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quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Já consigo falar do parto da Luísa

Falar sobre isto ainda me deixa assim... mas já consigo contar. Acho que já está tudo resolvido. Acho que já não há trauma. Não deixa de ser uma das experiências mais fortes e mais duras da minha vida.
As grávidas NÃO PODEM VER ESTE VÍDEO, ok? Pronto, estamos conversadinhas.

Caso tenham passado por algo assim, partilhem connosco.



De que outros temas gostariam que falássemos no Youtube e partilhássemos por aqui?
BEIJOS!

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sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

O pipi muda de tamanho com o parto?

Para esta questão que tanto assombra mulheres como respectivos pipis, as autoras Joana Paixão Brás e Joana Gama decidiram - além de serem honestas - convidar um especialista neste assunto: o Paulo que veio trazer o almoço de Uber.





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quinta-feira, 23 de agosto de 2018

A pressão do corpo perfeito no pós-parto


Há três meses tive o meu primeiro filho. Foi uma gravidez francamente fácil (apesar das peripécias que sempre há) e engordei apenas 12 quilos.
Uma semana depois de ter o Dinis, acho que também devido a todo o stress da amamentação (que não correu nada bem até às 7 semanas), perdi 10 quilos dos 12 que tinha ganho. Até aqui tudo bem e provavelmente esta afirmação até é capaz de criar alguma inveja em algumas mulheres.
Mas calma! No entretanto, já ganhei mais 4 quilos. E a verdade é que me sinto e estou gordinha do alto dos meus 81 quilos em 1.68m de altura.

Para o comprovar no outro dia fui a uma loja de roupa de maternidade procurar um vestido para ir a um casamento que desse para amamentar. Como digo, fui mãe há três meses e continuo gordinha (que já o estava antes de engravidar) e com barriguinha (repito, são três meses depois, mega normal). Fiz uma pergunta em relação a um vestido, e a senhora da loja (muito querida) disse que o vestido até era ótimo porque iria servir durante a gravidez e no pós parto, pensando que eu estava de uns quantos meses. Isto quando um pouco mais atrás estava o carrinho e o bebé pendurado no marido dentro do sling. Acho que se não estivesse tão relaxada comigo mesma, isso me teria ofendido. Mas obviamente, a senhora não fez por mal, foi com toda a boa vontade do mundo e a verdade é que, sim, passaria por grávida ainda. É absolutamente normal. Neste preciso momento não há nada a fazer.

Não sei se o passar os dias maioritariamente em casa apenas com o meu bebé e marido, faça com que não me sinta assim tão mal. Para além disso quando saio e estando a amamentar, a roupa que tenho está de qualquer forma limitada. E como as peças em que me sinto confortável para amamentar me servem acho que também ajuda.
Mas pelas internets da vida, em conversas com amigas que também foram mães este ano (acho que metade de Portugal foi mãe este ano) e dois casamentos em agosto, obviamente que também sinto a pressão que nos pomos a nós mesmas para "voltar ao que éramos antes". Isto apesar de eu querer que o antes seja o antes de há 9 anos atrás e não o antes de há 9 meses atrás. Mega irrealista, portanto.

E apesar disto tudo, acho que nunca estive tão sem stress em relação ao meu corpo como estou agora.

"Então mas como é que estás tão relaxada em relação a isso? Ainda por cima vem aí o verão!" - poderão perguntar algumas de vocês (e sim, estou com a esperança que o verão chegue a Portugal antes de eu ir de férias!).

Há coisas que ajudam.
1.º (e o mais importante) - acabei de ter um filho. O meu corpo esteve a modificar-se durante 9 meses para criar um humano. Tenho tempo e tenho de dar-lhe tempo para emagrecer (ao corpo! O filho é bom que só engorde!).

2.º - estou a amamentar. Por isso não posso cá fazer dietas malucas que me afetem o "líquido maravilha". Com um início tão díficil como o que tive, pelo bem da minha saúde mental, é a última coisa que preciso.

3.º - o espelho de corpo inteiro cá de casa partiu-se enquanto estava no hospital. O meu Roomba deve ter pressentido que era uma boa ideia livrar-se do espelho no pós-parto. Não acho que tenha sido coincidência mas sim obra de um divino qualquer. E como foi o Roomba a parti-lo escapei-me aos sete anos de azar. #sortuda

4.º - não tenho ido às compras. Já me apercebi antes de engravidar que ir às compras e experimentar roupa nova que ainda não se moldou ao corpo, ou cujos tamanhos variam de peça para peça e de modelo para modelo e de loja para loja é uma tortura a que nos submetemos sem uma real necessidade. Vamos ser sinceras: nós não precisamos de 20 t-shirts nem 30 pares de calças de ganga. Eu ainda visto roupa que me serve desde os meus 15 anos (felizmente alguma roupa vai-se mantendo ao longo do tempo, vai-se moldando ao nosso corpo e é óbvio que são peças que na altura eram mais pro larguitas)!

5.º - e por último, aprendi a não querer saber.

Não sei se foi dos 30's, mas simplesmente aprendi a não querer saber. O corpo que tenho é o que tenho, está como está neste momento, e não é uma dieta maluca que me vai fazer bem à saúde nem me dar resultados a tempo de ir para a praia amanhã. O que tenho de fazer é aceitá-lo tal como está neste momento e, não estando satisfeita (que não estou, principalmente porque sei que preciso de ter um aspecto e estilo de vida mais saudável), vou trabalhá-lo quando puder para o moldar ao ritmo que for possível. Sem pressões estúpidas impostas por mim mesma. Às vezes mais vale uma coisa feita bem e com tempo do que à pressão. Todas sabemos (e há provas disso) que dietas malucas não resultam!

"Ah, mas a sociedade impinge-nos a pressão de sermos todas esbeltas, maquilhadas, penteadas e sem defeitos."

A verdade é só uma: podemos queixar-nos que é a sociedade que nos faz pressão para que nós sejamos mais assim ou mais assado, mas quem aceita essa pressão somos nós.

A culpa de não estarmos bem com os nossos corpos não é das Carolinas Patrocínios, Ritas Pereiras ou Cláudias Vieiras desta vida. Nem sequer é das vizinhas codrilheiras que nos dizem que parecemos umas lontras e muito menos da Barbie! A culpa é nossa por deixar que isso nos afete. Porque não tem de afetar! E quem deixa que isso nos afete não são os outros, somos nós!

Eu não sou, nem nunca devo vir a ser uma Carolina Patrocínio ou uma Rita Pereira. Eu não tenho pachorra para fazer aquela quantidade de exercício físico. Por muito que até goste de fazer alguma coisa (apesar da minha posição favorita ser a de deitada #preguiçosa) eu não tenho aquele vício nem aquela determinação. E por muito que elas mostrem que comeram uma pizza ontem à noite, a maioria das refeições delas são demasiado controladas e saudáveis para a minha paciência e papilas gustativas. Por isso eu não posso olhar para elas e querer ter aquele corpo! Eu não faço por isso! E honestamente não tenho intenções de fazer. Posso até vir a mudar de ideias, mas para já, não.

Se elas são uma amostra real das mulheres? São. Para o quanto elas trabalham o corpo delas, elas são mulheres reais em que mulheres que trabalham tanto o corpo como elas podem e devem se inspirar. Não são é representativas da média das mulheres. Os sacrifícios que elas fazem e aquilo que eu considero ser uma pressão ligeiramente "doentia" (no sentido do vício que têm) da parte delas mesmas com elas mesmas, tudo isso é real. E acreditem que apesar de nos mostrarem que têm corpos fabulosos (que os têm) de certeza que tal como nós se olham todos os dias ao espelho e dizem "estou gorda aqui, tenho celulite ali, não gosto deste braço, tenho duplo queixo". Daí que no dia seguinte lá estejam elas às 7 da manhã a suar que nem atletas de alta competição.

Agora, o que não é real é eu passar 1 ano sentada no sofá e querer ficar como elas uma semana depois de ter tido um filho.

Nós (mulheres no geral) temos de aprender a fazer duas coisas:
- Deixarmos de nos comparar com pessoas que  não têm o mesmo metabolismo que nós, nem fazem o mesmo nível de actividade física que nós, nem têm o mesmo tipo de corpo, nem passaram pela mesma experiência de gravidez que nós (apesar de eu saber que se fosse uma "louca dos ginásios" seria uma Rita Pereira. #sóquenão - e sim, eu sei que ela não é mãe) e têm todo um outro apoio de nutrição e tratamentos a que a maioria de nós não tem acesso
- E acima de tudo temos de começar a ter mais auto-estima seja em que fase da vida estivermos e tratarmo-nos a nós mesmas com mais carinho.

Houve uma coisa que li uma vez que mudou muito a forma como eu me tratava no geral: se não o dirias dessa forma a uma melhor amiga, não o digas a ti mesma.

Porque pensem comigo: se fosse a nossa melhor amiga a estar mais gordinha ou em baixo de forma (principalmente durante ou depois da gravidez), o que lhe diríamos e de que forma? E como é que a veríamos? Dávamos importância à gordura dela, às cicatrizes, à celulite? Deixávamos de ser queridas com elas? Olhávamos para ela e criticaríamos constantemente as suas pernas, os braços, a barriga? Não. Então porque é que o fazemos a nós mesmas? Porque é que não somos as nossas melhores amigas?

A sociedade pode fazer a pressão que quiser, mas o problema é nós cedermos e deixarmo-nos afetar por isso. O problema é não sermos as nossas melhores amigas. Só nos afeta o que nós deixamos. Nós temos mesmo de passar a ser mais amigas de nós mesmas. As melhores de todas.

E não nos podemos esquecer que apesar de experimentarmos todas os mesmos modelos de calças nós somos todas muito diferentes! A mesma coisa não nos serve a todas da mesma forma, apesar de vestirmos os mesmos números. Eu, por exemplo, fico patética com roupas dos anos 80.

O nosso formato é o que é e o nosso metabolismo é o que é. Há coisas que não podemos mudar (algumas coisas nem com cirurgia) e a única forma de sermos felizes é aprendermos a gostar das coisas como elas são.

Principalmente depois das gravidezes. O nosso corpo criou um ser humano! Temos de dar tempo ao tempo, mudar o que quisermos e pudermos no ritmo que a vida nos permitir. Sem pressões nem objectivos parvos.

E acima de tudo temos de deixar de querer um "antes" quando já somos um "depois".
Até porque no "antes" o nosso amor maior não existia nem nós éramos "mães".
E eu não sei quanto a vocês mas com ou sem peso a mais, sou muito mais feliz neste "depois".





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quinta-feira, 10 de maio de 2018

À minha amiga que acabou de ser Mãe

Meu amor,

Não é fácil. E é tão bom. E tu estás aí, tão longe de mim, e eu sem te poder dar um abraço.
As mães precisam de abraços. Principalmente as que acabaram de ter filhos.
E precisam de quem as ouça. De quem lhes pergunte como estão em vez de lhes perguntarem apenas pelos filhos.
E precisam de uma sopa feita e de roupa lavada. Isso sei que tens. Conforta-me saber que os teus pais estão contigo neste momento. E o teu maridão.
Mas eu queria estar aí. Queria dizer-te que compreendo as tuas angústias, as tuas dores.
Queria dizer-te que vai tudo melhorar. E que esses sentimentos tão díspares que convivem dentro de nós, de alegria e de angústia, por não conseguirmos controlar tudo, vão continuar vida fora. Mudam as razões. Apenas aprendemos a apaziguá-los. A domá-los. 
Mas tu estás a dar o teu melhor. E o teu melhor é o mais do que suficiente para o teu filho. Ele só quer o teu calor e ouvir-te cantar, tal como cantavas quando ele estava na tua barriga. E que voz... Ele só quer o teu colo, o teu cheiro, a tua pele. 
Ele tem-te como mãe e eu sei o quão sortudo ele é. Ele vai ter esses olhos rasgados e cheios de vida a olhar por ele a vida toda. Ele vai ter essa pessoa incrível a ler-lhe histórias e a mostrar-lhe o mundo. Que privilégio!
E tu mereces. Tu mereces tanto ter esse bebé nos braços. Que lindo ele é. Aproveita cada momento. Ouve-te. Ouve-te bem. O teu instinto fala mais alto. O teu amor fala mais alto.

Sejam muito felizes, meu amor.
Adoro-te. Mesmo muito.

Com amor, 
Joana


Luisa Starling Photography

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quarta-feira, 1 de novembro de 2017

No dia do parto, a mãe não estava lá.

Nunca quis ser mãe. Foi algo que sempre disse a mim mesma para não ter que lidar mais com o assunto nem com os constrangimentos de talvez não me sentir apta o suficiente para ter alguém  a crescer dentro de mim e a ser cuidado por mim. Não sabia cuidar, tinha medo de não saber amar. Não estava assim tão longe da realidade.

Mais tarde, tudo me pareceu satisfatório nesse sentido. Na vida nada me estava a saber como deve ser. Parecia tudo cinzento e sempre de noite num armazém vazio repleto de pequenas caixas do meu eu antigo. Estava casada e pareceu-me o próximo passo. Pensei que “a ser mãe, tavez seja agora” que nada me sabe a nada e nada me parece estar a atrapalhar.

Engravidámos. E não houve um único dia dos 9 meses que não tivesse representado uma oportunidade para me afeiçoar à ideia de vir a ser mãe e de ser já uma mulher. Pareceu-me muito tempo, mas talvez tenha sido o suficiente. São 9 meses em que se gera uma criança, mas em que se começa a gerar uma mãe. Que mãe?

No dia do parto, a mãe não estava lá. A mãe estava algures antes de terem começado as contracções e de se ter apercebido que tudo isto era a sério. Apesar das noites sem dormir, das dores enormes de barriga, das dores de costas que não a deixavam respirar e rir a determinada altura, a mãe saiu.

Quando a filha nasceu, estava lá o pai. A mãe não sentiu nada. A mãe tinha saído. O corpo sentiu a perda de algo, mas o coração não ganhou nada. A cabeça perdeu-se em ansiedade e medo e decidiu desligar. Senti nada.

Senti um pouco quando o Frederico a pegou ao colo. Senti como se o meu pai me tivesse abraçado. A menina ao colo do pai, mas não era necessariamente a minha filha.

Dois dias e duas noites de recuperação de filme de terror de algo que tem tudo para correr naturalmente. No meio de angústia e de confusão, os sentimentos eram nenhuns. O teatro apresentava-se como necessário, não fosse “o que é que os outros vão pensar” algo sempre demasiado presente.

Quis ir para casa. Não queria mais hospital, queria começar a vida, mas senti-me analfabeta. Tinha à minha frente aquele que sempre me disseram que iria ser o melhor livro do mundo, mas não sabia lê-lo. Não sabia sequer manuseá-lo. E pior, ele chorava e precisava de mim.

Roboticamente fui imitando o que se vê aqui e ali. O que terei gravado em mim algures de ter visto algo com o meu irmão Pedro, mas nem uma fralda me achei capaz de trocar no hospital. Tive de chamar o enfermeiro.

Comecei abaixo de 0. Comecei sem sentir aquele amor de que todas as mães falam. Ou quase todas. A minha falou do parto ter sido de ventosa. Como o da minha filha.

Aos poucos fui-me permitindo “ser ridícula”. Comecei a falar com aquele pedaço de carne que respirava. Comecei a cantar para me acalmar, na esperança de o acalmar também e, devagarinho, por entre muitas lágrimas de dor enquanto amamentava, fui sentido que estava certo. Que o meu corpo também dava leite e que estava preparado para ser mãe. Não só mulher que gera vida, mas mãe também.

Ver a minha filha a crescer alimentada por mim e por mim (as duas “eu”: cabeça e corpo) foi-me dando força para acreditar no meio das milhares de batalhas que ia travando na minha cabeça entre ser capaz ou de não ser capaz e qual é a voz do instinto maternal? Porque é que erro tanto? Porque é que é tudo tão difícil sempre para mim? Merecia eu ser mãe?

Adormecer para as sestas era um terror. Dar a comida. Manter-me acordada. Amamentar de noite. Adormecê-la de noite. Não me poder afastar dela. Vivi os primeiros meses sobrevivendo e sem saber dançar, sem conseguir ouvir. Algo me impedia de chegar a mim e, por isso, de ver a minha filha.

Seis meses depois voltei a trabalhar, mas não tinham o meu regresso preparado. Não tinham pensado se voltava a antena ou não e, tendo saído de um programa das manhãs, percebi que já não importava como equipa de palco, mas talvez tivesse de me contentar com os bastidores. “Eu adapto-me a tudo.”.

Não me adaptei. Fiquei zangada por não se terem lembrado de mim, não terem pensado em mim, por parecer que tinham seguido sem mim e pensei que aquele tempo ali não interessava e ainda menos estando a minha filha sem mim. Propus um ano sem vencimento e foi-me dado.

Um ano e seis meses em casa com a minha filha (e marido). Uma dádiva, um privilégio, mas aterrrorizante. Secretamente desejava que o pedido da licença sem vencimento não fosse aprovado. Como se a minha “culpa” de não estar com a minha filha fosse atenuada com um “tem que ser”, mas não.

Agora tinha um ano para me dedicar em exclusivo a isto de ser mãe do qual não sei nada. Um ano.

Percebi os truques: passear, muito. Ficar em casa dá lugar a um cansaço mental ao qual não tenho resistência e expunha a minha filha à minha falta de sanidade. Ver pássaros, ouvir as árvores, pô-la a brincar com pedrinhas. Estava a protegê-la de mim, do ambiente morto lá de casa e a pedir por tudo que o tempo passasse rápido.

O normal de estar em casa instalou-se. Tudo era muito, mas mais 10 kilos de bolachas em cima, de muitas sestas e de não ser eu mais do que um cadaver que cuida com amor da minha filha.

O amor surgiu. Surgiu pelo meio das muitas músicas que lhe cantei, mas surgiu à séria, quando comunicamos inequivocamente para mim: ela mamava, pisquei duas vezes os olhos para brincar com ela e ela piscou de volta. Tinha ali a minha filha, a minha pessoa.

Agora é a sério. Tenho que a mostrar diariamente o quanto a amo. Não vou descansar até ela saber. O meu maior tendão de Aquiles é não saber reconhecer o que é amor. Amor por mim. Vou amá-la tanto que isso vai definir-lhe o que é amor. Vou amá-la de maneira a que ela floresça.

E tenho amado com o meu corpo todo, com a minha cabeça, lábios, mãos, ouvidos, nariz, tudo. Em todos os pormenores há amor de mim para ela.

Depois desse encontro, voltei a trabalhar. Não havia tanto tempo para amar tanto, mas a minha cabeça arejou. O amor respirado é um amor que me parece mais saudável. Com idas ao parque, mas já não como sobrevivência. Sim como escolha. Só por ela. A Irene só foi para a escolar aos dois anos e meio.

No trabalho, tudo igual. Nenhum projecto em especial para mim que, quando saí do ar, o programa que fazia era o meu nome. Já sabia quando engravidei que ia perder o meu tempo. Convenci-me que tinha morrido para a radio e também para a televisão. Talvez tenha morrido no formato anterior porque essa Joana também desapareceu. Ou melhor: sofreu um upgrade.

Esta nova Joana que procura diariamente maneiras de mostrar à filha o que é o amor também procura diariamente o que é ser. Quem é a Joana agora que não é o centro das atenções? Agora que tem alguém que é tão importante na vida dela e para sempre?

A Joana que é mãe (e que ser mãe significa ser mulher, nunca entendi bem a separação) separou-se do pai da filha. Sentiu que para amar mais e melhor que precisava de iluminar a casa, deixar entrar ar, libertar de coisas que a prendessem a uma determinada imagem que já não tinha de si própria. Afinal de contas, tudo flui nela. 

A Joana merece o mundo.

A mãe da Irene não estava quando ela nasceu.


Existe mais por ter descoberto o que é o amor.






Fotografia - Joana Hall


a Mãe é que sabe Instagram

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Não fui mãe aos 9 meses de gravidez, fui ao décimo mês da minha filha.

Quando fui mãe, vivi os primeiros dias de forma tranquila e feliz. Apesar das dores, apesar da subida do leite dolorosa, apesar dos receios e de nem sempre perceber o choro da minha filha e de não saber bem como acalmá-la. Sentia-me plena, com força e amor. Sentia que tudo aquilo tinha um propósito e, acima de tudo, estava a vivê-lo com o melhor pai do mundo ao meu lado, a pessoa mais talhada para a paternidade que eu conheço. Ríamo-nos muito, o que tirava uma certa pressão de todos os momentos menos bons. 

Digo-vos quando é que a ficha me caiu mesmo e quando senti um abanão que me tirou o chão: quando o David foi trabalhar, uma semana depois. Senti-me sozinha, desamparada, triste, muito triste. Cheguei a sentir que era uma criança a tomar conta de outra criança. Chorei copiosamente, senti solidão. Como era possível? Ter acabado de realizar o maior dos meus sonhos e não estar a usufruir daqueles momentos em pleno? Sentir-me orfã... nem sei bem explicar. E atenção que tive a sorte de ter a minha avó em casa naquela segunda semana, que me lavava os bodies cheios de cocó e me fazia a sopa (imagino quem não tem nada disto e quem se vê sozinha, sozinha a todos os minutos e a todas as horas...). Não fui mãe quando a minha filha nasceu, ao 9º mês de gravidez, fui ao décimo. Foi nesse primeiro mês que comecei a perceber as dificuldades e a superá-las, a derrubar mitos e a crescer como Mãe. Foi naquelas manhãs em que não conseguia tomar banho nem tirar o pijama, foi naquelas tentativas de passeio em que me esquecia sempre de alguma coisa fundamental (quem é que se esquece de fraldas?!), foi naquele dia em que já tinha tudo pronto e que ia finalmente chegar a horas ao combinado e ela me faz um cocó que saiu por todo o lado, parede inclusivé, enquanto a trocava. Ou quando ela chorava no ovo e eu parti uma unha a tentar fechar a porcaria do carrinho. Ou de quando caí nas escadas com ela no ovo e malas e torci o pé (e acabei nas urgências). E as dores a amamentar que me faziam dar uma volta de 360 graus à cabeça qual exorcista? E aquelas perguntas do "o que fazes o dia todo" vindas de gente que obviamante não é mãe/pai ou então teve um nenuco em vez de um bebé com necessidades a toda a hora? E aquelas fomes loucas que nos fazem encher a cama de migalhas e atacar o frigorífico a qualquer hora da noite quando nos queremos ver livres daqueles quilos a mais que não reconhecemos (e nem está lá a barriga a justificar)?

Agora à distância, dá-me para rir (e até sentir saudades), mas na verdade o décimo mês de um primeiro filho pode ser uma tempestade, mas com a ajuda certa (amigas, especialistas, família, blogues tipo amaeequesabe.pt ehehe) e agora com o décimomês.pt (uma plataforma pensada por Bepanthene Pomada) pode melhorar e muito. Às vezes basta sabermos que o que estamos a passar é normal, basta sentirmo-nos identificadas com alguma história, basta termos resposta a algo que nos andava para ali a atarantar. Basta que nos perguntem "como te sentes?" em vez de, como sempre, "como está o bebé?". 
Eis alguns dos textos que podem fazer algo melhorar nos primeiros tempos enquanto mães, dar-nos aquela segurança que nos falta, sentirmos uma mão no ombro ou um abraço que nos está a faltar para podermos ver tudo com maior clareza e relativizar (já que as hormonas nem sempre ajudam...). 
Visitem, recomendem às amigas grávidas ou no pós-parto. Vale muito, muito a pena.
Fotografia do David - Isabel com uns 10 dias de vida
O resto? É deixar o tempo correr. Tudo vai melhorar.

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segunda-feira, 10 de abril de 2017

Não deixem o amor morrer.

Já todos sabemos que não é um bebé que sustenta uma relação. Aquela máxima de "engravidar para segurar um homem" ou ter um filho para tentar salvar um casamento é crendice do passado. 

Neste momento, acho que já todos temos consciência de que a relação do dia-a-dia, o amor, a cumplicidade, a união na saúde e na doença, a noção do lado lunar do outro, o respeito e a empatia já têm de vir de muito antes. Se não vem - porque nunca antes havíamos sido confrontados com esse teste - tem de passar a haver. E a verdade é que um filho vem mudar muita coisa. Muda a casa, muda os horários, muda os estados de espírito, muda corações. E, ao mesmo tempo que os muda, acrescenta. E ao mesmo tempo que nos acrescenta uma força que não sabíamos que existia, acrescenta medos, acrescenta incertezas e traz ao de cima algumas das nossas maiores inseguranças e fragilidades. Perante o assoberbamento que é ter um filho a depender totalmente de nós, ficamos expostos. Totalmente nus.

Com o nascimento a paixão, como todas as outras, deixa-nos meio anestesiados no início e com borboletas na barriga. É uma explosão tão grande de emoções que choramos, rimos, ora estamos tranquilos e orgulhosos a olhar para aquele ser a dormir, tão perfeito, tão nosso, ora estamos em rebuliço a achar que não damos conta. E é na soma desses dias, em que começamos uma nova vida - todos -, em que nos vamos conhecendo e redescobrindo, em que vemos nascer e crescer uma criança, mas também dois pais, que o amor se sustenta.

Se não conseguirmos esperar que o outro se reencontre, se não conseguirmos colocarmo-nos no lugar do outro e perceber que há muito por curar, há um corte e um luto com o passado por fazer, há até memórias de infância que surgem, inesperadas, há um nós que às vezes não reconhecemos e que demora a reconstruir-se ou a aceitar-se, há sono, há cansaço e há - acima de tudo - mais uma pessoa na equação.

Nem tudo vai continuar a ser igual. Arrisco-me a dizer que nada vai continuar a ser igual. E se no meio desta mudança, a relação não sobreviver, então não é amor. Porque o amor é compreensão, é paciência, é abertura para tentarmos encaixar novas rotinas e novos "eu" na história. Amar é tentar, é dar uma nova oportunidade, sabendo esperar. O amor sobrevive a maus feitios, a zangas miúdas e a grandes, sobrevive a dias ou semanas com falta de sexo, a muito sono e a birras, de todos. Mas só sobrevive se for alimentado - mesmo com períodos de jejum-, só sobrevive se relativizarmos palavras afoitas ditas a meio de uma noite mal dormida, só sobrevive se dermos e recebermos e se tivermos noção de que amor não é só o prazer momentâneo e auto-satisfação. É abdicar também, é procurar também a felicidade do outro. Amar dá trabalho, ao mesmo tempo que não dá trabalho nenhum, porque, se de coração aberto, não custa nada.



Fotografia: Joana Paixão Brás



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terça-feira, 29 de novembro de 2016

Os dois cabelos que me sobram... estão giros!

Pós-parto. Não era suficiente tudo aquilo por que passamos. A injecção de hormonas, os choros difíceis de decifrar, as mazelas físicas, o corpo que demora a ir ao sítio, o sono, as dificuldades na amamentação, as fomes incontroláveis... e ainda nos cai o cabelo todo. Mas, já sei pela experiência no primeiro pós-parto, ele volta a nascer. Enquanto o meu não está de volta (mas já começo a ter penugem pronta a disparar por todos os poros, o que é excelente), resolvi cuidar do que resta.
Seis meses e tal depois, voltei ao Cut by Kate. Em primeiro lugar, o Patrick mostrou-me o meu cabelo aumentado 250 vezes e pude perceber melhor em que estado estavam os meus dois cabelos. Aproveitei para fazer madeixas, fiz uma hidratação e escadeei um bocadinho (ando a gostar de me ver com o cabelo mais comprido e vou manter assim uns tempos). Tive a melhor das companhias: a Luísa portou-se muito, muito bem (e recebeu colinho de toda a gente) e ainda consegui fazer as unhas com um novo método que eu desconhecia da Shellac - CND, em que não é preciso fazer limagem nas unhas para o remover. Escolhi cinzento: não foi consensual lá em casa, mas eu gostei muito! (E a Isabel pediu igual, coisa querida).


Uma foto publicada por Joana Paixão Brás (@joanapaixaobras) a



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terça-feira, 12 de julho de 2016

Tenho barriga e não tenho pressa.

Elogiaram-me o facto de ter publicado uma fotografia em que estava em biquíni, mostrando a minha barriga. Não fiquei surpreendida com o comentário porque, também eu, pensei nisso antes de a publicar: "estou cheia de barriga, mas que se lixe, o que é que isso interessa?" 

Não quero fazer um elogio ao desmazelo, à preguiça, nem muito menos criticar quem regressa aos treinos rapidamente, no pós-parto. Até porque este "rapidamente" é subjetivo. Quero, sim, fazer um elogio a sermos fiéis a nós próprias. Quero que façamos aquilo que nos apetecer, sem ligarmos ao que os outros dizem, sem sermos reféns dos outros. Se nos apetece ir ao ginásio, se isso nos faz sentir bem, força. Se preferimos esperar, sem nos importarmos com uma barriga que é uma vela a derreter (metáfora da Joana Gama), força. 

Tenho barriga e não tenho pressa.

Quando tive a Isabel, preocupei-me. Gostei de ter perdido o peso todo ganho durante a gravidez num instante, a barriga foi ao lugar e, depois de ter engordado um bocado nos três meses de licença em casa, meti-me a fazer dieta, seguida por uma profissional e voltei ao exercício. Quer dizer, mais ou menos. Sempre fui mais para o preguiçoso e nunca fui muito metódica, mesmo tendo noção da importância de fazer exercício. 

Desta vez, tenho barriga e não tenho pressa, não sei se por tudo o que passei depois do parto, se por ter duas filhas. Pesei-me, ao sexto dia, a pedido da enfermeira e não por iniciativa minha. Não estava interessada. Com "ajuda" do stress e da operação inesperada, do soro, da comida do hospital ou do meu metabolismo, já tinha perdido o peso que ganhei na gravidez. 
A barriga está lá, mole e fofa. E eu estou em paz com ela e ainda sem vontade de travar uma batalha contra ela. Sem necessidade alguma de ouvir um "estás óptima, nem parece que foste mãe". Fui mãe, sou mãe e não me importo que pareça que sou mãe. Por que queremos que a gravidez não deixe marca alguma no segundo em que pomos o pé fora do hospital? Por que razão queremos esquecer nove meses de gestação, que nos trazem o melhor do mundo, o mais depressa possível? Teremos medo de deixar de nos sentirmos atractivas, amadas, desejadas? Por que cedemos tanto à pressão dos outros? Por que exigimos tanto de nós?



Vamos ter calma. Não morre nenhum pinguim na Antártida por estarmos a usar bíquini com barriga de quatro meses de gravidez, mas com o filho já cá fora. Não é por vestirmos uma burka que ela desaparece. Não há que ter vergonha, nem mesmo se nunca tivéssemos estado grávidas. Mas também não vale a pena enganarmo-nos e dizermos que temos orgulho na nossa barriga. Acho que isso é estar a usar psicologia invertida para nos distrairmos de algo de que não gostamos, é mandar areia para os próprios olhos. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra.

Temos é de tentar ser felizes com o que somos (ou será "estamos?"). Se a circunstância de termos barriga ou de termos mais peso nos faz sentir infelizes (ou menos saudáveis ou ambas), há muito a fazer, mas com calma. Temos tempo.

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