terça-feira, 11 de julho de 2017

Top 10 do Pior de Ter Filhos

Acho que tenho andado muito positiva por aqui e não quero tornar-me daquelas mães todas cor-de-rosa que parece que não têm problemas na vida ou que a Irene é a filha perfeita, mas há fases, há coisas e momentos. E se muitos já passaram, outros virão.

Fiz um directo convosco ontem para falar deste assunto e "escreveram" este post comigo (obrigada), aqui vai, pela minha ordem, o TOP 10 do pior de ter filhos. 

Fotografia The Love Project
Vestido Moki & Mar


10 - Queda de cabelo 

Epá, como se já não chegasse termos o pipi ou a barriga todos esfrangalhados, ainda temos que lidar com o facto da nossa testa ter mais área que um campo de futebol. Se já nos andamos a sentir como se tivessemos chafurdado todos os dias num balde de banha de porco, ainda nos espetam com a cara toda uns 20 cms abaixo do que seria suposto. 

Durante a gravidez não perdemos cabelo, acontece por motivos hormonais. Não se encham de produtos desnecessariamente. Eles voltam a crescer. 

9 - Eles crescerem tão rápido

Por um lado considero uma benção porque a fase de recém nascido me custou muito e só queria que acabasse. Por outro lado, a Irene já está uma mulherzinha e custa-me um bocadinho que o tempo não volte atrás (e que, nessa viagem ela estivesse a dormir, caladinha, sem me azucrinar). 

8- Gerir a divisão de tarefas entre pais

Foi o que disse no directo ontem. Há que tentar deixar claro quais são as funções e a participação de cada um logo no início para depois, quando se tentar mudar os papéis, não apanharmos más surpresas. A questão da "justiça e igualdade para géneros" não tem que funcionar para todos, mas encontrem o que funcionar para a família e vos deixe a TODOS mais felizes. 

Leiam este texto brilhante da Joana Paixão Brás: "Os pais não têm que ajudar"

7 - A árdua tarefa de amamentar

Muito ligada ao ponto 5. Um questão muito íntima. É uma árdua tarefa porque exige muito trabalho e dedicação, muita paciência e, às vezes, sacrifício. Muita informação e auto-controlo. Porém, não tem que doer: procurem ajuda de especialistas e certifiquem-se que têm a melhor experiência possível se esse for um objectivo para vocês e para o vosso filho. 

Leiam aqui tudo o que já escrevemos sobre amamentação. 
Peçam ajuda a especialistas como na Clínica Amamentos, na Linha Vamos dar de Mamar, nas Redes Amamenta. Simples busca no Google que poderá mudar a vossa vida. 

Fotografia Joana Hall


6 - As mudanças no nosso corpo 

Não tenho muita ligação a este ponto porque nunca tive um corpo do qual gostasse muito. Pelo que "mais um bocadinho aqui e ali" não me deu vontade de me atirar de um 4º andar - só de um r/c, vá. Porém, conheço muitas mulheres que, até apavoradas por este assunto, não conseguem saber se querem ou não ser mães. O corpo muda, mas podemos, a seu tempo, melhorá-lo também. Passados 3 anos da Irene, consegui encontrar espaço para ir 4 vezes por semana ao ginásio. Talvez também consigam - espero que sim. 

5- Falta de liberdade 

Sim. E sentimento de culpa por sentirmos que precisamos dela. É verdade. A gravidez não acaba ao fim de 9 meses. A gravidez é um estado que se prolonga e cujo parto vai acontecendo devagarinho ao longo do tempo. A sorte é que já não temos que os ver só na ecografia e o retorno vai sendo cada vez maior com carinhos, sorrisos, conversas, perguntas... Está feito para que as recompensas igualem os desafios - digo eu. 

4 - Gerir a opinião alheia

Tanto a nossa insegurança como a dos outros faz-nos falar muito, duvidarmos muito de nós e pouco de quem fala. Paremos para resolver as nossas questões e para as tirarmos a limpo porque a melhor "arma" - para deixarmos de estar tão vulneráveis aos encontros com pessoas (muitas das vezes até bem intencionadas) linguarudas que nos põem bichinhos na cabeça e que muitas vezes foram outras que os meteram nas delas. Existe leite fraco? Não. Por exemplo. 

3 - As doenças  

Pior do que ver aquela fonte enorme de energia e de luz, apagadinha... sem podermos ajudar com mais nada a não ser beijinhos e xaropes? Não há. Sentir esta incapacidade de fazermos o nosso papel é terrível. Porém, conseguimos ter mais tempo com eles para lhes mostrarmos que estamos aqui e que cuidamos deles, para sempre. 

2- Choro incontrolável 

Ainda hoje tenho pesadelos com isto. Com o choro que a Irene tinha ao final do dia porque sim, porque estava hiperestimulada, porque já tinha sono, porque o cortisol tinha subido demasiado e porque ainda não tinha ferramentas de auto-regulação. Sinceramente, resolvi tudo quase sempre com a mama na boca. É uma das melhores coisas de amamentar. A mama serve 90% das vezes, não andamos tanto aos papéis, mas quando andamos... elouquece-nos e é mesmo suposto que assim seja, sabem? Está tudo feito para que sintamos urgência em cuidar deles. As mães estão programadas para isso hormonalmente. 

Nos recém nascidos há algumas dicas para interpretar o choro deles, ajudou-me imenso, a Irene chorava exactamente como dizem aqui

1- Privação de sono 

É.a.piorzinha.coisa.pela.qual.passei.desde.que.nasci.e.acreditem.que.já.tive.alguns.dissabores. É uma morte lenta. É algo que nos vai chupando vida, vontade, côr, felicidade. Que só não nos apaga o amor por eles, mas que quase que nos tira a paixão. É um sentimento enorme de injustiça. Como é que o nosso próprio bebé nos corta os sorrisos? Ser mãe é duro. É mesmo. 

Leiam tudo o que já escrevemos sobre sono aqui.

Aconselho "Os Bebés também querem dormir" da Constança Cordeiro Ferreira e/ou marcarem uma consulta com ela, se sentirem que precisam de ajuda. 


Mudariam a ordem? Querem contar-me mais? :)


✩✩✩✩✩✩✩✩✩✩

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21 comentários:

  1. Joana concordo com o que escreves-te, em especial o ponto 1 e 2, a minha filha Maria sempre foi uma criança "difícil", as próprias enfermeiras no centro de saúde não me sabiam ajudar, ela chorava horas a fio, eu fazia contacto pele com pele, andava pela casa só de cuecas de mamoca de fora para a levar à maminha para ela acalmar, só me diziam que era stress do recém nascido (vamos lá entender), eu só pensava que era por estar muito estimulada, mas era desesperante, ficava por vezes desde as 21h até às 2h da manhã que ela não adormecia, isto com 3 meses, junto com o famoso pico de crescimento e cólicas!! Tudo passou, ainda amamento e ela já fez 2 anos (ricas maminhas que fazem milagres), hoje em dia continua eletrica, não tenho sossego, uma simples ida ao café, termina com escladão na língua porque ela já não quer estar sentada, e já me puxa a mão, a dizer "mamã, vamos", mas é o melhor do nosso mundo, já não sei viver sem ela, parece que sempre a tive ao meu lado!!! Com tudo de menos bom, (não gosto de usar a expressão mau), tem tantas coisas boas que nos fazem "esquecer" o que passamos (...) há, por aqui continuam as noites mal dormidas, sonhos, agitação, stress, estimulação, sei lá, simplesmente acorda e diz "mamã anda" para eu ir ter com ela, algum dia há-de melhorar, enquanto isso, vamos pondo um pouco de base e corrector de olehiras, e bora trabalhar!! Beijinhos enormes para vocês!!

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  2. Sem duvida que para mim, nos primeiros tempos foi sobretudo a foi a falta de sono (tão duro) e gerir opiniões dos outros, quando só nos apetece gritar e chorar!! passado algum tempo é a falta de tempo para mim e para o casal.

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  3. Ola Joana! Adorei o post! Acrescentaria as birras.... pra mim, das piores coisas. O fazerem exactamente o contrário daquilo que pedimos. E birras porque queriam o boneco sentado, mas o sentado que pusemos não era bem aquele, era 5 graus mais inclinado para poente! E quando fazemos isso choram ainda mais porque afinal pusemos 5 graus e meio........... de certeza que é daí que vem a queda de cabelo!

    E chorei ao ler o ponto numero 1, que tanto me toca..... 22 meses de privação de sono.... eu sei que passaste mais, eu sei.... perguntei ontem num dos teus posts e peço desculpa ser chata. Como é que a Irene passou a dormir a noite toda? Depois de tanto tempo em busca da "cura" milagrosa das noites, ainda não desisti. Sim, não nos tira o amor por eles, mas tira-nos muita coisa!
    Obrigada :)

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    1. ahahaha, é isto mesmo, birras e birras, "O fazerem exactamente o contrário daquilo que pedimos", e adorei a parte do boneco e dos 5 graus para poente :-) É que às vezes bem tento mas nem percebo como queria aquilo afinal.

      4 anos feitos e continua a acordar de noite, não todas as noites, mas maioritariamente.

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    2. Um conselho apenas: ponha a sua filha a dormir na cama dela, no quarto dela, à hora certa todos os dias. E se ela chamar, espere, não vá logo.

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    3. Anónimo das 19:43: vá então dormir para uma casa desconhecida, sem electricidade, em que o tecto pode estar prestes a desabar e que sabe que tem cobras e ratos, e quando acordar de noite assustada, chame alguém para a ir ajudar sem successo. E fique na cama. E depois, se tiver dormido descansada, dê esse conselho, se quiser.

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    4. Anónimo das 19:43, caso fosse para mim aqui vai:
      Dorme no quarto dela, na cama dela, desde os 3 meses. Hora certa sempre. 4 anos "já" não chama "só", vem ter comigo ;-)

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    5. Acho que a rotina é o principal para se conseguir boas noites de sono, comer, tomar banho e abrandar o ritmo sempre a mesmo hora diariamente. O meu dorme desde os 6 meses no quarto dele, desde os 8 meses deixou de acordar a noite, hoje tem 2 anos e 8 meses e dorme 12h seguidas. De facto sou mt rígida com os horários, e nunca fica sem dormir a sesta, mesmo que tenha de abdicar das nossas saídas. No início havia um choro persistente ao fim do dia, e então era um desgaste enorme pq eu chegava a ficar horas no quarto "escuro" com ele ao colo para que percebesse que era hora de dormir, e nunca desisti, podia voltar pra sala que era mais fácil p todos, mas lá ficava a cantar, a contar histórias e com mt amor e paciência aprendeu que descansar também é bom. Agora com uma recém nascido espero que tenha o mesmo sucesso, pois é sempre uma surpresa. :)

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  4. "Existe leite fraco? Não. Por exemplo"
    Não sei se é a sua opinião mas se é também será alheia para as outras mães. A opinião mais correta é aquela em que coloca a mãe no papel principal e a deixa decidir por si. Dizer que não existe leite fraco e obrigar uma mãe que até pode sentir que não consegue alimentar o seu filho, que tem de ser capaz, porque os outros dizem que o que ele sente não existe. Se calhar existe leite fraco, se calhar a mãe não tem a alimentação correta, os cuidados necessários, qualquer coisa, e não tem mal nenhum. É um percurso que se passa e se percorre para chegar à resposta e melhorar (ou não) a qualidade do leite. Contudo, dizer com todas as certezas que não há leite fraco é monopolizar todas as decisões de uma mulher que já se pode sentir insegura e incapaz para um bebé que depende de si e isso é completamente errado. Não é ajudar...
    Evitar dar opiniões alheias não é dar opiniões contrárias aos que não gostamos de ouvir quando foi connosco mas sim dar opiniões que coloquem o outro numa posição reflexiva com a sua ajuda, sentindo-se apoiados sem perder a liberdade. Dizer que não há leite fraco e tirar a liberdade a uma mãe de dizer "eu acho mesmo que não consigo alimentar o meu filho, ele passa fome." Sem medos ou pressões. Isso não devia acontecer porque quem sofre mais é a criança que afinal pode mesmo estar a passar fome.
    É um desabafo, sem querer ser precipitada a avaliar o que tentou dizer. Gosto imenso do blog.
    Beijinhos!

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    1. Ana, percebo o que diz, mas a questão de não haver leite fraco não é uma opinião, é uma evidência médica suportada hoje em dia por muitos estudos em contextos muito diversos. O corpo humano não pensa na parte psicológica da questão, faz a função dele que é alimentar a cria, ponto. Que liberdade é que esse facto médico tira às mães? Antes pelo contrário, dá-lhes o poder de saberem que o corpo delas corresponde, que dali o problema não é de certeza, então vamos procurar a razão da "fome" na pega, na força do bebé, nos intervalos das mamadas, etc. Se a mãe não quer ou não consegue e não se sente capaz fazer esta análise e prefere recorrer ao LA para complementar, tudo bem, que o faça sem os tais medos e pressões. Mas continuar a perpetuar este "mito" do leite fraco para que possa ser usado como "desculpa" para abandonar ou complementar a amamentação também não é benéfico para mães e bebés. Até porque cada mãe sabe de si e a necessidade de explicar as nossas opções de amamentação às outras pessoas também implica a falta de total liberdade de escolha.

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    2. O leite só será fraco se houver algum problema de saude. Sendo a mae e o bebe saudavel nao tem porque passar fome ( amamentando em livre demanda)
      Boa sorte para todas as mamas e confiem nas vossas mamocas.
      Maria Vasconcelos

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    3. Efetivamente não existe leite fraco.
      Penso que o que pode existir é pouca produção de leite, mas fraco nunca. Foi o que sempre me disseram as enfermeiras de amamentação.

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    4. É um facto, não é a opinião da Joana. A menos que a mãe esteja seriamente - muito seriamente - subnutrida, não há leite fraco, a composição do leite é muito idêntica. Há práticas erradas de amamentação, há bebés com problemas a mamar, há mulheres que foram operadas ou que têm produção de leite reduzida (uma pequeníssima percentagem), mas não há leite fraco. E há, portanto, muito boas hipóteses de uma mãe que quiser amamentar um filho poder fazê-lo. Se não quiser, é escolha dela. Mas isso é outra história.

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    5. Desculpem mas existe leite "mais" ou "menos" "calórico", isto é que vai "satisfazer" mais ou menos ou bebe. Obviamente que tendo em exclusivo o leite materno o bebe não vai morrer de fome mas vai crescer de uma forma muito mais lenta e terá constantemente uma sensação de fome. Isso acontece e tb está documentado. E nessas situações para não criar ainda mais stress aos pais(porque bebe não cresce como os outros e chora muito com a sensação de fome) e o bebe(realmente fica com a sensação de fome) é que os especialistas a aconselham a complementar as mamadas (no final só) com um pouco de LA. As mães podem ter muito leite mas pode ser tipo "leite magro" que não vai saciar a criança. Assim nestas situações e para o bem de todos o melhor é recorrer ao LA como suplemento sem qualquer peso na consciência. Cada caso é um caso e cada mãe é que sabe...

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    6. Raquel não podia estar mais de acordo consigo. A minha pequenita estava quase uma hora a mamar e depois disso ainda chorava imenso com fome. Alguém me consegue explicar porquê?? Se o leite é igual em todas as mulheres porque é que isto acontecia? Joana gosto imenso de ler o que escreve, mas na questão da amamentação acho que é demasiado crítica e ofende as pessoas que não conseguiram amamentar (e sim, procurei ajuda junto de vários médicos, hospital, centro pós parto e telefónica... e todos foram unânimes: não produzia leite suficiente para suprir as necessidades do bebé)

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    7. Inês não podia estar mais em desacordo consigo. Não é assim uma percentagem tão pequena de mulheres que não têm uma produção de leite reduzida. Comigo e com a maior parte das minhas colegas aconteceu. Poderá estar relacionado com o facto de termos um emprego muito stressante, mas conheço, pelo menos, 15 mulheres que passaram pelo mesmo (se calhar éramos as 16 únicas pessoas no Mundo!!!!!!!)

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    8. São coisas diferentes: a baixa produção de leite, ou o leite fraco. Este último não existe.

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    9. Anónima das 12:36: a produção de leite pode ser reduzida, por exemplo, por: uso de chupeta, suplemento alimentar, stress, medicação, amamentar a intervalos regulares e por espaço de tempo definido e não em livre demanda, má pega do bebé, entre outros. Mas esta não é uma redução com origem fisiológica e pode ser revertida. Uma produção reduzida sem solução é muito rara. Um bom artigo sobre o tema é "Baixa produção de leite" do site Babycenter Brasil.

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  5. Achei a ideia fantástica, apesar de não ter participado, deste artigo escrito a muitas "mãos". Já não há directos na SIC Radical, mas há estes directos radicais na blogosfera. Parabéns por reinventarem este meio.
    O sono também está no topo da minha lista. Avisam tanto, mas tanto do parto... mas o pior vem depois. O parto são umas horas... as noites sem dormir demoram-se... ficam connosco por meses. Tive dois partos naturais sem medicação. Mas dormir doeu muito mais.

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  6. Concordo com o post. E gostava de acrescentar mais um ponto: o peso da responsabilidade que é ter de tomar decisões por uma das pessoas mais importantes do mundo para nós - e, para cada uma de nós, uma das mais fantásticas ;) - sem garantias de que é a decisão certa. De uma vida em que temos pelo menos a ilusão de algum controlo, passamos a ter uma enorme responsabilidade e muito poucas certezas. Isso faz-nos crescer muito, mas é um processo tramado!

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  7. Adorei sou mama de primeira viagem de gemeas e esta a ser uma exepriencia mt dura com o seu lado bonito claro mas mt exaustivo ao nível psicológico pelo menos e assim que me sinto .
    Concordo plenamente na lista mas acrescentaria maes com multuples sao e sinto me no top 10 sim sombras de duvidas eu compreendo que cada crianca e familia sao diferentes e so cada um sabe dos suas dificuldades mas pelo 1 ano e 3 semanas que ja tenho como experiência e uma etapa mt ardua. Obg por fazer dos seus pensamentos a luz e apoio de que nao estou sozinha

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