9.10.2017

Desconfiem da Mãe perfeita

Estão perante uma mãe que faz, acontece, tem tempo para as bolachas caseiras, para as unhas sem uma mossa, para o cabelo sem raízes, para o ioga e para um copo, para uma casa a brilhar e roupa impecavelmente engomada, zero ajudas, que ainda realiza pedipapers, vende bolos na quermesse, trabalha 9 horas fora de casa, passa imenso tempo com os filhos, lê livros, uns atrás dos outros, está feliz e realizada, fala com toda a calma do mundo, nunca stressa e ainda tem aquele bumbum todo empinado. Desconfiem.

Estão perante uma mãe cujos filhos dormem bem, comem bem, nunca fizeram uma birra, não pintaram uma parede nem um sofá e fazem sempre o que lhes é pedido e ainda têm a roupa toda aprumadinha e brincam imenso na rua, são óptimos a tudo: desportos, música e mandarim. Desconfiem. 

Estão perante uma mãe cujos primeiros tempos foram maravilhosos, zero dores, casa impecável, jantar sempre pronto para quem a for visitar, sorriso nos lábios e zero olheiras, percebe à primeira o que o bebé quer, raramente chora, raramente dá más noites, adormece sozinho, não faz cocós até ao pescoço nem pede colo a cada minuto, tem tempo para tudo, tudo controlado, nunca se esquece de nada quando sai de casa, faz tudo como dantes e a vida segue igual, mas melhor. Desconfiem.

Estão perante uma mãe que nunca se culpou, nunca desesperou, nunca teve saudades de nada da vida sem filhos, nunca se queixou, nunca teve medo, nem dúvidas, nunca quis ser ou fazer diferente. Desconfiem.

Desconfiem da mãe perfeita. Desconfiem da mãe que consegue tudo a toda a hora sem queixume, só com optimismo e contorcionismo e onda zen e que ainda joga com o baralho todo. 
Desconfiem porque a omnipresença e a omnipotência dá tanto trabalho que dificilmente se consegue manter, ad eternum. 
Desconfiem, não no sentido de puxar para baixo quem assim é - ou pensa ser - mas no sentido de não almejarem ser igual. Não vão conseguir. Não o tempo todo. 

Ser bem sucedida, fazer carreira, mãe presente, mulher extremosa, amiga irrepreensível, cozinheira dedicada, pessoa voluntariosa, cujos dias parecem ter 57 horas e um ar que transmite paz de espírito, segurança e completude, tudo, ao mesmo tempo, não vai dar. 

Desconfiem que seja possível ser perfeita. Ou desconfiem que estar no controlo de tudo - ou achar que se está - seja quanto baste para ser feliz. Desconfiem mais ainda que as crianças ou os bebés sejam mini-adultos, sem necessidades especiais, sem precisarem de testar, sem espaços em branco que precisam de ser preenchidos. Se desejamos um filho que fique sempre quieto, compremos um tapete. Se desejamos um filho que não chore, compremos um boneco a pilhas. Se desejamos um filho que durma logo a noite toda, adoptemos um já adulto (e, mesmo assim, sem garantias). 
De forma alguma devemos nivelar por baixo, esperar o pior, encarar a vida de forma pessimista. Mas ter as expectativas muito elevadas, esperar de nós e dos nossos filhos algo que não estamos preparados para ser, pode trazer frustração.

Mães e pais imperfeitos, filhos em construção, casas que às vezes parecem caóticas: é Vida, com altos e baixos, sempre a pulsar. O mais normal é isso. Desconfiem do resto.

Fotografia I Heart You

www.instagram.com/joanapaixaobras
a Mãe é que sabe Instagram

9.07.2017

A outra Joana não me vai perdoar...

Só podem andar a dormir! Só podem, mesmo!!


Têm visto as fotografias da Joana Paixão Brás? As que ela tem tirado às filhas? Desde sempre que teve muito jeito para isto, mas parece que o segundo parto fez com que se tornasse profissional. Há quem diga que nasceu para ser mãe, eu acho que a Joana nasceu para ser fotógrafa. 

Ela não me vai perdoar, mas c*guei! 

Peçam-lhe para vos fotografar as filhas, eu fico a agente dela! :) Enviem e-mails para mim joanagamafreire@gmail.com que eu trato disso só para que ela não aceite fazer tudo de graça por ser boa pessoa. 

Eu espero que ela se torne famosa para lhe sacar uma de graça! 


(eu não estou a brincar!)

Ai só agora reparei que estão vestidas de igual, Meu Deuuuus!

Epá que coisa linda... 

Quase que oiço uma música nesta fotografia.

Sim, a Joana leva adereços deste calibre para as sessões certamente. 




a Mãe é que sabe Instagram

Algo que me ajudou muito quando a Irene foi para a escola.

A Irene foi para a escola - sortuda - pela primeira vez aos dois anos e meio. Já era "tão crescida" que conseguimos explicar o que ia acontecer e até esteve uma semana a gostar de ir. Depois percebeu que, mesmo quando não queria que iria e as coisas complicaram-se. 

Na altura fantasiei com uma espécie de Bipper (lembram-se?) com o qual ela me poderia enviar um boneco e eu responder com outro ou algo do género. Fica para alguma de vocês - mães empreendedoras a nadar em dinheiro - seguir com isso. Como acho que ainda não há, inventei um smile na mão dela a esferográfica e um smile na minha. Disse-lhe: sempre que precisares de miminho tens aqui o smile que te lembra da mamã e do papá que estão a penar em ti, sempre. Funcionou para mim também. Ao longo do dia lembrava-me que ela poderia ver a mão e sentir-se acarinhada. 

Pensei em tatuar o smile na minha mão e tudo, pelo significado que tem para mim e que teve para ela, mas fui aconselhada a não tatuar a mão pela tinta não aguentar "em ordem" muito tempo. 

Este ano, no primeiro fim-de-semana em que foi para o pai levou uma pulseira especial. Tanto ela como eu temos no pulso uma pulseira muito simples - foi ela a escolher no site - com uma borboleta (engraçado o significado, já que falamos de um afastamento natural do crescimento dela e meu). Disse-lhe o mesmo: vais estar muito feliz com o pai e com os avós, sempre que olhares para a pulseira, a mamã estará a pensar em ti e, se calhar, a olhar para a dela. 


Deve haver outros sistemas giros, vocês podem ou já devem ter criado o vosso, mas gosto muito destes dois. Eu tenho, porém, a tendência de tornar físicos os meus sentimentos com piercings e tatuagens e colares e...  Não sei como será convosco.

Sei que a Irene gosta. E que, pelo menos, o momento em que o fazemos é especial. Se depois funciona, não sei. Mas, por exemplo, com os smiles era já ela a pedir que os fizesse de manhã.


Só quero que ela saiba e sinta que a amo mais do que tudo no mundo. A minha missão é que ela tenha uma grande fasquia do que é ser amada para saber o que é bom para ela e o que é mau.

Fotografia: The Love Project 
Pulseira: Portugal Jewels
Smartwatch: Fóssil 


a Mãe é que sabe Instagram