7.01.2015

Afinal Havia Outra (#26) - Às vezes os milagres acontecem aos pares

O meu grande sonho sempre foi ser mãe. Imaginei tantas vezes como seria sentir um bebé a crescer na barriga, estar 9 meses a receber miminhos do marido, família, amigos; cantar, falar e mimar o meu bebé dentro da barriga, ter muitos desejos de doces e não ligar nenhuma à balança, sorrir todos os dias apenas porque ter um bebé nos faz ser melhores, nos faz ser a pessoa mais feliz do mundo, nos faz sonhar, nos faz tanto mas tanto bem. Imaginei muitas vezes a minha gravidez, o meu parto, o meu pós parto, o meu bebé, até o meu possível baby blues… mas nada foi como imaginei. A minha viagem ao mundo da maternidade foi difícil, atribulada, uma autêntica montanha russa de sentimentos e emoções.


Este meu sonho de ser mãe juntou-se ao sonho do meu marido de ser pai e assim resolvemos tentar engravidar. Estava de tal maneira ansiosa que fiz o teste dois ou três dias depois da ausência da menstruação. Quando vi o “grávida” o meu coração parecia que ia rebentar com tanta alegria, o meu marido agarrou-me ao colo e ficámos os dois a aproveitar o momento e a sonhar com o nosso bebé… mas mal sabíamos nós que não era um bebé mas sim dois que estavam a caminho. Estávamos muito longe de imaginar. Na primeira ecografia apenas se via um saquinho e uma sementinha, mas eu juro que via duas, mas como o meu marido (que até é médico) juntamente com a minha Obstetra não comentaram nada eu fiquei caladinha. Passados uns dias a minha barriga crescia a olhos vistos (mais do que o “normal”) e os vómitos e enjoos eram constantes e não conseguia aguentar nada no estômago. Lá se ia o meu sonho de comer muito na gravidez.

Finalmente tinha chegado o dia da segunda ecografia e afinal eu tinha razão, as mães nunca se enganam… eram mesmo dois bebés! Fiquei duplamente feliz e duplamente ansiosa. Quando contei às pessoas mais próximas ninguém acreditava pois sempre dissera a brincar que iria ter gémeos, ou melhor, trigémeos! A sorte foi que Deus teve pena de mim e só me deu duas de uma vez, nem quero imaginar como seria com três.

O primeiro trimestre foi vivido com muitas náuseas e vómitos, era quase impossível aumentar de peso, tomava os meus milagrosos comprimidos para o enjoo que me davam um sono horrível, tive de deixar o trabalho e ficar em casa, ou melhor dizendo, no sofá, pois foi esta a minha companhia durante muitos dias. Comecei a sentir os bebés muito cedo, com umas 18 semanas sabia que tinha um ou uma que não parava quieto e outro ou outra mais calmo pois não se mexia tanto. Também as contrações chegaram mais cedo, o que obrigou a mais e mais repouso. A barriga estava a aumentar a olhos vistos e pensava muitas vezes como ia ficar com 38 semanas de gravidez. Estava com alguns receios como é normal de mãe de primeira viagem e ainda por cima logo de duas bebés, mas a alegria superava todos os receios. No dia que soube que iam ser duas meninas foi um dia mágico, sempre quis tanto ter meninas. Engraçado que o meu marido desde o início que disse que eram meninas… mal ele sabia que estava tramado com três mulheres em casa.

A gravidez estava a ser super vigiada, consultas e ecografias semanais, estava longe de imaginar o que iria acontecer. Às 25 semanas de gestação o nosso mundo parou com a notícia de que as meninas podiam nascer a qualquer momento. Da notícia até elas nascerem nem passaram 24 horas, não tive tempo para reagir, para pensar no que estava a acontecer. A alegria deu espaço ao medo ao desespero, à dor, à angústia. E de um momento para o outro, as Marias nasceram. Sem grande aviso, sem preparação. O parto foi complicado pois uma já estava a meio caminho e a outra deitada sem querer sair, foi tudo muito rápido mas para mim foi uma eternidade. Adormeci a olhar para a anestesista e como aquele olhar me tranquilizou e me deu esperança. Não sei explicar mas acreditei sempre. Mas mesmo antes de adormecer falei-lhes em pensamento para terem força e que as amava muito. E quando acordei já tinha um sorriso nervoso do meu marido e umas fotografias das nossas “meio quilo de gente” mais lindas do mundo. Só as pude conhecer no dia seguinte. Tão pequeninas em tamanho e tão grandes no coração, que força de viver… e de repente já estavam elas a ensinar-nos a força e o poder do amor, quando éramos nós que pensávamos que lhes íamos ensinar tudo isso. 



Conheci as minhas filhas tão cedo… ainda não sabiam respirar, tinham os olhos fechados, orelhas mal definidas, pele vermelha (nem sei se podemos chamar pele), tinham uma mini fralda, estavam rodeadas de tubos e eram picadas e aspiradas de hora a hora. Vi o primeiro olhar e o primeiro sorriso, mas o choro só o ouvi ao fim de 26 dias, quando tiraram o ventilador.

Um xixi, um cocó, tudo era uma vitória, e coisas tão banais para a maioria dos bebés, para mim era como ganhar o euromilhões. Era tudo muito lento mas tudo mágico, e apesar de todos os tubos e de estarem a viver numa caixinha mágica (como lhe chamava), estavam rodeadas de tanto mas tanto amor!! O amor cura tudo e curou as nossas princesas!

Olho para trás com alguma tristeza por não ter chegado a viver um terceiro trimestre de gravidez, não ter tido um chá de bebé, mala de maternidade, enxoval, aulas de preparação para o parto, visitas ou mensagens de parabéns no dia em que nasceram, flores ou prendas, sorrisos, até dores pós parto (pois estava ocupada com outras dores maiores). Não tive aquela sensação mágica de tanta felicidade que a maioria das mães refere quando nascem os filhos, mas sim um medo enorme de as perder. Apesar desse medo, sempre acreditei nelas mesmo quando os médicos diziam o contrário. Não pude abraçar as minhas filhas (só ao fim de 26 dias), não era mãe a tempo inteiro, apenas umas horas (e isto doía tanto), tocava nelas apenas quando permitiam, cantava para elas sempre que podia, tirava leite pela bomba numa sala com outras mães à qual chamava sala de partilha da dor, pois ali éramos um pouco mães de todos. Tive duas mastites mas mesmo assim continuei a tirar leite (para o bem delas fazia qualquer coisa). E no fim do dia, regressava a casa, com uma dor horrorosa, uma sensação de vazio, de medo, de angústia, de não querer estar longe delas. Mas ao mesmo tempo sabia que tinha de descansar para estar bem perto delas. Chegava a casa tão triste, tão vazia, uma solidão. Olhava para os berços e não as via, olhava para a barriga e não as sentia, e recordava tudo o que aconteceu novamente, e rezava para conseguir dormir. Tinha a sensação de que estava a viver um sonho ou pesadelo (nem sei bem) e que nunca mais acordava. Tinha pânico que o telefone tocasse, não conseguia ligar para o serviço, não queria chorar perto delas mas também não queria deixá-las quando elas não estavam bem. Mas às vezes bastava olhar para elas para saber se estavam bem ou não. Tantas vezes me senti a desmaiar, sem força, com vontade de desaparecer. Mas o amor salvou-nos aos 4, sempre esteve presente, sempre deu esperança, força, coragem.

As Marias deram-me as maiores lições de vida. Ensinaram-me a amar, acreditar, a sonhar, a ter esperança, a ter fé e a ser uma pessoa melhor.  Lutámos juntos com muito amor, durante 109 dias, e apesar de terem sido dias de uma autêntica montanha russa de emoções, acreditámos sempre!!! 
 

Desde 27 de Junho de 2014 que estamos em casa todos juntos com muitos cuidados extra pois a prematuridade nos primeiros meses após alta requer mais vigilância, mais cuidados com possíveis infeções, menos idas a rua (no inverno quase nenhumas), mínimo de visitas. Mas apesar disso e agora que está a fazer um ano de alta delas, valeu tudo a pena. Este ano que passou foi sem dúvida uma grande aventura. Cuidar de gémeas, pais de primeira viagem e com muito poucas ajudas, pois os nossos familiares estão longe, não tem sido uma tarefa fácil mas prometemos escrever um dia sobre as aventuras e desventuras de pais de duas gémeas. Aliás, vou antes deixar para o pai escrever que ele tem muito mais jeito que eu.


Débora Barroso

Envie-nos a sua história para amaeequesabeblog@gmail.com para nos poupar um bocado os teclados do computador, se faz favor. E porque queremos dar a conhecer histórias diferentes.

E como fazer com as sestas deles nas férias?

Pedi à Verina Fernandes, da Sono de Sonho para que escrevesse umas dicas para ajudar as recém mamãs a lidarem com as férias e com as sestas (tão importantes) dos filhos. Pode ser complicado, mas não é impossível e, agora, com as dicas da Verina, ainda menos! Querem partilhar experiências? 


As sestas 

Se a criança dorme com facilidade no carrinho, planeiem umas belas caminhadas por locais sossegados nas horas da sesta. Aproveitem para explorar a zona, ao mesmo tempo que executa um bom exercício cardio! O máximo que pode acontecer é sentirem-se cansados quando o vosso filho acordar (com a energia toda, claro!). Essa é a altura ideal para o deixarem correr no parque, espraiar-se aos saltos e cambalhotas, enquanto os pais lêem um livro só com um olho (que o outro está sempre alerta para os mais pequenos!). 

Se acham que as férias são para o dolce far niente e a perspectiva de fazer exercício provocam-vos uma tontura e um ataque de urticária fulminante, aproveitem a hora da sesta para apreciar a paisagem da zona, no conforto do automóvel com ar condicionado (se alugaram um Porsche em Vilamoura, têm mesmo que se fazerem ver dentro dele. Toca a pavonear-se nessa máquina!) 

Há ainda outra opção a considerar quando chega a hora da sesta: atribuir turnos. Se os pais reclamam algum tempo livre da miudagem, seja para fazer aquela massagem Vichy ou para comprar recuerdos em paz e sossego, então estabeleçam turnos: num dia vigio eu, no outro vigias tu a sesta da pequenada. 

E se quisermos “saltar” uma sesta porque o hotel organizou uma actividade espectacular na piscina, para toda a família, e acontece justamente na hora de dormir? 

Podem “saltar” a dita sesta, claro. Os pais é que sabem! Mas atenção, é bom que tomem as vossas decisões em consciência. Obliterar uma sesta pode significar ter crianças birrentas, que não vão usufruir (nem deixar usufruir) da tal actividade megabombástica na piscina e que podem manter o mau humor até ao fim do dia (imaginem só as fotos!). Melhor que ninguém, vocês conhecem as vossas crianças. Sabem perfeitamente se podem ou não cometer estas pequenas infracções nas rotinas de sono. Nem todas as crianças reagem mal a estes “delitos”. Claro está que “saltar” uma sesta implica obrigatoriamente deitar mais cedo! 

À noite 

Há crianças que dormem num quarto diferente sem qualquer tipo de drama. Já outras precisam de ser convencidas a dormir sem desconfianças, sem que acordem de hora em hora, só para verificar que o os pais ainda existem e que o mundo gira. Nestes casos, o que há a fazer é mesmo levar a casa às costas, ou seja, não esquecer alguns objectos-chave que a criança identifica (bonecos, mantas, candeeiros de mesa, luz de presença, livros, tapetes, cestos…), para tornar o ambiente novo mais familiar. Tentem reproduzir ao máximo o ambiente de sono e as rotinas de adormecimento que têm em casa e já meio caminho está feito para tudo correr bem. 

Podem, inclusivamente, a uma semana da partida, colocar a criança a dormir na cama de viagem que vão utilizar. 

As primeiras duas a três noites no quarto novo podem ser mais desassossegadas e a criança pode acordar ou até ter terrores nocturnos/pesadelos. Os pais devem estar preparados para este cenário e devem proporcionar todo o carinho e conforto, para que a criança se acalme facilmente. Ninguém quer dramas, muito menos nas férias! 

Os horários 

Quanto mais os pais “brincarem” com as rotinas dos miúdos, maior a probabilidade de as noites correrem mal, de as sestas virem recheadas com birras e dramas e de toda uma tempestade se instalar em toda a família. Meia hora é o máximo que podem esticar aos horários já estabelecidos. 
Se viajarem para destinos com grandes diferenças horárias, façam a adaptação gradual uns dias antes da viagem, antecipando ou atrasando os horários meia hora por dia (no máximo). 

Detalhes gigantes 

Escolham quartos de hotel espaçosos, para que as crianças possam ter um espaço para brincar, caso tenham o azar de fazer chuva (cruzes, canhoto! Não quero agoirar!). 

Todas as medidas de contenção de insectos são bem-vindas: levem os difusores de ultrassons (evitem os químicos); redes mosquiteiras para berços e camas de viagem; e Fenistil para as picadas nos passeios. 

Caso os quartos não tenham insonorização ou os vizinhos de férias sejam tão desgovernados quanto uma banda de rock num hotel, levem um rádio de pilhas (daqueles que se usavam para ouvir o relato na praia): deixem-no dessintonizado e assim conseguem o melhor ruído branco para neutralizar os barulhos que podem não deixar as crianças dormir à noite. Já sei que têm a app no telemóvel mas com o rádio não estão a expor os mais pequenos a radiações electromagnéticas. 

Certifiquem-se de que os quartos conseguem ficar bem escuros, mesmo durante o dia, caso durma a sesta nele. Acreditem que nem todos os hotéis acautelam estas situações, infelizmente. 


Não se deixem intimidar por todas estas condicionantes. Façam o contrário: abracem-nas e aceitem-nas, para que consigam tomar os melhores sabores de umas férias verdadeiramente descontraídas em família. Aproveitem e não se incomodem em enviar fotos a incitar inveja! 

Qual o mal de sermos as melhores amigas dos filhos?

Já ouvi muitas vezes mães dizerem que não querem ser as melhores amigas das filhas. E sempre me perguntei que mal teria isso. É aquela velha história da autoridade, de estar acima, de não dar muita confiança, senão eles são uns abusadores e uns ditadores?

Tenho orgulho em poder dizer que a minha mãe é a minha melhor amiga. Que sempre confiei nela, que sempre me senti à vontade para falar com ela sobre tudo, que foi a primeira pessoa a quem me dirigi quando precisava de ajuda, de desabafar, de chorar lágrimas de amores da juventude (recordo-me da célebre frase "não é por morrer uma andorinha que acaba a Primavera"). Com ela já tive ataques de riso de nos mandarmos para o chão, sem força nas pernas, até às lágrimas. Já ficámos longos minutos à conversa na casa de banho e até já comparámos as peles ao espelho, eu com borbulhas, ela com rugas. Já lhe dei muito colo, já lhe dei conselhos também,  já  tivemos milhares de  trocas de olhares cúmplices. Já discutimos. Sempre nos respeitámos como indivíduos e não me lembro dela me ter dito "quem é que pensas que sou? Não sou a tua amiga, sou a tua MÃE!". 

Não percebo porque se tem de separar uma coisa da outra. Se se for estabelecendo uma relação cúmplice, de confiança, de amor, não tem de haver essa cisão. Podemos levar os nossos filhos a serem os nossos melhores amigos, respeitando-nos, sem ter de haver essa muralha intransponível.

Eu quero que a minha filha veja em mim a melhor amiga. Amiga das brincadeiras, dos abraços, das risadas, e também a amiga que chama a atenção, que pede, que exige, que a leva a ser cooperante, generosa, sem ter de gritar aos sete ventos que "Quem manda aqui sou eu!".

E depois, as minhas relações de amizade não são só sorrisinhos. Não nos estamos sempre a elogiar. Não somos só amigos das farras, da parte boa da vida. Também damos conselhos, também damos na cabeça, também pedimos ajuda. 

Por tudo isto, essa velha máxima não entra lá em casa.


6.30.2015

Nunca percebi isso das Células Estaminais.

*este post não é bem escrito em parceria com a Criovida. Foi mais escrito por mim, mas enviei para lá para saber se não estava a dizer porcaria. Seja como for, é resultante de uma parceria, sim. Já fizemos um "a Mãe dá" e tudo, portanto é ler sff, para saber o que andámos a oferecer. 

Sou muito curiosa em relação a muitos temas. Ainda no outro dia comprei um livro só sobre as propriedades de vários legumes e praticamente nem os como. Porém, isto das células estaminais ainda não me tinha despertado grande interesse. Sempre me pareceu muito complexo e, por isso, o meu cérebro decidiu ignorar. O meu cérebro não dá para tudo. Muitas vezes reage às coisas como quando peço direcções e a pessoa demora mais de 5 segundos a explicar. Não oiço o resto.

Já devem estar a par da nossa parceria com a Criovida, que fez com que vos pudéssemos oferecer este kit de criopreservação das células estaminais (estão a ver? só o nome já me está a cansar).

Perguntei à Rita da Criovida (com quem falámos para alinhar a parceria) se não me podia explicar como se fosse muito burra e ela explicou. Acho que finalmente percebi. Agora vou explicar-vos à minha maneira, pode ser?

As células estaminais são programáveis para o que o organismo precisar e a partir do momento em que se diferenciam num tipo de células, estão programadas para cumprir apenas uma tarefa, a que lhes foi destinada pelo organismo. Quando o organismo necessita de determinadas células, elas diferenciam-se naquilo que é necessário no momento. A sua capacidade de se dividirem indefinidamente faz com que ela se multipliquem, umas são utilizadas pelo organismo (quando necessário), outras ficam disponíveis para quando for preciso.

As células do sangue e do cordão umbilical, por serem ainda muito jovens, têm características que as outras células estaminais presentes no nosso corpo já não têm, porque estas últimas estão num estado de diferenciação mais avançado.


Ou seja, estas células são os nossos maridos bem dispostos, todos prontos para ajudar e ainda sem uma missão por nós designada. Podem ser, portanto, utilizadas para qualquer missão que seja necessária. Estas células (estaminais) podem e ajudam a curar várias doenças. Ainda está a haver muita investigação e, por isso, conservar as células estaminais do cordão umbilical é uma profilaxia muito abrangente visto que podem ajudar na cura de doenças cardiovasculares, auto-imunes e outras que não sei bem o que são, mas que são tão ou mais graves que estas que decorei do que a Rita escreveu.

São células neutras que, ainda para mais, sendo do próprio indivíduo, o risco de rejeição é muito muito menor.

É uma decisão muito pessoal, claro. É uma decisão que, se positiva, não traz mal algum, de certeza. É uma decisão que se baseia na fé da ciência e da evolução natural deste tipo de procedimentos.

Por acaso, não optei por ela (desculpa, Rita, ainda não te conhecia na altura ;)), talvez por falta de informação graças a este bloqueio do meu cérebro.

Consegui desbloquear o vosso? Qual é a vossa posição em relação a isto?

Primeiro dia de creche.



"Lá fomos deixar-te, Isabel. Ficaste a chorar e eu a chorar fiquei. Por mais que me digam que vai correr tudo bem, o meu coração está apertadinho, espremido, falta-lhe um pedaço. Quando te for buscar, juro, juro que vou transbordar de amor, agarrar-te como se não houvesse mais nada neste mundo. A verdade é que não há. Não há nada mais puro, mais verdadeiro, do que o meu amor por ti."


Foi este o texto que escrevi no primeiro dia de creche. Ficou lá apenas duas horas, para se ir ambientando. Foi há quase um ano. Naquela semana, o meu coração ficou com um nó. Depois, o nó desfez-se. A primeira vez que estendeu os braços à Margarida, a educadora, senti que estava a fazer tudo certo. Já havia ali um vínculo. Ao longo deste ano, já ficou lá a rir, sem olhar para trás, já choramingou, já me estendeu os braços, já foi a correr para as educadoras. Quando a vou buscar, vejo-a feliz. Por isso, recém-mamãs, que estão prestes a deixar os vossos filhos na creche, eles ficam bem. Confiem. E lembrem-se, o nó vai desatar-se. Vão ficar mais leves. E no final da tarde, os vossos filhos vão estender os braços para vocês e vão sentir-se únicas.  

6.29.2015

Pronto, já não sou necessária!

Como é que vocês fazem para ir às compras?

Nós mandamos vir tudo online ou do Jumbo ou do Corte Inglês. Depois recebemos os vegetais à parte num cabaz de produtos agro-biológicos (acho que é isso) à terça-feira. Nunca fomos muito de ir às compras, mas até íamos de vez em quando, depois deixámos ainda mais de ir quando já estava muito grávida porque já não tinha muita piada para mim. Quando uma pessoa ainda se pode mexer, até pode atirar umas coisas a mais da secção de beleza e higiene para o carrinho só enquanto o marido está nos enchidos, mas quando nós próprias somos um enchido já nem vontade de comprar coisas temos. 

Esta semana esquecemo-nos de mandar vir algumas coisas pelo que hoje aproveitámos para ir comer um daqueles swirls da Olá (são bons, bons, bons... só tenho pena que tenham lá uma foto do Mikael Carreira ou lá quem é, que quase que me tira a vontade de lanchar) e lá empurrei o velhote para irmos ao Jumbo comprar o que faltava. 

Até podia ir sozinha com a Irene noutro dia só que NÃO. A Irene não quer andar no carrinho, farta-se de andar no carrinho das compras e eu não consigo fazer tudo ao mesmo tempo. Assim o pai também via o que custa. 

Pelos vistos, o raio do homem safou-se melhor que eu. Raios!


          


Se é o vídeo mais desnecessário do youtube? Não. Vejam este.


           

É só uma hora de um sapo com uns olhos esquisitos. Sim, há disto na internet.


Algum segredo para ir às compras com eles ser menos stressante?  Ou tudo passa por lhes dar 24 caixinhas de Zyrtec para o bucho?


Ser feliz num alguidar de água

Lembro-me bem. Em casa dos nossos primos, no verão, havia um cesto com dezenas de BD, do Zé Carioca, do Tio Patinhas e daqueles três irmãos prisioneiros gorduchos. Depois de grandes almoçaradas, dormia-se a sesta. Havia uma parede decorada com chapéus, de diferentes tamanhos e materiais, e o meu pai, num dia em que deixou crescer mais o bigode, fez-nos rir às gargalhadas com um chapéu mexicano. Naqueles longos dias de verão, tomávamos banho dentro de alguidares. Havia uma mangueira e as brincadeiras com água eram as mais divertidas. Andava-se muito de bicicleta e a pé. Depois do jantar, caminhava-se até ao café mais próximo. Ou até um mais distante. Cheirava a pinhal, ali. Os pés queimavam quando atravessávamos o areal da Cabana do Pescador. Às vezes, ficávamos até ao pôr do sol na praia. Eu e o meu irmão corríamos nus e apanhávamos boleias nas ondas.

As coisas mais simples são as que nos fazem mais felizes. Eu fui muito feliz num alguidar cheio de água. Às vezes era mesmo ali que a minha mãe nos dava banho. 

Estas imagens vêm-me muitas vezes à cabeça quando, nos meus voos mais altos e nos meus estúpidos devaneios materialistas, sonho com uma casa com piscina e com um quintal. Não posso, nem preciso disso. A Isabel não precisa disso. Temos a praia ali a 10 minutos. Temos um jardim perto. Temos uma mini-piscina no terraço. Uma mangueira. Divertimo-nos a chapinhar. A pôr e a tirar tampas das caixas. A explorar cada canto.

Temos mais do que precisamos, até. Tenho a certeza de que a Isabel seria muito feliz num alguidar cheio de água.











6.28.2015

O que nos dizem que vai acontecer quando temos um bebé e o que é verdade.

Não vale a pena dizer que as pessoas falam demais quando sabem que estamos a planear ter um bebé, quando estamos grávidas ou quando estamos a parir ou quando já temos o bebé em casa. As pessoas falam demais no geral e nós também somos essas pessoas. 

No início enervava-me imenso que as pessoas me dissessem "aproveita para dormir" e "olha que passa muito rápido" e agora sou uma dessas pessoas. Oh well. Vamos lá ver se ajudamos as nossas futuras-mamãs e futuras-futuras-mamãs aqui com uma listinha do que dizem e do que realmente acontece. Eu começo!



# - Aproveita agora para dormir!!

- Calma, nem todos os bebés dormem mal e porcamente. Há bebés que, desde sempre, dormem mais de 10 horas seguidas ao ponto de deixarem as mães em pânico por não saberem se está tudo bem com eles. Há bebés que dormem muito. Há bebés que dormem pouco. Há bebés que acordam muito. Não sabemos que tipo de bebé vai calhar na rifa, mas pode ser que corra tudo pelo melhor. Agora, o mau sono começa normalmente na fase final da gravidez (no início também para quem sofra muito de enjoos e azias e afins - há grávidas que até têm de dormir sentadas para conseguir dormir). A verdade é que nunca mais teremos liberdade para dormir as horas que quisermos sem sermos interrompidas. Pelo menos até eles têm pêlos púbicos, digo. Depois também não dormirmos porque foram sair à noite. Bom, se calhar as pessoas até têm razão neste. APROVEITA PARA DORMIR!



# - Aproveita que passa num instante!!

- E é mesmo verdade! Passa muito rápido. O tempo, já por si, passa rápido. Quando nos estamos a divertir, passa ainda mais rápido. Quando temos um bebé, continua a passar rápido mas temos ali uma referência de que isso está a acontecer. Ainda para mais eles duplicam o tamanho no primeiro ano de vida e aprendem tudo de enfiada. É assustador. E como, em Portugal, temos uma licença de maternidade tão pequena, trabalhando e indo para casa, as coisas parecem passar ainda mais rápido. Confesso que estando em casa que passa rápido, mas não tanto assim. Parece que passa tão rápido quanto aquelas curtes de verão esquisitas que tínhamos quando íamos de férias para algum lado com os pais. Por que é que eu estou a falar disto na primeira pessoa do plural? Eu? Nã. 



# - Vais ficar com a barriga toda cheia de estrias.

- Sim, pode-se ficar. E então? É o processo natural das coisas. Não digo que seja "o preço" a pagar por termos este dom enorme de gerar a vida, porque não acho que seja "um preço", mas é algo relativamente insignificante comparativamente com o que ganhamos. Nem todas temos estrias. Depende da genética de cada uma, mais disso do que dos cremes, mas dá-lhes jeito que pensemos que não tivemos por causa deles, quando perguntamos à nossa mãe e ela não teve também. 



# - Vais ficar com a barriga toda flácida. 

- Sim e não. Há quem fique e há quem não fique. Há quem já tivesse antes e quem passasse a não ter depois. Há quem nunca tenha tido (o caso da Carolina Patrocínio, por exemplo). Se realmente nos importarmos com a nossa forma e se tivermos uma gravidez sem risco, podemos não prejudicar a nossa "forma e linha" de maneira alguma. Temos mesmo é de fazer um esforço. Teremos de querer. Além disso, pouco tempo depois da gravidez, podem-se praticar abdominais hipopressivos (falem com quem perceba disto) que ajuda facilmente a resolver a questão da barriga. Esqueçam o "facilmente". Eu não consegui. 





# - O casamento vai à vida... 

- Vai e não vai. Depende do tipo de casamento, depende das expectativas. Acima de tudo, ter um filho é uma decisão que deve ser muito bem pensada não só pela criança, mas também para nos prepararmos e percebermos o que poderá acontecer com a vinda da mesma. Digo-vos que é lixado não dormirmos nos primeiros meses, estarmos cheias de dores (podemos não ter) e hormonais e termos um parceiro que o compreenda sem se exaltar de vez em quando. E mais, muitas vezes até fazemos a festa sozinhas. Muita coisa muda, temos de estar preparadas para isso. E, melhor: mudar não significa que seja para pior, não é? 



# - Acabou-se a boa vida!

- É um bocadinho verdade. E ainda bem que as pessoas dizem isso, porque é mais uma das coisas que deve pesar no timing de se ter um filho. Se ainda estiverem muito agarradas a sair todos os dias à noite e apanharem grandes bezanas e acordarem ao lado dum tipo chamado Tiago que tem um cheiro esquisito, provavelmente não será boa altura. Se andarem numa de viajar pelo mundo todos os meses e de fazer interrails por países que nem saibam o que é um ben-u-ron, pensem bem no que estão a fazer porque... já perceberam, não é? 



# - O balúrdio que vai ser!!

- Gasta-se mais dinheiro com um bebé do que sem um bebé, claro (duh!), mas pode não ser esse balúrdio todo. Há escolhas que se podem fazer consoante o orçamento familiar e valores. Não há dinheiro para uma creche pipi? Fica na avó. Não há dinheiro para pagar à avó? Fica com a avó da melhor amiga. É preciso é ser tão flexível como gostaríamos que o nosso orçamento fosse. "Tudo se faz".  Por falar em flexibilidade, eu tenho a flexibilidade de um t0 em Pina Manique.



# - É a melhor coisa do mundo.

- E é. É mesmo. É um desafio constante? É, também. Se é igualmente gratificante? É. É muito importante não termos ilusões sobre o que é ter um filho. Ter um filho, não é ter um Nenuco. Ter um filho é ter uma mini pessoa que temos de amar educando. Temos de estas preparadas para amar muito muito ao ponto de sermos maiores que nós próprias todos os dias. Preparem-se para amar como nunca amaram antes. Preparem-se para ganhar paciência e forças onde nunca pensaram que fossem arranjar. Digo-vos uma coisa: até vão gostar de ver cocó de outra pessoa à vossa frente. 


Algo mais a acrescentar? ;)

A nossa semana em fotografias

Além da rotina habitual, com trabalho e creche, banhos demorados na banheira e muito mimo, esta semana houve muitos passeios, a duas.

Para quem não tem Instagram ou tem e ainda não nos segue, cá estão as últimas fotos que publiquei por lá:

Num parque em Monsanto (nunca sei os nomes, troco-os todos)
Fofo Anjinha Patuda

Sapatilhas Zippy (aproveitem que começaram os saldos)

Mochila, que ela adora, oferecida por um antigo professor meu que é um querido
Dentuças boa da mãe

Produtinhos entregues à porta - Cabaz Natura
A ver Game of Thrones (Meu Deus!) no chão da sala e a provar os legumes e a fruta fresca
No chão da sala da bisa (um calor dos diabos em Santarém)
Miminhos da bisavó Rosel (coisas boas da minha vida)
A estrear a mini-piscina no terraço

A tanga é DOT, oferecida ontem pela amiga Vanessa. Lindona.

Uma semana e um fim-de-semana em grande: jardim, piscina no terraço, praia e a visita à bisavó (comeu a sopa toda da vovó!) E ainda uma jantarada cá em casa com amigos e um almoço com o tio Frederico e a tia Mariana. Para ser perfeito, só faltou estar cá o pai ❤️

6.27.2015

A mãe desbronca-se (#14) - Vou baptizar ou não a Isabel?

Uma leitora perguntou há algum tempo se eu iria baptizar a Isabel. Achei curioso essa pergunta ser dirigida a mim (já devem ter topado que a Joana Gama não vai nessas cantigas). Que me lembre, até esta semana nunca tinha feito nenhuma menção à minha fé.

Já estive em todas as fases e mais algumas: fui baptizada com dois anos, andei na catequese, fiz a primeira comunhão, ia à missa todas as semanas. Fui a Taizé, em França, com uns 16 anos e lembro-me de ficar com o coração cheio e de sentir que a fé nunca me ia faltar.

Mas a verdade é que tive uma fase da minha vida em que deixei de acreditar. Era céptica, estava revoltada e questionava tudo. Mas recuperei-a recentemente e não tenho explicação para isto. Talvez tenha sido por ter passado pela morte de um familiar muito próximo quando estava grávida, mas não consigo precisar, foi tudo de forma inconsciente.

Ainda aí estão? Este vai para o top dos posts mais chatos de sempre, não vai? Já ganhei.

Voltando à pergunta da leitora. Ainda não tenho uma resposta para ela. Em princípio sim, porque, apesar do pai não ser católico praticante, eu gostava de passar-lhe esses valores (e o pai não se opõe). Mas não quero achar. Quero ter a certeza. Esta é daquelas escolhas que, agora que sou mãe, acho difíceis de tomar, porque por um lado não a queria estar a condicionar à fé católica (quero-a livre para escolher a sua religião), mas, por outra, acho que esta é daquelas coisas em que os podemos influenciar. E mais tarde, caso não concorde, faz as suas escolhas à mesma. Os meus pais acabaram por orientar as minhas escolhas e nunca os culpei por isso. Tive inclusive uma fase em que podia ter desistido. Mas ficou cá a sementinha e aquele amor no coração sempre que entro numa igreja, sempre que ouço os cânticos, sempre que rezo.

Para as que aguentaram até ao fim, baptizaram ou não os vossos filhos? Vão fazê-lo ou vão esperar?

E os desejos?

Esta a falar disto com uma amiga minha (a minha vizinha com quem voltei a falar recentemente) e ela disse-me que, quando estava grávida, tinha imenso desejo de couratos!!!

Diz-se (e acredito) que costumamos sentir desejos por aquilo que nos faz falta no organismo, portanto, isso dá-me a crer que tenho sempre muita falta de Chocapics e Oreos.

No meu caso, não tive grandes desejos. Houve uma vez que me aproveitei de estar grávida para "obrigar" o Frederico a ir buscar McDonalds. 



De resto, tive uma tara enorme por clementinas. Só isso.

E vocês? Há mesmo grávidas que tenham vontade de comer terra dos vasos e assim? 

A mãe sugere - Kids Race, no próximo sábado!

Nunca gostei de correr, pelo menos que me lembre. Talvez gostasse com três ou quatro anos, mas quando estava no ciclo ou no secundário, correr por obrigação chateava-me. Ficava com dores de burro, a boca ficava a saber-me a sangue (nunca ninguém me explicou porquê), achava estúpido ter de dar voltas e mais voltas à escola. Nesse tempo, as coisas divertidas que seria possível estar a fazer! Jogar volley, fazer escalada, ginástica... Gostava muito de desporto e até não me safava mal, agora correr, não obrigada! 

Até hoje. Agora posso dizer que gosto de correr, apesar de achar dificílimo (mas cada vez menos difícil). Gostava muito que a minha filha me acompanhasse (conheço uma mãe que vai correr 5 km com o filho, de 8 anos, para a marginal e acho o máximo).

Hoje em dia, estima-se que 1 milhão e meio de portugueses corram e quantos mais, melhor. Por isso, achei a iniciativa Kids Race muito, muito interessante. Porque é de pequenino que se torce... vocês sabem.

A segunda edição é já sábado, dia 4 de Julho e as pessoas grandes e a mini-pessoa cá de casa vão. As sobrinhas também. Acho que vai ser muito giro. Além das corridas, tem matraquilhos, trampolins, jogos tradicionais, pinturas faciais, magia, artes marciais, ciências... um sem número de actividades giras, para toda a família.

Para saberem como se inscreverem, vejam aqui. É sábado, das 10h às 13h, no Estádio 1º de Maio (INATEL), em Lisboa. Encontramo-nos lá? Se nos virem por lá, por favor, percam a vergonha e venham dizer um olá!


*Fotos Kids Race

6.26.2015

Mais um post que vai dar chatice, já sei.

Nota: todas erramos. temos só de melhorar. eu erro e continuarei a errar, mas pensarei sempre sobre o que o faço e tentarei sempre melhorar. 

Tenho uma janela que dá para uma creche. 

Vejo todos os dias pais a irem deixar os miúdos e a irem buscá-los.

Hoje uma mãe, quando foi buscar a filha, bateu-lhe. 

Não existem "enxota pó" das fraldas nem das mãos. A palavra é mesmo esta: bateu-lhe.  É sempre bater. 

Bater é mais do que deixar marca física. Bater é quebrar a confiança que existe, neste caso, entre a criança (que lá por muitas vezes perdoar, não significa que seja estúpida) e a pessoa que era suposto amá-la acima de tudo e protegê-la do que a magoa. A pessoa que era suposto ter o carinho e o coração para descodificar tudo o que ela não percebe, para passar a perceber e da melhor maneira para ser mais feliz e para contribuir para que todos sejam mais felizes. 

Já pararam para pensar o que "diz" uma palmada? "A mãe magoa-te sempre que fizeres algo deste género". É isto que é para ensinar? É este tipo de relação que querem criar? A mãe que dá o beijinho de boa noite e a mãe que lhe bate? 
 
Por estes costumes, às vezes enraizados, é que se popularizou a expressão "mãe é mãe". Porquê? Mãe pode não ser mãe. Mãe pode ser má e estúpida. Mãe é mãe se for mãe. Mãe que não for mãe, não merecia ter sido. 

A Mãe erra. Muito, mas tenta melhorar. A diferença é essa. 

Não quero saber se esta mãe estava cansada. Se teve um mau dia. Se estava com candidíase e muito irritadiça. Não quero saber. Tal como o coração desta criança que, se não chora por ter sido magoada, chora por ter sido quebrada a tal confiança. Pela mãe lhe meter medo em vez de fazê-la sentir-se amada. 

A mãe bateu-lhe porque ela fugiu. A menina já corre e a mãe ficou assustada. Reagiu a quente e deu-lhe para lhe bater e gritar: NÃO FOGES MAIS DA MÃE! 

Somos todas muito aceleradas, fazemos muitas coisas ao mesmo tempo e o chamado "tempo para nós" é para despacharmos outras coisas, mas há momentos. Há aquele momento na cama antes de adormecer em que, de olhos fechados, poderíamos pensar um bocadinho em quem mais amamos. Aquele número dois mais demorado na casa de banho. Enquanto estivermos a adormecê-los, aproveitar o escuro e a parte mais silenciosa para pensarmos no que andamos a fazer.

Eu não serei uma mãe que bate. 

Levei muita palmada e algumas "lamparinas" e isso não me fez ter uma relação melhor com a minha mãe. Não me lixem, não venham com coisas a dizer que "as pessoas não sabem, não foram ensinadas de outra forma". 

Mesmo as mais estúpidas se devem sentir mal depois de bater numa criança. 

Gosto de pensar que sim. Apesar de saber que há mães que gostam de bater nos miúdos em público para serem vistas como fortes e disciplinadoras. Nojo. 

Nunca li nada sobre isto (tenho umas luzes daquilo que se chama de disciplina positiva), nem a Irene alguma vez levou alguma palmada. Não é esse o meu papel. Nem o de ninguém. 

Se todas perdêssemos um tempo a pensar na lógica que tem isto de batermos nos filhos, aposto que ninguém "de jeito" bateria. 

Há uns tempos toda a gente ficou chocada com aquele PSP que bateu num homem em frente ao filho. Por que é que ninguém fica chocado quando vê UMA MÃE (ou pai) a bater num filho? Por que é que isso é aceitável? Por que é que "se estamos cansados" eles podem levar uma palmada? 

Temos de ser mais inteligentes que isto. Caem-me lágrimas por pensar em todas as mães que o fazem e que não se sentem mal depois, que não tentam fazer melhor. Não pelas mães, pelos filhos. Pelas pessoas que criam. Pessoas que podem não ser infelizes, mas que poderiam ser muito muito mais felizes e gostar mais das mães não só porque "mãe é mãe".

As crianças não podem ter medo dos pais. Isso não é educar. Isso é ser estúpido. 

Epá, não me lixem.

O que se poderia fazer nesta altura? Explicar. Ter calma. A mãe que tem medo poderia dizer à filha isso mesmo. Que tem medo que lhe aconteça algo. As vezes que forem necessárias. Se a filha ainda não compreende, tem de ter mais atenção para esta não lhe fugir. 


Esta mãe quer que o filho veja o pai quando nascer!

Ou que o pai veja o filho...

Nem consigo imaginar o meu parto sem o David ao meu lado, a dizer piadas, a acalmar-me, a dar-me força e a ver a nossa filha no primeiro segundo da vida dela. Ouvindo-a chorar e acalmar-se no meu peito, vendo-a mamar pela primeira vez, pegando-a ao colo pouco tempo depois. São momentos de grande vínculo, inesquecíveis, que tornam um parto num momento emocionante, em família, humanizado.

Já Mónica nunca soube o que era ter o marido ao seu lado, nos momentos mais importantes das suas vidas. Vai ter, em breve, o terceiro filho, o Martim, e quer que, pela primeira vez, o pai possa assistir ao nascimento. É que Mónica vai, pela terceira vez, ter um parto por cesariana, no público, e a presença do pai sempre lhe foi vedada.

Inconformada, o que é esta mulher decidiu fazer? Com a ajuda de uma enfermeira, criou uma petição para que os pais possam assistir às cesarianas, para assinar aqui! É mesmo, mesmo importante que até dia 2 de Julho se consigam reunir 4000 mil assinaturas, para que a discussão ocorra em Plenário da República.

Estamos a falar de cesarianas programadas, em que não é necessário intervir de forma rápida ou com suspeitas de sofrimento fetal ou materno.

Assinei a petição. E o David também assinou, porque este é um direito deles.
Vão assinar?! Já falta pouco, força!

Para saber mais sobre as incongruências entre o que está na lei e o que se argumenta nos hospitais públicos, leiam este artigo do Público.


a Mãe desbronca-se (#13) - Quando voltei à minha forma.

Gosto tanto que nos façam perguntas. Pessoalmente, faz-me sentir tipo um comentador de telejornal, que sou uma espécie de opinion-leader ou maker, apesar de não ter um rabo de interesse para vos dizer nas coisas que me perguntam. 

Se me fizessem perguntas sobre bowling. O melhor peso da bola para vocês, como fazer um bom lançamento ou um strike triplo, agora fazerem-me perguntas sobre emagrecimento é o mesmo que me perguntarem o que acho dos subsídios para a experimentação no campo do audiovisual. Hã? Pois.

Ora, apesar do "a Mãe desbronca-se" ser aqui e não no instagram, decidi na mesma dar atenção a esta leitora, toda das tecnologias que até tem um instagram e tudo (wow!). 





Ora, com a gravidez numa perdi a minha forma: a de um bacalhau. Sempre fui normal (para o mini cavalona por causa da natação) da parte de cima, mas chega à parte da barriga e parece que alguém me fez respiração boca à boca mas sempre a expirar e que, portanto, o ar nunca saiu.  

Mesmo assim mando grandas pernas e um rabo que sim senhor. A gordura vai toda para a barriga. Toda. 

Fui uma grávida muito elegante porque até o bebé foi só para a barriga. Não engordei nada a não ser na papada. Fiquei mais redonda na cara que um "esférico" do Estrela da Amadora (ainda existe?). 

Acho que cheguei a pesar 82 kg. Sendo que peso e pesava 68/70, nada mal! Ah! Meço 1m e 64cm não sou a torre que é a Joana Paixão Brás que, mesmo corcunda, consegue ser mais alta que 80% das pessoas que têm pipi. E 60% das que têm um pipi para fora.

Com a amamentação rapidamente foi tudo ao sítio (sabiam que é a melhor maneira de recuperar no pós-parto?) Com a falta de tempo para comer também. A Irene queria sempre mamar à hora das refeições (no fundo, queria sempre mamar, como deve ser em livre demanda) e o meu marido é que me dava a comida à boca enquanto eu tinha a mama de fora. Isso contribuiu e muito para que não comesse tanto. Bebia também muita água (ou tisanas) porque morria de sede sempre que estava a dar de mamar. 

Depois acho que andei duas semanas no Centro Pré e Pós Parto de Entrecampos, mas sentia-me a mais gorda e a mais desajeitada do grupo, além de que como não dormia bem, não achei que a minha prioridade fosse estafar-me mais para ficar elegante, mas sim DORMIR. Eram super amorosas comigo, principalmente a Patrícia que tinha imensa esperança em mim e que ainda hoje paira no meu Facebook. Chegou a oferecer-me um bolo depois de uma aula. É um amor, amor. Aliás, acho que a principal razão para ter desistido foi porque, aos 3 meses, a Irene e eu tivemos um desentendimento grande com a mama (crise dos 3 meses) e isso consumiu-nos de uma tal forma que nem saía de casa. 


Até pus o step à frente porque ainda nem conseguia encolher a barriga. Ahah


A do meio é mesmo a Joana Paixão Brás. Já não nos largávamos nesta altura. Awww. E a outra é a nossa amiga Cristina que é a gaja mais boa no pós parto que alguma vez conheci. Odeio-a. ;)

Acho que não foi isso que me emagreceu, foi só mesmo dar mama. Hoje em dia tenho uma elíptica no quarto que uso não para emagrecer mas para fazer um bocadinho de cardio porque não tenho uma vida muito activa e não quero começar a definhar. De resto, ao jantar como saladas, mas depois empanturro-me com bolachas, por isso... não sou exemplo para ninguém.

Sendo honesta: com isto da gravidez fiquei mais flácida na barriga (mal se nota, porque já era antes). Ficar em casa durante este tempo todo é que me está a engordar ;)

Esclarecida, Joana? ;)

6.25.2015

A minha filha é beata!

Andava eu a chateá-la com o "Frère Jacques" e com o "Dorme, bebé" à hora de dormir (a Isabel adormece com umas festinhas nas costas e umas canções de embalar - se for a mãe, que com o pai não resulta, vá se lá saber porquê...), quando o que ela gosta mesmo, mesmo é das músicas que sei de cor e salteado de Taizé (comunidade em França). Já não as cantava há anos e anos e, numa noite destas mais complicadas, desceram em mim. Só para terem uma noção, são estas as músicas que a acalmam:




Conclusão: a minha filha é beata.

Nota: sou católica, mas sei brincar com tudo isto. 

Ah! Houve uma leitora que me perguntou se vou baptizar a Isabel. Prometo que para a próxima respondo!

E quando eles nos começam a dar beijinhos?



É algo muito recente e até partilhei no nosso Facebook o momento em que isso aconteceu. Em que ela, espontaneamente começou a abraçar-nos e a dar beijinhos. Acho que nunca senti nada igual. É como se fosse um murro na axila, mas em vez dum murro, uma coisa boa. E sem ser na axila. 

O que é a seguir a isto? É dizerem que gostam muito de nós?

Neste momento sinto que não deverá haver nada melhor.