segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Ela só pode estar a fazer isto para chamar a minha atenção.

A Irene anda numa de fazer coisas más e de me perguntar a seguir se estou contente ou triste, sabendo perfeitamente que se "portou mal". Quando digo que não, ela fica muito triste e desata a chorar. Tenho tentado diversas abordagens: desde dizer que não fico triste e aproveitar para lhe apresentar outras emoções, mostrar-lhe a minha frustração, ensinar-lhe a diferença entre portar bem e portar mal...

Todas as fases têm os seus desafios, é o que tenho vindo a reparar, mas esta tem-me deixado de pulga atrás da orelha, exactamente por parecer que ela fazer o contrário daquilo que quer como resultado. Se me quer agradar, porque é que se porta mal? 

Ecoou na minha cabeça, numa dessas vezes, a palavra "atenção" - "ela só pode estar a fazer isto para chamar a minha atenção". Claro que, por um lado, poderá sempre ser aquele sentimento de "culpa" por ter feito máquinas de lavar roupa em vez de ter estado a brincar aos cabeleireiros com ela, mas sinto que faz sentido. 

Creio que talvez ainda não nos tenhamos adaptado ao novo registo de ter a Irene na escola. Ela continua a precisar de nós, não é por andar feliz a brincar de um lado para o outro que depois não precisa do olhar da mãe e dos abraços do pai. 

Não gosto que o "castigo" que lhe esteja a dar sejam as minhas emoções. Gostava que ela não fizesse coisas "más" por saber das consequências, mas nem todas as consequências parecem dramáticas o suficiente para que ela as compreenda. Nem tudo é "sujar tudo" ou "queimar" ou "dói-dói". Às vezes é só pedir para ela evitar andar a baloiçar com a colher na mão que ainda está suja de arroz ou que não repita tantas vezes o som de bater com uma caneta na outra.

Sentindo-me perdida, pedi ajuda a uma amiga que é psicóloga. Ela deu-me a perspectiva de que a Irene está a passar por uma fase muito intensa. Deixou de ter os pais 90% disponíveis para ela, para umas curtas horas, depois de passar imenso tempo na escola em que não é filha, mas uma "criança de bibe" (expressão minha). Dantes assistíamos a todas as conquistas dela, reforçávamos, elogiávamos... Agora é diferente. 

Sugeriu que lhe dissesse que a amo em qualquer circunstância e que separarasse as emoções do momento de amor incondicional, dar nomes às emoções (às dela e às minhas) e perguntar-lhe o que podemos fazer quando estamos zangados ou tristes. 

Claro que, dentro de mim, irei chegar às melhores soluções possíveis, mas sinto que tenho uma pessoa pequenina com quem ainda não posso falar como os crescidos e que também já não posso não falar sobre coisas importantes, só por ser pequenina. 

São desafios atrás de desafios. Acima de tudo quero viver isto de forma consciente e estou contente por estar a fazê-lo. A seguir a este desafio, virá outro e nunca serão mais fáceis. 


Ainda hoje de manhã me disse "a mãe depois vai buscar a Necas à escola ao colo?". Quando digo que sim, ela parece ficar mais calma e aceitar melhor que vai para a escola. O colo... 

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8 comentários:

  1. Adoro o humor da JG, mas é óptimo saber que também há espaço para este registo...mais introspectivo!

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  2. Muitas vezes os maus comportamentos são chamadas de atenção.Sao o reflexo de uma atenção mal direccionada.Nao me parece que seja o caso mas não nos podemos esquecer que, nós pais somos a coisa mais importante para os nossos filhos e,como tal, eles têm muitas saudades nossas tal como nós.Quando os vamos buscar à escola eles absorvem nos por completo,tendo cada um a sua estratégia para o fazer.o que tento fazer é ,a minha hora de almoço serve para agilizar ao máximo as tarefas domesticas.beijinho Joana.

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  3. Depois dela fazer uma "asneira" e de lhe perguntar como a mãe se sente, experimente devolver a pergunta "como achas que a mãe se sente quando fazes... ?" E transfira a situação para algo do mundo dela "como é que te sentirias se..."
    Será que ajuda?
    Também pode perguntar " como é que gostarias que a mãe se sentisse?" ou perguntar "como te sentes quando fazes isso?" se ela disser que gosta /se sente bem, pode explicar que ela gosta mas a mãe não e que deveriam fazer algo que ambas gostassem e que deixasse ambas felizes.
    Boa sorte para ultrapassar esta fase.
    Força para si, beijinhos e miminhos para a filhota

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  4. O meu filho está a entrar nos 2 anos e em conversa com um colega psicólogo percebi que, mais do que chamar a atenção, os nossos filhos nesta idade estão a demarcar-se de nós, pais, ou seja: Começam a perceber-se como pessoas, 100% relacionados consigo mesmos mas apenas 50% relacionados com cada um dos pais (adn-wise). Faz parte da sua evolução enquanto seres transmissores de código genético. É interessante verificar que estas birras e confrontos e fazer o oposto do que acham que querem e/ou queremos são transversais a todos os primatas nesta idade! Não tem a ver com menos tempo disponível dos pais. Acredito que o importante é mantermo-nos firmes e ensinar-lhes as diferentes emoções. E, naturalmente, reforçarmos o quanto os amamos independentemente do que façam - apesar de não estarmos disponíveis para embarcar nas birras deles. Por algum motivo somos nós os responsáveis :) facílimo dizer, não é?? Bjs

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  5. Só não percebo pq é q uma miúda super desenvolvida na linguagem fala na terceira pessoa. "A mãe vai buscar a Necas à escola?!" Sei q não se tratam por "você", daí ser estranho. Acho q já vai sendo altura de a desabituares e corrigires :) Mas claro, isto é só a minha (não-requisitada) opinião :P Quanto ao tópico, acho q é mesmo a idade em q gostam de nos desafiar e fazer o completo oposto daquilo lhes dizemos, para ver que tipo de reacções temos. "Testam-nos". :) Crescem demasiado rápido, os sacaninhas.

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  6. Joana, a minha opinião vale o que vale mas e que tal deixar de tentar racionalizar tudo? Porque não apenas viver e apreciar? Em vez de questionar/duvidar/querer "escaranfunchar" tudo. Nem tudo tem que ser uma grande teoria elaborada sobre algo. Ás vezes os miúdos são o que são e fazem o que fazem só porque sim, porque lhes apetece, sem que haja uma qualquer mensagem subliminar escondida para os pais descobrirem.

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    1. Não podia concordar mais.
      É mesmo isso. Joana, não complique.
      Aproveite e desfrute da sua filha (sem andar sempre a tentar perceber os meandros da psicologia infantil).

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  7. Os miúdos às vezes desafiam os pais porque sim. Da mesma forma que exploram objectos novos, também chega uma altura em que começam a explorar mais as emoções, ver reacções, ver até onde podem ir, quão longe podem esticar a corda. Aquilo que sugeria é coerência, ou seja, ter a mesma reacção para o mesmo comportamento (quer a Joana quer o pai) e não andar em ping pong para que ela assimile melhor o que pode ou não pode fazer. Mas fazer disparates, há-de fazer sempre.

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