7.15.2019

Vou voltar a fazer terapia!

Das decisões mais importantes que tomei nos últimos tempos! Ainda não voltei à psicóloga e já sinto que foi a melhor coisa que decidi neste ano e meio. O alívio já está a chegar e ainda nem lá fui, só por saber que vou conseguir, a partir dali, estar cada vez mais próxima de mim e de resolver tudo o que anda desatado nesta alma, que vou conseguir ser uma melhor mãe e uma melhor pessoa (não por esta ordem, que disparate).

Descobri a Eugénia através da Joana Gama (emoji coração, sempre). Fiz hipnoterapia uma vez só. Não sei se foi o que bastou, não me parece, mas acabei por mudar de vida uns meses depois. Despedi-me do meu emprego de anos e fomos todos viver para Santarém, para o campo. Foi uma das melhores coisas que poderia ter feito. Tive a minha segunda filha com calma, numa esfera de amor e de tranquilidade. 
Mas, meses mais tarde (ou um ano mais tarde, não sei), passei a sentir-me incompleta e até só. Não compreendia por que me sentia assim. "Que disparate." Afinal, tinha cumprido mais um sonho, tinha duas filhas incríveis, era boa mãe, amava-as profundamente, tinha um marido fantástico, escrevia por aqui, tinha amigos mas... não estava feliz. Não como planeara. Andava numa montanha russa, com idas bem lá acima e depois descidas ainda maiores e a enjoar nos loopings. Percebi que precisava de voltar a fazer terapia. Primeiro por skype, depois presencialmente. Ir a Lisboa de propósito, mas voltar a casa com ferramentas para estar melhor.

"Eugénia, preciso de ti". Assumir-se isto é duro. Mas libertador. Houve uma consulta em que senti que praticamente não fiz mais do que chorar. É um processo. 


Fotografia: The Love Project


E aprendi que não posso parar este processo, só porque já me sinto melhor. Ou porque acho que está tudo controlado. Ou porque estou mesmo lá em cima. Naquela altura parei porque voltei a trabalhar, em Lisboa, porque nos mudámos para cá e eu simplesmente não tinha horário. Depois, porque estava tão cheia de tudo que nem me conseguia ouvir, por isso basicamente nem tinha tempo para sentir se andava feliz ou não.

Feliz ou não, toda a gente devia fazer terapia. Toda. Há sempre algo que fica por cá, há sempre alguma relação tóxica, algum acontecimento que nos fez pior do que achámos, alguma coisa por resolver e muitas coisas por descobrir sobre nós. E alguém reconhecer isto já não é, aos dias de hoje, um tabu. Os assuntos do foro psicológico, doenças ou não, são já muito valorizados. A procura por ajuda já não é sinal de fraqueza. Ter até a Michelle Obama a reconhecer isto é de valor. Mas, por mais que haja cada vez mais pessoas a dar a cara por isto, ainda há muito pouca gente a procurar ajuda quando mais precisa - e, segundo vários estudos feitos, muitas vezes não é sequer por uma questão de orçamento. 

Aliás, se a venda de antidepressivos aumentou e muito nos últimos anos e os psiquiatras têm sido mais procurados do que nunca, a questão não é só e apenas orçamento, de facto. As pessoas só procuram soluções já mesmo no fim da linha, num grau imenso de desespero e querem resultados rápidos, imediatos. A terapia é algo que leva mais tempo. Não camufla, tenta ir ao cerne dos problemas, tenta resolver. Claro que estou a ser absolutamente generalista e que haverá casos em que será precisa medicação, óbvio, ou até ambos, que isto não é nenhum concurso. Mas acho também que se nos fosse dada mais formação ao longo da vida sobre a importância de olharmos mais para dentro, de abrandarmos, de valorizarmos os nossos sentimentos, do poder da palavra, talvez não tivéssemos de chegar tão longe. Aprendermos a dar significado às coisas, a racionalizá-las, ajuda-nos a superar o sofrimento - a amígdala diminui a sua actividade e os processos nervosos no córtex pré-frontal aumentam (acho que é isto, do que li, mas tentem perceber junto de especialistas ;). 

Isto tudo para vos dizer que estou orgulhosa de mim. De querer (voltar a) dar este passo. De perceber que só exercício físico e pilates e até yoga, apesar de me ajudarem muito, não me chegam. Que tenho noção de que preciso de partir pedra, até para resolver o que vos contei que me aconteceu no recobro, entre outras coisas.

E que isto não significa que eu esteja necessariamente infeliz, mas que quero estar mais feliz e sentir-me cada vez mais completa. Ser mais livre. 

E vocês? Já experimentaram? 


9 comentários:

  1. Obrigada Joana por este post tão sábio. Acredito que nem toda a gente consiga fazer terapia pelos custos que isso acarreta, mas se calhar também há outras pessoas que poderiam fazer uma melhor gestão e dar prioridade a algo tão importante para tudo o resto: saúde mental. Às vezes é um investimento para depois conseguirmos parar de minar tudo à nossa volta e a passar a acreditar mais em nós: imagine-se que depois até se consegue ser mais produtivo, ter até uma ideia de negócio, e mais importante que tudo isso, ser-se mais feliz na nossa essência. Parabéns por tudo o que escreveu e pela decisão que tomou.

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  2. Que post bom! Eu sou terapeuta, e como uma terapeuta que se preze, faço terapia. Quem trata dos outros, tem que se tratar primeiramente a si. Aconselho a toda a gente, que como disseste, todos nós ja passamos por algum momento menos bom, que por vezes, podemos achar que está sanado e nem estar, estando a minar outras coisas, sentimentos, relações, que nem damos conta.
    É realmente um acto de coragem e sobretudo de amor próprio procurar ajuda, para crescer, e ser melhor pessoa.
    Não tenham medo! Força!

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  3. Pode dar-me o contacto dessa terapeuta?

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  4. Ainda hoje comecei mal a minha manhã, estava de rastos, os miúdos tiveram uma noite péssima e aqui a mãe que se aguente à bomboca ( têm 2 e 3 anos), aliás, ando exausta, e claro quem levou com o meu humor matinal foi o meu marido, entretanto ele vira-se e diz “ já pensaste que se calhar precisas de ajuda? Não andas bem , até tenho “medo” das tuas explosões “ e eu finalmente disse :” sim secalhar preciso de procurar ajuda, nem que seja só para chorar” ... só o facto de ter “admitido” isto ao meu marido já me sinto ligeiramente mais leve! Há dias em que já não consigo ouvir os miúdos a chamarem por mim, parece q a cabeça vai explodir a qualquer momento! Mas sim, penso que uma terapia ou um psicólogo me ajudem, porque sinceramente acho q isto tudo é só cansaço e às vezes sinto-me muito sozinha, maior parte dos fins de dia quando os vou buscar à escola parece que vivemos só os 3, mas não, existe um pai, só que trabalha de mais!
    Obrigada pelas vossas partilhas e abertura para falar de alguns assuntos que infelizmente ainda são um bocado tabu!!
    #amãeéquesabe# sem dúvida 😘

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  5. Ainda bem que vivem em Portugal.Eu decidi procurar um psicologo para mim e também para a minha filha,e ao ter esse acto de coragem e depois de ter contado toda a minha história de vida,o resultado não podia ter sido o pior!Querem que coloque a minha filha de 8 anos num internato..isso a bem!Se não o fizer com consentimemto corro o risco de perder a minha filha :'((
    Alguém me consegue explicar como procurar um psicologo pode trazer-me o pior pesadelo de uma mãe??
    Pensei que ao dar o passo de procurar um profissional me pudesse ajudar a encontrar aa respostas ao comportamento da minha filha,e também melhorar a forma como lidar com ela.Aprendi que não devemos contar a terceiros os nossos medos ou problemas,porque é a nossa fraqueza e vão acabar por usar isso contra nós..
    Beijinhos e espero que tenham mais sorte que eu 😔

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    1. Credo, em que país vive? Venha para cá, tente recompor a sua vida aqui nas suas origens. Nada sabe melhor que a nossa casa

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  6. Boa Noite. Adorei o seu testemunho. Poderia dizer me o nome dessa terapeuta sff.
    Obrigada e tudo de bom

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  7. Olá boa tarde, poderia me dizer por favor o nome e o contacto da terapeuta. Muito obrigada pela ajuda

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  8. Joana, parabéns pela coragem e humildade! A terapia é de facto muito importante e como tu, também acho que TODA A GENTE devia fazer. É pena que, embora a coisa esteja encaminhada, haja ainda muito boa gente a arrumar as pessoas que fazem terapia na gaveta dos fracos e oprimidos, quando na verdade, é precisamente o oposto! Há uma força de carácter do caraças em pedir-se ajuda, é o reconhecer da nossa pequenez no mundo e de que só temos esta vida e temos o dever de fazer dela o melhor e mais feliz possível.
    Por mais testemunhos assim, por mais pedidos de ajuda, por mais respeito e amor-próprio!

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