4.03.2018

Como dizer que não aos avós?

Muitas de nós tem de lidar com dois pares de avós: os seus pais e os do seu respectivo - que frase mais óbvia, eu sei, mas já explico. Outras famílias, com uma estrutura menos clássica, têm de lidar com 4 pares de avós e, na volta, até 6: os avódrastas e os avôdrastos. É muita gente para gerir, seja em que situação for. 

Nem todos nós temos um alinhamento perfeito com os valores dos pais. Alguns continuam a mesma linha de "pensamento", outros preferem quebrá-la, construindo a sua identidade naquilo que parece ser o oposto do seu "berço".  E, para além disto, ainda há também a cerimónia que se quer fazer com os sogros. Não queremos fazer com que se sintam isto ou aquilo, mas primeiro está a nossa criança e o que queremos para ela. 

Vivemos numa época - digo eu a atirar para o ar porque, como estou incluída, pouca noção tenho da pressão ser maior ou menor do que noutros tempos - em que ligamos a muuuuuuiita coisa. Em que prezamos muito a criança como pessoa, as suas vontades, desejos, sonhos e representações psíquicas (palavrão, eu sei, mas o que eu quero dizer é que, por exemplo, apesar do bonequinho com que dormem para nós ser só um boneco que parece um trapo, para eles é uma segurança brutal e conseguimos respeitar isso noutras situações menos óbvias). Mas isso é agora. Os nossos pais terão tido pouco disso, provavelmente.

E estando nós cada vez mais conscientes da nossa pegada (ecológica/digital...) parental, é normal que a pressão suba e que a nossa atenção também. 

Há um gap muito grande entre a nossa geração e a geração anterior no que toca a isto da parentalidade.

E é difícil ser a "chata" da família, a quem toda a gente revira os olhos ou que bufa, a que faz reparos e recomendações por ter crenças e valores que gostaria que fossem seguidos pelos outros.

Sei que os avós não fazem por mal. Era o que faltava. Sei que todos os avós amam os seus netos (gosto de pensar que sim) e que fazem tudo sem mal, mas as crianças têm que estar acima deles nisto de quererem ser gostados. 



Dizer que não é também uma forma de amor. É intimidade. E se alguém da família não se sente à vontade para dizer que não à criança é porque precisa de mais tempo com ela, para ganhar espaço. 

De resto, é porreiro respeitar os pais. Independentemente de se concordar ou não, além de não ser simpático contradizer o que a mãe ou o pai dizem, também a criança poderá não saber onde se movimentar. 

Não sou psicóloga - já quis ser - acho que a diferença é muito útil para a criança saber mover-se, para adquirir conhecimento, mas quando são pequeninos, os pais precisam de ser respeitados até para sentirem confiança em deixar os bebés com os avós. 

O que para uma avó "é uma papa com açúcar, comeste muitas e não morreste", para a mãe pode ser "não posso confiar em ti para ficares com o miúdo, vais decidir sempre tu tudo". 

Isto leva-me a: como dizer que não aos avós? Custa mais dizer que não a um neto ou dizer que não a um avô? Não acredito que gostemos de fazer reparos, acho que preferiamos não ter que os fazer. Uns evitamos, outros não conseguimos, mas acho que um dos nossos maiores sonhos era sentir que (atenção à frase de trampa à Gustavo Santos - ele deixou o Facebook??)... 


nós somos as capitãs do barco que é a vida do nosso filho pequenino e que a família é a tripulação,  remando todos para o mesmo lado. 

Isto porque hoje passámos o dia em casa da minha mãe e foi fabuloso (acabamos por ficar umas 5 horas a mais do que tinha planeado e até adormecemos lá), mas dei por mim a pensar que também deve custar aos avós sentirem que nada do que fazem é de jeito e que estão sempre a ser julgados. E que, por não estarem a fazer bem agora, significa que se acha que o que fizeram antes não estava bem feito... 

Ui, eu poderei vir ser uma avó difícil de gerir, das opinativas, das metediças, das que contraria, mas darei o meu melhor para criar uma Irene em quem confie para criar os meus netos. E, acima de tudo, darei o meu melhor para que ela confie em mim. 

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40 comentários:

  1. Para mim a casa dos meus avós sempre foi o sítio do mimo e do “sim” quase sempre. Acho bom preservar isso e, com isto, deixa-los estar à vontade e dar as tais coisas menos saudáveis quando lhes apetece dar. Beijinhos

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  2. O tema avós dá pano para mangas. Identifico-me com o teu texto. No meu caso não confio na minha mãe e sinto-me mal por isso. Mas confio na minha sogra. Na minha família sou sempre vista como paranoica com os miúdos (1 e 3 anos), na família do meu marido ninguém me critica e até me apoiam.

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    1. estou consigo, identifiquei-me com o texto, e infelizmente não confio em ninguém para ficar com ela, faço das "tripas coração" para ser sempre eu ou o pai a ficar com ela, a minha mãe não respeita nada do que faço e por vezes até condena, a minha sogra tem pouca mobilidade, o que iria fazer com que a minha pulguita passasse muito tempo à frente da televisao, o que não é bom!!!

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  3. Sem duvida que tem razão.a avó da minha filha diz que eu sempre comi sopa com sal e estou cá.

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  4. Infelizmente este tema às vezes pode levar a um afastamento, quando sentimos que as pessoas não querem mesmo respeitar, independentemente das vezes que chamamos atenção para algo. Eu estou a chegar ao meu limite, e admito, que já perdi o respeito, a minha sogra, não importa quantas vezes lhe diga, fuma ao pé da minha filha, mesmo quando era bebe, não lava as mãos antes de lhe tocar e se for preciso ainda lhe coloca açúcar num copo de agua, depois de volta a casa ela estranha a agua claro! é de mais mesmo, e a minha sogra leva-me à loucura, depois diz que sou eu que exagero, pressão psicológica não falta, ainda amua quando falo com mais agressividade, pudera, ela não quer saber.. e é relativamente nova, 65 anos, formação superior.. enfim, não há desculpas... Quando se trata da saúde dos nossos filhos há que respeitar e ponto final.

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    1. Wow!!! Isso é mesmo não querer saber da sua opinião! E o filho (marido) como reage a isso, já agora? No início tive um pouco essa dinâmica, mas acho que consegui fazê-lo ver que as mães não têm sempre razão e que não deve meter-se na nossa vida, para não nos metermos na dela.

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    2. O meu marido também está sempre a chamar atenção a mãe, mas ela simplesmente não quer saber, ela é que sabe e tem sempre razão... tem essa postura em tudo.. ainda "goza connosco"... eu fiquei em casa com a minha filha 1 ano quando nasceu, ela ainda hoje diz:" eu com 8 dias fui logo trabalhar!" ainda se acha uma grande mãe porque tem muito dinheiro e compra o filho! Mas os primeiros anos do meu marido foram vividos com os avós para ela se dedicar à carreira...enfim.. cada dia que passo com ela a minha paciência vai se esgotando, enfim, sogras :)

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  5. Ui tema delicado. Os meus pais e do meu marido são divorciados e todos têm os seus respectivos companheiros...estão a imaginar a logística em aniversários e natais?? É tão bom! (#ironia) Acho que a minha sogra tem mais jeito para a miúda do que a minha mãe. A minha mãe é paranóica, vê doenças e perigos em tudo, não deixa a miúda andar porque tem medo que ela caia, está sempre com ela ao colo (importa referir que ela já passou a fase dos primeiros passos e já anda bem), diz imensos disparates acerca da segurança da miúda do tipo "tens de arranjar uma cama de grades com grades mais altas (o berço dela é um berço banal com grades de altura normalíssima também) para ela não cair"...eerrr uma jaula?

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  6. Realmente é um tema que dá pano para mangas. Eu sei que sou, e a minha filha também, sortuda por ter 4 avós que adoram a neta. São avós que fazem questão de estar muito presentes na vida dela. Mas, de fato, existem situações em que os nossos valores e os valores dos avós não coincidem. No início andei com esse dilema, de saber como gerir, falar, não falar. E cheguei a esse ponto de que falas Joana: a minha filha acima de tudo. Se tiver que falar falo. Mas também tentamos escolher as nossas batalhas, por assim dizer. Não vamos conseguir controlar tudo, os avós farão muitas vezes coisas com as quais não concordamos. Algumas coisas deixaremos passar. Outras não. E definimos que, em situação de divergência e de necessidade de falar: eu falo com os meus pais e o meu marido fala com os dele. Tem funcionado bem :)

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  7. Pais educam , avós "estragam" sempre foi assim

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  8. Pais educam avós "estragam" no bom sentido claro

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  9. Concordo em absoluto. Sou zero fundamentalista, acho é que há dias de festa e dias normais, nos dias de festa pode comer toda a porcaria, mas para isso convém que nos dias normais coma 'normalmente' por regra, para poder quebrar a regra de vez em quando (e acaba por ter festas/eventos 1x por semana pelo menos, por isso...). Um dos avós está sempre a dar doces, bolachas, chocolates, e eu já pedi N vezes para não dar por sistema, para não dar todas as vezes, mas cai em saco roto. "Ah ele pede". OK, e dizer que não? É mesmo dificil, porque até já chegou a fazer às escondidas, e sim claro que isso poe em causa a minha confiança ao deixar o meu filho com alguém que me esconde coisas!
    PS - Ao ler, achei que o texto era da JPB!! (não é elogio nem critica, só tinha menos piadas que o habitual num texto da JG)

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    1. Texto com referência a Gustavo Santos é da Joana Gama.

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    2. Quando as pedinchices em casa dos avós começam eu digo logo: "então vamos embora" é que se não perceberem a indirecta, para a próxima faço um desenho.

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    3. Anonimo das 11.30, o problema é que este avô vai buscar a criança 3x por semana à escola e vai para minha casa... Eu não estou lá para ver (e não devia precisar de estar!).

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  10. Por este lado anda muito complicado. Fui mãe a 6 meses e os sogros não me respeitam enquanto mãe, simplesmente fazem o que querem por mais que eu diga o contrario, estão sempre a questionar tudo o que peço. Nem quero imaginar o que por ai vem. Os meus pais têm respeitado mais mas também para mim é mais fácil conversar com eles. Não sei como lidar com isto pois também não queria estar a criar mau ambiente.
    Beijinhos

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  11. Olá Joana

    Não sei até que ponto é uma questão de confiança como a apresentas. Podes criar uma Irene que confie em ti mas quando ela um dia tiver filhos, talvez todas as directrizes sejam bastante diferentes das que existem agora. E vê-la-ás a fazer as coisas de forma diferente e dirás que no teu tempo se faziam de outra maneira. As nossas avós fizeram a mesma coisa com as nossas mães (e as minhas avós ainda o fazem comigo no que toca à minha filha).
    Acho que é segredo está é nas avós terem a mente aberta a isto e aceitarem que as coisas mudam, para além de elas mesmas confiarem que os filhos sabem tomar conta dos netos.

    A minha mãe não concorda com tudo o que digo ou indico ser melhor para a minha filha, mas não a pondo eu em risco de vida, sei que posso estar descansada porque ela cumpre o que lhe peço. Não é o tipo de avó que faz coisas às escondidas dos pais e isso faz aumentar a confiança.
    A minha sogra é o oposto. Chegou a dizer-nos que já criou mais filhos do que nós por isso sabe mais do que nós. Leva a peito qualquer indicação que lhe seja dada (nem que seja para não dar certos alimentos pois ela faz alergia...) e insiste que é uma tortura pôr os bebés e crianças em ovos e cadeiras para andar de carro. Como se confia assim? Demorámos a deixar a nossa filha com ela, nunca dormiu com a avó mesmo tendo esta um quarto preparado para tal desde que a neta nasceu, nunca a deixámos levá-la de carro seja para onde for...

    Acho também que há pais que olham para os avós como "segundos pais" em cujas casas as regras devem ser todas iguais às regras da nossa casa. E criam-se conflitos por pequenas coisas, a que nem faria assim tanto mal fechar ocasionalmente os olhos.
    Pessoalmente, acho que se deve dar alguma liberdade aos avós para que sejam avós e não pais, mas assegurando que as 3 ou 4 regras que queremos ver seguidas, o são mesmo.

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    1. Acho que uma maneira boa de vermos como vamos ser como avós é a maneira com que lidamos com os outros bebés/pais da família, ou mesmo de amigos chegados. Sou daquelas de dar opinião sobre tudo e mais alguma coisa? não...

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  12. A mim não é nada difícil dizer que não aos avós. Principalmente no que diz respeito a doces a mais (claro que se consentem sempre alguns) e a regras e limites. Já discuti com a minha sogra várias vezes e não me arrependo nada.
    Quando uma criança bate em alguém e a avó finge que não foi nada e não nos deixa repreender a criança para ela não chorar ou não ficar triste saltam-se logo todas as luzes vermelhas de alarme. Amar também é colocar limites, é criar seres humanos capazes de lidar com frustrações e seres humanos capazes de se respeitarem e de respeitar os outros.
    Assim, uma das coisas que mais me incomodam é quando me querem impedir de chamar a atenção das minhas filhas depois delas fazerem algo de errado. Não duvido nunca do amor dos avós pelos filhos mas a deseducação e a desautorização dos pais é algo que me deixa fora de mim e não consigo compreender. Eu nunca bati nas minhas filhas e tento ao máximo não gritar mas imponho os limites de forma bastante assertiva e, no geral, elas são bem educadas, carinhosas e obedientes sem terem o mínimo de medo dos pais. Mas conhecem os limites que são poucos: não magoarem ninguém, não se magoarem a elas próprias e, de preferência não destruírem coisas propositadamente.
    Não consigo perceber que utilidade é que os avós podem ver em nunca chamar a atenção de um neto, faça ele o que fizer. A criança manda com um objeto duro à cabeça de alguém e ninguém diz nada para não chatear a criança. Sério?!!!
    Desculpa o testamento mas esta é mesmo daquelas situações que me deixam completamente frustrada e em que sinto que os avós, mesmo sem querer estão a lesar a criança.

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  13. Não me importo que que vejam a casa dos avós / estar com os avós como uma área de transgressão. Lembro-me de eu própria sentir isso e tenho as melhores recordações. Não vou permitir obviamente desvios de educação que considero fundamentais, mas por mais que controle o açúcar sei que o meu filho sabe que as avós têm sempre um ovo kinder escondido na mala para lhe dar e eu deixo-os jogar o jogo “esconder da mamã”. Não me importo e acho até importante que ele saiba que pais, avós, tios,... têm papéis diferentes na vida dele e só espero que construa tão boas memórias como eu construí das minhas vivências com a família alargada.

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    1. Só a título de exemplo (e depois de ler os outros comentários) não aceitaria coisas tipo andarem com o miúdo na carro sem cadeira! Mas nesse tipo de coisas estes avós foram os primeiros a tentar perceber como funcionaram e todos compraram cadeiras para o carro. Agora as transgressões básicas, honestamente finjo que me chateio para não dar muita confiança mas no meu íntimo lembro-me bem do quando gostava daquele “meu mundo” com a minha avó e quero que ele sinta o mesmo. Outro dia dei com o meu filho a dizer uma mentirinha inocente enquanto piscava o olho ao meu pai... eu fingi acreditar e deixá-los levar a melhor porque sei que ele se vai lembrar dessas coisas pra sempre.

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  14. Ui, a minha mãe respeita-me imenso e sei que não faz nada com q eu não concorde nas minhas costas, liga-me até se a minha filha pedir uma goma para perguntar se pode dar. Com a sogra é mais difícil. Exemplo: aa miúda desde sempre adora chá. Eu e o pai não pomos açúcar em nada pelo q ela sempre o bebeu simples. Em casa da minha mãe todos põem açúcar, e tendo visto a minha miúda a beber chá açucarado, avisei q ela bebia simples normalmente e pedi para ela não voltar a adoçar. E assim foi. Tranquilo. A minha sogra põe mel no dela, e fazia-lhe confusão a menina beber simples. Avisei 1,2,3 vezes q não era para adoçar, ignorou-me completamente. Resultado: a miuda hoje em dia só bebe chá doce. Com o leite (é melhor dizer bebida vegetal para ng se ofender😅) igual. Bebe bem simples, n é preciso chocolate. Ignorou. "ah mas ela pede e ja se habituou" - ent ok, se ela estiver a ver põe-se uma quantidade minima, se n estiver a ver n se põe e diz-se q tem chocolate. Acham q quis saber? Continua a achocolatar sempre. Um dia, de ferias na terra dela, avisei-a q n queria q a miúda comesse gelado e fui beber café. Quando voltei "ja lhe dei o geladinho"... Ouviu das boas nesse dia em frente à família e ficou super ofendida. Temos pena. Desautorizarem-me nao é aceitável. Quero lá saber dos politicamente correctos. Uma coisa é fecharmos os olhos se eles estão com os avós poucas vezes, mas se os avós estao c os netos 5 dias por semana, como é o caso dela, não dá para fechar os olhos, já q participam activamente no dia a dia e educação dos netos. É lixado, para não dizer pior.

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    1. É realmente diferente de quando falamos de avós de "vez em quando" e de avós que são "cuidadores". Os avós de fins-de-semana e férias podem ter mais liberdade porque as transgressões são efectivamente só de vez em quando. Os avós "cuidadores" ganham com o tempo que passam com os netos mas não podem dar-se ao mesmo luxos de "serem apenas avós" porque as transgressões não podem ser diárias nem a norma. Mas nem todos percebem isto. :)

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    2. Descrito na perfeição, Teté. Já o pus nesses termos à sogra mas não serviu de nada.

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  15. As melhores recordações que tenho da minha infância são passadas com os meus avós. Na casa dos meus avós (só de me lembrar disto, caem-me lágrimas, e não estou a exagerar. Lágrimas de memórias, de sorrisos, de saudades. Que saudades, que saudades de tudo).
    Os meus avós sempre impuseram os seus limites: não havia transgressões à educação que era dada em casa (muitas vezes até me educaram melhor do que os meus pais, não tenho qualquer dúvida), não havia ultrapassagem de limites. Mas.... Havia salada de frutas com açúcar às escondidas do pai (sabor que só experimentava lá e que, portanto, era a tal exceção maravilhosa), havia uma tablete de chocolate escondida dentro da mala da minha avó, havia 2 gelados por dia às vezes nas férias de verão... E que mal é que isto tem? É tão bom, é tão saudável, espero que com os meus filhos seja tal e qual assim.

    Teresa

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    1. Eu penso que o mal está quando os avós estão todos os dias com os netos, por exemplo, e essas excepções passam a ser todos os dias. Está a imaginar-se a deixar os seus filhos comerem 2 gelados por dia, todos os dias? :) Ou mesmo que estejam todos os fins-de-semana: imagina-se a ver os seus filhos passarem 2 dias da semana a comerem açúcar de manhã à noite, gelados, tabletes de chocolate, salada de frutas, gomas...?
      O bom das excepções é quando são excepções.
      Para além do mais, há excepções que podem ser perigosas. Tive uma prima alérgica ao chocolate, com direito a idas ao hospital e tudo. Foi preciso chatear muito os avós para que não lhe dessem chocolates.
      E por fim, eu também tenho todas essas memórias dos meus avós e quero que a minha filha também tenha. Mas será que para isso tenho de deixar que a avó dê logo chocolate à neta quando ela tem 5 meses com a desculpa que "os pais educam, os avós estragam e ela terá memórias boas com a avó"? :)

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  16. Isto dos avós tem muito que se lhe diga....por causa do 'nao' eu sou sempre a má da fita, sou a 'obcecada' que não deixa fazer nada e o meu marido, por sua vez, não ajuda nada...conclusão, temos uma criança quase a completar 1ano e meio, uma sogra que me odeia e um divórcio em vista!

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    1. Cara Anonima, não conheço a sua história particular e não quero julgar. Mas sei que há 3 temas MUITO DIFICEIS quando se constitui familia: 1) dinheiro 2) a familia alargada e 3) a individualidade de cada um dos membros do casal
      São dificuldades pelas quais todos os casais passam, uns mais outros menos, e que devem por isso ser bem faladas e resolvidas. Parece-me que está a deixar este problema (real, claro) interferir na sua relação... Se for "só" isso a causa de tensões entre o casal, considerem pedir ajuda para se perceberem... Há dois lados, há toda uma vida para trás, e e essa avó vai continuar sempre na sua vida (e do seu filho!), mesmo com um divórcio! E aí será ainda pior... Resumindo: consultem um terapeuta antes que seja tarde de mais...e mesmo que o divórcio chegue, deviam fazê-lo pois vao precisar de trabalhar em conjunto enquanto pais na relação com essa avó e noutros temas relacionados com os filhos...

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  17. Que gente tão complicada... Se dessem importância ao que realmente importa é que faziam bem. Não arranjem problemas onde não existem. Imaginem que estavam na Síria ou no Iraque ou a fugir desses sítios, sem comida e sem casa para os vossos filhos. Isso é que são problemas. Agora se os avós são assim ou assado, se dão mais um chocolate ou um rebuçado, sinceramente é tempo perdido.

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    1. Felizmente não estamos na Síria nem a passar fome. Mas o facto de estarmos num país sem guerra e termos o que comer não nos tira a responsabilidade de criar seres humanos saudáveis e educados. Eu não quero a minha filha obesa ou com diabetes, sem saber como comer saudavelmente, não quero a minha filha incapaz de sentir empatia e a achar que o mundo lhe faz as vontades, eu não quero a minha filha morta porque a avó acha que não precisa de cinto quando anda de carro...Para mim não é tempo perdido. É ser mãe.

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  18. Ora com isto "os pais precisam de ser respeitados até para sentirem confiança em deixar os bebés com os avós" a joana disse tudo, é tal qual. E quantas vezes sentimos isso na pele? O que dantes era bom, hoje tb tem de ser? por que carga de água? Porque antes fazia-se assim agora tb tem de ser? tenham paciência, para não levarem com rebolar de olhos. Até porque podemos não responder, mas há coisas que transparecem na nossa cara. Deêm-nos espaço, tempo para errar, voltar a tentar e acertar. Não são o supra sumo da sabedoria, os avós. E disso tenho a certeza, não vou ser uma avó dessas...

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  19. Posso-lhe dizer que nunca tive refrigerantes em casa nem outros tipos de doces. Porém, casa vez que ficava na minha avó- ou seja, todos os dias de escola- ela trazia-me ou um pacote de batatas fritas ou um ovo kinder do café. Todos os dias. Se é mau? Sim, péssimo. Graças aos santinhos não tenho diabetes nem outras doenças, muito menos excesso de peso. Isto não quer dizer que a minha avó procedia corretamente mas que eu via a minha estadia lá como um espaço de transgressão e a minha mãe nunca se chateou muito com isso. Era o que era. Acho que tem que se descomplicar estaa coisas das comidas e dos doces até porque os miúdos chegam ali aos 10 anos, vão ao bar da escola e comem as porcarias que quiserem.

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  20. O que me parece "mal" no texto é a necessidade de estar sempre presente e intervir na relação entre avós e netos. Das melhores lembranças que tenho na vida são dias passados com os meus avós em que só havia amor e tempo. Porque os avós são para isso mesmo, para aproveitar, para mostrar coisas que os pais não têm tempo e para viver enquanto possível. Desde que não se esteja a falar de por em risco a segurança física dos netos (tipo não usar cadeira no carro) não vejo porque se tem de intervir em tudo e serem os pais a gerir uma relação que não lhes é própria. Até porque os miúdos percebem muito bem que as coisas são diferentes em casa dos pais e em casa dos avós...

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  21. Anónimo das 12:28 na minha infância foi igual mas a diferença é que quase não tenho um dente na boca sem estar tratado, inclusive com implantes e coroas, desenvolvi diabetes na gravidez e intolerância à glicose depois, e sou completamente viciada em açúcar.
    Há pessoas que comem muito açúcar e têm sorte (e ainda bem) e há outras que vão sim ter problemas. Se puder evitar isso nos meus filhos evito com certeza.
    As minhas filhas podem comer doces de vez em quando sim mas não por sistema, não todos os dias de semana e eu também quero dar-lhes esse mimo o que não pode acontecer se fechar os olhos ao que os avós lhes querem dar.
    Sou totalmente a favor da convivência com os avós, completamente mas também cabe aos avós fazer por conviver mais e melhor com os netos, respeitando minimamente a vontade dos pais. Se não o fazem, infelizmente, vêm os netos menos vezes. Não terá que ser a educação alimentar (e a saúde) das crianças a ser colocada em causa por teimosia dos avós. Não faz mal dar um chocolate de vez em quando, mas faz com certeza habituá-los a refrigerante, chocolates e batatas fritas todos os dias. Chegam a adultos e estão habituados a comer apenas porcaria. Podem vir a ter problemas de saúde ou não. Eu não pago para ver. Com a saúde dos meus filhos não.

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  22. Oh, por favor... Já agora é como dizer (como eu já ouvi a empresário angolano, por exemplo) que em Portugal não fazem sentido nem se justificam tantas greves (professores, médicos, transportes etc) pois se até temos um sistema de ensino e até temos um bom SNS! Soubéssemos nós o que é estar doente ou precisar de algo num país como Angola !! ...

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    1. Isto era uma resposta ao anónimo lá de cima das 09:19

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  23. Infelizmente os Avós têm muito má fama e muitas vezes querem-se transformar os avós em empregados dos pais, sem qualquer poder de decisão ou vontade própria, o que me deixa realmente triste! Sim hoje em dia temos mais informação sobre nutrição, educação, parentalidade positiva, mas depois só experenciamos isso num nucleo restrito de mae-pai-filho e a empatia termina aí,os avós não são considerados família e uma parte importante na vida de um neto. Excluindo obviamente algumas excepções, devemos permitir que a relação entre os nossos filhos e os avós cresça naturalmente e não sufocar a sufocar com as nossas exigências e com o que achamos ser correto. O Amor dos avós pelos netos não é um "amor de segunda", e é das relações mais bonitas que os nossos filhos irão ter! Deixem os avós ser avós e os nossos filhos netos :)

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  24. É uma questao que ira sempre dar "pano para mangas"! Eu que me encontro aqui enquanto mãe saturada de uma sogra que nao partilha dos mesmos valores que eu e tenta mimar o meu pequeno de 17m fazendo lhe todas as vontades porque "o bebé dela não pode chorar", avó esta que invade o espaco do nucleo familiar constantemente (mais do que uma vez ao dia e liga para o pai da criança, meu marido mais de 3x por dia) e que já ouviu ralhete por meter chave à porta e entrar na minha casa, sinal claro de alarme para mim, sinal que não e de confiança... Acredito que a relação netos avos é uma das coisas mais bonitas que podem existir, mas, tudo tem os seus limites do minimamente aceitável... E quando isso não existe, nao pode haver confianca, ate porque mimar, amar é também impor limites, ponto final... Eu sempre tive um pacote de sugos escondidos na gaveta do telefone na casa da minha avó, mas nunca lhes faltei ao respeito ou brinquei com frascos de vidro e nao deixei de ouvir um "não" nos momentos certos. Com o meu filho isso acontece, e sinceramente sao traços claros de negligência, porque é exporem a criança ao perigo sem noção do que estao a fazer. O meu pequeno de 17m chega a brincar com frascos de especiarias de vidro na casa da avó, tendo já atirado alguns ao chão e partido e o pior eu tive de intervir porque ainda se riram. Nao respeitam as instruções k dou relativamente à alimentação, e a minha sogra diabética, sogro com AVCs e embolias, tem sempre doces em casa, chocolates de todos os tipos, bolachas, que oferecem ao pequeno mesmo k ele não peca!! Antigamente eu tinha direito a um pacote de sugos de 15 em 15dias, hoje o meu filho ve a avo TDS os dias PTT com 17m se vir a avó tds os dias sao várias bolachas e chocolates por dia TDS os dias... Obviamente não consigo nao intervir ao presenciar isto...
    Está manhã fez me uma birra descomunal porque eu lhe tirei a caixa dos comprimidos do avô das maos e a sra avo nao tirou PK não queria que ele chorasse... Negligentes!!

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  25. Eu tenho 2 meninas com 20 meses. E a minha mãe já sabe, qd lá vou a casa dela com as bebés eu desligo! Ela faz o que quer, é como se eu entrasse em "modo férias" ehehe. Mas ela é minimamente sensata e responsável claro.
    Bruna

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