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domingo, 12 de março de 2017

Tenho saudades, pá!

De vez em quando ainda me assalta uma espécie de reality check. Numa de "como é que isto aconteceu?" "tenho uma miúda a chamar-me de mãe".  Acho que o luto da nossa vida PP (pré-putos) demorará ainda algum tempo a fazer - mais numas pessoas do que noutras, é certo. A mim custou muito o dia do falecimento e os meses seguintes e, aos poucos, tem sido menos doloroso. Acho que só agora estarei num período mais equilibrado para reflectir sobre o rumo da minha vida, etc.

Tenho saudades, pá!

-> Tenho saudades de acordar depois de dormir, tanto, mas tanto que nem sabia bem se era sábado ou domingo. 

-> Saudades de chegar a casa e de me deitar no sofá, a fumar e a comer flocos de neve. 

-> Tomar banho sem ninguém me interromper. 



-> Não ter de ir às compras e passar semanas só com um pacote de Chocapics em casa.



-> Não vir para casa depois do trabalho e, se calhar, só chegar lá para as tantas. 

-> Poder ser mais espontânea sem preocupações. É para ir jantar fora daqui a 15 minutos? Estou pronta.

-> Saudades de poder arrumar coisas quando me apetecer sem que estas fiquem ainda mais desarrumadas imediatamente a seguir. 

-> Saudades de poder falar ao telefone em paz - que nunca gostei mas que, às vezes, dá jeito. 



-> Saudades de adormecer à tarde e babar-me no sofá até ser noite.


-> Saudades de me sentir 100% livre para fazer o que me apetecer ao fim-de-semana, mesmo que isso implique passar o dia inteiro a fazer coisas que só a mim me agradem. 

-> Saudades de poder cantar muito alto sem que ninguém me peça para eu parar.

-> Saudades de dançar tanto e fumar tanto numa sexta-feira à noite que, no sábado, acordava deitada com a minha melhor amiga e ambas ainda a expirar Camel. 

-> Poder comer pão de alho com queijo, pizza, gelado e ainda chocolate, se me apetecer a tarde toda sem ter que me preocupar com o exemplo. 



-> Conseguir ler quando me apetecer. 

-> Saudades que o tempo passe mais devagar sem parecer que tenho 2 empregos. 


Bem vistas as coisas não é só a vida PP, é também a vida PM. É normal que deixe saudades, não é? Tudo o que não temos, mas já tivemos, faz com que corramos um risco de idealizar e de parecer melhor do que o que temos agora.

Parece tudo parvo, mas a parte do dormir, aceitava de bom grado (e as outras também). 

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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Síndrome do ninho vazio. Já?

As mães têm um bocadinho de esquizofrenia. Ora estão desejosas de ter umas horas para si, sem terem de fazer todos os dias jantares e dar banhos, sair da rotina, ora, quando esse momento chega, ficam com uma espécie de síndrome do ninho vazio (que se aplica, claro, quando os filhos saem de casa para irem viver noutras, para estudar, trabalhar, casar, viver com o(a) namorado(a), sendo um sofrimento relacionado com a perda do papel da função de pai/mãe). 

Eu tenho este síndrome em doses pequeninas quando a minha filha de dois anos passa dois dias com os avós, tias e primas. Tenho saudades, pronto. Sinto a casa vazia, fico a pensar "se a Isabel estivesse aqui, não podia fazer este jantar", imagino-a a dançar na cozinha e a esmigalhar a irmã com beijos ou com umas bordoadas que às vezes lhe escapam das mãos, para de seguida pedir desculpa. Toda essa dinâmica já faz parte dos meus dias. Aposto que até a Luísa, com 9 meses, sente falta da irmã. Com esta mesma idade, estava eu e o David a caminho de Praga para 3 dias sem a Isabel e agora eu não me imagino a fazer o mesmo. Na verdade, gostámos imenso da cidade, mas ao fim de um dia já andávamos loucos cheios de saudades da miúda. Por isso, aquela coisa do "faz-nos bem tirar um tempo para nós" nem sempre se aplica e não se aplica definitivamente a todas as famílias. Cada uma terá o seu timing para dar esse passo.

Mas continuo a defender que lhe faz bem a ela. Que é bom criar estes laços com as primas, com os avós, brincar no campo, fazer bolos, ir à piscina, ir ver os animais, ter experiências diferentes com outras pessoas, para ir aprendendo, devagarinho, a ter de lidar com o facto de nem sempre estarmos por perto, criando outras defesas e alargando o leque de vínculos com outros adultos. Ainda não consegui deixá-la uma semana, mas assim dois, três dias, já consigo. E vem feliz. Cheia de coisas para contar. Vem mais crescida. E eu fico com o coração (ainda mais) a transbordar e pronta a matar todas as saudades.

A Isabel chega hoje. E eu mal posso esperar.


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