terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Às mulheres da minha vida

Às mulheres da minha vida. As mulheres que me ensinaram a ser mulher e mãe, se é que isso se aprende. Às mulheres que são para mim um exemplo e por quem me esforço para ser melhor. Às mulheres que me deram vida.


avó Rosel
mãe de quatro, mulher de fibra, que ainda hoje com 79 anos (acabados de fazer) trabalha no que pode e sabe para continuar a viver e a sobreviver e ainda ajuda filhos e netos com o que vai podendo. faz os melhores pastéis de bacalhau de que há memória, croquetes e rissóis e lá vai ela à cidade vendê-los pelos cafés e restaurantes. faz o melhor arroz doce, as azevias e broas e o bolo de amêndoa molhado e delicioso. tem naquelas paredes frias de casa as melhores memórias da minha infância, as castanhas assadas na lareira, os natais e as noites intermináveis de conversa à mesa, as danças e as gargalhadas. levei-a há um ano e meio a conhecer Londres e foi como viajar com uma criança, de olhos deliciosamente ávidos de ver o mundo, mas um saber enciclopédico e romanceado de tudo o que são histórias de reis e rainhas. a pessoa sempre disposta a ajudar, mesmo que as articulações já pesem e as mãos enrugadas e um pouco disformes sejam sinónimo de muitos anos, de muito esforço, de muito trabalho. vejo nela a alegria que não nos pode deixar nunca, a gargalhada fácil, mesmo que a vida nos pregue duras partidas, como a de a deixar sem um filho.


mãe Isabel
mãe de dois, mulher de fibra, que ainda tem mais força e garra do que eu. dá aulas, motiva os alunos, tem fome de saber mais. mulher que me incentivou a seguir os meus sonhos, por mais difíceis que parecessem. que me levou, muitas vezes por semana, ora às danças de salão, ora à ginástica, ora à natação. abdicou de tanto por nós. sofreu e ergueu-se. deu-me colo e ajudou-me a ultrapassar os desgostos do primeiro amor. foi minha mãe e amiga. contou-me histórias todos os dias, deixou-me dormir na cama dela, deu-me explicações de filosofia, fez arroz com atum todas as vezes que lhe pedi, chorou comigo quando lhe contei que estava grávida. a avó dedicada, capaz de fazer mais de 100 quilómetros só para passar a folga com a neta. a pessoa que me ajuda a organizar a vida e a cabeça, que me lembra que tenho de comprar legumes, pão e nestum. a mãe que se emociona com as minhas conquistas, que me ama incondicionalmente. a mulher guerreira que aprendeu a meditar e a concentrar-se no mais importante. a pessoa que me fala de filmes, livros e bandas de que nunca ouvi falar. a mãe que errou algumas vezes, como qualquer mãe, mas que soube transformar as fraquezas em aprendizagens. a pessoa em quem me revejo e que mais falta me faz. a mãe, a minha mãe.




filha Isabel
filha de 10 meses, que em tão pouco tempo me ensinou tanto. a ter medo e inseguranças, mas a ultrapassá-las com amor. a pessoa que fez crescer em mim as garras e a afiar os dentes, que me faz despertar à mínima respiração, que me fez desdobrar em mil e descobrir em mim talentos adormecidos. a pessoa que me estimula, todos os dias, todas as horas a crescer com ela, a ser melhor, a separar o importante do acessório. a bebé pequenina que me faz crescer o coração, que fica de um tamanho que nunca pensei ser possível. a pessoa que me faz perder horas de sono, mas ganhar dias de sol, mesmo quando chove. a filha com que sempre sonhei e que me transformou para sempre.


Obrigada às três.

Joana

1 comentário:

  1. Lindissimos textos e grande homenagem para as suas queridas que só podem ter ficado com o coração derretido!
    xx

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