quarta-feira, 29 de junho de 2016

Quando ir a um terapeuta da fala?

A Diana Lopes, nossa leitora (espero eu, senão é só esquisito ahah), propôs-se a dar alguns conselhos às mães sobre a área dela. Adorei. Por muito que achemos que "a Mãe é que sabe", sobre terapia da fala, a Diana é capaz de saber mais um bocadinho haha, mas só mais um bocadinho. 

Querem ler o que ela tem para dizer? Se conhecerem alguma mãe que ande com a pulga atrás da orelha sobre o desenvolvimento da fala do filhote, passem-lhe este artigo para ela ficar mais sossegada ou, então, para iniciar o percurso da terapia com ele! ;)


"Um dia, a Mãe acorda e começa a sussurrar aos ouvidos do seu bebé “Vá diz MÃ-MÃ, é fácil é só repetires MÃMÃ, MÃ-MÔ. A história repete-se com o pai, “PA-PÁ, diz PAPÁ”. Quem levará a vencida? A mãe ou o pai?

E quando a criança não faz a vontade a nenhum dos progenitores e aos dois anos nem o pai e/ou a mãe levam a vencida?



Antes da história do papá e da mamã, existe todo um processo que traduz o desenvolvimento linguístico da criança e, cada vez mais os pais devem estar atentos ao desenvolvimento da linguagem e da fala e tentar compreender qual a sua relação com as dificuldades na aprendizagem. Para tal, é importante que identifiquem alguns dos sinais de alerta que podem ajudar a entender qual a altura certa para procurar um profissional qualificado.

Ao longo do seu desenvolvimento as crianças vão aprendendo a comunicar de acordo com as regras da comunidade onde estão inseridas e o estímulo que recebem. O choro é a primeira e principal forma de comunicação do bebé e é através dele que o bebé vê as suas necessidades atendidas pelos pais nesta fase de vida. Designamos este período de pré linguístico, em que a criança comunica através de produções sonoras como, por exemplo, o choro (referido), o riso, o palreio e a lalação.

É através da interação de vários fatores (biológicos, psicossociais, cognitivos e biológicos) que as crianças desenvolvem a linguagem.

Por vezes ouvimos dos nossos vizinhos, amigos, familiares dizer que ela ou ele ainda “é um pouco espanhol a falar”, “fala um pouco à bebé”, “é um pouco sopinha de massa” ou ainda de forma mais específica “o teu filho fala mal”,  “ainda não diz os L’s, o S,…” mas na verdade a mãe é que sabe … a Mãe é que conhece a sua cria e melhor que ninguém conseguirá identificar os sinais de alerta manifestados.

Também é verdade que cada criança tem o seu ritmo. Mas quando devo agir? Deixo-vos aqui alguns sinais de alerta:

·     12 - 18 meses – o bebé é muito silencioso, não reage nem brinca com os sons, não aponta, não estabelece contacto ocular

·         18 – 24 meses – não compreende ordens simples, dificuldade em formar frases com duas palavras

·         2 – 3 anos – não forma frases simples

·         3 - 4 anos – apresenta um discurso ininteligível, não forma frases simples

·       4 - 5 anos – não relaciona acontecimentos simples e recentes, não compreende ordens simples, omite e troca sons nas palavras, discurso pouco estruturado, só os pais o compreendem

·        5 - 6 anos – utiliza frases mal estruturadas, tem um discurso incoerente

·        6 anos – alterações na articulação das palavras, trocas sons/letras ao falar, ler ou escrever.

O Terapeuta da Fala é o profissional habilitado para avaliar e aconselhar estas alterações. A intervenção precoce é a mais eficaz.

O Terapeuta da Fala

O Terapeuta da Fala é o profissional responsável pela prevenção, avaliação, intervenção e estudo científico das perturbações da comunicação humana, englobando não só todas as funções associadas à compreensão e expressão da linguagem oral e escrita mas também outras formas de comunicação não verbal. O Terapeuta da Fala intervém, ainda, ao nível da deglutição (passagem segura de alimentos e bebidas através da orofaringe de forma a garantir uma nutrição adequada). O Terapeuta da Fala avalia e intervém em indivíduos de todas as idades, desde recém-nascidos a idosos, tendo por objetivo geral otimizar as capacidades de comunicação e/ou deglutição do indivíduo, melhorando, assim, a sua qualidade de vida (ASHA, 2007)."


17 comentários:

  1. pois...a minha com 2 anos e quase 5 meses pouco fala...e tem sido angustiante...mamã, não, dá, "má" = mais; esporadicamente "babá"= papá"e bebé. Já saiu um qué = quero... mais nada...entende tudo, responde a todas a ordens, muito despachada, aponta..palra...fala japones muito explicada com as maozinhas a falar..mas palavras em português nada....é comunicativa e expressa-se à sua maneira, quando insistimos para falar ela desenrasca-se sózinha, vai buscar o que estava a pedir, dá-nos à mão e leva-nos onde quer...e muitas vezes fica frustrada e chora porque não entendemos o que dizer...A pediatra manda esperar até entrar para a creche em Setembro..mas já ouvi tanta coisa...desde é autista (uma criança sociável, normal), culpa minha que não amamentei, é atrasada, é meio surda, culpa minha porque está em casa da avó, porque não estímulo...opa...é angustiante porque estou ansiosa para ouvir palavrinhas como deve de ser...e porque as pessoas conseguem ser cruéis....enfim...este é um tema que muito me interessa e pouco se fala..obrigada!

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    1. Lamento que tenhas de ouvir todo o tipo de comentários sem filtro. Magoa ter de lidar com eles principalmente quando nem nós sabemos que medida tomar. Pelo que explicas, a tua baby é super inteligente e se não se desenrasca com palavras, arranja outra maneira de se desenrascar. Logo, não tem qualquer problema! E do que vivenciei com a minha filha, sobrinhos e filhos de amigos, a fala surge mesmo de um dia para o outro :) começam por falar chinês até perceberes que "ah estás a tentar dizer xpto".
      Um hábito que criei com a iara, era repetir as palavras que ela dizia. Desde o dia zero. Ela dizia à maneira dela e eu repetia da forma correcta. E resultou bem!
      E sim cada criança tem o seu ritmo. Mas não faz mal nenhum pedir ajuda profissional para ter uma opinião mais especializada, no sentido de desbloquear o início do processo. O meu filho tem treze meses. Na consulta dos nove meses ele não tinha a reacção de esticar as pernas e as manter esticadas para ficar de pé. Fui alertada. Não levei a sério. "Cada bebé tem o seu ritmo". Esperei sempre tentando estimular à minha maneira. Aos doze meses continua sem conseguir fazer força, logo não gatinha nem anda. Fica todo o dia sentado. A aprender imensas coisas, desenvolver outras partes que não a motora. E hoje faz fisioterapia e percebo que cada um tem o seu ritmo, mas por vezes uma ajuda pode torná-los mais felizes sentindo menos frustração. Ele sente frustração porque o brinquedo está longe e não se consegue esticar até ele. Ele sente frustração porque anda de carrinho e não a pé ao lado da mana. E isso custa ver.
      Ele é muito desenvolvido noutros aspectos, mas a parte motora ficou condicionada por ter excesso de flexibilidade nos ligamentos, o que torna o andar e gatinhar mais custoso.
      Sabia que o meu filho não tinha problema nenhum porque bateu palmas cedo, emocionalmente pedia abraços desde cedo, aos dez meses dizia Olá e água como gente grande.
      Hoje encaro a fisio como um momento bom, de brincadeira. Não é uma coisa má.
      Terapia da fala, é a mesma coisa! Não tem mal pedires opinião e iniciar mesmo :) é uma actividade apenas, e que mal não faz :)
      Ou seja, pedir ajuda não é estar a admitir problema algum. É simplesmente aceitar que uma ajuda por vezes os tornará bebés mais felizes!!!!

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    2. Concordo plenamente com a Sofia! Em termos concretos e pelo que se refere, de facto ela parece dizer menor nº palavras do que o que é mais comum para essa idade (há critérios objetivos nisto, nomeadamente o número de palavras/sons que dizem com significado para cada idade), mas vendo o contexto parece ser uma situação meramente "expressiva" e não "compreensiva"...são os tais meninos que dão o salto mais tarde e falam de um dia para o outro. No entanto é muito importante avaliar a situação de um ponto de vista formal e não por comparação ou métodos poucos rigorosos. Há pediatras muito virados para o desenvolvimento e outros nem tanto, pois é necessário material e uma formação/dedicação especifica a essa área para ir além da rotina (a rotina normal satisfaz quando a criança adquire tudo nos tempos supostos). Se esta for de facto uma preocupação sua, e o seu coração não estiver descansado, seria útil procurar uma avaliação neste aspecto, até como preparação da escola (caso haja alguma área mais necessária de trabalhar). ate lá: livros com pequenas histórias e perguntar detalhes para ir apontando, partes do corpo, musicas infantis (sem imagem), reduzir tv/telm/tablet a 30 min dia/max. Caso seja necessário algum apoio é muito importante começá-lo no tempo correto!

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    3. Todas as respostas partilhadas com a preocupação desta mamã foram bem direcionadas :) obrigada! Apesar de "cada criança ter o seu ritmo" por vezes existem determinados aspectos em que precisam de um empurrãozinho e isso não tem mal. Estamos cá para ajudar :) se precisar de algum conselho e/ou de esclarecer algumas questões para ficar mais tranquila com o seu coração de mãe, pode fazê-lo :) Um beijinho, Diana Lopes

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    4. bom dia, a minha filha completara 3anos dia 30 de julho, pouco ou nada fala , 2 filha completamente diferente do 1 filho , educaçao procedimetos iguais e em casa ate aos 3 anos ... diz bu-bu (doi doi), ya ya (sim) , no (nao), daddy (que chama ao pai a mim ) , mae / mum ( mae),ja ta( ja esta) pouco mais diz dew vez em quando muito raro diz uma frase simples, fui a uma avaliaçao o mes passado diz ser normal para crianças bi-lingues , mas a verdade é que o meu coraçao anseia e desespera , percebe tudo outras vezes nao sei se entende, se faz por nao entender.... super sociavel , reguila , uma destreza de fazer inveja , uma boa aluna dos macacos( trepa tudo e salta), mete puzzles no tlm e faze os sozinha , brinaca sozinha ,fala com os olhos e expressoes ... nao sei se lhe "acalma" o coraçao por saber que n esta sozinha ass: cristina

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    5. É muito angustiante :/ o meu primo até aos três anos dizia "ma" (mãe/avó), "á" (água) e "pá" (pai e tudo o resto). Com a agravante de não palrar nadinha. Mas também era como a tua, super sociavel e a perceber tudo o que lhe diziamos. Mas ate aos três anos nao houve uma única palavra. Veio.se a descobrir quebtinha o freio da língua um pouco comprido demais, mas nunca justificou este atraso. E depois, de um momento para o outro... Taran! Coneçou a falar tudo. Mas aos 6 anos ainda era muito "espanhol" a falar. Agora tem 16 anos e ninguém o cala. O importante é ser acompanhada pelo pediatra e/ou terapeuta da fala (ajuda mesmo muito!) e não desesperar. E mandar à m*** toda a gente que fala comentários a culpar.te. Assim. Com as letras todas.
      Beijinho e força***

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    6. Olá Cristina :) para acalmar também o seu coração, podemos ajudá-la! Realmente se a criança é bilingue às vezes acaba por não saber em que língua falar se a introdução da segunda língua não for feita da forma correta. Já recorreu a um terapeuta da fala? Quanto mais cedo a intervenção melhor :) um grande beijinho

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  2. Como terapeuta da fala parabenizo a iniciativa! :)

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  3. Foi graças as terapeutas da fala da Estefânia e dp a do HBA, que a minha filha comeu. 1o foi a intervenção para adaptar ao biberão. Dp foi para a colher.
    Agora segue se a fase da introdução dos sólidos. E vamos ver se precisaremos de ajuda. See sim, sabemos a quem recorrer sem preconceitos

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  4. Excelente iniciativa, imensas pessoas tentem a descurar a fala da criança e pensam sempre o mesmo, é bebe.. ou, é criança, é normal que ainda não fale, mas a verdade é que ai reside o verdadeiro perigo, aquilo que hoje temos como uma suspeita e ao fim de algum tempo já é uma certeza de que algo não está bem, pode ou ser tarde demais, ou muito mais difícil de resolver, no que diz respeito ás nossas crias nunca devemos deixar para amanhã aquilo que podemos fazer hoje! Já agora, quem é esta terapeuta? escreveu tudo de forma clara, certa e concisa, gostei!

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  5. Joana Gama na verdade eu não leio o blog, isto foi só uma forma de fazer publicidade ahaha :) muito menos condeno a altura em que metias a tua filhota a ouvir a Mamã eu quero só para que a primeira palavra fosse "mamã" (como vês, não leio :p)

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  6. Antes de mais, muitos parabéns pela iniciativa, por terem tocado num assunto importantíssimo. Para mim é assaz importante. Por este motivo, gostaria tanto de tirar uma dúvida com a Dra. Diana sobre o sigmatismo (acho que é assim que se designa a "sopinha de massas"). Uma criança com dois anos e meio, que diz "caj (ch)a" em vez de "casa", temos de a levar imediatamente ao terapeuta, ou aguardar um pouco mais? A minha filha tem estado a intensificar o uso dos "chs". Até tomei a liberdade de inventar um truque para a ajudar. Ela continua a dizer da sua forma, mas já se autocorrige, colocando os dedos, cada qual no canto da boca. E quando fala mais devagar, também é perceptível o "s" e o "z". Bom... De qualquer forma, se forma necessário uma consulta, eu vou! De resto, o discurso da minha filha é perceptível. Apesar da ausência do "r", que ela acaba por substituir por uma vogal ("i" (ex.: em vez de amarelo, diz amaielo; mas já em "farta", diz o r)), de resto o facto de nós lermos muito ajuda imenso. Também me ajudou este livro: http://www.esferadoslivros.pt/livros.php?id_li=372. Beijinhos e grata, muito grata. Marina

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    1. Olá Marina, obrigada pela sua partilha. :)
      Em relação ao caso que me expõe da sua filhota e para responder à sua questão: também existe um período para a aquisição dos sons da fala, ou seja, naquela idade é esperado que a criança já diga este ou aquele som. A aquisição dos sons "z", "s", "j", "ch" (refiro só os sons que a Mãe refere com alterações) têm de estar adquiridos entre os 3 anos e os 3 anos e meio. Aconselho que aos 3 anos se a sua filha ainda continuar com essa dificuldade que procure um terapeuta da fala :) quando mais cedo a intervenção melhor.
      No caso do som "r" é até aos 4 anos de idade.
      Julgo que o livro que menciona tem uma tabela com esta informação que lhe estou a passar. Espero ter ajudado :) alguma questão pode sempre contactar-me através do meu e-mail que se encontro no meu artigo (basta clicar em cima do meu nome que vai directamente ao e-mail). Um beijinho para si e para a menina :)

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  7. A minha Joana faz terapia da fala desde os 3 anos de idade.. actualmente com quase 6 e o discurso dela ainda é um pouco ininteligível.
    Todos os dias dou graças a Deus de termos descoberto a Dr.ª Sara Loof do Hospital da Luz, depois de termos andado 1 ano e meio com um terapeuta que nada fez e que em Maio de 2015 foi detido por abuso sexual de menores :( felizmente depois dessa data e com as novas técnicas da Dr.ª Sara a minha Joana já se faz entender muito melhor. Mas tem sido mesmo muito complicado.. e sabemos perfeitamente que as crianças nestas idades conseguem ser muito cruéis (e os adultos tb)

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  8. A minha filha com 8 anos está neste momento a ter acompanhamento de TF por causa de dificuldades na leitura. Não tem nada relacionado com a fala dela, e fui eu que achei que devia procurar a opinião dum profissional, pq na passagem do 1º para o 2º ano não vi evolução na leitura e o rótulo que eu e a professora lhe dávamos era que ela era preguiçosa.
    Como eu costumo dizer, o instinto de mãe não nos engana :D

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  9. Olá Marta, agradeço a sua partilha :) com esta partilha ajuda-me a desmitificar que o papel do terapeuta da fala não é só trabalhar com "crianças que falam mal", como ouço muitas vezes. Um beijinho e muito sucesso :)

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  10. Um conselho de uma mãe que ouviu de tudo; inclusive que eu queria que o meu filho tivesse um problema: Siga o seu instinto!
    Durante 2 anos a escola e o pediatra diziam que o meu filho não tinha nada, que a única coisa que eu precisava de fazer era arranjar um trabalho. Ou seja o problema do meu filho era a mãe ser uma desocupada. Fiquei desocupada exatamente para poder dar-lhe o apoio que ele precisava.

    Hoje depois de bater a muitas portas, ele tem 6 anos e últimos 3 foram passados com 3/4h de terapias por semana (1h de fala + 2h ensino especial + 1h psicomotricidade), onde finalmente vejo os resultados. No fundo ele só tem um défice de integração sensorial e na motricidade fina (digo a brincar que os sensores precisam de ajuda para serem ajustados), mas que estavam a tirar-me todo o prazer em ser mãe e de ele ter a mãe que merece.

    Se é uma coisa que a incomoda, não desista. O filho é seu e ninguém tem nada a ver se decidiu fazer terapia da fala ou não. Até porque as pessoas só sabem aquilo que lhes contar.

    Força não desista. Mas cuidado, porque infelizmente existe muitos oportunistas a tentar ganhar dinheiro à conta das nossas inseguranças.
    Recorra aos rastreios gratuitos: (https://www.facebook.com/244795812233369/photos/a.310313895681560.68435.244795812233369/868393456540265/?type=3&theater)
    - Centro de saúde ou Hospital (consulta de desenvolvimento)
    - Serviços da ELI da sua área de residência (http://www1.arslvt.min-saude.pt/DocumentosPublicacoes/Documents/Apresentacao%20SNIPI%20-%20Regi%C3%A3o%20de%20Lisboa%20e%20Vale%20do%20Tejo.pdf).

    Leia Histórias ao deitar - é um momento de qualidade de mimo e ajuda no aumento do vocabulário
    Bjs, força e boa sorte se precisar disponha (https://www.facebook.com/eunice.fernandes.391082)


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