3.12.2015

Mães esmeradas, enfiem-se num buraco

A sério. Há por aí mães muito, mas mesmo muito esmeradas e mais vale nem entrar em competição com elas. Acho até um crime desfazer estes lanches e almoços e a verdade é que a velha máxima de que os olhos também comem nunca fez tanto sentido.
Uma mãe de 5 filhos (neste site) prepara-lhes, todos os dias, estes manjares e ainda manda mensagens e adivinhas em bilhetinhos. Acho que se fosse criança iria estar todos os dias em pulgas para chegar à hora das refeições e, como mãe, sinto-me inspirada para tornar a hora da paparoca divertida e entusiasmante, sem o recurso a tablets e afins. Haja tempo, haja criatividade, haja dedicação.

 
Que maravilha!

3.11.2015

Maizena no rabo?!

Sempre ouvi que o leite materno fazia bem a tudo. Bastava pôr umas gotinhas de leite para ajudar a sarar feridas (comprovado por mim), era bom para as otites dos bebés (nunca tive coragem de experimentar) e mais umas quantas mazelas ou doenças.

Agora ultimamente tenho ouvido falar muito da Maizena. Quando estão com o rabinho mais assado ou para secar as borbulhas da varicela, Maizena, Maizena, Maizena. Ainda não tive - graças a Deus - razões para pôr isto à prova, mas antes de mais, aconselham? Já experimentaram?

Pelo sim, pelo não, já comprei um pacote cá para casa mas se calhar é melhor ir comendo em papa para não se estragar, não é? (sabes pouco!...)

Já agora, a minha receita é: 
- diluir duas colheres de maizena numa taça de leite frio - diluir bem a farinha;
- pôr em lume brando e ir mexendo atéengrossar 
- colocar duas cascas de limão
- quando estiver já a engrossar, juntar duas colheres de açúcar (ou menos)
- retirar do lume e misturar uma gema de ovo crua (podem levar a cozer ao lume, mas eu não levo)
- canela, canela, canela

Para o rabo, é como? Acredito que não leve açúcar nem canela. Dilui-se em água? Aplica-se em pó? Contem-me tudo.

a Mãe dá (#12) - Massagem Gin & Tonic - RitualSPA

Olhem e não é que está quase aí o Dia do Pai e vocês ainda não pensaram em nada de jeito? Não podemos só contar com o nosso corpinho para nos safarmos destas ocasiões. Às vezes convém parecer que até nos esforçamos para os agradar. 

Não é este o caso, porque não implica esforço algum. 

Propomos que lhes ofereçam uma massagem, mas sem terem de ser vocês a fazê-la. Fazer o tempo necessário para eles ficarem relaxados fica a doer nas mãos e é tempo que podíamos estar a fazer as nossas coisas. 



Juntar o útil ao agradável: massagem Gin & Tonic do RitualSPA (um operador de referência nacional que explora Spas no mercado hoteleiro de luxo como o Onyria Marinha Edition Hotel & Thalasso, em Cascais, o Inspira Santa Marta Hotel, em Lisboa, e o Dolce CampoReal, em Torres Vedras).

A massagem é um produto novo do RitualSPA, consiste num tratamento no Duche Vichy, com óleos essenciais à base de zimbro, alecrim e citrinos.
​ ​
Para quem não saiba (tipo eu até ler): o duche Vichy é um dos rituais mais relaxantes que existem e que passa por uma combinação de técnicas de massagem com a pressão exercida pelos jactos de água.





Não se preocupem que eles não vão apanhar uma grande bebedeira no SPA e depois vêm todos tortos a conduzir até casa. Não há Gin propriamente dito na massagem, mas que há quem diga que provoca o mesmo efeito de um, há. Não sou eu que não experimentei. :) Perguntem depois ao vosso namorado ou marido ou namorido ou curte porque já não falam com o pai da criança - temos de pensar em todas as opções :)




Não podemos estar sempre a pedir-lhes miminhos sem lhes dar nada (a ver se me lembro disto mais vezes), não é?

O Frederico (meu velhote) e o David (o jovem da Joana Paixão Brás) foram aproveitar os benefícios aqui das meninas terem um blog, foram a uma massagem Gin & Tonic.

Fica aqui o testemunho da Joana Paixão Brás e do David. :)




Para participar é preciso:
1) Fazer like na página do RitualSPA 
2) Fazer like na página d'a Mãe é que sabe
3) Partilhar publicamente este link no vosso perfil do Facebook
4) Preencher o formulário em baixo

Condições:
O vencedor será anunciado no dia 18 de março de 2015, sendo aceites inscrições até às 23h59 do dia anterior.
O vencedor será escolhido aleatoriamente através de random.org.
Só é válida uma participação por endereço de e-mail.







Quero um quarto de beta, já!

Vou fazer birra. A sério. Não tenho jeito nenhum para esta coisa de mamãs fofas que decoram o quarto. Lembro-me de quando era pequenina adorar uma loja que havia que acho que se chamava "os ursinhos" e tinha tudo super super bimbinho, a condizer. Pensava para mim: "gostava tanto de ter um quarto destes". Sim, para mim. 


Também, pelos vistos, queria umas sabrinas de verniz vermelho que a minha mãe não me deu por achar muito bimbas. Mais tarde ficava chateada comigo por não querer andar de "sapatos à vela" (como eu dizia) e querer sempre ir com as botas da Nike. 
Conhecer a Joana Paixão Brás despertou em mim esta vontade de querer ter tudo arranjadinho e bonito, à mãe fofinha.  


E nem é pelo facto da Irene crescer mais feliz (acho que na volta não lhe faz grande diferença se tem um cavalinho de madeira ou uma caixa de cartão das fraldas para brincar), é porque faz parte de toda uma filosofia da qual estou a ficar fã: pôr amor e dedicação em tudo. Para que se note, sempre. Para que à la SIMS (o jogo), quando entremos nessa divisão, sintamos os nossos níveis de conforto e, já agora, de oxitocina a subir. 


Para que todas as fotografias no quarto façam sentido com o que lhes passamos todos os dias. 
E, já agora, para que a Irene se sinta inspirada quando também for mãe. 

Este é o quarto da Isabel e fiquei tão contente de ter tirado lá fotos com a Irene que a conclusão é mesmo: quero um quarto de beta, já!


Em breve (ainda não sei quando) vamos mudar de casa e está prometido um quarto de beta para a Irene. E um quarto de beta para a mãe. E uma cozinha de beta. E mais vestidinhos para ficar mais bonita quando se tiram fotografias, para a Irene que eu tenho as pernas num nojo e não pretendo fazer a depilação tão cedo.  

Continuo a ter alma de trolha, de querer tudo o mais prático possível mas ser betinha compensa. É só pensar mais um bocadinho. Envolver-me mais nos projectos.
Pensar antes de agir.


Acho que é esta uma das milhares de lições que estou a aprender com a maternidade. 

3.10.2015

Querem ver o meu parto em directo no Facebook?

Se estão a ler isto, é porque sim.

Ok. Admito. Tenho um problema. Não foram poucas as vezes que a minha mãe e o meu namorado me disseram que estou viciada no Facebook.
Estou mesmo. E a prova disso é as vezes que fui à net já em trabalho de parto. Apesar de agora me ter dado um gozo descomunal reler e reviver tudo (até me vieram as lágrimas aos olhos), tenho consciência de que não é normal.


Nunca assistiram a um parto via Facebook? Então vou dar-vos essa oportunidade.



A verdade é que estas meninas das Mamãs de Março (grupo do FB de que já falámos trezentas vezes) me ajudaram a passar o tempo (ainda foram umas belas horas), me encorajaram, me divertiram e adorei partilhar tudo isto com elas!

Mesmo assim não me safo e não dispenso tratamento psiquiátrico, pois não? Eu sabia que não ia escapar...

A minha filha é parecida comigo?


Esta é a minha filha com, praticamente, um ano de vida: 


E esta sou eu no meu primeiro aniversário: 









Que é minha filha, não há dúvida. Ou há? :)

O meu homem usou tanga fio-dental mas é muito macho

David - Digam-me lá se os papás aí em casa não estão com as costas feitas num oito de pegar no pequeno diabrete ao colo? Eu falo por mim, tenho as costas com mais nós que uma corda de marinheiro. Não sou muito de ir receber massagens, mas...

Joana - Nem de dar, mas adiante...

David - ... mas confesso que adorei a ideia e se é à borla melhor ainda, sou tuga e gosto que me ofereçam coisas. O RitualSpa ofereceu-me uma massagem Gin&Tonic num dos hotéis de luxo em que a marca opera e...

Joana - ... E tu ainda vais agradecer como deve ser aqui à tua mulherzinha por ter conseguido que fosse o menino a levar uma massagem enquanto ela ficou a anhar. Anhar não, que aproveitei para passear com a filha no hotel e sentir que até estava lá hospedada.



David - Vês, escolhi bem o hotel e o dia, que estava um sol do caraças, não te queixes. Escolhi o Onyria Marinha Edition Hotel & Thalasso na Quinta da Marinha, em Cascais, porque tenho o gosto masoquista de ver quão bem vivem os ricos. Fui sem saber bem ao que ia mas à chegada fiquei logo maravilhado com o hotel e com a simpatia das pessoas que me receberam no Spa.

Joana - Viu-se bem que gostaste porque nunca mais te vinhas embora. E tenho aqui as provas, qual paparazzi.




Joana - Mas vá, chega lá à parte da tanguinha, para eu me rir.

David - Então, levei o meu fato de banho e chinelos como pedido, mas no início da massagem foi me dito que tinha uma tanga descartável para colocar. Com esta é que eu não estava a contar. Qual foi a minha sorte? Tinha a depilação feita!

Joana - David, vá, ninguém quer pormenores desses, pelo amor de Deus! A massagem...

David - A massagem consiste em estar deitadinho a levar com jactos de água, coisa que a minha adorada mulher não me explicou e a minha primeira preocupação foi a de que provavelmente ainda não tinha a digestão feita dos quilos de sushi que comi ao almoço. Mas a massagem não é só isso, calma, enquanto levamos com os agradáveis jactos de água recebemos uma bela massagem corporal que nos faz levitar e esquecer que estamos com trajes muito reduzidos.

Joana - E perguntam vocês, moças bem casadas, então mas se a massagista está a massajar com água à mistura é tipo miss t-shirt molhada ou está em bikini? Não, aí o Spa está do nosso lado e as massagistas estão com uma espécie de fato de mergulho, todas tapadinhas, que o respeito é muito bonito. Pelo menos, foi o que o David me vendeu...

David - E é verdade. O que é que estás a fazer em topless, Joana?

Joana - Vá, massagem para compensar, se faz favor.

David e Joana, qual Broa de Mel ou Sonny & Cher

3.09.2015

a Mãe dá (#11) - Mochila Porta Bebés Ergobaby

Olá meus amores (apeteceu-me, desculpem).

[ler à televendas]

Fartas de andar com os carrinhos para a frente e para trás e com o ovo? Já têm dores nos braços como se fossem autênticas velhotas? 

Quando vão passear com os bebés e os levam no carrinho, ficam com saudades deles e, a determinada altura, querem muito pegar neles porque não aguentam mais? 

Em casa eles fazem birra e não vos deixam fazer nada? Só se acalmam ao vosso colo e o vosso sonho é ter o melhor dois dois mundos? Isto é: ter o bebé ao colo e, ao mesmo tempo, fazer outras coisas, tendo as mãos livres? 

Fartas de anúncios que só fazem perguntas? 

Temos este magnífico kit mãos livres para vos oferecer. Neste caso é como se o bebé ficasse boiar à vossa frente, porque praticamente não sentem o peso no vosso corpo.

Já usei marsúpios e, infelizmente, tinha de embuchar um Ben-u-Ron à noite porque não conseguia dormir por causa das dores de costas. Neste caso, está tudo muito bem pensado.

O primeiro Ergobaby foi pensado e feito por uma mãe que teve um bebé com o problemas de  displasia da anca. Por isso, o Ergobaby não é um marsúpio, é uma mochila porta bebés. Ele foi pensando, acima de tudo, no conforto do bebé (ainda não tinha visto nenhum que apoiasse tão bem o bebé) e depois na sua portabilidade. 

Eles não são anémonas, eles têm ossinhos e músculos. E se vão ficar ao nosso colo, o melhor é garantirmos que estão bem, que não estão todos tortos e não vão ficar marrecos ou algo pior.  



O único inconveniente desta mochila é o facto de ser tão segura e tão, lá está, ergonómica que se leva um pouco mais de tempo para estar pronta para enfiarmos o miúdo lá dentro, mas compensa depois com o conforto e com a certeza de que ele também está tão confortável quanto nós. 

Ainda estão a ler isto tudo? Pá, estou a dar-me ao trabalho de escrever, é bom que sim, senão não merecem a mochila. Ganham antes uma nêspera e vão à vossa vidinha. 

Um dos outros problemas com que me deparo com os outros porta bebés é que tento fazer as outras coisinhas, mas depois tenho sempre a cabeça da miúda à frente. Neste caso, este modelo do Ergobaby dá para pôr o miúdo em tantas posições que quase parecemos fazer parte do Cirque du Soleil. 

Se forem um bocadinho burras como eu em ler instruções, em perceber coisas práticas, se demoraram até aos 20 anos a saberem atar os sapatos e, mesmo assim, apertam da maneira mais lenta possível, há solução para nós! Os tipos pensaram em tudo e fizeram vídeos para por na net com uma senhora toda elegante (mete um bocadinho de nojo) e bonita a explicar tudo devagarinho (além disso podemos por no pause, o que é excelente!). 

Está aqui o site do bicho e, já agora, está aqui também o modelo que escolhi e que vocês podem ganhar! Não sei se vão ter que levar também com a cor que escolhi, mas olhem, amanhem-se. ;)



Para participar é preciso:
1) Fazer like na página Ergobaby Portugal 
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O vencedor será anunciado no dia 22 de março de 2015, sendo aceites inscrições até às 23h59 do dia anterior.
O vencedor será escolhido aleatoriamente através de random.org.
Só é válida uma participação por endereço de e-mail.



Afinal Havia Outra (#13) - Desculpem lá o desabafo!

Vou entrando assim, no vosso dia, sem pedir licença nem nada, mas preciso de desabafar. As últimas semanas da minha vida têm sido caóticas. As “Joanas que sabem” estão à espera de um texto meu e eu nem sei o que escrever, porque não tenho tempo sequer para pensar.

A minha filha de dois anos teve varicela. Dez dias em casa da avó, pomadas para aqui, mais xaropes para ali, ir buscar uma à avó, a outra à creche, chegar a casa, dar banho com farinha Maizena – sim, ajuda a secar as borbulhas e é ótimo - dar jantar, deitar as miúdas e adormecer toda torta com elas, vestida e tudo e perceber que são quatro da manhã e a televisão lá em baixo ainda está ligada.

A varicela vai-se, vem uma infeção urinária, antibiótico e a miúda lá fica boa e regressa à creche. Eis senão quando aparecem as primeiras borbulhas na mais velha. Deixar uma na creche, outra na avó e por aí em diante - que eu preciso de desabafar mas escuso de estar a repetir-me porque vocês não têm culpa nenhuma. Eu cheia de trabalho, o pai cheio de trabalho e é ver um e o outro a adormecer em qualquer lado – tipo zombies – ao mesmo tempo que a roupa para lavar quase chega ao teto da casa de banho e a loiça nem sempre chega à máquina.

Depois de tudo isto - e livres da varicela - a mais velha fica com gripe, com direito a uma ida para as urgências a meio da noite e tudo. “Devíamos marcar um fim-de-semana em qualquer lado”, diz ele. Mas como, se as avós também estão as duas doentes? (Ainda não vos tinha contado estar parte, pois não?) Pois. E fica assim a possibilidade de ir substituída pela vontade de ir. Parecendo que não, sempre fica o coração mais quentinho por sabermos que ambos queríamos muito ir. Só que não dá.

Para ser sincera, acho que esta canseira toda já vem de muito antes das varicelas. Acho mesmo que a última vez que descansei a sério foi no dia de Natal. De lá para cá foram semanas desenfreadas atrás de semanas desenfreadas. Combinações de almoços com as amigas adiados, baldas a jantares de aniversário, duas peças de teatro que queria muito ter visto e não vi, já para não falar dos filmes que entram e saem do cinema e eu nada! Pela primeira vez na minha vida, não vi um único filme nomeado para os Óscares...  

E, de repente, esta semana lá se arranjou quem ficasse com elas e fomos jantar fora no dia do 16º aniversário de namoro. Vesti uma camisa preta que já não saía do armário há séculos e pus um risquinho nos olhos para “disfarçar”. Quando íamos a sair de casa até julgo ter sentido borboletas na barriga e não sei se era por estar a sair com o namorado ou simplesmente por estar a sair. O que eu sei é que foi tão bom conversar como dantes, com tempo para acabar todas as frases sem interrupções. Recordar os primeiros tempos de namoro – chiça, foi há tanto tempo, caraças! E renovar vontades: “Catarina, temos mesmo de ir os dois de fim-de-semana um dia destes senão caímos para o lado”. E aí, nesse pequeno oásis num deserto de cansaço e de tarefas para cumprir, percebemos que, mesmo cansados e muitas vezes desencontrados dentro de quatro paredes, estamos na mesma. E “na mesma” não é mau, é bom. É muito bom. Acho mesmo que era isto que o Kundera queria dizer quando definiu a felicidade como “o desejo de repetição”.

E pronto, agora que já desabafei, saio de fininho para ver se me lembro de alguma coisa para o texto que tenho de entregar...

Catarina Raminhos, mãe da Maria Rita e da Maria Inês

Pensamentos a evitar numa noite má dormida.

Já são muitas noites a dormir mal.  A Irene desde há imenso tempo que tem acordado de hora e meia em hora e meia. Nem sei se este meu post faz sentido, mas são as coisas que digo a mim própria quando coisas estúpidas me passam pela cabeça. 

Estou cansada e isto é a réstia de boa disposição que tenho para vos dar. Não parece, mas é. 






Pensamentos a evitar depois de uma noite mal dormida (ou um ano, ou dois) :


- vou desmamá-lo todo durante a noite. A próxima vez que acordar para mamar ponho-me CIF na minha mama esquerda ou no biberão.

CIF creme é capaz de criar alguma irritação na sua pele, experimente antes CIF purificador. Além de ser em spray, vem com óleos essenciais que purificam o ar da sua casa. E porquê parar no CIF? É capaz de ser mais eficaz uma lixiviazinha, ainda lhe branqueia o dente que o seu bebé tem e tudo.


- amanhã vou dar-lhe meio litro de Actifed, a ver se não dorme a noite toda.

Meio litro de Actifed sai muito caro. O melhor é mesmo espetar-lhe com uma traulitada na cabeça. 


- será que acorda por fome? Amanhã marcha uma pizza familiar que até anda de lado.

Sim, o melhor é mesmo dilatar-lhe o estômago todo enchendo-lhe  a pança de comida até a sopa lhe tocar na epiglote só para fazer a experiência. Pode ser que até nem chegue a acordar no dia seguinte. É experimentar. 

- como não posso espancar o miúdo, vou discutir com o marido até quase o fazer pegar nas chaves de casa. Depois choro e peço desculpa.

Os maridos servem é para isso. Se pretenderem fazer isto, aceitem um conselho e escondam a chave de casa, depois de trancarem a porta. Ficam vossos reféns até os conseguirem acalmar com promessa de sexo louco. Se possível, convosco.


- odeio a minha vida. hoje vou levar a roupa mais antiga que tenho porque mereço ter mesmo ar de coitadinha e de quem não dormiu.

Toda a gente tem de saber que somos umas coitadinhas. Não há cá base para ninguém. Quanto mais parecermos um tractor, melhor. Temos é de aprender a lidar que toda a gente nos vá perguntar o que temos. Na volta até gostamos disso.

- quando é que isto pára? ser mãe é como estar a recibos, não há horários e não tenho férias?

Claro. Ser mãe é só para ser "um bocadinho mãe". Quando o filho estiver bem disposto e a si lhe apetecer brincar, óptimo. Se lhe der trabalho, é esquecer-se dele no Colombo durante umas horas e ir dar uma volta pelas lojas todas, mesmo a Parfois que agora está muita esquisita e parece nunca ter nada de jeito.


- estou gorda e sou feia

O mais provável é que seja verdade. A única diferença é que hoje se sente cansada e não tem força suficiente para estar a negar isso o dia inteiro no seu inconsciente. 


- o que estou a fazer de mal? Sou mesmo má mãe.

Pois. O seu bebé não dorme durante a noite e a culpa é sua. A não ser que tenha todas as noites 75 pessoas em casa, bêbadas, a atirarem copos para a porta do quarto do bebé, em princípio não será por sua culpa. 


- o da Rita dorme bem desde o segundo minuto de vida

As pessoas que têm bebés que dormem bem gostam muito de falar sobre isso, é saber qual é a matrícula do carro e riscar-lhes a viatura com um brinco. 

3.08.2015

No "dia da mulher" o homem foi ao Spa e a mulher ficou em casa a cuidar da cria.


Fui a primeira vez fazer uma massagem e não sei se foi por ser o dia que hoje se assinala, mas a verdade é que me agraciaram com uma tanga fio dental. Fiquei assim a saber que, aparentemente, é também "dia do homem se sentir mulher". Felizmente, escrevo-vos já em casa, a ver a bola e a afagar ocasionalmente a genitália. Podia ser muito pior não tivesse a massagem sido feita por uma menina em fato de banho com calças de lycra. Equilibrou a cena da tanga e "corta, corta" como na matemática. 


Calma, eu explico. Fui mesmo a um hotel e não a um "hotel". Era na Rua de Santa Marta e não "ao Saldanha", atenção. A profissional estava com esta indumentária porque a massagem consistia num braço repleto de chuveiros que a Vera (sim, aqui elas dizem o nome verdadeiro) fazia passar por cima de mim enquanto fazia a sua arte. Eu sei que mesmo depois desta explicação ainda vai haver quem julgue que fui "ao Saldanha". Eu próprio reli e compreendo, mas a verdade é que não há outra forma de explicar. 



Experimentem, que vale muito a pena. Sítio muito giro, com classe e tratam muito bem as pessoas. Para os maridos, aconselho levarem fato de banho de casa. No entanto, se for para levar uma sunga, a preocupação já terá de ser da mulher, porque uma coisa é por não ter opção, outra é por escolha deliberada. "Ah, dá mais jeito que calções...". Dá? Para quê? Se for para o que estou a pensar é tão fácil baixar quanto desviar. "Ah, assim dá para bronzear tudo.". Dá? Para quê? Para não ser preterido numa sauna, no Chiado? Mulheres, não vão nisto, façam-se vocês homens e acabem com isso.



No "dia da mulher" o homem foi ao Spa e a mulher ficou em casa a cuidar da cria. Calhou ser no "dia da mulher". Tal como calha ser "dia da mulher" todos os dias cá por casa e por isso não o termos assinalado hoje, sequer. 



Igualdade é um dia já não haver "dia da mulher". Não por esquecimento, mas por já não ser necessário. E se for por esquecimento, que seja precisamente por já não ser necessário. E essa altura será quando todos os dias duma família acabem, ao contrário da minha massagem, com um final feliz.

Frederico Pombares
Conhecido por ser o marido da Joana Gama e não por ser
Argumentista de Cinema, Televisão e Teatro.
Não tem nada no IMDB nem nada.
Ver aqui. Sim pus o link porque sou uma cagona. 


Vamos ter esta massagem que os nossos "mais que tudo" foram fazer para vocês darem aos pais das vossas crias. É estarem atentas. ;) À vida no geral, mas principalmente ao blogue.

Há mulheres


Adoro ser mulher. A sensibilidade, o instinto. Adoro ser mãe. A fonte geradora de vida, a dádiva, a entrega. Adoro ser filha. A memória, o cheiro, o eterno obrigada. Adoro ser namorada. Respeitada, amada, surpreendida. Não sinto o preconceito na pele, não me sinto discriminada, mas também sei que a realidade da grande maioria das mulheres não é a minha. Mas se calhar calço poucas vezes os sapatos dessas mulheres. Hoje aproveito a ocasião para fazê-lo. Porque...
Há mulheres que não são nem querem ser mães e são vistas como pessoas egoístas.

Há mulheres que querem ser mães e não conseguem.

Há mulheres que saem de casa às seis e meia da manhã e chegam a casa já à noite, sem terem tempo de serem mães.

Há mulheres que são obrigadas a serem-no, muito antes do tempo.

Há mulheres que vivem caladas, com medo.

Há mulheres que sorriem mas por dentro já morreram.

Há mulheres que amam mulheres e que enfrentam o peso do mundo.

Há mulheres que por serem bonitas, "não têm nada na cabeça".

Há mulheres que por serem gordas, "nunca vão ter ninguém".

Há mulheres que vivem com mulheres a quem não lhes dão o direito de serem mães, já o sendo.

Há mulheres mais velhas que namoram com homens mais novos e que são julgadas, com um simples olhar.

Há mulheres que trabalham muito e não são devidamente recompensadas. 

Há mulheres que já perderam há muito a vontade de sonhar.

Há mulheres a quem exigem tanto que se esquecem de ser mulheres.

Há mulheres que abdicam de si e se anulam, em prol de outros.

 

Para todas estas super mulheres, a minha homenagem. Que a vossa voz seja ouvida. Que todas juntas possamos mudar as vossas vidas.

3.07.2015

Fui uma criança feliz

Tenho tantas e tão boas memórias da minha infância. Dos verões na praia da Cabana do Pescador, de fazer amigas todos os dias, de apanhar boleias nas ondas, dos banhos de mangueira e balde, dos pequenos-almoços no terraço, das manhãs de fim-de-semana passadas na cama dos meus pais, da minha professora São, da natação, da ginástica e de brincar às barbies até tarde, de jogar ao elástico e de ter a perna alta, das cartas de amor com sim, não e talvez, das visitas de estudo, dos cadernos impecáveis e das 5 cores diferentes de canetas, dos livros forrados, da mochila eastpak "à crescida", das minhas biqueiras de aço, quando achava que me davam estilo, de ouvir as cassetes dos onda choc e dos mini-stars, das primeiras paixões em que queria morrer, da primeira vez em que andei de avião e comi lambecas em Porto Santo, da minha melhor amiga Priscila, de brincar na rua até tarde, dos ataques de cócegas do meu pai, das festas de anos incríveis da Telma com luzinhas de discoteca, de implicar com o meu irmão, de ir comprar gomas e pampilhos com as moedas da semanada, dos Onda Choc, de responder às cartas de fãs, de querer ter mamas, de andar de bicicleta na aldeia da minha avó Rosel, das excursões com a minha avó Isabel e com os velhotes todos, dos natais e dos meus primos sempre à batatada, de comer caracóis, de olhar para a minha mãe e de ver nela a mulher mais bonita do mundo, das férias de três meses que se tornavam entediantes, dos meus patins em linha e das quedas aparatosas, de estar na segunda fila e de ir ao quadro, de comprar umas calças à boca de sino azuis de veludo. Fui uma criança feliz e espero que a minha filha também o seja.