9.16.2015

Faço 29 anos.

Parabéns a mim e a toda a gente que me atura e que gosta de mim, que tem o dom de me conseguir aturar. Decidi, porque poderá haver alguém interessado, contar-vos um pouco mais de mim. Ainda mais? Sim. 

Claro que tinha de escolher uma em que estivesse bem, não é? E dá para ver que não me injecto nos braços, o que é sempre bom.


Joana, nascida a 17 de Setembro de 1986. Loira, de olhos verdes. Usei aparelho. Filha da Mãe Sílvia e do Pai Filipe, respectivamente juíza e professor universitário/engenheiro químico. Família de Melgaço e família da Amadora. Nasci na Damaia (no Hospital Particular), mas no BI dizia Damaia. Durante a maior parte da minha infância vivi em Portugal inteiro enquanto a minha mãe estagiava em vários tribunais. Lembro-me, por exemplo de Cartaxo, Grândola, Sto. André, S. Tiago do Cacém, Rinchoa... "Lembro-me".

Só via o meu pai aos fins-de-semana visto que ele continuava a trabalhar em Lisboa. 

Aos meus 6 anos divorciaram-se. Fiquei com a minha mãe e com o meu padrasto João. Fomos morar para Oeiras. Da escola primária nº2 da Rinchoa passei para o Colégio Princesa Isabel em frente à estação de comboios de Oeiras e aí fiquei durante a 4ª classe, tinha de usar farda e eu gostava. Passava todas as sextas com o meu pai e fins-de-semana alternados. Incialmente em Linda-a-Velha, depois na Reboleira, na casa do meu avô. 

No 5º ano fui para o Colégio Quinta do Lago em S. Domingos de Rana e fiquei por lá até ao 9º ano. Gostava de todas as disciplinas, mas mais de línguas, claro. Odiei a parte dos Vulcões em Ciências da Natureza e não conseguia gostar de história. No sexto ano, por ter sido a única aluna a ter positiva num teste de Ciências e de 80 e tal porcento, a escola propôs mudar-me de turma para a dos que já lá estavam no colégio desde o infantário (a turma A). Chorei muito por deixar os meus amigos, mas depois tudo acabou por ficar junto no 7º. 

Fazia natação e andava no Inglês. Também fiz Judo e houve uma vez que fui a uma aula do Coro, mas não deve ter corrido bem. 

Caía sempre em todos os períodos em educação física. 

Algures pelo meio de tudo isto tive um dos grandes amores da minha vida, o meu irmão Pedro (filho da minha mãe, mais novo que eu 10 anos).

O meu padrasto João estudava comigo e revia a matéria. Até que pedi para ser independente (não sei bem quando, mas aguentei-me à bomboca). 

Escolhi humanidades e fui no 10º ano para o Liceu de Oeiras. No 11º fui morar com o meu pai para Lisboa e fui para o Maria Amália. Depois no 12º preferi ir para o Liceu Camões. 

Entre ir para o conservatório fazer teatro ou ir para Comunicação Social, acabei por ir para Comunicação Social. Apesar de adorar representar (descobri isso nas aulas de Orientação de Expressão Dramática no Camões) senti que não estava a ir para essa área por motivos honestos. Acho que só queria estar em cima do palco e que, se gostasse mesmo de teatro, já teria ido ver umas peças voluntariamente. 

Fui para Comunicação Social na Universidade Católica Portuguesa de Lisboa. Ganhei o gosto pelo estudo e adorei o curso. Foi só 3 anos (bolonha), mas cresci imenso com ele, em método. Infelizmente pouco ou nada apliquei do curso na minha profissão. 

Algures aqui pelo meio tive outro amor da minha vida, o meu irmão Tiago (filho do meu pai, mais novo que eu 20 anos).

Por causa de Bolonha, comecei logo a enviar currículos a meio do segundo ano/terceiro (não me lembro) a dizer que a minha média final prevista seria de 15 para me chamarem o quanto antes e não perder tempo. Queria muito sair de casa asap para ter mais privacidade e liberdade. 

Fiquei quase que imediatamente no Grupo Renascença na Mega Hits, o que também fez com que me borrifasse para o suposto Mestrado em Novos Media e Praticas Web na Universidade Nova de Lisboa. Estive para escolher entre um trabalho muito bem remunerado como account numa empresa internacional ou um estágio não remunerado na Mega e escolhi a Mega. Só por ser a minha rádio preferida, não por alguma vez ter tido o sonho de fazer rádio. Ah! Também porque me dizem que sou muito comunicativa e que ia ter jeito, blá blá. 

Fiquei na Mega. Saí de casa. Fui para uma casa alugada, mobilei-a com as mobílias que tinha no meu quarto da casa da minha mãe e da do meu pai. Comecei por ser animadora da noite na Mega Hits, depois da Tarde, depois da Manhã (10h-14h). A minha melhor amiga deu-me um gato, a Bubbles. Não tinha muito dinheiro para "viver". Pagando as compras, contas e fumando... pouco restava. Apercebi-me que um kg de arroz não é muito caro e que mata a fome também.  Depois passei a ganhar mais um pouco.

Fui fazendo cursos e workshops pelo caminho de fotografia, teatro, stand-up comedy. Comecei a fazer stand-up comedy, mais tarde teatro de improviso ou comédia de improviso na Comuna. Também apresentei rubricas na Sic Radical e fiz alguns festivais em televisão.

Conheci o meu marido num espectáculo de stand-up comedy, ele estava a assistir. 

Fui convidada para apresentar o Café da Manhã da RFM e apresentei. Fiquei com demasiadas saudades da Mega Hits e voltei. 

Apresentei as manhãs com o Paulo Pereira no "ProGama da Joana". 

Casei. 

Engravidei. 

Escrevi um livro.

Tive a Irene. 

Lancei o livro "Estou toda Grávida". 

Licença de maternidade.

Licença sem vencimento de um ano. 

E em Novembro volto à Mega Hits. 

Foi mais impessoal o que vos escrevi hoje? Sim. Mais curto e grosso? Sim. 

Foi para variar! ;)


29 anos... ... 

Há esperança!

Já fiz centenas de posts sobre isto (vá, sou capaz de estar a exagerar, talvez não tenham sido centenas) e que podem encontrar aqui.

Para mim, nunca foi fácil alimentar a Irene. O facto de se amamentar sem horários, mas quando o bebé pede (a chamada livre demanda) torna a coisa mais intuitiva e, por isso mais dada a "erros", para mim que penso demasiado. Devo-lhe ter tentado dar de comer umas 430 vezes (vá, sou capaz de estar a exagerar) sem que ela tivesse fome ou que estivesse a morrer de sono ou, sei lá. Porque o problema é mesmo esse. Enquanto não nos podem dizer o que sentem, nós "sabemos lá" (só me lembro do "romance" da outra, que nervos!). 



Sempre que se fala de comida com mães "de maminha" é recomendado um livro do pediatra Carlos Gonzalez "Mi ninõ no me come". Ainda não li, mas fica a dica para vocês. 

Passei por imensas fases. Desde a tristeza de lhe introduzir a alimentação complementar por ser tão mais difícil e chato que dar uma mama e já está. À frustração de não conseguir acertar com o apetite dela. A não saber o motivo da recusa. O afastar a colher da boca, o querer atirar tudo para o chão, não conseguir distraí-la. Dar-lhe de comer foi, durante muito tempo, um motivo de enorme enervamento. Já nem me lembro, mas acho que cheguei a chorar e tudo. Só mães que tenham esta... vertente cultural tão vincada de querermos empanturrar os filhos a torto e a direito (tão português) me percebem. 

Felizmente vi a luz e relaxei. "Não quer, não come" e pronto. Está bem de saúde? Está. Então, ponha-se fina. Vá à sua vida e um abraço. Além de ser um método bastante à la Disciplina Positiva (deixá-la lidar com as consequências das suas escolhas, mas ainda é cedo para ela perceber), não causa nenhum dano na nossa relação. Nenhuma das duas faz birra no sentido contrário uma da outra. 

Ainda agora não quis almoçar. Foi dormir sem comer. Pronto. Quando acordar come. São raciocínios tão básicos mas que nem sempre são fáceis. Para mães de bebés mais pequenos, ainda para mais com uma dose do tamanho dum elefante de hormonas em cima... 

Agora é um dos meus momentos preferidos. Adoro dar-lhe de comer. Fazemos desenhos (eu faço, pronto, ela rabisca), brincamos com os cubos em que atribuo um som a cada cubo e ela vai fazendo pedidos para eu repetir consoante as cores, etc. Pelo meio vai-se comendo e ela vai escolhendo que colher quer naquele momento se de sopa ou do segundo prato. 

Por isso mães que se enervam com a comida, há esperança. Vejam sempre a luz ao fundo do túnel. Tudo o que é menos agradável, acaba por acabar. As noites mal dormidas, não sabermos lidar com elas, com isto da comida...

Fica a promessa. As coisas melhoram. Tenham paciência que eles terão também. 

A prenda dos 18 meses!


São daquelas que vão ao supermercado comprar três coisas e vêm de lá com cinco que nem estavam na lista? Ou que vão a uma loja procurar um casaco azul e saem de lá com um vestido vermelho? Estou convosco. Fui comprar um livro para os 18 meses da Isabel (todos os meses lhe ofereço um livro, sendo que já estou a comprar alguns para quando for mais crescida). Vim da loja com um Puzzle dos Pandas (passou a ser o animal preferido da Isabel desde que descobriu o Panda e os Caricas, assim como o Pinguim, "pinguim, pinguim, a dança do pinguim") e umas tintas para pintar com os dedos vieram agarradas.

Só não gostou mais porque já era fim do dia e já eram horas de jantar. Saiu dali directa para o banho. A tinta saiu toda da roupa (acho que são laváveis, pelo menos foi o que a senhora me disse, acrescentando que mesmo que vão com a mão à boca, estas não são tóxicas).








Próxima coisa a comprar: um rolo gigante de papel.

9.15.2015

O Panda e os Caricas.

Ui. Por onde começar. Devo dizer que a culpa é da Isabelinha da Joana Paixão Brás. Nós partilhamos uma conta do Youtube e no meio das músicas que punha para a Irene aparecia-me isso do Panda. Não resisti. E entrei na seita. 

A Irene é agora mais uma fã dos Caricas. 



Claramente preferia que o nome tivesse alguma coerência com o projecto. Talvez O Panda e os saltitões ou o Panda e os personagens com síndrome de Peter Pan. Ou: mais uma maneira de vos mamar dinheiro em merchandising e festivais. Ou, esperem, esperem: como por pão na mesa vestindo umas jardineiras de pano feitas à mão. Já estou a divagar. É só porque, dito muito rápido, parece que estou a dizer o nome ordinário para pipi em criolo. São referências que eu cá tenho, não se incomodem.

O meu primeiro contacto não foi de choque. A Irene começou logo à saltar e pensei que isso era bom para lhe fortificar aquele traseiro. Aos 17 meses sofre de alguma celulite e quero já por-lhe aquilo em ordem para não te de usar daquelas calças todas push-up da Salsa (o quê? a Joana Paixão Brás tem umas? Que coincidência!). 

Devo congratular os actores pela sua entrega e ao esforço que fizeram para abolir toda a sua sexualidade. Até o pobre do Matias usa uns collants para não se ver os pelos das pernas (não fosse alguma menina ficar mais entusiasmada ou pensar que ele já não tem idade para fazer aquelas figuras). Sim, deve ser por causa da croma, mas ninguém me convence de que ele não está a gostar. Aliás, não vejo outra maneira dele saltar tão à vontade sem ter aquilo tudo arrumadinho como nós quando temos de nos enfiar violentamente dentro de collants. 

O Matias (personagem, não actor, o de vermelho) tem uma deficiência na fala? É para que as crianças aprendam a tolerar a diferença? Também pode ser aparentado do Sean Connery e parecer que tem meia gaze na boca enquanto fala por causa disso. Outra hipótese que ponho é estar a usar uma prótese. Também pode ser. 

A Clarinha (a de rosa) é aquela que os rapazes pensam primeiro em "ir lá". Perguntem lá ao vosso tipo se não era a que faziam primeiro. Ah pois! Tem aquele ar sonsinho, mas dizem eles que ou é mesmo uma bomba na horizontal ou um bacalhau e que, se for de graça, vale sempre a pena tirar a dúvida. Eu gosto dela, não brinca em serviço. Como atriz não se esquece do que está a fazer e dá para ver pela intensidade desmedida no "mais um" que grita na música da Festa: "toda a gente está feliz... [está feliz], toda a gente a cantar...". Essa, exactamente. 

O Pedro (o de azul) parece o Keanu é verdade. Não tenho grandes reparos a fazer. Se tivesse de dar um bate-chapas nalgum deles era nele, mas depois de um cortezinho de cabelo. Nenhum homem que tenha de manter aquela cabeleira está pronto para amar uma mulher com deve ser. Sorte a dele de não ter pelos nos braços, senão também lhe punham uns collants como ao pobre do Matias. Gosto muito de o ver a saltar na música do Baile Olímpico (que é só o título mais imbecil de todos, supera até o "Sou uma Taça"). Parece que a sua vida depende disso. Muito magrinho, porém. Tem estrutura corporal para poder apanhar uma candidíase e ter de por uns ovinhos. 

A rapariga de amarelo (que nunca me lembro o nome porque cá em casa chamamo-la de wannabe Ana Malhoa) é aquela que o meu cérebro tolera menos. Nutro uma simpatia generosa por ser a mais badochinha e portanto "ser cá das minhas" (não é gorda, simplesmente não é esticadinha como a Clarinha, a "papável"), mas acho que é daquelas personagens a quem eu daria um soco no esfíncter anal se tivesse de lidar com ela todos os dias.  No meu esfíncter. Não no dela. No meu para ser daquelas manobras de diversão de quando nos dói a cabeça bater com o pé no móvel e, de repente, deixar de doer o que doía antes (aconselho isto a gente parva, só). Não gosto de te ver sem ser com os totós de lado, rapariga de amarelo. Quando pões aquelas pseudo-tranças ficas mais enervante, fica a dica. Quanto a deixar uma alça das jardineiras para baixo... havias de ter crescido com a minha mãe que te ensinava a usar isso bem vestido. Que cric... carica mais rebelde. Que malandra. 


Que fique claro que nada tenho contra os actores em si, que não os conheço mas, por acaso, gostaria. Adoraria ver um deles a fumar, saber que outra tem um piercing num mamilo e que um deles não tem uma placa, simplesmente faz boxe e que lhe partiram a boca toda no dia das gravações.

Obrigada e desobrigada por fazerem parte duma das coisas mais giras e piores da nossa vida familiar. 

Nota: esqueci-me de falar da falta de trabalho das letras, fica para outro post. "Pinguim, Pinguim, Pinguim, a dança do Pinguim, Pinguim, Pinguim é para dançar assim" não me parece que tenha feito valer o caché do letrista. 





A Mãe dá... - Colecção Não Quero - Vencedor

Hoje, o resultado do passatempo vem num texto curto e grosso. Vá, só curto.

O vencedor do passatempo a Mãe dá - Colecção Não Quero da editora Zero a Oito é...




Teresa Prazeres Figueiras!

Parabéns!



Já percebi que temos de fazer mais passatempos destes! Foi um sucesso, com mais de 1000 participações. Obrigada a todos!

Adeus, chupeta!

E ontem foi o dia em que a Irene deixou a chupeta de vez. Quem me "ouve" ler neste momento, até fica a pensar que foi algo difícil, mas nem por isso. Difícil é ela nunca ter gostado muito de chupeta e termos de lidar com as emoções todas dela sem lhe dar o cigarro. Só porque ela não gostava muito porque tentar... ui, se tentei! Até comprei umas 550 chuchas. Durante o dia, às vezes, distraída até aceitava, mas durante a noite, quando acordava, nunca quis a chucha. Foi sempre a mãe, a mama da mãe. Por um lado é bom, por outro não que agora tenho aqui um furinho que me anda a deixar louca de dores.




A chucha nunca nos serviu para nada. Foi muito mais nosso amigo o pão. Calava-se num instante e ficava deliciada a fazer a sua açordinha. As cenouras baby também. 

Mesmo assim, todas as noites, quando a deitava, punha-lhe a chucha. Não porque ela pedisse. Não sei ao certo porquê. Será por estar habituada a que os bebés durmam com um pedaço de plástico na boca? Andamos nisso há 17 meses. Há 17 meses que lhe ponho a chucha para ela dormir. Ontem não pus. E o que aconteceu? Nada. Não fez diferença alguma. 

Isto dá-me que pensar quantos "hábitos" deles, não serão apenas "coisas" nossas. Já escrevi sobre a chupeta aqui.  Será que eles não comem mesmo se não estiverem a ver os vídeos ou... nós é que não temos fé suficiente para arranjar um sistema e acreditar nele?

Muito se fala sobre o vício da mama (prometo que não vou ter um discurso fundamentalista sobre a mama, não desliguem já), mas por que é que não ligamos tanto ao vício que eles têm de ter sempre uma rolha de plástico na boca? Eu, só passado 17 meses, é que pensei a sério nisso. A minha filha andava a dormir com um pedaço de silicone na boca e não era preciso. 

Afinal, quem precisava de chupeta era eu!

Adeus, chupeta!

Isto é mesmo o intercomunicador da Irene, as chuchas e o ursinho.

Algumas informações:

- A chucha, introduzida antes do primeiro mês, pode prejudicar gravemente a amamentação, tal como o biberão.

- A chucha pode atrasar o desenvolvimento da fala.

- A chucha (se usada durante muuuuuuuito tempo) pode entortar os dentes.

9.14.2015

Cá em casa há regras e não há.



Para mim, a vida não é um ensaio. Gosto de viver a valer, de sentir a valer. Sou mais de fazer do que de pensar. E talvez por isso goste de aproveitar todos os segundos e gosto que eles sejam um bocadinho imprevisíveis, mesmo sendo mãe. Gosto de dizer que sou um bocadinho hippie, no sentido em que me aventuro bastante e que não sou sempre fiel às rotinas. Gosto de decidir coisas naquele minuto, quase por impulso. Até agora tenho-me saído bem. Nunca me arrependi de ter ido, de ter feito, de ter experimentado coisas com a minha filha. Não gosto de exageros, não lido bem com eles. Gosto de aventura, q.b. e gosto de tranquilidade, q.b. Acho que a minha filha se tem habituado a esse modo de viver e está feliz assim. Sinto-a segura, alegre, inteligente, bem-disposta, meiga. Se estou ou não a fazer um bom trabalho, nunca se sabe, o tempo o dirá. Se este é o caminho correcto, não faço ideia, mas é o que estou a arriscar seguir.

A minha filha está em primeiro lugar, mas eu também estou. Por isso, tento encontrar um equilíbrio entre o que é bom para ela e lhe faz bem e aquilo que é bom para mim e me faz bem.


Ela não vai todos os dias para a cama à hora exacta. E há, de vez em quando, dias de festa.
Ela não toma banho todos os dias. Às vezes escapa.
Ela não dorme todos os dias na mesma cama. Já dormiu em pelo menos 7 camas diferentes, de norte a sul de Portugal.
Ela não dorme a sesta sempre à mesma hora. E houve um dia em que nem dormiu.
Ela não come todos os dias comida fresca e saudável. Já comeu douradinhos, croquetes e já provou arroz doce e croissant.
Ela não adormece todos os dias na cama dela. Há dias em que me pede colinho e eu dou – sempre - e há dias em que quem quer colinho sou eu.
Ela não come à mesa todos os dias. Nem nós.


Cá em casa há regras e não há. Há, porque isso lhe transmite segurança, conforto e a ajuda a crescer com autonomia. Não há, porque nos vamos moldando ao dia, à hora, à situação, às necessidades. Minhas e dela. Nossas. Sempre com uns rasgos de improviso, com “uma vez não são vezes”, sem dramas, sem sentimentos de culpa. 

Foto LoveLab

9.13.2015

Não há condições.


Se uma pessoa, num dia normal, já se sente uma super-mulher por conseguir fazer tudo o que tem de fazer num estado normal e quando estamos doentes? 

Sinto que agora não tenho condições nem para estar doente sossegada nem para ser mãe decentemente. 

Estou com umas dores na garganta e tosse já há alguns dias e, depois dos primeiros dias em pura negação, cá estou eu nas chamadas "lonas". Devia ter pensado melhor nisto antes de estar meia hora a adormecê-la, dar-me um ataque de tosse de cão e ela acordar assustadíssima. 

Nem no nosso quarto pude dormir por causa destes ataques imbecis. Tinha de tossir quase a engolir a almofada ao mesmo tempo e, portanto, mudei-me para a sala. Se já não durmo bem a acordar mil vezes por noite, ter que fazer um caminho novo e 4 vezes mais longo de cada vez que acordo... 

Quando eles estão doentes ganhamos umas forças extra vindas de não sei onde. Da única fez que a Irene esteve doente, lembro-me de estar de directa e sentir como se tivesse vindo de férias...

Devíamos ter uma imunidade qualquer por sermos mães. Nunca deveríamos ter dores nem doenças. 

Um beijinho à distância (para não pegar nada) a todas as mães que estejam a "chocar alguma" como eu. 




Queres ter filhos?

Conversa entre duas amigas. Uma que está a pensar em ter filhos.


- Era um McMenu Double Cheese, por favor. 

- Olha, pede-me mais um pacote de batatas fritas que já sei como é.

- E um pacote de batatas fritas médio, sff. 

- Depois pago-te.

- É, é. 


Sentam-se.


- Tenho uma coisa importante para te dizer!

- Ui! É má ou boa?

- Boa, claro!

- Porquê "claro"? Às vezes acontecem coisas más.

- Epá, "claro", porque se não fosse boa, não estaria com esta cara, não é?

- Não sei. As batatas daqui são as melhores de sempre...

- Se ao menos fossem batatas... Queres saber ou não?

- De que são feitas? Não, obrigada.

- Não. Se queres saber qual é a coisa boa.

- Quero, claro. Conta lá.

- O coiso e eu estamos a pensar em ter filhos.

- Ai que bom! Vocês conhecem-se há quanto tempo? Uma semana? Ai, não. Espera. Não sei sai à noite à terça-feira. Estou a brincar. Mas, agora a sério, estão juntos há quanto tempo?

- Namoramos há quase um ano.

- E moram juntos?

- Sim.

- Há quanto tempo?

- Isso interessa?

- Um bocadinho. Não muito, mas interessa. Já vi que não é muito.

- Mas porquê?

- Madalena, eu sou toda a favor do espontâneo e da maluqueira, mas não seria tua amiga se não te dissesse umas coisas. 

- Epá, lá vens tu com as tuas merdas.

- Não são as minhas merdas, Madalena. Por alguma razão me quiseste contar isto e já sabias que não ia só ficar contente por ti, não é?

- Tenho de ir buscar guardanapos. Por que é que os sacanas não metem logo a merda dos guardanapos no tabuleiro?

Volta.

- Madalena, é importante que já mores com o coiso há algum tempo porque quantos menos ajustes tiverem de fazer à relação durante o período de gravidez e de nascimento do bebé, melhor. Se já pessoas que estão juntas há anos têm os seus problemas em "ajustar agulhas", quanto mais um casal que ainda não se conhece, estando mesmo juntos muito tempo, e partilhando o mesmo espaço. Acho mesmo importante. 

- Nós nunca tivemos problema nenhum.

- Claro que não. Estão apaixonados, é tudo maravilhoso. Isso é natural. E vão continuar apaixonados que não sou daquelas que acha que a paixão, com o tempo, desaparece. Acho é que têm de se conhecer mesmo muito bem para decidirem ter um bebé juntos.

- Para a criança não ouvir discussões?

- Claro que a criança importa, mas podemos falar disso noutro dia. Agora queria falar de ti. É muito importante também por ti. Por ele não me interessa que sou tua amiga - já sabes como sou.  Sabes por que é que é importante para ti?

- Mas isto é algum evento infantil? Queres que eu diga "sim, professora"?

- Por que é que estás na defensiva?

- Porque eu vinha toda contente contar-te isto e já me estás a por entraves...

- Eu não sou nenhum dos dois, vocês fazem o que quiserem. Queria só dizer-te que é importante que se conheçam bem, por ti também. A gravidez, o parto, o nascimento duma criança, tornares-te numa mãe (e ele num pai) é um processo tão complexo como bonito. Odiaria que te sentisses sozinha com uma criança nos braços.

- Ele não me vai deixar, não vamos acabar.

- Não é isso, Madalena. Convém quererem o mesmo para a vida. Convém estarem ajustados um ao outro, saberem respeitar as manias de ambos, os nervos, saberem acalmar-se, saber quando se deve abraçar, quando se deve dar espaço, quando se deve opinar, quando se deve só dar um beijo na testa. Ele vai ser pai dum filho teu, mas também vai deixar de ser teu namorado para ser algo mais e diferente. Tem de ser algo mais. A paixão não se perde, mas já tem que haver mais do que isso. Ainda me estás a ouvir?

- Estou, sim. Mas o que é que é tão difícil?

- Posso falar-te das coisas básicas como as mudanças hormonais, os receios que ele poderá ter de não ser um bom provider, a gravidez poder ser stressante, a privação de sono de ambos com a criança, os berros da criança e não conseguirem pensar, expectativas não cumpridas, ajustamento do sonho à realidade do que é ser mãe e pai dum recém nascido... O nosso lado mais animal, mais primitivo vem à superfície e não é esse o melhor. Ficamos histéricas de cansaço, tristes fisicamente, nervosas... E eles lá deverão sentir as coisas deles que não faço ideia quais serão. Sei que nem sempre é bonito e que é bom que o casal já tenha uma vivência mais... ampla para ter filhos. Decidir ter filhos tão cedo é claro que é romântico, mas é como decidir comprar uma casa depois de teres bebido uma garrafa de vinho sozinha, entendes?

- Estás a dizer que é uma decisão estúpida?

- Não posso dizer isso. Na volta as coisas até poderão correr muito bem, não é assim com toda a gente, mas o que queria dizer  é que podes não estar a ver-vos com clareza. Têm pressa?

- Não, mas amo-o tanto que só me apetece acelerar...

- Percebo, não podem antes fazer outras coisas também definitivas? Casem-se ou assim!

- Que parvoíce...

- Mais do que ter um homem perfeito para ser pai, precisas mesmo de conhecer o homem que escolheres. Por ti. Para não ficares triste, para não te desiludires, para não te sentires ainda mais sozinha do que as hormonas te poderão fazer sentir. Não é só um bebé que nasce. És tu. É o pai. É um novo casal. Uma família.

- Mas morreu-te o cão para estares a falar assim?

- Caga nisso. Vou buscar os gelados. 

Antes e Depois

17 meses depois, voltar a Santarém continua a significar o reencontro dos amigos Sunny e Pipo. ❤️
E da avó Tatá, vá ;)