parto (ambos, aliás). Foram - um no privado e o segundo no público - bastante harmoniosos, respeitadores, dentro daquilo que eu na altura esperava, e com muito boas energias e bons profissionais. E com o David ali ao meu lado. Mas... gostava (acho que gostava) de ter experimentado o que é um parto completamente natural. Em ambas as vezes deram-me cenas a meio para induzir e acelerar, o que, dizem, aumenta as dores das contracções, e nunca consegui não pedir epidural. Será que sem isso, as dores teriam sido suportáveis? Possivelmente sim, quem sabe? 
Claro que tenho memórias fantásticas e isso é impagável. No segundo, apesar das complicações no recobro (essa considero a fase 2 do parto, a primeira foi óptima), pedi para ser eu a puxar a minha filha para cima de mim e isso aconteceu e foi maravilhoso. E não me fizeram episiotomia e esteve bastante perto da perfeição - tive pena que tivessem cortado apressadamente o cordão umbilical ou que a tivessem esfregado para tirar o vernix logo, por exemplo. Coisas que, se fosse agora, teria pedido ou reforçado antes. Acho que ainda há muitas coisinhas a mudar nos partos que se fazem hoje em dia nos nossos hospitais, para os tornar o mais humanizados possível.

Acho importante que se fale de partos. Todas as histórias contam. Quando estamos grávidas, se calhar dispensamos bem histórias dolorosas de 89 horas de parto ou de bebés que foram empurrados novamente para dentro, para não ficarmos alarmadas (há sempre alguém que se esquece que estamos num período mais delicado e pumbas!), mas tirando isso, acho um tema absolutamente interessante e importante.


Já tivemos aqui alguns relatos de partos. Vamos a isso?

 O meu partão - Joana Gama

O parto da Luísa 

E este incrível:

Isabel 16/03/2014

Luísa 31/05/2016

11 comentários:

  1. Bom dia Joana!
    Tive a minha Maria em julho do ano passado e até hoje dou muitas vezes comigo a reviver aqueles momentos. Foi duro, muito duro!(acho que fiquei traumatizada e com muito medo de repetir).
    Dizem que se esquece...já passou mais de um ano e não me esqueço!
    Foi parto induzido. A indução começou na sexta, às 10:30h e ela só nasceu 24h depois. Durante as primeiras horas as contratações era fortes mas muito pouco dolorosas,ao início da noite rebentaram-me as águas e automaticamente as dores começaram a ser insuportáveis! Era de noite, o Bruno não podia estar ao pé de mim enquanto eu não fizesse os três dedos de dilatação e descesse para o bloco de partos.
    Estive horas de baixo do chuveiro com água quente, sozinha...de longe em longe lá vinha um enfermeiro perguntar se estava bem....chorei muito nessas horas! Precisava dele ali cmg.
    Já passavam das 3h da manhã quando me deixaram ligar ao Bruno a pedir que fosse ter cmg...a partir daí não tive mais acesso ao telefone, não sei quanto tempo passou até me levarem para baixo e o deixarem entrar!
    A Sra auxiliar que me levou para o bloco de partos, tinha a sensibilidade de um porco espinho e quando lhe pedi que esperasse só um bocadinho porque estava a ter uma contracção, respondeu-me amargamente "vá lá ver, tanta mariquice...se com três dedos de dilatação está assim, quero ver daqui a umas horas....vá lá ver!! Mexa-se!!!"
    Pedi a epidural...não fez o efeito suposto..atenuou apenas muito ligeiramente as dores...ao fim de meia hora já eu estava a pedir mais....não deram!
    A presença do Bruno deu-me força, mas às tantas já estavamos os dois num desespero total!
    Até a Maria nascer levei 5 doses de epidural, o limite máximo!
    A Maria não descia, não encaixava, a dilatação era muito lenta!
    Passaram 3 turnos de médicos e enfermeiros...
    Tirando aquela "amável" criatura, foram todos de uma delicadeza e meiguice que me comoveram!
    Por fim, uma das enfermeiras disse "doutor, chega, ela já não aguenta mais! Têm de fazer alguma coisa!!"
    Levaram-me para o bloco operatório...para trás ficou o Bruno a chorar!
    Queria muito que ele estivesse ao pé de mim, mas não foi possível!
    Seguiu-se uma episiotomia (grande), ventosa, fórceps...e eu senti-me a ir, sem reação... senti-me a sair de cena! Ao meu ouvido susurrou uma voz doce "força querida, estás quase a ter a tua menina, não desistas!!"...voltei, com força, e ela nasceu!!!
    Não me lembro de a ouvir chorar, não a consegui puxar, só me lembro daqueles olhinhos muito abertos a olhar para mim!! Abracei-a e chorei!
    Passaram duas ou três horas até que o Bruno nos pudesse ver!
    Confessou-me alguns dias depois, que só pensava que o iam chamar para lhe entregar a bebé e dizer que eu não tinha aguentado!
    Mas aguentei, e recuperei muito depressa!!
    Tenho medo de voltar a repetir, muito medo...mas o amor que tenho pela minha filha é tão grande que penso muitas vezes que não a quero deixar sozinha neste mundo! Vamos ver se ganho coragem para lhe dar um irmãozinho (daqui por uns anos)!
    Filipa Carvalho

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    1. Bem que testemunho, escusado será dizer que tenho os olhos rasos de água.
      Felicidades!

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  2. Eu quero ter mais, adoraria ter um parto na água, mas não tenho coragem de ter um filho em casa. Primeiro porque sou portadora de Estreptococos B e morro de medo de ter complicações com o bebé. Apesar de meu primeiro parto ter sido fácil e rápido, um parto na água é sempre romântico... Já que vamos falar de partos felizes, deixo aqui o meu relato, caso queiram também partilhar: https://tempoespera.blogspot.pt/2016/01/o-parto.html

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    1. Como você sabe que é portadora de estreptococos B? Eu tive na primeira gestação mas não sabia que seria sempre assim... podes, se possível, me esclarecer por favor.. muito obrigada 😊

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    2. Ser portadora de Estreptococos do grupo B no período final de uma gestação não significa sê-lo sempre! Daí que a cada gestação seja feito o rastreio entre as 35 e as 37 semanas. Pode ser uma colonização transitória mas como ainda não existem testes rápidos suficientemente sensíveis comercializados inviabiliza o rastreio no momento do parto. Por este motivo - só e apenas - o rastreio é feito nas últimas semanas. No caso de ser positivo, por precaução, é administrada profilaxia no momento da expulsão. Nada garante que um resultado positivo às 35 semanas continue a sê-lo às 40! Espero ter sido suficientemente esclarecedora. Não sou mãe mas sou profissional de saúde, técnica de análises clínicas! 😉

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    3. Obrigada 😊 Muito esclarecedora! Minha primeira gestação fui portadora e o meu médico me convenceu que isso era indicação para uma cesárea, mesmo sabendo que não era não consegui ir contra os argumentos dele. Fiquei com receio quando ouvi o termo "sou portadora" pois estou na segunda gestação agora... mas fiquei bem esclarecida! Obrigada

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  3. Tive as minhas duas filhas no hospital público (na ilha onde vivo não há outro) com parto induzido.
    Em ambos a indução começou num dia e o parto só aconteceu dois dias depois. Essa foi a parte mais difícil.
    O segundo foi muito mais fácil que o primeiro: não foi necessário médico, eu estava mais calma e tudo correu bem.
    No primeiro foi necessário recorrer a ventosa (foram 3 ventosas porque elas iam-se partindo) e àquela manobra em que nos empurram a barriga e parece que nos esmagam os pulmões. No primeiro não me deram toda a epidural que eu desejava porque "preferiam" que eu sentisse as dores para poder colaborar melhor. Não foi melhor. Foi pior. Se soubesse o que sei hoje teria exigido que fosse diferente. teria exigido que fosse como eu preferia. Queria mais humanidade, mais empatia, mais e melhor informação. Mas correu tudo bem. Eu fiquei bem, as minhas filhas ficaram bem e, no fundo, isso é tudo o que interessa.
    Foi assim o primeiro parto: http://www.vinilepurpurina.com/o-meu-parto-por-ventosa-49752

    Diferenças e semelhanças entre os dois partos: http://www.vinilepurpurina.com/diferencas-e-semelhancas-entre-o-136202

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  4. Bom dia Joana. Tenho 26 anos e como mãe de 1a viagem não tive uma experiência nada agradável. Não me posso queixar da equipa mas poderiam ter sido evitados e vistos de outra maneira detalhes que parecem não ter significado na altura mas mais tarde, quando relembrarmos o dia terão com certeza. Fora as 29horas que tive para ter o meu filho foi o facto de ter levado uma epidural que me ajudou a não sentir as dores avassaladoras que sentia durante 2 horas. Tinha reforço mas não sei o que se passou quando fui para a sala de partos ia exausta e sem forças para nada. Senti todo o trabalho de expulsão da pior forma até porque o meu bebe estava ligeiramente de atravessado tendo me rasgado interiormente e tive que ser sujeita a episiotomia. Fiquei, confesso,"traumatizada" com tudo. Vim para casa e como óbvio com uma enorme insegurança, pois era o 1o filho, eles não trazem livros de instruções e muito menos podemos dizer que sabemos tudo. Medos,receios e talvez as marcas que o parto me deixou foram motivos de lágrimas a fio quase no 1o mês do meu filho. Já para não falar no encorajamento ao leite artificial a que me vi envolvida, uma vez que ele não pegava na mama. Fora tudo isto, e apesar de todos estes "ses" valeu a pena e vale tudo a pena. É o melhor de nós.

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  5. Olá,Joana, muito obrigada por tratar novamente de um tema tão relevante. Vocês, as Joanas, têm razão: precisamos falar sobre partos, precisamos compartilhar experiências, precisamos difundir informação de qualidade. A vontade da mulher no parto importa! E precisamos diminuir os casos de violência obstétrica. Há um site recente (http://www.birthadvisor.pt/), no qual as mulheres avaliam as instituições em que pariram. Já é um instrumento interessante para que as futuras mães possam escolher o hospital, considerando a avaliação de outras mães.

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  6. Eu comecei a ter contracções por volta das 03:00h do dia 20,no dia seguinte (21) continuaram,andei o dia todo por casa até elas estarem já há bastante tempo com cerca de 5min de intervalo,embora nao mt dolorosas,sai de rio de Mouro de comboio para a amadora por volta das 18:30h,fui a pé da estação até ao hospital,que quem conhece sabe que ainda é um bocadinHo longe,cheguei ao hospital por volta das 19:30,depois dos procedimentos habituais(clisteres etc) fui ao ctg,seguindo directo para o quarto,já com contracções dolorosas,anti agulhas que sou recusei todas e quaisqueres anestesias,ele nasceu às 21:45h do dia 21,depois de 2 enfermeiras me espremerem as entranhas até ele sair disparado 😆,a bem ver das coisas não custou muito,foi doloroso sim,e não repito com ou sem anestesia. Infelizmente vai ser filho único com muita pena minha,mas a minha alergia a agulhas não me permite repetir tal proeza,e a minha tolerância á dor é demasiado pequena.

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  7. Eram 5h da manhã quando senti uma pressão brutal no pipi e me levantei da cama com a maior rapidez que consegui com um barrigão de 38semanas. Rebentaram me as águas. Foi assim que começou o meu primeiro parto. A minha primeira filha nasceu 29horas depois, as 10h do dia seguinte. Por ventosa.
    Foi chocante todo o processo e as dores insuportáveis.
    Hoje após 3anos pus tudo para trás das costas. A irmã nasceu há 9meses. Por cesariana. Ia morrendo de nervos e ansiedade durante a preparação no bloco. Agarrava com força a mão da enfermeira e só pensava na minha primeira filha em casa. As lágrimas caiam.
    Hoje em dia muito se fala em parto humanizado e recordo as aulas de preparação para o parto na primeira gravidez em que a enfermeira explicava que não há que ter medo que o nosso corpo está preparado que e tudo natural que o nosso organismo sabe fazer um parto... blá blá blá. Eu nada benefíciei com este curso proporcionado pelo Centro de saúde.
    JáHá séculos atrás o parto era uma das causas de morte mais comuns. Era uma verdade absoluta sabiam as mulheres. Ou aquilo era fácil rápido e corria bem ou morria se. Da má posição do bebé de.hemorragias das horas e horas em trabalho de parto..
    Agora só vê o lado romântico do parto e as mulheres não se prepararam para o quão doloroso e difícil é o parto. É perigoso. Atualmente só nos saíamos graças aos hospitais, que apesar de brutos salvam vidas.

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