5.13.2015

Vocês têm aquele buraquinho entre as pernas, que não é o pipi?

Ontem deu-me na cabeça arriscar. Para uma pessoa como eu, ansiosa, ir à praia em hora de ponta, com uma bebé que atinge o pico da irritação muito facilmente (genes), sendo que não lido nada bem com ela a chorar no carro, é mesmo uma aventura.

Não tinha chapéu de sol e pedi ao Frederico para ir ao Jumbo comprar. Acho que são 8 euros. Servem perfeitamente. Não vale a pena estar a comprar um chapéu caro se depois, para o ano, já estou farta dele. 

Claro que depois, quando ela acordou, já não estava muito sol e não foi preciso, mas ficou a intenção e, por falar nisso, tenho a intenção de ir muitas mais vezes à praia. 

A minha melhor amiga, a que foi tipo minha namorada nos últimos 10 anos e que desapareceu em combate quando engravidei (claro que levou tareia, choradeira e afins - depois faço um post sobre isso), veio cá ter a casa e fomos à praia onde íamos quando éramos só nós as duas. À praia mais perto da A5 onde ninguém vai (e deverá haver motivos para isso que não quero saber). 

Fiz a depilação à pressa no banho com a gilette, nem olhei ao pormenor, não tinha tempo, mas depois recebi o castigo. Assim que saí do carro em Caxias e me deu um ventinho nas pernas, comecei logo a sentir os outros sacaninhas que sobreviveram à lâmina. Há poucas coisas que me irritem mais do que isso. Talvez ter que fazer a depilação seja mais irritante ainda.

A Irene não teve medo de andar descalça na areia e não se armou em parva e começou a comer areia. Tão querida. O chão da nossa casa está tão sujo que lá lhe vamos ensinando a não comer pelos de gato e afins. Deve ser por isso que se portou tão bem. A não ser com paus e algas secas. Isso ela tentou várias vezes por à boca e eu, no alto dos meus 70 e tal kilos e um ano sem fazer nada, lá me atirava cheia de genica tipo guarda-redes. 

Vamos lá à reportagem!

(isto são fotos do meu instagram, já as tinha posto ontem, sorry para quem estiver a apanhar repetido. Se também quiserem apanhar repetido :) o meu instagram é @joanagama ou http://www.instagram.com/joanagama )

Esta tive que por. As minhas pernas surpreenderam-me. Se por um lado, sempre as odiei porque tenho pernas de machona e pareci sempre um frango em calças justas e nunca tive aquele buraquinho entre as pernas (não é o pipi) por ter coxonas, por outro, não estavam todas ao abanão. Raramente me vejo ao espelho com atenção e, nas fotografias, não me apeteceu chorar. 

De reparar que até fui de calções mas tirar a t-shirt num ambiente onde haja máquina fotográfica? Não. Podia estar alguém a almoçar enquanto lê isto e não quero que vomitem o telemóvel. De nada. 

(sempre tive a barriga grande, não tem nada que ver com a gravidez, por isso já estou mais do que em paz)


Para as mães mais atentas e cabras, eu sei que a Irene está a usar o mesmo vestido o dia anterior ao final da tarde (eu, se fosse minha leitora, repararia ;)). Isso deve-se ao facto de só o ter vestido 20 minutos e, portanto, fiz um aproveitamento. 


A pareo era da minha amiga e ela desculpou-se dizendo que era "a única que estava seca". 'Tá bem. 









Não houve comentários às últimas fotografias porque ainda fico caladinha e com um sorriso quando as vejo.  Não que precise, mas apaixono-me sempre que vejo este tipo de fotos dela e nossas. 

5.12.2015

Fui concorrente do Ídolos e com muito gosto!

Estava eu, um dia destes, a trabalhar à noite e distraída destas lides blogueiras, quando, na pausa para jantar, vejo o que a minha partenér (dito assim mesmo) preparou para me humilhar um bocadinho, aqui

Além de expor os meus dotes musicais incontestáveis (a sério que eu cheguei tão longe no Ídolos?!)...


ainda me criou uma página no FB de "artista" (a sério que fizeram like?). Obrigada! (foi a gozar, não foi, sacaninhas?)

Muito se falou do macacão, dos ténis, do top laranja, do colar à beta. Eu cá gosto. Hahaha não gosto, não. Mas na altura pareceu-me lindamente (foi a produção que escolheu e achei irreverente). Mecónio, Joana? (morri a rir).

Sim, fui concorrente do Ídolos e com muito gosto. Em 2004, tinha eu 17 aninhos, aquilo foi uma experiência inesquecível. No primeiro casting estava borrada de medo. E nos outros também, quem é que eu quero enganar? Sempre gostei de cantar, mas se há coisa que me deixa nervosa e insegura é cantar para muita gente, daí nunca ter investido nisto. E por saber que não tinha talento suficiente também. Andei três anos na música e mal sei ler uma pauta, andei a aprender guitarra anos a fio e não toco nada de jeito, andei em coros e às vezes consigo cantar pior que a Ricardina, ou lá como se chamava a concorrente da Casa dos Segredos.

Mas estilo, lá isso ninguém pode negar.




Claro que escarrapachei aqui estas fotos só para contemplarem esta barriguinha formidável de alguém na flor da idade. Mas e o que dizer de próxima foto? Até vou aumentá-la bem.

Que pose foi esta, senhores? Mas eu achava que estava na ginástica ou a fazer alongamentos? Pelo-amor-de-Deus. E aquele colar? Outra vez?!!!

Pronto, já passou. Foi uma experiência do caraças, fiz lá uma amiga para a vida (Millia, estás aí?), pude ver como funciona um programa destes por dentro, cantei, chorei, pus a família toda em peso a gastar dinheiro em chamadas e ficaram óptimas memórias.

Sete anos depois, reencontrei a Sílvia Alberto no 5 para a Meia-Noite e fizemos esta inception

Tinha tanto para vos contar desta minha extensíssima e reconhecida carreira de artista, mas acho que a posso resumir nesta foto:


Aquela sou eu nos Onda Choc, na Expo 98. Qual delas? Isso agora... O que é que acontece às pessoas mais altas? Pois...

Arranjei uma solução para o calor!

Ter uma filha. 

Nunca antes gostei tanto do calor. A sério. Nem o sinto, assim. Estou só toda babada a olhar para ela a divertir-se, a ser saudável, a brincar e nem dou pela temperatura ou se alguém me está a cuspir na testa. 

Ontem fomos à casa da minha mãe e estendemos a manta na relva. Brincámos com o cão Portas (não é nosso, nunca daria esse nome a um cão, os nomes dos meus gatos fazem muito mais sentido: Bubbles e Noddy), molhou os pezinhos e o macacão. O que vale é que a avó Sílvia tinha lá um vestido novo para lhe dar, pronto. 

Quero muito ter uma casa assim para ela crescer. Não tendo, pronto. Vamos a jardins públicos, quiçá um dia até à Piscina Oceânica passar um dia e à casa da Avó Sílvia e do Avôdrasto João.

Deu para matar saudades do Tio Pedro (meu irmão com quem tenho uma relação amor-amor enorme) e também fiquei a conhecer o raio da boneca Kika que é do Benfica. WTF?

São estes dias. São estes dias que nos fazem cometer a loucura de pensar que gostaríamos de parir mais uns 30. 











A mãe desbronca-se (#10) - Que carrinho?

Já conhecem a nossa rubrica "a Mãe desbronca-se", não já? Então por que não colocam por lá as vossas questões fofinhas em vez de nos encherem a caixa de email? Hehe
A Sara (e não digo o apelido para não ficar muito envergonhada, fica descansada Sara Branco) fez-nos a pergunta (apesar de ter sido por email!!!), mas eu respondo, porque sou super compreensiva. E querida. Só que aviso já que sou um bocado suspeita. Ofereceram-me este, adoçaram-me a boca, mas a verdade é que não quero outra coisinha. 






É super leve, anda lindamente na calçada, é prático, cabe na bagageira e, mais importante de tudo, é 100% reciclado (tive de ir ver às minhas cábulas: com 5,6 kg de plástico reciclado fazem o chassis e o assento é feito de 62 garrafas PET.).

Se não tivesse gostado, podem crer que não ia estar aqui a elogiá-lo. É como aquela prenda horrível que nos oferecem no Natal e que só desejamos que venha com talão de oferta. Agradecemos, esboçamos um sorrisinho (pela simpatia e pela intenção, que era a melhor), mas não vamos ser hipócritas e desfazer-nos em elogios, dizer que era mesmo o que queríamos e postar fotos no Facebook com a legenda "melhor era impossível". Não ganho absolutamente nada por estar a escrever este post, fiquei mesmo contente com o dito cujo e, caso não conheçam bem esta marca, a Greentom, sinto que estou a fazer quase serviço público.

A Isabel tem ido sempre virada para a frente, a ver a paisagem, para se desenjoar da cara da mãe dela, mas o carro é reversível e os vossos filhos podem levar convosco o passeio todo e vocês aproveitam para não desgrudarem nem um bocadinho das gracinhas deles.

E agora a parte fútil da coisa: tem cores tão, mas tão giras à escolha. Claro que o verde menta tinha de ser a minha escolha (mais que óbvia). Só se houvesse salmão é que a coisa se tinha complicado.

5.11.2015

A culpa foi do hospital.

E acredito mesmo nisso. Tudo bem que não sou médica nem enfermeira (se houver profissionais da saúde por aí, por favor, elucidem-me com factos e com bons argumentos, até porque gostava muito de acreditar que não se cometem crimes deste género em Portugal, que eu é que estou a ser estúpida). 

Gostava muito que tentassem ler o meu texto ignorando o facto de ser uma daquelas "fundamentalistas da amamentação", como as outras mamãs nos rotulam. Não tenho problemas com esse rótulo. 

Adiante. 



O meu parto foi complicado, blá blá, suspeitou-se que eu tivesse apanhado uma infecção e a Irene também e, então, a Irene teve de passar a segunda noite sem mim no hospital. Acho que isso quer dizer ficar numa sala ali ao lado. Tiveram de lhe controlar a febre, acho eu, fazer análises várias vezes e, por isso, ficou longe de mim. 

Quando voltou, veio uma enfermeira com ela ao colo e com uma garrafa de leite artificial a dizer: "Já viu? Ela bebe sozinha!" - parecia que a miúda estava a agarrar a garrafa sozinha.  

Confesso que, na altura, não era tão informada como agora e tinha as minhas mamas em sangue porque a enfermeira que a pôs a mamar em mim depois do parto, infelizmente não ajudou a Irene a fazer uma boa pega e, não tendo eu sensibilidade por estar toda drogada, ela esteve uma hora a mamar ao lado do mamilo, mas na aureola. Vi a Irene a beber o biberão, não gostei, mas pensei: "é só enquanto as minhas mamas estão assim, já volto a tentar". 

E tentei. Tentei durante o dia inteiro. Queria muito dar de mamar. Muito. Apesar dos meus mamilos, na altura, não parecerem grande espingarda para isso. Não queria desistir. Sempre que ela chorava, convenciam-me (os profissionais) de que era fome e lá lhe espetávamos mais um mini-biberão já preparado de leite artificial. 

Continuei a tentar. As enfermeiras também tentavam ajudar-me, mas "sempre de passagem". Nunca ninguém ficou ali comigo, a tentar perceber por que é que eu estava a chorar, por que é que eu estava a sentir-me falhada, a melhorar a pega...  Uma delas até pôs "um doce" (uns dias depois vim a perceber que podia ser Aero-Om - bitch please... tinha um dia de vida!) no meu mamilo para ver se a Irene agarrava melhor.

Saí do hospital muito triste com isto da mama. Só tinha colostro e fizeram-me crer que o que eu tinha para a minha bebé não era suficiente, que já me devia ter descido o leite. Tinham passado dois dias. Do que li, além dos bebés não precisarem mais do que o colostro nos primeiros dias, também não têm estômago para muito mais. E dar mais, faz-lhes mal. Alarga-lhes o estômago, entre muitas outras coisas. 

Viemos, com a simpatia das enfermeiras, apetrechados de umas 4 garrafinhas ou 5 daquelas do hospital (ainda me lembro da marca, claro, espertos os tipos da Nestlé) e depois comprámos uma lata na farmácia. 

A Irene andou a leite artificial durante os primeiros dias de vida. 

Não morreu, não. Mas ficou alérgica à proteína do leite de vaca. 

Está mais do que provado que um contacto tão precoce com leite artificial pode provocar esta reacção do organismo. O hospital onde tive a Irene não era "amigo do bebé", não tinha os devidos apoios para a amamentação (deviam ser todos os hospitais "amigos do bebé ou não"?) e, então, lá distribuíam aquelas garrafinhas de leite que, na altura, pareciam mágicas. 

Assim que me desceu o leite, passei a amamentar a Irene em exclusivo até aos 6 meses. Custou-me muito. Um dia falo sobre isso. Tivemos de ultrapassar, em família, muitos desafios e com muita perseverança. Muita mesmo. Conseguimos e é a minha coisa preferida de sempre, dar maminha.

Aos 6 meses, eu ia trabalhar e as papas que fazíamos com o meu leite ficavam demasiado líquidas para o meu marido (que ia ficar com ela) lhe dar. Ficava enervado e eu não queria que o momento deles fosse assim, não iria ficar descansada. Pensei: "também, se for uma papa com leite artificial, não há de morrer por causa disso". 

Passado uma semana ou duas, teve uma reacção enorme de alergia ao leite artificial da papa, vieram cá, de ambulância, observá-la e tivemos de ir para o hospital para ela apanhar uma injecção de adrenalina. 

Desde aí, só leite da mamã e muito cuidado para não comer nada com leite. Nada. Nem as bolachas Maria da Isabel da Joana Paixão Bras, o que me ia escapando. Ainda para mais, quantas mais vezes se contacta com o que provoca a alergia, pior o ataque. 

Tive também de deixar de consumir tudo que fosse de leite ou contivesse leite e derivados. Sabendo que não lhe iria fazer bem, não tive outra hipótese.



Para confirmar que era alérgica à proteína do leite de vaca (APLV), tivemos de fazer análises ao sangue da Irene. Foi a pior coisa da nossa vida. Tiveram de picá-la mais de 15 vezes em cada braço. Não conseguiam encontrar uma veia com sangue suficiente e, assim, o sangue também coagulava mais rápido. Chorei. Chorei. Chorámos. Chorou. Parou de chorar como medida de protecção do cérebro por causa do nível de stress (cortisol). E foi aí que os mandei à merda: "não mexem mais, não quero saber". Já tinham o suficiente para a análise à alergia, era o que interessava (escrevi sobre isso aqui). 

Uma alergologista, colega da nossa pediatra, disse que não podíamos averiguar se ela ainda é APLV ou não, dando-lhe leite sem antes fazer análises ao sangue. Fora de questão. Fora de questão.

Fomos pedir uma segunda opinião e hoje fomos fazer testes de alergia cutâneos (aqueles das mini picadinhas com gotas) e... que descanso. Se foi o melhor dia das nossas vidas? Não. Muito demorado. Estivemos no hospital desde as 9h30 até ao 12h30 sempre a dar gotinhas de leite para ver como reagia. 


(sim, era para mostrar a tatuagem :))




E, pelos vistos, agora está boa!

Temos de ir introduzindo as coisas com cuidado e vamos começar com iogurtes (ainda tenho de investigar se são uma mais valia ou não). 

Isto tudo seria desnecessário se o hospital não cometesse este género de crimes. Sabiam que, no Brasil, dar leite artificial aos bebés no hospital é crime? Foi o que me disse uma obstetra. Se houver aí gente do Brasil que me ajude a esclarecer melhor isto.

Fica o aviso para as mamãs to be. Escolham hospitais "amigos dos bebés" ou informem-se o máximo que puderem sobre amamentação antes ou orientem já uma estratégia de apoio caso seja necessário. 

Há ajuda na Linha SOS Amamentação e em vários grupos no Facebook sobre amamentação. Procurem por Conselheiras de Amamentação (CAM). 

Não quero que passem o mesmo com os vossos bebés que eu passei. Podia ter sido pior? Podia. Podia nem sequer ter sido? Epá, podia. 

A culpa também foi minha que devia ter-me informado, mas continuo a achar que isto não deveria acontecer em lado algum, muito menos num hospital. 

Pelo menos que me informassem dos riscos, tal como fazem quando há operações ou recomendam medicamentos esquisitos. 

É isto. 

Afinal Havia Outra (#24) - O dilúvio

Pois bem, todas nós (a grande maioria, vá) das mulheres já passou, passa atualmente ou irá passar um dia esta maravilhosa fase da vida que é a maternidade, mais nos vale saber de tudo e encarar tudo com a maior naturalidade. Se possível, rir-nos dos momentos mais estranhos ou sensíveis. No fundo, não levar isto demasiado a sério e não se desfazer em ranhos porque, para nós, ser mãe não é tão bonito e glamoroso como se lê na maioria dos livros ou se vê nos mais bonitos e delicados blogues.
A minha gravidez foi um mar de rosas, eu fui aquela grávida que evangeliza todas à sua volta para fazerem o mesmo! Relatada por mim, a gravidez era o tal estado maravilhoso, em que inchamos um pouco, mas estamos lindas de morrer, porque estamos a fabricar um ser fofinho. Tiramos fotos lindas, e mesmo que não estejamos muito bem, não faz mal, porque toda a gente vai adorar e dizer que estamos super bem e vamos ter mil likes onde quer que publiquemos a foto.


No meu caso, como vivo em Edimburgo, na Escócia, era ainda mais fácil de fazer a todos os amigos em Portugal acreditar que era tudo lindo e maravilhoso.
E a verdade é que era.
Enjoos? Nada.
Pés inchados? Nunca tive.
Aumento de apetite? Também não (mas não quero que me odeiem já. Nunca fui magra e no meu caso a barriga fofinha a quem sempre carinhosamente chamei de pipo, até serviu para me disfarçar aquelas gordurinhas típicas da zona lombar. Pneu! )

A única coisa que tinha eram de facto, algumas dores de costas, mas convenhamos, temos uma mini pessoa a levedar dentro do nosso corpo! Acho que é o mínimo que temos que sentir!

Tudo corria realmente impecável, até ao dia em que completei 27 semanas (6 meses em tempo de gente normal).
Estava no sofá com o marido, depois de decidirmos faltar a uma festa de aniversário em prol de um documentário sobre o 11 de Setembro (foi a 13 de Setembro) quando senti que se me escapava algo líquido. 
“JÁ?” –pensei eu, lembrando alguns textos lindos sobre perder o controlo dos músculos vaginais ao espirrar ou tossir no final da gravidez. Era um pouco cedo, mas se calhar já estaria em tal estado cachalote que já não me segurava.
Discretamente me levantei (tão discreta quanto pode ser uma pessoa redonda, em modo pino de bowling) e fui ao quarto de banho, não querendo por nada deste mundo partilhar tão belo momento com o marido.
Sento-me de novo e de novo um pequeno geiser. Neste momento a minha vontade de chorar já era bastante, mas controlei-me pois visto estar a perder liquido por outros meios, estava obviamente preocupada com uma desidratação.
A verdade é que o controlo de choro de uma grávida é tão resistente como um guarda chuva dos pequenos num dia de vento extremo. Virou.
Lembro-me de, entre baba e ranho, divagar sobre como iria conseguir sair de casa nos três meses que faltavam, naquele estado de incontinência grave. O marido, coitado, tentava de tudo para me acalmar. Em vão, claro está!
Preparamo-nos para ir ao hospital, e nos entretantos, eu já tinha molhado dois pijamas, umas calças de ganga e ensopado duas toalhas de banho. Das grandes.

A verdade é que aos 6 meses de gravidez, rebentaram-me as águas. Nem queria acreditar no que diziam os médicos e enfermeiros. Foi o maior susto das nossas vidas e estávamos sozinhos, noutro país.
Não foi fácil, mas correu tudo bem! Acho que nestas situações o melhor é seguir em frente e ter esperança!
O bebé era pequenino, mas estava bem e felizmente não achou que era hora de nascer. Fiquei de repouso e aguentamos assim mais um mês.
Fiz tricot para me entreter, apesar de não me ter entretido muito, pois a única peça que teve vida não serve nem para cachecol do puto. E olhem que o puto é bem pequeno!
Aos 7 meses (ou 31 semanas) nasceu o Vasco, com 1,530kg e uns bons 38cm. Um pequeno campeão.
Apesar de todo o perigo inerente a esta situação, ele esteve 1 dia no ventilador (apenas 1, ainda há quem não acredite), 15 dias na incubadora e 24 na Unidade Neonatal.
Até agora, não teve problema nenhum e é um bebé relativamente calminho e bastante fofinho.
Tem olhos azuis, o que é estranho pois nem eu nem o pai dele os tem, e começa agora, depois dos 3 meses, a ficar um pequeno buda e a encher os refegos das pernas, como se quer!
É uma alegria passear com ele na rua, e explicar que não, ele não acabou de nascer e sua mãe inconsciente anda já a arrastá-lo pelo frio escocês. É sim, um prematuro de 3 meses e meio que até nunca esteve doente. É só mais compacto que o normal, uma pocket version.

Ou então às tantas digo que sim, nasceu há duas semanas e eu é que já recuperei dos 15kg que ganhei.
Era capaz de não fazer muitas amizades!!!

Elsa Maria Gomes
mãe do Vasco

5.10.2015

A maternidade deixa-nos giras

Sabem do que me tenho apercebido? Que esparguete só com alho, azeite e oregãos é muito bom e resolve a falta de coisas comestíveis no frigorífico (o tupperware com comida da semana passada já tinha bolor e não quis arriscar).

Tenho-me apercebido que a maternidade nos deixa mais giras. Não estou a falar daqueles primeiros meses em que parecemos um bidon, cansado e a cheirar a bolçado. Digo, depois. Quando já conseguimos despachar a mala deles em menos de nada e quando sair de casa já não parece uma missão impossível. Quando já fazemos tudo com uma perna às costas. Quando já não andamos tão inseguras e quando já conseguimos pôr um anti-olheiras. Quando, apesar de cansadas, ficamos felizes porque nos sorriem e nos chamam "mamã".

Acho que ficamos mais giras porque temos uma criança ali, connosco. Que, mesmo que seja um repolho (nunca vamos saber), nos valoriza. Porque agora somos mães. E, se conseguirmos ter o cabelo lavado e estar minimamente arranjadas, temos um brilho especial, porque estamos felizes e nos sentimos completas. E isso nota-se a léguas. Porque temos o maior dos desafios em mãos e isso nos dá uma aura especial. Com ou sem pneu. Com os braços em forma de bacalhau ou com braços de atleta de remo.

Dantes achava que para estar gira precisava de estar montada nuns saltos altos, maquilhada como se fosse sair à noite e chegava a pôr um decote com o meu melhor soutien. Agora? Sinto que não preciso disso. Sem grande maquilhagem, com um vestido comprido e umas sandálias rasas, cabelo lavado apanhado em trança e siga. A confiança é culpa dela. Só dela, que me faz sentir gira todos os dias. Tenho a certeza que, para ela, a mãe vai ser sempre gira. As mães são sempre giras.







A mãe desbronca-se (#09) - Porquê o nome Isabel?


A Filipa perguntou aqui e eu respondo. Porque Maria do Carmo ou Carminho já há às centenas, apesar de não me sair da ponta da língua. Se tiver outra menina... Bem. Gosto de Maria. De Luísa. De Júlia. De Teresa. De Josefina. Josefina não, estava a gozar. Gosto de nomes simples, clássicos e antigos, sem serem os nomes da moda. Gosto da ideia de dizermos "a Isabel" e não ser confundido com mais nenhuma prima ou filha de amigos. Segundo este raciocínio podia ser sido Lyonce, só que não. 

E porquê Isabel? Um dia, poucos dias depois de ter descoberto que estava grávida, marquei jantar com uma grande amiga, a Raquel. Contei-lhe e, entre lágrimas e emoção (tenho isso gravado, um dia mostro. Posso, Raquel? Posso, posso?!!!), e falámos logo de nomes. Eu disse-lhe que estava sem ideias, só sabia que gostava de Pedro e de Simão para rapaz. Ela sai-se imediatamente com Isabel. E o meu coração ficou bem cheio. O nome da minha mãe, o nome da minha avó, que morreu quando eu tinha 12 anos e de quem tenho muitas saudades. O nome da mãe do David. O nome da avó do David, que morreu no ano em que nos conhecemos. Uma homenagem às mulheres das nossas vidas e um nome de que gostamos (sim, porque se a mulher da minha vida se chamasse Leopoldina, como uma das minhas bisavós, tinham de ter paciência, porque não ia acontecer). Perfeito. Isabelinha, repetia a Raquel. Doce, betinho q.b., sem estar na moda. Isabel. Isabel Brás da Silva. Não mexe mais.


Há por aí mais Isabéis?



5.09.2015

Se calhar exagerei...

Como exagero sempre. Acho sempre que já está na altura de fazer qualquer coisa ou de comprar determinada coisa e, depois, quando vou a ver é para quando ela tiver mais 45 anos ou, pelo menos, mais dois. 

Foi assim com o parque, foi assim com o tapete, com os livros, com as rocas, com.... o coiso do Colombo onde fomos hoje... 




Sim, a miúda está tão divertida como eu quando o Frederico diz "hoje tenho de ver um jogo às 20h, okay?".

Já agora, quem foi a pessoa que passou este tipo de coisinhas de 100 paus para 1 euro? Quem é que achou isso justo???? 200 paus umas 9 voltinhas nesta parvoíce? Só paguei porque quis, eu sei, mas epá...









O meu batismo de balão!

Estamos em Beja, no Vila Galé Clube de Campo.
Hoje acordámos (acordei eu, pela primeira vez num ano com despertador), às 06h30. O motivo? Ir andar de balão. Para mim, um batismo, mas nem por um momento fiquei nervosa. A seguir a isto, quero fazer o salto tandem.

A UP Alentejo foi a responsável pelo voo (diz-se voo, quando é de balão?). Pronto. Foi fantástico, adorei!
Depois do pequeno-almoço, foi tempo de canoagem, uma das muitas actividades que se pode fazer aqui, no Vila Galé. E já fomos à piscina, claro!

Ficam algumas das fotografias desta manhã inesquecível, deste fim-de-semana Barrigas de Amor.













Obrigada, Magma Photo pelas fotos. Obrigada à Citroen, Nintendo e Vila Galé. Estou a amar cada segundo!

Inventam tudo (#14)

Tinha eu acordado às 6 da manhã, quando dei papa à Irene e a consegui distrair com um brinquedo que já não o posso ver à frente. Venho para o computador por-me a par das novidades no Facebook (deixei o telemóvel no quarto e eu sou daquelas fofas que não quer acordar o marido) e vi isto num dos grupos de mães onde estou: 

É das melhores ideias de sempre. 

A sério que é. Já estou tentada em enviar um e-mail para os tipos e perguntar se não querem fazer uma parceriazinha aqui com o blogue (e oferecer-vos um também), mas devem estar a borrifar-se ainda para o pais à beira mal plantado. 

Por que é que ainda ninguém tinha pensado nisto?

What makes Doona SO good?

What makes Doona SO good?

Posted by Doona Infant Car Seat on Quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2015

Não sei quem é a Donna, mas quero dar-lhe um beijo na boca. 

5.08.2015

Vai ser só AMOR

Depois do que me aconteceu ontem (contei aqui) e que me pôs a chorar que nem uma Madalena arrependida, há uma coisa que me anima: saber que daqui a umas horas vou estar a caminho deste sítio, com a minha família.


Ainda nem começou, ainda nem fiz as malas (socorro! é só um fim-de-semana mas para mim é como se fosse um mês!), mas já me apetece agradecer ao Barrigas de Amor. Vai saber a pato! Ou ao que servirem lá às refeições.


a Mãe desbronca-se (#08) - Como saí da maternidade.

A pé. 

Muahahaha. 


Vá, isto é uma assunto sério. E já me consigo rir só porque já passou um ano, só por causa disso. 


Aqui está a pergunta: 


Obrigada, Joana. Pelo interesse, apesar de super mórbido, mas a fingir que não. :)

Saí toda espapassada, a verdade é essa. Além de ter havido uma confusão qualquer e de não ter roupa "de rua" no dia em que saí, estava em péssimo estado fisicamente. Os meus pés estavam tão inchados que pareciam aquelas pantufas em forma de pé XL, o meu pipi tinha tantos pontos que, se fosse à Galp, teria direito a um depósito de graça, a minha pele na cara nunca tinha estado pior, tinha as maminhas em sangue, estava desidratada, mal conseguia andar. E pior! À saída do hospital ainda encontrei um "primo" que me ia visitar e que disse: "caramba que estás gorda, olha-me para essas pernas". Nem o cumprimentei. Agarrei nas prendas (claro) e disse:"Vamos embora, Frederico!".

O meu parto foi muito muito mau. Não pelo momento da expulsão, mas tudo o que antecedeu. Estava também completamente de rastos psicologicamente. Conseguia ser simpática para as pessoas, mantinha algum sentido de humor, mas era como se estivesse a ver-me de cima. Como se tivesse morrido e estivesse a observar tudo ao longe, não te sei explicar. 

Saí passados dois dias. Acho que pari (há mulheres que odeiam que se use este verbo porque "nos faz parecer animais"... mas que é o que somos) numa sexta e saí num domingo. E queria muito vir embora porque não podia estar com o Frederico no hospital, era público.

Fora do hospital deixei de me sentir tão mal (até porque o tempo foi passando e fui melhorando, claro). 

Mas uma coisa te digo, Joana, não sei se já és mãe (não decoro todas as Joanas que há, esse nome é super comum e são mais que as mães, vocês ;)):

NÃO HÁ MELHOR DO QUE TE TIRAREM OS PONTOS DO PIPI.




Ontem fartei-me de chorar

Ela chorou. Eu chorei. Ou eu chorei e ela chorou.

Ontem era a vez do David ir buscar a Isabel à creche. Eram 18h e veio a correr dizer-me que não ia conseguir despachar-se a tempo. Eu, que ontem tinha de trabalhar à tarde e à noite, também não podia.
Mas alguém tinha de conseguir. Disse-lhe que ele tinha de ir. Esperámos até às 18h30 para ver se ele se despacharia ou se tinha de ser eu a deixar um trabalho a meio e deixar pessoas à minha espera. Assim foi. Cheia de nervos no meu corpo, remorsos e sentimentos de culpa, lá fui eu enfrentar o trânsito. Já sabia que só chegaria depois das 19h. Nunca tal tinha acontecido. Estávamos a bater todos os recordes. Os minutos a passarem e os nervos a apoderarem-se de mim. As lágrimas, sem pedirem autorização, já caíam cara abaixo. A nossa filha tem de ser a nossa prioridade. Sempre. Não temos mais ninguém que a possa ir buscar, que possa colmatar a nossa ausência.
Somos só os dois. Dois dois, algum tem de ceder, tem de dizer "não", tem de interromper o trabalho, tem de ser menos profissional e ser mais pai. E mais mãe.
Quando lá cheguei, estava ao colo da Lola, olhos inchados e rosados, nariz vermelho. Virou a cara e desatou a chorar. Os soluços. As queixas. Toda a razão do mundo. O meu pedido de desculpa e as minhas lágrimas. Sim, chorei na creche.
A culpa foi mais forte.
"Batemos todos os recordes hoje." "Não, não aconteceu nada. Está tudo bem. Era a vez do David, mas ele não conseguiu vir." "Não chore, mãe", ouvi.
Não consegui. Vê-la assim, triste, cansada, à hora a que costuma estar já no conforto de casa, com aqueles que lhe são mais queridos... mexeu muito comigo. 

Foi o caminho todo até ao trabalho a soluçar e a fazer queixas. E eu a pedir desculpa e a fazer a voz mais doce possível.

Nem quis ir ao colo do pai, estava zangada, com fome, desnorteada.

Hoje, acordou a rir-se. Deu-nos abraços. Brincou connosco. Fez caretas. 
O meu coração voltou a crescer, a amolecer. Respirei fundo. Eles perdoam-nos tudo. Esquecem tudo. Nós é que não. E disto não me quero esquecer tão cedo. Para que não volte a acontecer.