terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Palmas, palmas para vocês, mães que trabalham!

A sério. Aplausos e dos grandes. Não vos invejo, longe disso, mas reconheço a vossa luta

Decidi, a muito custo, facilitar a minha vida. Tive a sorte de (tanto pela entidade empregadora, como pelo apoio conjugal) de poder dar-me ao luxo de tirar uma licença sem vencimento de um ano. Tal não se deve só à minha loucura pela minha filha, mas também porque queria aproveitar este timing para repensar a minha vida profissional. 

Sinto que está tudo nos eixos, só falta limar a questão do emprego, percebem?

Ser mãe a tempo inteiro não é tarefa fácil. É verdade que é um privilégio poder assistir a todos os movimentos dos nossos filhos, claro, mas somos nós também quem lida com todas as birras de sono e afins sem podermos "dar um tempo" (depois escrevo um post também sobre isto). Não estou minimamente arrependida de ter tomado esta decisão porque, lá está, sinto que é uma win-win situation. Agora, quanto a vocês?

Imagem do site We Heart It. 


Mães que não dormem nada durante a noite e ainda têm de cumprir horários no dia seguinte, lidando com algumas pessoas com as quais podem não sentir grande afinidade e ter responsabilidades importantes apesar de estarem perfeitamente esgotadas fisicamente e emocionalmente?

Mães sem escolha, que o que mais querem é estar sempre a apertar os bebés e a dar-lhes beijinhos mas têm mesmo que ir e àquela hora para o trabalho e, muitas das vezes, chegando "tarde e más horas" a casa?

Mães que só vêem os filhos umas 3 horas por dia (com sorte ou "com azar", se eles fizerem birra para dormir) e que sonham todos os dias com os fins-de-semana para os aproveitar ao máximo?

Mães que, à segunda-feira, se sentem doentes por terem de voltar à rotina, deixando para trás o que é mais valioso para elas?

Um aplauso e dos grandes para vocês. 

Lembro-me de vocês todos os dias e "estou convosco". 

Nota: Aprendi que sempre que encontrar ou lidar com uma mulher que me pareça mais enervada, mais stressada, mais transtornada... se calhar pode ser por se ter levantado 16 vezes durante a noite para por a chucha e ter passado o dia inteiro a ouvir o patrão de que não se concentra no emprego. 

7 comentários:

  1. Obrigadaaaaaaaaaa :) às vezes e muito difícil equilibrar tudo e por aqui tem se muitas vezes dias de 12h e só consigo ver o Miguel 1h :( mas aplaudo também as mães corajosas que tem dias sem time out! !! Clap clap clap

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  2. Eu desta segunda gravidez saí da maternidade para vir trabalhar para casa, estive 4 meses em casa a cuidar da minha J e do meu D que estava de férias da escola e a trabalhar em casa ao mesmo tempo, sinto que não aproveitei nada... ela já tem quase 6 meses e eu ainda hoje choro de penalização, de porque é que a minha vida teve de ser assim agora??? Ela não merece ter de partilhar a sua mãe com o trabalho, só porque a mãe é freelancer e em Portugal não existem condições para mães trabalhadoras independentes::))) Tenho dito...

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  3. Felicito-a pela sorte. Desfrute enquanto dura. Todos os dias penso em como seria - bem mais- feliz se ficasse em casa com os meus filhos. Frequentemente sou assaltada por pensamentos felizes que envolvem a maternidade e que, caso estivesse em casa com eles, podia vivê-los noutra frequência e intensidade. As crianças crescem tão rápido e não temos como enganar o tempo. Ser mãe e manter uma vida profissional ativa é de fato uma aventura, sobretudo quando se está longe de familiares e não há por perto quem possa ajudar a dar um lanche, um banho, vestir ou jantar. Só podemos contar com os que vivem lá em casa, onde dois são crianças. A aventura pode perfeitamente passar a ser uma guerra quando não se consegue conciliar os vários papéis em que, subitamente, nos vemos e que ninguém, nem nenhum manual de preparação, ensinou. A maternidade é maravilhosa mas finta-nos cá com uma pinta (enquanto houver hormonas para culpar a gente vai continuar). Diariamente temos consciência que há momentos irrepetíveis e não duvido que o nosso sofrimento se deva à incapacidade de perpetuar aqueles sorrisos e beijinhos tão deles, tão nossos. A par da doce maternidade também temos roupa para lavar, passar e estender (demorei dois anos para perceber que nunca mais vou ter tudo feito no que respeita à matéria da roupa), comida para fazer e contas para pagar. Infelizmente, as contas para pagar ganham vantagem. Não devia ser assim, mas é. No que respeita aos sonos, e porque os meus filhos só têm 19 meses de diferença, cedo investi nesse assunto. Ser mãe, filha, profissional e mulher a tempo inteiro dota-nos de capacidades que não imaginávamos haver e muito menos praticar. Não há agenda, o tempo tem outra dimensão e por vezes a criatividade é mesmo a única coisa que nos vale – isso, e o amor que nos une.

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  4. Eu não penso que perdemos momentos com os nossos filhos, vivemos mais intensamente os poucos momentos que temos, tenho a sorte de ele sempre dormir a noite toda mas já tive fases em que a hora da refeição era um total inferno e pensar pelo menos só vivo isto ao pequeno-almoço e jantar fora nos dias de fds eheheh.

    Custou é claro largá-lo no infantário desde os 4 meses de idade mas como estava a 5m do trabalho ia dar-lhe de mamar e foi assim de Maio a Setembro e matava as saudades depois quando deixou de ser necessário ir dar-lhe de mamar custou mais mas agora faz parte da rotina e não me sinto mal. Ainda ontem em vez de arrumar a cozinha fomos dar um pequeno passeio deixei essa tarefa para quando o deitasse :) Mas acredito quem esteja em casa até agora como tu também não é tarefa fácil eu sinto-me mais cansada ao fds que durante a semana é tudo mais intenso :D e ele está na fase em que quer companhia e quer andar e lá tenho que lhe fazer a vontade ihihih

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  5. Posso dizer que tenho sorte nisso...
    Trabalho em Angola.. Fiquei durante 6 meses e meio a cuidar da minha filha a tempo integral, voltei para o meu trabalho, que inicialmente como deixei de estar em Luanda e passei para Benguela, estive em casa a trabalhar, mas via a minha filha a todos os minutos.
    De há uns 2 meses para cá que já temos escritório e tenho que sair todos os dias antes das 8 horas para trabalhar, mas a empresa é relativamente perto (vamos e vimos a pé), vou almoçar a casa todos os dias e se ela não estiver a dormir ainda dá para fazer o almoço e brincarmos. À tarde, saimos do trabalho a tempo suficiente para a encontrar acordada, brincarmos, sermos nós a dar o jantar, o banho e a pôr na cama!
    É cansativo? Sim é, mas quero viver tudo do crescimento da minha filha!
    Não quero um dia destes olhar para trás e pensar que perdi algo.. até agora, ela vai fazer um ano, e não perdi nada!
    Mas sei que um dia que regresse a Portugal não terei a mesma sorte (só se arranjar um trabalho ao pé de casa.. o que é quase impossível....)

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  6. Somos Super Super mulheres:) parabéns a todas:)

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  7. "Mães que só vêem os filhos umas 3 horas por dia (com sorte ou "com azar", se eles fizerem birra para dormir) e que sonham todos os dias com os fins-de-semana para os aproveitar ao máximo?"
    Esta é de todas a que me custa mais.

    Beijinhos para todas as mães 😘

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