4.08.2015

"Filha minha não me há-de ver nua".

"Filho meu não há-de ver a mãe nua". "Eles têm de aprender desde o início o conceito de intimidade". "As crianças devem ser respeitadas e devem saber respeitar os pais". "Há que evitar a sexualidade precoce".

São estes alguns dos argumentos contra os banhos com os filhos. Ou contra os filhos verem os pais nus.

Quem sou eu para desrespeitá-los? Ninguém. Respeito as dinâmicas familiares e a educação que cada pai e mãe quer dar ao seu filho. Tenho a certeza de que é com a melhor das intenções e que não se deve contrariar, nestas situações, aquilo que é nos é confortável. 

Agora, deixem-me partilhar a minha opinião, que é para isso que me pagam (era bom, era... Eheh).

Acho que tomar banho com um filho, usando fato de banho, é no mínimo estranho (desculpem, não vos quero ofender, a sério!). Que mensagem lhes queremos passar? Que aquilo é interdito? Que temos vergonha? 

Eu não sou hippie. Não vivo numa comunidade que anda nua, nem me sento nua a almoçar. Mas não me imagino a negar à minha filha, seja em que idade for, que entre na casa de banho quando eu lá estou. 

Que bom que era poder "fazer sala" enquanto a minha mãe tomava banho e vice-versa. Adorava aquelas conversas femininas na casa de banho. Nunca me fez confusão que, enquanto eu tomava banho do outro lado da cortina, a minha mãe lá estivesse, ou o meu pai entrasse para ir buscar um corta-unhas (ou o que fosse) ou que o meu irmão fosse buscar papel higiénico para poder usar na outra casa de banho. Não havia esse pudor, não havia grandes tabus e, talvez por isso, também não havia curiosidade de mirone. Naturalmente, pedia-se permissão antes de entrar, mas nunca ninguém se sentiu constrangido, pelo menos que eu me lembre. Se se sentisse, tenho a certeza que o outro acataria, porque respeito foi coisa que nunca faltou ali. 

Por isso, o argumento do respeito para mim não cola. Não havia pessoas que se respeitassem mais, na sua individualidade, do que nós. Tínhamos (e temos) uma relação muito próxima, muito apegada, muito cúmplice, mas também despudorada q.b. Se isso significou "sexualidade precoce", confusão de papéis, traumas? Não, nenhuns.

É o tipo de relação que eu quero ter com a minha filha. Aberta, feita de conversas e explicações, sem bochechas a corar porque me viu nua e não me tapei a tempo, e respeitando, sempre que me peça, a privacidade e a intimidade dela. Sempre. 

Acho que a relação que tenho com o meu corpo, e com os corpos em geral, muito descomplexada, se deve a este à-vontade.

"À vontade não é à vontadinha", dirão alguma leitoras. Pode ser. Mas esta é a minha experiência. Válida como qualquer outra. 

4.07.2015

Há dois tipos de mães.

Há dois tipos de mães: 

As que acordam os bebés das sestas e as que não acordam.

As que chegam a horas a todo o lado e têm uma vida super preenchida porque acordam os bebés e as que não conseguem acordar os bebés e combinam tudo em função deles. 

As que são todas despachadas e não há nada que lhes faça frente e as que ficam à espera, no carro, que o bebé acorde.


Que tipo de mãe são? :)

Eu sou, claramente, a segunda.

Na saúde e na doença.

Ainda não nos tinha acontecido, mas chegou a vez de ficarmos os três doentes. Os três não, os quatro, que nem a minha mãe se livrou. E é do piorio! A sério, é tão difícil ser mãe, estando doente!

Primeiro foi a Isabel, perdeu o apetite, apesar de nós insistirmos e insistirmos e insistirmos para que comesse qualquer coisa. Começou com cocós moles (que pensei serem do dente canino a nascer), mas duas noites depois estava com vómitos, a vomitar água e pouco mais. Foram três dias sem comer grande coisa e a deixar-nos os nervos em franja.

Quando começou a melhorar, foi a vez da minha mãe. Depois, o David que, coitado, ainda por cima teve de ficar com a Isabel sozinho enquanto eu estava a trabalhar. E eu, mesmo tentando passar entre as gotas da chuva, também não me livrei. Estive a trabalhar muito mal-disposta e durante a noite foi o vê se te avias! Como é que nos levantamos para socorrer um filho a chorar, completamente azamboados, frágeis, com náuseas e vómitos?
Bem, três das baixas já estão operacionais. Só falto eu. Socorro!