terça-feira, 28 de julho de 2015

Nunca pensei vir a dizer isto...

... mas adorei que me fizessem xixi em cima. 

Calma. Já devem estar a imaginar um Alive com uma dúzia de hipsters a fazerem coisas esquisitas depois de estarem meia hora a tentar descolar as skinny jeans das perninhas. Ou, se calhar, não estão. Porque têm uma coisa chamada sanidade mental. Percebo. Não sei bem o que é, mas fico contente por vocês. A não ser no caso de doenças, acho que ter é sempre melhor que não ter (não pensei muito nisto, mas parece-me bem). 

Ontem fomos outra vez à piscina e não fui preparada com um fato de banho para ela. Tentei primeiro a táctica da negação e usar a fralda normal para a piscina. Rapidamente deixei de ter um bebé e passei a ter uma espécie de cogumelo. Fiquei com pena dela. Vamos a isto: pipi para fora. O dela, não o meu. 

Estava em modo de pseudo pânico visto que a miúda ainda não tinha feito o número dois e, talvez com a descontracção, levasse a que ela decidisse fazer sair dois valentes coniformes. Ou um e meio. Vá, sejamos sinceras, nesta idade não são coniformes. São Poloks. Que, por acaso, é o som que eles fazem quando caem na loiça. 

Tirei-a da piscina, eventualmente sentei-a na minha perna enquanto a minha mãe brincava com os pés dela e com água. E, eis senão quando, veio um um jacto de xixi quentinho para a minha coxa (e que coxa, digo-vos já). Não estranhei. Ri-me baixinho e ela também. 

Adorei.

A repetir.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

É um dos meus maiores medos

E já o era, ainda antes de ser mãe. Um dia, estava eu em Coimbra, entrevistei um senhor que tinha mudado de vida. Tinha decidido voltar a estudar. Tinha ido tirar um curso superior e ainda ia tirar um mestrado. Esse senhor carregava uma luz enorme, era contagiante, dono de uma voz muito serena. Esse senhor tinha perdido uma filha, que tinha sido atropelada por um carro. Não tenho a certeza do nome, acho que se chamava Leonor, e teria pouco mais de quatro anos. Foi a única reportagem em que chorei. Tentei controlar-me, mas foi mais forte. A mulher estava grávida novamente, de uma menina. Chorei mais um bocado, tentando disfarçar, muito a custo.

Não sou pessoa de grandes medos, não me deito a pensar nas coisas terríveis que nos podem acontecer. Basicamente, pode-nos acontecer tudo, mas não vale a pena vivermos atormentados, nem perdermos tempo com más energias. Não devemos sequer passar-lhes as nossas ansiedades, nem agrilhoá-los, superprotegendo-os. Eles têm de cair, têm de correr, subir a árvores. Mas... 

Mas... as histórias de atropelamentos em crianças mexem muito comigo. No outro dia li, no site do Correio da Manhã, mais uma desgraça (tenho de parar de seguir aquela compilação de desgraças no Facebook urgentemente). Tenho algum medo. Por isso, quando tiro a Isabel da cadeirinha no automóvel, não a ponho no chão. Não a deixo andar nos parques de estacionamento, vou com ela ao colo até uma zona de conforto. Não ando com ela ao meu lado em ruas muito movimentadas, vai ao colo, no marsúpio ou vai no carrinho. Não por enquanto.

Um dia, terei de conseguir. Não sabia bem que estratégia usar, além de muita conversa, de alertar para os perigos (que, bem sabemos, nem sempre é suficiente) e vi esta solução. Não resolve tudo, mas achei de génio: fazer daqueles momentos de espera, enquanto não conseguimos ter tudo a postos para sair ou entrar no carro, um jogo com os filhos. É quase como jogar ao Stop ou ao Mamã, dá licença. Parece-me que os miúdos devem alinhar nisto.


Mais uma estupidez...

Hoje foi ter saído da bomba de gasolina de Oeiras com o tampo aberto e pendurado no carro. 

As pessoas fartavam-se de buzinar mas eu achava que era só por eu ser muita linda. Afinal, não. Ou, se calhar, sim. Se calhar nem repararam no tampo, fui eu a reparar quando me olhava ao espelho para me adorar. A mim e à minha rosácea. A mim e à minha borbulha precisamente no centro do bigode. A mim e ao meu bigode de 4 meses (quase que já gatinha). A mim e às minhas sobrancelhas por fazer, quase que parecem a púbis duma pré-adolescente, tudo desordenado. A mim e às minhas californianas de meretriz cansada. A mim e às minhas unhas com o verniz do Jumbo a sair.  

Queria só contar-vos da minha distracção com o tampo do carro, mas depois deixei-me ir. Não só uns metros com o tampo pendurado, mas também com o texto. E com as californianas. E com o verniz. E com as sobrancelhas. E com o bigode. 

Já sei que uma mulher tem de andar arranjada, blá blá. A mulher não TEM que. Anda, se quiser. E eu vou fazer o meu make-over quando for trabalhar. Até lá vai parecer que adoptei dois Huskies acima dos olhos. Só não vai parecer que tenho um Huskie noutro sítio porque tenho de vestir um fato-de-banho de vez em quando e não quero parecer que roubei um manjerico e que o guardei entre as virilhas.

Pronto. Foi com isto que perderam uns minutos da vossa vida hoje. 


Em contagem decrescente para as férias

Falta menos de uma semana e eu já estou que nem posso. Vamos ter duas semanas, muito aguardadas, de férias. Uma semana no campo, a norte de portugal, outra na praia, a sul. Mal posso esperar por ter tempo para os três, para fazer castelos na areia, pelo cheiro do creme espalhado na pele salgada, pelos sorrisos incontáveis de quem está feliz.
Tenho de começar a pensar nas roupas, na mercearia, ir buscar o chapéu de sol que emprestei, ir buscar a chave da casa emprestada no norte, pensar nos brinquedos, ir comprar o repelente, os protectores solares... quero ver se desta vez não deixo tudo para a última. E se não deixo a nossa mala em casa, já agora. Sou muito má nesta coisa de fazer as malas, acabo por levar muitas coisas desnecessárias e deixar em casa sempre uma coisa ou outra que teria dado muito jeito. É a vida. 

Está quase! Está quase! 

E vocês, já foram? Vão ou não vai dar? São todas organizadinhas com as malas ou são como eu e deixam tudo para a véspera? 


Coisas que vão, de certezinha:

Balde - Primark
Almofada Pingi ao Cubo
(tenho esperança de poder usá-la)
Fato de Banho Pulguinhas

As crianças não fazem birras!

Acabei de ler um artigo na nossa parceira Up To Kids sobre as crianças e sobre as birras, escrito por M.J.Silva

Saltou-me à vista, até por estar em bold a seguinte afirmação: 

As crianças são crianças. Onde é que, ao longo do caminho, nos esquecemos que fomos nós que as quisemos?

E isso fez-me lembrar de algo que ouvi muitas vezes dirigido a crianças: 

"És muito mal-educado(a)". 

Nem quando pais dizem isto se apercebem da sua responsabilidade.

É muito difícil pararmos padrões, parar o automatismo, quebrar com a nossa educação, revermos valores. É mesmo muito difícil. Mais ainda do que deixar de fumar ou que fazer dieta, mas talvez porque não tenhamos a certeza de que as coisas funcionem ou não acreditemos em nós. Se acreditarmos nos resultados e se os quisermos, conseguimos.  Conseguimos, claro. 

Temos é de largar um bocadinho o telemóvel. De passar mais tempo na sanita. De levarmos o nosso tempo a adormecer no escuro. Temos de ter tempo para pensar e vontade. Às vezes o tempo que demoramos a adormecê-los podia ser usado para isso. Eu uso para isso e para ver se me lembro de posts para o blogue.

Eu quero muito educar a minha filha de uma maneira diferente da qual eu fui educada. Sempre o disse. Desde pequena. Sinto que sei o que não quero fazer com ela, mas que preciso de criatividade e de tempo (e, vá, admito, de estudar um bocadinho para ter ideias) para conseguir sair dos padrões que me estão na cabeça. Quero mesmo criar uma base saudável para a Irene, para ela sentir amor-próprio e ser autónoma ao ponto de tomar boas decisões para si, mas também, confesso, quero muito ter uma relação próxima e de amor com ela. 

Não quero uma relação de conflitos. Quero uma relação de respeito mútuo. Sou mãe, sou quem tem a autoridade, mas isso não faz com que tenha de a impôr com um chinelo na mão. Um bom chefe é aquele que tem os seus a seguirem-no, sem provocar o medo, sem ser agressivo... Tudo o resto são artimanhas de quem não merece "o poder". Violência, a meu ver, é resultado de uma má gestão emocional, incapacidade comunicativa, cansaço e falta de respeito. 

Para mim, "agora que penso nisso", as crianças são pessoas pequenas. Não é por serem pequenas que merecem menos respeito. Não é por não saberem falar tão bem quanto nós julgamos saber falar que não merecem que as escutemos ou que tentemos que elas compreendam as coisas. Elas têm de compreender as coisas. Elas são racionais. 

Como disse o pediatra duma amiga minha (sim, Margarida ;)), eles agora estão numa fase em que eles "compreendem tudo" o que se passa e nós não sabemos nada do que se passa com eles. 

Fomos nós que as quisemos. As crianças. São pessoas, não são projectos. Não são um acessório. Não são só companhia. Não são só um cartão de visita para num novo grupo na nossa sociedade. Não são um ponto obrigatório na nossa maturidade, na nossa identidade. 

Ter uma criança implica saber que tal exige dedicação. Muita. Muita além daquela que somos capazes de ter. São extra-miles atrás de extra-miles. É continuar o treino, mesmo depois dos alongamentos, se for preciso. 

As crianças não fazem "birras". 

Nós fazemos.

Estamos numa posição muito difícil, muitos de nós. Fomos educados de uma maneira que nos silencia a nossa própria voz interior. Que a torna mais pequena. Sabemos o que não queremos para os nossos filhos, mas ainda não sabemos o que queremos. 

Temos de descobrir. Com paciência. Com amor. 

Oiçamos, sem medos, o que achamos que está bem e não o que "deveria ser feito". 

a Mãe é que sabe. 

domingo, 26 de julho de 2015

És feia, Isabel

(Para leres quando fores crescida)

Filha, vão dizer-te que és feia. Vai haver sempre alguém que o acha. Até aí tudo normal, o bonito é subjectivo, e pouco importante, vais perceber, porque vais ser inteligente, vejo aqui na minha bola de cristal. Mas vai haver quem acha que deve verbalizá-lo, para tentar atingir-te, magoar-te. Já mo disseram também, na escola e em adulta. Há pessoas que ficam contentes com a tristeza dos outros e que se alimentam disso. Tu não. Tu não vais ser assim. Sabes porquê? Porque tens amor e sempre terás. Porque vais perceber que não se pode perder tempo com o ódio, quando o amor nos traz amor e colhes o que semeias. Porque vais ter um coração grande e meigo, capaz de dar.

Filha, quando tinhas um ano, disseram-me que todas as crianças eram amorosas e que para os pais todas as crianças eram lindas, mas tu eras feiosa. Que tinhas um nariz abatatado, como a tua mãe, credo. Usaram a expressão credo. Primeiro dei uma gargalhada, porque eu adoro o teu nariz, é que adoro mesmo. Das coisas mais fofas que tu tens, além dos olhos grandes e pestanudos, expressivos e doces. Além do sorriso enorme e desses dentinhos de coelho e da boca pequenina, com os lábios fininhos em que revejo o teu pai. As sobrancelhas, quase unidas, como eu tinha, e para as quais inventaram uma solução, imagina, filha, chamada cera depilatória! Tens orelhas de abanico, sobre as quais já falei aqui. Olho para ti e não vejo sobrancelhas nem orelhas, vejo-te, uma pessoa, linda, linda.
Depois da gargalhada, as minhas garras afiaram-se e fiquei de pêlo eriçado. A leoa que há em mim, que te quer proteger de tudo e de todos, rugiu. Preocupei-me com o mundo em que vais viver. Preocupei-me com os momentos em que eu não possa estar lá para te proteger. Preocupei-me que seja difícil demais para ti lidar com pessoas com tanta falta de amor-próprio que tentam fazer os outros menos felizes, de forma totalmente gratuita, para se sentirem melhores com elas próprias. Eles não sabem o que fazem, Isabel. Eles não são felizes e não lidam bem com a felicidade dos outros, amor. Tens de ser forte e confiante e não deixo que guardes rancor nesse coração bom. Essa menina que é a líder na tua escola e que decidiu dizer-te coisas feias, amor, ela está muito enganada. Foi provavelmente educada por aquela adulta, que há muitos anos atrás, escreveu coisas feias no blogue que a tua mãe tinha. Mas a tua colega ainda é nova, ainda tem hipótese de crescer e de mudar. Pode ser que conheça pessoas boas, íntegras, e que se deixe contagiar por elas. Pode ser que tenha sorte na vida e que aprenda que a beleza física não é o nosso principal bem. É o menos importante de todos.

A mãe dela já não vai a tempo. Quando perceber que perdeu a vida dela a tentar puxar os outros para baixo, sem sucesso, em vez de fazer algo por ela... quando perceber que, em vez de educar a tua colega com amor, compaixão e respeito, a educou para o fútil... já vai ser tarde. A vida já passou. E ela colheu o que plantou.

Hoje, a matar saudades do tio Frederico <3

sábado, 25 de julho de 2015

A minha filha está louca!

Agora que reli o título parece aquela rubrica da Pipoca mais Doce. 

Hoje foi uma óptima tarde. Aproveitámos para ir visitar os avós a Oeiras e não resistimos (foi ela mesma que sugeriu irmos) ir à piscina. 

Quem haveria de dizer que a mariquinhas com o chuveiro (deve ter sido culpa minha, claro) iria adorar estar a chapinhar que nem uma louca na água? Com o cloro todo a entrar-lhe para os olhos, a engasgar-se com água... Quem haveria de dizer?

Parto sempre do princípio que tem de haver um período de adaptação lento às coisas, mas a Irene adorou, adorou, adorou estar na piscina. E nadar! Parece que ainda tem alguns reflexos. Nada bruços (comigo a segurar e com as pernas perfeitamente esticadas) e bate as perninhas de barriga para baixo. 

Adorei tê-la comigo. Vê-la tão feliz. A minha mãe disse: "já olhaste para a cara dela? já viste como é que ela está feliz?". 

Era verdade. Estava louca. Sem medo. Só com vontade de se encher de mais água. 

O mais giro de tudo? Não fez birra para sair. Isso também me surpreendeu.

Queria por aqui o vídeo da Irene a chapinhar, mas dá muito trabalho fazer o upload para o Youtube e depois pôr aqui. Quem tiver vontade de ver a miúda a passar-se da cabeça pode fazer o favor de passar aqui (o meu instagram)? 

Estou super feliz por termos alugado uma casa de férias com piscina. Vai ser mais do que aproveitada. Pena ser de água salgada, mas eles adaptam-se, não é?





As minhas maminhas e da minha filha.




Já estou para escrever este post desde que comecei o blogue, mas fui adiando. É uma história longa, da qual guardo o sentimento actual de felicidade e de sucesso, mas que tenho uma vaga ideia de ter sido muito complicado. Tudo foi muito complicado. O parto foi complicado, a minha cabeça foi complicada, tudo foi complicado. 

Nunca tinha pensado nisto de amamentar até ter lido num livro algures que se não desse de mamar na primeira hora (ou perto) após o parto que seria provável que a mesma estivesse comprometida. Fiz questão, então, que me garantissem que tal iria acontecer. E aconteceu. Apesar da Irene ter tido que ser aspirada (parou de respirar) e de ter estado um pouco na incubadora, puseram-na a mamar pouco depois.

Não senti nada. Além de toda a droga para 20 horas de parto, tinham dado mais droga para me coserem toda e eu estava também muito "ausente" de tudo. Estava a observar tudo como se não fizesse parte de nada. Não estava lá. 

A Irene estava a mamar, pensei. E vi que estava. Esteve durante uma hora, creio. Quando a tirei tinha uma marca enorme na auréola do mamilo e sangue. Não era suposto. Tudo aquilo que tinha aprendido nas aulas de preparação para o parto não estava a fazer grande efeito na prática. Eu não sabia lidar com a boca da miúda nem com as minhas mamas. 

Fui levada lá para cima. A Irene ficou a meu lado. Sempre que chorava, tentava dar maminha, mas na mama direita doía-me muito por causa da ferida e na da esquerda ela não parecia conseguir encontrar o mamilo e, quando encontrava, não aguentava muito. Estava a dar de mamar deitada e as coisas não estavam a correr bem. Eu sabia que tinha colostro, porque apertava a mama e saía, mas as coisas não estavam a correr bem e eu tinha imenso medo de que nada corresse bem. Sentia-me indefesa porque estava sozinha (com mais 3 mães no quarto que não conhecia e que também podiam estar grogues, tanto quanto eu sabia), o Frederico estava em casa a sentir-se sozinho também e mesmo que eu soubesse o que fazer com a criança, não conseguia. Sentia-me paralisada da cintura para cima e da cintura para baixo. Tinha de chamar os enfermeiros para a tirarem do berço e para a voltarem a por. Estava assustada com tudo e só podia acender uma luz pequenina para não incomodar as outras mães. A Irene não chorou muito. Eles nascem com imensas reservas e precisam de muito muito pouco colostro para se saciarem nos primeiros dias. Se calhar até estava tudo a correr bem. Excepto as feridas. Segui o conselho de alguém e pus uma pomada nas mamas (horrível que me sujava os soutiens todos e era muito peganhenta) e tinha de despir a parte de cima para que apanhassem ar. Já estavam as duas em sangue. Não sabia o que fazer mais. Alguém disse para pedir que me comprassem mamilos de silicone. Compraram. Não diminuiu a dor nem ajudou na amamentação. Lembro-me de estar nervosíssima por nem sequer conseguir pegar nela nos meus braços, por ser tão pequenina e não a saber colocar na mama. Não me conseguia sentar nos sofás por causa dos pontos, deitada não conseguia dar-lhe maminha. Estava a desesperar. Pedia ajuda e as enfermeiras davam-me um doce qualquer para por no mamilo para ver se a Irene agarrava. Mamava durante uns segundos e doía. Agarrava mal. E não servia de nada. Estavam sempre com muita pressa. Pouco pessoal talvez. Talvez não tivessem pressa e eu é que queria que tivessem cuidado mais de mim. Eu queria muito dar maminha e não conseguia. Já estou a chorar. Já percebi por que é que não me queria lembrar de tudo isto. 

Dizem-me que tive uma infecção durante o parto e que querem fazer análises à Irene, que ela também tinha febre. Ela iria passar a noite sem mim. Fiquei preocupadíssima, mas parte de mim agradeceu. Iria poder concentrar-me na minha recuperação. A outra parte achou-me uma merda por ter sentido esse alívio. Escrevi sobre todo o amor que achei que não consegui sentir aqui. Deram-lhe suplemento porque tinha fome. Não me irritei. Não sabia os perigos. Simplesmente senti que tinha falhado, mas que tinha dado o meu melhor. Se tinha as mamas em sangue, se só me apetecia chorar a toda a hora... que mais podia fazer? 

Antes de todos os biberões que ofereciam no hospital (que conveniente) eu tentava dar maminha, mas doía muito, as feridas abriam e às tantas meti na minha cabeça que não ia ser uma mãe que amamentasse. Que não era capaz, que não tinha sido feita para isso, que era por causa destas coisas que antes dizia de boca cheia que não queria ser mãe. Que aquele sentimento que sempre tive de desajuste em relação ao mundo feminino tinha um fundamento. Não conseguia dar maminha à minha filha.  Pronto. É seguir em frente. "Só mais um fracasso" - pensei. 

Vi o pai a dar biberão. Vi-a a beber. Foi tudo passando. Só ao 6º dia após o parto é que me desceu o leite. Sem dor. Fiquei com as mamas enormes e cheias de leite. Foi facílimo que ela mamasse. Pegou no mamilo e saía o leite. Imediatamente e com muita força. "Acabou-se a merda do biberão e leite artificial, doa o que doer" - pensei e disse. 

Assim foi. 

Não aguentei as dores sem os mamilos de silicone. Usei-os. Doeu-me muito muito na mesma. Tinha de dizer asneiras sempre que ela começava a mamar. Doía-me tanto como se me estivesse a esfolar nua em gravilha. Chorava. Tentava não chorar muito para ela não me sentir assim. Sempre que suspeitava que era fome ficava nervosa porque sabia que me ia doer. Aguentei-me porque, afinal, podia ser uma mãe que amamentava e que as dores não iam durar para sempre. Tinha lido algures que não é suposto doer. Se dói é porque algo está mal. Provavelmente estava, mas a quem é que eu ia pedir ajuda? Toda a gente sabia que me estavam a doer as mamas e ninguém me tentou ajudar. Até a minha mãe que amamentou três meses ou quatro porque não gostou de amamentar. 

O Frederico, à maneira dele ajudava-me. No início dizia que se doía tanto por que é que não lhe dávamos suplemento que estava "ali dentro". Não cedia. Não queria. O novo primeiro biberão iria fazer-me ir por esse caminho. Quis tentar a sério. Sim, muito por ela, claro, mas também muito por mim. Não queria não conseguir esta minha primeira responsabilidade de ser mãe. Sentia muito esse peso nos meus ombros e estava a ter uma nova oportunidade desde que o leite tinha descido e já tinha tido uma pausa para que os mamilos ficassem melhor.

Doeu sempre. Durante demasiado tempo. Não me lembro quanto foi, mas depois deixou de doer. Não era nada agradável dar-lhe de mamar com os mamilos de silicone. O leite saía quando ela deixava de abocanhar, o mamilo (de silicone) nem sempre ficava colado, tinha de estar sempre a lavá-los, nada me parecia natural. 

O Frederico sugeriu que tentasse sem os mamilos de silicone. Doeu. Doeu. Parou de doer. Ficou tudo fabuloso. Nada de nervosismos. A minha filha estava a mamar em mim. Estava a beber o leite que foi feito especialmente para ela. Só para ela. O melhor leite do mundo. Chorei, tanto, mas tanto. De felicidade, de estar estúpida com as hormonas, tudo. Senti a perfeição. Que bom dar de mamar. Durante horas. Tantas vezes. Tê-la ao meu colo. Adormecer no meu peito. "Afinal era isto que diziam! Dar maminha é fabuloso!". 

Num desses dias, aos três meses, de manhã, enviei uma mensagem à pediatra em pânico: "Ela chora de fome, parece-me, eu ponho na mama, ela começa a mamar, depois chora muito, arqueia as costas e chora ainda mais! O que faço?". 

"Acalme-a e volte a tentar mais tarde. Vá extraindo o seu leite com uma bomba para lhe dar no caso dela precisar de mais leite do que aquele que conseguir mamar". 

Como é que uma mãe em pânico acalma um bebé? Não acalma. Tive de arranjar estratégias. Ela tinha fome. Parecia-me que sim (achamos sempre que têm). Senão, era o quê? Dores de barriga? Por que é que tinha dores de barriga? Sapinhos não eram porque não tinha nada de diferente na boca. O que faço? Se ela não mama, não dorme, se não dorme, não mama... como ser mãe assim? 

Comecei a dar de mamar de pé. A cantar. A falar imenso. Dei tanto de mamar de pé que ficava com as costas todas doridas. Com os braços em pedra. Quando me sentava voltavam as "cólicas". Voltava a por-me de pé. A andar pela casa toda. A cantar. A tentar acalmá-la. Passou a ser o novo normal. Não podíamos sair para lado nenhum. Não era exequível dar de mamar assim, muito menos com o meu nervosismo para acrescentar à minha ansiedade natural. Nã conseguia tirar leite de jeito e também não lhe queria dar biberão, agora que conseguia dar de mamar não ia deixar que nada interferisse.

Ela deixou de tentar mamar. Punha-a à mama e já nem sequer se tentava aproximar do mamilo antes das "cólicas". Ignorava-o. Esperneava como se lhe tivesse a fazer uma coisa má. Chorava muito e não comia nada. Nada. Emocionalmente sentia que ela me odiava, que não gostava de mim. Eu sou mais esperta que isso, mas o meu coração não. Só chorava. Só queria desaparecer. A cada mamada tudo piorava com as expectativas, as preocupações com a fome. Mandei mensagem à pediatra. 

"Não se preocupe. Se precisar compre o leite blá blá". 

Comecei a desesperar. A minha filha já estava sem comer há demasiado tempo, achava eu. Não conseguia extrair leite a tempo de lhe dar quando ela tinha fome. Houve uma vez que estávamos os dois na cozinha. Tirava 10 ml e o Frederico dava, enquanto eu tirava mais 10 mil, até chegar aos 100ml. Foi horrível. Para todos.

Fui à farmácia e comprei o leite blá blá. Preparei o biberão em lágrimas, mas a sentir que tinha feito tudo o que podia. Estava exausta. Não tinha mais nada em mim. 

Dei-lhe o biberão. Ela rejeitou-o. 

"Ela afinal não tem mesmo fome. Ela não gosta de leite artificial, ela quer o nosso!". Deu-me força. 

Continuámos. Liguei para a linha SOS amamentação, fui a fóruns no Facebook e fiquei a saber que era "normal". É a crise dos três meses. É o reflexo gastro... qualquer coisa. Quando lhe damos de mamar, activa o funcionamento do intestino (ainda tão imaturo) e isso pode dar-lhes algumas dores. 

Okay. Vamos a isto. Não consegui relaxar. Ela não aceitava o meu mamilo. Pior, quando aceitava, não saía leite nenhum.  Por que é que não saía leite nenhum? Porquê????? Logo nas vezes em que ela aceitava. Era só o que faltava. Fui ler. A ansiedade e o nervosismo inibem a ejecção de leite (não a produção mas que ele saia). Isto porque não estamos feitas para conseguir relaxar quando o corpo se sente numa situação de perigo. É preciso relaxar para a oxitocina (hormona do amor, da ejecção do leite) entrar em acção. Como?? Como é que numa situação destas, com uma pessoa ansiosa, eu iria conseguir relaxar sabendo que tudo dependia disso? Não conseguia. Tentámos de tudo. Não conseguia. 

Marquei uma consulta na Clínica Amamentos. Deram-me várias técnicas. Já me tinham antes aconselhado todas as outras, "muita pele com pele", "brinquem nuas e ela há de lá ir quando estiver calma", "tomem banho juntas", etc. Mas esta é que resultou, tinha de fazer festinhas às mamas antes de lhe dar de mamar. Tinha também de apertar os bicos dos mamilos. O tempo que fosse necessário, tinha de "pentear" a mama com os dedos ao de leve desde a base da mama em direcção ao bico do mamilo. Resultou lá na consulta. Vim confiante. Resultava sempre. A Irene, se o leite já estivesse a sair, pegava sempre na mama e mamava. O Frederico tinha que a distrair enquanto eu o fazia. Às vezes não conseguia distraí-la e ela chorava muito e muito alto e eu não conseguia relaxar. Era cada vez pior. Sempre muita pressão. Mesmo quando conseguia tinha de ser de pé e enquanto o Frederico me fazia festas nas costas e me dava beijinhos no pescoço.

Às vezes pegava sem que o leite estivesse a sair mas tinha de estar deitada no trocador e eu por cima dela a tentar colocar-lhe a mama na boca. Lá pegava o suficiente para puxar o leite. Ah! À noite, durante a noite, tudo corria bem. Sem cólicas e tranquila a ir à mama para puxar o leite. Sempre. Desde sempre. 

Esqueci-me de dizer que ali pelo meio ainda tomei suplementos para a produção de leite (claro que não me faltou a paranóia de achar que não tinha leite até me informar um bocadinho) e inclusivamente fui parva ao tentar usar um medicamento perigoso para provocar a descida do leite. Porquê parva? Li a bula e vi que não podia ser por ali. 

Não sei quanto tempo demorou isto tudo, mas foi demasiado tempo. Foi mais de dois meses. Dois meses de rejeição da mama. Pior ainda com a minha ansiedade. 

Depois, algures no tempo, foi tudo melhorando. Comecei a dar de mamar sentada. E a por-me de pé só de vez em quando. Comecei a não me por de pé. Ela já não chorava só por a por na posição de amamentar (tinha ganho trauma por lhe ter imposto tantas vezes), qualquer dia já a podia embalar nos meus braços como as mães fazem com os bebés. 

Ficou tudo normal. Ela mama. Ela pede maminha, verbaliza maminha. Grita por maminha durante a noite. Brinca com elas. Sorri quando olha para elas e, sempre que me lembro do nosso percurso (muito por alto), choro e fico orgulhosa de nós.

Faltava pouco para ir trabalhar e nada me parecia tarefa difícil depois de tudo isto. Tinha de armazenar leite. "Logo agora que isto está tudo bem é que me vou embora". Não conseguia tirar nada na bomba. Nada. Mas depois, fui trabalhar com uns belos 7 litros de stock no congelador (escrevi sobre isso aqui). 

Fui trabalhar. Ia com a bomba atrás. E com um coiso para manter o leite frio deste o congelador do trabalho até casa. Fiz isto. Tirei leite numa sala de reuniões. Vinha para casa e dava de mamar à Irene. Logo que chegava. Com saudades de lhe dar de mamar. 

Decidi e deixaram-me ficar em casa. A Irene continua a mamar sempre que quer.  Já lá vão 16 meses. E não dói nada. Já lá vamos em mais de 16 meses e, por isso, mais de 80% do tempo ou 90% tem sido perfeito. Ouvi-la pedir. Ir à procura delas. Ainda hoje me deixa derretida. 

Afinal sou mãe que dá maminha à filha. E estou muito muito muito feliz por isso. Tudo valeu a pena.

O que me fez lutar foi a minha noção de que se não fizesse tudo o que estava ao meu alcance, que nunca iria ficar em paz comigo própria. Tinha de dar tudo o que tinha, senão ficaria muito, muito triste. Ficaria triste quando visse outras mamãs a amamentarem, sempre que se falasse sobre isso, sempre que lesse um post sobre isso no Facebook ou num blogue, sempre que ela ficasse doente e não quisesse comer, etc.  

Juntas, conseguimos. Mais o Pai.

Valeu a pena. Vale. Valerá. Enquanto ela quiser. 



Mães que ainda não amamentam e que querem, não tenham medo que nem todas as experiências são assim. Esta foi só uma que começou mal. 

Mães que queiram muito dar maminha e que tenham dificuldades, peçam ajuda. Existe a linha SOS Amamentação e existem Conselheiras de Aleitamento Materno. Sabiam que até voltar a ter leite depois dele secar é possível? Força.

Mais posts sobre amamentação (alguns mais informativos e menos pessoais) aqui.

Eu não vos digo?



A minha miúda (adoro esta expressão, quase tanto quanto a catraia ou a 'nha Isabel) tem uma grande pancada. Não nos pode ver descalços. No outro dia, quase fiz xixi a rir com a figura do meu rapaz só de boxers e ténis calçados a andar pela casa. A Isabel não se calou até ele se calçar. Se nos vê descalços na sala, faz o percurso até ao nosso quarto e traz-nos sapatos, maiores do que o antebraço dela. Já nos trouxe desemparelhados, mas se lhe explicarmos que não são iguais, surpreende-nos com o mesmo par passado um minuto. Na piscina, no outro dia, era vê-la a distribuir os chinelos pelos seus progenitores, quando queríamos estar descalços para ir à água.

Onde é que ela foi buscar isto é que eu não sei, até porque sempre a habituámos a andar descalça pela casa e nós andamos quase sempre descalços, ao ponto de ser um perigo ir ao quarto dela, com os pés a colarem ao chão, durante a noite.

Eles têm com cada coisa, não têm? (Silêncio constrangedor em que vocês não reagem e me deixam sozinha a achar que a Isabel não joga com o baralho todo.)

Assim de repente não me consigo lembrar de nenhuma pancada que eu tenha tido, mas lembro-me bem de uma do meu irmão (agora que já te fiz ficar meio comovido com o texto de ontem, toma lá para aprenderes!) que tinha de cheirar tudo o que lhe aparecia à frente. E tudo é tudo: uma parede, uma bola, um poste na rua, a toalha da mesa do restaurante, o copo. Tudo. Ah! E outra, a atravessar a estrada, na passadeira, tinha a mania de coçar com um pé a outra perna, o que dava um jeito enorme, como devem imaginar, e deixava a minha mãe de cabelos em pé. Já era maiorzinho, mas não sei com que idade ganhou todos estes tiques e manias. Passaram.

Afinal, ao pé disto, ainda não tenho de chamar um colete de forças cá para casa.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Os tios mais novos.

Aqueles com quem ralhámos tantas vezes e para os quais raras vezes tínhamos paciência.

Aqueles a quem exigíamos que fossem mais crescidos e que chegaram a levar calduços por não se concentrarem nos trabalhos de casa.

Aqueles com quem, quase todos os dias, armávamos confusão, quais índios e cowboys, mas que se fosse preciso adormeciam de mãos dadas connosco.

Aqueles com quem fazíamos os maiores disparates, como deixar cair uma televisão ao chão ou mandar uma vassoura de um sexto andar.

Aqueles a quem, a muito a custo, emprestámos o carro. E correu mal, nós sabíamos...

Aqueles que vimos crescer, tornarem-se homens e mulheres. Tornarem-se adultos dos quais nos orgulhamos muito.

Aqueles que agora fazem parte daquela espécie babada que não se cansa de dizer que os sobrinhos são a melhor coisa do mundo. Pelo menos enquanto não são pais.

Aqueles a quem os olhos brilham de tanto amor pelos sobrinhos.

Aqueles que, não sendo avós, volta e meia também os "estragam" um bocado. E ainda bem.

Aqueles com quem discutimos tantas vezes, mas que agora se orgulham tanto de nós.

Aqueles em quem, agora, confiamos tanto que, quando vão lá a casa, até nos sentimos à-vontade para adormecer no sofá, enquanto tomam conta deles.

Aqueles a quem vamos confiar os nossos filhos para passearem no Zoo, comerem um gelado ou irem ao cinema.

Aqueles de quem sentimos falta, todos os dias.

Tio Frederico com a Isabel, com menos de uma semana.

Obrigada por seres o tio da Isabel.

Há por aí tios mais novos que mereçam umas palavras destas?

Parecida com quem?

Acho que é o caso de toda a gente: quem conhece o pai diz que ela é cara do pai e quem conhece a mãe diz o contrário.

Mas, vocês que "não conhecem" nenhum dos dois (apesar de já saberem mais da minha vida do que mais de metade da minha família), o que acham? 








quinta-feira, 23 de julho de 2015

Como é que os pais da Irene se conheceram.

Não nos conhecemos numa noite de stand-up. Era uma noite de stand-up só de mulheres, em Lisboa, a convite da Luísa Barbosa (ex apresentadora MTV/5 para a Meia Noite e agora Fama Show). Fui uma das comediantes. Já não actuava há muito tempo e estava só a "fazer texto novo" estava, portanto, muito insegura, mas a treinar o meu "estou-me a borrifar para isto" para não morrer com um AVC. 

A Rita Camareneiro (ex tudo, até psicóloga, mas actual apresentadora do Curto Circuito), depois de olhar para o público, disse-me: "Sabes quem está ali? É o Frederico Pombares!". Eu, para não me fazer de inculta disse: "Ah, 'tá bem, boa!". Ela depois disse: "não vais lá dizer nada?". Eu: "não sei quem é!". Ela: "é um dos que fez o Último a Sair, rubricas do É Como Diz o Outro para o 5, etc, etc, etc". Eu: "Ah, sim, ouvi falar do Último a Sair, mas não tenho nada para lhe dizer". 

Lá foi ela dizer qualquer coisa. Que o admirava, provavelmente. Eu não fui, porque não tinha mesmo nada para lhe dizer e, também, porque sou falsa tímida. Estava sozinho numa das mesas do bar com um copo raso à frente. Mais tarde vim a saber que estava à espera de alguém. Que, por acaso, também conhecia. Era um colega meu comediante (ele continua a ser comediante eu é que acho que já não) e que também já me tinha dado umas dicas de improv (teatro de improviso).

Antes de actuar, pensei em adicionar esse tal Frederico no Facebook porque gostava de ter contactos do meio para saber o que andavam a fazer. Adicionei-o. Mais tarde vim a saber que ele recebeu imediatamente o invite no iphone, ele que estava ali sentado e eu tão perto e que achou isso muito infantil. 

Estava muito nervosa, há vários meses que não fazia stand-up e, naquela altura, estava mais virada para improv já que actuava semanalmente na Comuna. Levei até as folhas comigo para não me esquecer de nada e ia apalhaçando por cima. Não sem antes andar a ir lá para fora e voltar para fumar 5 cigarros dizendo sempre em voz alta (era muito barulhenta e sem classe, hão de reparar pelos "gajos e gajas e putos" no vídeo mais abaixo hehe) que estava muito nervosa. 

Actuei. Diverti-me. Depois fui sair com toda a gente que me tinha ido apoiar. 

              

Pronto. Fica aqui o vídeo de texto que nunca tinha experimentado antes e de todo o meu nervosismo. Podia dizer que sempre fui melhor do que isto, mas nem por isso. Já agora, este era o meu aspecto antes de ser mãe. 

Pronto. Fui sair. E já não me lembro quanto tempo depois, recebo uma mensagem do grande Frederico Pombares a dizer que eu tinha graça, que tinha uns "pensamentos" engraçados e que tinha pena que eu tivesse levado folhas. Fiquei histérica e lá me dei ao trabalho de ir ver o currículo do homem à net para ver se me iria arranjar trabalho. Depois lá percebi que não. Que ele trabalha com malta que ja anda nisto há anos e a única coisa na qual eu ando há anos é nuns All Star pretos. 

Conversamos. Daquelas conversas que duravam muito tempo e depois não se falava durante mais tempo ainda. As coisas foram-se arrastando, tranquilamente, ambos fazíamos a nossa vida. 

Apresentei o Rock in Rio desse ano com a SIC Radical e, deixem-me dizer, que houve dias em que eu estava fabulosa. O Frederico tem por hábito ver os concertos na televisão dos festivais e apanhou-me por lá. Decidiu mandar umas bocas. Ele dava-me feedback nos meus directos e eu desabafava com ele e ria-me com ele e tentava fazê-lo rir nos directos. Retomamos a conversa. 

(tão giro estar a relembrar-me de tudo isto e ele agora estar ali na cozinha a fazer o jantar...)

(se tiverem curiosidade em ver os directos  que fazia com ele a ver, estão todos aqui)


                             

Este é um dos vídeo de que as pessoas mais me falam (como se me falassem muito disto), que é "eishh e aquilo dos óculos!".  Depois lá trocava mensagens com ele sobre o que ele tinha achado.

O resto não preciso de vos contar. Obriguei-o a pedir-me em namoro tal e tal. Começamos rapidamente a morar juntos (ambos sabíamos que era a sério). Sete meses depois pediu-me em casamento. E casámos em Las Vegas. Essa história já vos tinha contado aqui no post "Até que a morte nos separe". Claro que quis um casamento válido em todo o lado e obriguei-o a casar/transcrever  em/para Portugal também. Não, brincas!

Agora somos pais. A filha do humor: Irene Pombares. 

(depois conto-vos o resto da história, se vos interessar - interessa? - que ele voltou com o jantar e agora tenho mesmo de ir comer).







Menina ou menino?

Quando a Isabel começou a ter noites seguidas de sono ou a acordar só uma vez para beber leite, começámos, devagarinho, a colocar a hipótese de avançar para um segundo. Mas depois lá nos vai surpreendendo e acordando novamente, como que a dizer-nos "não, não, quero ser the one and only" e de manhã juramos que só nos metemos noutra daqui a 40 anos. 

Só estou a falar nisto porque ontem publiquei uma fotografia no meu feed do Facebook com a Isabel...


e o meu irmão Frederico, um fofinho, disse "ainda que pequenina, já se nota a barriguinha do segundo!" 

O segundo não vem aí, mas gostava que eles não tivessem 8 anos de diferença. Para o ano, pensamos nisso. Mas, o mais estranho, é que quando visualizo a cena, não consigo imaginar uma menina ou um menino. Nem sei o que desejo. Não me vou pôr com a história do "que venha é com saúde", que isso é ponto assente, mas a verdade é que não consigo decidir a minha preferência. Achava lindo a Isabel ter uma mana (amo o meu irmão e não o trocaria por ninguém neste mundo, mas, depois dele, adorava ter tido também uma irmã). Por outro lado, e porque não sei se iremos ao terceiro - o mais provável é que não aconteça, até porque a probabilidade de ganhar o Euromilhões é nula, porque não jogo - gostava muito de ter um rapaz.

E vocês? Tinham preferências? Ou era totalmente indiferente? As que têm dois filhos, são rapazes, raparigas ou casal? Como se dão eles?


Coisas que me dão vontade de lhe partir os ossinhos.

E isto é num bom sentido. Era o que o Frederico me dizia no início do nosso namoro. "Até me dás vontade de te partir os ossinhos todos". Fiquei com algum medo, depois passou a dizer isso à minha gata e ela nunca foi tão mimada, por isso... fiquei descansada. 

Obviamente que não dá para enumerar e muito menos por ordem as coisas que nos fazem gostar ainda mais deles, as que nos fazem sorrir quando pensamos nelas e eles estão a dormir, mas ela está a comer melão sozinha e vou aproveitar para tentar. 



(ui, já apaguei e rescrevi 3 vezes, está a ser mais difícil do que o que pensava)


Quando a vejo a brincar sozinha

Quando se diverte a brincar comigo

Quando pergunta pelos avós

Quando pergunta pela Joana (uma amiga do parque onde vamos)

Quando quer uma coisa, vai à procura dela e encontra

Quando pede maminhas

Quando adormece rápido

Quando gosta da comida

Quando dança

Quando canta

Quando a vejo de cabelo apanhado

Quando se ri e diz "pipi" enquanto lhe troco a fralda

Quando nos tenta fazer rir

Quando trepa para a nossa cama para lhe fazermos brincadeiras

Quando aponta para as coisas que não pode fazer e diz "nanã"

Quando persegue o Noddy

Quando, por nada, se põe em biquinhos dos pés

Quando a vejo de vestido

Quando a vejo de calções

Quando anda de baloiço

Quando brinca com as pedrinhas

Quando vamos à praia

Quando pede para lhe cantar uma música específica

Quando estou no quarto "a dormir" e ela, de vez em quando, se lembra de mim

Quando percebo o que ela quer dizer

Quando ela diz que não

Quando simula que está ao telefone connosco

Quando o pai lhe dá banho

Quando eu lhe dou banho

Quando a vejo nua

Quando lhe ponho creminho ou água hidratante depois do banho

Quando a vejo a andar um bocadinho "sozinha" pelo centro comercial

Quando diz "Olá" a toda a gente e sorri para toda a gente

Quando bate palminhas por ver um peluche ou boneco que goste

Quando tenta calçar meias minhas ou sapatos

Quando acorda de manhã e me diz olá

Quando pede colo

Quando quer comer da nossa comida

Quando tomo banho com ela

Quando se tenta pentear

Quando está tão feliz que perde a força nas perninhas

Quando apanha algo no chão que está "sujo" e dá à mãe

Quando pede uma história em particular

Quando está a repetir a mesma piada durante uma hora

Quando se esconde atrás de uma grade no berço e espreita por outra

Quando dá pinotes na cama 

Quando mostra os dentinhos todos

Quando diz não, com birra

Quando responde que não tem cocó e tem

Quando fica toda feliz durante um dia inteiro por andar com uma colher que tem um leão

Quando pede para lhe dar peixinho e depois dar uma colher de sopa e depois peixinho

E, coisas como hoje, que não queria comer nada e lembrou-se duma coisa chamada melão e agora está a comê-lo sozinha.


Falta tanto... tentei ;)

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Mais uma voltinha

No fim-de-semana passado fomos até um sítio totalmente desconhecido para nós: o Vimeiro. Já tinha estado em Santa Cruz e, mais acima, em Peniche, mas ali nunca. Excelente escapadinha.

O hotel Ô Hotel Golf Mar tem tudo para umas férias em família: piscina exterior para adultos e outra para crianças, piscina interior, ginásio, sala, com animador, para os mais pequenos desenharem, jogarem, fazerem trabalhos manuais, verem desenhos animados, ou seja, entreterem-se um bocado enquanto os paizinhos relaxam, que também merecem. 

No exterior, há o Fun Kids, com insufláveis, trampolim, jogos tradicionais, slide, bicicletas, tiro com arco, bolas gigantes... um sem número de actividades divertidas para eles se cansarem até mais não. 

Depois, uma vista deslumbrante, com a qual se acorda bem-disposto, mesmo que seja às 7h. Apesar do nevoeiro cerrado da manhã, estava calor e deu para ir à piscina. A praia, com umas barraquinhas à antiga, é muito agradável (o que não estava nada agradável era a temperatura da água, horrível, horrível). 

O serviço, uma maravilha. Confesso que estou um bocado queimada com buffets de hotéis em que cogumelos, massada de peixe e arroz doce conseguem saber ao mesmo, mas ali come-se mesmo, mesmo bem (muitos petisquinhos, muitas saladas saborosas e as sobremesas, senhores!). 

Os quartos têm uma decoração pouco moderna (o hotel já tem uns belos aninhos), mas são simples e as camas são super confortáveis (pude desfrutar bem delas, porque a Isabel dormiu a noite todinha, abençoados ares do Vimeiro) e os lençóis de um branco imaculado (sou picuinhas com lençóis).

Tivemos a sorte de apanhar um Concurso de Saltos, no Centro Hípico, e foi mais uma actividade diferente para a Isabel, apesar de, mesmo assim, continuar a dizer que o cavalo faz "ão ão". 

Depois do meu paleio, levam com um álbum enorme de fotos:






 





 
 Laço Nini Lace

 









 








Uma leitora pediu-me, no post do Facebook de sábado, uma review do hotel. Espero ter ajudado na decisão.
Fotos Love Lab