sábado, 27 de dezembro de 2014

Co-sleeping (perguntas parvas)

Nada contra quem pratica co-sleeping ("praticar", até parece que estou a falar de hipismo ou de swing - coisas com algumas semelhanças entre si), até gostaria de ser uma dessas pessoas, mas nem pensei que isso fosse possível com bebés. Dormia muito com a minha mãe quando já era maiorzita, mas era porque estávamos as duas sozinhas. 



Pais do co-sleeping, conheço as vantagens (acho brutais, mesmo, então para mim que me levanto n vezes durante a noite para dar maminha), mas... posso fazer algumas perguntas estúpidas?

Vamos a isso: 

  • Quando o pai e a mãe querem ser malandrinhos, como fazem? Põem a bebé a um cantinho da cama e fazem as coisas muito devagarinho e sem barulho?
  • E se o pai roncar mais alto que a porcaria dos comboios da linha de Sintra (nosso caso)? Isso não acorda o bebé?
  • E se o pai se vira a esmaga o bebé?
  • E se a mãe, com as suas enormes tetas, esmaga a moleirinha (é assim?) do bebé?
  • E se um dos pais falar a dormir? O bebé acorda?
  • A mãe consegue dormir com os barulhinhos todos do bebé e os seus movimentos? Eu não consigo e ela está no quarto ao lado... 
  • E se alguém tem um pesadelo e lhe dá um pontapé?
  • E se, ao nos taparmos, o bebé ficar por baixo do edredão e com pouca oxigenação?
  • Os bebés quando são pequeninos, têm de ficar de barriga para cima. Se adormecerem a mamar, deitados, não ficam de lado?
  • Se é suposto os bebés arrotarem depois de mamar para terem menos cólicas e para se bolçarem menos, mamar na vertente co-sleeping não prejudicará essa questão?
  • A separação do bebé não se torna ainda mais dolorosa depois? Uma das coisas mais difícil de se voltar a ser solteira deve ser a cama vazia, não ter lá o bebé deve ser ainda pior!
Se alguém me responder a isto com carinho, pode ser que o meu próximo filho durma comigo às escondidas de toda a gente cá em casa, mesmo depois de ser parido! :)


*imagem do site We Heart It.

7 comentários:

  1. Eu durmo variaa vezes com a Sofia. Sestas à tarde então ja lhe perdi a conta. E sabem que mais? ADORO! Cada vez que o pai trabalha e nao dorme em casa...ui..à minima coisa la vem a Sofia fazer conchinha com a mae. Esmagar? Não..nós dormimos com um olho aberto e outro fechado. Alias, já me aconteceu acordar, ligar a luz, gritar pelo pai a dizer: a bebe? Onde ta a bebe? A procura-la debaixo das mantas e ela confortavel no seu berço. Quanto ao pai, morre de medo de a esmagar. O que faz é meter uma almofada nas costas entre a bebe e ele.

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  2. A Isis dorme comigo desde que nasceu. Sempre mamou e dormiu como dava jeito e correu sempre bem. Só caiu da cama umas duas vezes,mas nunca se magoou :-D somos só nos as duas por isso a companhia sabe bem. Quando é preciso ela também dorme na cama dela. Eles só são pequeninos uma vez. Há que aproveitar. Parece que não, mas quando dormem connosco o nosso inconsciente sabe e o sono fica mais leve. Aconselho e adoro

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  3. Como já te tinha falado, o Manuel dormiu no meu peito até aos 3meses(+/-). Ao início tive medo de o esmagar, mas pu-lo no meu peito e pronto... Tu adaptaste, eu que sempre adorei de dormir de barriga para baixo dormi como um anjo com ele no peito... O ponto de não ser suposto dormirem de barriga para baixo também nunca me deu dores de cabeça pois ele ficava de lado no meu peito e eu tinha sempre uma mão no colo. Cada vez que sentia ele escorregar puxava-o para cima, mas isto não perturbou o meu sono, lembro-me de sentir como se durmisse... O pai, esse mudou-se para a sala durante esse tempo lol. Ele não parou de trabalhar e não conseguia descansar... O Manuel não arrotava nem bolsava por isso esse ponto nunca se pôs... O Manuel ainda hoje vem ter connosco de noite, mas adormece no quarto dele, não custou muito mudá-lo de cama e de quarto, mas como sempre lhe demos a liberdade de vir ter connosco tudo tranquilo...
    Em relação ao comboio da linha de Sintra, eles não acordam, o Manuel continuava a dormir quando não ou compete com o pai... E quando se é malandro usasse a imaginação 😉

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  4. 100% apologista do co sleeping. Sempre. Nem conseguiria diferente. Partilhando a experiencia pessoal, com todos (sao 4) por aqui tem sido idêntico. Tem os seus quartos com os seus objectos e espaço preparados a tempo da sua chegada mas dormir é mesmo com os pais. A transição para o quarto de cada um nao tem dia marcado, vai acontecendo de forma natural (porque as sestas ate vão sendo dormidas nos quartos próprios junto aos seus brinquedos ou porque alguma noite nao reclamaram e ate vão ficando pelas suas camas.. Vai acontecendo). Tudo muito natural, sem imposições. O calor e sentimento de segurança q se partilham (e é de parte a parte) são promotores de descanso de qualidade, q também é algo q se quer. Todos os detalhes advem de exercício da própria natureza (o nunca mais se dormir assim á seria, é verdade, co sleeping ou nao, pelo q nunca esmagamos o bebe, estamos sempre vigilantes). Dar de mamar também se vê facilitado. A intimidade dos pais adapta se a partilha da vida com os filhos em casa ( a questão nao se resume a cama, pois mesmo q em quartos distintos ha q lembrar q nao estamos sozinhos em casa). Ha sempre horas a sós verdade seja dita e ha q disfrutar delas. Dormir com os nossos bebes é do mais ternurento, nao imagino diferente.

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  5. Eu tenho dois filhos. E dormi com os dois até eles completarem 1 ano. Nunca tivemos problemas de esmagar nem tapar demasiado. Penso que o nosso subconsciente está à alerta. É a melhor maneira para dormir em paz, sem acordar n vezes 😊 e adormecer com aquele cheirinho a bebé é tão bom! Se tiver mais filhos, nem penso duas vezes. A saúde mental da mãe também é importante. E, em relação, às brincadeiras com o marido, arranja-se sempre solução 😜 eu que o diga, os meus piolhitos têm menos de dois anos de diferença.

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  6. Deixo aqui um texto sobre «Dormir com os pais», de Daniel Sampaio, psiquiatra.

    Existe hoje alguma controvérsia sobre se os filhos devem dormir na cama dos pais, pelo menos durante os primeiros meses de vida. Podemos afirmar que existem vários tipos de “parentalidade noturna”: alguns progenitores são rigorosos em proibir uma noite inteira na sua cama, outros transformam-na numa verdadeira “cama familiar”, em que uma ou duas crianças se acomodam, às vezes com manifesta falta de espaço, no leito conjugal.
    Os meus pais eram muito coerentes na sua educação. À hora de deitar, eu ia dormir sozinho, sem grandes protestos. Embora não me recorde, como é óbvio, dos meus tempos de bebé, as estórias que me contavam eram de uma ida precoce para a minha cama; e se acordava de noite, a minha mãe ou a minha avó iam lá sossegar-me os medos, sem que tivessem de perturbar o seu descanso por muito tempo.
    Hoje nem todos pensam como os meus familiares. Os pais trabalham muito, reivindicam para si mesmos uma noite sem interrupções ou preferem não ter de se confrontar com choros e birras das crianças. Defendem o seu direito ao descanso, por vezes numa posição de algum narcisismo. A solução passa então por aceitar que os filhos os acompanhem durante longos períodos ou mesmo toda a noite, de modo a que não haja qualquer período de insónia.
    Alguns pediatras e psicólogos vieram em sua defesa. Alegam que a proximidade entre pais e filhos facilita a intimidade recíproca, acalma as crianças e permite uma tranquilidade que favorece o desenvolvimento físico e mental. Defendem que dormir junto aos pais é a melhor forma de evitar a “síndrome da morte súbita”, a primeira causa de mortalidade no primeiro ano de vida, e que corresponde à morte repentina e sem explicação no primeiro ano do bebé. Segundo os defensores do co-sleeping (dormir em conjunto) e da family-bed (cama familiar), os pais que estão mesmo ali ao lado podem logo intervir e salvar o filho. A investigação pro-vou, no entanto, o contrário: a síndrome da morte súbita ocorre muitas vezes em bebés que estão na cama dos pais, sobretudo quando os progenitores abusam de álcool e drogas ou tomam medicamentos para dormir.
    A regra deverá ser: afeto antes de dormir, sossego depois, em camas separadas
    Os meus argumentos contra o co-sleeping são outros. Considero que o desígnio fundamental da educação é o da autonomia, esse percurso singular que leva cada um a ser capaz de gerir a sua própria norma, ou seja, ter uma existência independente e confiante. Uma criança pequena não pode viver sozinha, mas pode construir o seu caminho para ser capaz de o fazer mais tarde. Assim, dormir sozinho faz parte desse percurso a percorrer. Até aos seis meses, a criança deve dormir num berço junto à cama dos pais, depois (no máximo com um ano) deverá ter o seu quarto e a sua cama, sempre que as condições da casa o permitam.
    A investigação abre caminho a outras compreensões deste problema do co-sleeping. Diversos estudos demonstram que as crianças que permanecem muito tempo na cama dos pais exacebam comportamentos sexuais precoces e exibem curiosidade excessiva sobre a intimidade dos progenitores. Por outro lado, muitos pais tornam-se demasiado permissivos (em muitos contextos), porque não são capazes de confrontar os filhos com um “não” durante a noite, ou então acabam por mostrar sentimentos de culpa, por darem demasiada importância às suas próprias necessidades de repouso e bem-estar.
    A regra deverá ser: afeto antes de dormir, sossego depois, em camas separadas.

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    1. Este texto de quando é? Está completamente desactualizado. Já há investigação mais recente que prova o contrário e diferencia situações.

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