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3.31.2020

Só coisas bonitas #01 - Despensa do Bairro

Acho que todos precisamos de coisas positivas. De ver iniciativas fantásticas, que nos dêem esperança. Por isso, resolvi inaugurar aqui uma espécie de rubrica (que vai durar mais do que as minhas tentativas de rubricas anteriores, prometo) que se chama "Só Coisas Bonitas".

Porque sei que vão ficar com um sorriso enorme, tal como eu fiquei, partilho convosco a iniciativa fantástica de uma família que temos a sorte de conhecer: uma despensa do bairro. “Dê o que puder, leve o que precisar”, com bens essenciais, mas também livros!
Obrigada Sofia, Zé Miguel, Xavier, Madalena e Santiago. ❤️

Não é a coisa mais fantástica que viram hoje?




Partilhem esta iniciativa! Quem sabe não inspiramos a que se criem mais "Despensas do Bairro" por esses bairros todos? 

E partilhem pff outras iniciativas fantásticas para nos inspirarmos e para nos comovermos com as coisas mais bonitas.


3.28.2020

Deixem-me chorar um bocadinho

Deixem-me chorar um bocadinho. Pois se há caixões insuficientes, se são precisos camiões militares para transportar tantos mortos. 
Deixem-me chorar um bocadinho. Se há pessoas a morrer sozinhas. Deixem-me chorar um bocadinho. Se tenho saudades de pessoas que são um bocadinho minhas, se sinto falta do cheiro da pele da minha mãe e das mãos grandes do meu pai. Do som dos copos a brindarem em casa da minha amiga Raquel e dos nossos abraços de despedida e das danças na sala. 
Deixem-me chorar um bocadinho. Se estou assustada e se me sinto claustrofóbica. Se não tenho uma varanda. Se me apetecia estar duas horas completamente sozinha e outras rodeada de pessoas. Se me apetecia andar de carro, com destino ou sem ele. 
Deixem-me chorar um bocadinho. Se não sei quando volto a ter trabalho. 
Deixem-me chorar. Mesmo sabendo que há quem esteja em situações piores e a sofrer muito mais. Deixem-me chorar um bocadinho porque é sinal de que sou sensível mas nem por isso frágil. 

Exteriorizar o que sinto, falando alto, desabafando, chorando, dá-me espaço para depois sentir tudo o que há de bom para sentir. Partilhem os vossos receios uns com os outros, não continuem a fingir que não vos afecta. Desvalorizar o que sentimos é só varrer para debaixo do tapete. 
Chorem um bocadinho. E depois continuem, mais leves, na luta. Todos temos uma.






3.24.2020

Querem que os miúdos vos chateiem menos durante o isolamento?

Acho que descobri o Santo Graal. 

Percebi que um dos motivos pelo qual estar com a Irene me estava a azucrinar tanto - além de não conseguir ter tempo para mim - era não me "entregar" ao que estava a acontecer. 

É um bocadinho aquele dizer do "Se não os consegues vencer, junta-te a eles". Melhor do que estar sempre a ser interrompida e a perder demasiado tempo na internet, é a diversão que podemos retirar daquilo que nos está a ser proposto, estando presentes. 

Isto também traz a necessidade aguda de termos que dizer que não estamos disponíveis quando não estamos. E, li algures, uma coisa que podemos pôr em prática é haver "a hora da mãe ou a hora da brincadeira sozinha". Se virem bem, estamos a treinar skills importantíssimas também para eles (dependendo da idade, vá) e combinar-se que, nessa "hora", ter-se-á de respeitar o espaço de cada uma. 


Tive uma professora na faculdade que instituiu uma hora de silêncio nos dias de fim-de-semana e, apesar de no início ser mais complicado, passaram todos a gozar muito esse momento. É impensável conseguir fazer isso com a Irene neste momento, sem lhe espetar um iPad pela goela abaixo, claro, mas poderá ser algo a pôr em prática daqui a um ano ou dois, vá. 

Bom, já antes escrevi aqui sobre coisas que me apercebi que devia começar a fazer na minha vida para ser mais feliz, podem encontrá-las aqui. E isto é praticamente um sublinhado do que já escrevi, mas notei mesmo uma diferença gigante hoje e não queria deixar de partilhar convosco: 



DESLIGUEM AS NOTIFICAÇÕES DO VOSSO WHATSAPP/REDES SOCIAIS DURANTE O DIA.

Já chegam as nossas próprias interrupções com os pensamentos a mil, a casa para tratar, o almoço para fazer. Não haverá nada de urgente no Whatsapp ou nas Redes Sociais. Controlemos nós quando é que deixamos que os outros "nos interrompam".  E vão ver (eu vi hoje) a diferença que faz. Faz imensa, imensa. 

Querem experimentar e depois dizem algo? 



3.23.2020

1 ponto para as divorciadas!

Não sei quanto a vocês, mas não tenho tido muita paciência para estar a ler sobre parentalidade, blogs de maternidade (quanto a escrever também já perceberam que não) ou até ver stories de malta super activa e toda à educadora de infância (como é o caso da Joana Paixão Brás). 

Confesso que estive em perfeita negação sobre o que estava a acontecer para aí até 3ª feira da semana passada. Foi só quando o meu ex-marido me disse para ir às compras que o pessoal estava a começar a esgotar coisas que me apercebi que a situação era séria. Não me perguntem porquê, mas talvez tenha sido porque o meu cérebro me quis proteger de colapsar com a ansiedade e, então, preferiu ignorar. 

O que vos posso dizer é que, quando me bateu, bateu forte! Fiquei ansiosa e em modo caótico: tenho de fazer compras, vou ficar 3 meses fechada em casa com a miúda, o Frederico não vai estar em isolamento (entretanto já está) e eu vou estar sozinha nisto. 

Como vou conseguir respirar? 


E, de facto, temos muita sorte. Por acaso, mesmo não tendo uma casa com varanda ou jardim, temos uma luz muito boa que entra por três lados da casa (embora sendo um apartamento). Não sei o que o arquitecto fumou, mas agrada-me a luz em tanto lado. 

Ainda assim tem sido muito difícil gerir. Inicialmente achei que tinha alguma dificuldade em brincar com a Irene por não terem brincado comigo quando era pequena. 

Agora, tenho-me apercebido que vai além disso: por causa da velocidade da minha cabeça não tenho grande capacidade de concentração em actividades que não me sejam directamente úteis e, ainda para mais, num momento de "emergência" como esse. 

Os dias estavam a ser muito complicados, intercalados entre esforços meus muito grandes em acompanhá-la nas brincadeiras e na minha demanda sofrida por uns minutos a só. Até que, quando foi o aniversário dela, fui pô-la a casa do pai e agora sim, depois de ter passado um dia inteiro a dançar e a comer no sofá a ver séries rascas (como o The Circle, americano e brasileiro) sinto que já recuperei um pouco mais de mim. 

Credo! É que a brincar, a brincar, fomos apanhadas de surpresa com isto e não sabemos quando vai acabar, não é?

O título deste post tem a ver com o facto de, neste caso, sentir que as divorciadas (com pais presentes e com quem possam contar) são umas privilegiadas. Porque, ainda assim, nesta altura em que temos de estar praticamente 100% disponíveis para eles, conseguimos arranjar maneira e pretexto para estarmos sozinhas e respondermos a uns e-mails ou para comermos os doces deles, sem eles saberem. 

Estão a conseguir respirar? Como fazem?

Entretanto, deixo-vos aqui um exemplo de como tudo passa (mais ou menos).
Esta já foi a minha cara, o meu aspecto no geral. Nem me apercebi que estava neste estado. Tudo passa. "Vai correr tudo bem!".