7.27.2015

Mais uma estupidez...

Hoje foi ter saído da bomba de gasolina de Oeiras com o tampo aberto e pendurado no carro. 

As pessoas fartavam-se de buzinar mas eu achava que era só por eu ser muita linda. Afinal, não. Ou, se calhar, sim. Se calhar nem repararam no tampo, fui eu a reparar quando me olhava ao espelho para me adorar. A mim e à minha rosácea. A mim e à minha borbulha precisamente no centro do bigode. A mim e ao meu bigode de 4 meses (quase que já gatinha). A mim e às minhas sobrancelhas por fazer, quase que parecem a púbis duma pré-adolescente, tudo desordenado. A mim e às minhas californianas de meretriz cansada. A mim e às minhas unhas com o verniz do Jumbo a sair.  

Queria só contar-vos da minha distracção com o tampo do carro, mas depois deixei-me ir. Não só uns metros com o tampo pendurado, mas também com o texto. E com as californianas. E com o verniz. E com as sobrancelhas. E com o bigode. 

Já sei que uma mulher tem de andar arranjada, blá blá. A mulher não TEM que. Anda, se quiser. E eu vou fazer o meu make-over quando for trabalhar. Até lá vai parecer que adoptei dois Huskies acima dos olhos. Só não vai parecer que tenho um Huskie noutro sítio porque tenho de vestir um fato-de-banho de vez em quando e não quero parecer que roubei um manjerico e que o guardei entre as virilhas.

Pronto. Foi com isto que perderam uns minutos da vossa vida hoje. 


Em contagem decrescente para as férias

Falta menos de uma semana e eu já estou que nem posso. Vamos ter duas semanas, muito aguardadas, de férias. Uma semana no campo, a norte de portugal, outra na praia, a sul. Mal posso esperar por ter tempo para os três, para fazer castelos na areia, pelo cheiro do creme espalhado na pele salgada, pelos sorrisos incontáveis de quem está feliz.
Tenho de começar a pensar nas roupas, na mercearia, ir buscar o chapéu de sol que emprestei, ir buscar a chave da casa emprestada no norte, pensar nos brinquedos, ir comprar o repelente, os protectores solares... quero ver se desta vez não deixo tudo para a última. E se não deixo a nossa mala em casa, já agora. Sou muito má nesta coisa de fazer as malas, acabo por levar muitas coisas desnecessárias e deixar em casa sempre uma coisa ou outra que teria dado muito jeito. É a vida. 

Está quase! Está quase! 

E vocês, já foram? Vão ou não vai dar? São todas organizadinhas com as malas ou são como eu e deixam tudo para a véspera? 


Coisas que vão, de certezinha:

Balde - Primark
Almofada Pingi ao Cubo
(tenho esperança de poder usá-la)
Fato de Banho Pulguinhas

As crianças não fazem birras!

Acabei de ler um artigo na nossa parceira Up To Kids sobre as crianças e sobre as birras, escrito por M.J.Silva

Saltou-me à vista, até por estar em bold a seguinte afirmação: 

As crianças são crianças. Onde é que, ao longo do caminho, nos esquecemos que fomos nós que as quisemos?

E isso fez-me lembrar de algo que ouvi muitas vezes dirigido a crianças: 

"És muito mal-educado(a)". 

Nem quando pais dizem isto se apercebem da sua responsabilidade.

É muito difícil pararmos padrões, parar o automatismo, quebrar com a nossa educação, revermos valores. É mesmo muito difícil. Mais ainda do que deixar de fumar ou que fazer dieta, mas talvez porque não tenhamos a certeza de que as coisas funcionem ou não acreditemos em nós. Se acreditarmos nos resultados e se os quisermos, conseguimos.  Conseguimos, claro. 

Temos é de largar um bocadinho o telemóvel. De passar mais tempo na sanita. De levarmos o nosso tempo a adormecer no escuro. Temos de ter tempo para pensar e vontade. Às vezes o tempo que demoramos a adormecê-los podia ser usado para isso. Eu uso para isso e para ver se me lembro de posts para o blogue.

Eu quero muito educar a minha filha de uma maneira diferente da qual eu fui educada. Sempre o disse. Desde pequena. Sinto que sei o que não quero fazer com ela, mas que preciso de criatividade e de tempo (e, vá, admito, de estudar um bocadinho para ter ideias) para conseguir sair dos padrões que me estão na cabeça. Quero mesmo criar uma base saudável para a Irene, para ela sentir amor-próprio e ser autónoma ao ponto de tomar boas decisões para si, mas também, confesso, quero muito ter uma relação próxima e de amor com ela. 

Não quero uma relação de conflitos. Quero uma relação de respeito mútuo. Sou mãe, sou quem tem a autoridade, mas isso não faz com que tenha de a impôr com um chinelo na mão. Um bom chefe é aquele que tem os seus a seguirem-no, sem provocar o medo, sem ser agressivo... Tudo o resto são artimanhas de quem não merece "o poder". Violência, a meu ver, é resultado de uma má gestão emocional, incapacidade comunicativa, cansaço e falta de respeito. 

Para mim, "agora que penso nisso", as crianças são pessoas pequenas. Não é por serem pequenas que merecem menos respeito. Não é por não saberem falar tão bem quanto nós julgamos saber falar que não merecem que as escutemos ou que tentemos que elas compreendam as coisas. Elas têm de compreender as coisas. Elas são racionais. 

Como disse o pediatra duma amiga minha (sim, Margarida ;)), eles agora estão numa fase em que eles "compreendem tudo" o que se passa e nós não sabemos nada do que se passa com eles. 

Fomos nós que as quisemos. As crianças. São pessoas, não são projectos. Não são um acessório. Não são só companhia. Não são só um cartão de visita para num novo grupo na nossa sociedade. Não são um ponto obrigatório na nossa maturidade, na nossa identidade. 

Ter uma criança implica saber que tal exige dedicação. Muita. Muita além daquela que somos capazes de ter. São extra-miles atrás de extra-miles. É continuar o treino, mesmo depois dos alongamentos, se for preciso. 

As crianças não fazem "birras". 

Nós fazemos.

Estamos numa posição muito difícil, muitos de nós. Fomos educados de uma maneira que nos silencia a nossa própria voz interior. Que a torna mais pequena. Sabemos o que não queremos para os nossos filhos, mas ainda não sabemos o que queremos. 

Temos de descobrir. Com paciência. Com amor. 

Oiçamos, sem medos, o que achamos que está bem e não o que "deveria ser feito". 

a Mãe é que sabe.