6.28.2015

O que nos dizem que vai acontecer quando temos um bebé e o que é verdade.

Não vale a pena dizer que as pessoas falam demais quando sabem que estamos a planear ter um bebé, quando estamos grávidas ou quando estamos a parir ou quando já temos o bebé em casa. As pessoas falam demais no geral e nós também somos essas pessoas. 

No início enervava-me imenso que as pessoas me dissessem "aproveita para dormir" e "olha que passa muito rápido" e agora sou uma dessas pessoas. Oh well. Vamos lá ver se ajudamos as nossas futuras-mamãs e futuras-futuras-mamãs aqui com uma listinha do que dizem e do que realmente acontece. Eu começo!



# - Aproveita agora para dormir!!

- Calma, nem todos os bebés dormem mal e porcamente. Há bebés que, desde sempre, dormem mais de 10 horas seguidas ao ponto de deixarem as mães em pânico por não saberem se está tudo bem com eles. Há bebés que dormem muito. Há bebés que dormem pouco. Há bebés que acordam muito. Não sabemos que tipo de bebé vai calhar na rifa, mas pode ser que corra tudo pelo melhor. Agora, o mau sono começa normalmente na fase final da gravidez (no início também para quem sofra muito de enjoos e azias e afins - há grávidas que até têm de dormir sentadas para conseguir dormir). A verdade é que nunca mais teremos liberdade para dormir as horas que quisermos sem sermos interrompidas. Pelo menos até eles têm pêlos púbicos, digo. Depois também não dormirmos porque foram sair à noite. Bom, se calhar as pessoas até têm razão neste. APROVEITA PARA DORMIR!



# - Aproveita que passa num instante!!

- E é mesmo verdade! Passa muito rápido. O tempo, já por si, passa rápido. Quando nos estamos a divertir, passa ainda mais rápido. Quando temos um bebé, continua a passar rápido mas temos ali uma referência de que isso está a acontecer. Ainda para mais eles duplicam o tamanho no primeiro ano de vida e aprendem tudo de enfiada. É assustador. E como, em Portugal, temos uma licença de maternidade tão pequena, trabalhando e indo para casa, as coisas parecem passar ainda mais rápido. Confesso que estando em casa que passa rápido, mas não tanto assim. Parece que passa tão rápido quanto aquelas curtes de verão esquisitas que tínhamos quando íamos de férias para algum lado com os pais. Por que é que eu estou a falar disto na primeira pessoa do plural? Eu? Nã. 



# - Vais ficar com a barriga toda cheia de estrias.

- Sim, pode-se ficar. E então? É o processo natural das coisas. Não digo que seja "o preço" a pagar por termos este dom enorme de gerar a vida, porque não acho que seja "um preço", mas é algo relativamente insignificante comparativamente com o que ganhamos. Nem todas temos estrias. Depende da genética de cada uma, mais disso do que dos cremes, mas dá-lhes jeito que pensemos que não tivemos por causa deles, quando perguntamos à nossa mãe e ela não teve também. 



# - Vais ficar com a barriga toda flácida. 

- Sim e não. Há quem fique e há quem não fique. Há quem já tivesse antes e quem passasse a não ter depois. Há quem nunca tenha tido (o caso da Carolina Patrocínio, por exemplo). Se realmente nos importarmos com a nossa forma e se tivermos uma gravidez sem risco, podemos não prejudicar a nossa "forma e linha" de maneira alguma. Temos mesmo é de fazer um esforço. Teremos de querer. Além disso, pouco tempo depois da gravidez, podem-se praticar abdominais hipopressivos (falem com quem perceba disto) que ajuda facilmente a resolver a questão da barriga. Esqueçam o "facilmente". Eu não consegui. 





# - O casamento vai à vida... 

- Vai e não vai. Depende do tipo de casamento, depende das expectativas. Acima de tudo, ter um filho é uma decisão que deve ser muito bem pensada não só pela criança, mas também para nos prepararmos e percebermos o que poderá acontecer com a vinda da mesma. Digo-vos que é lixado não dormirmos nos primeiros meses, estarmos cheias de dores (podemos não ter) e hormonais e termos um parceiro que o compreenda sem se exaltar de vez em quando. E mais, muitas vezes até fazemos a festa sozinhas. Muita coisa muda, temos de estar preparadas para isso. E, melhor: mudar não significa que seja para pior, não é? 



# - Acabou-se a boa vida!

- É um bocadinho verdade. E ainda bem que as pessoas dizem isso, porque é mais uma das coisas que deve pesar no timing de se ter um filho. Se ainda estiverem muito agarradas a sair todos os dias à noite e apanharem grandes bezanas e acordarem ao lado dum tipo chamado Tiago que tem um cheiro esquisito, provavelmente não será boa altura. Se andarem numa de viajar pelo mundo todos os meses e de fazer interrails por países que nem saibam o que é um ben-u-ron, pensem bem no que estão a fazer porque... já perceberam, não é? 



# - O balúrdio que vai ser!!

- Gasta-se mais dinheiro com um bebé do que sem um bebé, claro (duh!), mas pode não ser esse balúrdio todo. Há escolhas que se podem fazer consoante o orçamento familiar e valores. Não há dinheiro para uma creche pipi? Fica na avó. Não há dinheiro para pagar à avó? Fica com a avó da melhor amiga. É preciso é ser tão flexível como gostaríamos que o nosso orçamento fosse. "Tudo se faz".  Por falar em flexibilidade, eu tenho a flexibilidade de um t0 em Pina Manique.



# - É a melhor coisa do mundo.

- E é. É mesmo. É um desafio constante? É, também. Se é igualmente gratificante? É. É muito importante não termos ilusões sobre o que é ter um filho. Ter um filho, não é ter um Nenuco. Ter um filho é ter uma mini pessoa que temos de amar educando. Temos de estas preparadas para amar muito muito ao ponto de sermos maiores que nós próprias todos os dias. Preparem-se para amar como nunca amaram antes. Preparem-se para ganhar paciência e forças onde nunca pensaram que fossem arranjar. Digo-vos uma coisa: até vão gostar de ver cocó de outra pessoa à vossa frente. 


Algo mais a acrescentar? ;)

A nossa semana em fotografias

Além da rotina habitual, com trabalho e creche, banhos demorados na banheira e muito mimo, esta semana houve muitos passeios, a duas.

Para quem não tem Instagram ou tem e ainda não nos segue, cá estão as últimas fotos que publiquei por lá:

Num parque em Monsanto (nunca sei os nomes, troco-os todos)
Fofo Anjinha Patuda

Sapatilhas Zippy (aproveitem que começaram os saldos)

Mochila, que ela adora, oferecida por um antigo professor meu que é um querido
Dentuças boa da mãe

Produtinhos entregues à porta - Cabaz Natura
A ver Game of Thrones (Meu Deus!) no chão da sala e a provar os legumes e a fruta fresca
No chão da sala da bisa (um calor dos diabos em Santarém)
Miminhos da bisavó Rosel (coisas boas da minha vida)
A estrear a mini-piscina no terraço

A tanga é DOT, oferecida ontem pela amiga Vanessa. Lindona.

Uma semana e um fim-de-semana em grande: jardim, piscina no terraço, praia e a visita à bisavó (comeu a sopa toda da vovó!) E ainda uma jantarada cá em casa com amigos e um almoço com o tio Frederico e a tia Mariana. Para ser perfeito, só faltou estar cá o pai ❤️

6.27.2015

A mãe desbronca-se (#14) - Vou baptizar ou não a Isabel?

Uma leitora perguntou há algum tempo se eu iria baptizar a Isabel. Achei curioso essa pergunta ser dirigida a mim (já devem ter topado que a Joana Gama não vai nessas cantigas). Que me lembre, até esta semana nunca tinha feito nenhuma menção à minha fé.

Já estive em todas as fases e mais algumas: fui baptizada com dois anos, andei na catequese, fiz a primeira comunhão, ia à missa todas as semanas. Fui a Taizé, em França, com uns 16 anos e lembro-me de ficar com o coração cheio e de sentir que a fé nunca me ia faltar.

Mas a verdade é que tive uma fase da minha vida em que deixei de acreditar. Era céptica, estava revoltada e questionava tudo. Mas recuperei-a recentemente e não tenho explicação para isto. Talvez tenha sido por ter passado pela morte de um familiar muito próximo quando estava grávida, mas não consigo precisar, foi tudo de forma inconsciente.

Ainda aí estão? Este vai para o top dos posts mais chatos de sempre, não vai? Já ganhei.

Voltando à pergunta da leitora. Ainda não tenho uma resposta para ela. Em princípio sim, porque, apesar do pai não ser católico praticante, eu gostava de passar-lhe esses valores (e o pai não se opõe). Mas não quero achar. Quero ter a certeza. Esta é daquelas escolhas que, agora que sou mãe, acho difíceis de tomar, porque por um lado não a queria estar a condicionar à fé católica (quero-a livre para escolher a sua religião), mas, por outra, acho que esta é daquelas coisas em que os podemos influenciar. E mais tarde, caso não concorde, faz as suas escolhas à mesma. Os meus pais acabaram por orientar as minhas escolhas e nunca os culpei por isso. Tive inclusive uma fase em que podia ter desistido. Mas ficou cá a sementinha e aquele amor no coração sempre que entro numa igreja, sempre que ouço os cânticos, sempre que rezo.

Para as que aguentaram até ao fim, baptizaram ou não os vossos filhos? Vão fazê-lo ou vão esperar?