terça-feira, 11 de julho de 2017

Como digo que gosto de ti.


Todos os dias, quando acordas, tenho saudades tuas.

- muito porque já dormes a noite toda e, por isso, já não acordo com vontade de chorar e a perguntar-me porque é que tive filhos.

Quando demoras mais do que uma hora a adormecer e a acalmar, já não me irrito. 

- tirando os dias em que estou quase e digo "a mãe está frustrada e farta, Irene, ajuda-me por favor". 

Quando estás sempre a fazer-me perguntas enquanto cozinho e a dizer "olha para mim", é com pena que não consigo estar 100% atenta.

- excepto quando tenho algo a queimar ou estou verdadeiramente lixada porque acabei de estragar um lote de quatro hamburgueres por ter tido a brilhante ideia de lhes juntar banana. 

Quando me chamas por nada enquanto vês desenhos animados e eu, mesmo sabendo que não é nada, vou. 

- Já não "bufo" antes de ir, sei que é algo parvo mas que queres partilhar comigo, mesmo estando a meio de algo. 

Quando me bates, sei que é porque sabes que podes e não porque estás mal-educada. 

- O amor incondicional dá espaço para que tu sintas que podes, apesar de saberes que não deves. Não me zango contigo, não fico eu com birra. Tento explicar-te, a seu tempo, as tuas emoções e maneiras mais eficazes de lidar com isso. 

Todos os dias antes de adormeceres (às vezes de adormecermos) dizemos "coisas bonitas uma à outra" e é só um pretexto para poder olhar para ti contigo mais quieta. 

- Dantes só queria despachar tudo e que adormecesses, não queria conversas. Agora sinto que nem todo o tempo é suficiente. "Tu és a minha estrela cor-de-rosa mais bonita com brilhantes, Irene". 

Quanto fazes birras por tudo e por nada e, em vez de entrar no mesmo registo, te abraço ou me ausento uns segundos para respirar fundo antes de "reagir a quente". 

- Não são os terrible two, nem three. Consigo ver-te mesmo quando estás vermelha de raiva e de desamparo. 

Há um ano. 


Gosto de ti, Irene. Fazes-me querer ser melhor todos os dias. Por mim, por ti e por nós. 


41 comentários:

  1. Obrigada por este post!
    É importante sermos melhores todos os dias, e este post vai ajudar-me! :)

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  2. sobre os 16 anos do meu filho e este texto
    (excepto a parte do bater)
    não mudo uma virgula
    [obrigada]

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  3. Este texto é o mais bonito e interessante de todos.
    Na minha opinião e na minha forma de sentir esta é a forma mais valiosa de dizer que amamos alguém. Não é a única mas é a melhor de todas.

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  4. "Quando me bates, sei que é porque sabes que podes e não porque estás mal-educada." - wow. Concordo com tudo Joana,menos com isto. Ao permitir que a sua filha lhe bata está a ensinar-lhe que não há problema em bater (maltratar) as pessoas de quem mais gostamos quando não nos sentimos bem e isso é fundamentalmente errado!! No que a crianças pequenas diz respeito há poucas coisas inadmissíveis,mas bater nos pais é uma delas,nunca,jamais em tempo algum deve ser tolerado sem censura.

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    1. Eu li bem,obrigada, e mantenho tudo o que disse.

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    2. Nunca se pode aceitar o bater lamento. É óbvio que é descontrole e é porque sabem que podem mas esse é para mim daqueles pontos não negociáveis é que me merece reação firme e dura. As pessoas que mais gostamos não podem ser onde descarregamos frustações: nem os pais, nem os amigos, nem os irmãos, nem os parceiros

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    3. Pode ter lido, mas não interpretou bem. E explique então, por favor, como é que não vai tolerar. Vai bater de volta? Bela lógica! Para os meninos perceberem que quem bate mais forte ganha, é?

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    4. Claro que não, anónima das 20:28 e se percebeu isso do meu comentário, a anónima é que não leu/interpretou ou o que seja correctamente. Em algum momento disse que a solução é bater de volta? Acalme-se lá e leia bem. Eu interpretei bem o que a Joana disse. Não concordo que não exista reacção quando uma criança bate. E depois publiquei outro comentário bastante extenso a explicar como é que, no meu entendimento (e dos profissionais com quem já falei sobre isso) se deve reagir nessa situação, mas não foi publicado, ou saí da página antes de ficar publicado, não sei, de todo o modo não aparece, por isso vou resumir: Eu sou fundamentalmente contra o bater, não bato e por isso também não admito de forma nenhuma que me batam a mim. Não é assim que se resolvem os problemas e acho que devemos deixar isso bem claro às crianças. É óbvio que a Irene bate na mãe, como qualquer criança pequena que bate nos pais (e que não tenha um problema maior de fundo, mas isso são outros 500 e não é do que estamos a falar) fá-lo por estar descontrolada/cansada/frustrada/furiosa. Não é nada pessoal, nem premeditado, óbvio. Mas não pode ser tolerado com um sorriso, sem aborrecimento e com uma conversinha mansa depois. Se estiver interessada digo-lhe como é que os especialistas recomendam que se reaja: logo que possível, agarrar com firmeza os braços da criança, fazer uma cara grave e dizer com voz firme "Não" ou "não se bate", "isso não se faz à mãe nem a ninguém", etc., e depois contrapor com algo positivo, do tipo "fazem-se festinhas", "dão-se beijinhos/abraços". Quando a criança se acalmar então ter a conversa da Joana, dizer que se compreende que a criança esteja zangada/cansada, o que for, mas que bater nunca é solução e não se pode (não é não se deve, é não se pode) bater na mãe, pai, avós, irmãos, amigos. Bater é errado. Esta ideia tem de ficar bem vincada, temos de estabelecer limites às crianças, aliás, as crianças precisam de limites e de regras para crescerem felizes e estruturadas! Precisam mais ainda de amor, claro, ninguém põe isso em causa, mas está mais que estudado que uma educação absolutamente permissiva (a menina faz/veste/diz/cumprimenta/dorme como quer, o que quer, quem quer) é prejudicial para o bem-estar dos miúdos. Se não acreditam em mim perguntem a qualquer especialista em saúde mental infantil.

      Finalizando, o facto de uma criança bater quando está "descontrolada" como a Joana diz não significa que possa fazê-lo. Conhece algum adulto que bata noutro quando está num estado perfeitamente calmo e em si? Não, pois não? Os violentadores domésticos também batem quando estão descontrolados, as pessoas também se passam quando estão furiosas no trânsito, ninguém (a menos que sofra de distúrbios psicóticos) agride os outros num estado de perfeita calma, certo? Por isso está a ver o tipo de mensagem que o "tolerar o bater porque a criança está descontrolada" envia para o futuro, não está? Que é OK bater nas pessoas, e nas pessoas de quem mais gostamos, quando não nos sentimos bem. Errado.

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    5. S, a Joana nunca disse que permitia que a Irene lhe batesse com um sorriso na cara. Eu cito: "Quando me bates, sei que é porque sabes que podes e não porque estás mal-educada.
      - O amor incondicional dá espaço para que tu sintas que podes, apesar de saberes que não deves. Não me zango contigo, não fico eu com birra. Tento explicar-te, a seu tempo, as tuas emoções e maneiras mais eficazes de lidar com isso." Não diz em lado nenhum que ela não faça exactamente o que diz. Dizer de forma grave "Isso NÃO se faz!!" não é zangar-se com ela, pelo menos não para mim. É ensiná-la. Eu também não acho que a S. tenha interpretado correctamente, e isto só fica provado pelo facto de eu concordar consigo e com a Joana, embora a S. discorde da Joana.

      E normalmente eu não venho para aqui defender as bloggers, que elas podem fazê-lo sozinhas. Mas eu não acho que a Joana Gama seja permissiva, nem obsessiva, nem nada do que muitas vezes a acusam. Eu acho que ela é uma mãe que dá o seu melhor, que quer fazer o melhor possível, que se dá ao trabalho de questionar a opinião comum, e que dá à Irene o melhor que ela tem, sabendo que por isso não fica mais pobre, mas mais rica. E que ainda se dá ao trabalho de vir para aqui partilhar isso connosco, expondo-se a uma vida pública; e tenho a certeza de que, pelo menos no início, e acredito que ainda agora, não o faz por ambição pessoal. Há sempre maneira de discordar dos outros de forma educada e construtiva - o que a S. costuma fazer, mas que muitos não fazem. E que estragam uma discussão que podia ser muito interessante, mas que deixa de ter lugar quando o tom azeda.

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    6. Inês, desculpe, mas eu interpretei que a Joana não se zanga com a Irene quando ela lhe bate. A própria em baixo diz que "não lhe abre os olhos", mas sim que que toda a calma lhe diz que não o faça, e isso, a meu ver, não chega, não traça um limite, às vezes e em determinadas situações devemos mesmo zangar-nos e, sim, não faz mal levantar a voz de vez em quando, não para meter medo, claro, mas para mostrar que ali quem tem a última palavra somos nós, nós é que somos os educadores, por mais valiosas que sejam (e são) as opiniões e vontades deles. Talvez a Joana queira esclarecer se faz isso ou não.

      Quanto ao segundo parágrafo do seu comentário, concordo em tudo, especialmente que a JG e a JPB são mães que dão o seu melhor e que obviamente adoram as filhas e lhes dão o melhor de si. Por isso sou seguidora do blogue :) mas também acho que o blogue serve precisamente para criar debates (preferencialmente construtivos) e que se expõem a sua vida se expõem também a críticas, o que penso até ser a ideia principal de um blogue de maternidade como este. Aliás, se isto fosse sempre só fotos fofinhas e posts publicitários não tinha interesse nenhum, era "mais um" blogue desses, que não é, as Joanas sabem disso e também falam destes assuntos para criar sururu e views, o que é normal e compreensível, pois é trabalho para elas. E sim, claro que uma discussão construtiva e interessante é sempre muito mais interessante do que um atirar de insultos gratuito.

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    7. Ah, e também percebi que a Joana não lhe agarra os braços, não evita o comportamento, permite-o, o que acho que não está certo. Será que percebi mal? Acho que não.

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  5. Vou só deixar claro que quando A Irene me bate não respondo abrindo os olhos para bater medo ou com ameaça de violência de volta. Sei que ela me bate por estar descontrolada. Digo que não se pode fazê-lo, com calma, e tento ajudá-la a expressar -se de outra forma. Já não me tira do sério. Já não vejo como algo pessoal ou como conflito premeditado. Seja o que for.

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    1. Óbvio ! Mas quem é que não percebeu isso?!

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    2. Mas bater tem de provocar uma reação forte e firme. Não é um comportamento de descontrole a que se deve reagir da mesma forma que os outros. Ou quando a Irene tiver um namorado que lhe pregar uma bofetada porque se descontrolou também deverá reagir com calma?

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    3. Fico triste que não tenha publicado o meu comentário anterior,não dizia nada de ofensivo nem era de todo mal intencionado. Enfim.

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  6. Cada um faz como quer e pode e acha que deve. Não acho que a minha seja a melhor táctica mas é a minha e dela não abdico. Quando a minha filha - essa rebelde sem causa - me levantou a mão eu bati-lhe na mão. Chorou. Não gostou. Pois. Expliquei-lhe que não se bate em ninguém porque isso faz doer. Dói. Com o pai fez o mesmo e levou um açoite como só um pai sabe dar. Nunca mais repetiu...Dói-nos mais que a eles mas somos nós pais que lhes temos de explicar e não em forma abstracta o porque não se deve isto ou aquilo. E disto eu não abdico. Beijinhos Joana

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    1. Acho compreensivel a sua atitude, não é um palmadão, não é magoar para chorar, mas sim pôr logo ali o travão de que iss não pode, nunca, repetir.
      As crianças crescem, viram adultos que vivem (supostamente) em sociedade, e aí é que depois se nota alguns dos erros que cometeram com eles na infância... Não querendo com isto censurar a sua opinião/atitude Joana, acredito que cada mãe faz o melhor que sabe com base no que acredita ser melhor para os filhos. Mas esta é a minha.

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    2. Uau... "expliquei-lhe que nao se bate a ninguém". Exceto o pai e a mãe, a ela! Ensinar que nao se bate, batendo, nao parece um contra-senso?

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  7. Honestamente chega a chocar-me esta anuência cega aos comportamentos dos mais pequenos! Não sei o que é pior, se o bater por bater se bater por estar descontrolada e isso ser assim desculpável ao ponto de não ter consequências! Beijinhos

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    1. O pior é o mais forte bater no mais fraco para conseguir assim a sua vontade. É a pessoa que nós mais amamos e de quem dependemos completamente nos bater, e ainda por cima dizer, por palavras ou implicitamente, que a culpa foi nossa. O cérebro das crianças ainda não está suficientemente desenvolvido para controlar esse tipo de impulsos. O de alguns adultos parece que também precisa de fazer mais alguma ginástica.

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    2. "O pior é o mais forte bater no mais fraco para conseguir assim a sua vontade" ou como distorcer um comentário em 200 caracteres...
      Pronto vou fazer o mesmo, a ver se nessa linguagem nos entendemos: o fraco bater no mais forte já está certo, é isso?

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  8. Quando o meu filho tinha mais ou menos esta idade, passou por uma fase assim, queria bater—me. Tentei várias abordagens, falar, afastar—me, abraçar, explicar etc etc. Até que houve um dia que me fartei e disse—lhe que a próxima vez que me batesse, eu ia fazer igual. E assim foi, ele deu—me uma palmada na perna e eu idem. Nunca mais voltou a fazer. E eu fiquei triste, não bato nos meus filhos (foi há dois ou três anos e nunca mais o voltei a fazer) mas infelizmente neste caso foi o que funcionou.

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    1. Fiz o mesmo ao meu. Nunca mais repetiu.

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  9. Engraçado é como a maior parte dos pais acha q se ensina que "não se bate" batendo-lhes de volta. Because fuck logic.

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    1. Ou because, tentadas outras abordagens, é a forma de mostrar à criança que de facto não é forma de reagir pois ela própria não gosta quando é alvo da mesma reacção. Pensar que os pais que dão uma palmada são seres acéfalos também é engraçado. Vamos tentar não distorcer a coisa. Ninguém está a falar em espancar, mas tão simplesmente em mostrar pela experiência que é uma coisa errada. Não tenho nada contra pais que não o fazem e encontram outras formas de o fazer (se resultar) mas deixar bater porque coitadinho é como se sabe exprimir? Olhe fuck logic...

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  10. Então para ensinar que ela não pode bater bateu--lhe também? Que sentido é que isso faz? Se a criança não pode bater então os pais também não têm esse direito sobre ela. Para mim não faz qualquer sentido bater de volta. Seja em que situação for!
    Para mim o melhor é deixar passar o momento de raiva. Dizer com calma que isso não se pode fazer é mais tarde com a criança mais calma voltar ao assunto e explicar o porquê de não se poder bater.

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    1. É isso. E quando ele tiver 18 anos e lhe der um tabefe ou dois, vá falar com ele com mais calma depois de pôr o gelo. Ou então se calhar, mas só se calhar, experimente a agarrar-lhe o braço com firmeza quando ele o vai a levantar agora (enquanto ainda consegue).

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  11. Oh Joana, e até parecia que estava "a encarreirar"...
    Afinal, tudo na mesma...
    Irene faz, pode, quer e manda (e bate!!!) e mamá obedece e anui sempre com um sorriso na cara...
    Que coisa mai linda...

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    1. És só ridículo/a! ;)

      Desconfio que a sua mãe quando se apercebia da falta de inteligência do filho, se confortou com isso e seguiu com um sorriso na cara... Se não, não fazia este comentário.

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  12. Eu fico taaaooo chocada com certos comentários que vejo por aqui. Se antigamente havia porrada à séria nos miúdos (que abomino totalmente) hoje em dia só há psicologia do amor..e compreensão e educação positiva. Só mães perfeitas aqui que não dão uma única palmada...oh god..e que tal sermos um pouco realistas??? Eu aviso uma duas três vezes que não pode fazer X coisa..que não pode bater...dou-lhe "castigos", do tipo "se não paras a mãe vai arrumar..a mãe tira" e tiro mesmo..mas às vezes só a palmada resolve. Não lhe bato com força, óbvio, mas resulta! Na hora certa! Ninguém ama mais a minha filha (da idade da Irene) mais do que eu...digo e mostro-lhe isso várias vezes por dia...e não sou pior mãe por dar-lhe uma palmada quando acho necessário.
    Beijinhos Catarina

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  13. Há temas que serão sempre polémicos. Aliás haverá sempre polémica porque nenhuma cabeça pensa igual à outra. A diversidade de ideias é bom, mas a luta pela imposição das suas... poderá ser prejudicial, se formos agressivas (e batermos com palavras) umas às outras. A violência verbal deixa mais marcas do que um "enxota moscas". E algumas de nós somos contra "enxotar as moscas" aos nossos filhos, mas batemo-las da cara umas nas outras.

    A Mulher do 31 | Blog | Facebook | Instagram | Twitter |

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    1. Tenho seguido a discussão aqui e acho o seu comentário muito interessante. E até certo ponto, muito válido. Noutros temas, completamente válido e muito acertado: nós damos o exemplo e a violência verbal, que não é menos violência nem menos marcante que a violência física, é tão condenável como esta. Mas este tema tem algumas particularidades. As crianças são sempre as mais fracas nesta situação, como dizia um anónimo lá em cima. Nós podemos defender-nos umas das outras. E o problema de começar a ver "graus" de violência e a avaliar quais são os aceitáveis é um caminho perigoso e descendente. Um enxota-moscas pode não ser aceitável para algumas crianças. Para mim, por exemplo, numa situação em que um professor me deu um (a única, e injustamente) foi uma das situações mais humilhantes da minha vida. A violência nunca é a única solução, seja que violência for. E quando um adulto a usa contra uma criança, demonstra não saber que outra escolha tomar, como outras mães já disseram. Mas a responsabilidade de arranjar outros meios é dos adultos, que têm as ferramentas para isso, não das crianças, que não as têm ainda.
      A isto acresce, como outro anónimo dizia, que muitas vezes acabamos a pôr a culpa na criança ("a mãe só te bateu porque não teve outra escolha"). Isso é uma verdadeira maldade, mas também é uma armadilha fácil de se cair. Não deixamos os pequenos escolher a roupa, mas exigimos-lhe que consigam desmontar um processo tão complicado, para que eles ainda nem a parte do cérebro responsavel para isso têm desenvolvida? Como pais, temos de ser melhores que isso!

      E já agora uma pequena notícia sobre esse assunto. Eu moro na Alemanha e houve aqui, há pouco tempo, um estudo alargado sobre violência perpetrada por menores. O ultimo estudo do tema foi feito há dez anos. Desde essa altura, essa violência diminuiu 25%. Um quarto!!! É uma enorme vitória! E aquilo que mais contribuiu para isso foi, para espanto da classe política, a lei que proíbe a violência contra crianças, que também existe em Portugal mas que aqui é seguida como os alemães seguem a lei - sem excepção. Isso também trouxe uma mudança de paradigma. E isto mostra que encontrar outros métodos vale a pena, e como!!

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    2. Posso fazer algumas questões:
      1. Não é permitido aos pais ficarem sem opções?
      2. Compara a "violência" de há, digamos, 30 anos com a de agora? (se calhar é de mim, mas eu não vejo uma criança levar um sopapo há anos... E não estou a falar de enxota-mocas, lamento)
      3. É errado pôr "a culpa" na criança quando ela tem de facto culpa?
      4. Em que se baseia para dizer que as crianças não se sabem defender? (se calhar tenho um sobredotado em casa e não sabia, acho que é a competência melhor desenvolvida que tem e não estou a falar em defesa física)
      4. Devemos mentir (vide caso 3. acima) e manter o mundo dos póneis e unciórnios até onde?
      Este não é questão: é facto. A Alemanha não é a última coca-cola do deserto, nem neste nem em muitos outros assuntos. Lamento esse pedantismo e sei do que falo. Se esse "estudo" (e ponho entre aspas que o que não faltam hoje são estudos encomendados para provar teorias) fosse feito em Portugal provavelemnte o valor seria até maior em termos de descida de violência, com a diferença que não precisamos que isso esteja na lei.

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    3. Concordo a 100%. Nós somos os adultos, temos a obrigação de encontrar escolhas que mostrem respeito pela criança. Acho que nunca ninguém gosta de que lhe batam, mesmo que seja ao "de leve", mesmo que "custe mais a quem bate". Isso não é verdade. As pessoas em que a criança mais confia, os pais, batem-lhe. Nem que seja uma vez. Fica marcado. Existem outras alternativas que cumprem o nosso dever de educar, estabelecer limites e a nossa obrigação de respeitá-los como pessoas que são.

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    4. À anónima das 12:37. Aqui estão as minhas respostas, caso lhe interessem (se as perguntas foram só de retórica, faça favor de ler na mesma, já que eu me estou a dar ao trabalho de responder).
      1. É. Mas nesse caso há que assumir isso e assumir a responsabilidade de ter ficado sem opções, porque quem tem opções, dadas pela experiência e por anos de desenvolvimento intelectual e emocional são os pais.
      2. Violência é violência. Acho que deixei isso claro e que expliquei porquê, até com um exemplo e tudo.
      3. A criança não tem culpa. Ela não pode ter culpa porque simplesmente não tem as ferramentas para ter outra atitude que não bater naquele momento. A área do cérebro que é responsável pelo controle de impulsos é a última a ser desenvolvida. Houve muitos avanços na neurobiologia pediátrica. Pesquise e verá.
      4. As crianças são mais pequenas, mais fracas fisicamente, não têm poder de argumentação racional ao nível de um adulto e não conseguem expressar sentimentos complexos, ou até simples, dependendo da idade, de forma articulada. Acha que conseguem defender-se como, exactamente? Se o seu filho consegue construir um argumento lógico e válido e convencê-la do que quer, ou perceber porque é que não pode ter o que quer, porque é que tem de bater?
      5. Então para além de bater de volta, a única outra opção é manter "o mundo dos póneis e dos unicórnios"? Não me parece que esteja a ser razoável.

      Claro que a Alemanha não é supra-sumo em nada. Eu até acho a maneira de eles verem a lei bastante redutora. Mas neste caso, é relevante para demonstrar que esta lei foi de facto seguida e não "re-interpretada". Para efeitos do argumento pode substituir "Alemanha" por outro país qualquer que não faça soar aos seus ouvidos os alarmes do tal "pedantismo" de que fala. Este estudo não foi encomendado para provar teoria nenhuma, é um levantamento estatístico que é feito regularmente e, como eu mencionei, os resultados até surpreenderam muita gente. E está enganada, a violência contra crianças foi abolida também por lei em Portugal. Só que eu não tenho resultados para lhe mostrar porque não conheço nenhum estudo comparativo desta natureza feito em Portugal. E como uma pessoa a achar que "provavelmente" será assim ou assado não tem qualquer espécie de valor argumentativo, ou me arranja argumentos razoáveis, ou então talvez devesse reflectir naqueles que lhe apresentei, se este tema lhe interessa genuinamente.

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  14. Inês podia voltar a responder e teríamos aqui um debate eterno. Não irei por aí, porque (e talvez isso não seja claro pelo meu comentário) o que me atormenta verdadeiramente é esta nova forma de maternidade que procura conforto e resposta em estudos e livros. Como disse uma vez o Eduardo Sá "quantos mais manuais menos pais". Essa sofreguidão por estudos, essa coisa da parentalidade positiva, os chats e fóruns e seitas. E essencialmente as "profecias auto confirmatórias" porque só se procura sobre o que se quer confirmar (aí noutro post está um belo exemplo sobre leite fraco por exemplo). Enfim ama-se com a cabeça, esmifra-se todas as letras, linhas e entrelinhas. Pergunto-me o que fizeram as mães (não todas, e felizmente acho que nem a maioria) a amar com o coração e ao instinto.

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    1. Sim, de facto isso não fica claro de todo no seu post. E à sua pergunta posso responder-lhe que eu, como mãe, amo com o meu coração, o meu instinto e todo o meu ser. E quando tenho questões que nenhum deles consegue responder sem hesitações, porque só os tolos nunca têm dúvidas, vou procurar respostas, que depois passam pelo crivo do meu coração e do meu instinto. Não pertenço a nenhuma seita nem sigo nenhuma corrente. Mas sou capaz de justificar as minhas escolhas com argumentos racionais porque até agora o meu instinto têm-me sempre indicado opções justificáveis. É isso que a incomoda? Que as minhas razões não sejam "faço assim porque é assim que acho que está certo"? Mas esse é o principal motivo! Como estamos numa discussão de adultos, achei por bem dar outros. Mas se não é isso que procura, realmente não vale a pena responder. Eu respondo, porque acho importante que outros pontos de vista sejam mencionados, especialmente para aqueles pais que também andam à procura de respostas. Não me interessa convencer quem não está sequer interessado em debater. Por isso, obrigada pela oportunidade que me proporcionou ;)

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  15. Não sei sinceramente como é que alguém pode achar que bater numa criança poderá ser justificável! E falam como se a escolha de não bater signifique ser-se permissivo. Não bater é um ato de respeito, pura e simplesmente. Que raio de lógica passa pela cabeça desta gente: vou te bater para tu aprenderes que não se deve bater. E tu, no alto da tua pequena idade, com um cerebro já tão maduro, vais deixar de fazê-lo, vais aprender a lição. Claro, faz todo o sentido!

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  16. Eu se a minha filha me bater e me magoar também lhe bato, não para aprender que não se bate, mas sim para perceber que doí, só aconteceu duas vezes e não lhe bato nunca por outro motivo qualquer. Pode espernear, atirar-se para o chão ou gritar que eu respeito e compreendo o cansaço ou a frustação do momento, mas bater não. E mais, no outro dia uma criança da familia deu-me um pontapé e eu avisei a mãe, que se voltasse a acontecer eu batia-lhe, e batia mesmo não sou saco de pancada de ninguém.

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