domingo, 22 de janeiro de 2017

A ti, grávida cheidanerves.

Nem todas levamos a vida numa de "ai, o que tiver de acontecer, acontece". "Vai correr tudo bem". Há umas quantas de nós que se enervam, que têm medo de não estar a fazer bem as coisas, que têm medo que o corpo não funcione em condições ou que toda a humanidade tenha um segredo fatal sobre isto da maternidade e que nós sejamos as únicas a não saber. 



Sim. Eu era uma dessas pessoas. Achava que, além de não estar equipada para ser mãe fisicamente (não sei porquê, achava que o meu corpo talvez nunca viesse a funcionar, desde pequenina) também não seria capaz de ser a mãe que eu precisaria de ser para ser feliz (sim, tenho noção do quão egoísta parece ser esta afirmação).  

A verdade? É como tirar a carta de condução. Antes de tirarmos parece (para estas algumas, claro), muito assustador e "demasiada coisa ao mesmo tempo", depois começamos a reparar nas pessoas que nos rodeiam e que têm carta e que nem todas parecem ser guardadoras de um potencial gigante para a condução e começamos a apercebermo-nos de que talvez seja possível conseguirmos. 

O problema? Não há aulas para isto de ser mãe. Não andam connosco durante umas 100 e tal aulas a explicar regras (das quais nunca nos iremos lembrar - o mais próximo disto são as aulas de preparação para o parto) e depois conduzem connosco num automóvel até nos sentirmos seguras o suficiente para fazermos um exame e, se passarmos, podemos ser mães. 

Neste caso, em princípio, decidimos e depois temos logo as chaves na mão para levar o bicho a passear, sendo que convém que ele sobreviva (e nós também). A parte boa é que temos 9 meses para nos habituarmos à ideia, mas temos também 9 meses para nos minarmos por dentro e para que as pessoas "da nossa vida" não nos acalmem, antes pelo contrário. 

Gostava que me tivessem dito estas coisas (podem rir-se à vontade, mas teriam ajudado): 

- Não és menos de que qualquer outra mulher que seja mãe. 

- Lá por não seres perfeita, não quer dizer que não mereças ser mãe. 

- O amor pelo teu filho encaminhar-te-á sempre para as decisões mais certas.

- Tu vais sentir o amor de que toda a gente fala. O teu coração não está morto. 

- O teu medo, em ti, é sinal de que queres muito que tudo corra pelo melhor. 

- Não depende tudo de ti, mas no que depender darás o teu melhor (porque amarás) e é isso que importa.


Depois de tudo isso que senti e que, de vez em quando ainda sinto - mas que quanto mais vou amando a Irene mais me vou amando a mim - cá estamos. A Irene tem praticamente três anos e é feliz e eu também.

Tudo começou naquele dia em que, numa de loucura, achei que era capaz.



Outras leituras: 

"Estás grávida se..."

"Não sou mãe galinha, sou mãe informada". 

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5 comentários:

  1. Não estou grávida, mas quando penso nisso tenho receios... Tenho medo que fisicamente o meu corpo não seja capaz de engravidar, tenho medo de fazer as opções erradas, e ainda assim se engravidar tenho medo de ter as minhas dores de cabeca insuportáveis em que me medico até mais não para as suportar (sei que tal não poderá acontecer), tenho medo de esta não ser a altura certa (mas então quando será?), tenho medo não ter capacidade psicológica para lidar com um ser que dependerá de mim para sempre, tenho medo de não ser capaz de lidar com um amor que nao terá hora nem minuto.
    Tenho medo! Tenho medo e acho normal... Também acho que quem não tem medo é porque não está preparado/a <3

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  2. Tenho duas meninas, uma de 3 anos e outra de 6 meses e ainda tenho muitos medos e muitos nervos. Então quando não durmo mais de 2 horas seguidas durante semanas ou elas estão doentes, sinto-me a enlouquecer. :P
    Vá, não sou assim todos os dias, mas sinto que sou nervosa demais.

    Depois vejo alguns pais tão descontraídos que penso que devo ter um problema qualquer. Não consigo não estar sempre com as minhas filhas debaixo de olho, nunca deixo a mais velha largar-me a mão na rua, não gosto que coma demasiadas coisas doces, fico mesmo muito furiosa (para dentro) se vejo outros miúdos a serem agressivos com ela... Um dia o meu namorado chegou a temer que eu esbofeteasse um miúdo mais velho que lhe arrancou uma cena de fazer bolhas de sabão da mão, quando ela nem 2 anos tinha. Claro que eu nunca faria isso mas fui bem assertiva com o miúdo, que andava a chatear, de forma algo violenta, praticamente todos os miúdos do parque (a culpa não é dele)... Enfim. Às vezes tenho medo de tornar as minhas filhas pessoas inseguras com tantos medos que tenho e com o facto de andar sempre colada a elas.

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    1. Muda o nome mas pela conversa vê-se logo quem é.

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  3. A última foto é das mais fofinhas de sempre :)
    Anónima Catarina

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  4. Eu (ainda) estou grávida e cada vez mais "cheiadanerves" porque o puto vai ter de nascer. Benzo-me 10 vezes ao dia, só de pensar. E não me venham cá com as tretas do costume "vai correr bem, que é o segundo", pois eu tenho boa memória (só não tive qdo voltei a engravidar) e não me parece que sejam bruxos para saber que "vai correr bem" (até podia ser o 10º filho!!!). Tretas, é o que é!
    E como é que eu vou ser capaz de tratar/gostar de outro filho, se ainda me me mentalizei dele?
    Pronto... e é este o meu grau de "nerves".
    Ahh... "só" estou grávida de quase 38 semanas. 38???? AHHHHHHHHHHHHHH

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