segunda-feira, 4 de junho de 2018

Não a castigo.

Não é um post que sirva para discutir a pertinência dos castigos ou não. Eu não sou a favor. Eu sou contra. Não condiz com a minha personalidade nem com a forma como quero educar a Irene. Um dia poderei ir buscar esta sardinha para lhe puxar a brasa, mas não me apetece agora, nem a vocês - já há demasiado nhanhanha na internet, já chega (por agora, hehe). Deixemos a Supé Néni no cantinho onde ficou arrumada. Que descanse em paz. Durante o tempo da idade dela ou até apitar o timer. 

Quando não tenho capacidade para lidar com ela ou com a birra do momento (não somos robots, caramba!) aplico a consequência real: "Irene, caso não laves os dentes agora, não vou conseguir ler-te as histórias porque fica tarde e, amanhã, acordas cansada e sem energia". 

Não sei se será a melhor estratégia. Tem sido. Gosto desta. Combina connosco. Tem resultado. 

Neste fim-de-semana, fomos passar um dia a um hotel para experimentar uma coisa da qual vos falo depois. Expliquei-lhe que era só um dia, uma noite e ela ficou mesmo muito triste. Queria que fosse muito mais tempo.

Menti-lhe, para facilitar, dizendo-lhe que o hotel ia para obras e, por isso, só dava mesmo para ficar lá no sábado. Ela aceitou. Passados uns segundos, perguntou-me: 

- Mãe, é mesmo por causa das obras que só ficamos por lá um dia?

- Claro, Irene. Haveria de ser pelo quê?

- Não é por eu fazer birras que não vamos mais tempo?

- Não, filha. É normal fazeres birras. Até eu faço birras de vez em quando. Não é por isso que só vamos um dia. 

Ainda aproveitei para lhe dar um abraço e dizer que a adoro e que gosto muito dela, chore, esperneie, faça birras ou não. 



"Giro" que a primeira coisa que nós fazemos, quando algo não corre como desejamos é pensar no que fizemos de "mal", não é? Acho que a reflexão é importante, mas agora em adultos é necessário não ficarmos por esse primeiro pensamento, até porque não somos "o centro do mundo". 

No caso da Irene, mesmo estando eu a trabalhar para que ela não se ache "má menina" por fazer birras ou que fazer birras é ser mal comportada, etc, esse é o primeiro reflexo: 

"O que é que eu fiz?"

Em quantas coisas na nossa vida, tanto por reflexo da nossa natureza, como por termos adquirido pela maneira como fomos educados achamos que o que corre mal é "por nossa culpa" ou porque "não merecemos"?

Eu, simplesmente, só fui uma noite para o hotel. Não tinha nada que ver com ela. 

Ainda bem que ela pergunta. :)

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18 comentários:

  1. É engraçado porque faço exactamente o mesmo com as minhas pequenas :) Hoje há demasiadas teorias, psicologias, filosofias, técnicas, etc etc. Acho que não há nada melhor que o instinto maternal e a psicologia maternal :) Ao fim e ao cabo, as birras passam não tarda nada, são apenas fases normais do desenvolvimento de qualquer criança. É a forma deles testarem o Mundo à volta deles :)

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    1. Mesmo quando não testam nada. :) eles não tem que ter a nossa gestão emocional! Exigimos muiiitooo!!

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  2. Não lhe minta... é importante ela crescer a acreditar nela e a confiar em sim... era só uma noite porque não dava jeito ficatem mais 😉

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    1. Ah tentei essa primeiro. Deu em choro e estava com pressa e atirei esta para facilitar 😆

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    2. Joana, o teu texto sugere uma mentira pensada e a resposta acima sugere uma resposta rápida e pouco pensada e isso muda tudo. Quem nunca disse: a loja está fechada ou a avó hoje não está em casa, mentindo descaradamente à criança. Joana, acho que às vezes tentas recriar um tema que não é bem tema....

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  3. E ainda bem que a Irene pergunta "o que fez de mal": a tua filha está a crescer para ser uma menina decente e feliz, tal como te diz o teu instinto... Obrigada por estes pedaços do teu coração, Joana ❤️

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  4. Porquê mentir por uma razão tão estranha? Não percebo. E a filha deve ter sentido que lhe estava a mentir, no fundo... Que tal começar a explicar-lhe algumas coisas? Não ficamos porque a mãe tem outros planos para o fim-de-semana. Não ficamos porque é caro e precisamos do dinheiro para comprar comida. É caro porque... explicar-lhe a razão numa linguagem apropriada às crianças. Juro que não percebo por que não o fez.

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    1. Expliquei primeiro. Nao lidou bem, não estava com paciência e estava com pressa. Acontece :)

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    2. Oh por favor..a criança tem 4 anos...às vezes não é fácil compreender as razões do adulto. Devemos sempre tentar, mas se não resultar. acho perfeitamente normal tentar uma outra solução/explicação que na cabecinha dela faz sentido :) Faço o mesmo com a minha da mesma idade!

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  5. Joana, aqui estou em desacordo. Mentir e não por de castigo? Na minha opinião continuo a achar que há um protecionismo desmesurado. Nisto de sermos pais, na minha opinião é preciso experimentar a dureza da realidade .isso é que estrutura as crianças. Se é bom gritar ou por de castigo? Não é de todo, mas os pais não são infalíveis, inquebráveis, acontece-lhes serem injustos para as crianças. Mas muitas vezes isso aproxima-os, torna-os mais fortes.
    Joana, não penses tanto em não magoar a Irene. Para quê arranjar desculpas para uma coisa que é natural. E dizeres que se ela não se despacha não vão ler um livro, isso é um castigo

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    1. Como disse, não tenho mesmo agora muita disponibilidade mental para esta questão :) Mas podemos sempre falar por e-mail e, depois, quando eu conseguir estar "à altura" responder-lhe-ei com calma. Posso dizer-lhe, porém que, no meu entender, são coisas completamente diferentes. Um castigo seria: "Irene ou lavas agora os dentes ou amanhã não vais à festa de aniversário da Isabel". Neste caso é apenas a consequência real das suas acções. Se demora muito tempo, visto haver hora para deitar, depois não dá tempo para ler histórias. Fica à escolha dela. E depois, claro, não leio as histórias se ela optar por continuar a brincar com a escova em vez de lavar os dentes. Não sou a favor de espetar a dura realidade às crianças, nem aos adultos. Acho que muitas das vezes é perfeitamente desnecessário sujeitarmos os outros à nossa verdade. A mentira existe - a boa mentira - para proteger as pessoas de tristezas desnecessárias ou de pensamentos inúteis. Neste caso claro que disse à Irene que só iamos um dia porque era o que tinha combinado com o hotel. Ela ficou muito triste porque imagina sempre que a gente vá uma semana para os sítios e, honestamente, há coisas que tenho paciência e que faço questão de lhe explicar, há outras que ou na altura não tenho tempo e paciência ou não acho que seja assim tão importante. Neste caso, eu, mãe da Irene, não achei que fosse importante ao ponto de me sentar e dizer-lhe "a vida é assim, Irene, a mãe não tem moedinhas suficientes para ficar mais dias" - que é mentira porque isso é tudo relativo - ou "a mãe não quer ficar mais tempo porque quero recomeçar a rotina com calma no Domingo, blá blá". Faço isso com verdades que interessem (para mim, mãe da Irene e para a Irene, minha filha) e não com a disponibilidade do hotel. Tenho vindo a acreditar que, às vezes, o amor também nos impele a mentir de vez em quando para que poupemos os outros a momentos desnecessários. Nada é "sempre". Dizer a verdade "Sempre", dizer a "mentira sempre". É caso a caso. Está mais sensível? Cansada? Temos pressa? Interessa? Que aptidão estou ali a desenvolver? Chora agora porque depois chora menos? Quero é ir de "fim-de-semana" com ela e que nos divertamos. Se segue o blog repara que até sou bastante cuidadosa ou, pelo menos, atenta nas decisões que tomo e nas posturas que vou tendo com a Irene, mas não sou fundamentalista (ou já não haha). Depende. Neste caso decidi assim :)

      Um beijinho e obrigada pelo comentário :) Farei provavelmente um post com a sua opinião e com a minha resposta, já que achei tão interessante <3

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    2. És tão estranha, Joana...

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  6. O meu filho já entendeu que um comportamento tem uma consequência. Normalmente basta dizer que, por exemplo, se não fizer as suas tarefas (trabalhos de casa) ou se responder torto não pode usar o tablet ou jogar. Já ficou sem poder usar e sabe que pode voltar a acontecer.

    Não faço de tudo uma guerra, mas quando "escolho" uma (devido a um comportamento/birra) procuro levar até ao fim. Se não se comprometer fica de castigo.

    Mas nunca lhe minto (lido muito mal com a mentira, mesmo a pequena que abre precedente a maiores). Explico o porquê de forma que entendo ser adequada à sua idade.
    Normalmente acho que as crianças entendem e gerem melhor isso do que o facto de se sentirem "enganadas".

    Isa

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  7. A linha é tenue, bem sei... Mas o que estás a fazer não é mostrar consequências... É chantagem... e como vês, acabas por provocar insegurança na miuda...

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    1. Porque é que é chantagem? Se um dia for apanhar um comboio, estiver a demorar-se e o seu marido disser "Se não te despachas, perdemos o comboio", isto é chantagem? Não é informação da consequência?
      Se a Irene tem uma hora para dormir e fica até essa hora a levar os dentes, não é normal que depois não haja tempo para ler uma história?
      Não estou a atacar, estou mesmo a tentar perceber porque ainda hoje fiz uma coisa semelhante com a minha filha. Ela pediu-me para fazer bolas de sabão e eu expliquei que tinha muito pouco tempo antes de ir tratar de um assunto mas que se fossemos rapidamente, dava para brincar um pouco. Quando a vi começar a perder tempo (deixar de andar, andar devagarinho, etc...), expliquei-lhe que se não nos despachássemos, não poderíamos fazer as bolas de sabão". Não me parece ameaça ou chantagem, mas sim uma explicação da realidade para que a criança perceba o porquê de naquele momento ser importante fazer uma acção mais depressa, por exemplo. Se ela não se tivesse despachado, eu não poderia efectivamente ter feito bolas de sabão porque não teria tempo.
      Não seria pior não dizer nada, deixá-la ir devagar e depois chegando lá dizer que afinal já não dava para fazer? Não seria isto mais propício a criar inseguranças?

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    2. Tal como disse, a linha é ténue...
      Se perder o comboio é de facto uma consequência, porque o comboio não depende nem espera por si. Mas ler uma história (que leva 2 minutos) só depende da Joana. Também tenho horários com o meu filho, no entanto posso ser flexível em 5 minutos...
      "Se tu não fazes o que eu quero, não faço o que tu queres" - é chantagem.

      O que me chamou mais à atenção neste texto da Joana, foi o facto da Irene sentir que numa outra situação e num outro contexto, não podia ficar no hotel porque a culpa seria sua. Isto é claramente insegurança. E a insegurança não passa por fazermos chantagem 1 ou outra vez, mas sim muitas.
      Todas somos mães e sabemos perfeitamente que a perfeição não existe, todas sabemos que nem sempre vamos ter o comportamento mais adequado, ou o que queremos ou o que achamos melhor. Somos humanas e muitas vezes reagimos sem pensar... nada demais.
      Mas não posso deixar de achar que, a miúda pensar logo á partida que não ficavam no hotel por ela fazer birras revela um sentimento de culpa enorme que uma miúda de 4 anos não deveria ter.

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    3. Concordo muito com este comentário. Acho normal a Irene querer ficar mais tempo no hotel e acho normal que a Joana arranje estratégia para a levar embora sem birras. Não acho tão normal assim (e normal no sentido de frequente) uma criança de 4 anos achar que se não fica num sítio a culpa é dela..

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