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8.23.2018

A pressão do corpo perfeito no pós-parto


Há três meses tive o meu primeiro filho. Foi uma gravidez francamente fácil (apesar das peripécias que sempre há) e engordei apenas 12 quilos.
Uma semana depois de ter o Dinis, acho que também devido a todo o stress da amamentação (que não correu nada bem até às 7 semanas), perdi 10 quilos dos 12 que tinha ganho. Até aqui tudo bem e provavelmente esta afirmação até é capaz de criar alguma inveja em algumas mulheres.
Mas calma! No entretanto, já ganhei mais 4 quilos. E a verdade é que me sinto e estou gordinha do alto dos meus 81 quilos em 1.68m de altura.

Para o comprovar no outro dia fui a uma loja de roupa de maternidade procurar um vestido para ir a um casamento que desse para amamentar. Como digo, fui mãe há três meses e continuo gordinha (que já o estava antes de engravidar) e com barriguinha (repito, são três meses depois, mega normal). Fiz uma pergunta em relação a um vestido, e a senhora da loja (muito querida) disse que o vestido até era ótimo porque iria servir durante a gravidez e no pós parto, pensando que eu estava de uns quantos meses. Isto quando um pouco mais atrás estava o carrinho e o bebé pendurado no marido dentro do sling. Acho que se não estivesse tão relaxada comigo mesma, isso me teria ofendido. Mas obviamente, a senhora não fez por mal, foi com toda a boa vontade do mundo e a verdade é que, sim, passaria por grávida ainda. É absolutamente normal. Neste preciso momento não há nada a fazer.

Não sei se o passar os dias maioritariamente em casa apenas com o meu bebé e marido, faça com que não me sinta assim tão mal. Para além disso quando saio e estando a amamentar, a roupa que tenho está de qualquer forma limitada. E como as peças em que me sinto confortável para amamentar me servem acho que também ajuda.
Mas pelas internets da vida, em conversas com amigas que também foram mães este ano (acho que metade de Portugal foi mãe este ano) e dois casamentos em agosto, obviamente que também sinto a pressão que nos pomos a nós mesmas para "voltar ao que éramos antes". Isto apesar de eu querer que o antes seja o antes de há 9 anos atrás e não o antes de há 9 meses atrás. Mega irrealista, portanto.

E apesar disto tudo, acho que nunca estive tão sem stress em relação ao meu corpo como estou agora.

"Então mas como é que estás tão relaxada em relação a isso? Ainda por cima vem aí o verão!" - poderão perguntar algumas de vocês (e sim, estou com a esperança que o verão chegue a Portugal antes de eu ir de férias!).

Há coisas que ajudam.
1.º (e o mais importante) - acabei de ter um filho. O meu corpo esteve a modificar-se durante 9 meses para criar um humano. Tenho tempo e tenho de dar-lhe tempo para emagrecer (ao corpo! O filho é bom que só engorde!).

2.º - estou a amamentar. Por isso não posso cá fazer dietas malucas que me afetem o "líquido maravilha". Com um início tão díficil como o que tive, pelo bem da minha saúde mental, é a última coisa que preciso.

3.º - o espelho de corpo inteiro cá de casa partiu-se enquanto estava no hospital. O meu Roomba deve ter pressentido que era uma boa ideia livrar-se do espelho no pós-parto. Não acho que tenha sido coincidência mas sim obra de um divino qualquer. E como foi o Roomba a parti-lo escapei-me aos sete anos de azar. #sortuda

4.º - não tenho ido às compras. Já me apercebi antes de engravidar que ir às compras e experimentar roupa nova que ainda não se moldou ao corpo, ou cujos tamanhos variam de peça para peça e de modelo para modelo e de loja para loja é uma tortura a que nos submetemos sem uma real necessidade. Vamos ser sinceras: nós não precisamos de 20 t-shirts nem 30 pares de calças de ganga. Eu ainda visto roupa que me serve desde os meus 15 anos (felizmente alguma roupa vai-se mantendo ao longo do tempo, vai-se moldando ao nosso corpo e é óbvio que são peças que na altura eram mais pro larguitas)!

5.º - e por último, aprendi a não querer saber.

Não sei se foi dos 30's, mas simplesmente aprendi a não querer saber. O corpo que tenho é o que tenho, está como está neste momento, e não é uma dieta maluca que me vai fazer bem à saúde nem me dar resultados a tempo de ir para a praia amanhã. O que tenho de fazer é aceitá-lo tal como está neste momento e, não estando satisfeita (que não estou, principalmente porque sei que preciso de ter um aspecto e estilo de vida mais saudável), vou trabalhá-lo quando puder para o moldar ao ritmo que for possível. Sem pressões estúpidas impostas por mim mesma. Às vezes mais vale uma coisa feita bem e com tempo do que à pressão. Todas sabemos (e há provas disso) que dietas malucas não resultam!

"Ah, mas a sociedade impinge-nos a pressão de sermos todas esbeltas, maquilhadas, penteadas e sem defeitos."

A verdade é só uma: podemos queixar-nos que é a sociedade que nos faz pressão para que nós sejamos mais assim ou mais assado, mas quem aceita essa pressão somos nós.

A culpa de não estarmos bem com os nossos corpos não é das Carolinas Patrocínios, Ritas Pereiras ou Cláudias Vieiras desta vida. Nem sequer é das vizinhas codrilheiras que nos dizem que parecemos umas lontras e muito menos da Barbie! A culpa é nossa por deixar que isso nos afete. Porque não tem de afetar! E quem deixa que isso nos afete não são os outros, somos nós!

Eu não sou, nem nunca devo vir a ser uma Carolina Patrocínio ou uma Rita Pereira. Eu não tenho pachorra para fazer aquela quantidade de exercício físico. Por muito que até goste de fazer alguma coisa (apesar da minha posição favorita ser a de deitada #preguiçosa) eu não tenho aquele vício nem aquela determinação. E por muito que elas mostrem que comeram uma pizza ontem à noite, a maioria das refeições delas são demasiado controladas e saudáveis para a minha paciência e papilas gustativas. Por isso eu não posso olhar para elas e querer ter aquele corpo! Eu não faço por isso! E honestamente não tenho intenções de fazer. Posso até vir a mudar de ideias, mas para já, não.

Se elas são uma amostra real das mulheres? São. Para o quanto elas trabalham o corpo delas, elas são mulheres reais em que mulheres que trabalham tanto o corpo como elas podem e devem se inspirar. Não são é representativas da média das mulheres. Os sacrifícios que elas fazem e aquilo que eu considero ser uma pressão ligeiramente "doentia" (no sentido do vício que têm) da parte delas mesmas com elas mesmas, tudo isso é real. E acreditem que apesar de nos mostrarem que têm corpos fabulosos (que os têm) de certeza que tal como nós se olham todos os dias ao espelho e dizem "estou gorda aqui, tenho celulite ali, não gosto deste braço, tenho duplo queixo". Daí que no dia seguinte lá estejam elas às 7 da manhã a suar que nem atletas de alta competição.

Agora, o que não é real é eu passar 1 ano sentada no sofá e querer ficar como elas uma semana depois de ter tido um filho.

Nós (mulheres no geral) temos de aprender a fazer duas coisas:
- Deixarmos de nos comparar com pessoas que  não têm o mesmo metabolismo que nós, nem fazem o mesmo nível de actividade física que nós, nem têm o mesmo tipo de corpo, nem passaram pela mesma experiência de gravidez que nós (apesar de eu saber que se fosse uma "louca dos ginásios" seria uma Rita Pereira. #sóquenão - e sim, eu sei que ela não é mãe) e têm todo um outro apoio de nutrição e tratamentos a que a maioria de nós não tem acesso
- E acima de tudo temos de começar a ter mais auto-estima seja em que fase da vida estivermos e tratarmo-nos a nós mesmas com mais carinho.

Houve uma coisa que li uma vez que mudou muito a forma como eu me tratava no geral: se não o dirias dessa forma a uma melhor amiga, não o digas a ti mesma.

Porque pensem comigo: se fosse a nossa melhor amiga a estar mais gordinha ou em baixo de forma (principalmente durante ou depois da gravidez), o que lhe diríamos e de que forma? E como é que a veríamos? Dávamos importância à gordura dela, às cicatrizes, à celulite? Deixávamos de ser queridas com elas? Olhávamos para ela e criticaríamos constantemente as suas pernas, os braços, a barriga? Não. Então porque é que o fazemos a nós mesmas? Porque é que não somos as nossas melhores amigas?

A sociedade pode fazer a pressão que quiser, mas o problema é nós cedermos e deixarmo-nos afetar por isso. O problema é não sermos as nossas melhores amigas. Só nos afeta o que nós deixamos. Nós temos mesmo de passar a ser mais amigas de nós mesmas. As melhores de todas.

E não nos podemos esquecer que apesar de experimentarmos todas os mesmos modelos de calças nós somos todas muito diferentes! A mesma coisa não nos serve a todas da mesma forma, apesar de vestirmos os mesmos números. Eu, por exemplo, fico patética com roupas dos anos 80.

O nosso formato é o que é e o nosso metabolismo é o que é. Há coisas que não podemos mudar (algumas coisas nem com cirurgia) e a única forma de sermos felizes é aprendermos a gostar das coisas como elas são.

Principalmente depois das gravidezes. O nosso corpo criou um ser humano! Temos de dar tempo ao tempo, mudar o que quisermos e pudermos no ritmo que a vida nos permitir. Sem pressões nem objectivos parvos.

E acima de tudo temos de deixar de querer um "antes" quando já somos um "depois".
Até porque no "antes" o nosso amor maior não existia nem nós éramos "mães".
E eu não sei quanto a vocês mas com ou sem peso a mais, sou muito mais feliz neste "depois".





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8.14.2017

Afinal Havia Outra - Filhos bi(ou tri)lingues

“É muito mais fácil aprender idiomas em criança do que em adulto”
“As crianças aprendem idiomas facilmente”
“Podem é começar a falar mais tarde, mas depois falam as duas línguas na perfeição”


imagem weheartit
 
Pois é, viver noutro país que não o nosso exige das nossas crias que falem outro idioma.
Cá em casa fala-se sempre português, mas a casa fica na Escócia.. o que significa que fora de casa se fale inglês. A Escócia, especialmente em Edimburgo, está cheia de espanhóis… o que significa que na grande maioria das vezes se fale espanhol também.
O Vasco, pequeno Lord cá de casa, é sujeito às três línguas desde que pôs os pés fora da barriga de sua mãe.
Foram meses e meses a ouvir as nossas gentes de Portugal.. 
“Coitadinho do menino, vai-se confundir todo!” 
“Ele quando começar a falar ninguém o entende.” 

Entende. Entende tanto como a qualquer gaiato da idade dele. 
O Vasco tem quase 3 anos. Começou o primeiro ano a ouvir inglês e espanhol, seguido de um ano a viver em Portugal, (coitadinha da criatura que não tem culpa nenhuma dos pais mudarem de país a cada ano) e está agora de volta à Escócia e a tentar comunicar em inglês.
A sua grande professora, Peppa Pig, sendo de certo de boas familias inglesas dali da zona de Kensington ou Chelsea, ensina-lhe coisas como “oh dear” e “whota”.
Tenho um certo medo que o rapazito sofra um bocadinho de bullying na escola, pois este sotaque tao british, nao será de todo bem aceite no meio desta miudagem escocesa. Para começar são todos enormes, com 3 anos já me dão pelos ombros a mim e pesam o equivalente a um panda bebé. Depois aqueles cabelinhos ruivos e aquela tez tao pálida, de quem tem claramente falta de vitamina D, coitadinhos dos riquinhos.

Vasco, o Tuga, lá se safa o melhor que pode no meio dos highlanders.
Por questão de sobrevivência, as primeiras palavras que aprendeu foram “biscuit”, “bread”, “delicious” e “more”, o que denuncia já a sua vertende latagona. Quase todas as semanas nos dizem que foi o único na escola a não só terminar o prato como a pedir segunda dose. Meu rico filho. Ainda não passou dos 11kg, aquele ar franzino que quem nao mete nada na boquinha e açambarca para o bandulho tudo aquilo que pode.
De maneiras que a criatura speaks english, habla espa ñol e até manda os seus bitaites em português, que é para ensinar a esta gente a língua de Camões. É vê-lo a passear-se nos corredores do infantário quando o vou buscar, atirando uns “see you leita”, “see you morrow”, “hasta mañana”.
No infantário eu sou a “mommy”, em casa sou mãe. <3
Estes dias, enquanto o assistia na organização da sua frota de mini carros, repetia-me que não era assim, tinha que ser “tandem” e eu ali com cara de sardinha, sem fazer a mínima ideia do que ele queria e a achar que o miúdo estava em devaneio… não liguei.
Por curiosidade, no dia seguinte perguntei ao tio Google…

Tandem

adjective
1.      having two things arranged one in front of the other.
             "a tandem trailer"


Toma lá.
Antes dos 3 anos e já me ensina inglês a mim, que vivo fora de Portugal desde 2010.




Elsa Maria Gomes
mãe do Vasco, Vasco´s mom e mamá de Vasquillo



 
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1.05.2017

Afinal Havia Outra - Juramento de Mãe



Meus filhos,

Prometo solenemente consagrar a minha vida ao vosso serviço – mas não abusem. Atempadamente ensinar-vos-ei a cozinhar, limpar, passar a ferro e preparar umas torradinhas com leite quente para o vosso querido pai, que já sabemos que não dorme direito sem a sua preciosa torrada.

Darei aos meus pais o respeito e conhecimento que lhes são devidos – porque agora tenho um filho com o meu feitio exato e não é fácil gerir tanta energia e actividade. Benditos paizinhos que eu tenho.
  
Exercerei a minha arte com consciência e dignidade – porque tomar conta de vocês dois e manter-vos limpinhos, cheirosos, bem alimentados e educados é uma verdadeira arte.

A saúde dos meus filhos será a minha primeira preocupação – e por isso já somos conhecidos no atendimento urgente pediátrico do Hospital. Porque uma unha encravada também é motivo de preocupação.

Mesmo após a vossa adolescência respeitarei os segredos que me tiverem confiado – e prometo nunca contar às vossas namoradas as vezes que vierem a fazer xixi na cama.
 
Manterei por todos os meios ao meu alcance, a honra e as nobres tradições da profissão de mãe – os cabelos despenteados, o vício do café, as raízes por pintar, as unhas por fazer,...

As outras mães serão minhas irmãs – Sai um “Amén, sister!” para todas as mães que tentam domar as mini feras nos espaços públicos sem causar uma cena.
 
Não permitirei que quaisquer considerações alheias mal intencionadas se interponham entre o meu dever e os meus filhos.

Guardarei respeito absoluto pela vossa Vida desde o seu início, mesmo sob ameaça e farei uso dos meus conhecimentos para vos educar livres e felizes.

Faço estas promessas solenemente, livremente e sob a minha honra de MÃE.




A Rita Ferreira Bastos tem 28 anos, é do Porto e é mãe do Dinis (3 anos) e do Duarte (7 meses). 

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9.08.2016

QUEREMOS PILAS!!

Se a mãe é que sabe eu também sei. O meu nome é Joana da Silva (sim também sou Joana e uso o "da" para dar um toque de chiqueza ao meu nome plebeu) e dada a minha veia altruísta venho preencher uma lacuna gravíssima no blog. Peço já desculpa por uma ou outra palavra ofensiva mas a minha linguagem assemelha-se à de um encarregado provinciano. Aguentem. Se querem floreados vão ao Mercadito da Carlota.

Ora bem.. por onde começar... Chega de pipis! É preciso pilas no blog!!!!

Não é o filho da Joana, é um miúdo random.
Sou mãe de um menino de 8 meses e aqui ninguém me ajuda!! O meu filho tem uma pilinha e eu pouco percebo daquilo (apenas na ótica do utilizador..). E sei que há mais de vocês por aí! Aqui só se fala de vestidos e ganchinhos e batons e o caralho... (desculpem)... Por isso mães de meninos não desesperem, chegou a Joana da Pila (haha brincadeirinha... é da Silva..) para vos auxiliar!

Adoro ser mãe de um menino! Mesmo.  Adoro os pontapés na cicatriz da cesariana que me ajudam a abrir a pestana quase todas as manhãs. As sapas (vulgo estaladas) de cada vez que fica excitado por ver o candeeiro do teto a acender. Adoro os jatos de urina como o geiser de Paço d'Arcos que atingem a parede que nem pinturas rupestres (é arte caraças!). E já nem falo dos meus bíceps à culturista por ter de carregar constantemente o equivalente a dois garrafões de água... A sorte é que o miúdo é giríssimo! E a primeira palavra foi mamã! Aliás não se cala com isso. Chama mamã à cadela, à parede, ao Sr. Alfredo da mercearia, ao piaçaba... Fofo mas fofo.

Este blog é muito giro e tal mas lá está... ajudinha da boa está omissa... Quem me aconselha?!?! Quem partilha das mesmas dúvidas, receios e problemas??! Quem me diz o que faço com a sua cabeça gigante e torta cujo cabelo não dá para disfarçar a não ser que no futuro o deixe andar à Marco Paulo versão anos 80??!? (se fosse menina era mais fácil não é??!!) Ninguém! Por isto tudo e por não terem de passar pelas mesmas provações que eu, vim em Vosso auxilio!

Em nome de todas as mães de rapazes que não fazem ideia do que é um fofo ou um cueiro, que compram roupa para as crias on-line na Vertbaudet porque é super prático, que dormem com o livro do Dr. Mário Cordeiro (ámen) na cabeceira (comprado on-line), obcecadas com comida saudável porque somos o que comemos e o caraças e que papas é que não tem açúcar e toma lá com estes legumes biológicos na sopa que te fazem bem e não vale cuspir foda-se, revolto-me aqui e agora!!

Queremos pilas no blog!

Assinem a minha petição para mais pila e poderão ver esclarecidas as vossas dúvidas mais pertinentes numa rubrica mensal ao jeito da revista Maria como:

- Como fazer uma crista no cabelo do bebé de forma a disfarçar as orelhas à Dumbo (nas meninas põe-se uma fitinha e já está não é?? Sabem lá as Joanas (as outras) o que são dificuldades...);

- Como vestir ao bebé um body do Continente (on-line) de forma a que ele ajude na limpeza do soalho flutuante do lar;

- O mito da girafa Sophie VS O que é mesmo bom para os dentes é a correia do carrinho de passeio;

- Como equilibrar o biberão apoiando uns livros no tabuleiro da cadeira da papa e encaixar a tetina na boca do bebe de forma a ele beber o leite sozinho (hands free) enquanto depilam as sobrancelhas antes de irem para o escritório (tenho esta proeza patenteada);

- Será que o meu bebé é impotente?

Estou aqui para vos ajudar! Sou altruísta a esse ponto!! Votem em mais pila! Encham a caixa de comentários a solicitar a minha consultoria!

As pilas unidas jamais serão vencidas! (epá eu tenho é mesmo jeito para a politica pá... estou-me a estragar...).


________

Este texto foi escrito voluntariamente pela leitora Joana da Silva :)

6.01.2016

Malabarismos de uma mãe de três.

"Manhã fantástica: a Ema tinha dormido a sua primeira noite no quarto dela e eu só tinha tido que acordar umas cinco vezes para lhe pôr a chucha, já estavam todos na minha cama a beber o leite, a Ema tinha mamado, já tínhamos tirado umas fotos giras para mandar ao pai, as roupas estavam a postos, os sapatos e bibes também.
Eis que o sr. Enzo se lembra de morder a irmã (Lia) no ombro. Começa o pesadelo... A Lia grita e começa a chorar e a tossir. Vejo que vai vomitar e largo a Ema que ficou com as calças meio vestidas para puxar a Lia para o chão. Vomita-me o chão todo ao lado da cama. Boa!!! Agora tenho um filho por vestir, uma meia vestida e outra vomitada... Vou buscar uma toalha a correr pois vi que o malabarismo que fiz a apanhar vomitado com uma toalhita não era suficiente! Ponho a toalha ao pé da Lia enquanto puxo as calças da Ema para cima e ralho com o Enzo. Levo a Ema para a caminha dela, dou instruções ao Enzo para se vestir e vou com a Lia para a banheira. Lavo a Lia e vou vesti-la. O Enzo grita que precisa de ajuda. Vou ajudar. Deixo a Lia vestida e calçada e vou buscar o balde e a esfregona. Subo com isso, passo no WC deles e preparo as escovas e copos para que escovem os dentes. Ponho-os a escovar os dentes e vou limpar o chão. Descubro que tenho que arredar a cama para limpar bem o vomitado. Fixe! Só pesa uns trezentos quilos!!! Acabo de limpar e consigo enfiar as minhas calças. Vou ajudar a acabar de escovar os dentes e a pentear. Visto-lhes os bibes. Tento vestir-me e vêm chatear porque decidiram pôr luvas e não conseguem... Ajudo a pôr as luvas. Acabo de me vestir (acho eu) e mando-os descer. 
Tenho que acabar de vestir a Ema que, entretanto, adormeceu.
Visto-a. Ponho-a no ovinho. Desço com o ovo. Subo para ir buscar as mochilas. Ponho no carro as mochilas, o xarope da Lia, as fatias de bolo que o Enzo quer levar às educadoras. Mando-os vestir os casacos. As luvas atrapalham. Ajudo. Lembro-me de subir para ir buscar um casaco para a Ema. Ponho o saco dela no carro. Mando os outros dois para o carro. Ajudo-os com os cintos. Entretanto discutem nem sei porquê. Lembro-me de ir buscar um casaco para mim. Ponho a Ema no carro. Entro fecho a porta de casa e cai a maçaneta. Boa! Lembro-me que preciso do carrinho da Ema. Ponho no carro.
Entro no carro e finalmente descanso 2 segundos. Maquilho-me e arranco.... Chego à escola e chove torrencialmente.  Toca a tirar os mini chapéus de chuva deles para irem todos contentes com as suas luvas e mochilas e brinquedos e bolos e xaropes... 
Como é bom ser mãe! 😍😍😍😍😍😍😍😍😍😍


Ah... e tive tempo de escrever isto tudo enquanto espero para a Ema levar as vacinas. Que estavam marcadas às dez! Só tem 45m de atraso. Quando sair daqui ainda tenho que ir ao Pingo Doce e tentar lembrar-me de tudo o que preciso e não tive tempo de apontar!
Qual Shawn T. qual quê! Isto é que é exercício!"



Obrigada, Carla pela partilha! Se quiserem partilhar os vossos textos connosco, já sabem - amaeequesabeblog@gmail.com,com o título "Afinal Havia Outra."

12.28.2015

As Marias - Três é a conta que Deus fez

Até há umas semanas, ter duas filhas deixava-me preenchida - mais do que isso, realizada. Dava por mim muitas vezes a olhar para elas enquanto brincavam e a pensar que ver aquelas duas crescer, e envelhecer junto delas, era a maior felicidade que esta vida me poderia dar.  Mas um dia, há bem pouco tempo, um teste de gravidez deu positivo e eu fiquei sem tapete. “Então mas agora vou ter mais um filho?”. “ Como é que isto aconteceu?”, mandava para o ar enquanto o pai ria, sem tirar os olhos de mim – provavelmente com os nervos. “Mas eu tomei tudo direitinho, nunca me esqueci”. Pois foi, tudo direitinho. O problema é que também tomei direitinho um antibiótico que, provavelmente, fez curto-circuito com a pílula… A verdade é que vem aí o terceiro filho. E escusam de fazer esse ar de surpreendidas, porque de certezinha que já leram nas revistas. Aliás, estas descobriram antes da maioria das minhas tias-avós. Até porque no início só contei a três pessoas. Estava a tentar mentalizar-me – e, honestamente, a tentar convencer-me de que era uma boa notícia. O pai repetia-me que sim, mas para mim não foi imediato. Foram semanas atribuladas, com pensamentos e estados de alma contraditórios.

Agora, as minhas 16 semanas de gravidez falam-me em forma de cliché e dizem-me que este é “o melhor presente” que podíamos ter recebido. Que “três é a conta que Deus fez”. Às vezes, encaixar num cliché é bom, é confortável. E a verdade é que o meu coração de mãe de duas sofreu um novo estímulo e dilatou mais um bocadinho. E à medida que a barriga cresce – e se ela cresce! - o meu coração cresce com ela, numa harmonia que me diz que “está tudo bem”, “vai correr tudo bem”.

Continuo a ter pesadelos com o final da gravidez, o parto e o pós-parto. E não sinto saudades dos primeiros meses, das fraldas e das noites mal dormidas. Mas já não é nisto que penso em primeiro lugar quando, a meio do dia, sem razão aparente, me lembro de que estou grávida e sorrio – às vezes só para dentro, outras para fora, feita tonta.

Agora, é rezar para que as minhas amigas me devolvam tudo o que lhes emprestei – e/ou dei – porque já tinha “fechado a loja”. Por enquanto, certo certo é que a criança não vai ter frio nos pés…



Catarina Raminhos, mãe da Maria Rita, da Maria Inês e grávida de 16 semanas

11.17.2015

Afinal Havia Outra - A minha filha nasceu com 670 gramas


"Dia 27 de Julho, depois de longos 4 anos com tentativas falhadas o teste era positivo! Não fiquei contente como esperaria, estava já muito doente e tinha de me cuidar para que a gravidez corresse sem mais precauços. Sabia dentro de mim que ia ter uma mini eu, ia ser uma menina, chamar-se-ia Bianca. 
Dia 2 de Dezembro, 23 semanas e 4 dias, fui dormir, acaricei a minha filhota e disse-lhe que a amava mais do que à própria vida. Às 2 da manhã o rebentamento de membranas, vindo do nada e levando-me ao desespero. A minha bebé, nasceu depois de 5 dias de internamento e muitos cuidados intensivos. 
Não pude tocar na minha menina quando nasceu, não a acariciei, não lhe dei a mama, não a beijei. Levaram-na para um outro hospital, abandonada, sem o carinho da mamã. Sonhei que tinha a minha barriga durante dias seguidos, estava a ser racional mas não queria acreditar que não a tinha ali, segura. Pesava 670 gr, estava muito instável, não a podiamos tirar da Incubadora, o primeiro toque foi lá dentro, a 37 graus, com alarmes, cabos, medos, incertezas e muitas lágrimas. Não queria acreditar... o meu coração estava ali, todos os dias. Não houve mais amanhã ou depois de amanhã, havia o hoje e o agora. Vivemos entre apneias, paragens cardio respiratórias, tranfusões de sangue, exames diários, olhos atentos de quem cuidava mas por vezes não deixava cuidar. Não havia colinho para adormecer, nem fraldas sujas, nem camisolas a cheirar a vómito de bebé. Havia sim um banco, uma cadeira, muito café, poucas horas de sono e muita aflição. Os nossos 110 dias foram-se vivendo ali, esperando ansiosamente a nossa ida para casa, vendo outros pais com mais ou com menos sorte que nós. A minha Xoninhas venceu todas as dificuldades, uma a uma, não deu tréguas à luta e batalhou como uma guerreira. Mostrou-me o fio condutor da vida e a certeza de que nada é certo mas que o amor, esse sim, é infinito."


Joana Costa Oliveira 


Obrigada, Joana, por partilhares connosco a tua história, neste dia mundial da prematuridade. 
❤️ Um abraço enorme a todos os pais que passaram por dias como estes. E aos filhotes. Heróis, é pouco!

7.20.2015

Afinal Havia Outra (#27) Cara avó com quem me cruzei hoje

Eu sei que ama profundamente a sua neta. Eu sei que ficou contente quando a sua filha lhe pediu para tomar conta dela, as creches fecham, ou não existem, ou são caras, mas mesmo que assim não fosse, tomar conta de um neto é muito bom, os meus próprios pais consideram tal coisa um privilégio que ainda não podem ter.

Também sei que nem sempre acordamos de bom humor. Tenho a certeza que aquele café que pediu era mesmo muito necessário para acordar, pôr os pensamentos em ordem e começar o dia.

A sua neta não tem mais que 15 meses, pouco mais de um ano. Acordou, tomou o pequeno-almoço e agora veio à rua com a avó. Até é criança que gosta de carrinho, acredite ou não, eu tenho quase sempre que carregar com a minha às costas porque se recusa a andar no carrinho. Está cheia de energia. No entanto, a avó teve mesmo que parar para beber aquele café. De certeza que a neta compreende, apesar de ser tão pequena. Mas passado um bocadinho começa a ficar inquieta. Pensa "Que se passa? Porque é que não estamos a andar?". A avó parou o carrinho mesmo ao pé de si, mas a menina tem o as pernas da mesa ao nível dos olhos, e a avó não está a olhar para ela.

A menina lança um som de desagrado. Não é choro, não é grito, mas não são palavras porque ainda não consegue. 

O café ainda não fez o efeito pretendido, a avó está impaciente. A menina não precisa de café, acordou bem disposta, tem 15 meses, já anda, quer correr e estatelar-se no chão e aprender a não cair. Mas a avó não está a perceber isso, e dá-lhe algo para as mãos, um pacote de açúcar, um molho de chaves.

Cara avó, lembra-se certamente de quando os seus filhos eram pequenos. Nada fica muito tempo nas mãos dos pequenos, a não ser aquele cotão sujo que teima em aparecer, a sujidade das unhas e das preguinhas das mãos. Vai tudo ao chão.

Por qualquer razão, a avó não antecipou isso. Achou que a menina ia segurar no objecto e entreter-se por tempo indeterminado, e que além do café, a avó conseguia ainda ler a TV Guia e fazer o Euromilhões. Mas não. Ela mandou tudo ao chão, e avó, que tinha a certeza que isso não ia acontecer, irrita-se.

"Estás parva, tu?"

O meu irmão era parvo quando fazia caretas para as fotografias. Eu era parva quando gastava o dinheiro do almoço em rebuçados. A sua neta não é parva, nem está a ser parva, está a tentar dizer-lhe que se quer ir embora.

"És feia. És má".

A sua neta não é feia. É uma menina bonita, loirinha e de olhos azuis, e veste um vestidinho mesmo daqueles só de passeio. Talvez a avó nem queira levá-la a brincar para não sujar o vestido. Não é má, não há qualquer ponta de maldade naquilo que ela está a fazer, há uma necessidade muito básica, ancestral até, de chamar a sua atenção, de dizer que está ali, de mostrar que precisa de ser cuidada. Não é essa afinal a função da avó?

O pão, o banho, o leite, vestir e despir, se calhar qualquer um faz, mas a avó deve cuidar. Devia cuidar.

"Se não paras, vou-te bater"

Aqui a menina já estava a chorar a sério. Lembra-se, avó?

Daqui a uns anos a avó vai ser muito velhinha e vai precisar de cuidados. Se calhar a neta até vai pagar a uma enfermeira, que lhe dê o banho, mude a roupa, trate da casa. Mas a avó não vai querer estar sempre acompanhada por uma pessoa estranha. Vai querer a neta de quem cuidou. 

Na cama onde estiver, de preferência ainda lúcida, a sua neta vai ignorar a sua tentativa de conversa enquanto bebe o seu café. São as suas últimas palavras, mas que importa isso, é só uma velha, não diz coisa com coisa. Se a avó fizer um bocadinho mais de barulho, a neta vai ficar impaciente e mandá-la calar. Se a avó não parar mesmo, a neta vai partir para o insulto. Feia e má não são maus o suficiente, dirá uns nomes piores. E se nada disto resultar, vai ameaçar bater.

Ou então nada disto vai acontecer, porque no caminho da vida a menina vai perceber que não é assim que tratamos as pessoas de quem gostamos.

O respeito é uma relação que se cria, com duas pontas. A avó tem de respeitar a neta, só assim a neta lhe terá respeito. A avó não pode ameaçar bater na neta, senão a neta vai achar que podemos bater nos mais fracos, nos mais pequenos, ou apenas naqueles que não compreendemos. Ou mesmo na própria avó.

Quer a avó, quer a neta têm o direito de ter dias maus. Mas a avó já aprendeu tanto com a vida, será que não aprendeu que não devemos descarregar as nossas frustrações nos outros? Ou vá, pelo menos naqueles de quem gostamos?

Provavelmente a avó pensa que ela própria também levou palmadas e não foi por isso que ficou mal. Bom, avó, o facto de pensar assim comprova precisamente o contrário: ficou mal e quer que os filhos, netos, bisnetos e por aí fora tenham sempre a mão mais preparada para bater do que para abraçar. Algo está seriamente errado nisso.

Respire fundo, avó. Conte até dez. Ignore os olhares das pessoas do café que devem estar a achar que a sua neta é mimada: também eles têm filhos e netos e sabem como é. Quando acabar de contar, explique à neta que são só mais 5 minutos e que depois vão fazer o que ela quer. Ela também lhe está a fazer companhia a si. Ela gosta de si. Aproveite enquanto dura.


Atenciosamente,

Uma mãe que acabou de deixar a sua bebé na creche e que dava o braço direito para ter a avó (a da sua filha e não a senhora, obviamente) a cuidar da filha
Vanessa Borges

A Vanessa, mãe de uma menina de 21 meses, escreveu-nos hoje, dizendo que seguia o nosso blogue, gostava dele e que nos achava graça. Resolveu partilhar o que lhe tinha acontecido hoje de manhã. Disse-nos, com muita piada, que até podíamos usurpar o texto, dizendo que era nosso, num dia em que estivéssemos menos inspiradas. Hoje não estou menos inspirada, mas este texto acertou em cheio na mouche. Esta manhã custou-me particularmente ir levar a Isabel à creche, apeteceu-me prolongar o fim-de-semana de amor, atenção, carinho, gargalhadas, brincadeiras. Estando mais frágil e cheia de saudades da minha filha, li este texto num trago. Custou-me cada palavra. Obrigada pela partilha, Vanessa. JPB

7.01.2015

Afinal Havia Outra (#26) - Às vezes os milagres acontecem aos pares

O meu grande sonho sempre foi ser mãe. Imaginei tantas vezes como seria sentir um bebé a crescer na barriga, estar 9 meses a receber miminhos do marido, família, amigos; cantar, falar e mimar o meu bebé dentro da barriga, ter muitos desejos de doces e não ligar nenhuma à balança, sorrir todos os dias apenas porque ter um bebé nos faz ser melhores, nos faz ser a pessoa mais feliz do mundo, nos faz sonhar, nos faz tanto mas tanto bem. Imaginei muitas vezes a minha gravidez, o meu parto, o meu pós parto, o meu bebé, até o meu possível baby blues… mas nada foi como imaginei. A minha viagem ao mundo da maternidade foi difícil, atribulada, uma autêntica montanha russa de sentimentos e emoções.


Este meu sonho de ser mãe juntou-se ao sonho do meu marido de ser pai e assim resolvemos tentar engravidar. Estava de tal maneira ansiosa que fiz o teste dois ou três dias depois da ausência da menstruação. Quando vi o “grávida” o meu coração parecia que ia rebentar com tanta alegria, o meu marido agarrou-me ao colo e ficámos os dois a aproveitar o momento e a sonhar com o nosso bebé… mas mal sabíamos nós que não era um bebé mas sim dois que estavam a caminho. Estávamos muito longe de imaginar. Na primeira ecografia apenas se via um saquinho e uma sementinha, mas eu juro que via duas, mas como o meu marido (que até é médico) juntamente com a minha Obstetra não comentaram nada eu fiquei caladinha. Passados uns dias a minha barriga crescia a olhos vistos (mais do que o “normal”) e os vómitos e enjoos eram constantes e não conseguia aguentar nada no estômago. Lá se ia o meu sonho de comer muito na gravidez.

Finalmente tinha chegado o dia da segunda ecografia e afinal eu tinha razão, as mães nunca se enganam… eram mesmo dois bebés! Fiquei duplamente feliz e duplamente ansiosa. Quando contei às pessoas mais próximas ninguém acreditava pois sempre dissera a brincar que iria ter gémeos, ou melhor, trigémeos! A sorte foi que Deus teve pena de mim e só me deu duas de uma vez, nem quero imaginar como seria com três.

O primeiro trimestre foi vivido com muitas náuseas e vómitos, era quase impossível aumentar de peso, tomava os meus milagrosos comprimidos para o enjoo que me davam um sono horrível, tive de deixar o trabalho e ficar em casa, ou melhor dizendo, no sofá, pois foi esta a minha companhia durante muitos dias. Comecei a sentir os bebés muito cedo, com umas 18 semanas sabia que tinha um ou uma que não parava quieto e outro ou outra mais calmo pois não se mexia tanto. Também as contrações chegaram mais cedo, o que obrigou a mais e mais repouso. A barriga estava a aumentar a olhos vistos e pensava muitas vezes como ia ficar com 38 semanas de gravidez. Estava com alguns receios como é normal de mãe de primeira viagem e ainda por cima logo de duas bebés, mas a alegria superava todos os receios. No dia que soube que iam ser duas meninas foi um dia mágico, sempre quis tanto ter meninas. Engraçado que o meu marido desde o início que disse que eram meninas… mal ele sabia que estava tramado com três mulheres em casa.

A gravidez estava a ser super vigiada, consultas e ecografias semanais, estava longe de imaginar o que iria acontecer. Às 25 semanas de gestação o nosso mundo parou com a notícia de que as meninas podiam nascer a qualquer momento. Da notícia até elas nascerem nem passaram 24 horas, não tive tempo para reagir, para pensar no que estava a acontecer. A alegria deu espaço ao medo ao desespero, à dor, à angústia. E de um momento para o outro, as Marias nasceram. Sem grande aviso, sem preparação. O parto foi complicado pois uma já estava a meio caminho e a outra deitada sem querer sair, foi tudo muito rápido mas para mim foi uma eternidade. Adormeci a olhar para a anestesista e como aquele olhar me tranquilizou e me deu esperança. Não sei explicar mas acreditei sempre. Mas mesmo antes de adormecer falei-lhes em pensamento para terem força e que as amava muito. E quando acordei já tinha um sorriso nervoso do meu marido e umas fotografias das nossas “meio quilo de gente” mais lindas do mundo. Só as pude conhecer no dia seguinte. Tão pequeninas em tamanho e tão grandes no coração, que força de viver… e de repente já estavam elas a ensinar-nos a força e o poder do amor, quando éramos nós que pensávamos que lhes íamos ensinar tudo isso. 



Conheci as minhas filhas tão cedo… ainda não sabiam respirar, tinham os olhos fechados, orelhas mal definidas, pele vermelha (nem sei se podemos chamar pele), tinham uma mini fralda, estavam rodeadas de tubos e eram picadas e aspiradas de hora a hora. Vi o primeiro olhar e o primeiro sorriso, mas o choro só o ouvi ao fim de 26 dias, quando tiraram o ventilador.

Um xixi, um cocó, tudo era uma vitória, e coisas tão banais para a maioria dos bebés, para mim era como ganhar o euromilhões. Era tudo muito lento mas tudo mágico, e apesar de todos os tubos e de estarem a viver numa caixinha mágica (como lhe chamava), estavam rodeadas de tanto mas tanto amor!! O amor cura tudo e curou as nossas princesas!

Olho para trás com alguma tristeza por não ter chegado a viver um terceiro trimestre de gravidez, não ter tido um chá de bebé, mala de maternidade, enxoval, aulas de preparação para o parto, visitas ou mensagens de parabéns no dia em que nasceram, flores ou prendas, sorrisos, até dores pós parto (pois estava ocupada com outras dores maiores). Não tive aquela sensação mágica de tanta felicidade que a maioria das mães refere quando nascem os filhos, mas sim um medo enorme de as perder. Apesar desse medo, sempre acreditei nelas mesmo quando os médicos diziam o contrário. Não pude abraçar as minhas filhas (só ao fim de 26 dias), não era mãe a tempo inteiro, apenas umas horas (e isto doía tanto), tocava nelas apenas quando permitiam, cantava para elas sempre que podia, tirava leite pela bomba numa sala com outras mães à qual chamava sala de partilha da dor, pois ali éramos um pouco mães de todos. Tive duas mastites mas mesmo assim continuei a tirar leite (para o bem delas fazia qualquer coisa). E no fim do dia, regressava a casa, com uma dor horrorosa, uma sensação de vazio, de medo, de angústia, de não querer estar longe delas. Mas ao mesmo tempo sabia que tinha de descansar para estar bem perto delas. Chegava a casa tão triste, tão vazia, uma solidão. Olhava para os berços e não as via, olhava para a barriga e não as sentia, e recordava tudo o que aconteceu novamente, e rezava para conseguir dormir. Tinha a sensação de que estava a viver um sonho ou pesadelo (nem sei bem) e que nunca mais acordava. Tinha pânico que o telefone tocasse, não conseguia ligar para o serviço, não queria chorar perto delas mas também não queria deixá-las quando elas não estavam bem. Mas às vezes bastava olhar para elas para saber se estavam bem ou não. Tantas vezes me senti a desmaiar, sem força, com vontade de desaparecer. Mas o amor salvou-nos aos 4, sempre esteve presente, sempre deu esperança, força, coragem.

As Marias deram-me as maiores lições de vida. Ensinaram-me a amar, acreditar, a sonhar, a ter esperança, a ter fé e a ser uma pessoa melhor.  Lutámos juntos com muito amor, durante 109 dias, e apesar de terem sido dias de uma autêntica montanha russa de emoções, acreditámos sempre!!! 
 

Desde 27 de Junho de 2014 que estamos em casa todos juntos com muitos cuidados extra pois a prematuridade nos primeiros meses após alta requer mais vigilância, mais cuidados com possíveis infeções, menos idas a rua (no inverno quase nenhumas), mínimo de visitas. Mas apesar disso e agora que está a fazer um ano de alta delas, valeu tudo a pena. Este ano que passou foi sem dúvida uma grande aventura. Cuidar de gémeas, pais de primeira viagem e com muito poucas ajudas, pois os nossos familiares estão longe, não tem sido uma tarefa fácil mas prometemos escrever um dia sobre as aventuras e desventuras de pais de duas gémeas. Aliás, vou antes deixar para o pai escrever que ele tem muito mais jeito que eu.


Débora Barroso

Envie-nos a sua história para amaeequesabeblog@gmail.com para nos poupar um bocado os teclados do computador, se faz favor. E porque queremos dar a conhecer histórias diferentes.

6.18.2015

Afinal Havia Outra (#25): O momento certo para engravidar?

Quando decidimos ter o primeiro filho contávamos com (ora deixa cá ver) pouco mais de três anos de casamento. Ele trabalhava, eu trabalhava e estudava. Era Dezembro de 2011. Deixei a pílula. Fui ao médico de família e depois ao ginecologista. Queria engravidar logo, há muito tempo que desejava ser mãe. Engravidei em Agosto do ano seguinte mas perdi o meu bebé quatro dias depois de me saber grávida.

Em Dezembro de 2012 engravidei novamente, soube-o em Janeiro de 2013 (há lá melhor maneira de começar um ano?!). Quase 41 semanas depois tive o meu filho nos braços e experimentei uma felicidade que, juro, é indescritível. Resumidamente, foi assim que tudo aconteceu e desde a decisão propriamente dita até sermos, efectivamente, pais passou mais de um ano e meio.

Ambos desejamos ser pais novamente, não sabemos exactamente quando. As dúvidas que, enquanto casal, fomos tendo antes de avançar para o primeiro são, estupidamente, as mesmas, às quais se juntam mais algumas por termos um filho ainda bebé. Estamos como que  a meio da ponte, sem saber para que lado ir. À direita avistamos placas que nos levam a pensar que o ideal era ser já e agora, à esquerda vemos caminhos de espera. E não é que a porcaria do GPS ficou sem bateria, dá para acreditar?! Ok, isto foi só uma graçola para aligeirar a coisa. Bom, vamos lá tentar organizar as ideias: 

A questão profissional/económica: nunca é a altura ideal, isso já não é novidade. Ambos temos trabalho mas a minha empresa vive uma situação complicada e isso assusta-me bastante. Desempregada e com dois filhos é só assim uma visão dramática. Quanto à questão financeira... bem, se esperarmos pelo dia em que vamos estar confortavelmente ricos, sem preocupações deste género, compremos então uma cadeirinha, fazendo jus àquela coisa do "esperar sentado";

A questão do tempo: é bem capaz de ser um dos aspectos que mais temo. Se eu, com um filho, já acho que tenho tempo para nada, como será com dois? Vai daí e penso que se nos organizarmos ainda mais, em família, somos capazes de conseguir dar banho a dois filhos em simultâneo, fazer as refeições, pôr na cama (embalar na "pior" das hipóteses), levar e trazer da creche... Temos dois braços não temos? Ora, aqueles dois multiplicados por mim e pelo marido dá quatro (surpreendido amor, tu que estás sempre a troçar de mim por não saber a tabuada?), o que me parece um número aceitável de braços para dar conta das tarefas todas. Ok, ok, aqueles programinhas que ainda temos feito porque a avó fica com o bebé devem passar a eventos anuais, mas lá para os 40/45 anos já estaremos em condições de retomar a nossa vida social;

A questão da aceitação do irmão: ter um irmão é das melhores coisas do mundo, verdade?. Ter um irmão com pouca diferença de idades, que alinhe nas brincadeiras, que partilhe sorrisos e lágrimas (bom, aqui o cenário já não é assim tão animador) deve ser ainda melhor.
Estou a pintar um cenário cor-de-rosa? Provavelmente, até porque gostaria de ter uma menina.
Queremos ter mais filhos? Queremos. E, se o momento ideal não existe, então que comece a grande aventura!

Clara 


5.22.2015

Afinal Havia Outra (#25) O momento certo para engravidar?

Quando decidimos ter o primeiro filho contávamos com (ora deixa cá ver) pouco mais de três anos de casamento. Ele trabalhava, eu trabalhava e estudava. Era Dezembro de 2011. Deixei a pílula. Fui ao médico de família e depois ao ginecologista. Queria engravidar logo, há muito tempo que desejava ser mãe. Engravidei em Agosto do ano seguinte mas perdi o meu bebé quatro dias depois de me saber grávida.


Em Dezembro de 2012 engravidei novamente, soube-o em Janeiro de 2013 (há lá melhor maneira de começar um ano?!). Quase 41 semanas depois tive o meu filho nos braços e experimentei uma felicidade que, juro, é indescritível. Resumidamente, foi assim que tudo aconteceu e desde a decisão propriamente dita até sermos, efectivamente, pais passou mais de um ano e meio.


Ambos desejamos ser pais novamente, não sabemos exactamente quando. As dúvidas que, enquanto casal, fomos tendo antes de avançar para o primeiro são, estupidamente, as mesmas, às quais se juntam mais algumas por termos um filho ainda bebé. Estamos como que  a meio da ponte, sem saber para que lado ir. À direita avistamos placas que nos levam a pensar que o ideal era ser já e agora, à esquerda vemos caminhos de espera. E não é que a porcaria do GPS ficou sem bateria, dá para acreditar?! Ok, isto foi só uma graçola para aligeirar a coisa. Bom, vamos lá tentar organizar as ideias:


A questão profissional/económica: nunca é a altura ideal, isso já não é novidade. Ambos temos trabalho mas a minha empresa vive uma situação complicada e isso assusta-me bastante. Desempregada e com dois filhos é só assim uma visão dramática. Quanto à questão financeira... bem, se esperarmos pelo dia em que vamos estar confortavelmente ricos, sem preocupações deste género, compremos então uma cadeirinha, fazendo jus àquela coisa do "esperar sentado";

A questão do tempo: é bem capaz de ser um dos aspectos que mais temo. Se eu, com um filho, já acho que tenho tempo para nada, como será com dois? Vai daí e penso que se nos organizarmos ainda mais, em família, somos capazes de conseguir dar banho a dois filhos em simultâneo, fazer as refeições, pôr na cama (embalar na "pior" das hipóteses), levar e trazer da creche... Temos dois braços não temos? Ora, aqueles dois multiplicados por mim e pelo marido dá quatro (surpreendido amor, tu que estás sempre a troçar de mim por não saber a tabuada?), o que me parece um número aceitável de braços para dar conta das tarefas todas. Ok, ok, aqueles programinhas que ainda temos feito porque a avó fica com o bebé devem passar a eventos anuais, mas lá para os 40/45 anos já estaremos em condições de retomar a nossa vida social;


A questão da aceitação do irmão: ter um irmão é das melhores coisas do mundo, verdade? Ter um irmão com pouca diferença de idades, que alinhe nas brincadeiras, que partilhe sorrisos e lágrimas (bom, aqui o cenário já não é assim tão animador) deve ser ainda melhor.

Estou a pintar um cenário cor-de-rosa? Provavelmente, até porque gostaria de ter uma menina.

Queremos ter mais filhos? Queremos. E, se o momento ideal não existe, então que comece a grande aventura!

Clara

5.11.2015

Afinal Havia Outra (#24) - O dilúvio

Pois bem, todas nós (a grande maioria, vá) das mulheres já passou, passa atualmente ou irá passar um dia esta maravilhosa fase da vida que é a maternidade, mais nos vale saber de tudo e encarar tudo com a maior naturalidade. Se possível, rir-nos dos momentos mais estranhos ou sensíveis. No fundo, não levar isto demasiado a sério e não se desfazer em ranhos porque, para nós, ser mãe não é tão bonito e glamoroso como se lê na maioria dos livros ou se vê nos mais bonitos e delicados blogues.
A minha gravidez foi um mar de rosas, eu fui aquela grávida que evangeliza todas à sua volta para fazerem o mesmo! Relatada por mim, a gravidez era o tal estado maravilhoso, em que inchamos um pouco, mas estamos lindas de morrer, porque estamos a fabricar um ser fofinho. Tiramos fotos lindas, e mesmo que não estejamos muito bem, não faz mal, porque toda a gente vai adorar e dizer que estamos super bem e vamos ter mil likes onde quer que publiquemos a foto.


No meu caso, como vivo em Edimburgo, na Escócia, era ainda mais fácil de fazer a todos os amigos em Portugal acreditar que era tudo lindo e maravilhoso.
E a verdade é que era.
Enjoos? Nada.
Pés inchados? Nunca tive.
Aumento de apetite? Também não (mas não quero que me odeiem já. Nunca fui magra e no meu caso a barriga fofinha a quem sempre carinhosamente chamei de pipo, até serviu para me disfarçar aquelas gordurinhas típicas da zona lombar. Pneu! )

A única coisa que tinha eram de facto, algumas dores de costas, mas convenhamos, temos uma mini pessoa a levedar dentro do nosso corpo! Acho que é o mínimo que temos que sentir!

Tudo corria realmente impecável, até ao dia em que completei 27 semanas (6 meses em tempo de gente normal).
Estava no sofá com o marido, depois de decidirmos faltar a uma festa de aniversário em prol de um documentário sobre o 11 de Setembro (foi a 13 de Setembro) quando senti que se me escapava algo líquido. 
“JÁ?” –pensei eu, lembrando alguns textos lindos sobre perder o controlo dos músculos vaginais ao espirrar ou tossir no final da gravidez. Era um pouco cedo, mas se calhar já estaria em tal estado cachalote que já não me segurava.
Discretamente me levantei (tão discreta quanto pode ser uma pessoa redonda, em modo pino de bowling) e fui ao quarto de banho, não querendo por nada deste mundo partilhar tão belo momento com o marido.
Sento-me de novo e de novo um pequeno geiser. Neste momento a minha vontade de chorar já era bastante, mas controlei-me pois visto estar a perder liquido por outros meios, estava obviamente preocupada com uma desidratação.
A verdade é que o controlo de choro de uma grávida é tão resistente como um guarda chuva dos pequenos num dia de vento extremo. Virou.
Lembro-me de, entre baba e ranho, divagar sobre como iria conseguir sair de casa nos três meses que faltavam, naquele estado de incontinência grave. O marido, coitado, tentava de tudo para me acalmar. Em vão, claro está!
Preparamo-nos para ir ao hospital, e nos entretantos, eu já tinha molhado dois pijamas, umas calças de ganga e ensopado duas toalhas de banho. Das grandes.

A verdade é que aos 6 meses de gravidez, rebentaram-me as águas. Nem queria acreditar no que diziam os médicos e enfermeiros. Foi o maior susto das nossas vidas e estávamos sozinhos, noutro país.
Não foi fácil, mas correu tudo bem! Acho que nestas situações o melhor é seguir em frente e ter esperança!
O bebé era pequenino, mas estava bem e felizmente não achou que era hora de nascer. Fiquei de repouso e aguentamos assim mais um mês.
Fiz tricot para me entreter, apesar de não me ter entretido muito, pois a única peça que teve vida não serve nem para cachecol do puto. E olhem que o puto é bem pequeno!
Aos 7 meses (ou 31 semanas) nasceu o Vasco, com 1,530kg e uns bons 38cm. Um pequeno campeão.
Apesar de todo o perigo inerente a esta situação, ele esteve 1 dia no ventilador (apenas 1, ainda há quem não acredite), 15 dias na incubadora e 24 na Unidade Neonatal.
Até agora, não teve problema nenhum e é um bebé relativamente calminho e bastante fofinho.
Tem olhos azuis, o que é estranho pois nem eu nem o pai dele os tem, e começa agora, depois dos 3 meses, a ficar um pequeno buda e a encher os refegos das pernas, como se quer!
É uma alegria passear com ele na rua, e explicar que não, ele não acabou de nascer e sua mãe inconsciente anda já a arrastá-lo pelo frio escocês. É sim, um prematuro de 3 meses e meio que até nunca esteve doente. É só mais compacto que o normal, uma pocket version.

Ou então às tantas digo que sim, nasceu há duas semanas e eu é que já recuperei dos 15kg que ganhei.
Era capaz de não fazer muitas amizades!!!

Elsa Maria Gomes
mãe do Vasco