quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Super mulheres ou super esgotamento?

Se forem do meu género de mãe e de mulher, tenham cuidado. Tenham muito cuidado com a vossa cabeça. Sou muito exigente (comigo) e muito competitiva (também comigo, acham normal?) e por isso tenho achado - desde sempre - que quando algo corre mal ou algo falha é porque não fui boa o suficiente ou não me esforcei o suficiente. 

Desde que a Irene nasceu que me sinto sobre uma pressão inquantificável para tudo. Para ser a melhor mãe possível a todos os níveis que me lembre (emocional, nutricional, educacional...), para ser a melhor Joana de sempre, para tudo. Desde sempre que fiz tudo sozinha e que cuidei dela sozinha (à excepção de cozinhar refeições). Depois, com o divórcio, a única coisa que acumulei foi passar a cozinhar as nossas refeições no que toca a tomar conta "das duas", mas tenho andado exausta. 

Aquele "ando a mil" irritante que todas nós dizemos e que, na verdade, quer só dizer "tenho uma pressão enorme em cima de mim para conseguir fazer tudo bem e rápido e não sei como resolver", mas há maneiras. Temos é de aprender a ser tolerantes connosco da mesma maneira que vamos aprendendo com isto da maternidade a sermos tolerantes com os nossos filhos também.



Apercebi-me da minha terça-feira passada e reparei que ou caminho para ser uma super mulher ou para ter um super esgotamento: 

6:45 - Acordar mais cedo para estar pronta antes da Irene. Tomar banho. Preparar lanches para ela e para mim. Desenhar um desenho para lhe por dentro da mala. 

7:45 - Acordar a Irene com tempo suficiente para lhe dar mimos. Fazer pequeno almoço para as duas. Comermos o pequeno almoço. Preparar a Irene para sair. 

9:00 - Deixar a Irene na escola calma e tranquila sem ter que a apressar muito para que a despedida não seja negativa para ambas. 

9h30 - 12h30 - Trabalhar, responder a 100 mini e-mails, atender 15 telefonemas, escrever 40 mini-emails, falar com os colegas. 

12h30 - Treino de Fitness em casa à hora de almoço. 

14h00 - Trabalhar novamente nos 100 mini e-mails, reuniões, actas de reuniões, conversas sobre as reuniões, mais mini-emails e propostas. 

17h00 - Ir buscar a Irene. Comprar umas galochas, comprar um casaco polar (naquela loja que tem tudo para o raio que os parta), ir à farmácia comprar o bálsamo para desentupir o nariz, ir ao supermercado comprar fruta, salada, ovos e mais umas tretas. 

19h30 - Chegar a casa e apressar a questão do jantar porque a miúda não fez sesta na escola e está tipo zombie, mas não deixar que a ansiedade passe para ela senão fica tudo muito mais lento e desagradável. 

20h20 - Banho e secar o cabelo. 

21h00 - Cama e brincar uns minutos. 

21h10 - Adormeceu exausta. 

21h20 - Escrever um guião para uns vídeos que faço com o Sapo. 

22h00 - Ir maquilhar-me para a gravação.

22h30 - Gravar o vídeo.

23h00 - Editar o vídeo.

00h15 - Enviar o video e ir desmaquilhar-me e dormir. 

Permitam-me um ligeiro f*da-se. 

Estes vídeos que ando a fazer alargaram-me um pouco mais o orçamento que tenho para viver e consegui pedir mais um dia à minha empregada por mês. Quero que ela cozinhe. Preciso que ela cozinhe. Já agora, foi este o vídeo.

Sofremos demasiadas pressões de todo o lado. Há algumas que temos de deixar ir. Se continuar com este cansaço todo, sinto que vai ter que ser o treino que desaparece (tenho todas as horas de almoço ocupadas ou com treino ou com terapia), mas não queria. 


É normal que estejamos cansadas, caramba. E, se não deu, não podemos ser umas bestas connosco. Não podemos. 




43 comentários:

  1. Tu dormes 5/6horas por dia? Eu antes, dormia 3h e estava fresca. Agora, durmo 8h/9h e choro quando o despertador toca :((( Ahahahah

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  2. Joana, desculpa a franqueza, Mas tu és uma exagerada. Não fales em nos andamos stressada, porque eu jamais faço o que tu fazes, de acordar a Irene com tempo para mimos. Tenha dó.
    Cresci com dois pais emigrantes, que trabalhavam dia e noite e nunca mas nunca no meio dessa ausência senti falta de mimos.
    E já reparaste bem no teu horário de trabalho? Quantas mães se podem dar a esse luxo?
    Eu acho honestamente que tu tens de tirar essa pressão de cima de ti. É doentio, faz-te mal.

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    1. A minha filha tem 3 anos. Eu também prefiro acordá-la um pouco mais cedo para haver alguns mimos, umas festinhas, perguntar se dormiu bem, do que acordá-la logo com ordem para tomar o pequeno-almoço ou vestir-se. Acharia um acordar desagradável para esta idade e provavelmente originaria uma birra matinal. Não será sempre assim mas acho que nestas idades, às vezes é preciso.

      De resto, concordo que a Joana coloca demasiada pressão em cima dela. Porque é que só a Joana tratava da Irene quando eram casados? Nunca achou o pai capaz de o fazer? Mas agora já é quando fica com ela?
      Além do mais Joana, pense que tudo isso da nutrição, da educação, etc, é muito importante mas a Irene também precisa de uma mãe clama, que esteja lá, sem ser a 1000 à hora. Eu prefiro dar bolachas de pacote à minha filha e estar a brincar com ela do que estar em stress a fazer bolachas caseiras com ela a pedir para ir brincar com ela. Claro que não é assim para tudo, mas são escolhas que se fazem. Não tem de ser perfeita em tudo porque se o tenta ser, então deixa de estar disponível pois está demasiado ocupada a tentar ser perfeita....E eu acho que todas as crianças preferem a mãe disponível do que a mãe perfeita....:)

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    2. Se considerarmos os vídeos como trabalho (que são), já dá mais umas horas por dia (mas também não devem ser todos os dias). Mas, se não fosse isso, o horário era bastante porreiro, sim!

      Eu tenho a "sorte" de viver perto do trabalho (ponho entre aspas porque foi uma opção minha e do meu marido, pagar mais para viver no centro de Lisboa mas podermos ambos ir a pé para o trabalho a demorar só 15min), estou grávida e, num dia normal, trabalho das 9h às 17h30 (com 1h para almoço, que levo para o trabalho e como na copa em 20min e depois aproveito para sair e tratar de coisas perto: ir a alguma loja, supermercado, farmácia, banco, etc). Mas é comum todas as semanas a hora de saída derrapar e ter dias a sair às 18h/18h30/19h.

      Quando a nossa bebé for para a creche queremos ser o meu marido a levá-la (assim ele entrará um pouco mais tarde e eu continuarei a entrar às 9h) e depois eu pedir horário contínuo e poder sair às 16h30 (assim trabalho as 7h30 seguidas, sem a obrigatoriedade de 1h de pausa para o almoço que tenho agora, mas deixo de poder sair ou fazer outras coisas nesse tempo), para a ir buscar à creche o mais depressa possível.

      Temos empregada uma vez por semana (3h), só para limpar a casa, o resto fazemos nós. Parece-me que será uma rotina gerível, mas reconheço que temos sorte/esforço da nossa parte por vivermos perto do trabalho/creche e termos empregos onde na maioria das vezes podemos cumprir com o nosso horário, o que nos dá algum tempo livre. Para além, de que somos os dois, em igual medida, a contribuir para os afazeres/tarefas, assim nenhum está sobrecarregado com isso.

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  3. Está a colocar muita pressão em si. Até tem um horário fantastico e deve trabalhar perto de casa. se tivesse de trabalhar das 9h00 às 18h00. deixar filhos as 7h30 na escola e só os conseguir ir buscar às 19h00 19h30 por causa das deslocações para o trabalho era bem mais complicado. Acho que tem bastante tempo de manhã, hora de almoço e final do dia. Aproveite. Felizmente também consigo fazer rotinas cedo. O jantar é as 19h30 e deitar as crianças às 20h30. Tente antecipar o sono da Irene. beijinhos

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    1. A Joana trabalha 6h por dia, com trabalho e escola perto de casa. As pessoas que trabalham 8h, que têm de apanhar transportes ou fazer distâncias de carro pela cidade, que não têm empregada, essas sim calculo que andem cansadas.
      E é preciso 1h para tomar banho e fazer 2 lanches? E depois disso mais outra hora para dar pequeno almoço e vestir uma criança? A minha vida e rotina não são as suas, não estou a evangelizar, mas tenho dois de 6 e 7 anos que que acordam às 8h e estão prontos para sair às 8:45, sem correrias nem gritos. Eu acordo às 7:30 para poder estar pronta antes deles e ter tempo, por ex, de lhes ler uma história durante o pequeno almoço ou dar mais atenção a quem esteja rabugento. Como a própria Joana diz, acho que coloca muita pressão sobre si e muita responsabilidade em ser perfeita e fazer tudo perfeito, isso sim deve dar um esgotamento. Não o seu ritmo de vida.

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  4. Eu acho que estes textos não espelham a realidade nua e crua. Acredito serem mais uma espécie de extravasão de auto-psicanálise. Não acredito em super mulheres nem em super homens. Ninguém consegue ser assim robot, que é o que transparece aqui, com até os mimos serem programados (para não dizer forçados, que creio mesmo não serem, aliás, como poderiam ser forçados com uma criança fofa como parece a Irene? ).

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  5. Acho que as leitoras que dizem que ela por ter um horário flexível, não devia reclamar ou estar super esgotada. Acho isso um absurdo, porque também tenho um horário flexível mas tenho que dar 100% no trabalho como advogada, tenho que conduzir 100 km por dia, coordenar as tarefas de casa com a empregada, fazer compras, dar carinho e atenção à filha e marido, fazer o jantar; ver uns programas na televisão para distrair e sinto o mesmo que a Joana:esgotamento físico e até psicológico. Não devemos julgar; porque ter horários flexíveis não quer dizer ter uma rotina de trabalho mais leve.Falta muita empatia nesse mundo.

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  6. Mãe de 2 filhos de 3 e 5 anos e infelizmente também viúva aqui deste lado para por as coisas um pouco em perspectiva:
    6:00 - acordar, tomar banho, vestir
    6:20 - acordar os dois putos, vestir e dar pequeno almoço
    7:30 - deixar os dois putos na escola e correr para apanhar o autocarro
    7:45 - autocarro que em dias de sorte demora “só” 1 hora a chegar ao destino
    8:45 às 17:30 - trabalho (normalmente sem hora de almoço)
    17:45 - autocarro e mais uma hora (aproveito para fazer listas do que tenho para fazer, supermercado, roupas do dia seguinte etc)
    19:00 - apanhar os miúdos na escola
    19:15 - banhos e preparar o jantar/almoço do dia seguinte e marmitas com lanches rapidamente
    20:00 - jantar e “convívio”
    21:30 - com muita, muita, muita sorte estão na cama
    A partir daí trabalho o que não consigo no trabalho por ter de sair a horas certas, trato da casa, da roupa, de mim.
    Com muita sorte e quando a “máquina” está oleada lá para a 1:30 estou na cama.
    Não tenho empregada, não tenho familiares próximos e sobrevivemos. Desdramatizar é a palavra chave!

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    1. Ao ler isto, apetece-me mandar-lhe um beijinho :-)

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    2. Nem mais ! E não , não somos umas cabras , a Joana é que parece não ter noção da realidade ou então inventa muito .

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    3. Beijinho! Só a maneira leve como descreve o seu dia merece todo o apoio e empatia.
      Inês

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    4. Muito solidária com a anónima de cima, não consigo imaginar-me a perder o amor da minha vida. Também acho que não é por haver alguém numa situação muito pior que a nossa que temos de considerar a nossa vida, SEMPRE, fácil e maravilhosa. Quando uma mulher desabafa, mesmo que em nada a entendamos, cabe-nos dar dicas para facilitar, não dizer-lhe que está a fazer tudo mal.
      Sandra

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    5. Força! Afinal sp existem super mulheres.

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    6. Grande Mulher, um beijinho

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    7. Super mulher um beijinho!

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  7. Concordo. Falta muita empatia. Uma mulher/mãe desabafa e chovem logo as críticas. Ainda bem que a Joana tem um horário flexível. Mas não é por isso que não pode desabafar, que não pode sentir-se cansada.

    Em relação ao tema, Joana, na minha vida vou sempre tentando o equilíbrio, entre todas as responsabilidades, afazeres, necessidades (minhas e da família). Quando não o consigo, de uma forma constante, significando isso que estou a fazer mais do que consigo, então avalio e deixo cair alguma bola. Para aliviar e reencontrar o tal equilíbrio ;)

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  8. Não é certamente por cumprires a agenda que aqui apresentaste que vais ter um esgotamento...
    Percebe-se até que tens uma rotina muito fácil, sem deslocações demoradas e com um óptimo horário de trabalho.Não tens mesmo do que te queixar.

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  9. Este comentário foi removido pelo autor.

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  10. E uma das principais pressões são mesmo as críticas dos outros (e pasme-se, de outras mulheres!). Ah gente...deixem a rapariga desabafar. Cada um tem a sua vida, vive os seus desafios. Principal regra de empatia: nada de comparações perante o desabafo de alguém! Se formos por essa perspetiva nunca podemos dizer nada, porque há sempre situações piores. Ahrr!

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    1. é verdade, mas também há uma regra da vida em sociedade que aconselha a agirmos (neste caso, desabafar, mas vale p tudo) com bom senso....

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  11. Joana, és fantástica.
    Percebo-te perfeitamente.
    A questão de quereres manter essa rotina de horários, seja a que custo fôr, é que te deixa stressada.
    Também sou assim.
    Mas estou bem melhor. Porque a minha já tem quase 6 anos. A experiência vai nos ajudando.
    Quanto aos comentários, é o normal. Se há aqueles que vêem nos problemas dos outros um "eh pá, não estou assim tão mal", também há muitos que gostam de "vomitar" as suas desgraças muito piores do que quem as fala.
    É o normal.
    Eu gosto da tua sinceridade.

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    1. E há ainda quem goste de contar as “suas desgraças ainda piores” para explicar à Joana que pode haver outras maneiras de ver a situação, outras perspectivas. Às vezes só ao ver como os outros lidam com coisas “piores” é que percebemos que afinal não estamos assim tão mal. :)

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  12. Muito se fala em horário flexível nesta caixa de comentários... Mas a pergunta que me coloco é: a Joana tem um horário flexível ou tem um trabalho de 6h diárias? Uma coisa não significa obrigatoriamente o mesmo que a outra.

    Eu, por exemplo, tenho horários flexíveis mas uma carga horária de 35h semanais! Há dias que saio às 16h45 (é a referência interna mínima), outras vezes às 20h...

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  13. Bem sei que não somos todos iguais, e que stress para uns é um dia normal para outros. Mas não posso deixar de dizer que é um luxo (sim, um luxo) ter um trabalho que lhe permite entrar tão tarde, sair cedo e ainda parar 1h30 para almoçar, sem lhe exigir que de noite faça mais coisas em casa. Até pode fazer outras coisas! Acho mesmo que precisa de ajuda para lidar com o seu dia a dia porque não é normal listarmos a despedida de um filho na escola como uma tarefa igual a ela embarcar para uma missão no Polo do Sul! e não levem o meu comentário como falta de empatia. Às vezes todas precisamos de alguém de fora para nos fazer ver a sorte que temos (eu incluída). Maria F.

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  14. Deixar o bilhetinho com o desenho todos os dias. O que acontece se de vez em quando não deixar o bilhetinho? A Irene sabe que a adora na mesma, diminui a pressão de TER que deixar o bilhetinho. Assim quando o fizer será uma surpresa fofa em vez do dado adquirido. E sim, somos todas super mães. O propósito deste post é tanto sentir as palmadinhas nas costas como o ‘comigo é pior’. Conosco é sempre pior, certo?

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  15. Sem criticas e com a maior empatia: pq nao acordar a irene qd esta a sair do banho e arranja-se c ela ja acirdada, vão conversando, incentiva a irene a vestir-se ao mm tempo da mae... talvez poupe tempo! 😘

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  16. realmente....com esse horário reduzido e 1h30 de almoco estas mesmo a pedir um esgotamento. não critico a sua vida, a sua maneira de acordar a Irene para festinhas,o seu drama existencial se ela dormiu ou nao a sesta nem o seu PT privado. cada um gere a sua vida como quer. mas vir escrever que vai ter um esgotamento por esses motivos..
    ..com 6h de trabalho e 1h30 de almoco. LOL. tenham paciência as defensoras da joana, este post é só gozar com todas as familias - que por necessidade acordam cedo,trabalham mais de 8h dias,perdem tempo em deslocações e por vezes com mais do que um filho. sugiro que dedique o tempo livre que tem a fazer algo de util para a sociedade (claramente o exercicio fisico e a terapia nao estao a ter os resultados esperados), por exemplo voluntariado. vai lhe abrir a cabeça e dar lhe uma visao da vida bem mais simples!

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  17. Quem me dera entrar as 9h30 e sair as 17h e ter 1h30 de almoço..

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  18. Como te compreendo Joana!Estamos constantemente a querer que tudo esteja perfeito,porém vivo em constante ansiedade que é desgastante a nível físico,psicológico e emocional. Acho que pomos demasiada pressão sobre nós mesmas. Tenta simplificar,se alguma coisa ficar para trás não há problema.As crianças só querem amor 😊

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  19. É por isso que andamos esgotadas. E é mentalmente, não fisicamente. Não nos podemos queixar que vem logo uma mão cheia de mães dizer que a nossa vida é um sonho comparada com a delas e não nos podemos queixar. Não se queixem. Vivam, sofram, corram e stressem em silêncio. Há sempre alguém pior do que nós, portanto, shiuu!
    Quando eu tinha só uma filha queixava-me que não tinha tempo. Agora que tenho duas queixo-me do mesmo e ainda penso "como é que eu me podia queixar antes? Agora é que não tenho tempo mesmo! Antes tinha e não sabia" E quando (e se) tiver mais um, vou pensar o mesmo.
    Isto é tão básico. Lá por terem uma vida mais complicada do que a da Joana, não quer dizer que a dela seja fácil. Mães, apoiem-se em vez de se criticarem. Todas sabemos que isto não é fácil para ninguém!

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    1. Por isso é que muito boa gente, perante a pergunta "então está tudo bem?" respondem "sim, está", mesmo quando não está. Porque não se pode dizer que estamos mal, que estamos cansadas, que estamos no nosso limite...há sempre alguém em pior situação, há sempre alguém a querer fazer-nos ver que ah! temos coisas boas na nossa vida. E com estes comentários a mensagem que passa é "para a próxima fica calada, nada digas, porque não vale a pena". Mas guess what, eu posso ser grata e reconhecer o bom que existe na minha vida, mas naquele momento, do desabafo, apenas preciso disso. De desabafar (e do outro lado, apenas ter alguém a ouvir/ler e, se for para opiniar, então que seja algo compassivo). Porque nenhuma vida é isenta de dificuldades. Mesmo aqueles que parecem ter vidas mais privilegiadas.

      E depois parece haver aqui muito ressabiamento. A Joana fala das coisas dela, da vida dela, num espaço que é dela, e aparecem tantos comentários que transpiram irritação. Para quê tanto por causa da vida de outra pessoa. Pena que ainda exista tanta falta de inteligência emocional.

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    2. É verdade que nos faz bem desabafar e que mesmo com boas vidas, às vezes estamos cansados. Mas às vezes também falta um pouco de perspectiva. Eu também já passei por uma fase em que me lamuriava pela falta de tempo e cansaço que tinha. Até que comecei a olhar à volta e a ver a vida dos outros para perceber que na verdade eu até não estava mal e que talvez fosse eu que complicava as coisas. E que se calhar se mudasse algumas coisas na minha vida, talvez deixasse de me sentir assim. E resultou. Claro que há dias em que ainda me queixo mas já não tão em modo « vítima » como antes. Não concordo com muito dos tons usados aqui, nem das comparações superiores mas há comentários que procuram apenas mostrar à Joana que ela não parece até ter uma má vida e que se calhar, se relaxar um pouco, se organizar as coisas de outra forma, se não for tão exigente e a querer ser perfeita, vai poder aproveitar melhor e não se sentir tanto assim.

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  20. És uma exagerada. Pressão é trabalhar 16h por dia realmente pressionados, dormir 4h, e ainda ter que ter tempo para tudo o resto. Devias sentir te sortuda por teres esse horario que te permite ir deixar e buscar a Irene, fazer compras à semana, etc. etc. A tua vida claramente não é assim tão difícil portanto podes parar com essa coisinha de "ai estou tão pressionada", visto que a maioria das pessoas que vos lêem têm seguramente vidas bem mais complicadas de gerir. E sem mentir aos filhos que namoram e não sei quê.

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    1. É, isto é uma competição. "Ai trabalhas 16h por dia? Eu trabalho 17h! E tenho duas filhas mas é como se fossem 10. E trato da casa toda e do marido e do cão e da avó acamada e ainda faço panquecas de linhaça todas as manhãs!" Sois umas mártires... E quem tem ajudas que nem se lembre de queixar! Caladinhas! Tens de trabalhar no mínimo 16h/dia para te puderes queixar. Tristes.

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  21. Há 3 anos a minha vida era assim... Fácil e arrumadinha... E eu achava que não, focava-me no que não conseguia fazer, na perfeição que queria alcançar... E sofria [muito] com isso.
    Um dia a nossa família sofreu uma tragédia e a vida ficou de pernas para o ar. Agora percebo como era tudo perfeito. Diariamente tento focar-me nas pequenas e grandes coisas boas que a minha vida atual tem e, principalmente, dou graças por termos todos saúde e amor. Ainda luto contra esta mania de querer fazer tudo e tentar ser perfeita e esforço-me mais para VIVER. Nos dias que me parecem mais difíceis, tento pensar no que já passámos e em situações bem mais difíceis que as nossas, porque há que relativizar e pensar que há histórias de vida tenebrosas.

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  22. O que me choca mesmo é a quantidade de comentários maldosos neste post! O aconteceu à empatia? Provavelmente, tirou férias!
    Não é por alguém sentir "dor" que isso diminui as nossas dores. Se olharmos para o lado, há 1 milhão de outras situações piores que nossa, bem como outro milhão de situações melhores que a nossa. Em nada isso altera o que sentimos e a forma como sentimos! E isto não deve ser uma competição de desgraças(o típico:"de que te queixas? eu estou pior e não digo nada").
    Sim! A Joana tem um horário de trabalho privilegiado, neste dia que apresentou... Mas... ela apresentou isso mesmo: 1 dia! serão todos os dias assim? Teremos nós o direito de julgar? Ou isso é só inveja do horário que a Joana tem? Mesmo tendo uma vida privilegiada sente-se assoberbada, a ansiedade de que sofre também não ajuda na festa. Por que não dar dicas para ajudar a gerir o tempo, em vez do discurso "acusa-pilatos" sobre o quanto a Joana não se devia queixar porque é uma privilegiada! É que se é para falar em privilégio, somo todos privilegiados... Há tanto menino em África e em tantos outros sítios a morrer de fome, tanta gente a querer trabalhar e não poder, tanta gente a querer pôr comida na mesa e não ter como... Aliás, até digo mais. Lá em casa somos 3! Eu, o marido e o gato. Não há bebés, não há crianças. O meu trabalho é o meu emprego de sonho, dentro da minha área de formação, trabalho 35h semanais a 5minutos de carro de casa. Moro num T2 que nem sequer é muito grande. A grande maioria do tempo dou por mim a desejar ter possibilidade de contratar uma senhora a dias para fazer a limpeza, dou por mim a sentir-me assoberbada com todas as tarefas que tenho para fazer e querer ter curas de sono de 1semana... é cúmulo! Nem tenho filhos nem nada, como tenho coragem de me queixar, de me sentir assim? Simples. Eu tenho direito a expressar as minhas emoções e frustrações, mesmo que haja pessoas em situação mais complicada do que a minha, assim como a Joana tem. Não é por haver quem sofra mais que o meu sofrimento deixa de ser válido! E aquilo que se lê nos blogues é uma partilha de pequeninas partes da vida dos autores, às vezes coisas boas, outras desabafos. No entanto, não devemos julgar sem calçar os sapatos do outro! É certo e sabido que a maior parte das nossas opiniões "superiores" cai por terra quando nos pomos na pele do outro.

    Joana, tenho lido as tuas partilhas assiduamente. Percebo que no que toca à ansiedade tens, na verdade, temos (eu também) ainda um longo caminho a percorrer! Compreendo o teu sentimento de assoberbamento, mas acredito em ti e na tua capacidade de dar a volta por cima! Nos momentos de mais ansiedade, costumo repetir para mim mesma: Inspira, expira e não pira! Tudo vai correr bem! e aquele momento de respiração ajuda a recentrar as energias e a acalmar um pouco. Às vezes, escrever as nossas emoções para nós também ajuda a organizar o nosso pensamento e a reestruturar a nossa perspetiva! Força! tu consegues! Go Girl!
    beijinho no Coração

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  23. O que me choca mesmo é a quantidade de comentários maldosos neste post! O aconteceu à empatia? Provavelmente, tirou férias!
    Não é por alguém sentir "dor" que isso diminui as nossas dores. Se olharmos para o lado, há 1 milhão de outras situações piores que nossa, bem como outro milhão de situações melhores que a nossa. Em nada isso altera o que sentimos e a forma como sentimos! E isto não deve ser uma competição de desgraças(o típico:"de que te queixas? eu estou pior e não digo nada").
    Sim! A Joana tem um horário de trabalho privilegiado, neste dia que apresentou... Mas... ela apresentou isso mesmo: 1 dia! serão todos os dias assim? Teremos nós o direito de julgar? Ou isso é só inveja do horário que a Joana tem? Mesmo tendo uma vida privilegiada sente-se assoberbada, a ansiedade de que sofre também não ajuda na festa. Por que não dar dicas para ajudar a gerir o tempo, em vez do discurso "acusa-pilatos" sobre o quanto a Joana não se devia queixar porque é uma privilegiada! É que se é para falar em privilégio, somo todos privilegiados... Há tanto menino em África e em tantos outros sítios a morrer de fome, tanta gente a querer trabalhar e não poder, tanta gente a querer pôr comida na mesa e não ter como... Aliás, até digo mais. Lá em casa somos 3! Eu, o marido e o gato. Não há bebés, não há crianças. O meu trabalho é o meu emprego de sonho, dentro da minha área de formação, trabalho 35h semanais a 5minutos de carro de casa. Moro num T2 que nem sequer é muito grande. A grande maioria do tempo dou por mim a desejar ter possibilidade de contratar uma senhora a dias para fazer a limpeza, dou por mim a sentir-me assoberbada com todas as tarefas que tenho para fazer e querer ter curas de sono de 1semana... é cúmulo! Nem tenho filhos nem nada, como tenho coragem de me queixar, de me sentir assim? Simples. Eu tenho direito a expressar as minhas emoções e frustrações, mesmo que haja pessoas em situação mais complicada do que a minha, assim como a Joana tem. Não é por haver quem sofra mais que o meu sofrimento deixa de ser válido! E aquilo que se lê nos blogues é uma partilha de pequeninas partes da vida dos autores, às vezes coisas boas, outras desabafos. No entanto, não devemos julgar sem calçar os sapatos do outro! É certo e sabido que a maior parte das nossas opiniões "superiores" cai por terra quando nos pomos na pele do outro.

    Joana, tenho lido as tuas partilhas assiduamente. Percebo que no que toca à ansiedade tens, na verdade, temos (eu também) ainda um longo caminho a percorrer! Compreendo o teu sentimento de assoberbamento, mas acredito em ti e na tua capacidade de dar a volta por cima! Nos momentos de mais ansiedade, costumo repetir para mim mesma: Inspira, expira e não pira! Tudo vai correr bem! e aquele momento de respiração ajuda a recentrar as energias e a acalmar um pouco. Às vezes, escrever as nossas emoções para nós também ajuda a organizar o nosso pensamento e a reestruturar a nossa perspetiva! Força! tu consegues! Go Girl!
    beijinho no Coração

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  24. Joana, analisando a tua rotina (ou desse dia), creio que o pior são essas duas horas entre ires buscar a Irene e o chegar a casa às 7 e meia da tarde pra fazer o jantar. Podemos fazer muita ginástica horária, mas as distâncias que têm de se percorrer nas grandes cidades são um horror. Muitas vezes tenho dito ao meu marido (que é de Lisboa), que nunca teríamos tido um filho em Lx, quanto mais dois, se vivêssemos em Lisboa. A agravar, não deve ser fácil ter de fazer tudo, quase sempre, sozinha. O meu trabalho é esgotante, mas revigorante também, a nível psicológico (sou professora), mas só o facto de trabalhar numa escola a 5 minutos de casa e ter os filhos num raio de 10kms de mim, faz toda a diferença. Vivemos nos Açores, onde tudo é perto e por si, constitui uma enorme vantagem. De resto, há de tudo; há quem tenha 1 filho e não trabalhe, tenha imenso dinheiro, etc e o cansaço apodera-se de igual forma. Somos todos diferentes :) beijinhos e força nisso!

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    1. Essas 2h parecem ter sido usadas para tratar de tarefas, não para deslocações. Eu por exemplo uso a hora de almoço para esse tipo de coisas (almoço em 15min e saio para ir a alguma loja, banco, farmácia, etc) e assim estar livre no final do dia.

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    2. 2 horas para fazer compras? É muito tempo. Continuo a achar que é demasiado tempo e parte dele deve ser mesmo nas deslocações. Eu, por exemplo, chego a casa por volta das 5 e meia, ainda lancho com a filhota, brincamos e vemos tv, conversamos ou vamos dar uma volta (quando está bom tempo), e começo a fazer o jantar por volta das seis e meia/sete. Por vezes dou-lhe banhoca antes de jantar. Depois chega o pai com o mais novo, e é a rotina habitual. É um tempo bom pra descomprimir do dia de trabalho, e para mim é fundamental. É no fim do dia que acusamos mais cansaço, sempre, sobretudo para quem esteve horas a ouvir outras crianças. A hora do almoço, para mim, é sempre a correr, e não dá para mais nada a não ser almoçar mesmo. Já para a Joana, parece ser fundamental para fazer o seu exercício. Cada pessoa tem aquilo que para si é essencial para ter equilíbrio e paz interior. Mas é verdade que muitas mães e muitos pais não têm tempo para si mesmos, e tantas vezes, nem para os filhos :( Beijinhos

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  25. Joana, sou mãe de uma menina com quase 4 anos e também eu separada desde que ela tem 2. Reconheço-me na pressão e acrescento ainda um sentimento de culpa constante. Relativiza. A minha mãe ficou viúva aos 42 com 5 filhas, a mais velha com 16 e eu ainda sem os 3 anos feitos. Se foi perfeita? Não. Se houve alturas em que fez malabarismo para termos o que vestir, o que comer, onde estudarmos? Sim. Se houve alturas em que podia ter dado mais, amado mais, brincado mais? Sim. Correu tudo bem. As mães amam da maneira que podem e isso pode variar ao longo da vida, exigir mais é prolongar esse sentimento de culpa. E o amor não se devia medir em horários, refeições saudáveis e programas e brincadeiras. Não só. Amar os nossos filhos é darmos o melhor, não é uma obrigarmo-nos a encaixar nesse modelo de maternidade que nos faz sempre sentir insuficientes.

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