4.15.2015

Comunico muito pouco com o meu cérebro.

Comunico muito pouco com o meu cérebro no dia-a-dia. Não gosto de entrar em diálogo. Gosto de sentir, fazer e pronto. Isto leva a que cometa erros muito simples constantemente. Os mais comuns são errar profundamente na escolha do tamanho do tupperware para guardar comida, mas mesmo de forma preocupante. 

Não sei se já disse aqui, mas é um exemplo que dou frequentemente: com aquelas caixinhas de enfiar as peças de formas diferentes (a estrela, o cubo, o cilindro, etc), em vez de olhar onde é que a estrela deve caber, prefiro fazer à bebé e tentar em todas primeiro. Não me importo por perder mais tempo se falhar, porque se acertar sinto-me a maior do mundo por ter sido muito rápido. É, no entanto, uma experiência dolorosa para quem goste de mim e esteja a olhar. Tenho a certeza que muitas das vezes o meu marido trauteia uma música triste para dentro enquanto me vê a fazer estas coisas, tentando imitar um anúncio de pedido de contribuição monetária para uma coisa de solidariedade. 

Imagino o copy (com uma voz muito bem colocada e séria): 

"Tem quase 30 anos. Já é mãe. É incapaz de pensar por um segundo que seja. [isto enquanto estou feita parva, de língua de fora, a tentar acertar com a estrela no cubo]. Isto já é a seguir de pena. Isto é triste."

Aqui ela tinha 1 dia de vida. <3


Eu gosto de fazer coisas parvas. Gosto de me rir comigo própria. Raramente falho em coisas importantes (aí estou mais atenta), por isso não tenho vergonha.

Ficar meia hora a descobrir como se abre um copinho da Avent pode ser um embaraço para a maior parte, mas eu rio-me sempre que penso nisso. Ter demorado mais de meia hora aos 15 anos a descobrir como se montava uma tábua de engomar, também. Tentar enfiar 5 litros de sopa num tupperware para guardar molhos... Ligar a água para tomar banho, estar no modo de chuveiro e ficar toda encharcada.  A última gira é terem começado a aparecer fraldas sujas no cesto de roupa suja e não sei se sou eu ou o Frederico, sequer. 

Isto claro que piorou desde que a Irene nasceu e estou sempre cansada por não dormir bem. Os acidentes durante a noite são os mais parvos. Também vos acontece? 

Eu não ligo nenhuma luz à noite. Gosto de me armar em super-mulher, com super-poderes e vou (sem usar as mãos para ir apalpando) percorrendo o caminho para o quarto da miúda. Já bati com o focinho em portas, já dei uma biqueirada na mesinha de cabeceira, ja ia tropeçando numa pantufa e nem uso pantufas, já dei umas patadas nos gatos que adormecem em sítios perfeitamente imbecis de vez em quando. 

A que aconteceu (se não foi ontem, foi há muito pouco tempo) foi ter posto a Irene ao colo para mamar e nada acontecer. Ela estar a chorar e não pegar na mama que tinha posto de fora. Esquisito. Depois lá percebi que tinha pegado na miúda ao contrário. Ela tinha ficado ao contrário na cama, dentro do saco de dormir. Peguei nela com a cabeça virada para o chão (imaginem acordar assim e a mãe pegar assim em vocês) e depois fiquei à espera que os pés dela mamassem. Pensei: "a miúda está estragada!", mas não. Tem uma mãe parva e cansada. 

Sei que não sou a única, mas fica a dica: os pés não mamam. 


A minha filha já é famosa

Estava eu numa loja em Santarém a experimentar roupa (tão gira!) quando ouço o seguinte diálogo a vir da rua, onde a minha mãe estava com a Isabel.

Senhora - A cara da bebé não me é estranha.
A minha mãe - Mas é de Lisboa.
Senhora - Ah! Não é do blogue?

Apareço eu, incrédula, que estava a ouvir do lado de dentro.
A minha mãe - ... Sim...
Eu - ... Sim...
Senhora -  Bem que eu a estava a reconhecer. É a Isabel e a Irene.

Foi isto. Creepy. A sério, assusta. Mas é tão bom. Mas é estranho. Mas é bom. Mas é estranho...

Truque infalível.

Pelo menos cá em casa. 

A Irene passa o dia inteiro com ambos os pais em casa. Acho que é óptimo para ela. Às vezes, para nós, nem tanto. É difícil conciliar os timings de cada um de fazer as coisas e, acima de tudo, as crenças. 

Ironicamente, quando um de nós sai, a miúda come melhor e dorme a horas melhores. Enfim, mas estou em negação em relação a isso.

Sempre que um de nós saía, sempre que ela nos via calçados ou vestidos sem ser com os habituais pijamas (sim, não me visto para andar por casa, acho parvo ficar mais desconfortável só porque sim), ficava nervosa e a antecipar a nossa saída. A tal ansiedade da separação.

É mesmo a Irene, tirada pelo Pai.
Tirada, a fotografia, não tirada de dentro de mim que ele não é parteiro.


Claro que as mães e os pais que têm de deixar os bebés na creche têm muita mais experiência nisto da separação que nós, mas o meu marido, teve mais uma sugestão das boas (às vezes sai-lhe ;)). 

Estava eu a calçar-me para sair, a vestir-me e isso. A Irene já estava a perceber que me ia embora. Eu estava na sala a olhar para ela à espera de a apanhar distraída para sair de casa sem ela dar conta. No fundo, ia fazer como sempre. Sair e, quando ela reparasse, ia começar a chorar. 

O Frederico disse: "por que é que não vou com ela até à porta e ela te vê sair?". Assim fizemos e nem chorou.

As mães como eu vão perceber que fiquei um bocadinho triste por ela não ter chorado, do género "é assim tão fácil esquecer-se do amor da sua vida?". Por outro lado (eheh e agora a sério), ainda bem. Agora fazemos isso para tudo. Mesmo quando estou a adormecê-la à noite, tento não sair à socapa e digo "boa noite". 

Para quem não se quer separar de nós é, provavelmente, pior irmos de fininho sem dizer nada do que agir naturalmente. 

Com a Irene é assim.

Como é que vocês fazem?