segunda-feira, 10 de julho de 2017

Não obrigo os meus filhos a dizer "olá" nem a emprestar? Vamos lá falar sobre isto.

Estes tempos de correria, de mais horas de trabalho e menos disponibilidade para os filhos, de redes sociais, likes e pressa e, também, de sentimentos de culpa à mistura, têm servido, pelo menos, para uma coisa boa: pensarmos mais na forma como andamos a educar os nossos filhos e desejarmos melhorar. Traz-nos uma educação mais consciente e, pelo que vejo à minha volta, que quer estar mais atenta às necessidades das crianças, respeitando-as na sua individualidade. Sou fã de tudo isso, procuro seguir-me pela disciplina positiva - e não por isso menos assertiva - que tenta encontrar soluções além do castigo, da berraria, das ameaças e do estalo (sinto que podemos ser todos mais inteligentes do que isso).

No entanto, leio um pouco por todo o lado, uma "nova" corrente que, em virtude desse tal respeito pela individualidade de cada criança, se apropria do "não quer dar beijinho, não dá", "não quer dizer bom dia, não diz", "não quer emprestar, não empresta", "não quer dizer obrigada, não diz", "não quer dizer olá, não diz". Coitadinho. Não quer, não lhe apetece, não faz. Está no seu direito. Estará?

Concordo, em parte, que estará. Acho que não temos de armar ali um escarcéu, acho que não temos de comprar uma guerra ali, muito menos dizer-lhes que são isto ou aquilo, acho que a vida pode seguir, como dantes, com leveza, mas... acho que temos de incentivá-los a tudo isso: a cumprimentar, a emprestar, a agradecer. E não é à frente deles que vamos dizer "não quer dar beijinho, não dá" (estamos a falar de pessoas próximas, também não incentivo que beije desconhecidos assim do nada) ou "não queres dizer olá, não digas", porque acho que isso é estar a dar-lhes força para um comportamento que eu não considero desejável. Ser educado, empático e agradecido é algo bom para a vida em sociedade e começa agora. Acho bonito e acho que nos pode trazer coisas boas.

Se obrigo a dar beijinhos, ralhando ou forçando? Não, não obrigo.
No entanto digo: "não te esqueças de dar um beijinho à Susana!"(educadora) ou "Então e não te despedes da Susana?". "Essa menina quer dar-te um abraço e um beijinho, por que não lhe dás também?".
Se lhe arranco o balde das mãos, aos gritos, para o dar ao João? Não, não arranco.
No entanto digo: "era bom se emprestasses um bocadinho o teu Mínimo a essa menina. Um dia, ela também te empresta o boneco dela". Ou reforço: "ai que querido esse menino que te emprestou a bicicleta. Uau! Vês, que bom que é quando nos emprestam as coisinhas? Tu também emprestas às vezes!". [Quando o miúdo começou a choramingar que afinal queria a bicicleta não precisei de lhe dizer nada: levantou-se e foi entregá-la].
Se lhe dou um calduço por não agradecer alguma coisa? Credo, claro que não.
No entanto, quando se esquece de agradecer, lembro-a das palavrinhas mágicas que faltam.

E, mais importante ainda, claro, DOU (/tento dar sempre) O EXEMPLO. Agradeço, cumprimento, empresto (sim, empresto! Que história é essa de que os adultos não emprestam coisas uns aos outros? Não dividem? Não repartem? Acho que nos anda a faltar uma boa dose de generosidade e de simpatia).

Não temos de ser todos Joanas Paixão Brás, que, com 10 anos, achou que ser generosa era dar a boneca preferida a uma menina que lá foi pedir bonecos ao prédio, descalça. Essa Joana - cheia de vontade de agradar os outros (ainda hoje é assim, com tudo o que isso tem de bom e de mau) - ficou a chorar toda a semana cheia de saudades da boneca preferida, de cabelo ondulado. Aprendi que também não temos de ser tonhós e que há um enorme espectro de possibilidades entre agasalhar os outros e ficarmos nuas. Há meios termos entre aquilo que podemos dar aos outros, sem nos tirar a nós.

Acredito que emprestar o brinquedo preferido no parque não seja fácil (também eu estremeci quando emprestei o telemóvel a uma desconhecida no meio de Lisboa para que fizesse uma chamada), mas às vezes compensa correr o "risco". E pode ser que um dia sejamos nós a querer experimentar o brinquedo. Ou a precisar de um telemóvel (já me aconteceu, três vezes!). São "coisas", caraças. Sim, que custam a ganhar, que devemos estimar, mas são coisas. Se as tratarmos como coisas e se os nossos filhos nos virem a reagir dessa forma perante elas, tratando-as claro, com cuidado e exigindo isso dos outros (ninguém diz o contrário), talvez eles aprendam lições que ultrapassam o lado material e se tornem mais generosos. Mais... humanos.

Por isso, não entendo muito bem esse orgulho todo em gritar aos sete ventos que não se obriga os filhos a agradecer, a cumprimentar, a emprestar. Eu também não a encosto a uma parede, mas sugiro, sugestiono, ensino como acho que se deve fazer. Quando não gosto de alguma atitude, falo com ela sobre isso. Pode sair-me tudo ao lado, mas isto faz-me sentido assim. Por agora, pelo menos, tem dado frutos.

as primas a partilharem os brinquedos da praia



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46 comentários:

  1. Eu, por acaso, há vezes em que tenho de sair em defesa da Irene em atitudes muito mais instrusivas de quem a tenta cumprimentar. Pessoas que não têm proximidade suficiente dela para a abraçar e dar beijos no pescoço ou dar apalpões/palmadas no rabo. A Irene sente e dita o tipo de relação que tem com as pessoas e naturalmente reage com um beijinho de despedida ou de cumprimento quando são pessoas que ela conheça e goste ou não se sinta envergonhada. Não gosta (e eu também não) que desconhecidos a peguem ao colo e a beijem e a abracem. Acho isso extremamente saudável, sinceramente. Os cumprimentos e as despedidas estão normalmente inseridos num contexto cultural, mas relações diferentes pedem comportamentos diferentes. Não gosto - e ela também não - que a peguem ao colo "nua"/fato de banho o que for... sem ser eu o pai ou os avós. E, nessas alturas, em que não é apropriado, sinto que devo dizer "ela não quer, não se dá". Nas outras também, mas especialmente nestas. :) Independentemente de ser "boa educação" ou "modos" como quiseres chamar, se ela não se sente confortável e se a pessoa não parecer estar a ouvir, tenho de amplificar que ela não gosta, que não quer. Não é por ser pequenina que não deve ser ouvida. O partilhar é diferente: são coisas e não espaço pessoal ou corpo. Nem vejo semelhança :)

    Eu não cumprimento pessoas que não gosto da mesma maneira que as que gosto e estou nesse direito. Não quero que desconhecidos me peguem ao colo e me beijem o pescoço. Ou que me mexam no rosto enquanto me dizem que sou muito linda e me pedem beijinhos sofregamente. Se fosse pequenina, gostaria que a minha mãe me ajudasse a ser respeitada. Mesmo que lhe saia torto.

    É preciso respeitá-los. Sabes o que penso: educação, claro, mas nunca para "os outros verem".

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    1. Estou mais na tua linha, Gama. Nem à minha mãe insisto que ela dê beijinhos. Quando ela se sente com vontade, dá. Depois há aquelas pessoas mesmo insistentes que nunca a conseguiram cativar e querem só porque sim, um beijinho e um abracinho da menina... Até porque é difícil ela dar um beijinho e as pessoas parece que gostam disso... Ela dará, quando ELA achar que sim... Quanto a emprestar não insisto. Pergunto se ela quer emprestar. Se não quiser não empresta mesmo. Aos amigos empresta as suas coisas, aos conhecidos, nem por isso. Até porque muitas crianças nem pedem, arrancam da mão, e isso ela não admite mesmo. (Pior que isso, é os adultos fazerem-no.várias vezes vejo adultos a tirar coisas das mãos das crianças sem sequer pedir... E as crianças, porque são mais pequenas ficam sem reação...)

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    2. Credo, também não sei com que adultos vocês se dão ou se cruzam que as querem engolir. Nunca me aconteceu nada parecido. 😀 Se acontecer, farei o mesmo, sim. Não sinto essa invasão na esfera dela, nunca senti.

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    3. Joana PB, agora que penso acho que quando conheci a Isabel lhe perguntei se lhe podia dar um beijinho. Não foi? Costumo ter esse cuidado, mas depois deste comentário da JoanaG até fiquei a pensar 😂 Eu por acaso costumo dar uma festinha quando me apresentam uma criança mas faço com carinho de mãe, só que depois de ler isto já vou pensar duas vezes! 😝

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    4. No piquenique da família tive de a tirar à bruta do colo da minha tia que a viu à pressa 5 vezes e tinha de lhe dar um abraço... E sendo ela tímida, estava a entrar em pânico... Arrependo-me de não ter dado um bom sermão à minha tia... Nem toda a gente com quem me dou tem boas maneiras nem é respeitador (principalmente das crianças)...
      Eu acho que isto acontece devido à timidez da Carolina... Se ela não fosse tão tímida, as pessoas não insistiam tanto. Se calhar é isso q acontece com as tuas. São mais à vontade e estas invasões não chegam a acontecer. Com crianças tímidas isto torna-se complicado...

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    5. Acontece muito frequentemente mesmo! Se calhar não em Santarém ��

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    6. Joana Gama, fiquei a pensar se a peguei ao colo de fato de banho e tudo ou se lhe pedi beijinhos só para veres o quão o teu comentário me "perturbou". Não costumo esmagar crianças que não as minhas (ou as minhas sobrinhas) de colo e beijos e cócegas, mas podia ter-me dado para aí.
      Rita, não me faz confusão se lhe deste uma festinha ou um beijinho, se ela não se importou. Que me lembre não se importou. :)

      Eu dou beijos diferentes consoante conheço ou não as pessoas, com intenções diferentes e durações ou intensidades diferentes. Se me estão a ser apresentadas, se são minhas conhecidas, se são minhas amigas do peito. Mas cumprimento dessa forma, não me faz confusão alguma, não me tira pedaço. Como faz quem não dá beijinhos? Estende a mão? Diz olá com a mão? Só para perceber, não estou habituada a lidar com essas situações.

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    7. Beijinhos no pescoço e palmadas no rabo? Pegar na menina nua? Eu até estou assustada. Eu não vejo é semelhança entre o post da Joana PB e o comentário da Joana Gama. São temas muito diferentes.

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    8. Alguma vez pegar numa criança nua ou beijinhos no pescoço é boa educação ou modos? Eu acho que a JG deveria falar mais sobre isto porque nada tem a ver com o que a JPB escreveu. Penso que também será uma forma de alertar as pessoas para comportamentos absolutamente inapropriados para com as crianças.

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    9. sim, Joana, um olá e um sorriso chegam! nao é preciso dar beijinhos a toda a gente, isso é costume em Portugal mas há muitas culturas onde nao se faz, e não significa necessariamente que sejam mal educados ou antipáticos. quanto às crianças, basta termos alguma sensibilidade para percebermos se a criança se sente à vontade ou nao. qdo sentem, nao se "escondem" nem agarram às pernas das mães/pais/cuidadores, nao desviam o olhar, sorriem e vê-se que estão descontraídos. aí temos "autorização" para tocar, seja uma festinha, um abraço,um beijinho. a pergunta: posso dar-te um beijinho? também permite perceber se estão à vontade ou não. agora chegar ali e pegar na criança e espetar-lhe abraços e beijos como se fossem propriedade pública.. nao me faz sentido. mesmo que sejam familiares próximos.

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    10. nem tanto ao mar nem tanto à terra. nao sei bem com quem voces se dao mas nao sinto esses abusos nem nunca senti relativamente aos meus filhos. Acho que se está a partir para uma espécie de histeria colectiva relativamente aos nossos filhos que no outro dia uma senhora de idade fez uma festinha no cabelo NO CABELO! de uma bebé e vem de lá a mãe com a mão desviar essa senhora, algo que me pareceu muito rude! Nao querem contacto de nunhuma especie com pessoas na padaria, na rua, no supermercado(sim, porque ate com desconfiança olham para pessoas que metem conversa com crianças, ao pe dos pais...) que tal irem numa ilha deserta? Podemos ensinar-lhes que não se fala com desconhecidos quando os pais não estao por perto, mas não temos de lhes passar esse medo e essa desconfiança quando estão connosco, certo? Quando ao resto, que saudades que eu tenho do meu tio, que ja nao cá está, quando me enchia de beijufas e eu o desafiava a correr atrás de mim para me fazer cócegas e esmagar com beijinhos por todo o lado... hoje em dia pelos vistos isso seria um atentado! Tenho algum medo desta visão tão angustiada dos outros. Rita

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    11. JG mas tu deixas que as pessoas desconhecidas peguem na tua filha quando ela tá nua ?!?!? Que cenário mais sinistro .. claro que existem crianças mais tímidas mas não é disso que a JPB está a falar , penso eu .. todos os dias me cruzo com adolescentes que nem um bom dia dizem .. é esse tipo de filhos que vocês querem ?!? É esse tipo de adultos que vocês são ?!?! Boa sorte com isso .

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    12. Oh Joana Gama, com que tipo de adultos é que tu te dás que querem dar beijinhos no pescoço, apalpões no rabo e pegar na tua filha nua sem serem próximos dela?? ME-DO. Não acho isso nada normal nem nunca vi tal coisa...

      Nunca senti esse tipo de pressão da parte de desconhecidos em relação ao meu filho. No máximo uma senhora mais velhota na rua a querer fazer-lhe uma festa e é isso. Quando ele era muito bebé não deixava, por uma questão de higiene (as mãos das pessoas são nojentas e cheias de germes LOL), mas agora (quase 2 anos) deixo tranquilamente se ele não se importar (embora não goste de beijos nem muito de passou-bens por causa daquilo das mãos nojentas ahahah, mas se ele quiser dar nada digo). Pessoas conhecidas - por exemplo a senhora da portaria do colégio, que lhe pede sempre um abracinho - deixo que seja ele a decidir e também nunca vi ninguém querer forçar. Gosto de metam conversa com ele, sobretudo porque ele também adora e dá imensa trela. Enfim, se calhar tenho tido sorte com o bom senso das pessoas com quem me cruzo em Lisboa.

      JPB, eu se pudesse abolia os dois beijinhos como forma de cumprimento social, aliás, só cumprimento assim os amigos/família ou alguém que me seja apresentado directamente ou não veja há muito tempo, pessoas que vejo todos os dias (colegas de trabalho, educadoras e auxiliares, conhecidos do bairro) é olá, boa tarde e um bom sorriso. Faz maravilhas e não implica cuspo na cara ;)

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    13. Joana Gama vai-te tratar, a sério... tu não és normal

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    14. A JG diz estas coisas para ter mais protagonismo e para causar sururu, não é?

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    15. Não. Desconhecidas não, como é óbvio. Quando disse desconhecidas é sem grau de intimidade apropriado com a MINHA FILHA para o fazerem :)

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    16. Joana, ela contigo tem essa intimidade :)

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    17. Totalmente de acordo com o anónimo de 11 de Julho (12:46h).
      Pois Joana Gama, mas provavelmente és tu que permites que a tua filha esteja nua em frente a pessoas "...sem grau de intimidade apropriado..." com a Irene.
      Certamente não é a Irene que se desata a despir em frente a outros (apesar dos teus ensinamentos de que estar nua é fabuloso e andar nua o dia inteiro pela casa toda é uma maravilha, como já vimos em posts teus publicados anteriormente) nem serão os outros que a despem...

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  2. Também não acho certo obrigar as crianças a dar beijinhos ou abraços se não quiserem. No entanto, tento incutir a boa educação. Há o "bom dia", o "se faz favor" e o "obrigado" que são sagrados, quer o menino goste quer não. Para mim faz parte de viver em sociedade ser minimamente cordial. A empatia e a simpatia, essas vêm por acrescento. Porque sou assim e porque gosto que me tratem assim. E porque acredito que um sorriso gera um sorriso e um acto altruísta nos pode tornar um dia que estava a ser cocó num dia mais soalheiro.

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    1. Concordo em tudo com a sua opinião Marta :)

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  3. Concordo com as duas Joanas, obviamente tudo tem de ter bom senso. Defendo acima de tudo boa educação e respeito pelas crianças, pelo seu espaço e penso acima de tudo, que enquanto mães temos o dever de os preparar para a inclusão e para o futuro como pessoas adultas que se tornarão.

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  4. concordo plenamente. tenho uma filhota de 4 anos a quem também não obrigo a dar beijinho só porque lhe pedem. eu também não ando para aí a dar beijos a toda a gente. respeito o seu direito de não querer ser agarrada e beijada só porque acham que ela é uma gracinha!

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  5. Concordo a 1000% contigo Joana (PB). Acho que esta coisa da educação positiva e "sem autoridades" é toda muito bonita (acho mesmo,não estou a ser irónica),mas tem de ser usada com muito critério é muito bom senso,algo que consabida e lamentavelmente falta a muitas mães (e pais,mas mais mães) por aí. E por isso temo que em breve estejamos perante uma certa franja da sociedade composta por reizinhos mal educados porque nunca ninguém lhes disse que não nem os obrigou a nada que se tornarão em adultos frustrados e infelizes sem saber reagir quando a vida lhes der desgostos e frustrações como todas sabemos que,por mais feliz que seja,acaba por dar. Por isso sim: partilhar,cumprimentar sou super a favor de incentivar sem forçar e sem fazer disso uma guerra,muito menos no local. Dizer por favor e obrigada incentivar MUITO e sempre,sobretudo como dizes,através do exemplo,porque aqui nem sequer há a questão da propriedade nem do espaço pessoal,dizer "palavrinhas mágicas" não tira pedaço a ninguém e deve, sim, ser incentivado com muita insistência se for preciso. Quanto aos beijos tenho uma posição mais reservada,não chegando a pensar como a JG que não gosta que peguem à filha de fato de banho (?estamos a falar de estranhos ou de amigos/família? Se for a primeira compreendo,a segunda acho esquisito), porque de facto não vivemos numa ilha e devemos ensinar a viver em sociedade,em comum com os outros, acho que com o corpo não se deve mesmo insistir. Alias,o que eu costumo fazer,salvo se for família próxima ou grandes amigos,é nem dizer nada sobre abraços e beijinhos ou então dizê-lo sobre a forma de pergunta (queres dar um abracinho à X?) e deixar que seja ele a decidir o que fazer . A maioria das vezes não dá beijinhos nem deixa que lhe peguem,se for outra criança dá um abraço e por mim tudo bem.

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    1. é com pena que ainda vejo muita confusão entre parentalidade positiva e falta de autoridade ou de "não".. é uma tendência achar-se que parentalidade positiva é apenas deixar fazer tudo, permitir tudo, cumprir todos os desejos e vontades das crianças. não é. parentalidade positiva é uma forma de dar educação que não passe por estratégias negativas (bater, humilhar, desrespeitar, etc.). ou seja, também se ensinam limites, regras de conduta social, a lidar com emoções (e a frustração é uma muito importante), a ter responsabilidade e empatia. só que as estratégias que se usam é que podem diferir das "tradicionais". nenhuma abordagem séria da parentalidade positiva defende que se deixe os meninos e meninas fazerem tudo o que querem, quando querem e como querem. portanto, a parentalidade positiva não precisa de ser usada com cuidado. precisamos é saber se o que estamos a usar é parentalidade positiva ou permissividade ;)

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    2. Ana, não há confusão nenhuma da minha parte! Eu sei muito bem o que é parentalidade positiva e é o que tento todos os dias colocar em prática. Mas que existe muuuuita confusão existe, se fizer parte de algum grupo de parentalidade/disciplina positiva no facebook verá lá espelhada a GIGANTE confusão que vai na cabeça de algumas mães que defendem reiteradamente que disciplina positiva é não existir autoridade em casa, "ninguém manda em ninguém" dizem elas, não há regras impostas mas sim todas negociadas (muito para além do limite do razoável), o que tem os resultados perniciosos que referi.

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    3. ok, então fui eu que percebi mal a frase "Acho que esta coisa da educação positiva e "sem autoridades" é toda muito bonita" :) pareceu-me que estava a dizer que a educação positiva não tem autoridade.. my mistake!

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    4. Sim, talvez não me tenha expressado bem, o que queria dizer é que há por aí muita gente que pensa que a parentalidade positiva implica que os filhos "mandam tanto" como os pais, penso que é uma confusão com a regra do "igual valor", que diz que os filhos têm direito à sua opinião e que ela deve ser sempre tida em conta e valorizada, algo com que concordo a 100%, mas em última análise a decisão, a última palavra, é dos pais, que são os educadores.

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  6. Ah,mas acrescentar que estou com a Joana Gama no sentido da protecção: se vejo que estão a tentar forçar o meu filho a um contacto físico que ele claramente não quer,sejam estranhos ou conhecidos,digo logo: "ele não quer,não vale a pena forcar",quero lá saber se as pessoas levam a mal.

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  7. Pois que depende do que consideramos educação. Se for cumprimentar, dizer obrigado e se faz favor, acho que se deve incentivar. Tudo o que mexa com a esfera do espaço pessoal e físico acho que se deve respeitar. Quanto a emprestar, devemos dar o exemplo e incentivar, MAS li uma vez num blog uma perspectiva muito interessante. Não se deve obrigar a emprestar porque a outra criança está a chorar ou a fazer birra. Especialmente entre irmãos, se fizermos isso estamos a ensinar que quem chorar ou berrar mais alto vai ter o que quer. O que não acho nada produtivo. Portanto, se uma criança pede, pode-se dizer algo como: não queres brincar com o menino, podes emprestar agora e a seguir brincas tu, é mais giro ter companhia para brincar. Mas nunca digo: empresta que o menino está a chorar, olha que triste que ele ficou até está a gritar. Não sei se me fiz entender.. no fundo acho que tudo passa pelo exemplo, por verem em nós que devemos cumprimentar, dizer por favor e obrigado, e partilhar as nossas coisas. Em casa andamos sempre a pedir por favor e a agradecer, e fartamo-nos de "treinar" a partilha as refeições, quando está a brincar, etc. tem 3 anos e cumprimenta toda a gente na rua (até me faz ter medo daquela parte de ir com qualquer pessoa..), usa muitas vezes o por favor e obrigada espontaneamente e quase nunca recusa partilhar (nem temos que intervir). Pode ser sorte mas acredito que tem muito a ver com o exemplo e com o não forçarmos as coisas.

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  8. Acho que é fundamental que as crianças aprendam como estar em sociedade, o futuro delas constroi-se desde cedo e cumprimentar, despedir-se, agradecer e partilhar fazem parte das bases de boa educação na sociedade em que vivemos (pelo menos gosto de pensar que assim seja!)... acho que devemos incentivar essas atitudes e não o contrario. Enquanto são pequenos tudo se desculpa mas depois é complicado quando uma criança com 7 ou 8 anos não dá beijinho ou dá a contra-gosto e vai limpar a cara a seguir... (eu já vi isto!) Por isso incentivo sempre o meu pequeno a fazê-lo e é um orgulho que com 20 meses ele já tem essa iniciativa e diz sempre olá a toda a gente e obrigado quando lhe dão alguma coisa. Beijinhos às meninas e "passou-bem" aos meninos também está sempre disposto a dar :) claro que sem fundamentalismos, mas a educação é muito bonita e é isso que fica para o futuro.
    Helena Mendes

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    1. verdade, educação é maravilhoso! apenas uma ressalva.. eu sou muito bem educada e virava a cara às pessoas quando me falavam. nao era má educação, era uma vergonha horrível, lembro-me como se fosse hoje de só querer um buraco para me enfiar, da vergonha que sentia por estarem a falar comigo (pior ainda quererem beijos e abraços). por isso há que distinguir a criança que nao cumprimenta porque não foi educada, ou tem maus modos, da criança que nao cumprimenta porque tem um "problema" de ansiedade social. não é bom para ninguém enfiar tudo no mesmo saco...

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  9. Para mim é importante ouvir a minha filha, respeitando os sentimentos dela, sim porque ela é pequenina e porque são "os monstros" que ela ainda não sabe lidar com eles. Para mim o facto de tirar um brinquedo a uma criança para a outra brincar não acho correcto, acho que vai desencadear uma frustração e um pensamento de que se eu gritar e chorar mais que a outra então vou ficar com o brinquedo. Nem sempre é fácil ter atitudes diferentes do que a sociedade esta habitoada, e quando se faz algo diferente à que estar preparada para criticas.

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  10. É um assunto que tenho de trabalhar com o Vicente, mas que ainda tenho tempo (já que ainda é pequenino). O que acho importante é que digam bom dia/boa tarde, que se despeçam, peçam desculpa e digam por favor obrigado. Pode dar um aperto de mão ou um "dá cá mais cinco", na versão moderna. Beijos e abraços, só se quiser. Acho que o contacto físico só deve existir se houver vontade. Mas também não custa incentivar e incutir. Muitas vezes com o nosso exemplo. Desde sempre que lhe digo obrigada e lhe peço por favor. ;o)

    translocacaodoamor.blogspot.pt

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  11. Com a parte dos beijos concordo. Com a parte do cumprimentar e agradecer, não. Se daqui a uns anos, elas não cumprimentarem/agradecerem, poderá ser mais complicado incutir-lhes isso. Mas são maneiras diferentes, ambas aceitáveis, de lidar com o assunto.

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  12. Ola a todas! Aqui vai um comentário, creio que pela primeira, talvez por ser um tema ao qual sou sensível. Não misturo o cumprimentar e o agradecer com o beijinho. Incentivo as minhas filhas a cumprimentarem quando chegam, quando passam na rua por quem conhecem e a dizer adeus quando se despedem, mas o beijo fica ao critério delas. E detesto que digam coisas do género "se não me dás um beijinho vou ficar triste", ou "tenho um presente para ti mas primeiro tens que me dar um beijo" ou outras pérolas do género que mais não passam de chantagem emocional, à qual não quero que se habituem a ceder. E sim, são exemplos que já presenciei, que me arrepiam e me fazem agir de imediato. Porque há muitos adultos que têm que ser chamados à razão. Muito provavelmente não sabem que estão a agir mal, Mas estão. Não obrigo as minhas filhas a darem beijinhos só para não ferirem susceptibilidades. Cumprimentar verbalmente, claro que sim. Fisicamente, só se elas quiserem. Agradecer, sempre! Quanto a emprestar, tento usar o bom senso. Acaba por depender das situações. Partilhar deve ser entendido como algo positivo e não uma obrigação. Colocando-me do outro lado, não gosto de ver uma mãe ou pai a obrigar um filho a emprestar alguma coisa às minhas filhas. Portanto, também não o faço com as minhas. Incentivar a partilha, sim. Obrigar, não. Mas isso já se pratica muito cá em casa porque são duas e têm que gerir o que cada uma quer.

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    1. Para mim ser educado passa por dizer bom dia, boa tarde, até amanhã e sou muito, muito chata com isso e não abdico! Se há coisa que me enerva são os adultos mal educados que "nem" bom dia dizem. Quanto a beijinhos a toda a gente confesso que me dá ganas, frases como a que refere fazem-se transpirar. O meu filho que é esperto e manipulador desde que nasceu, dava beijinhos a troco de presentes! E as pessoas achavam giro. Como é possivel que a chantagem funcionasse desta forma e o adulto ficasse feliz em comprar um beijo.
      Hoje, com 8 anos, o meu filho dá beijinhos às pessoas próximas e eu não obrigo a dar beijinhos a pessoas cuja relação não é muito próxima. Eu também não ando por aí a distribuir beijos, a Deus a e todo o mundo, e um aperto de mãe seguido de um bom dia parece-me perfeitamente suficiente.
      Sandra

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  13. Bem, eu vivi muitos anos foram de Portugal e talvez por isso tenho umas "dificuldades" com os hábitos muito físicos nacionais. Não adoro dar beijinhos sem ser a pessoas muito próximas mas percebo que faça parte das regras de educação locais. Muitas vezes cumprimento apenas sem beijinho e é isso que ensino aos meus filhos. Não são obviamente obrigados a deixarem-se tocar ou a muita aproximação física mas são obrigados a dizer olá/bom dia ou adeus. Acho que não se deve confundir as coisas do que são as reservas/limites do próprio com o ensinar a viver em sociedade. E mais uma vez temos de nos por na pele do outro e verificar se o nosso comportamento está a traduzir aquilo que pretendemos. Já vi cenas de mães a reagirem com uma agressividade e desdém brutal para com senhoras de idade que claramente só estavam a tentar ser simpáticas que me preocupam relativamente a mensagem que estão a passar aos filhos. É que os nossos filhos só são especiais para nós. Para o resto do mundo são apenas miúdos iguais aos outros e é melhor que se habituem a isso.
    Relativamente ao comentário da JG também não percebo muito bem: em que ocasião é que desconhecidos pegam ao colo na criança de fato de banho ou nua?

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  14. Eu não gosto de cumprimentar com beijos e não insisto que os meus filhos o façam e detesto que outros pais quase obriguem os filhos a cumprimentarem-me com beijo. Se vejo a criança desconfortável estendo a minha mão e elas raramente recusam esta forma de cumprimento. Aos meus filhos incentivo o responder ao cumprimento verbal, o olá, o bom dia. E a estenderem a mão quando não querem cumprimentar com beijos. O meu filho queixa-se que, se dá confiança, os adultos desatam a fazer perguntas e ele não quer responder.
    Sonia

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  15. Concordo a 100% com tudo o que está escrito no post. Eu percebo o que a JG escreve no comentário, na medida em que também compreendo quem aborde a Irene na rua. Quer queira quer não, as leitoras e leitores vêem a Irene (e a Isabel e a Luísa) no Blog em todas as situações mais privadas que há uns anos só víamos em álbuns de fotografias de família e amigos. É natural que a sintamos perto. Eu nunca o faria, mas ainda no outro dia penso que estive na mesma esplanada que o irmão da JPB e reconheci-o. Isto acontece com naturalidade e é consequência da exposição pública que vocês escolheram. Se é uma faca de dois gumes? É certamente sem dúvida. Se levanta questões morais e culturais de ambas as partes? Levanta. Em tudo existe uma contrapartida. Ter o melhor de 2 mundos é quase impossível, e acredito que a grande maioria das pessoas que aborda as vossas filhas na rua são bem intencionadas, mas tenham consciência que público é público e uma vez na esfera pública, está à vista de todos.

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    1. Nunca nenhuma leitora foi pouco apropriada quando nos aborda e Ana faz-nos estrelas que não somos hehehe :)

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    2. Ahahahahah mas vocês são. Há que assumir isso em pleno. Já me fizeram ver um programa matinal daqueles de fugir e no outro dia vi também a tua entrevista na SIC Radical. As pessoas podem ser inapropriadas sem serem mal intencionadas. Claro que todos temos aquela tia que....quem nunca? O mundo é feito desta matéria que...às vezes incomoda. Aconteceu-nos um episódio que me deixou um bocado arrepiada: uma total desconhecida a tirar fotografias aos nossos 2 pequeninos sem perguntar sequer se podia. Para um workshop de fotografia. Devia pensar que estava na Amazonia. Claro que apagou imediatamente as fotografias. Sorrisos e tal etc tudo bem mas eu já estava a ver o meu marido a transformar-se em Stefano Casiraghi... portanto sim...eu sei que há pessoas para lá de inconvenientes. São as mesmas que nos dizem que estamos gordas quando estamos grávidas and so on... que paciência.
      Beijinhos 😉

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  16. Não obrigues os outros a fazer o que tu também não gostavas, quando era pequena detestava beijos, pois molhavam-me o rosto e ficava com um cheiro horrível entranhado na pele, por isso não obrigo a minha filha a beijar ninguém, mas cumprimentar é imperativo, só que como ela é timida eu não ouço o cumprimento e chamo-a à atenção, é uma base para a vida, na vida social,no trabalho isto é importante, muito importante, faz parte de viver em sociedade, beijos no trabalho não nem eu gosto nunca gostei, como costumo dizer trabalho é trabalho conhaque é conhaque e no entanto algumas das minhas melhores amigas trabalham comigo.

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  17. Olá, eu não obrigo a minha filha a dar beijos, pois lembro-me que quando era pequena davam-me beijos e deixavam-me o rosto todo molhado e com um cheiro horrivel, ainda hoje faço um comentário quando me deixam o rosto molhado, mas contudo a Diana tem por obrigação cumprimentar as pessoas, é imperativo, pois faz parte do viver em sociedade, é importante para a vida social o trabalho etc., no trabalho dar beijos não concordo de todo, tenho grandes amigos no trabalho, mas contudo como diz o ditado " trabalho e trabalho conhaque é conhaque, não misturo as coisas.
    Quanto a partilhar, mais uma questão imperativa para a Diana, no Natal ou no aniversário quando recebia bonecas, se lhe davam duas ela tinha que escolher pelo menos uma para dar a quem mais necessita, não só com com bonecas, mas com tudo. Aliás e se calhar não vem no contexto mas quando ela não lancha, ou na escola ou no ATL, leva sempre um sermão, pois quantas crianças não ficariam felizes com a sandes de queijo e fiambre que ela deixou estragar?

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  18. Cá em casa é assim:

    Não obrigo a dar beijinhos fora do ambiente familiar/escola - tios, primos, avós e professora/auxiliar (estas, quando se aplica - no fim do período escolar, por exemplo). Se disser olá/bom dia/adeus estão as apresentações e despedidas feitas;

    Se convido amigos dela lá para casa, digo-lhe que deve emprestar. E até lhe digo que se não quer emprestar algo lá em casa, então deve guardar. O resto, fica à disposição de todos. Se leva um brinquedo para a rua, empresa se quiser.

    Se se esquece de agradecer, lembro-a.

    Eu cumprimentos as crianças menos beijoqueiras com um olá, uma festa ou beijo na cabeça.

    É isto ;)

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  19. Sou uma pessoa tímida e nunca gostei que me obrigassem a cumprimentar as pessoas com bjnhos, seguramente não irei obrigar os meus filhos (quando for mãe) a fazer o mesmo! ;)

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  20. O meu filho de 11 anos já dorme... se não ia perguntar-lhe a respeito. Eu não me recordo de fazer isso de um modo pensado, ou consciente. Ajo com naturalidade, que nem penso sobre o assunto. Mas é um excelente tópico de conversa para amanhã ao pequeno almoço. kkkkk

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