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terça-feira, 23 de maio de 2017

Deixo-a ir de férias com os avós?

Acho que haverá poucas memórias mais doces do que as de férias com os avós e, ainda por cima, com os primos. 

O momento terá chegado? Este ano era pessoa para deixar a Isabel ir com os sogros e as duas primas (6 e 3 anos) uma semana de férias para a praia, num empreendimento com piscina. Mas nunca sem fazer um bocadinho de overthinking. 

PRÓS
Criar uma relação ainda mais forte com os avós
Criar uma relação ainda mais forte com as primas
Sair da rotina da escola-casa
Ter praia, piscina e muita brincadeira 24 sobre 24 horas

CONTRAS
O máximo que ficou sem nós foram duas noites. Terá saudades? Chorará durante a noite?
Precisará de mim/nós?
Terão os meus sogros forças para "aguentar" as três?
Ou elas em férias portam-se de maneira diferente?
Virá com os dentes cheios de cáries? (Esta foi a brincar, sogrinhos, não se zanguem comigo)

Na verdade, acho que esta lista até foi escusada, acho que já tenho a minha decisão tomada. Temos. Se realmente os sogros se sentirem com força e coragem para levar as três, é porque terão genica e já não estarão propriamente à espera de passar uma semana descansados a ler na toalha da praia. Além disso, irão na mesma altura uns tios do David também com os dois netos, o que ajudará a ter mais uns olhinhos debaixo dos cinco. 

Estava a pensar ir no fim-de-semana anterior para um hotel próximo (reduz o número de dias) e depois deixá-la lá os outros cinco dias. Sendo que queria deixar abertura para ela, caso não queira ficar mais tempo, poder chamar-me (iria buscá-la). Acho sinceramente que não irá acontecer, com tanto forrobodó.

O que fariam vocês? Acham cedo? Adorariam ter a oportunidade e seria uma parvoíce não aproveitar?



Num fim-de-semana em Cabanas de Tavira há dois anos



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quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Como é que vocês fazem com os avós?

Quais são os vossos ritmos familiares?

Dantes, quando a Irene estava em casa com o Frederico, os avós paternos iam lá sempre que lhes apetecesse e depois eu assegurava a ida à casa da minha mãe. Agora, durante a semana, parece que não há tempo para fazer nada de jeito e também não queria ocupar os fins-de-semana todos com avós e todos os fins-de-semana.

Como é que vocês se organizam?

Fui no outro dia dar um saltinho à casa da minha mãe, convidei os meus sogros para irmos ali ao jardim... Isto no Inverno vai ser mais complicadote, digo eu!

Contem, contem!

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Acho que a minha avó Irene falou comigo.

Sempre que falo deste tipo de coisas ao pé dos meus amigos, eles dizem que não estavam nada à espera que eu acreditasse nisto. Nem eu estava à espera. Creio nunca ter precisado de acreditar que havia vida depois da morte, nem que os nossos entes queridos estão a tomar conta de nós ou algo do género. Sei que me custou quando a minha avó Irene morreu porque tinha criado uma imagem muito bonita dela de ser o adulto que mais criança era. A que tinha paciência para brincar comigo e não me "punha a brincar". Tenho imensas memórias dela, de quando era bem pequenina (creio que ela morreu tinha eu menos de 6 anos) e não foi de ninguém me contar. Lembro-me perfeitamente de um livro "mágico" que tínhamos e que escolhíamos daí o que fazer. Uma das coisas eram umas bonecas em papel que dava para desenhar roupas e ir trocando. Lembram-se? Também fizemos biscoitos... Ela deixava-me ir para os baloiços enquanto me ia dando a sopa. Punha um banquinho do lado de fora da janela e, de vez em quando, lá ia eu para mais uma colher enquanto ela ia fazendo as coisas dela na cozinha. Lembro-me também de estar deitada num dos quartos lá da casa da Reboleira, deitada ao lado dela, os carros passarem lá fora e das luzes que ficavam desenhadas no tecto, os quadradinhos que andavam de um lado para o outro. A avó Irene dizia que era cinema. 

Ela era pintora, pintou um quadro que me acompanhou sempre no meu quarto. 

Lembro-me que, depois, quando passava os fins-de-semana em casa do meu pai, que me custava ir para o quarto dela e dormir na cama dela. Não sei se "parvoíces" por ser a cama de alguém que tinha falecido (sou muito sensível a este tipo de coisas, não me dou bem com esse tipo de "energias", nem consigo sentir-me feliz ao pé de imagens religiosas tristes), se por outro motivo qualquer... 

Ensinou-me a pintar com canetas de feltro, de maneira a que não se notassem os risquinhos. Só tenho lembranças maravilhosas dela, da minha avó Barene. 

Sempre falei no meu pensamento com ela quando estava mais aflita - antes de testes ou de receber notas de testes. Ela deu-me um "anjo da guarda" e sempre pensei que se tivesse alguém a olhar-me lá de cima, que seria ela - se é que isso seria verdade, não custava tentar. Afinal precisava de alguém "do outro lado", mas era só por causa dos testes, não conta ;)

Passei a a ver, desde que conheço o Frederico, um programa no TLC que é o Long Medium Island e ela tornou isto das vidas do outro lado muito mais uma realidade para mim. Agora sei que ao sonhar com a minha avó Irene que é verdade e que foi ela a querer falar comigo. 

Aconteceu. 

Na semana passada, sonhei que tentava comunicar com ela e pedia-lhe que ela me desse sinais da sua presença e deu. Arrepiei-me (sinal normalmente atribuído no tal programa a quando as almas "passam por nós") e pedi para que me voltasse a arrepiar (estava um calor enorme) se fosse ela. Arrepiei-me. 

Dei o nome dela à minha filha. Sempre disse que se tivesse uma filha, que se chamaria Irene, desde que ela morreu. A intenção inicial foi para homenagear a minha avó Irene, depois, com o tempo, passei a gostar muito do nome. Hoje lembro-me que sim, foi uma homenagem. Uma homenagem àquela avó que, em 6 anos, foi criança comigo e que tantas saudades me deixa. 

Cuida de nós, avó. 

Acima de tudo, cuida dela. 

Quero ser uma Irene para a minha Irene.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Ela não gosta da bisavó.

Não gosta pouco!

É uma cumplicidade pegada. Um amor lindo de se ver. Acho que a minha avó Rosel ficou mais jovem desde que a Isabel nasceu e esta ligação entre duas pessoas, com tantos anos a separá-las, é das coisas mais bonitas que pode haver. Nem as dores nos ossos a demovem de subir as escadas para ir ao quarto da bisneta buscar os tachos e as panelas para brincarem horas a fio, sem lugar para a sesta!

Esta Páscoa foi boa, mas boa. E principalmente por isto: família. <3









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sábado, 2 de janeiro de 2016

Carta de amor


Carta de agradecimento à mestra da minha vida – a minha neta

Isabelinha, meu amor,

porque para além do meu nome, do meu sangue, és a minha mestra. 

Quero dizer-te que me ensinas muito mais que eu algum dia poderei almejar fazer…

Digo-te, com a fragilidade que estas palavras encerram, que me ensinas todos os dias que a verdade da vida explode nas coisas simples que me dás, gratuita e genuinamente, na força dos teus abraços, na alegria espontânea desse olhar puro que me enche a alma, no som dos teus passinhos quando me corres para o colo, no teu linguajar que diz mais que os “Nóbeis” da literatura universal.

Seria tão mais fácil aos homens, sabes estas pessoas que se dizem adultos, aprenderem contigo que a vida se está a descobrir, assim minuto a minuto, que nada é mais maravilhoso que esse encontro que fazes todos os minutos com ela, nessa entrega ao encantamento da descoberta, no espanto com que as pequenas coisas se agigantam com a tua alegria.  

Meu amor, trazes contigo a energia vital que poderia impedir os medos do mundo, trazes contigo essa suspensão dos receios que inibem o mundo girar em torno do que verdadeiramente interessa, amor, confiança, persistência. Como teríamos todos que reaprender contigo, o que perdemos algures neste crescimento, nesta vida séria de crescidos. Perdemos tanto! Agora que te vejo a cair para conseguires correr, a não desistires de tentar saltar mesmo que seja só um pequeno solavanco para cima, com esse corpinho ainda tão pequenino, ris-te porque ainda não o conquistaste mas sabes que o vais alcançar e persistes, sem dramas.  

Como disse Mia Couto, "a vida é tão simples que ninguém a entende"… só tu Isabelinha!

Obrigada, amor da minha vida!

Avó Béu