12.17.2014

O pediatra elogiou-me o rabo.

A consulta foi assim... 

À chegada: 

"Ai, Joana (sim, a mim não me enganam que chamam de mamã a todas para não terem que decorar o nosso nome, sacanas)! Está incrível! Sempre que me aparece aqui está mais e mais bonita! Nunca vi ninguém a recuperar do pós parto assim. Dá para ver, até de frente, que o seu rabo está mais duro que um frasco de Noz Moscada."

"E o papá? Está com um ar muito descansadito! Alguém não anda a fazer um cú em casa, não é? Pois é. Continue assim e depois queixe-se de que a sua mulher era muito simpática no início mas que, com o tempo, ficou azeda. Isto é como os cágados, se não lhes der atenção, se não lhes mudar a aguinha, aquilo começa a feder. Eu disse, FEder, sim. Quanto à palavra semelhante, tem de se portar bem para acontecer, está bem? Ai, ai... "

Durante o exame:

"- Deixem-me lá ver esta bebé! Uau! Vou só dizer isto a vocês, mas a vossa filha é a bebé mais bonita que eu já vi na minha vida (e, como sabem, farto-me de ver bebés todos os dias, há uns que parecem um pedaço de gordura de picanha já mastigada e cuspida na beira do prato). É mesmo bonita. Sai à mãe, claramente! Se saísse ao pai ficaria parecida com um Fertagus vista de trás, não é? Bom. Deixem cá ver, vou auscultar. Sim senhora. Confirma-se. A vossa filha, além de ser a mais bonita do mundo, é também sobredotada. Não digam é isto aos outros pais porque vão ficar cheios de inveja do que têm aqui.

- E o furúnculo que ela tem no rabiosque, Dra.?

- Ai, não se preocupe com isso. A sua filha é que é tão, mas tão inteligente que já tem um pedaço de cérebro a nascer-lhe no traseiro. É normal em bebés que são do caraças, está aqui escrito e tudo, veja lá no livro que tenho aqui!"

Na altura das notas:

" Pronto, Joana e Frederico. A única preocupação que têm de ter em relação à vossa filha é o facto de ser tão mas tão inteligente que vos vai encher de dinheiro quando tiver 10 anos por propor uma ideia qualquer no Sharktank e toda a gente investir. Ai, olhe a Irene! Que malandra, ela já sabe fazer isto há muito tempo? Obrigada por teres criado um Sudoku para eu fazer, Irene. Tão querida."

Na despedida: 

" Bem, era o que se confirmava, vocês são os melhores pais do mundo e têm aqui a criança que dá baile a todas as outras. Continuem assim e vejam se continuam a popular o mundo com mini-pessoas deste calibre para ver se não temos de papar com mais gente que diga "estás a falar para mim?" em vez de "estás a falar comigo". São coisas cá minhas. Ah! E desculpem de vos ter atendido logo a horas, sei que não estão habituados a médicos assim, mas é um "defeito" meu."

Na segunda despedida, lá fora, enquanto pagamos: 

"Ah, Joana! E vá dizendo coisas! Mesmo que a Irene não tenha nada de mal, vá-me dizendo como é que ela está, se tem dormido bem, se tem comido tudo, essas coisas. Já sabe que estou disponível 24h por dia. Eu nem tenho vida pessoal, por mim, seria só dedicar-me à Irene, ok? Eu durmo quando ela for adulta."

Era muito pedir que isto fosse verdade? :)

12.16.2014

Palmas, palmas para vocês, mães que trabalham!

A sério. Aplausos e dos grandes. Não vos invejo, longe disso, mas reconheço a vossa luta

Decidi, a muito custo, facilitar a minha vida. Tive a sorte de (tanto pela entidade empregadora, como pelo apoio conjugal) de poder dar-me ao luxo de tirar uma licença sem vencimento de um ano. Tal não se deve só à minha loucura pela minha filha, mas também porque queria aproveitar este timing para repensar a minha vida profissional. 

Sinto que está tudo nos eixos, só falta limar a questão do emprego, percebem?

Ser mãe a tempo inteiro não é tarefa fácil. É verdade que é um privilégio poder assistir a todos os movimentos dos nossos filhos, claro, mas somos nós também quem lida com todas as birras de sono e afins sem podermos "dar um tempo" (depois escrevo um post também sobre isto). Não estou minimamente arrependida de ter tomado esta decisão porque, lá está, sinto que é uma win-win situation. Agora, quanto a vocês?

Imagem do site We Heart It. 


Mães que não dormem nada durante a noite e ainda têm de cumprir horários no dia seguinte, lidando com algumas pessoas com as quais podem não sentir grande afinidade e ter responsabilidades importantes apesar de estarem perfeitamente esgotadas fisicamente e emocionalmente?

Mães sem escolha, que o que mais querem é estar sempre a apertar os bebés e a dar-lhes beijinhos mas têm mesmo que ir e àquela hora para o trabalho e, muitas das vezes, chegando "tarde e más horas" a casa?

Mães que só vêem os filhos umas 3 horas por dia (com sorte ou "com azar", se eles fizerem birra para dormir) e que sonham todos os dias com os fins-de-semana para os aproveitar ao máximo?

Mães que, à segunda-feira, se sentem doentes por terem de voltar à rotina, deixando para trás o que é mais valioso para elas?

Um aplauso e dos grandes para vocês. 

Lembro-me de vocês todos os dias e "estou convosco". 

Nota: Aprendi que sempre que encontrar ou lidar com uma mulher que me pareça mais enervada, mais stressada, mais transtornada... se calhar pode ser por se ter levantado 16 vezes durante a noite para por a chucha e ter passado o dia inteiro a ouvir o patrão de que não se concentra no emprego. 

#hashtagstaograndesqueninguempercebenada

Lembram-se daquele post da Joana Paixão Brás, em que havia uma certa competição entre mães?

Pois bem, tenho-me vindo a aperceber que essa competição também existe… Nos hashtags das mães!

Um hashtag não era suposto ser como uma palavra-chave, uma identificação que queremos dar a um post ou fotografia? Para isso, bastava na descrição colocarmos um cardinal antes do que queríamos identificar. Por exemplo, se agora quisesse identificar este post colocaria #hashtag. Assim, se alguém fosse à procura de fotografias, isto no caso do Instagram, onde alguém tivesse identificado o dito #hashtag, só precisava de o colocar na busca, e apareciam todas as fotografias identificadas com esse hashtag. (nota para mim: ver se não faço descrições tão grandes à volta de uma palavra, nomeadamente hashtag)

Pois agora parece ter pegado moda entre as mães fazer hashtags que só vão ser usados uma vez, pois nunca mais ninguém vai usar aquilo na vida. No fundo, lembraram-se de, em vez de escrever uma descrição com espaços e acentos, escrever um hashtag. E ganha a que tiver o hashtag maior e mais ilegível. Senão vejamos alguns exemplos:

Bebé a dormir com o gato:
#adoramdormirenroladinhoshalacoisamaisfofaemtodoouniverso

Bebé a brincar com as folhas no jardim:
#ooutonojachegoueandamosabrincarcomasfolhasamarelas

Bebé a mandar a árvore de Natal abaixo:
#onataljachegoucaacasaeotobiasandaamandararavoredenatalabaixo

Lucas a refilar por lhe termos dito “não”:
#omeninolucasestafrescoestaagorajanaoselhepodedizernaoqueficatodoofendido

Isabel sempre linda e maravilhosa nos cenários que a Joana Paixão Brás prepara:
#aisabeljafazbolachassozinhaquerdizercomumbocadinhodeajudamasquemdecoraeela

Irene a pegar na colher para comer a fruta:
#airenejanaoeumafocacompletanaosojacomequasesozinhacomosepercebemesmoqueefilhadopai

É irritante, não é? (#eirritantenaoe)

PS: Ganhou a Joana Gama

A arte de ter 50% das coisas emprestadas

As minhas amigas já sabem: sou a mãe irritante que tem uns bons 50% do material de puericultura emprestados.

- "Onde é que compraste?"
- "Não sei, emprestaram-me."

É isto, coisa sim, coisa não. Tenho a sorte de ter amigas que já tiveram filhos e tenho a sorte de ter amigas que tiveram raparigas. Tenho a sorte de não ser esquisita e de me estar a marimbar para ter coisas novas em folha. Acho até que é um desperdício de dinheiro e que não é sustentável ecologicamente estar sempre a comprar, comprar, comprar.

Tenho a sorte de saber estimar bem as coisas que me emprestam, pelo menos desde o dia em que estava a ajudar a minha mãe a acabar um trabalho de casa do meu irmão (sim, menino Frederico!) e deixei cair cola em cima de umas calças de ganga emprestadas pela minha amiguinha Priscila. Foi remédio santo. "Emprestam-te, tens de tratar como se fosse mais importante do que as tuas próprias coisas." Assim tem sido.

Roupas dos 0 aos 2 anos já cá cantam, desde fatos de treino, a sapatos e pantufas, gorros e meias, lençóis, berço, toalhas, mantas, almofada de amamentação, máquina de tirar leite, carrinho de passeio, ovo, isofix, parque, tapete de actividades, espelho para ver a criança no carro, enfim, um sem-número de coisas que podem perfeitamente ser partilhadas se estiverem em bom estado e se a pessoa for responsável, como eu (palminhas a mim). 
Fiquem descansados, Catarina, Ângela, Raquel, tia Beta e Rui e Fred, as vossas coisinhas estão em segurança. (Bem, agora com esta lista enorme fiquei a sentir-me uma crava de primeira!)

O único senão de ter coisas emprestadas é ter de as devolver. Eu explico: o carrinho de passeio que me foi emprestado vai ter de voltar à origem.

E é aí que vocês, mães experientes, entram. Não, não vos vou cravar nada. Que carrinho me aconselham? Queria algo bom, que não custasse os olhos da cara, que durasse uns 10 anos (não, a Isabel não vai andar de carrinho até essa idade, eu é que quero ter mais prole, se é que me entendem), que andasse bem em calçada, fácil de fechar e abrir e que caiba na bagageira.

Sugestões, please! Agradecida.


12.15.2014

Gatos (^._.^)ノ e Bebés

Dá sempre em que pensar. 

Como vai ser com os gatos quando o bebé chegar? E até antes, na gravidez, há o problema da toxoplasmose, com o facto da maior parte de nós não ser imune e, por isso, muitas mães ficam assustadas e ou arranjam alguém que fique com os gatos ou, então, despacham-os com uma enorme facilidade, visto que vão ter "um brinquedo novo". 

Quanto à gravidez, se forem só gatos de casa (se não andarem a passear no jardim, a roçarem-se em cogumelos e em rameirinhas de rua) e se tiverem os cuidados de saúde em dia (vacinas e desparasitações), é apenas preciso convencer o nosso rapaz a limpar a caixa da areia dos gatos frequentemente e durante 9 meses. Frequentemente, porque o risco de contagio de toxoplasmose aumenta consoante o grau de falta de higiene da casa de banho deles e convém que seja ele até para nós não inalarmos os vapores, não termos qualquer contacto com aquilo. São umas férias de limpar cocós de gatos, até limparem cocós de pessoas. Aproveitem!

Quanto à chegada do recém nascido, nós cá em casa até tremíamos. Pensámos em fechar a porta do quarto sempre que a Irene lá estava a dormir para não corrermos o risco deles se atirarem a ela, mas eu li algures que isso podia aumentar os ciúmes e a questão territorial. Achámos que o melhor era agirmos naturalmente. Chegou a bebé (que eles já pseudo conheciam de andarem sempre a dormir encostados à minha barriga) e ela faz parte da família, por isso podem cheirá-la à vontade. Nos primeiros dias tivemos que educar os gatos para não dormirem aos pés dela na caminha, apesar de ser amoroso. Eles receberam-na com alguma distância, mas apreciavam o calorzinho e queriam deitar-se ao pé dela como gostam de se deitar ao pé de nós. Claro que ficámos para morrer. Conhecemos os nossos gatos, mas não deixam de ser gatos e poderem passar-se de um momento para o outro. A verdade é que, com os nossos gatos, os maiores riscos são agora que ela já interage com eles e, mesmo assim...






... tem sido óptimo. A bebé já brinca com o Noddy e com a Bubbles. É bonito sentir que somos uma família de dois adultos, uma bebé e dois gatinhos. Na brincadeira, referimo-nos a eles como irmãos da Irene (mas não somos maluquinhos, sabemos que não fui eu a pari-los). Eles cheiram-na, gostam de se roçar nela (para, com as feromonas, dizerem que ela lhes pertence) e ela, como ainda não percebe os riscos, gosta de lhes puxar os pêlos, bigodes, orelhas e, acima de tudo, a cauda. Aqui entra o papel de vigia. Não convém mesmo deixar a miúda sozinha ao pé dos gatos e quanto mais irritadinhos forem os gatos, pior. A Bubbles é meiga e calma, mas quando lhe tocam abaixo da cintura (pode-se dizer cintura quando se fala de um gato?) costuma dar uma mordidela. À Irene não morde quando ela lhe faz isso, o que não quer dizer que um dia não vá morder, certo? O Noddy é mais assustadiço, dá muitas mordidelas pequeninas mas, como ainda tem medo da Irene, não a provoca nesse sentido. Só se roça nela e gosta de ficar a olhar para a Irene quando ela está a brincar.

É sabido que a convivência com animais de estimação além de diminuir o risco de contrair alergias, também facilita o desenvolvimento das crianças. Não vejo por que não se manter os animais com os bebés com uma vigilância constante, claro. Há a questão dos pêlos? Claro que há. Nem toda a gente tem dinheiro para comprar gatos destes: 


Agora a sério, quanto aos pêlos, também estamos atentos, claro. Aspiramos regularmente. Temos uma swiffer para dar um jeito nos sítios onde ela possa andar a rastejar, olhamos constantemente para a chucha antes de a pormos à boca, etc. É uma coisa natural, não temos de fazer qualquer esforço. 

Compensa termos a família completa porque é mesmo isso que somos. Família, apesar de uns terem bigodes (tenho de ir fazer o meu). 







Há só um inconveniente gigante que é o facto dos gatos acordarem primeiro que o resto do pessoal e fazerem questão de acordar toda a gente. Se antes já tinham gatos a acordar-vos, agora imaginem o que é serem acordados pelo bebé, depois pelos gatos, depois pelo bebé que acorda com os gatos. 

São fases, agora os gatos não têm incomodado ninguém. Já a Irene...


Nota: Conversar sobre com o obstetra e veterinário porque poderá haver casos em que a saúde da mãe ou do bebé não deixem margem de manobra. 







O meu nosso Natal

Lembro-me do Natal em que os meus primos e o meu irmão se fecharam numa sala da minha avó para lutar wrestling, de ir lá dizer que aquilo era parvo porque era tudo ensaiado e de ser corrida praticamente ao pontapé. Fiquei confinada à mesa dos adultos. E o que eu gostava de os ouvir discutir sobre tudo e mais alguma coisa!

Lembro-me do Natal em que dancei com o meu tio Jorge, em que nos rimos muito e fomos felizes, a comer castanhas à lareira, a encher a barriga de bacalhau com magusto e arroz doce da avó Rosel e bolo de bolacha.

Lembro-me do Natal em que fomos para a Serra de Montejunto e ficámos todos numa casinha pequena. O meu pai estava de serviço e assim pudemos estar perto dele. Jogámos Pictionary e eu quis ficar na equipa da minha avó Rosel, a pessoa com mais cultura geral da família. Ganhámos, claro.

Lembro-me do Natal em que recebi uma casa da Barbie, que eu desejei o ano inteiro, toda em tons de cor-de-rosa, com quarto, sala, jardim, uma maravilha! Devia ter uns 9 anos.

Lembro-me do Natal em que recebi uma caixa de After Eight (de dois pisos!) e que dei cabo de 1/3 só nessa noite.

Lembro-me do Natal em que ficámos todos a ver a série Fonseca do Gato Fedorento em DVD, sem conseguir parar de rir.

Lembro-me dos Natais em que íamos, religiosamente, ao cinema no dia 25 à tarde.

Lembro-me de tirar a mesma fotografia todos os anos, ao lado dos meus primos Jorge e Pedro e do meu irmão Frederico, quase sempre a fazer caretas.

Tenho memórias que não se esgotam. O Natal é para mim, a par das férias grandes, a melhor altura do ano. Porque é de memórias da família e da comidinha da avó e da mãe que o meu coração se enche.
Não me lembro de abrir 30 presentes desenfreadamente, sem olhar bem para as caixas. Lembro-me de abrir alguns e devagarinho, para saborear. Lembro-me de os coleccionar depois no quarto, arrumadinhos ao lado uns dos outros, para voltar a ser surpreendida de manhã, quando acordasse. 
Espero passar este espírito à Isabel. De ver muito no pouco (e o meu pouco era muito, em comparação com outras crianças). De reter o que é realmente importante. De perceber o quão importante é ter uma família. E este ano a família tem-na a ela, da forma mais mágica possível.

E para completar esta lamechice que me fez chorar, cá estão as fotos lindas que o David (pai da criança) tirou no fim-de-semana ao meu anjinho:

Luzinhas de estrelas A Loja do Gato Preto (ano passado)
Asas de anjo Mascarilha
Casinha de luzes (é um calendário do advento) Zara Home
Carrossel Tiger
Isabel vestida pela mãezinha dela, que o pai vestiria um fato de treino (cof cof):
Collants com sapatos desenhados da H&M (não são lindos?)
Body de Gola Isabella Babywear (baratinho e tão giro)
Fofo Cosythings (dos saldos anteriores)
Bolero da Cóndor (é para 3 meses e ainda lhe serve, assim é que eu gosto!)

Sesta ou brinquedos?

Por que é que, na minha cabeça, ela tem de ser obrigada a dormir?

Estou a tentar que ela durma desde as 9:40...

No outro dia, um amigo de família perguntou se estava tudo bem e eu disse:

"Sim, mas a miúda não quer dormir!"

Ele, pai de 3 filhos, respondeu :"não quer dormir, não dorme!".

Dá que pensar...

(se ela não ficar a chorar a manhã inteira no parque...)

Os acrobatas do sono

Se eu gostava que o meu bebé ficasse a dormir como o deixei, virado com a cabeça para a cabeceira e tapadinho? Gostava (principalmente para não apanhar frio). Mas não era a mesma coisa.

Com 11 dias, na incubadora. Já prometia...

Isabel (6 semanas) e Lucas (10 semanas)
No sofá da Joana Gama (3 meses)

Na casa dos avós na Madeira (4 meses)
Na cama dele (6 meses)
Na cama dele (8 meses)
Na cama dele (8 meses e meio)
Na cama dele (9 meses e meio)

12.14.2014

Blogger da semana (#02) - Cocó na Fralda

É só um dos blogues mais lidos em Portugal e é fácil perceber porquê: uma mãe com quatro filhos - sim, 4! - com muito sentido de humor e que escreve sobre tudo e mais alguma coisa.

Cocó na Fralda

Se não conhecem, não sabemos o que ainda estão aqui a fazer. Psiiit, quietinhos! Vão lá visitar depois de lerem a entrevista que a Sónia Morais Santos, mais conhecida por Cocó, deu ao a mãe é que sabe.


Sónia, é verdade que és conhecida na blogosfera como "a Cocó"? Gostas? (não de cocó, entenda-se)
E não é que gosto? Nunca pensei vir a gostar que me chamassem "cocó" mas acabei a achar querido. E quem quiser ofender-me tem a vida facilitada! Chama-me Cocó com má intenção e eu respondo toda satisfeita. :) 

Tens um dos blogues mais lidos de Portugal e 4 filhos, um deles recém-nascido. Como é que consegues? (estamos de boca aberta porque sabemos o trabalho que (só) um filho dá e calculamos que não tenhas amas de leite, babás ou um ghostwriter)
Não tenho nada disso, é verdade. Neste momento, por exemplo, estou a responder a esta entrevista com o Mateus deitado nas minhas pernas. E na verdade não tenho só o blogue! Também trabalho. Continuo a ser jornalista (enquanto não tiver que pagar para trabalhar - e está quase - continuarei na profissão) e já retomei um dos meus trabalhos. Acho que ser eléctrica ajuda muito. Quando não estou a fazer mil coisas sinto-me inútil e começo a deprimir. Excepto quando estou de férias - aí gosto mesmo de não fazer nada!

"Manel, Martim, Madalena e Mateus... o quinto, será Moisés, Marco, Maria ou Mariana?" ou "Estás a criar uma equipa de futebol?" Estás fartinha de ouvir bocas deste género?
Ahahahaahah. Não estou farta. Acho graça. E, falando sério, se houvesse quinto e pudesse ser uma menina, seria a Maria do Mar.


Sempre sonhaste com uma família numerosa? 
Sim. Lembro-me de inventar um irmão (antes de a minha irmã nascer, o que só aconteceu quando eu já tinha 11 anos), ao qual a minha mãe tinha de dar beijinho de boa noite. Queria tanto ter irmãos! E sonhava que vivia num orfanato, cheeeeeeeio de miúdos por todos os lados. Quando comecei a brincar aos pais e às mães, eu tinha sempre uma grande família. 

Quando parar? Quando se chega aos 4, fará assim tanta diferença chegar aos 5?
Não creio que faça muita diferença, sobretudo porque os mais velhos já estão crescidos e noutra etapa da vida. Às vezes as pessoas pensam "4 filhos???" mas esquecem-se que não são 4 bebés! O Manel já tem 13 anos, tem um nível de autonomia enorme. O Martim vai fazer 10 em Janeiro… Além disso, ajudam imenso, bem como o Martim. De resto, acho que ter uma família numerosa faz com que cada filho aprenda a importância de todos ajudarem. Só assim é possível.

Qual a diferença de idades entre irmãos? Como soubeste que seria uma boa altura para o segundo filho e assim por diante?
O Manel e o Martim têm 3 anos de diferença, a Madalena tem 4 anos de diferença para o Martim, e o Mateus tem 5 anos de diferença para a Madalena. Eu acho 3 anos uma boa idade de diferença. No caso do Mateus, ele devia ter chegado mais cedo mas demorámos um bocadinho a conseguir. :) Agora também acho girissima a diferença de idades entre o Manel e o Mateus, por exemplo. 13 anos. O Manel já olha para ele com um paternalismo que reconheço, uma vez que a minha irmã é mais nova que eu 11 anos.

Quatro filhos: quando um quer gelado, querem todos? E se não houver 4 epás? Como gerem esses "quereres"? (pronto, sabemos que o bebé Mateus ainda não tem "quereres", desde que tenha o estômago cheio, está tudo ok)
Sim, quando um come é uma guerra: têm todos de comer, senão "é uma injustiça" e fica tudo amuadíssimo. O que vale, no caso dos gelados, é que cada um gosta de um diferente. Em relação a outras coisas, roupa por exemplo, às vezes um recebe e os outros não e basta explicar que aquele recebeu porque estava a precisar. 

Sentá-los à mesa nos restaurantes é como jogar mikado? Ao mais pequeno erro, vai tudo abaixo?
Nada disso. É facílimo. Eu e o pai à frente um do outro, o resto é só sentar. Nunca demos abébias a fitas do tipo "eu quero ser aqui, tu és ali".


Há algum que se arme em esperto e que diga que não quer usar as roupas do irmão, mas que quer roupas novas?
Não. O Manel é que, sendo o mais velho (e por isso, não herdando de ninguém), agora só quer roupas de marca. Nós damos uma ou outra mas depois, vemos o preço de camisolas da Zara, damos-lhe o dinheiro e ele põe o resto, com as mesadas e dinheiro que vai ganhando, para comprar as de marca. Tem de perceber que não há cá manias. Uma ou outra sim senhor, mas todas? Só com o dinheiro dele. Os outros não são esquisitos. 

O teu seguro tem um prémio mais elevado por não se calarem um bocadinho no carro quando vais a conduzir?
Devia ter, devia. "Falta muito? Falta muito? Falta muito? Falta muito? Oh, mãeeee, ele bateu-me! Não ele é que começou!" Nem sei como é que não tenho acidentes… :) 

Como é ter os miúdos todos em actividades e dar conta do recado sem se esquecer de nenhum num sítio qualquer?
Nem sei. Há um dia da semana em que a Madalena tem Inglês e o Martim tem ténis. Tenho de a deixar, de o levar, de voltar para a ir buscar e, às vezes, de seguir para o ir buscar a seguir (outras vezes vai o pai). Depois há 3 dias por semana em que o Manel tem futebol, em dois deles a Madalena também tem natação. Aí é outra confusão. Tenho de a deixar na natação, sair com o Manel (que se equipou na casa de banho da piscina), levá-lo, e depois voltar. E há outro dia em que os dois rapazes têm guitarra. Agora, com o Mateus, ando para todos estes sitios com ele atrás. O que vale é que ele dorme o tempo todo. Mas é verdade: às vezes tenho medo de me esquecer de algum e estou sempre a rever mentalmente onde é que deixei cada um, para não correr o risco de deixar alguém para trás (ou no carro, que é o meu pânico).

Para conciliar tudo com alguma sanidade mental, tens de ser rígida nas regras ou precisas de desdramatizar a confusão e ser mais liberal?
Completamente descontraída. Há um caos organizado, digamos. Sou muito pouco rígida, caso contrário já teria enlouquecido.  

Começaste o blogue em 2008. Como é que tens tido paciência para gerir as pessoas mais... "especiais", vá, que vêem na caixa de comentários um ringue de boxe? 
É uma questão de hábito. No início doía-me imenso. Queria que percebessem que estavam erradas a meu respeito, que eu não era aquilo que estavam a dizer. Depois percebi que há pessoas que querem odiar e escolher um alvo. Por isso, podemos dar voltas e mais voltas que elas já têm aquela ideia pré-concebida sobre nós. De maneira que aprendi a desvalorizar. Esqueço. Mas esqueço mesmo. Ao fim de um minuto já nem me lembro da idiotice. Acho que é um bocado como os médicos: ganha-se calo. E eu prefiro concentrar-me em quem vem por bem, em quem tem boas energias. 

Qual o balanço que fazes do blogue?
Um balanço muito bom. Conheci muitas pessoas que hoje são amigas, mas amigas mesmo, publiquei um livro (Cocó na Fralda, da editora Matéria Prima), depois o "A Culpa não é sempre da Mãe (Esfera dos Livros), participei em causas importantes para ajudar pessoas ou instituições que precisam, procuro dar um empurrão a algumas pequenas marcas, consegui mudar a política de um hospital, que não deixava os pais assistirem às cesarianas e, depois de uma denúncia que fiz no blogue (de um pai VIP a quem se abriu uma excepção), o hospital passou a deixar todos os pais assistirem (o Ricardo, depois disso, já assistiu ao nascimento da Madalena e do Mateus)… enfim, acho que o blogue, que começou só para me divertir, acabou a trazer-me coisas que jamais imaginei e, como acho que devemos devolver o bem que nos acontece, tento sempre ajudar os outros.

Obrigada! Não te roubamos mais tempo, vai lá namorar o Mateus e os teus outros três filhotes! E muito sucesso com o blogue, somos fãs!

 

Nails 4 Moms

Há por aí muitas mães que gostam de andar com as mãos como se fossem para a ManiCam do canal E!, e eu sou uma delas. Nem sou de me maquilhar muito, só às vezes, quando se juntam 3 factores: apetece-me + tenho paciência + tenho tempo. Se algum deles falhar, é bye bye Marta sem olheiras e com pestanas maravilha. Anyway... Onde é que eu ia? Tenho a mania de divagar um bocado, por isso depois avisem nos comentários se for demais, ok? As unhas!!! Pois! Isso. Apesar de não ser de andar sempre pintada, se há coisa que não dispenso é de ter as unhas arranjadas. Gosto, acho que dá bom ar. Não sou fã de unhas cheias de rococós, mas uma cor, ou até mesmo aquele brilho transparente, tenho de ter.

Como sou muito multifacetada (modéstia à parte, cof cof), arranjava e pintava as minhas próprias unhas. Tinha muita paciência (e tempo) e era capaz de passar uma boa tarde de fim de semana de volta das mãos para as deixar bonitas. Claro que demorava imenso tempo (já disse que naquela altura tinha tempo?) e é por isso que até agora tem estado tudo escrito no Pretérito Imperfeito (Joana Gama, corrige-me se estiver errada, tu é que tens olho para estas tecnicalidades). Como hoje isto já não é nada assim (lá está, nasceu o bebé, o tempo foi-se), dou por mim a pensar se era ou não era "bué da fixe" se houvesse uma maneira de demorar aí uns 10 minutos, 15 no máximo, a fazer as unhas. Mas com verniz de gel, ainda por cima! Sim, porque, sendo eu o cúmulo da desastrice, o dia em que eu descobri o verniz de gel foi como se se tivesse aberto uma caixa de pandora e nunca mais quis outra coisa. Para isso já não era assim tão multifacetada (querias!!!), e ia, às vezes de propósito, ao Continente do Colombo fazer o tal do verniz de gel (sim, lá fazem disso). Mesmo sem tempo, lá o conseguia arranjar se coordenasse com o pai da criança e ele conseguisse ficar com ela uma hora que fosse, para eu ir fazer as minhas "néles".

Mas pronto, o que interessa, basicamente, é que recentemente tive de voltar a arranjar as minhas unhas, porque as "minhas duas moças" das nails não podiam, e as minha unhas já estavam tão más que eu estava quase a ter um ataque cardíaco. Mal sabia eu que ia ficar na mesma quase a ter o ataque cardíaco, já que tive de fazer cada etapa em vários períodos diferentes no tempo. Estou, por isso, há 4 dias para ter as mãos decentes, e isto está a dar cabo de mim.

Por isso apelo: Mães de todo o Portugal Continental e Ilhas e emigrantes que arranjam as unhas, como é que vocês fazem isso???

12.13.2014

Por que é que eles não falam, pá? Ca nerves.

Vou arrepender-me de dizer isto, não vou? Vou.

Por que é que eles não falam, pá? Estou cansada de tentar ir por tentativa e erro. Ou será melhor dizer: erro, erro, erro e erro?

Já consigo entender quando é que ela quer mamar porque pergunto "maminhas?" e ela começa a soluçar e a abrir a boca (é querido, não é?). Se calhar nem tem fome, mas vê "a comida" à frente e, como não tem nada que fazer, aceita. 

Já consegui entender quando é que ela está irritada por lhe estar a custar fazer cocó porque, enfim, já faz barulhos como se fosse um adulto sozinho em casa e sem noção do ridículo (invejo-vos!). Sou daquelas que faz tudo muito em silêncio. 

Sinto que estou certa quando acho que lhe doem os futuros dentes, quando ela está a fazer sons de falta de paciência e mexe muito a boca ou cerra com muita força com os lábios para dentro. Vai logo uma cenoura fria para a boca e, por acaso, costuma ficar distraída. É uma espécie de "snap out of it" a par de anestésico natural por estar fria.

Sei que acorda por causa do calor quando vou à cama dela e está a suar em bica (nem sei o que é que esta expressão quer mesmo dizer, mas acho que está bem aplicada - suar em bica, que parvoíce, suar em bica...curta? Eu sei, tinha de ser, desculpem). 

... mas e como sabemos que eles têm frio?


A Irene tem acordado praticamente de duas em duas horas ou de meia em meia. Já nem sei. Sei que ando a acordar tantas vezes durante a noite que já nem as conto para me fazer de vítima ao pai no dia seguinte (por isso imaginem). Já nem vejo as horas a que ela está a acordar. O que é que isso interessa? Enquanto não houver luz lá fora, é cedo ou, melhor, é tarde. 

Já não sei se é um pico de crescimento, um salto de desenvolvimento, se a miúda passou a ter este horário biológico naturalmente, não sei. 

Claro que já pensei em mil e uma coisas, entre elas: será frio?

Como é que sabemos se eles têm frio ou não? Ela agora tem dormido com um babygrow daqueles finos da Primark, um saco daqueles tipo urso que cobre o corpo todo cheio de pêlo e ainda leva com o edredão em cima. Se não suar é porque está bem? Como é que isto funciona?

Quando é que ela me poderá dizer: "mãe, tenho frio, trazes um cobertor?". 

Estou louca para lhe responder: "Mas pensas que eu sou o quê? A tua empregada? Está no armário do corredor, vá." 

Claro que não. A não ser que ela tenha 40 anos e continue a morar cá em casa!

O dia em que desovei a Isabel


O parto é o talvez o momento mais temido pelas mulheres. Nunca tinha pensado muito nisso, mas quando estava grávida adorava ouvir histórias de partos, desde que não me contassem que a criança teve de ser novamente empurrada para dentro e que tinham levado pontos até ao pescoço e coisas levezinhas do género. Adorava ver vídeos no Youtube de gente a desovar. Não sei bem o que desceu em mim, mas eu achava aquilo lindo, emocionava-me e não sentia medo nenhum. Queria estar ali, no lugar daquelas mulheres.

E no dia 15 de março, esse dia chegou. Lá fora estava um lindo dia de sol. Estava grávida de 39 semanas e três dias. Acordei cedo, fui lavar roupas da Isabel, estava a passar a ferro e senti algo diferente. Seria ruptura da bolsa? 

- “David, acho que me rebentaram as águas!”
- “E posso dormir só mais um bocadinho?”, ouvi da boca do pai da criança.
- “Podes, então não podes… seu preguiçoso insensível!” 

Incrível como eles absorvem só o que lhes interessa das aulas de preparação para o parto… Pelo sim pelo não, obriguei-o a levantar-se e fomos ao hospital. Parecia falso alarme. Mandaram-me caminhar e voltar lá uma hora depois. E lá fui eu, toda descontraída dar uma voltinha ao Colombo, com a pulseirinha do Hospital. 

Afinal estava mesmo a perder líquido, ia ficar internada. A Isabel vinha a caminho. Eram 13h30. Até às 02h48 do dia seguinte ficámos à espera da Isabel. Não posso dizer que tenham sido horas de sofrimento, porque adorei aquele dia. Para mim, foi um parto humanizado, mesmo sendo num hospital privado. O David estava ao meu lado, as enfermeiras eram óptimas conversadoras e muito gentis, e acho, pelo menos à distância, que o tempo passou bem rápido. Quer dizer, até ao momento daquelas contrações. Aquelas… Ai! Mas eu queria continuar na bola de pilates a acelerar a dilatação, por isso adiei a epidural ao máximo. 

Chegou a um momento em que não dava mais. Pensei “isto não é suportável!”. O David massajava-me as costas para que eu me distraísse da dor. “Chega, não consigo mais!” Pensei nas heroínas que aguentam tudo, até ao fim. Eu quis a epidural. Na televisão estava a dar o estoril-marítimo e demos algumas gargalhadas à conta disso. Epidural e todo o conforto do mundo, até passei pelas brasas. A espera, mas nunca o medo. Inspira, expira, inspira, expira. As dores a tornarem-se insuportáveis outra vez. Hora do reforço da epidural. Sede, tanta sede e tanta vontade de conhecer a Isabel. Nunca mais vinha. Aí sim, lembro-me do tempo ter abrandado. 

A nossa médica chegou, acabada de chegar da Alemanha. Por SMS disse-me “vou fazer o seu parto”. Quase chorei de emoção. Ela era obstetra com que sempre tinha sonhado para aquele momento. Calma, doce, de sorriso fácil. A deixar-me tranquila, sempre. Nunca duvidei dela, nunca. Eu dizia piadas e estava bem disposta. O ambiente era calmo, repleto de risos. As enfermeiras eram de uma alegria, entrega e dedicação que nunca esquecerei. 

Eu estava pronta. No caminho para a sala de partos, respirei fundo e pensei na sorte que tinha. Pedi para que tudo corresse bem. Foram 10 minutos, não mais. Tivemos a ajuda da ventosa, mas nada disso me assustou. Entreguei-me nas mãos da médica que 8 meses antes me tinha anunciado, numa consulta de rotina, "está grávida!". A primeira pessoa que soube que eu ia ser mãe e me viu chorar de alegria, no dia 29 de julho. Tinha a Isabel apenas 7 semanas e tanto podia ser Isabel, como Sofia, como Pedro. 

Vinha aí, agora é que era. O pai da Isabel ao meu lado e o milagre a acontecer. Eram 02h48. Senti um corpo quente e irrequieto em cima do meu corpo. Era a minha filha. Massajaram-na, chorou. Nunca esquecerei o primeiro choro. Ri-me, ri-me muito, descontroladamente. Eu que sempre fui chorona, naquele momento tive um ataque de riso. Uma adrenalina como nunca tinha sentido. Puseram-na junto a mim, no peito, estava a chorar e acalmou com o som da minha voz. Arrepiante. Emocionante. Inesquecível. Fiquei com o rosto com marcas de sangue de tanto a beijar. 

3,680kg, tudo perfeito. Prontas para ir para o quarto, fizemos o trajecto juntas, foi a mamar e ficámos a olhar uma para a outra, a conhecermo-nos. Já no quarto, o pai pegou-a ao colo. Ali sim, chorei, chorei muito. Que momento lindo! O pai, o meu amor, com a Isabel nos braços. Os meus grandes amores.




E o vosso parto, como foi? Contem-nos tudo!