"Filho meu não há-de ver a mãe nua". "Eles têm de aprender desde o início o conceito de intimidade". "As crianças devem ser respeitadas e devem saber respeitar os pais". "Há que evitar a sexualidade precoce".
São estes alguns dos argumentos contra os banhos com os filhos. Ou contra os filhos verem os pais nus.
Quem sou eu para desrespeitá-los? Ninguém. Respeito as dinâmicas familiares e a educação que cada pai e mãe quer dar ao seu filho. Tenho a certeza de que é com a melhor das intenções e que não se deve contrariar, nestas situações, aquilo que é nos é confortável.
Agora, deixem-me partilhar a minha opinião, que é para isso que me pagam (era bom, era... Eheh).
Acho que tomar banho com um filho, usando fato de banho, é no mínimo estranho (desculpem, não vos quero ofender, a sério!). Que mensagem lhes queremos passar? Que aquilo é interdito? Que temos vergonha?
Eu não sou hippie. Não vivo numa comunidade que anda nua, nem me sento nua a almoçar. Mas não me imagino a negar à minha filha, seja em que idade for, que entre na casa de banho quando eu lá estou.
Que bom que era poder "fazer sala" enquanto a minha mãe tomava banho e vice-versa. Adorava aquelas conversas femininas na casa de banho. Nunca me fez confusão que, enquanto eu tomava banho do outro lado da cortina, a minha mãe lá estivesse, ou o meu pai entrasse para ir buscar um corta-unhas (ou o que fosse) ou que o meu irmão fosse buscar papel higiénico para poder usar na outra casa de banho. Não havia esse pudor, não havia grandes tabus e, talvez por isso, também não havia curiosidade de mirone. Naturalmente, pedia-se permissão antes de entrar, mas nunca ninguém se sentiu constrangido, pelo menos que eu me lembre. Se se sentisse, tenho a certeza que o outro acataria, porque respeito foi coisa que nunca faltou ali.
Por isso, o argumento do respeito para mim não cola. Não havia pessoas que se respeitassem mais, na sua individualidade, do que nós. Tínhamos (e temos) uma relação muito próxima, muito apegada, muito cúmplice, mas também despudorada q.b. Se isso significou "sexualidade precoce", confusão de papéis, traumas? Não, nenhuns.
É o tipo de relação que eu quero ter com a minha filha. Aberta, feita de conversas e explicações, sem bochechas a corar porque me viu nua e não me tapei a tempo, e respeitando, sempre que me peça, a privacidade e a intimidade dela. Sempre.
Acho que a relação que tenho com o meu corpo, e com os corpos em geral, muito descomplexada, se deve a este à-vontade.
"À vontade não é à vontadinha", dirão alguma leitoras. Pode ser. Mas esta é a minha experiência. Válida como qualquer outra.