1.01.2018

A Irene não me chama "mãe".

Depois da fase em que se chamava Tomás e que tinha pilinha (parece que já passou, apesar de parte de mim se assustar, outra parte achava imensa graça e queria incentivar a liberdade de brincadeira), agora entramos noutra fase que também nos deixa desconfortáveis. Nem é por ela querer fingir ser outras pessoas, é a terceira geração que acha graça ao teatro e à representação, mas é por levar tão a sério. 


Quem é a Irene agora? É a Isabel e tem uma irmã que é a Luisinha. A mãe dela - sou eu, vá lá - chama-se Joana Paixão Brás (para quem seja novo no blog, é a outra autora aqui do estaminé) e o pai dela - continua a ser o mesmo, apesar da mudança de nome - chama-se David.  Por causa desta brincadeira, não lhe posso chamar filha porque é Isabel, não posso chamar-me de "mãe" porque sou a Joana Paixão Brás e não vou levá-la a casa do pai, vou levá-la a casa do David.  Ter uma "Luisinha", porém, tem dado imenso jeito para a "Isabel" ser a mana mais velha e ter que mostrar à Luisinha como é que se faz alguma coisa como "lavar os dentes" ou ir deitar-se sem birras. Há que tirar o melhor partido de cada situação, certo? 



Coisas que me deixam desconfortável/enervada com isto? Ela, de manhã, chamar "Joana Paixão Brás". Confesso que aquele "mãe" matinal amenizava o meu acordar e o "Joana Paixão Bráaaaaas" - apesar de te adorar, Joana - é como se fosse uma chapadinha. E, depois, claro que começa imediatamente a corrigir-me "não sou a Irene, sou a Isabel"... Ahhhhhh!!! Fazia o mesmo quando era o Tomás com o género dos adjectivos que eu usava e afins. 



Também não gosto, quando lhe estou a abanar o rabo para adormecer, que ela me peça para trocar a letra de "a Necas e a mamã" para "a Isabel, a Luisinha e a Joana Paixão Brás". Há uma parte minha que - infantilmente - tem medo que se perca nesse mundo de fantasia, não vos sei explicar. Além de que, por muito parvo que pareça, tenho saudades da minha filha!



Claro que há parte de mim que também tem medo - porque sou medricas e também porque não vivo só no lado concreto das coisas - que ela esteja a inventar pertencer a uma família que está junta e com uma irmã como se o "guião certo" a fizesse mais feliz.  Isto tudo, claro, porque me separei recentemente.



Há sempre tristeza, obviamente, mas rapidamente sou abraçada pela certeza de ter feito tudo o que tinha ao meu alcance e que este é o melhor cenário possível. Sem dúvidas. A vida não pode nem é sempre presa ao mesmo guião. A Irene agora é a Isabel. O que virá a seguir? 

Seja como for, Joana Paixão Brás, a Irene que é a Isabel, está cheia de saudades vossas e anda a pedir um fim-de-semana fora. Quando vamos? 

Camisola - Boboli 

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14 comentários:

  1. Parece muito subjectivo e às vezes mais objectivo, poderá ter a ver sim com o facto de ela não ter a chamada “família tradicional” que nos dias de hoje já não tem nada disso, e ela vai crescer num mundo cada vez mais simplificado. Imagino que custe, por aqui o que estará para vir? Vai passar... tu és uma mãe top!! Beijinhos e bom ano

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  2. A minha Leonor ainda há poucas semanas era a Clara a prima que mora a 600kms de distância. Não me podia enganar que ela lembrava me logo que era a Clara. Já passou e ainda bem porque também já tinha saudades da minha filha. Lol

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  3. Bom dia Joana, é mesmo super normal e até sinal de desenvolvimento essa representação... Não se preocupe em breve surgirão outras personagens :), mas percebo que possa dar uns nervos miudinhos ;)

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  4. A representação de pesonagens também é muito.comum por aqui!Elas adoram!
    A mim irrita-me quando a estou a chamar e digo Mia umas 10 vezes seguidas e ela repete essas mesmas 10 vezes seguidas: "Não sou a Mia! Sou a....!"
    Vai passar 😍😘
    Bom ano e um grande beijinho meu e da Mia!

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  5. Oh my God. . .

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  6. Essa criança vai precisar de tanta terapia!!!!

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  7. Não sei se já o fez, mas penso que deveria colocar a questão a um especialista.

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  8. Este assunto é muito sério. E sem um pingo de crítica sugiro te que procures aconselhamento de um psicólogo.
    Maria Vasconcelos

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  9. A minha filha do meio durante imenso tempo foi "a mãe da Beatriz" e, em consequência, eu, a "avó da Beatriz"!!! A minha filha mais velha, aos 4 anos foi casada com o "João Maria" que era pintor de casas na Alemanha e tinham dois filhos, o Daniel é a Helena, de quem ela tomava conta sozinha. A minha filha mais nova que tem agora 4 anos tem pilinha e é um miúdo. Tudo parte da experiência que os ajuda a crescer. !

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    1. Fui uma das pessoas que aconselhou a Joana a procurar ajuda de um profissional. Se nada se tivesse passado na vida da Irene, acharia o seu comportamento, tal como acho o das suas filhas, normal. Mas como foi o divórcio dos pais, pode ter alguma outra explicação.

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  10. Obrigada Joana por me fazeres sentir uma "pessoa normal". Ao pé de ti todos parecemos normais.

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  11. A minha filha faz imenso isso! Faz de "sara" de gato, de "irmã msis velha".... nunca pensei que nao seria normal! É só uma brincadeira!

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