quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Cusquem-me a bebé à vontade.

Adoramos ver os bebés dos outros quando passamos por eles nos centros comerciais, não adoramos? Adoramos, pois. 


Eu nunca tinha olhado antes de ser mãe, talvez por, lá está, nunca ter considerado fazer parte deste clube. Agora olho mas, essencialmente, para ver se são mais bonitos que a minha. Somos todas assim, não me lixem. Somos, não somos? 


Comecei a reparar nisso nos primeiros passeios que demos no Alegro de Alfragide. Sempre que passavam velhinhas por nós, comentavam, em voz perfeitamente audível para o piso inteiro, o que tinham achado da criança. Outras, mais atiradiças, até metem conversa a perguntar que idade tem para terem uma desculpa para falarem dos netos. As únicas que não gosto são as que se põem a mexer na miúda. Só não lhes bato porque a idade já está a encarregar-se de lhes proporcionar desconfortos, nomeadamente a nível do tracto urinário.

Reparo que os pais também gostam de olhar para nós quando temos um bebé, mas desconfio que, no meu caso, seja por ter um carrinho super masculino e fora do comum e, então, põem-se a comparar "pilinhas", numa espécie de competição de xunning aplicado à puericultura.

As mães de crianças mais velhas olham porque estão loucas para voltarem a ter um bebé e snifarem-no todo e apalparem-no todo, qual drogadinhas. Ter um bebé é como fumar durante alguns anos. Depois até se pode deixar de fumar, mas o vício está lá sempre. E quando se vê alguém a fumar, aumenta-nos o desejo. 

Tirando a questão da medição peniana masculina, apetece-me sempre meter conversa com todas as mães, mães ao quadrado (avós) e com todas as grávidas. Apetece-me falar de tudo, perguntar tudo e ir tomar um café com todas. Parece que somos todas amigas, mas que não nos falamos. Enerva-me. Tudo o que posso dar é um sorriso.

E é o que me dão também. No outro dia, a passear no Colombo, uma dezena de mães e crianças sorriram para mim e para a Irene, desejaram-nos felicidades, disseram que ela era muito bonita e muito simpática e, graças a Deus, ninguém disse: "Olhe que isso passa muito rápido". Só um pai de uma pré-adolescente num elevador disse algo semelhante: "Depois ficam assim, aproveite". Espero que a compressão da miúda fosse equivalente à de um berbequim. 

Cusquem-me a bebé à vontade, fazemos parte do maior clube do mundo. 







16 comentários:

  1. Respostas
    1. E é para comparar ou...? ;) No meu caso, confesso que, incialmente, é mesmo para ver "que ganha" ;)

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  2. Hmmm, confesso que não adoro. Pelo menos no estágio da gravidez, não acho piada nenhuma a estranhos (num leque alargado que podem ser pessoas com quem nos cruzamos todos os dias mas com quem nunca tivemos uma conversa) virem perguntar-me de quanto tempo estou e se vai ser menino ou menina... São estranhos, tá?!
    Depois do bebé nascer não sei como vai ser, logo se verá!

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    1. Pois, percebo perfeitamente. É estúpido. Parece que estamos sempre a dizer as mesmas coisas e a pessoas que não têm realmente motivos para fazer as perguntas. Parece que ocupa o lugar do tema "tempo" ;) Uma coisa que eu fazia e que até me divertia era (se forem mesmo estranhos), começar a inventar respostas. "Quando nasce?" "Nasce a qualquer altura... é capaz de ser hoje!". Assim ainda te divertes um bocadinho! o pior é se os apanhares na semana seguinte hehe

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    2. Exatamente. De repente parecemos figuras públicas LOL.

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    3. Acho que depende! Achei super amoroso um senhor muito velhinho (ou aparentava ter mais idade) na praia. Fixou-me de alto a baixo. Eu no auge das minhas 36 semanas e num biquini pré grávida (não sei onde eu tinha a cabeça para achar que aquilo me servia perfeitamente...). O dito senhor abeirou-se e perguntou-me delicadamente de quantas semanas estava, em que maternidade estava a ser seguida e ainda me desejou uma horinha pequenina... Fiquei com a sensação que o senhor há-de ter feito nascer muitas crianças... Mas a gentileza com que colocou as questões apanhou-me desprevenida e não me chateou a conversa com ele...
      Já com outras pessoas, eu até fugia, só para não ter de deixar "coçar" a barriga! Que é algo que todos se sentem no direito...
      Já as crianças, sim! Também olho para os meninos dos outros! Mas agora é a Laura quem os vê primeiro e vai lampeira meter-se com todas as crianças que vê! É simpática a miúda e gosta de brincar!!!
      (Ahhhh, e Joana, esqueça lá isso... por muito que os os filhos das outras sejam giros, epahhhh, a minha supera a passos largos!!!!!!!!! :D )

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    4. É o "coçar" a barriga que me incomoda de uma maneira... :( irrita-me mesmo!!!! Como se acaba com isso? Leonor Comenda

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  3. a mim também me apetece falar com as mães todas e perguntar como está a correr e tudo e tudo e tudo... já o fiz, numa ou outra situação (tipo sentar-me no parque ao lado de outra mãe com bebé, em vez de ir para um banco vazio) e meti conversa! :) com a minha filha, que para se rir fora de casa temos de fazer o pino (e mesmo assim mostra só um sorrisinho no cantinho), as velhotas não se safam (só se for uma velhota muito acrobata)...hihihi

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    1. Ahahah :) É giro, não é? Parece que estamos cheias de amigas, mas que não conhecemos de lado nenhum! São praticamente as pessoas com quem temos mais em comum... Olha nós as duas, por exemplo! Estivemos juntas 2 minutos e gosto imenso de ti! :)

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  4. E agora imaginem-se com gémeas. ...

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    1. Ahahahaha!!!! Deve ser uma "chatice". ;) ;) Gostava tanto de ter gémeas.. Como é que se faz? eheh

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  5. Eu revejo-me na "Drogadinha" ihihiihih saudades...........

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  6. Embora não me aconteça muito ficar a olhar para os outros bebés (é porque não posso tirar os olhos dos meus filhotes, sou um bocadito paranóica, principalmente em relação ao mais velho que eu já não posso trazer na segurança do carrinho), confesso que também já olhei para alguns assim em jeito de comparação -- e decidi que a minha é a mais gira, ahahah!
    Compreendo perfeitamente o que dizes, é como se os carrinhos de bebé fossem um iman de olhares, a bebé vira o centro das atenções. Mas faz-me um bocado de confusão (será por ser mãe galinha super orgulhosa dos pintainhos?) que as pessoas com bebés/crianças pequenas em idade de carrinho, façam observações do género "Olha ali a perfeição!" em relação à minha piolha, quando o bebé deles está mesmo ali ao lado... então mas aquela avó (foi uma avó a falar com a mãe do neto) não devia dizer que a perfeição estava no carrinho que ela própria empurrava?? Não é que discorde dela (cof, cof), mas acho que, mesmo que os meus filhos fossem uns camafeus, nunca colocaria a perfeição nos filhos dos outros.
    Adoro ver as velhotas todas babadas pelos bebés, eu um dia também vou ser assim! ;)

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  7. Eu vivo na cidade com mais velhinhos por m2... agora imaginem o que é passear com uma filha maravilhosa de 7 meses quevse ri para tudo o que mexe! Só n acho piada quando lhe dão beijinhos nos pés... e por aqui é prática comum.

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  8. Eu vivo na cidade com mais velhinhos por m2... agora imaginem o que é passear com uma filha maravilhosa de 7 meses quevse ri para tudo o que mexe! Só n acho piada quando lhe dão beijinhos nos pés... e por aqui é prática comum.

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