5.11.2015

Afinal Havia Outra (#24) - O dilúvio

Pois bem, todas nós (a grande maioria, vá) das mulheres já passou, passa atualmente ou irá passar um dia esta maravilhosa fase da vida que é a maternidade, mais nos vale saber de tudo e encarar tudo com a maior naturalidade. Se possível, rir-nos dos momentos mais estranhos ou sensíveis. No fundo, não levar isto demasiado a sério e não se desfazer em ranhos porque, para nós, ser mãe não é tão bonito e glamoroso como se lê na maioria dos livros ou se vê nos mais bonitos e delicados blogues.
A minha gravidez foi um mar de rosas, eu fui aquela grávida que evangeliza todas à sua volta para fazerem o mesmo! Relatada por mim, a gravidez era o tal estado maravilhoso, em que inchamos um pouco, mas estamos lindas de morrer, porque estamos a fabricar um ser fofinho. Tiramos fotos lindas, e mesmo que não estejamos muito bem, não faz mal, porque toda a gente vai adorar e dizer que estamos super bem e vamos ter mil likes onde quer que publiquemos a foto.


No meu caso, como vivo em Edimburgo, na Escócia, era ainda mais fácil de fazer a todos os amigos em Portugal acreditar que era tudo lindo e maravilhoso.
E a verdade é que era.
Enjoos? Nada.
Pés inchados? Nunca tive.
Aumento de apetite? Também não (mas não quero que me odeiem já. Nunca fui magra e no meu caso a barriga fofinha a quem sempre carinhosamente chamei de pipo, até serviu para me disfarçar aquelas gordurinhas típicas da zona lombar. Pneu! )

A única coisa que tinha eram de facto, algumas dores de costas, mas convenhamos, temos uma mini pessoa a levedar dentro do nosso corpo! Acho que é o mínimo que temos que sentir!

Tudo corria realmente impecável, até ao dia em que completei 27 semanas (6 meses em tempo de gente normal).
Estava no sofá com o marido, depois de decidirmos faltar a uma festa de aniversário em prol de um documentário sobre o 11 de Setembro (foi a 13 de Setembro) quando senti que se me escapava algo líquido. 
“JÁ?” –pensei eu, lembrando alguns textos lindos sobre perder o controlo dos músculos vaginais ao espirrar ou tossir no final da gravidez. Era um pouco cedo, mas se calhar já estaria em tal estado cachalote que já não me segurava.
Discretamente me levantei (tão discreta quanto pode ser uma pessoa redonda, em modo pino de bowling) e fui ao quarto de banho, não querendo por nada deste mundo partilhar tão belo momento com o marido.
Sento-me de novo e de novo um pequeno geiser. Neste momento a minha vontade de chorar já era bastante, mas controlei-me pois visto estar a perder liquido por outros meios, estava obviamente preocupada com uma desidratação.
A verdade é que o controlo de choro de uma grávida é tão resistente como um guarda chuva dos pequenos num dia de vento extremo. Virou.
Lembro-me de, entre baba e ranho, divagar sobre como iria conseguir sair de casa nos três meses que faltavam, naquele estado de incontinência grave. O marido, coitado, tentava de tudo para me acalmar. Em vão, claro está!
Preparamo-nos para ir ao hospital, e nos entretantos, eu já tinha molhado dois pijamas, umas calças de ganga e ensopado duas toalhas de banho. Das grandes.

A verdade é que aos 6 meses de gravidez, rebentaram-me as águas. Nem queria acreditar no que diziam os médicos e enfermeiros. Foi o maior susto das nossas vidas e estávamos sozinhos, noutro país.
Não foi fácil, mas correu tudo bem! Acho que nestas situações o melhor é seguir em frente e ter esperança!
O bebé era pequenino, mas estava bem e felizmente não achou que era hora de nascer. Fiquei de repouso e aguentamos assim mais um mês.
Fiz tricot para me entreter, apesar de não me ter entretido muito, pois a única peça que teve vida não serve nem para cachecol do puto. E olhem que o puto é bem pequeno!
Aos 7 meses (ou 31 semanas) nasceu o Vasco, com 1,530kg e uns bons 38cm. Um pequeno campeão.
Apesar de todo o perigo inerente a esta situação, ele esteve 1 dia no ventilador (apenas 1, ainda há quem não acredite), 15 dias na incubadora e 24 na Unidade Neonatal.
Até agora, não teve problema nenhum e é um bebé relativamente calminho e bastante fofinho.
Tem olhos azuis, o que é estranho pois nem eu nem o pai dele os tem, e começa agora, depois dos 3 meses, a ficar um pequeno buda e a encher os refegos das pernas, como se quer!
É uma alegria passear com ele na rua, e explicar que não, ele não acabou de nascer e sua mãe inconsciente anda já a arrastá-lo pelo frio escocês. É sim, um prematuro de 3 meses e meio que até nunca esteve doente. É só mais compacto que o normal, uma pocket version.

Ou então às tantas digo que sim, nasceu há duas semanas e eu é que já recuperei dos 15kg que ganhei.
Era capaz de não fazer muitas amizades!!!

Elsa Maria Gomes
mãe do Vasco

5.10.2015

A maternidade deixa-nos giras

Sabem do que me tenho apercebido? Que esparguete só com alho, azeite e oregãos é muito bom e resolve a falta de coisas comestíveis no frigorífico (o tupperware com comida da semana passada já tinha bolor e não quis arriscar).

Tenho-me apercebido que a maternidade nos deixa mais giras. Não estou a falar daqueles primeiros meses em que parecemos um bidon, cansado e a cheirar a bolçado. Digo, depois. Quando já conseguimos despachar a mala deles em menos de nada e quando sair de casa já não parece uma missão impossível. Quando já fazemos tudo com uma perna às costas. Quando já não andamos tão inseguras e quando já conseguimos pôr um anti-olheiras. Quando, apesar de cansadas, ficamos felizes porque nos sorriem e nos chamam "mamã".

Acho que ficamos mais giras porque temos uma criança ali, connosco. Que, mesmo que seja um repolho (nunca vamos saber), nos valoriza. Porque agora somos mães. E, se conseguirmos ter o cabelo lavado e estar minimamente arranjadas, temos um brilho especial, porque estamos felizes e nos sentimos completas. E isso nota-se a léguas. Porque temos o maior dos desafios em mãos e isso nos dá uma aura especial. Com ou sem pneu. Com os braços em forma de bacalhau ou com braços de atleta de remo.

Dantes achava que para estar gira precisava de estar montada nuns saltos altos, maquilhada como se fosse sair à noite e chegava a pôr um decote com o meu melhor soutien. Agora? Sinto que não preciso disso. Sem grande maquilhagem, com um vestido comprido e umas sandálias rasas, cabelo lavado apanhado em trança e siga. A confiança é culpa dela. Só dela, que me faz sentir gira todos os dias. Tenho a certeza que, para ela, a mãe vai ser sempre gira. As mães são sempre giras.







A mãe desbronca-se (#09) - Porquê o nome Isabel?


A Filipa perguntou aqui e eu respondo. Porque Maria do Carmo ou Carminho já há às centenas, apesar de não me sair da ponta da língua. Se tiver outra menina... Bem. Gosto de Maria. De Luísa. De Júlia. De Teresa. De Josefina. Josefina não, estava a gozar. Gosto de nomes simples, clássicos e antigos, sem serem os nomes da moda. Gosto da ideia de dizermos "a Isabel" e não ser confundido com mais nenhuma prima ou filha de amigos. Segundo este raciocínio podia ser sido Lyonce, só que não. 

E porquê Isabel? Um dia, poucos dias depois de ter descoberto que estava grávida, marquei jantar com uma grande amiga, a Raquel. Contei-lhe e, entre lágrimas e emoção (tenho isso gravado, um dia mostro. Posso, Raquel? Posso, posso?!!!), e falámos logo de nomes. Eu disse-lhe que estava sem ideias, só sabia que gostava de Pedro e de Simão para rapaz. Ela sai-se imediatamente com Isabel. E o meu coração ficou bem cheio. O nome da minha mãe, o nome da minha avó, que morreu quando eu tinha 12 anos e de quem tenho muitas saudades. O nome da mãe do David. O nome da avó do David, que morreu no ano em que nos conhecemos. Uma homenagem às mulheres das nossas vidas e um nome de que gostamos (sim, porque se a mulher da minha vida se chamasse Leopoldina, como uma das minhas bisavós, tinham de ter paciência, porque não ia acontecer). Perfeito. Isabelinha, repetia a Raquel. Doce, betinho q.b., sem estar na moda. Isabel. Isabel Brás da Silva. Não mexe mais.


Há por aí mais Isabéis?