sábado, 22 de novembro de 2014

11 horas na creche? Como?!

"Vou ter de deixar o meu filho 11 horas na creche. Não tenho outra alternativa." Esta frase deixou-me triste. E pergunto: como? Como é que uma criança aguenta 11 horas seguidas na creche? Como é que os pais sobrevivem sem ver o filho crescer?

"São os tempos de hoje", ouvimos repetidamente. Os avós trabalham, os pais não têm outra alternativa senão trabalhar e fazer horas extraordinárias e por vezes trabalham em dois sítios. Pergunto-me como é que esses pais não andam angustiados? A resposta é retórica: andam angustiados. Devem andar, só pode. Sabem que dão tudo mas que esse tudo é pouco. É o melhor que podem, mais não podem fazer. Não podem.

Fico triste quando vou buscar a minha filha à creche e ela está a chorar, com olheiras, e faz beicinho quando me vê, como que a queixar-se. Um dia, assim que olhou para mim, começou a chorar, em desabafo. Partiu-me o coração. E, no meio destas vidas caóticas, sou uma privilegiada. A Isabel fica lá 6, 7 horas, no máximo. Tenho a sorte de conseguir coordenar-me com o pai dela. 

Um dia ficou lá 9 horas e eu jurei para nunca mais. Em casa, estava triste. Não comeu a sopa, não quis brincar, chorou a tomar banho, odiou-me. Eu odiei-me, é mais isso. Lá veio aquele sentimento de culpa, tão comum nos pais. Uma bebé de 6 meses não está preparada para ser largada 9 horas. Precisa de atenção, precisa dos pais, precisa de descanso. Todas as crianças precisam.

Por isso, pergunto-me: como é que estamos a criar crianças que chegam a casa a dormir e só vêem os pais ao pequeno-almoço? Mas qual é a solução?

E para agravar ainda mais o sentimento de culpa, vêm os pedopsiquiatras e psicoterapeutas dizer que "passar demasiado tempo no jardim-de-infância pode deixar as crianças deprimidas, provocar sentimentos de abandono e baixa auto-estima", neste artigo do DN. Como se os pais não soubessem. Sabem, os pais sabem. Mas não têm alternativa.

10 comentários:

  1. A verdade é que para uma mãe ou um pai trabalhar pelo menos 8 horas por dia, a criança tem que ficar pelo menos 8 horas e meia ou 9 na creche, depende da distância entre o trabalho e a creche! Debato-me com isto todos os dias e sim, é uma angústia constante!

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  2. É verdade Joana. É muito complicado. Eu consigo deixá-la na creche só 5 horas e mesmo assim há dias em que parece que custa a passar! Mas outro dia reparei num placard que tem as informações dos coleguinhas da Carolina e onde tinha a informação dos bebés que têm prolongamento. Um deles tem o prolongamento da manhã e de tarde, ou seja, entra antes das 8h30 e sai depois das 18h30. Fiquei chocada! Triste! Mas mais triste ficava quando trabalhava com crianças e os pais iam deixá-las no ATL e iam para a praia. No final do dia (por vezes mesmo no final, lá para as 19h) iam buscá-los ainda com os pés cheios de areia e de bikini molhado... isso sim, custava-me ver...

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    1. Infelizmente também tenho de deixar o meu na pré o mais tardar às 8H30 e nunca consigo ir buscá-lo antes das 18H30. Sim, são horas a mais... mas com o meu horário de trabalho (o do pai é ainda pior) não há outra forma. Fico triste por ele passar lá tanto tempo, ainda que me pareça feliz da vida quando chego, e às vezes nem quer ir embora.
      Mas Deus me livre que um dia me desse na cabeça para ir para a praia ou passear e deixá-lo lá. Já ouvi muitas histórias dessas. Quando o fizer internem-me logo na ala psiquiátrica!

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    2. Isso assusta-me, Carla, mas acredito que aconteça mais do que imaginamos :(
      Elsa, parece-me que não vai ser preciso o colete de forças!

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  3. É de partir o coração. Eu deixo o Gabriel às 8h, 8h15 e vou buscá-lo depois das 17h.. Passa 9 a 10 horas no colégio. Não dá para estar menos tempo.. Entro às 9 em Lisboa (moro na margem sul) e saio às 4. Ora contando com trânsito e transportes é 1 hora de caminho para lá e outra para cá.. Quando o horário de aleitamento terminar no fim de março.. Nem quero pensar, sair às 6 de Lisboa, chegar às 7 à margem sul e ir buscá-lo a essa hora.. ������ Todos os dias são uma angústia, à espera que o tempo passe para o ir buscar.. É o país que temos.. Para o pai ainda é pior, pois conto pelos dedos os dias em que pode sair a horas. A maior parte das vezes chega a casa e já o Gabriel dorme.. ��

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  4. Eu felizmente vou buscar a minha filha por volta das 16 o mais tardar 17 horas. Ou seja sou das primeiras e vejo os colegas da minha filha preguntarem as educadoras quando vem a mama deles! Deixa-me de coração partido!

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  5. Eu tenho a sorte de poder ficar em casa com os meus filhotes, apenas temos um ordenado para uma casa de 5 mas tenho a certeza que eles são muito mais felizes com o meu tempo e amor do que com o meu dinheiro....

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  6. O meu filho fica no colégio 10h, nunca menos. Mas assumi um compromisso comigo de não deixá-lo lá ficar mais do que isso, e sempre que possível ir buscá-lo mais cedo. Mas infelizmente não tenho outra hipótese...
    Para além do tempo que passo sem ele, parte-me o coração as poucas vezes em que vou buscá-lo e está sozinho sem mais crianças (é inevitável virem-me as lágrimas aos olhos, até ao escrever isto). Não foi para isso que o tive :(

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  7. O meu filho ainda fica com a minha mãe, mas vou deixá-lo às 8 e chego para o buscar depois das 19. Não sei como vou fazer quando deixar de dormir a sesta e tiver de o deitar ainda mais cedo ou como será possível acompanhá-lo quando tiver trabalhos escolares. É chegar com ele a casa as 19.30, dar banho, fazer jantar, dar jantar e pô-lo na cama. É ter um filho para o ver dormir e crescer longe de mim. Não vejo solução, que outro emprego poderei ter q me deixe mais tempo livre... É angustiante.

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  8. concordo a 100000000%. Tanto é que fiz um post muito parecido há uns tempos: http://anamaldivas.blogspot.pt/2014/11/opinando-taxa-de-natalidade.html
    (só agora descobri o seu blogue e identifico-me já plenamente. finalmente mais blogues sobre a maternidade a sério, e não sobra a maternidade pink ou sobre mercadinhos vendinhas e selfies).

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